Tess
Andres Mann






Tess

O horror do trÃ¡fico humano

ANDRES MANN




Direito autoral Â© 2018 Andrew Manzini


Todos direitos reservados. Exceto conforme permitido sob a Lei de direitos Autorais dos EUA de 1976, nenhuma parte desta publicaÃ§Ã£o pode ser reproduzida ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio, ou armazenada em um banco de dados ou sistema de recuperaÃ§Ã£o sem a prÃ©via permissÃ£o por escrito do editor. Esta Ã© uma obra de ficÃ§Ã£o. Nomes, personagens, lugares e incidentes sÃ£o produtos da imaginaÃ§Ã£o do autor, ou foram usados de maneira fictÃ­cia. Qualquer semelhanÃ§a com pessoas reais, vivas ou mortas, eventos ou locais, Ã© mera coincidÃªncia.

Novel Green Publishing

TraduÃ§Ã£o portuguesa publicada pela Tektime






V 3

Traduzido para portuguÃªs por Marcella Lima






Para verdadeira Tess, minha inspiraÃ§Ã£o para essa histÃ³ria.




Ãndice


PrefÃ¡cio (#ulink_c6aa1984-00be-5457-b37c-a6faff926625)

Lista de personagens (#ulink_9e454da6-a0f8-54c2-87b1-6b5fa9028872)

1 - Cansada da mesmice (#ulink_3fda979d-fc71-50bc-b3d6-5eaf41f65b38)

2 - O vestido (#ulink_cd4d5486-aa96-554d-b5d0-2bf32c62dd95)

3 - Teoria da conspiraÃ§Ã£o (#ulink_d7d3811e-23eb-5b0c-9cd0-00d878bcabb6)

4 - Tom nativo (#ulink_03f23cd7-e607-5fc7-b4e1-1c9567707045)

5 - Um convite para festa (#ulink_838f3bc2-b59c-5306-86be-6b175342b987)

6 - Tentando fazer o bem (#ulink_f4d1f6af-bfa3-5a2d-9b75-1ea95909af8f)

7 - AlmoÃ§o em Paris (#ulink_6fa7e29d-d0d2-5f96-8d79-7b937d84d34d)

8 - Rezando pelas jovens (#ulink_3cd9d797-3732-5857-8f51-3e68a4259762)

9 - Investigando mais a fundo (#ulink_0a23c526-9886-533c-b3a2-d8e95f93be3c)

10 - Gentil persuasÃ£o (#ulink_715949b3-2b8a-5f3f-a2ec-ac2d8758cff0)

11 - Criando uma estratÃ©gia (#ulink_4b0a6b7b-1a17-57a2-9e60-cdcca5de9814)

12 - Em busca de legitimidade (#ulink_3529b08b-80f5-575d-b631-3d903b25a9d8)

13 - Um plano de aÃ§Ã£o (#litres_trial_promo)

14 - Presente de Deus (#litres_trial_promo)

15 - Ãfrica negra (#litres_trial_promo)

16 - Comprando uma noiva (#litres_trial_promo)

17 - Alice (#litres_trial_promo)

18 - Droit du Seigneur (#litres_trial_promo)

19 - Um dia no mercado (#litres_trial_promo)

20 - Atividades indulgentes (#litres_trial_promo)

21 - Yasmin (#litres_trial_promo)

22 - Bom para ser usado (#litres_trial_promo)

23 - A estudante descontraÃ­da (#litres_trial_promo)

24 - Empresa nigeriana (#litres_trial_promo)

25 - Moscou Blues (#litres_trial_promo)

26 - Problemas domÃ©sticos (#litres_trial_promo)

27 - Partilhando a presa (#litres_trial_promo)

28 - Uma pequena noite de mÃºsica (#litres_trial_promo)

29 - Bondage americana (#litres_trial_promo)

30 - O sol da FlÃ³rida (#litres_trial_promo)

31 - AÃ§Ãºcar mascavo (#litres_trial_promo)

32 - Uma verdade repugnante e desprezÃ­vel (#litres_trial_promo)

33 - Calor mexicano (#litres_trial_promo)

34 - DiversÃ£o na Argentina (#litres_trial_promo)

35 - Brincando com meninos (#litres_trial_promo)

36 - A culpa Ã© dos ancestrais (#litres_trial_promo)

37 - Trabalho sexual Ã© trabalho (#litres_trial_promo)

38 - Brincando no deserto (#litres_trial_promo)

39 - Casa comigo (#litres_trial_promo)

40 - O grande tour europeu (#litres_trial_promo)

41 - Perguntas indagativas (#litres_trial_promo)

42 - Cinq Ã  Sept (#litres_trial_promo)

43 - Um caso de deboche (#litres_trial_promo)

44 - Temores (#litres_trial_promo)

45 - Lambendo feridas (#litres_trial_promo)

46 â NegÃ³cio sÃ©rio (#litres_trial_promo)

47 - Disputa na fronteira (#litres_trial_promo)

48 - RevisÃ£o de projeto (#litres_trial_promo)

49 - A vida continua (#litres_trial_promo)

50 - Encerramento (#litres_trial_promo)

PosfÃ¡cio (#litres_trial_promo)

Sobre o autor: (#litres_trial_promo)

ReferÃªncias (#litres_trial_promo)




PrefÃ¡cio


Nossa histÃ³ria continua com Tess, Jake e a equipe tentando abordar o horror no mundo do trÃ¡fico humano e da escravidÃ£o sexual.

Este livro Ã© uma obra de ficÃ§Ã£o. Qualquer semelhanÃ§a dos personagens com pessoas reais Ã© mera coincidÃªncia. Contudo, muito dessa histÃ³ria Ã© baseada em eventos contemporÃ¢neos documentados, que foram relatados pela imprensa internacional.

Pessoas reais e figuras pÃºblicas mencionadas nesse livro, foram mencionados anteriormente por meio de informaÃ§Ã£o comumente.

As opiniÃµes e comentÃ¡rios polÃ­ticos expressos neste trabalho sÃ£o exclusivamente do autor.




Lista de personagens


Equipe de desenvolvimento de recursos estratÃ©gicos

(DRE)

â¢ Tess Turner, uma piloto de helicÃ³ptero militar e Vice Presidente da companhia de serviÃ§os militares, DRE.

â¢ Jake Vickers, casado com Tess. Um ex agente da CIA e Presidente da DRE.

â¢ General Morgan Turner, aposentado. Pai da Tess e agora CEO da NTC, uma fabricante de sistemas de armas avanÃ§ados.

â¢ Carmen Cabrera, uma piloto de helicÃ³ptero, uma grande amiga de Tess e gerente geral.

â¢ Nicola Orsini, companheiro de Carmen, um piloto italiano e especialista em sistema de armas e lÃ­nguas.

â¢ George Kimmel, profissional da inteligÃªncia militar.

â¢ Ken Ross, um atirador de elite e gerente geral.

â¢ Joe Slezak, gerente de tecnologia da informaÃ§Ã£o.

â¢ Galina Kutuzova, uma piloto de helicÃ³ptero russa e especialista em banco de dados.

â¢ Alexander Ivanovich Tukhachevsky, Alex Tuck, um russo especialista em armas.

â¢ Claudine Bisson, chefe do DRE em Paris.

â¢ Ifeyinwa Idigbe Ukume, conhecida por Alice, uma detetive nigeriana.

â¢ John Powers, especialista em armas.

VilÃµes

â¢ Laurent Belcour, chefe da organizaÃ§Ã£o de desenvolvimento internacional (ODI).

â¢ Bertrand Dubois, um cafetÃ£o que trabalha com Laurent Belcour, conhecido como Bert the Pimp.

â¢ RenÃ© Manville, gerente noturno de um luxuoso hotel na FranÃ§a.

â¢ David Roquet, chefe de uma empresa de fabricaÃ§Ã£o no norte da FranÃ§a.

â¢ Bernard Jouet, um pequeno empresÃ¡rio, foi presidente de uma companhia de importaÃ§Ã£o e exportaÃ§Ã£o e ativo em um partido polÃ­tico local.

â¢ Jean-Louis Laroche, um chefe de polÃ­cia sÃªnior.

â¢ Christophe Roussel, um advogado de grande escalÃ£o.


VÃ­timas

â¢ Yasmin, uma arqueÃ³loga sÃ­ria, foi prisioneira do ISIS, posteriormente se tornou membro do DRE.

â¢ Suchin Montri, uma prostituta tailandesa.

â¢ Lucie Benoit, uma escritora francesa.

â¢ Georgeta, uma prostituta de Bucareste, RomÃ©nia.

â¢ Olga, uma sobrevivente de um cÃ­rculo de trÃ¡fico de escravas sexuais.

â¢ Sophie Broussard, uma prostituta francesa.




1 - Cansada da mesmice


Tess e Jake completaram o estÃ¡gio final de treinamento de equipamentos, agora estavam prontos para aplicar a avaliaÃ§Ã£o aÃ©rea final para os oito pilotos do Camboja.

Vestindo o traje aÃ©reo do exÃ©rcito americano, Tess, Jake, Carmen e Nicola dirigiram-se para os dois helicÃ³pteros de ataque Apache na pista. Mesmo confiantes que os pilotos passariam no teste, eles estavam apreensivos. Muitas coisas ainda poderiam dar errado - falha de equipamento, um ataque de pÃ¢nico de Ãºltima hora ou simplesmente um erro. Quatro horas e meia depois, os helicÃ³pteros voltaram a base e se preparam para pousar.

- Obrigada aos cÃ©us! Tess murmurou para si mesma. NÃ£o tinha um Ãºnico mÃºsculo em seu corpo que nÃ£o doesse. Ela mal podia esperar para sair da cabine do piloto e esticar as pernas.

Arun, seu estudante co-pilot do Camboja, estava ocupado com a cabine acima dela. Ele estava no controle, cuidadosamente manobrando o helicÃ³ptero WAH Apache na beira da pista e esperando sua vez para pousar.

Tess assistia como Jake, no outro helicÃ³ptero, reduzia gradualmente a altitude em preparaÃ§Ã£o para o pouso. Ela quase podia sentir o breve solavanco quando a aeronave pousou. Pouco depois de parar o motor, o piloto acionou as lÃ¢minas dobrÃ¡veis do helicÃ³ptero, prendendo-as atrÃ¡s do capÃ´, uma aÃ§Ã£o como a dobra das asas de uma borboleta monarca.

ApÃ³s o intenso treinamento no sistema, armamento, sensores e armaduras dos Apaches, Tess estava confiante nas habilidades de voo de Arun. - Leve a para baixo. - ela disse.

Tess nÃ£o podia ver o rosto dele, mas suspeitava que era uma mistura de medo e excitaÃ§Ã£o. Enquanto eles pairavam sobre o asfalto, ela de repente sentiu o vento aumentar. Isso era no Camboja, o que significa que tempestades repentinas dominavam o dia. - Ã irmÃ£o - ela disse - Essa nÃ£o vai ser uma aterrissagem fÃ¡cil.

Houve um baque! O helicÃ³ptero aterrissou com um forte solavanco e se estabeleceu na pista. A equipe em terra correu para proteger a mÃ¡quina. Tess arrancou seu capacete e esfregou as tÃªmporas. Nunca foi propensa a dores de cabeÃ§a, mas agora tinha uma. 'Bom, agora combina com as dores do resto do corpo. ' ela pensou.

Ela pulou para fora do helicÃ³ptero e, uma vez do lado de fora, ela checou com Arun como ele abriu o dossel. O homem nÃ£o estava feliz. O pouso foi difÃ­cil e ele estava chateado com seu desempenho.

- Vamos, se anima Arun. VocÃª nÃ£o sÃ³ fez um bom trabalho como tambÃ©m aprendeu uma liÃ§Ã£o valiosa: Sempre pousar contra o vento. Agora vamos dar o fora daqui!

Da mesma forma que ela caminhou dolorosamente para torre de controle, ela estava grata que o trabalho estava finalmente feito. Ela e sua equipe de DRE estavam no Camboja treinando pilotos sob um contrato da AgÃªncia de CooperaÃ§Ã£o de SeguranÃ§a de Defesa dos EUA. O governo comprou dois helicÃ³pteros de ataque AH-64E Longbow Apache, equipamentos associados e apoio logÃ­stico.

Tess e Jake trabalharam nesse projeto com seus grandes amigos Carmen Cabrera e Nicola Orsini, gerentes gerais da DRE. Com seus capacetes debaixo dos braÃ§os, o casal, que estava exausto, caminhou atÃ© o carro alugado e, como de costume, Jake se ofereceu para dirigir. ' Tudo bem por mim.' pensou Tess.

Ela se acomodou no banco e fechou os olhos. - Isso estÃ¡ ficando ultrapassado pessoal. JÃ¡ fazemos isto hÃ¡ oito anos e o trabalho tornou-se rotina. Eu queria que nÃ³s nÃ£o tivessemos uma polÃ­tica da empresa exigindo que os gerentes participem dos projetos. PoderÃ­amos ter deixado as tropas para fazer o trabalho.

- Tess, vocÃª Ã© quem insistiu nessa regra. - disse Carmen. - Ao escalar gerentes em projetos, garantimos que permaneÃ§amos em contato com o que estÃ¡ acontecendo no campo. A Ãºltima coisa que precisamos Ã© ficar preso atrÃ¡s de uma mesa de escritÃ³rio.

- Eu sei. - Eu acho que estou tendo cada vez mais dÃºvidas sobre o que fazemos, se Ã© realmente nobre e correto. Afinal, tudo o que fazemos Ã© ensinar pessoas como utilizar equipamentos que sÃ£o projetados para matar. Eu estive pensando se poderÃ­amos fazer algo um pouco mais inspirador.

- Nesse momento eu realmente nÃ£o quero pensar sobre isso. - disse Jake. - Eu quero tomar um banho, preferencialmente com vocÃª, ter uma boa refeiÃ§Ã£o e celebrar nosso aniversÃ¡rio.

Tess sorriu. - VocÃª Ã© um pervertido.

- Quem dera. Eu sou tÃ£o quieto quanto eles vÃªm.

- Sim, mas vocÃª Ã© meu quietinho. E eu gosto muito disso.

Carmen nÃ£o resisti a brincadeira. - Muito bem vocÃªs dois. Arrumem um quarto. Agora eu tenho que convencer esse peso morto ao meu lado a fazer o mesmo.

Nicola se esticou. - SÃ³ se vocÃª fizer todo o trabalho e ficar em cima de mim, querida. Minhas costas estÃ£o me matando.

- Cuidado com o que vocÃª deseja, pode virar realidade. Todos riram.

A viagem durou apenas vinte minutos e eles chegaram ao Sofitel em Phnom Penh. Os dois casais se arrastaram para fora do carro e foram para suas respectivas suÃ­tes. O hotel era lindo. Eles tinham quartos fantÃ¡sticos: espaÃ§osos, impecÃ¡veis, ostentando uma enorme cama e uma varanda com vista para a piscina. Os funcionÃ¡rios do hotel sabiam do aniversÃ¡rio de Tess e Jake e insistiram em dar-lhes um bolo de lua de mel e uma seleÃ§Ã£o de lindos frutos.

Jake fugiu para o chuveiro. Enquanto Tess esperava que ele terminasse o banho, ela serviu meia taÃ§a de uÃ­sque single malte e se acomodou na varanda, apreciando o pÃ´r do sol e sentindo o aroma das flores tropicais. Depois de dez minutos, ele saiu do chuveiro apenas com a calÃ§a do pijama.

- Sua vez querida. - ele disse, dando-lhe um beijinho na bochecha. Ela mancou em direÃ§Ã£o ao chuveiro e comeÃ§ou o ritual: Shampoo, condicionador, sabonete e esfoliante. ApÃ³s o banho, depois de passar o creme de pele, ela vestiu uma linda camisola esmeralda. Se olhando no espelho, ficou satisfeita em ver que ainda estava decente. Muito bem na verdade.

ApÃ³s um dia igual ao que eles tiveram, Tess e Jake estavam muito cansados para sair para jantar. Ela pode se contentar com serviÃ§o de quarto e um pouco de amor. Ela se levantou e procurou por alguma aspirina para aliviar as dores em seu corpo. Assim que entrou na sala, ela encontrou Jake esparramado e dormindo no sofÃ¡. 'Bem' ela pensou, 'Esse aniversÃ¡rio vai para o livro de histÃ³ria'. ' NÃ³s estamos ficando velhos.' Exausta e aliviada, ela saiu de sua camisola e foi para debaixo dos lenÃ§Ã³is.




2 - O vestido


Tess acordou de manhÃ£ depois de nove horas de sono. Ela virou-se para o lado da cama onde Jake deveria estar, mas ele nÃ£o estava lÃ¡. Tudo o que ela viu foi um bilhete no travesseiro.

"Desculpe querida, mas eu simplesmente nÃ£o consigo resistir a uma viagem para Angkor Wat. NÃ£o te acordei porque sei que uma caminhada na floresta nÃ£o Ã© seu estilo. Eu prometo voltar a tempo do nosso compromisso hoje a noite. Eu amo vocÃª."

'Ãtimo, muito bem.' ela pensou. - Agora o que vou fazer hoje? A praia e a piscina estÃ£o fora de questÃ£o; nÃ£o existe protetor solar suficiente no mundo para proteger minha pele tÃ£o delicada. AlÃ©m do mais, quem vai passar o protetor nas minhas costas? Hmm, talvez eu deva descobrir o que a Carmen e o Nicola vÃ£o fazer.

Tess pegou o telefone e ligou para Carmen. - Hey, Jake me trocou por Angkor Wat. VocÃªs planejam fazer algo?

Carmen bufou: - Duvido muito. Nicola, o obcecado, me abandonou para ajudar com a manutenÃ§Ã£o no hangar. Aquele homem Ã© incapaz de nÃ£o colocar as mÃ£os na massa. EntÃ£o, estamos por nossa conta. Alguma ideia?

- Bem, eu estava morrendo de curiosidade para ver aquele vestido de noite que vocÃª tanto fala. - respondeu Tess. - Que tal eu dar um pulo ai e dar uma espiada?

Carmen suspirou: - Esse Ã© o problema nÃºmero dois. NÃ£o cabe.

- Como?! Tess gritou. - Estou a caminho. Ela rapidamente vestiu suas calÃ§as de seda, sua tÃºnica e foi correndo para o elevador.

Carmem abriu a porta na primeira batida. Ainda de camisola, ela tinha um corpo que faria qualquer homem - e atÃ© mesmo algumas mulheres invejosas - desmaiar. Pequena, quando comparada com um metro e sessenta e cinco de altura de Tess. Carmen era Ã¡gil, musculosa e tinha seios que fariam qualquer cirurgiÃ£o plÃ¡stico chorar de inveja. Mas foi a expressÃ£o em seu rosto que fez Tess parar no meio do caminho. Carmen olhou como se estivesse prestes a chorar. Carmen chorando? Tess a conhecia hÃ¡ mais de dez anos, jÃ¡ passaram por poucas e boas, e nunca a viu derramar uma Ãºnica lÃ¡grima. 'Estamos encrencadas.' pensou Tess. Delicadamente ela pegou o braÃ§o de Carmen e a levou para o sofÃ¡.

- Agora me diga, o que estÃ¡ acontecendo?

Carmen respirou fundo. - Acabei de receber o vestido por correio, e eu amei, mas nÃ£o acomoda  eles . - ela balanÃ§ava suavemente os seios com as mÃ£os.

- Ok. - Tess entrou no modo de resoluÃ§Ã£o de problemas. - Deixe-me ver o vestido e vamos descobrir alguma maneira de fazer com que ele caiba. Carmen se levantou e foi atÃ© o armÃ¡rio do quarto. Ela voltou com uma roupa nas mÃ£os e Tess quase caiu do sofÃ¡. O vestido era maravilhoso: uma gola alta arco-Ã­ris de chiffon e cetim, mangas compridas e uma separaÃ§Ã£o entre o corpete e a saia envolvida por um fino cinto dourado.

âPerfeito para mostrar a pequena cintura da Carmenâ, pensou Tess. Foco; Temos um problema para resolver aqui. Ela pegou o telefone e ligou para recepÃ§Ã£o.

- Eu preciso de um bom alfaiate aqui AGORA. Dinheiro nÃ£o Ã© problema. Virou-se para Carmen e contou sua ideia.

- Eu acho que devemos eliminar essa parte da gola e fazer um lindo decote em 'V', dando liberdade para vocÃª se mover e mostrar um lindo colar.

Tendo trabalhado com ela por anos, Carmen jÃ¡ estava acostumada com as habilidades de Tess em resolver problemas. Ela poderia improvisar e desenvolver soluÃ§Ãµes em um piscar de olhos.

AlguÃ©m bateu na porta. - Estou indo. - disse Tess. Um pequeno homem, por volta dos seus cinquenta anos, estava parado a porta olhando para ela.

- Meu nome Ã© Narin e eu sou o melhor alfaiate do Camboja. O homenzinho impecavelmente vestido endireitou-se, com o canto da boca levantado, sugerindo irritaÃ§Ã£o, arrogÃ¢ncia e desdÃ©m. Bem que ele poderia ser o Rei. Tess nÃ£o lida muito bem com pessoas arrogantes, e se ela nÃ£o estivesse desesperada em relaÃ§Ã£o a resolver o problema do vestido, ela iria considerar seriamente em bater naquela criatura desagradÃ¡vel. Ela suprimiu seu infame temperamento e decidiu tolerar o homem, pelo bem de todos.

- Por favor, entre. Narin nÃ£o se moveu, continuou parado igual uma pedra, seus olhos fixos numa visÃ£o deliciosa do corpo de Carmen quase nu. Bastou para Tess quase perder a paciÃªncia.

- Narin, faÃ§a o favor de trazer sua bunda atÃ© aqui. NÃ³s temos um grande trabalho para vocÃª e tens apenas cinco horas para fazÃª-lo. O homem finalmente entrou no quarto e foi atÃ© a cama, onde o vestido se encontrava esticado.

- Ã um Roberto Cavalli! Eu o adorei desde o momento em que eu o vi na Vogue, e eu posso ver por que ele precisa de ajustes. NÃ£o hÃ¡ nenhuma maneira desse corpete caber nesses seios extraordinÃ¡rios. - disse ele enquanto espreitava o decote de Carmen.

Tess ignorou o fato do homem estar comendo Carmen com os olhos, e descreveu exatamente o que queria que fosse feito com o vestido.

- Eu preciso tirar as medidas dela... nua. - disse o alfaiate.

Carmen podia sentir o chÃ£o tremer e a temperatura subir. Tess estava apenas a um milÃ­metro de estourar.

- Tess, tudo bem. Enquanto ele faz isso, me diz o que vocÃª vai vestir esta noite.

- Ah, o de sempre. Armani. Eu amo sua simplicidade e caimento. Meu vestido tem apenas uma camada simples, um decote canoa e as costas completamente nuas. Ã um vestido dupla face de seda, marfim- vocÃª me conhece; Eu gosto de coisas simples.

- Sim - disse Carmen. - Ã como achar que o presidente Ã© apenas uma pessoa como qualquer outra.

O alfaiate Narin acabou de tirar as medidas e comeÃ§ou o trabalho.

- Quanto tempo atÃ© a primeira prova? Tess perguntou.

- TrÃªs horas. - o homem respondeu enquanto manuseava o tecido.

- Carmen, eu tenho uma ideia: Vamos para o spa relaxar- por minha conta.

- Ãtimo. Eu com certeza poderia relaxar um pouco agora - respondeu Carmen com um largo sorriso. Ela vestiu umas calÃ§as de linho e um top de seda e foi.

O spa nÃ£o era nada menos do que magnÃ­fico. Uma luz suave emanava de mÃºltiplas camadas de lustres; paredes de mÃ¡rmore foram emolduradas com arte cambojana e pisos padronizados levavam a uma mesa ornamentada que deve ter vindo de um castelo francÃªs.

Tess verificou com a recepcionista. - NÃ³s sÃ³ temos trÃªs horas, serÃ¡ que vocÃª consegue uma massagem, tratamento facial, manicure e pedicure pra gente nesse tempo?

- Claro. - A recepcionista respondeu com um sorriso padrÃ£o. - Por favor, deixe-me leva-las ao vestiÃ¡rio. Retirem suas roupas e coloquem o roupÃ£o que estÃ¡ pendurado lÃ¡. Um ajudante irÃ¡ direciona-las para sala de massagem.

Cinco minutos depois, Carmen e Tess estavam deitadas, de de rosto para baixo na mesa de massagem mais suave que se pode imaginar. Os massagistas, um homem e uma mulher, se olharam e se direcionaram cada um a sua cliente. Para o desÃ¢nimo de Carmen ela ficou com a mulher, e Tess com o homem. 'Hmm, tamanho importa sim.' ela pensou. Um hora depois, calmas e relaxadas, elas foram para outra sala impressionante.

O tratamento facial comeÃ§ou com toalhas quentes seguido por creme, mÃ¡scara de oxigÃªnio e terapia de ponto de pressÃ£o. O Ãºltimo machucou um pouco Tess, mas aliviou a pressÃ£o na Ã¡rea da sinusite; Voar em helicÃ³pteros e aviÃµes faz isso com os humanos a bordo. A prÃ³xima fase era manicure e pedicure. Tess sÃ³ queria pedicure, ela nÃ£o permitiria ninguÃ©m tocar em suas mÃ£os de pianista. Carmen queria tudo o que tinha direito.

Enquanto aproveitavam os mimos, elas discutiam sobre a formal recepÃ§Ã£o dada por seus anfitriÃµes. Em circunstÃ¢ncias normais, elas iriam preferir passar o tempo com seus companheiros, sem se importar em socializar de maneira obrigatÃ³ria. Mas o evento foi em homenagem a eles, logo, eles foram obrigados a participar. Com um olhar pervertido, Carmen arqueou a sobrancelha para Tess e brincou - Eu consigo pensar em coisas muito mais prazerosas para fazer. Tess sorriu completamente de acordo. As duas ainda eram apaixonadas por seus maridos. Quando as unhas de Carmen finalmente secaram, elas se vestiram e voltaram para suÃ­te para checar o andamento do vestido.

- O que diabos estÃ¡ acontecendo? Carmen gritou ao abrir a porta. A mobÃ­lia foi empilhada nos cantos. A sala estava ocupada com duas mÃ¡quinas de costura e trÃªs costureiras trabalhando no chÃ£o, completando na mÃ£o, a costura de uma fina tranÃ§a de ouro para o novo decote.

- GraÃ§as a Deus que vocÃª estÃ¡ aqui! - Narin exclamou enquanto puxava Carmen pela mÃ£o. - Por favor, tire a roupa e experimente o vestido.

Carmen levantou o vestido com admiraÃ§Ã£o. Sim, era diferente, e ainda assim o mesmo. Tudo o que ela conseguiu dizer foi: - Surpreendente. Segurando o vestido como se fosse a coisa mais preciosa na terra, ela correu para o quarto para experimenta-lo. Um grito de puro prazer encheu o ar. Narin sorriu, seu rosto ostentava um sorriso esplendoroso, como se estivesse contemplando uma obra-prima.

- Bem, deixe me ver. - disse ele.

Carmen saiu cautelosamente e encarou Tess. - O que vocÃª acha?

- VocÃª estÃ¡ deslumbrante. - Tess finalmente respondeu. - Ok, o plano Ã© o seguinte: VocÃª vai devolver o vestido para o Narin terminar e, enquanto isso, nÃ³s vamos ao meu quarto escolher um colar.

Carmen concordou, dando risadinhas enquanto iam. Quando entraram na suÃ­te de Tess, a secretÃ¡ria eletrÃ´nica indicava que tinha uma mensagem. Era Jake, dizendo que jÃ¡ estava na metade do caminho e deveria chegar logo.

Tess correu para o quarto e voltou com um pequeno estojo de joias de veludo preto. Carmen geralmente nÃ£o usava joias, entÃ£o isso era uma nova experiÃªncia para ela. Ela engasgou quando Tess abriu o estojo. O conteÃºdo brilhava e brilhava, uma peÃ§a mais impressionante do que a outra. Tess puxou cada peÃ§a de joia para fora e colocou em uma almofada de veludo.

- Jake me comprou isso na escala de Hong Kong a caminho daqui. Ele nÃ£o fazia ideia do que me dar em nosso dÃ©cimo aniversÃ¡rio de casamento, entÃ£o ele gastou uma fortuna nessa joia da coroa. Ãs vezes vocÃª apenas nÃ£o consegue controlÃ¡-lo.

- Claro, reclame sobre isso com outras mulheres. VocÃª vai ter vÃ¡rias a seu favor. - Carmen brincou.

- De qualquer forma, qual dessas vocÃª gostaria de usar?

- VocÃª escolhe Tess, eu simplesmente nÃ£o consigo.

Tess, como sempre, tomou uma rÃ¡pida decisÃ£o. Ela puxou um colar com uma fina corrente de ouro, uma safira rosa e azul deslumbrante envolto em diamantes pendurados.

Carmen assentiu com a cabeÃ§a de acordo, maravilhada com o cintilar da joia. - Bem, isto darÃ¡ as pessoas uma boa desculpa para encarar os meus seios.

Tess riu. - Jake vai chegar logo, entÃ£o eu tenho que entrar logo no banho para tirar todos esses cremes do meu corpo. VocÃª pode ficar aqui atÃ© que eles terminem o vestido e arrumem o seu quarto.

- NÃ£o, obrigada. - Carmen respondeu com um olhar travesso. - Esse Ã© o seu aniversÃ¡rio. Eu nÃ£o quero interferir com quaisquer atos pervertidos que vocÃª tenha em mente. Ela abraÃ§ou Tess e saiu.

Jake chegou vinte minutos depois e correu para o chuveiro. Quando ele saiu, Tess ofereceu-lhe um UÃ­sque, o qual ele ficou feliz em aceitar. Eles entÃ£o foram para varanda. O tempo finalmente tinha arrefecido um pouco, e o cheiro das flores tropicais perfumavam o ar.

- Como foi Angkor Wat? Tess perguntou.

- MagnÃ­fico, valeu a pena a viagem; eu aprendi muito.

- AmanhÃ£ quero que vocÃª me conte tudo.

- Eu vou mostrar a vocÃª um monte de fotos que eu tirei.

- Eu nÃ£o consigo acreditar que jÃ¡ fazem dez anos desde que nos casamos." disse Tess. - Parece que foi ontem.

Jake tomou um gole de sua bebida e sorriu. - Talvez tenha a ver com o fato de que somos da mesma opiniÃ£o, ou melhor, que eu sempre faÃ§o o que vocÃª quer.

Tess, levantou-se e montou sobre Jake. - Pode ser porque eu sempre achei vocÃª sexy, Dr. Vickers? Ela correu as unhas pelo peito dele e em seguida deu-lhe um grande beijo na boca. Ela tomou seu rosto em suas mÃ£os e manteve se a beijÃ¡-lo, lentamente, deliberadamente. Jake, como de costume, avidamente respondeu e envolveu seus braÃ§os ao redor dela.

- VocÃª quer ver o que eu tenho vocÃª para o nosso aniversÃ¡rio? - ele perguntou.

- VocÃª jÃ¡ me deu muito. Agora, eu quero vocÃª em cima de mim.

Jake era forte. Ele se levantou com ela ainda enrolada em torno dele e a levou para o quarto, onde ele a deitou. - Agora Sra Vickers, seu marido vai fazer amor com vocÃª.

- Que delÃ­cia.




3 - Teoria da conspiraÃ§Ã£o


Carmen estava irritada. - Tess e Jake vÃ£o se atrasar e querem que a gente vÃ¡ na frente para festa. Eu nÃ£o quero ir sem eles! Eu preciso da Tess!

- Meu amor, vocÃª estÃ¡ tÃ£o linda que me deixa sem palavras. - Nicola disse, sorrindo. - NÃ£o se preocupe. VocÃª tem a mim para te proteger dos olhares inevitÃ¡veis.

Carmen murmurou para si mesma - Eu nÃ£o consigo resistir a esse homem. Ele pode encantar uma cobra na grama se quiser. - Ela lhe deu um beijo na bochecha e eles foram em direÃ§Ã£o ao salÃ£o de festas.

O objetivo social do governo era celebrar a aquisiÃ§Ã£o e pleno funcionamento da nova aeronave. Desde que o evento foi anunciado como formal, Jake vestiu um smoking e Tess vestiu o seu vestido de noite Armani. Como era de se esperar, ela ficou deslumbrante no elegante vestido.

Eles chegaram ao salÃ£o, apresentaram seus convites e foram anunciados: - Coronel Jake Vickers e Major Tess Turner.

No piso inferior, muitos dos dignitÃ¡rios e suas esposas jÃ¡ estavam socializando. VÃ¡rios casais ocidentais estavam se aglomerando, cumprimentando uns aos outros. Os pilotos Apache recÃ©m-formados correram para cumprimentar seus treinadores. Agora eles faziam parte da elite militar, e eles eram muito gratos a Jake e Tess por isso.

Um enorme piano Steinway chamou a atenÃ§Ã£o de Tess. Mesmo que ela tenha um Steinway em casa, ela raramente tinha a oportunidade de tocar o modelo D, um magnÃ­fico instrumento que foi a escolha de muitos artistas importantes para suas apresentaÃ§Ãµes em concertos. Ela podia sentir seus dedos formigando. Jake acompanhou o olhar de Tess e percebeu que ela adoraria tocar esta noite.

General Atith Thuy, o oficial sÃªnior do Camboja, aproximou-se deles e os cumprimentou. - Ã um prazer ver vocÃªs de novo! Eu ouvi que vocÃª fizeram um trabalho incrÃ­vel ao treinar os nossos pilotos e pessoal de manutenÃ§Ã£o! GostarÃ­amos de expressar nossa gratidÃ£o, entÃ£o por favor, siga-me. Ele os levou atÃ© uma mesa florida onde havia uma caixa dourada em cima. - Tess, por favor, abra. - ele disse.

Tess retirou a tampa da caixa. No interior estavam duas lindas estatuetas de jade. Uma era a figura de Buda de Khmer e a outra era do rei Jayavarman VII, o construtor de Angkor Wat, em uma pose de meditaÃ§Ã£o contemplativa. As estatuetas valiam uma fortuna considerÃ¡vel, Tess ficou sem jeito com a generosidade do governo.

- NÃ³s nÃ£o temos palavras para expressar o quanto nÃ³s somos gratos, tanto por sua bondade quanto pela oportunidade de trabalhar com sua equipe maravilhosa. - disse Tess.

O general sorriu e entÃ£o eles mudaram de assunto. - Eu percebi que vocÃª estava admirando nosso piano. NÃ³s o pegamos emprestado de Singapura para um concerto, amanhÃ£ teremos um renomado pianista se apresentando, Helmut Hoffman. VocÃª toca?

- Sim. - ela respondeu - Eu gosto muito de tocar piano.

O rosto do general se transformou num enorme sorriso. - Que jeito esplÃªndido de comeÃ§ar essa festa! VocÃª tocaria para nÃ³s?

Tess olhou para Jake e recebeu um sorriso em resposta. - General, eu ficaria honrada.

Tess caminhou para o Steinway, impressionada com seu tamanho e esplendor de Ã©bano. Ela puxou o banco, sentou-se e testou os pedais. Ela entÃ£o correu suas mÃ£os suavemente sobre as teclas para sentir a resposta. Foi imediata e poderosa.

Tess sempre iniciava seus concertos com o PrelÃºdio de Bach e a Fuga em DÃ³ maior, a primeira parte de Well-Tempered Clavier, uma composiÃ§Ã£o lenta e sublime que tocaria a alma. O que ela tocou depois refletia seu humor no momento. Ela mudou para uma peÃ§a apaixonada e pensativa de Scriabin, o Etude NÂº 12 em dÃ³ sustenido menor. Ela planejava parar por ali, mas os aplausos do pÃºblico a persuadiram continuar a tocar.

Mais pessoas vieram para o salÃ£o de festa e tomaram os seus lugares nas mesas. Ela agora comeÃ§ou uma performance da primeira sonata para piano de Rachmaninoff. Ela preferiu tocar esta peÃ§a ao invÃ©s da mais conhecida, a segunda sonata. A mÃºsica era mais pensativa, direta e poderosa. Ela tambÃ©m parecia ter sido composta para mostrar a sonoridade do piano de cauda. Inspirada por Goetheâs Faust, a mÃºsica sugeria seu pacto com o demÃ´nio, que concordou dar tudo o que Faust desejava em troca de sua servidÃ£o no inferno. Cada passagem da composiÃ§Ã£o sugere que os trÃªs personagens, incluindo Marguerite e Mephisto. Tess trouxe habilmente o lado macabro e sombrio da mÃºsica com grande efeito. Os espectadores aplaudiram com entusiasmo, pedindo bis. Tess concluiu com uma emocionante e divertida peÃ§a de Albeniz Asturias. Quando os aplausos finalmente cessaram ela se levantou e se curvou em agradecimento.

As pessoas a rodeavam ansiosas para expressarem o apreÃ§o por seu talento. Parecia que eles estavam bem cientes de nÃ£o tocar em suas mÃ£os, mas estranhamente, os Europeus pareciam compelidos a tocar o resto dela. DesconfortÃ¡vel, ela olhou para Jake. Ele abriu caminho pela multidÃ£o, seguido pelo general, que agora estava acompanhado de um distinto cavalheiro de meia idade que vestia um smoking sob medida.

- Monsieur Laurent Belcour, chefe da organizaÃ§Ã£o de desenvolvimento internacional, ODI. Por favor conheÃ§a Major Tess Turner e Coronel Jake Vickers. Eles foram os responsÃ¡veis por treinar nossos pilotos e nos ajudaram com as aeronaves. Sem mencionar que eles nos proporcionaram um concerto inesquecÃ­vel.

- Eu ouvi que vocÃª fez um trabalho encantador. - disse Belcour enquanto olhava para Tess e galanteamente tomou suas duas mÃ£os e as beijou. -Isso faz com que eu queira ser um dos seus alunos piloto.

- VocÃª Ã© muito gentil, Monsieur Belcour. NÃ³s estÃ¡vamos apenas fazendo o nosso trabalho.

- Quem me dera que tivÃ©ssemos nos conhecido antes, Tess... Posso chamÃ¡-la de Tess?

- Claro, Monsieur Belcour, preferimos ser informais.

- Por favor, me chame de Laurent.

Belcour ficou sÃ³ olhando, focado exclusivamente em Tess e ignorando totalmente Jake. Os olhos dele estavam devorando ela, fixo em seus seios e em seu Ã¡gil e lindo corpo.

- Como vocÃª entrou para este negÃ³cio Tess? Eu desconheÃ§o qualquer outra mulher tÃ£o bela que seja uma especialista em equipamento militar.

- Eu era uma piloto militar e venho de uma longa linhagem de soldados.

- VocÃª deve ser parente do General Turner, estou certo?

- Sim, ele Ã© meu pai. Ele agora Ã© CEO da NTC, a fabricante de sistemas de armas avanÃ§ados.

- Eu encontrei seu pai algumas vezes. Ele era um general brilhante e Ã© Ã³timo no que faz agora. Eu, por outro lado, estou condenado a lidar com nÃºmeros na maior parte do tempo.

- VocÃª Ã© muito modesto Monsieur Belcour... Laurent, vocÃª tornou possÃ­vel para esse paÃ­s obter o sistema de helicÃ³pteros. Eles nÃ£o conseguiriam sem vocÃª.

- Verdade, mas esse Ã© o meu trabalho. Sou apaixonado por ajudar a melhorar os paÃ­ses em desenvolvimento. Ele fez questÃ£o de enfatizar apaixonado.

Belcour continuou dando em cima de Tess descaradamente, e ela foi ficando cada vez mais incomodada. Ela virou a cabeÃ§a para trazer Jake a conversa, mas ele tinha ido buscar uns drinks para eles. Por sorte, Nicola e Carmen apareceram para resgata-la. Depois de cumprimentarem uns aos outros e elogiarem suas aparÃªncias, Tess apresentou Carmen e Nicola a Belcour. Depois de um olhar apreciativo aos seios de Carmen, ele se virou para a Tess.

- Eu ouvi dizer que sua companhia estÃ¡ abrindo um escritÃ³rio em Paris. Isso Ã© surpreendente. NÃ³s teremos a chance de nos ver outra vez.

- Como vocÃª sabe disso, Laurent? NÃ³s nÃ£o anunciamos isso ainda.

- Eu gosto de me manter informado. Eu estou muito feliz que vocÃª tenha decidido expandir na FranÃ§a. ODI Ã© sediada em Paris tambÃ©m e organiza financiamentos para muitos paÃ­ses em desenvolvimento. NÃ³s podemos facilitar os negÃ³cios da sua empresa ajudando vocÃª a obter contratos.

- Obrigada Laurent, mas atÃ© agora nÃ³s conseguimos nossos contratos graÃ§as a nossa boa reputaÃ§Ã£o. Sinceramente, procuramos ajudar esses paÃ­ses, ajudando-os a selecionar e encomendar armamentos econÃ´micos.

- AdmirÃ¡vel. Estou ansioso para trabalhar com vocÃª num futuro prÃ³ximo. Por favor me avise quando chegar a Paris. Eu insisto em lhe levar ao meu restaurante favorito e quem sabe mais... - Seus olhos continuavam fixos nela.

Tess ficou aliviada quando Jake apareceu com seus drinks e Belcour foi levado para conhecer outros dignitÃ¡rios.

Tess olhou para Jake. - Aquele cara me causa arrepios. Eu acho que ele mexeu comigo.

Jake sorriu. - Ele Ã© um aristocrata francÃªs. EstÃ¡ em seu DNA tentar seduzir as mulheres.

- Ã bom saber que vocÃª nÃ£o estÃ¡ com ciÃºmes. Se fosse outro homem, teria acabado com ele.

- NÃ£o Ã© necessÃ¡rio socar alguÃ©m. Eu admiro seu bom gosto para mulheres, contanto que ele mantenha as mÃ£os longe de vocÃª.

Um ministro do governo pediu um brinde, agradecendo a todos por tornar realidade e concluir com sucesso a aquisiÃ§Ã£o de armamento moderno.

Jake nÃ£o pode resistir em sussurrar no ouvido de Tess. - Espero que ele saiba que com 35,5 milhÃµes de dÃ³lares por cada helicÃ³ptero alÃ©m de sistemas de apoio, ele poderia ter alimentado milhares de pessoas.

- Triste realidade, mas vamos dar a ele o benefÃ­cio da dÃºvida. Hoje em dia eles precisam reforÃ§ar suas defesas. O Camboja estÃ¡ situado em uma Ã¡rea bem perigosa do mundo.

- Eu acho que sim. Agora, vamos tentar desaparecer.

Jake e Tess apertaram algumas mÃ£os, agradeceram os anfitriÃµes pelo convite e tomaram o caminho para o quarto.

Tess conseguia sentir que algo estava incomodando Jake. - Quer me dizer o que estÃ¡ passando pela sua cabeÃ§a?

- Eu acho difÃ­cil um figurÃ£o como Belcour voar para o Camboja para celebrar um projeto tÃ£o pequeno. Ele poderia ter enviado outra pessoa em seu lugar. Eu acho que hÃ¡ algo mais nisso.

Tess lhe deu um beijo na bochecha. - Jake. As vezes eu acho que vocÃª estÃ¡ vivendo uma teoria da conspiraÃ§Ã£o.




4 - Tom nativo


Agora eles podiam relaxar de verdade, Jake alugou um Tuk Tuk, uma scooter motorizada com o espaÃ§o do motorista na frente, e uma pequena cabine coberta na parte de trÃ¡s para os passageiros. Ele entrou no Tuk Tuk junto com Tess, Carmen e Nicola. O motorista os levou para um passeio bem tranquilo pelos pontos turÃ­sticos de Phnom Penh. Eles viram as atraÃ§Ãµes mais comuns: O palÃ¡cio real com um templo de prata e o Museu Nacional, construÃ­do no estilo clÃ¡ssico Khmer pelos franceses durante a era colonial no final do sÃ©culo XIX. Eles tambÃ©m visitaram o Monumento da IndependÃªncia, que foi construÃ­do na dÃ©cada de 1950, mas tambÃ©m foi construÃ­do no antigo estilo Khmer. Os colonos franceses deixaram a sua marca, com vÃ¡rias moradias, igrejas francesas, avenidas com o estilo de arte e decoraÃ§Ã£o Phsar Thom Thmei.

De volta ao hotel, os casais tiveram um excelente jantar e, pela manhÃ£, aproveitaram o brunch com champanhe Veuve Clicquot do hotel. Eles haviam acabado de colher ostras que haviam sido trazidas da FranÃ§a, foie gras terrine e atÃ© raclette. Eles estavam desfrutando de um paraÃ­so francÃªs nos trÃ³picos, bem diferente da vida dos cambojanos que eles viram caminhando durante o passeio pela cidade.

Tess estava perfeitamente feliz, se deliciando com a piscina, usando mÃ¡ximo que podia de protetor solar e comendo nos restaurantes do hotel, mas sabia por experiÃªncia que sua indulgÃªncia nÃ£o duraria. Como previsto, no dia seguinte, Jake convenceu Tess e o outro casal a irem atÃ© a cidade para vivenciarem o cenÃ¡rio local.

Eventualmente eles acabaram entrando em um restaurante nativo. Ao visitar um novo lugar, Jake, o aventureiro gourmet, avidamente procura pratos nacionais, e este lugar era perfeito para saborear pratos exÃ³ticos. TÃ­pico do seu MO, Jake adquiriu um conhecimento prÃ¡tico da lÃ­ngua em apenas algumas semanas, e ao mesmo tempo aprendeu sobre a cozinha local. Agora ele queria provar a comida, uma atividade que geralmente alarmava Tess. Ela era mais conservadora em suas preferÃªncias culinÃ¡rias. Tess realmente amava Jake, atÃ© ele a arrastar para lugares que ela considerava estar bem longe de ser um restaurante civilizado e se aprofundar na busca de uma comida local autÃªntica. Em momentos como este, ela simplesmente suportava e tolerava o entusiasmo desenfreado do marido por novas lugares e sabores.

Jake comeÃ§ou a informar seus amigos sobre os destaques da cozinha Khmer. Ele comeÃ§ou a descrever os pratos que estavam em exibiÃ§Ã£o sobre um balcÃ£o no restaurante. - Este Ã© o peixe Amok. - Ele disse apontando para um dos pratos que estava a mostra. - Eles basicamente colocam o peixe em uma espuma. Ã suposto ter um gosto muito melhor do que aparenta.

Seus companheiros nÃ£o pareciam estar convencidos, mas ele continuou compartilhando o que tinha aprendido. - Os cozinheiros adicionam slok ngor, uma erva local que trÃ¡s um sutil amargor. Eles misturam essa combinaÃ§Ã£o com leite de coco fresco e kroeung, um curry de erva-cidreira, raiz de cÃºrcuma, alho, cebolinha, galangal e gengibre chinÃªs. Eles geralmente vaporizam em uma folha de bananeira, enquanto outros fazem uma versÃ£o fervida que Ã© mais parecida com um curry de peixe com sopa do que com uma musse.

Mal eles haviam comeÃ§ado a considerar suas opÃ§Ãµes de prato, Tess e Carmen jÃ¡ estavam tentando nÃ£o vomitar. Nicola parecia seguir pelo mesmo caminho. Jake concluiu, baseado na reaÃ§Ã£o das mulheres, que aquele prato nÃ£o era uma opÃ§Ã£o, entÃ£o ele continuou a descrever o prÃ³ximo.

Tess agora estava quase melancÃ³lica. - Eles tem um bom e simples bife, ao ponto e com batatas cozidas?

Carmen acrescentou, - Eu vi um restaurante mexicano a caminho daqui? Eu poderia comer uma enchilada verde.

Eram nessas ocasiÃµes em que Tess desejava que Jake nÃ£o possuÃ­sse uma memÃ³ria fotogrÃ¡fica infalÃ­vel. Juntamente com sua paixÃ£o pelo que ela considerava gostos estranhos, suas inclinaÃ§Ãµes culinÃ¡rias nunca deixavam de incomodÃ¡-la.

O entusiasmo de Jake era inabalÃ¡vel, ele animadamente apontou para um prato estranho. - Eu nÃ£o acho que conseguirÃ­amos encontrar isso hoje a noite. Continuando, formigas vermelhas fritas com carne e manjericÃ£o. Eles usam insetos de vÃ¡rios tamanhos, alguns quase nÃ£o se consegue ver e outros tem quase uma polegada de comprimento. Estes sÃ£o fritos com gengibre, erva-cidreira, alho, cebolinha e carne em fatias finas. Eles entÃ£o adicionam pimenta, tomando cuidado para nÃ£o subjugar o delicado sabor azedo que as formigas transmitem Ã  carne. Este prato Ã© servido com arroz e, se tiver sorte, vocÃª tambÃ©m receberÃ¡ uma porÃ§Ã£o de larvas de formiga na sua tigela.

Jake olhou para Tess com a esperanÃ§a que ela pelo menos considerasse experimentar o prato.

- Jake, se vocÃª cogitar isso eu lhe garanto um divÃ³rcio!

Carmen parecia enjoada e Nicola rapidamente sugeriu uma lasanha, ou pizza, num restaurante italiano. - NÃ³s passamos por um, atÃ© que parecia decente.

Com um suspiro de decepÃ§Ã£o, Jake finalmente sugeriu Ang dtray-meuk â lulas grelhadas. - NÃ£o tem como errar escolhendo qualquer coisa que seja em porÃ§Ã£o espetada numa vara. Eles temperam com suco de limÃ£o ou molho de peixe e depois o assam em espetos de madeira. Para finalizar eles servem com um molho feito de alho, pimenta fresca, molho de peixe, suco de limÃ£o e aÃ§Ãºcar. Vendedores de frutos do mar carregam pequenos fornos de carvÃ£o em seus ombros e cozinham a lula enquanto caminham pela praia.

Tess tomou uma rÃ¡pida decisÃ£o. - Sim, vamos pedir isso. Ela continuava relutante em comer ali, mas pelo menos ela estava familiarizada com lula. Ela experimentou na FranÃ§a e eram saborosas. Aliviados, eles sentaram em uma mesa na varanda do restaurante, felizes por terem sido poupados de ouvir o resto da variedade de pratos oferecidos no local. O olhar agressivo de Tess nÃ£o deu muitas opÃ§Ãµes a Jake, entÃ£o eles pediram as bebidas.

- GraÃ§as a Deus as apresentaÃ§Ãµes acabaram. - Tess falou depois de um pequeno gole do seu uÃ­sque single malt. - Ensinar os pilotos a como pilotar helicÃ³pteros nesse calor e com essa umidade, Ã© o pior do que no deserto do Iraque.

Jake nÃ£o estava prestando atenÃ§Ã£o. Seus olhos estavam cobiÃ§ando os pratos, que para ele eram proibidos, que os garÃ§ons serviam.

O jantar chegou, Tess teve que admitir que as lulas estavam excelente.

EntÃ£o Jake sugeriu que eles experimentassem Cha houy teuk, uma sobremesa de geleia. Ele informou ao grupo que era feita de agar, uma gelatina derivada de algas marinhas. Pra comeÃ§ar, Tess nÃ£o gostava de cremes e coisas moles, mas se obrigou a suportar a empolgaÃ§Ã£o de Jake enquanto contava sobre a receita. - A geleia Ã© combinada com sagu, feijÃ£o mungo branqueado e creme de coco, servido em uma tigela com uma colher de gelo raspado.

- De qualquer forma, vocÃª deve experimentar. Tess exibia um olhar ameaÃ§ador para Jake, caso ele ousasse pedir essa estranha combinaÃ§Ã£o para ela. Nicola e Carmen escolheram um flan.

O jantar acabou e os casais comeÃ§aram a caminhada de volta para o hotel. As ruas estavam movimentadas, a maior parte das pessoas aproveitavam seus jantares nos restaurantes. No caminho, eles passaram pelo bairro de sexo mais famoso de Phnom Penh, era chamado EdifÃ­cio Branco. Se chamava assim por ter uma estrutura sinistra, decadente, branca acinzentada, que se estendia por vÃ¡rios quarteirÃµes da cidade. Jake informou aos seus companheiros que, de acordo com suas pesquisas, as inquilinas daquele bairro eram prostitutas, muitas das quais tinham sido expulsas de bordÃ©is menores porque estavam demasiado velhas ou desgastadas.

- O que vocÃª quer dizer com velha? Tess perguntou. - Eu vejo, na sua maioria, jovens.

- Nessas Ã¡reas, prostitutas na adolescÃªncia e 20 anos, nÃ£o sÃ£o mais tÃ£o Ãºteis. Elas nÃ£o tem outro lugar para ir a nÃ£o ser aqui, a maioria nÃ£o tem educaÃ§Ã£o ou habilidades para outros trabalhos.

Tess nÃ£o conseguia acreditar m seus olhos. A ideia de que uma mulher de 20 anos era considerada velha e que um edifÃ­cio tÃ£o grande fosse dedicado Ã  prostituiÃ§Ã£o, a deixava chocada. Carmen estremeceu. A cena era pior do que o sul de Los Angeles, o duro lugar onde ela cresceu.

Eles continuaram descendo a rua, nas sombras do terrÃ­vel prÃ©dio, passaram por vendedores que estavam vendendo frutas, partes de bicicletas e nozes seca. Todos os olhos estavam neles. Um homem em uma moto os observava perto demais.

De repente, eles ouviram um grito. Um cara estava segurando uma jovem mulher pelos cabelos, batendo nela repetidamente. Ela estava resistindo com toda sua forÃ§a e arranjou um jeito de escapar, mas ele a alcanÃ§ou e retomou o ataque.

As pessoas nas varandas e os pedestres agiam como se nada estivesse acontecendo. Esse tipo de espetÃ¡culo nÃ£o parecia ser incomum. O homem continuava a bater na garota atÃ© que Tees decidiu fazer algo a respeito. Ela correu atÃ© eles e chutou o homem bem no estÃ´mago. Ele foi momentaneamente afastado da vÃ­tima, mas rapidamente se recuperou e contra-atacou com movimentos de artes marciais bem treinados. Tess o viu chegando e recorreu a sua pirueta alta, esmagando o homem na cabeÃ§a com o pÃ© e derrubando o homem no chÃ£o. Sempre que podia, Tess evitava usar as mÃ£os. Ela mais do que compensou essa limitaÃ§Ã£o empregando o resto de seu corpo para destruir os adversÃ¡rios. Tendo sido uma piloto de helicÃ³ptero, ela recebeu uma formaÃ§Ã£o fundamental em artes marciais, tendo sido reforÃ§ada por conta prÃ³pria.

Do lado de fora da briga, Carmen e Nicola ficaram parados, olhando totalmente despreocupados. - Parece que Tess esta furiosa hoje. Melhor nos afastarmos. - Carmen sugeriu. Jake se acomodou apoiado em uma parede, acendeu um cigarro e observou o balÃ© que Tess fazia com a precisÃ£o de seus movimentos. Ele nÃ£o estava preocupado com a seguranÃ§a dela. Tess podia ser letal quando provocada, ou quando ficava com raiva do mau comportamento das pessoas.

O agressor agora estava inconsciente com seu rosto em uma poÃ§a no meio da rua. A mulher que foi agredida estava sentada no chÃ£o, encostada em uma Ã¡rvore, chorando. Tess e Carmen foram atÃ© ela e a ajudaram a levantar. Todo mundo na rua continuou a fazer o que estavam fazendo, indiferentes e alheios ao tumulto.

Jake tentou se comunicar com a jovem usando o pouco que tinha aprendido da lÃ­ngua local. Ele estava certo que o nome dela era Suchin Montri e que o homem, que agora estava no chÃ£o, era seu cafetÃ£o. Ela parecia estar aterrorizada ao pensar que teria que enfrentÃ¡-lo novamente. EntÃ£o Tess e o resto do pessoal chamaram um taxi e levaram a jovem para o hotel com eles. Ela abraÃ§ou Carmen e Nicola e assegurou que ela e Jake iriam tomar conta da garota. - Apenas aproveitem o resto do dia. NÃ³s nos vemos amanhÃ£.

Uma vez no quarto, Tess ajudou a menina a tomar um banho e quando ela saiu lhe emprestou uma de suas camisolas. Jake pediu comida atravÃ©s do serviÃ§o de quarto e deixou a mulher se recompor. Eles conseguiram fazer com que ela comesse um pouco.

Jake conseguiu de alguma forma se comunicar com Suchin, percebendo que agora eles possuÃ­am um problema. O que fazer com uma jovem prostituta que estava em perigo de ser severamente espancada, ou pior, por seu cafetÃ£o? Eles decidiram dar um passo de cada vez. Primeiro, ela precisava descansar. Eles a deitaram em uma das camas do quarto e Tess a deu um sedativo.

Sunchin dormiu, mas foi atormentada por pesadelos. Ela chorava e gemia durante o sono e teve que ser confortada vÃ¡rias vezes. Depois de uma noite agitada para todos, Jake perguntou a mulher o que ela gostaria para o cafÃ© da manhÃ£ e pediu pelo serviÃ§o de quarto. O garÃ§om entregou a comida no quarto e nÃ£o piscou o olho ao ver dois ocidentais hospedando uma mulher local em seu quarto. Aparentemente, esses acordos eram comuns.

Jake, lentamente, tentou descobrir o que aflingia Suchin durante a noite. Hesitante, a jovem mulher disse-lhe o que ela sonhou. Ela estava sendo perseguido por homens. Eles a pegaram e jogaram-a em um quarto imundo, infestado de baratas. Ela sabia o que iria acontecer a seguir: Eles iriam torturÃ¡-la â chicoteÃ¡-la com cabos de metal, trancÃ¡-la numa jaula, choque com um fio elÃ©trico solto â e depois iriam estupra-la. NÃ£o era realmente um sonho. Suchin realmente passou por isso.

A menina continuou. Sua mÃ£e a vendeu para um bordel quando ela tinha sete anos de idade. Durante anos, cafetÃµes forÃ§aram Suchin para mais de 20 homens por dia. Se ela nÃ£o fizesse o que mandavam, ou se ela tentasse fugir, ela era severamente punida. Queimada com um ferro quente, coberta de insetos que a mordiam e pior. - Eu quero morrer. - Ela disse. Ela teve relaÃ§Ãµes sexuais com centenas de homens pelo tempo que ela tinha dez anos de idade.

Tess ficou chocada. - Ã difÃ­cil acreditar que uma mÃ£e venderia sua prÃ³pria filha para uma vida de escravidÃ£o.

Jake acessou a enciclopÃ©dia que se disfarÃ§ava como seu cÃ©rebro. - Camboja Ã© uma naÃ§Ã£o fraca e corrupta que ainda esta se recuperando do genocÃ­dio cometido pelo regime Khmer, nos anos 70. O terror nÃ£o pÃ¡ra por aqui. Mais de 12 milhÃµes de pessoas sÃ£o agora vÃ­timas de prostituiÃ§Ã£o forÃ§ada em todo o mundo. Compra e venda de seres humanos Ã© um negÃ³cio global de US $ 32 bilhÃµes.

Tess ligou para recepÃ§Ã£o e pediu para eles enviarem um tradutor. Um homem chamado Aran Mookjai apareceu na porta em quinze minutos e Jake rapidamente negociou o pagamento.

Suchin sentou na cama e comeÃ§ou a falar sobre a histÃ³ria da sua vida, Aran estava traduzindo as palavra dela. Ela lembrou de um infÃ¢ncia feliz, com pais amorosos, trÃªs irmÃ£os e uma casa fora da cidade. A famÃ­lia era dona de um campo de arroz. Seu pai atÃ© planejou que as crianÃ§as frequentassem a escola.

Infelizmente, seu pai morreu quando ela tinha cinco anos de idade. - Depois disso minha mÃ£e mudou. - Sunchin disse. - Ele estava muito infeliz. Ficamos desamparados. Eventualmente, a famÃ­lia mudou-se para uma cabana. Quando Suchin tinha sete anos, sua mÃ£e a vendeu, dizendo que ela seria uma empregada domÃ©stica em uma casa. Suchin sentiu que era seu dever obedecer.

Aran explicou. - No Camboja as filhas sÃ£o como propriedades. Elas estÃ£o lÃ¡ como um meio de sustento para famÃ­lia.

Suchin continuou a contar. - Eles me trancaram em quarto. Eu chorei tentando abrir a porta. No dia seguinte, um homem disse, 'Eu tenho um cliente para vocÃª'. Eu nÃ£o sabia o que ele queria dizer com isso, mas eu sabia que nÃ£o era nada bom. Eu me recusei a ir. EntÃ£o ele me levou para outro quarta, para me punir. - Ela parou por um momento. - Ele me fez beber a urina do homem, me amarrou e me cobriu com formigas mordedoras. Ele tambÃ©m me bateu. Finalmente, eu disse sim.

Suchin ficou desconfortÃ¡vel em contar sua histÃ³ria. Ela falou em pequenas explosÃµes sem emoÃ§Ã£o. Ã como se ela tivesse se tornado outra pessoa contando sua prÃ³pria histÃ³ria.

O primeiro cliente de Suchin era - Um homem asiÃ¡tico com um olhar malÃ©fico. - Ela lembrou. Ela mudou de ideia e se recusou novamente a servi-lo. Furioso, seu cafetÃ£o levou a tortura a outro nÃ­vel. Ele esmagou um punhado de pimenta quente com o pÃ© e enfiou em sua vagina. - A dor era terrÃ­vel. - Ela disse. - Eu nÃ£o conseguia falar. Logo depois, o cliente colocou um preservativo e a estuprou, desfrutando de seus gritos.

Suchin nÃ£o sabe se o cliente pagou uma taxa alta por sua virgindade. O tradutor acrescentou voluntariamente que, na maior parte da Ãsia, vocÃª poderia ter sexo com garotas por tÃ£o pouco quanto 5 dÃ³lares. Jake observou que o preÃ§o para estuprar uma garota foi inferior aos nove dÃ³lares que ele pagou num tÃ¡xi do aeroporto para o hotel.

Aran continuou. - Aqui, as virgens costumam custar mais. Depois da primeira vez, nÃ£o Ã© incomum os cafetÃµes costurarem as meninas, as vezes atÃ© sem anestesia, assim elas vÃ£o gritar de dor na prÃ³xima vez e enganar os clientes.

Posteriormente, se Suchin nÃ£o cumprisse sua cota de homens por dia, o cafetÃ£o a punia dando choques com um fio elÃ©trico solto. - VÃ¡rias vezes eu me sentia tÃ£o cansada que eu nÃ£o conseguia sair da cama. Os homens simplesmente vinham atÃ© mim, um depois do outro, como uma gangue de estupradores. - Ela disse. - Eu parecia estar morta, eu queria morrer.

Aran olhou para Tess, suspirou e murmurou. - Esse Ã© o Camboja.

- Qual a obsessÃ£ por virgens? - Tess perguntou.

- Alguns homens acreditam que o sexo com uma mulher virgem traz sorte ou boa saÃºde. Os estrangeiros que fazem isso, normalmente sÃ£o pedÃ³filos ou homens que querem por pra fora suas fantasias violentas. Eles sabem que podem ir embora sem serem punidos aqui. ProstituiÃ§Ã£o e trÃ¡fico humano sÃ£o proibidos, mas os policiais sÃ£o pagos para olharem para o outro lado.

Finalmente, Suchin disse que ela decidiu fugir. - Eu nÃ£o me importave se o cafetÃ£o fosse me matar. Prefiro morrer do que viver daquele jeito. Uma noite, depois de um cliente ir ao banheiro, ela viu sua chance. Ela saiu correndo e chegou Ã  entrada do prÃ©dio, onde o cafetÃ£o a pegou. Ele arrastou-a para a sala de tortura, onde a amarrou com braÃ§os abertos e chicoteou-a com uma bengala atÃ© que ela sangrasse, em seguida, esfregou pimentas quentes em suas feridas. Depois disso ele a vendeu para outro bordel.

Enquanto ela falava, uma tempestade vespertina chegava, quebrando o calor. Ela olhou para o aguaceiro por um minuto e descreveu em silÃªncio sua segunda tentativa de fuga. As coisas aconteceram da mesma forma. Ela foi capturada, espancada e vendida para outro bordel.

Tess perguntou, - O que lhe deu coragem para fugir de novo?

- Eu sabia que se ficasse eu ficaria doente e morreria. - Ela disse. - Eu nÃ£o tinha nada a perder. EntÃ£o, uma noite, quando seu guarda tinha deixado a porta, ela fugiu de novo. Desta vez ela conseguiu chegar a rua. Ela correu o mais rÃ¡pido que conseguia atÃ© que seu cafetÃ£o a alcanÃ§ou e comeÃ§ou a bater nela. Isso foi quanto Tess interveio e sem dÃºvidas mandou o homem para o hospital.

Jake pagou o tradutor e o acompanhou atÃ© a porta do quarto. Tess foi se sentar na varanda, com uma bebida na mÃ£o, chateada com tudo o que ela tinha acabado de ouvir de Suchin. Jake foi para o banheiro tomar um banho. Ele tirou sua roupa e se virou. Ele viu Suchin de pÃ©, nua na frente dele.

- O que vocÃª esta fazendo Suchin?

- Eu sou sua senhor. Ã a Ãºnica coisa que posso fazer para agradecer sua generosidade.

- Suchin - Jake enquanto vestia seu roupÃ£o de banho. - VocÃª nÃ£o tem que fazer isso. NÃ³s nÃ£o estamos cuidando de vocÃª esperando algo em troca. Apenas queremos fazer o que for melhor para vocÃª.

- Por favor, me aceite Sr. Jake - Suchin implorou. - Eu nÃ£o tenho mais nada a oferecer.

Jake colocou o roupÃ£o nela e pegou em suas mÃ£os. Ele a levou atÃ© Tess, que continuava sentada na varanda.

- Eu acho que temos um problema Tess. Ela acha que tem que nos pagar com seu corpo.

Tess se levantou e abraÃ§ou a jovem desanimada.

- Suchin, nÃ³s entendemos que nunca ninguÃ©m fez nada por vocÃª, mas agora Ã© diferente. VocÃª esta segura agora. NÃ³s vamos garantir sua seguranÃ§a e cuidado. Jake traduziu. Suchin chorou. Ela nÃ£o conseguia entender o que estava acontecendo. Como alguÃ©m nÃ£o iria querer algo em troca?

Tess pegou a jovem pelas mÃ£os e a sentou, tentando conforta-la. Era Ã³bvio que a garota estava completamente desorientada e que talvez ela quisesse voltar para onde ela veio, sem nenhuma razÃ£o, mas porque era a Ãºnica coisa que ela sabia fazer.

- Eu acho que devemos achar um lugar para Suchin ficar para que ela possa escapar dessa situaÃ§Ã£o. Deve haver um abrigo ou instituiÃ§Ã£o que ajude as prostitutas deixar essa vida.

- Isso nÃ£o Ã© a Europa ou os EUA. - Jake alertou. - Eu nÃ£o tenho visto muitas evidÃªncias do funcionamento dos serviÃ§os sociais aqui. Jake, no entando, foi atÃ© seu computador e procurou por informaÃ§Ãµes. Surpreso, ele achou algo que poderia ajudar. Ele descobriu uma propaganda de uma conferÃªncia catÃ³lica no Camboja. VÃ¡rios ministÃ©rios estavam no paÃ­s, incluindo o Catholic Relief Services, os Jesuit Refugee Services e Jesuit Services, a Comunidade Maryknoll de irmÃ£s, sacerdotes e missionÃ¡rios leigos, salesianos e a Escola TÃ©cnica Dom Bosco.

Ele ligou para um dos nÃºmeros. Logo em seguida, eles levaram Suchin para um convento. IrmÃ£ Theresa, a Madre superior, recebeu eles e listou todos os serviÃ§os que as instituiÃ§Ãµes religiosas estavam tentando realizar no paÃ­s.

ApÃ³s uma xÃ­cara de chÃ¡, ela contou-lhes o que aconteceu. Durante a Guerra do VietnÃ£, os americanos que estavam perseguindo os Viet Cong, realizaram mais de 43.000 ataques aÃ©reos dos EUA contra o Camboja, lanÃ§ando dois milhÃµes de toneladas de bombas. Alguns estudiosos atribuÃ­ram a ascensÃ£o do Khmer Rouge a devastaÃ§Ã£o que os ataques causaram. A calamidade permitiu que eles atraÃ­ssem o apoio inicial dos aldeÃµes rurais. O Khmer Rouge entÃ£o desencadeou um reinado de terror e genocÃ­dio no paÃ­s, alÃ©m de iniciar sua prÃ³pria guerra contra o VietnÃ£, provocando muitos anos de instabilidade e sofrimento atÃ© tempos recentes. O Khemer Rouge, como organizaÃ§Ã£o, eventualmente se auto-destruiu. A populaÃ§Ã£o no Camboja que sobreviveu sÃ³ estÃ¡ comeÃ§ando agora a juntar os pedaÃ§os que restaram das cidades, vilarejos e famÃ­lias.

- VocÃª nÃ£o deve se deixar distrair pelas belas fotografias dos templos antigos de Angkor Wat ou por algumas construÃ§Ãµes novas. - IrmÃ£ Theresa adicionou. - Embora a beleza do Camboja seja muito real, assim tambÃ©m Ã© a vida dolorosa de muitas das pessoas pobres.

Jake e Tess se sentiram envergonhados. Eles fizeram um acordo com o convento, em troca de prover abrigo e reabilitaÃ§Ã£o para Suchin, eles receberam uma generosa doaÃ§Ã£o. Eles disseram a Suchin que quando ela estivesse pronta, eles a ajudariam a comeÃ§ar uma vida normal. Tanto Tess quanto Jake estavam se virando para ir embora quando Suchin, com lÃ¡grima nos olhos, abraÃ§ou os dois.




5 - Um convite para festa


Jake e Tess tinham um voo marcado para manhÃ£ seguinte, por isso foram direto para o quarto arrumar as malas. Assim que passaram pela recepÃ§Ã£o, eles pegaram as mensagens deixadas pelos membros de suas equipes operacionais de todo canto do mundo. No topo estava um envelope. A elegante carta que estava dentro foi escrita por Laurent Belcour, convidando para se juntar a ele em uma pequena festa em sua suÃ­te.

- Jake, aquele cara me causa arrepios. Vamos ignorÃ¡-lo.

- Eu acho que deverÃ­amos ir Tess. Ele Ã© muito importante para ser ignorado. Ele financia, pelo menos, metade dos nossos projetos. -

Tess suspirou em desistÃªncia.

Eles se vestiram para a ocasiÃ£o e foram recebidos por uma assistente na suÃ­te de Belcour, uma mulher muito atraente, que compartilhou que seu nome era Julie. Ela rapidamente os levou para dizer olÃ¡ ao anfitriÃ£o. Ao vÃª-los, Belcour deu um sorriso caloroso, agarrou a mÃ£o de Tess e beijou-a galantemente. Desta vez, ele tambÃ©m fez questÃ£o de apertar a mÃ£o de Jake.

Belcour estava animado. Ele os apresentou para vÃ¡rias pessoas, a maioria mulheres locais por volta dos seus vinte anos. Cada uma delas era de tirar o fÃ´lego.

As mulheres pareciam ser cultas e sofisticadas, facilmente conversavem em inglÃªs e francÃªs. Um por um, eles se retiraram com Belcour para um quarto, emergindo com smartphones nas mÃ£os e conversando com seus contatos. Alguns homens asiÃ¡ticos fizeram o mesmo: Alguns minutos a sÃ³s com Belcour e em seguida ligaram para alguÃ©m.

Belcour finalmente voltou para reencontrar seus convidados. Seis casais ocidentais se juntaram Ã  festa, parecendo notavelmente semelhantes: os homens eram de meia idade e as mulheres pareciam ser significativamente mais jovens. âAquele um por cento com suas esposas trofÃ©usâ, pensou Tess.

ApÃ³s reparar em Jake e Tess, os novos convidados fizeram questÃ£o de cumprimentÃ¡-los. Todos eles tinham ouvido Tess tocar piano, todos elogiaram sua performance. Lorde e Lady Clements falaram sobre o castelo deles no PaÃ­s de Gales, um lugar grande e triste que eles nÃ£o pareciam gostar muito. Ela preferia visitar lugares mais bonitos e agradÃ¡veis em qualquer outro lugar.

- Estamos encantados de passar a maior parte do nosso tempo em Singapura - a senhora disse. - De alguma maneira Ã© um pouco britÃ¢nico e ainda moderno. Ela aparentemente estava se referindo ao antigo estatuto da ilha como uma colÃ´nia britÃ¢nica.

O prÃ³ximo casal veio de Chicago. Eles tambÃ©m eram bastante ricos e convidaram Tess e Jake para visitÃ¡-los caso estivessem por perto.

Em seguida, um casal francÃªs abordou Tess e Jake. Eles estavam surpresos e encantados com a fluÃªncia deles em francÃªs. - Ã espetacular que vocÃªs dois entendam a importÃ¢ncia de falar francÃªs. - disse a Baronesa Arnault. - A maioria dos americanos nÃ£o se encomodam em aprender a lÃ­ngua. O francÃªs costumava ser o idioma preferencial da diplomacia por um longo tempo. - acrescentou.

'NÃ£o mais', pensou Jake. 'A FranÃ§a tem sido quase irrelevante nos assuntos mundiais desde a Segunda Guerra Mundial.'

Jake e Tess fizeram o seu melhor para serem encantadores, mas tinham a sensaÃ§Ã£o de que a festa era mais do que apenas um meio de entretenimento. Jake suspeita de que ele e Tess estavam sendo examinados e entrevistados para participar de uma espÃ©cie de clube social. Todo mundo na festa parecia se conhecer.

Belcour era o centro das atenÃ§Ãµes. As pessoas estavam disputando para conseguir falar com ele. Conforme o lÃ­quido fluÃ­a, o volume das conversas aumentava. Tess pressentia uma atmosfera de antecipaÃ§Ã£o na multidÃ£o, como se eles estivessem esperando que algo acontecesse.

- Tess, vamos embora daqui. - Jake disse. - Estou com um pressentimento que algo estranho esta acontecendo.

Tess olhou para ele intrigada. Ela nÃ£o se importava em ir embora, mas ela nÃ£o detectou nada de estranho. Logo ela percebeu que estava errada.

Belcour os pegou na saÃ­da. - Por favor, nÃ£o vÃ¡. NÃ³s gostarÃ­amos muito que vocÃªs se juntassem ao nosso grupo. Todo mundo estÃ¡ impressionado com vocÃªs e gostariam que vocÃªs experimentasse os prazeres que todos nÃ³s perseguimos. VocÃªs seriam um Ã³timo complemento.

Tess agora estava realmente muito intrigada. - Que prazeres?

- VocÃªs vÃ£o ver. Belcour respondeu enquanto pegava sua mÃ£o e a beijava enquanto olhava para ela com seu olhar irritantemente sedutor.

Um dos homens da festa, que poderia ter sido um associado de Belcour, fez um comunicado. - Mesdames et Senhores, Senhoras e Senhores, eu sou Bertrand Dubois, seu anfitriÃ£o. Que a diversÃ£o comece.

A multidÃ£o olhava em direÃ§Ã£o a uma linda mulher asiÃ¡tica que tinah acabado de entrar na sala. E com um movimento natura ela despiu o roupÃ£o, revelando seu corpo nu. A multidÃ£o aplaudia em admiraÃ§Ã£o.

- Precisamos de um cavalheiro para apresentar e demonstrar a arte de fazer amor com esta encantadora dama.

A mulher nua nÃ£o reagiu, permanecendo imÃ³vel. Um homem da audiÃªncia foi em direÃ§Ã£o a ela, oferecendo seus serviÃ§os.

A plateia se fez confortÃ¡vel, alguns homens afrouxando a gravata, as mulheres com os olhos fixos no casal prestes a comeÃ§ar uma performance no divÃ£.

Tess olhou para Jake, seus olhos arregalados. - Jake, eles vÃ£o fazer um show de sexo!

O homem que se ofereceu para demonstrar suas proezas sexuais tirou as roupas e se aproximou da mulher nua. O resto do grupo comeÃ§ou a remover suas prÃ³prias roupas tambÃ©m. Alguns dos casais comeÃ§aram trios com as mulheres asiÃ¡ticas.

Jake afirmou o Ã³bvio. - Isso nÃ£o Ã© apenas um show de sexo. Isso Ã© uma orgia, como todo mundo participando.

Eles foram em direÃ§Ã£o a saÃ­da, mas estava bloqueada. Uma dupla de gigantescos guardas estava na frente da porta. Jake e Tess estavam prestes a comeÃ§ar uma briga quando Belcour correu para eles, sorrindo.

- Tess, Jake, vocÃªs sÃ£o lindos e talentosos. Todos concordaram que vocÃªs deveriam ser convidados a participar do nossoo grupo. Por favor, fiquem e experimentem os prazeres que estÃ£o disponÃ­veis apenas para poucos.

- Monsieur Belcour. -disse Tess indignada. - NÃ£o nÃ£o estamos interessados nesse tipo de experiÃªncia.

- Por que nÃ£o Tess? Somo um grupo elitista livres para perseguir nossos prazeres. Homens e mulheres da mais alta qualidade clamam para se juntar a nÃ³s para experimentar o que oferecemos. Todos aqui Ã© lindos e ansiosos para agradar aos outros de qualquer maneira que desejarem. Eu adoraria te mostrar o que posso fazer para melhorar sua vida amorosa, e isso nÃ£o precisa terminar aqui. NÃ³s fazemos isso pelo mundo inteiro. Olhe atrÃ¡s de vocÃª, isto nÃ£o Ã© um espetÃ¡culo incrÃ­vel?

Tess estava chocada com o que Belcour tinha acabado de contar. Ela se virou e percebeu que todos jÃ¡ tinham tirado as roupas. Eles estavam agora deitados em colchÃµes que foram trazidos para a sala.

Belcour continuou. - Tess, Jake, vocÃªs sÃ£o um casal maravilhoso. FaÃ§am amor um com o outro agora atÃ© se sentirem confortÃ¡veis para comeÃ§arem a se divertir com os outros. Eu asseguro que esta serÃ¡ uma experiÃªncia incrÃ­vel que vocÃªs vÃ£o apreciar pelo resto de suas vidas.

Jake pegou Tess pelas mÃ£os. - NÃ³s precisamos ir.

- Ã uma pena. - Belcour observou, visivelmente desapontado. - Pensem nisso, ok?

Tess e Jake se aproximaram da porta. Os guardas continuavam em pÃ©, imÃ³veis feito estÃ¡tuas de pedra, impedindo a saÃ­da. Jake olhou para eles. - Por favor, saiam.

Os guardas nÃ£o pareciam levar a sÃ©rio, atÃ© que Tess chutou um deles na virilha. Jake ajudou, socando o outro guarda no estÃ´mago. Os dois homens pareciam um saco de batatas.

Tess se virou e olhou para Belcour, encarando o Ã³bvio. - Estamos indo embora. Agora.

Belcour concedeu. - Por favor, pensem nisso. Eu os verei em Paris mÃªs que vem.

'Nos seus sonhos' Tess pensou.

Conforme eles desciam o corredor, cinco lindas garotas asiÃ¡ticas passaram por eles, a caminho da suÃ­te de Belcour.

- Eu acho que o grupo precisa de mais variedade. - Jake observou.

***

Na manhÃ£ seguinte, Tess e Jake estavam sentados na sala de estar do aeroporto, esperando para embarcar no aviÃ£o de volta para os EUA, Carmen e Nicola jÃ¡ haviam partido.

Jake observou um grupo de mulheres locais formando uma fila para um voo para Paris. - Eu tenho certeza que aquelas mulheres sÃ£o as mesmas de ontem a noite, as que chegaram na festa de Belcour quando estavamos saindo.

Tess fechou sua revista. - VocÃª tem certeza?

- Claro que eu tenho certeza. Eu sempre lembro de tudo.

- Triste, mas verdade. - Tess brincou. - As vezes vocÃª Ã© muito esperto para o seu prÃ³prio bem. NÃ£o seja paranÃ³ico.

- DÃª uma boa olhada nelas. Ã o mesmo grupo que se juntou a festa quando estÃ¡vamos indo embora.

Tess agora reconheceu, pelo menos, algumas das mulheres. - Eu acho que vocÃª estÃ¡ certo. Parece que Belcour estÃ¡ exportando essas meninas para Europa.

Dois homens em ternos caros se juntaram ao grupo de mulheres. Belcour e Bertrand Dubois. As mulheres pareciam animadas em torno deles.

Jake falou no ouvido de Tess. - Eu estaria disposto a apostar que esses dois sÃ£o cafetÃµes de classe mundial.

- Se esse for o caso, serÃ¡ que elas sabem o que as espera? - Tess perguntou.

- Elas provavelmente sabem que vÃ£o trabalhar como prostituas na Europa. Eu acredito que elas serÃ£o usadas como cortesÃ£s de classe alta.

Tess olhou para Jake com desdÃ©m. - CortesÃ£. Isso soa como algo exÃ³tico. Quem sabe o que va acontecer com elas depois que chegarem lÃ¡.

Jake olhou para Tess suplicantemente. - NÃ£o me diga que agora vocÃª quer se envolver e consertar o que quer que seja que eles estÃ£o fazendo?

Tess normalmente fica irritada quando Ã© desafiada. - E se eu disser? Apesar de seus tÃ­tulos grandiosos, esse babaca do Belcour Ã© basicamente um cafetÃ£o. Ele estÃ¡ usando as mulheres para entreter seus comparsas. Deve haver algo ilegal envolvido.

- Talvez, mas vocÃª nÃ£o Ã© policial. Tess, as vezes vocÃª tem dificuldade em nÃ£o ultrapassar os seus limites. VocÃª nÃ£o tem autoridade legal para intervir, e se vocÃª for a polÃ­cia, vocÃª vai precisar de provas. Um advogado inteligente vai fazer picadinho de uma alegaÃ§Ã£o nÃ£o comprovada, e vocÃª ganharÃ¡ a inimizade de um homem importante. Eu preciso lembrar que a organizaÃ§Ã£o dele fornece financiamento a muitos de nossos clientes para que eles possam comprar armas e, por sua vez, nos contratem para ensinÃ¡-los a usÃ¡-las?

- LÃ¡ vocÃª vai sendo prÃ¡tico novamente. Esse Ã© o problema com nosso mundo. Tudo, eventualmente, se resume a dinheiro.

- IIsso Ã© verdade, e vocÃª tambÃ©m pode viver com isso. Eles estÃ£o embarcando no aviÃ£o. Vamos nos sentar e tentar relaxar. Este vai ser um longo voo.

Tess estava irritada com Jake agora. Ele sempre insistia em olhas as coisas de maneira lÃ³gica.




6 - Tentando fazer o bem


De volta a Nova York, Tess estava desfrutando da tarde descansando na varanda de seu apartamento, apreciando a vista de arranha-cÃ©us iluminados e a faixa de luz de milhares de carros percorrendo as ruas da cidade.

Jake trouxe um copo de conhaque para ela e sentou ao seu lado. Tess tomou um gole. - Isso Ã© estranho. Ã difÃ­cil de acreditar que um homem instruÃ­do como Belcour estÃ¡ envolvido nesse tipo de vulgaridade.

- Ele nÃ£o vÃª isso como vulgaridade. - Jake constatou. - Ele apenas considera que o que ele estÃ¡ fazendo Ã© uma forma de entreterimento para pessoas que podem pagar por isso. Obviamente todos eles tem muito dinheiro e, eventualmente, eles ficam entediados, entÃ£o comeÃ§am a procurar formas alternativas de excitaÃ§Ã£o.

- NÃ³s temos dinheiro e ainda conseguimos fazer algo de Ãºtil.

- NÃ³s ainda nÃ£o estamos entediados.

Tess socou levemente o ombro de Jake. - O que vocÃª quer dizer com ainda? VocÃª estÃ¡ sugerindo que, eventualmente, vocÃª ficarÃ¡ entediado?

Jake sorriu. - Tess, nÃ£o tem como ficar entediado vivendo com vocÃª. VocÃª Ã© tÃ£o linda e sempre tem algo mais com vocÃª.

Tess socou o ombro dele de novo, dessa vez com um sorriso. - AliÃ¡s, o que fazemos com Suchin a longo prazo? NÃ³s nÃ£o podemos deixar ela simplesmente voltar para uma vida no bordel.

- Eu ainda nÃ£o tenho certeza de como podemos ajudar daqui. Jake coÃ§ou a cabeÃ§a. - Suchin Ã© apenas uma em um milhÃ£o de garota na mesma situaÃ§Ã£o. NÃ£o hÃ¡ dÃºvida de que estamos lidando com um sistema de escravidÃ£o. O problema Ã© que a prostituiÃ§Ã£o forÃ§ada Ã© tÃ£o difundida, e quase institucionalizada, que seria necessÃ¡rio um esforÃ§o multinacional para resolver o problema. Do jeito que estÃ¡, os governos asiÃ¡ticos apenas falam sobre o controle do trÃ¡fico. Em sua maioria eles ignoram o que estÃ¡ acontecendo, porque, de um modo perverso, a escravidÃ£o sexual contribui nÃ£o oficialmente para o seu Produto Nacional Bruto. NÃ£o sÃ£o apenas os cafetÃµes que lucram, mas a polÃ­cia e as autoridades locais tambÃ©m. Eu tenho quase certeza que os policiais aceitam suborno para olhar para o outro lado. Ser pago por cafetÃµes Ã© considerado como uma forma de complementar seus salÃ¡rios. AlÃ©m disso, hÃ¡ uma importante indÃºstria do sexo turÃ­stico. Pessoas do mundo inteiro vÃ£o para Ãsia para terem acesso as vantagens de um serviÃ§o de sexo barato e sem restriÃ§Ãµes.

Tess ficou chocada. Sua educaÃ§Ã£o privilegiada nÃ£o a preparou para enfrentar a dura realidade daquela situaÃ§Ã£o que ela testemunhou. TÃ­pico do seu comportamento orientado para a aÃ§Ã£o, ela propÃ´s fazer algo sobre isso.

- Eu acho que tenho uma soluÃ§Ã£o. Tess proclamou triunfante. - Vamos estudar a criaÃ§Ã£o de uma organizaÃ§Ã£o de resgate gerida por mulheres que foram resgatadas de uma vida de prostituiÃ§Ã£o. Eu nÃ£o sei vamos conseguir a cooperaÃ§Ã£o do governo, mas temos que tentar.

Jake balanÃ§ou a cabeÃ§a. - Tess, vocÃª tende a querer resolver todo tipo de problema que vÃª. Isso Ã© muito grande para nÃ³s, especialmente porque eu nÃ£o acho que vamos conseguir uma aprovaÃ§Ã£o oficial para criar essa organizaÃ§Ã£o.

- Isso Ã© o que todos dizem. - Tess respondeu. - Parece que todo mundo aceita as coisas ruins que acontecem porque Ã© muito complicado fazer algo sobre. Sempre vÃ£o existir obstÃ¡culos. Tudo o que temos que fazer Ã© trabalhar para desviar deles.

- Tess, vocÃª tem que entender que estamos lidando com um problema em escala mundial aqui. Essas coisas acontecem em todo lugar da Ãsia, Europa e AmÃ©rica do Sul, atÃ© mesmo nos EUA. NÃ³s nÃ£o podemos simplesmente dar um jeito nisso, o problema Ã© muito maior do que podemos lidar. AtÃ© mesmo o governo fica frustrado devido a sua incapacidade de evitar o comÃ©rcio de escravidÃ£o sexual e trÃ¡fico humano em geral.

- Eu pensava que escravidÃ£o era coisa do passado.

- NÃ£o Ã© bem assim. A escravidÃ£o hoje em dia Ã© muito mais ampla e abrangente do que jÃ¡ foi no passado. Ela existe pelo mundo inteiro, de maneiras inimaginÃ¡veis, desde as pÃ©ssimas condiÃ§Ãµes, como vimos no Camboja, atÃ© a escravidÃ£o sexual, pornografia, prostituiÃ§Ã£o de alto nÃ­vel e comÃ©rcio sexual voluntÃ¡rio.

Tess balanÃ§ou a cabeÃ§a de um lado para outro, frustrada. - Jake, nÃ³s gastamos a maior parte do nosso tempo e esforÃ§os ensinando os exÃ©rcitos a usar armas e aeronaves que, no total, custam bilhÃµes de dÃ³lares. Talvez nÃ³s devÃªssemos focar em algo mais positivo. NÃ³s temos alguns recursos e muitas pessoas talentosas. Talvez devÃªssemos pensar em uma nova missÃ£o.

Jake tocou no canto interior dos olhos, claramente cÃ©tico. - Esses sÃ£o sentimentos admirÃ¡veis Tess. Mas eu tenho certeza que vocÃª sabe que, quando ensinamos as pessoas a usar armas, nÃ³s ganhamos dinheiro com isso. Como nÃ³s vamos financiar essa missÃ£o humanitÃ¡ria que vocÃª estÃ¡ propondo? Eu odeio parecer cÃ­nico, mas no final, vocÃª vai precisar de dinheiro para fazer as coisas. NÃ³s estamos lidando com situaÃ§Ãµes que nem o governo consegue lidar direito.

- Os governos tÃªm suas prÃ³prias prioridades, e lidar com a misÃ©ria de pessoas sem privilÃ©gios, aparentemente, nÃ£o Ã© uma delas. VocÃª sempre deve escolher o que Ã© mais importante. Eles fazem os movimentos, fazem algo, mas sempre Ã© insuficiente para resolver os problemas. Eu acho que devemos criar um plano que envolva o governo e organizaÃ§Ãµes de serviÃ§o social em uma abordagem coesa e abrangente para remediar a escravidÃ£o sexual .

- Ãtimo, mas o meu ponto de vista ainda Ã© vÃ¡lido. Como nÃ³s vamos financiar esse empreendimento? VocÃª mesma disse que o governo tem um senso de urgÃªncia precÃ¡rio para lidar com esses problemas.

- Jake, eu acho que nÃ³s podemos fazer a diferenÃ§a se nÃ³s discutirmos esse conceito com a ONU e outras agÃªncias.

- A ONU jÃ¡ estÃ¡ com as mÃ£os cheias. De qualquer forma, eles sÃ£o extremamente limitados pelo fato de que seu financiamento vem dos paÃ­ses membros que podem ou nÃ£o estar interessados em resolver os problemas.

- Eles tÃªm divisÃµes como a UNICEF que parece fazer um trabalho razoavelmente bom.

- Talvez, mas nÃ³s estamos lidando com um problema muito maior e complicado aqui. NÃ£o hÃ¡ nenhuma hipÃ³tese de nÃ³s conseguirmos lidar com algo dessa magnitude sem um financiamento significativo. Um governo prefere gastar bilhÃµes de dÃ³lares na construÃ§Ã£o de estradas, barragens e armas, ao invÃ©s de proteger as pessoas marginalizadas. Foi sempre assim, sÃ³ que agora Ã© ainda pior.

- VocÃª estÃ¡ certo Jake, mas alguÃ©m precisa abordar essa questÃ£o e ser um coordenador central de atividades para pelo menos remediar alguns desses problemas. Eu, vocÃª e nossa equipe podemos nos tornar o nÃºcleo de um esforÃ§o para lidar com a praga da escravidÃ£o. NÃ£o serÃ­amos apenas benfeitores, mas sim uma organizaÃ§Ã£o que tenha capacidades sofisticadas e experiÃªncia militar para ser usada conforme necessÃ¡rio. Eu sei que nÃ£o existe uma organizaÃ§Ã£o como essa no mundo inteiro, mas nÃ£o quer dizer que nÃ³s nÃ£o podemos tornÃ¡-la realidade.

Jake colocou as mÃ£os atrÃ¡s da cabeÃ§a e esticou. Sua mente brilhante estava jÃ¡ trabalhando, analisando os vÃ¡rios cenÃ¡rios e estratÃ©gias que poderiam fazer para essa abordagem funcionar.

- VocÃª acha que conseguimos envolver o seu pai nisso? Como um general aposentado e agora CEO, ele deve ter contatos que possam nos ajudar.

- Eu receio que meu pai esteja mais interessado em vender armas caras para qualquer um que possa pagar, mas ele tem um coraÃ§Ã£o. Ele pode estar disposto a ajudar nÃ£o sÃ³ a solicitar fundos, mas tambÃ©m a obter algum apoio do governo.

- Tudo bem Tess, mas nÃ³s nÃ£o podemos pedir a nossa equipe para mudar radicalmente o foco de trabalho sem o consentimento deles. Eu acho que nÃ³s deverÃ­mos fazer uma reuniÃ£o com eles e explicar o conceito. Para o plano ter chances de ser bem sucedido, eles tem que acreditar na ideia. A propÃ³sito, me reservo o direito de permanecer cÃ©tico. Isso soa como uma iniciativa que Don Quixote iria amar. Ele tinha o coraÃ§Ã£o no lugar certo, mas acabou lutando contra os moinhos de vento.

- Eu sempre amei o seu otimismo Jake. - Tess sorriu sarcasticamente. - Mas pelo menos, eu sei qeu vocÃª darÃ¡ o seu mÃ¡ximo. Ela se levantou, sentou no colo dele e lhe deu um longo e demorado beijo.

Jake amava Tess. Ele saboreou os lÃ¡bios dela e enterrou o nariz em seu peito, sentindo seu perfume maravilhoso.

- VocÃª sabe mesmo como persuadir um cara.

- Cala a boca e tira a roupa.

Quando Tess falava daquele jeito, Jake sempre obedecia.




7 - AlmoÃ§o em Paris


Tess e Jake abriram um escritÃ³rio em Paris em um prÃ©dio comercial que oferece todo tipo de serviÃ§o para empresas, incluindo salas de reuniÃµes bem equipadas, mÃ¡quina de cafÃ©, banda larga e acesso 24 horas. A instalaÃ§Ã£o estava bem localizada na Place VendÃ´me, estrategicamente situada ao lado do distrito financeiro de Paris, em frente ao mundialmente famoso Ritz Hotel e a poucos minutos a pÃ© do Tuileries Gardens e do Louvre. Era perto de estaÃ§Ãµes de metrÃ´ e restaurantes, cafÃ©s, bares e lojas.

O DRE estava agora envolvido em mais do que treinamento militar para os paÃ­ses em desenvolvimento. Eles agora estavam lidando com tarefas especializadas que incluÃ­am testes e comissionamento de aeronaves. Parte do trabalho era ajudar os clientes a preparar propostas para apresentar as organizaÃ§Ãµes internacionais de fundos, para que eles pudessem comprar armas e aeronaves. Uma grande parte desse financiamento vinha da organizaÃ§Ã£o internacional de desenvolvimento, ODI, que pertencia a Laurent Belcour.

ApÃ³s o episÃ³dio de orgia no Camboja, Tess esperava evitar lidar com Belcour pessoalmente, por isso tinha delegado grande parte do trabalho de coordenaÃ§Ã£o ao seu pessoal. Eles estavam progredindo, atÃ© que houve um impasse. Belcour exigiu encontrar Tess pessoalmente para discutir o negÃ³cio. Ele enviou uma mensagem para o escritÃ³rio dela, junto com um lindo buquÃª de rosas, perguntando se ela lhe daria o prazer de sua companhia durante o almoÃ§o, para que eles pudessem discutir o financiamento dos projetos. Tess procurou uma desculpa, mas Belcour permaneceu inflexÃ­vel. SÃ³ haveria acordo se ela se encontrasse com ele para discutir os termos dos projetos. Jake estava fora por uns dias, entÃ£o ele nÃ£o poderia ajuda-la. Relutante, Tess aceitou ir almoÃ§ar com Belcour.

Um taxi levou Tess ao LâArpÃ¨ge, um dos restaurantes mais elegantes e caros de Paris. O MaÃ®tre d', prontamente, levou-a a uma mesa. Conforme Tess se aproximava, Belcour se levantou e abriu um enorme sorriso. - Tess, Ã© um prazer vÃª-la novamente!

Tess apertou a mÃ£o dele, mas Belcour nÃ£o conseguiu resistir, segurou a mÃ£o de Tess e beijou, assim como fez na primeira vez que eles se encontraram no Camboja.

- Eu estou tÃ£o feliz em lhe ver. JÃ¡ faz muito tempo. Agora que vocÃª estÃ¡ aqui, eu pretendo compensar o tempo perdido.

- Monsieur Belcour, estou aqui para falar de negÃ³cios, eu agradeceria se nos mantivÃ©ssemos falando sobre o trabalho.

- Tess, estÃ¡ Ã© a FranÃ§a. Ã de bom tom desfrutar da companhia um do outro antes de mergulhar em questÃµes de trabalho. Vamos olhar o menu. VocÃª prefere vinho ou champanhe para acompanhar a refeiÃ§Ã£o?

- Monsieur Belcour, eu geralmente nÃ£o bebo no almoÃ§o.

- Eu insisto que vocÃª me chame de Laurent. VocÃª nÃ£o quer me deixar triste, nÃ£o Ã©?

- Tudo bem, Laurent. Podemos ir para o que importa agora?

- Eu nÃ£o sonharia em falar de negÃ³cios sem desfrutar de um excelente almoÃ§o. Gostaria que eu pedisse por nÃ³s dois?

Tess viu que essa reuniÃ£o nÃ£o ia a lugar nenhum se nÃ£o concordasse com o desejo do homem de se socializar. - Sim, jÃ¡ que nÃ£o tem outro jeito, Laurent. Por favor, pode pedir.

- EsplÃªndido! Laurent chamou o garÃ§om e fez o pedido.

- EntÃ£o, como Ã© o seu novo escritÃ³rio em Paris? Eu aprovo. A FranÃ§a Ã© um lugar perfeito para fazer negÃ³cios em vÃ¡rios paÃ­ses africanos.

A comida chegou. Lauren pediu uma seleÃ§Ã£o maravilhosa de deliciosos pratos franceses. A seleÃ§Ã£o incluÃ­a escargot empanado, costela de cordeiro assada com timo recheado com cebola assada; fricassee de feijÃ£o polo com manteiga, tomate de ameixa e uma paste de azeitona Nicoise.

Tess nÃ£o estava com fome. Ela queria fugir Belcour logo que possÃ­vel. Infelizmente, ela sabia que uma rÃ¡pida reuniÃ£o estava fora de questÃ£o.

- SantÃ©. Belcour levantou uma taÃ§a de vinho celebrando o almoÃ§o. Eles tomaram um gole.

- Tess, eu gostaria de fazer as pazes devido ao nosso pequeno desentendimento no Camboja. Sinceramente, lamento ter deixado vocÃª desconfortÃ¡vel.

- NÃ£o vou julgar o seu estilo de vida, Laurent. Ao mesmo tempo, vocÃª deve perceber que uma orgia nÃ£o Ã© como uma xÃ­cara de chÃ¡ para todo mundo. Jake e eu nos sentimos emboscados. De qualquer maneira, isso nÃ£o Ã© coisa nossa.

- Eu entendo. Como vocÃªs americanos costumam dizer, 'Foi mal.' Eu deveria ter sido mais sensÃ­vel, mas eu garanto que nÃ£o foi minha intenÃ§Ã£o ofender. Muitas pessoas ilustres e talentosas desfrutam de entretenimentos alÃ©m do normal.

Tess estava tentando manter a calma e nÃ£o bater no homem do outro lado da mesa. Infelizmente, ela nÃ£o podia se indispor com ele. Sem o seu consentimento, o financiamento do projeto nÃ£o seria possÃ­vel.

- Eu estou bem com isso, Laurent; cada um na sua.

- Perfeito. Agora, vamos aproveitar nossa refeiÃ§Ã£o.

Laurent era um encantador emblemÃ¡tico. Ele encheu Tess de elogios e a impressionou com seu conhecimento de praticamente tudo que existe na face da Terra. Tess permaneceu relativamente quieta, pegando sua comida, ansiando pela hora que ela poderia ir embora.

Quando a sobremesa chegou, Laurent tocou as mÃ£os dela novamente. Tess tentou retirÃ¡-la, mas ele a segurou.

- Tess, eu a convidei para almoÃ§ar para discutir algo alÃ©m de negÃ³cios.

- VocÃª nÃ£o quer falar sobre o financiamento dos projetos?

- JÃ¡ estÃ¡ feito. Sou um homem de palavra. Os fundos para o seu projeto da NigÃ©ria estÃ£o agora disponÃ­veis para serem usados. EntÃ£o, nÃ£o hÃ¡ nenhuma necessidade de falar sobre isso. O que eu quero falar Ã© algo de natureza muito mais agradÃ¡vel.

Tess enconlheu os ombros dela, ficando automaticamente na defensiva. - O que vocÃª tem em mente Laurent?

- Tess, eu gostaria de ter a honra de lhe pedir para se tornar minha amante. VocÃª Ã© uma mulher linda, e eu estou convencido que nÃ³s iriamos nos dar muito bem.

- Laurent, vocÃª Ã© um homem atraente, mas vocÃª sabe que eu sou casada e que eu amo o meu marido.

- Claro que sim, e eu amo a minha esposa tambÃ©m. Isso nÃ£o impede o encontro com um amante regularmente.

- Laurent, eu sei que a FranÃ§a Ã© um pouco mais liberal sobre algumas coisas mas, eu nÃ£o vejo como adultÃ©rio pode ser algo bom.

- VocÃª faz o prazer parecer algo sujo. NÃ£o Ã© sÃ³ na FranÃ§a. Muitos de nÃ³s acreditam que ter um amante ajuda a aliviar e atÃ© mesmo evitar o tÃ©dio conjugal. Na verdade fortalece relacionamentos. Muitos casais tÃªm uma compreensÃ£o de que cada um tem o direito a um tempo privado para fazer o que quiserem. Minha esposa concorda, apenas no caso de vocÃª estar se perguntando.

Tess estava ficando cada vez mais desconfortÃ¡vel e estava lutando para evitar o resto da conversa sem ofender Belcour.

- Fico feliz que isso funcione para vocÃªs Laurent, e estou lisonjeada pela sua proposta, mas eu nÃ£o consigo fazer isso. De qualquer forma, eu nÃ£o passo muito tempo em Paris. Tess instantaneamente reconheceu que ela tinha cometido um erro. Ela praticamente admitiu que ela poderia estar receptiva a um caso, se nÃ£o fosse pela questÃ£o geogrÃ¡fica.

- Ah, mas essa Ã© a beleza do arranjo que proponho. Eu tambÃ©m nÃ£o pasos muito tempo em Paris. Eu viajo por todo o mundo, como vocÃª. Seria fantÃ¡stico para encontros em lugares diferentes. Seria maravilhoso encontrar com sua amante, nÃ£o importa onde vocÃª esteja.

- Laurent, eu quero dizer que eu amo o meu marido, Jake. Eu simplesmente nÃ£o posso fazer o que vocÃª propÃµe.

- Seria um grande presente para o seu marido encorajÃ¡-lo a arranjar uma amante tambÃ©m. Iria apimentar o casamento e garantir a longevidade.

Tess agora estava mexendo em sua bolsa, querendo fugir, Belcour percebeu. - Tess, por favor, mantenha a mente aberta. Eu sou um Ã³timo amante e iria adorar vocÃª, encher de jÃ³ias e honrÃ¡-la como uma parte preciosa da minha vida.

- Obrigada pelos elogios Laurent, mas eu continuo nÃ£o me sentindo confortÃ¡vel com a proposta. Eu respeito quem vocÃª Ã©, mas eu tenho uma mentalidade diferente. O que vocÃª estÃ¡ sugerindo Ã© inaceitÃ¡vel pra mim. Me desculpe.

- VocÃª vai, pelo menos, pensar nisso? NÃ£o desista da oportuidade de melhorar muito a sua vida. Eu ficaria desolado por nÃ£o vÃª-la regularmente.

- Laurent, eu tenho certeza que nÃ£o faltam mulheres bonitas que aceitariam sua proposta. Eu sÃ³ nÃ£o sou uma delas. Vamos continuar amigos.

- Eu estou tÃ£o feliz que vocÃª disse amigos. Talvez isso possa se tornar em algo mais no futuro.

Tess forÃ§ou um sorriso e se levantou. - Obrigada pelo almoÃ§o Laurent. Vejo vocÃª por aÃ­, tenho certeza. Ela pegou sua bolsa e comeÃ§ou a caminhar para fora.

- Pense nisso Tess.

'Pervertido', Tess pensou.




8 - Rezando pelas jovens


Tess e Jake tem uma filha adotiva, Aara. Com 14 anos de idade, a menina foi crescendo com uma espetacular beleza exÃ³tica. Nascida no Iraque, ela era delicada, com um cabelo preto brilhante, grandes olhos castanhos, pele de oliva e um jeito refinado que a diferenciava das outras crianÃ§as na escola. Ela tambÃ©m era extremamente inteligente, falava inglÃªs, francÃªs, turco e Ã¡rabe, e era obcecada por livros. Por ser tÃ­mida e seus talentos serem intimidadores, ela nÃ£o tinha muitos amigos.

Aara amava Tess e Jake. Infelizmente, eles tinham que viajar muito em missÃµes pela companhia militar. Aara sentia falta deles e tornou-se cada vez mais introvertida e deprimida. Ela estava indo para uma escola particular na cidade de Nova York. Carol, que tinha sido babÃ¡ do pequeno Morgan e uma guarda-costa pessoal, que a levava para as aulas e geralmente cuidava dela. Quando Tess e Jake estavam fora, Aara ficava com o pai de Tess, General Turner. Ele gostava muito da crianÃ§a, mas ela sempre o fez lembrar de Morgan, o neto que ele adorava e tragicamente perdeu.

Um dia, a guarda-costa ficou presa num engarrafamento devido a um acidente e nÃ£o conseguiu buscar Aara quando ela saiu da escola. Agitada, ela nÃ£o seguiu as regras, ir para a sala do diretor e esperar Carol. Em vez disso, sentou-se num banco em frente Ã  escola. Ali, ela foi abordada por Jorge Lopez, um veterano da mesma escola.

Jorge foi simpÃ¡tico e era muito bonito. Ele sentou com ela e superou sua timidez ao falar sobre coisas em geral. Ele compartilhou seus sonhos de viajar e um dia ter seu prÃ³prio apartamento. Ele ainda a contou que tambÃ©m tinha pais ausentes, que nÃ£o prestavam muita atenÃ§Ã£o nele. Logo Aara se abriu e compartilhou do mesmo sentimento. Jorge declarou que isso queria dizer que eles eram almas gÃªmeas, e que, em breve, eles deveriam ficar juntos. Aara sÃ³ tinha 14 anos e nÃ£o levou essa proposta muito a sÃ©rio. Ao longo de algumas semanas, Jorge fez questÃ£o de procurÃ¡-la durante os intervalos escolares e continuou a investigar sua angÃºstia e infelicidade na adolescÃªncia. Ele continuou falando sobre a atraÃ§Ã£o crescente que ele sentia por ela. Ele entÃ£o contou que iria se formar em algumas semanas e que queria que ela fosse com ele para Houston, onde eles iriam encontrar um apartamento e viver felizes para sempre.

Aara nÃ£o estava feliz com a ausÃªncia prolongada de seus pais adotivos, e estava passando pela confusÃ£o e afliÃ§Ã£o de crescer. Contudo, sendo tÃ£o inteligente, ela percebeu que havia algo em Jorge que nÃ£o fazia sentido. Sim, ele era lindo e charmoso, mas por que ele estaria interessado numa garota tÃ£o mais jovem? Ela tambÃ©m observou ele falando com outras garotas, tambÃ©m muito mais jovens que ele.

No dia antes da formatura, Jorge declarou seu amor eterno a Aara e implorou que ela fosse com ele no dia seguinte. Aara nÃ£o estava convencida. Ela amava seus pais adotivos e sabia que eles tinham passado pelo inferno para conseguir adotÃ¡-la, entÃ£o, quando eles chegassem em casa, ela contou a Tess e Jake o que Jorge estava pretendendo.

Quando era confrontada com ameaÃ§as, Tess tinha dificuldade em controlar o seu temperamento. De vÃ¡rias maneiras, ela era como um vulcÃ£o em erupÃ§Ã£o, a raiva crescia gradualmente atÃ© ela, finalmente, explodir. Jake a conhecia muito bem e fez o que normalmente funcionava. Ele a abraÃ§ou para acalmÃ¡-la um pouco. EntÃ£o ele falou com Aara. - Querida, quem Ã© esse menino? VocÃª jÃ¡ o viu nas aulas alguma vez? Ele tambÃ©m fala com outras garotas do mesmo jeito?

Aara disse tudo a eles, inclusive a insistÃªncia de Jorge para que eles fugissem juntos. Tess a abraÃ§ou, nÃ£o querendo mais largar e Jake ligou para escola e insistiu em encontrar o diretor na manhÃ£ seguinte. EntÃ£o ele ligou para Joe Slezak, do departamente de TI, e pediu para que ele fizesse algumas pesquisas para ele.

Tess e Jake apareceram na hora marcada e perguntaram ao diretor da escola se ele sabia alguma coisa sobre Jorge. O diretor sÃ³ sabia que ele era um veterano que estava prestes a se formar. Sua famÃ­lia tinha emigrado legalmente da ColÃ´mbia, e trabalhavam em uma rede de supermercados.

Tess foi direto ao ponto. - NÃ³s temos razÃµes para acreditar que esse jovem rapaz estÃ¡ tentando seduzir jovens garotas a abandonar suas famÃ­lias e fugir com ele.

O diretor pareceu relutante em tomar qualquer medida devido a falta de provas. EntÃ£o Jake apresentou uma investigaÃ§Ã£o preliminar conduzida por sua firma. - NÃ£o Ã© verdade que trÃªs garotas, estudantes dessa instituiÃ§Ã£o, fugiram e nunca mais foram vistas?

- Sim, mas nÃ£o quer dizer que houve qualquer coaÃ§Ã£o ou que Jorge tenha algo a ver com isso. As adolescentes sÃ£o altamente sensÃ­veis e vivem fazendo coisas estÃºpidas.

- A polÃ­cia se envolveu?

- Sim, eles investigaram mas nÃ£o conseguiram achar nada, entÃ£o eles simplesmente abandonaram o caso. Eles disseram que tinham muitos casos de crianÃ§as desaparecidas e nÃ£o tinham recursos suficientes para acompanhar todos eles.

- E os pais?

- Eles obviamente ficaram chateados, com os coraÃ§Ãµes partidos, mas eles nÃ£o foram capazes de achar as crianÃ§as.

Tess se levantou. - Muito obrigada senhor. NÃ³s manteremos contato.

Jake e Tess voltaram para o escritÃ³rio e pegaram Ken Ross na calÃ§ada. Ken era um atirador habilidoso que tinha se juntado a DRE desde o inÃ­cio. Ele foi a vÃ¡rias missÃµes e logo se tornou um dos gerentes principais. Ele era muito engenhoso, forte, inteligente e sempre pode ser confiÃ¡vel em situaÃ§Ãµes difÃ­ceis.

No caminho de volta para o colÃ©gio, Jake explicou o plano rapidamente. - NÃ£o vamos conseguir mais nada com a polÃ­cia, entÃ£o teremos que lidar com esse problema nÃ³s mesmos. Eu disse a um amigo meu, que Ã© um investigador na cidade, que estamos fazendo nossas prÃ³prias investigaÃ§Ãµes, entÃ£o temos um pouco de permissÃ£o para nos envolvermos nisso. Em troca, ele quer que eu lhe dÃª o que conseguirmos. Aqui estÃ¡ uma foto de Jorge. Eu quero pegÃ¡-lo e ter uma conversinha com ele.

Eles estacionaram o carro na entrada da escola e permaneceram dentro atÃ© que eles vissem Jorge falando animadamente com uma jovem garota. Jake foi atÃ© o jovem, agarrou-o pelo pescoÃ§o e o jogou dentro do carro. Ken colocou uma fita adesiva sobre a boca do garoto e guiou o grupo atÃ© um local tranquilo no Central Park. Todos saÃ­ram do carro e Ken pegou uma corda.

Jake forÃ§ou Jorge a sentar em uma pedra e ficou encarando ele. Ele entÃ£o arrancou a fita adesiva. O garoto estremeceu, mas nÃ£o ficou intimidado. - Eu nÃ£o sei quem sÃ£o vocÃªs, mas eu vou gritar se vocÃªs encontarem mais um dedo em mim.

- Isso Ã© o que vai acontecer. - Jake disse. - NÃ³s iremos lhe perguntar algumas coisas e vocÃª irÃ¡ nos contar exatamente o que queremos saber. Depois disso nÃ³s podemos deixar vocÃª ir... ou podemos comeÃ§ar algumas atividades nada prazerosas. Eu sugiro que vocÃª leve isso a sÃ©rio.

- Eu nÃ£o tenho que falar merda nenhuma. Jorge gritou. Tess nÃ£o tinha mais paciÃªncia para os absurdo que o punk dizia e o chutou no estÃ´mago, como um do que estava por vir. Ele caiu no chÃ£o, com as mÃ£os aonde Tess tinha chutado. Como de costume, Jake fez um show para conte-la. EntÃ£o fez Jorge se sentar novamente enquanto ele tentava recuperar o fÃ´lego. Ele agora assumiu um comportamento paterno. - Tudo bem Jorge. Por favor, por que vocÃª quer fugir com Aara?

- Aara Ã© infeliz e ela me ama. Eu sÃ³ quero levÃ¡-la e fazÃª-la feliz.

Tess bateu-lhe novamente. Jake interveio. - Jorge, eu nÃ£o posso conter essa senhora pra sempre. Se vocÃª nÃ£o nos contar o que sabe, vocÃª vai acabar como comida para cachorro.

- VÃ¡ para o inferno!

- Tudo bem, vamos fazer do seu jeito. Jake sinalizou para Ken, que rapidamente amarrou os pÃ©s de Jorge, jogou a corda pelo galho de uma Ã¡rvore e puxou, suspendendo-o de cabeÃ§a para baixo. EntÃ£o ele amarrou o final da corda em um galho mais baixo.

Jake resumiu a conversa. - Jorge, vocÃª tem que entender uma coisa. NÃ³s nÃ£o temos muito tempo, e nÃ³s temos que resolver nosso mal entendido rapidamente. EntÃ£o, eu vou lhe perguntar algumas coisas e vocÃª irÃ¡ responder de maneira civilizada.

Jorge estava juntando forÃ§as para gritar quando Ken amassou um pano em sua boca. EntÃ£o Jake puxou uma faca e fez uma apresentaÃ§Ã£o, demonstrando em seus dedos o quanto ela estava afiada. Jorge arregalou os olhos. Ele parou de lutar.

- Muito bem Jorge. Agora, por favor, me conte o que aconteceu com as trÃªs garotas que desapareceram da escola. Eu consigo ver que vocÃª era amigo de todas elas. Jake se agachou e retirou o pedaÃ§o de pano da boca de Jorge. A crianÃ§a gritou atÃ© que Tess ficou impaciente e o chutou na cara, arrancando sangue do seu nariz. Desde que o rapaz estava de cabeÃ§a para baixo, ele comeÃ§ou a engasgar com o sangramento.

Jake continuou. - Jorge, eu realmente quero encontrar uma maneira de lhe proteger dessa senhora malvada. VocÃª precisa falar comigo, entÃ£o essa Ã© a minha primeira pergunta. Por que vocÃª estava tentando persuadir Aara a fugir com vocÃª?

Sufocando devido ao sangue escorrendo de seu nariz, Jorge ainda estava lutando. - Porque ela odeia vocÃªs e eu a amo!

Tess estava realmente irritada agora. Ela chutou o menino nos rins. O golpe o silenciou por um minuto.

Jake retomou seu inquÃ©rito. - Jorge, agora vocÃª vai me dizer o que vocÃª fez com as trÃªs garotas que desapareceram. Ele nÃ£o conseguiu uma resposta.

Jake pegou a faca e testou novamente o quanto estava afiada, sÃ³ que dessa vez no rosto de Jorge. Ele desenhou uma linha fina em sua bochecha, que comeÃ§ou a sangrar imediatamente. - Tudo bem Jorge, vocÃª realmente precisa me dizer o que aconteceu, ou eu vou comeÃ§ar a cortar vocÃª em tiras. O que aconteceu com as garotas? Para enfatizar seu pedido, Jake o apunhalou ligeiramente na coxa.

Jorge agora entrou em pÃ¢nico. - Pare, eu vou contar. Apenas pare.

- Excelente Jorge. EntÃ£o, o que aconteceu com as garotas?

- VocÃª pode me por no chÃ£o?

- Ainda nÃ£o. Veja sÃ³, essa senhora Ã© a mÃ£e de Aara e eu estou preocupado que ela perca a paciÃªncia e quebre todos os ossos do seu corpo.

Sufocando, Jorge tentou responder. - Um homem me paga uma comissÃ£o para que eu entregue lindas jovens a ele. Eu as levo para uma casa no Queens e as entrego ao meu contato e seus capangas. Eles me pagam mil dÃ³lares cada e seguimos nossos caminhos.

Tess sentiu o vulcÃ£o em sua cabeÃ§a prestes a explodir. - E vocÃª jÃ¡ se perguntou o que eles fazem com as garotas? VocÃª simplesmente vai embora?

- Meu trabalho Ã© fornecer o que eles querem. Qualquer coisa alÃ©m disso, nÃ£o Ã© da minha conta.

Tess nÃ£o pode resistir em chutar o outro rim do rapaz. Jorge engasgou, se contorcendo em dor.

Jake retomou seu inquÃ©rito. - Tudo bem Jorge. Agora, tudo o que vocÃª tem que fazer Ã© me dizer o nome do homem que vocÃª entregou as meninas, e eu desÃ§o vocÃª.

- Eu nÃ£o sei o nome de ninguÃ©m. Eles nunca me falaram.

Jake olhou para Ken, que comeÃ§ou a abrir as calÃ§as de Jorge. Ele colocou as luvas de borracha e puxou o mebro flÃ¡cido do menino para fora. Jake entÃ£o passou a faca para ele. Ken cortou as calÃ§as e as cuecas dele, abrindo espaÃ§o para o trabalho.

- Eu preciso tornÃ¡-lo consciente de algo, Jorge. Ken aqui Ã© era um homem das forÃ§as especiais. Ele passou muito tempo na Ãfrica. LÃ¡, ele aprender um hÃ¡bito peculiar praticado pelos nativos. Quando eles nÃ£o conseguem a resposta certa de uma pessoa que nÃ£o quer cooperar, eles cortam fora suas partes Ã­ntimas e enfiam em suas bocas. EntÃ£o eles o deixam sangrando atÃ© morte.

Ken bateu no escroto de Jorge, indicando que ele estava pronto para prosseguir.

Jorge se debateu e murmurou. - VocÃª estÃ¡ maluco. As pessoas nÃ£o fazem essas coisas por aqui.

Jake se compadeceu. - Geralmente nÃ£o, mas meu amigo aqui Ã© um pouco traumatizado por suas experiÃªncias de combate. EntÃ£o, eu realmente acho que ele estÃ¡ morrendo para remover seus genitais.

Ken cortou um pouco mais.

- Tudo bem, eu conto pra vocÃªs. SÃ³ desÃ§am daqui.

- Eu ficaria feliz em fazer isso , assim que vocÃª me der os nomes.

- O nome do cara Ã© Duboi, Bertrand Duboi.

Tess se encostou contra o carro. Dubois, o homem que estava com Laurent.

- Viu Jorge, nÃ£o foi tÃ£o difÃ­cil. Ken, desÃ§a ele.

Ken cortou a corda e Jorge caiu no chÃ£o como um saco de batatas.

Jorge ficou de joelhos, sangrando e desgrenhado. Ele finalmente se levantou e tentou puxar o que sobrou de suas calÃ§as. Ele estava visivelmente abalado.

- Mais uma coisa Jorge. VocÃª tem que vir comigo atÃ© a polÃ­cia. Eu aposto que eles tambÃ©m vÃ£o quere ouvir sua histÃ³ria.

- Vai se foder! Eu vou contar a eles o que vocÃªs fizeram comigo.

- Como vocÃª quiser, faÃ§a. Claro que eles nÃ£o vÃ£o acreditar em vocÃª, ao invÃ©s disso eles vÃ£o ter vÃ¡rias perguntas e vocÃª irÃ¡ responder a todas elas. EntÃ£o vocÃª irÃ¡ a julgamente e depois para a cadeia por um longo tempo.

- Os policias nÃ£o estÃ£o autorizados a fazer o que vocÃªs fizeram. Eu nÃ£o vou contar nada a eles.

Tess deu-lhe outro chute no estÃ´mago. - NÃ£o, eles nÃ£o vÃ£o bater em vocÃª, mas eu te garanto que nÃ³s iremos voltar e bater em vocÃª caso vocÃª nÃ£o fale. EntÃ£o, por favor, seja honesto e confesse seus pecados aos policiais.

Ken agarrou Jorge e o jogou no porta malas do carro, lamentavelmente, batendo a porta em sua cabeÃ§a. No caminho da delegacia, Jake ligou de volta para Joe Slezak, do departamento de TI. - VocÃª conseguiu Joe? Todo o processo foi gravado no smartphone de Jake.

- Com certeza chefe. Eu vou transferir a versÃ£o final para o seu telefone antes que vocÃª chegue na delegacia.

Eles dirigiram atÃ© a delegacia e entregaram o delinguente para um dos amigos de Jake, Peter Abbot, um sargento da forÃ§a-tarefa de trÃ¡fico humano da cidade. Jake tambÃ©m baixou um Ã¡udio da conversa que teve com Jorge, uma versÃ£o editada e impecÃ¡vel que omite qualquer sugestÃ£o de coerÃ§Ã£o, e entregou para Peter.

- Agora que nÃ³s jÃ¡ temos uma boa ideia de quem estÃ¡ sequestrando as garotas, nÃ³s vamos ter uma conversinha com Dubois no Queens.

- NÃ£o se preocupe Jake. Eu jÃ¡ verifiquei isso. Ele e sua gangue deixaram o paÃ­s a uma semana. Eles estÃ£o na BÃ©lgica agora, mas nÃ³s temos um deles nÃ¡ cadeia.

- E as garotas desaparecidas?

- NÃ³s organizamos uma forÃ§a tarefa e vamos seguir as pistas. Com sorte, nÃ³s seremos capazes de encontra-las.

Jake voltou para o carro e contou a Tess e Ken que era inÃºtil ir atÃ© o Queens. Tess ainda estava furiosa. - Com que frequÃªncia esse tipo de coisa acontece? Eu nÃ£o consigo acreditar que as autoridades ignoram o sequestro de pessoas jovens.

- Eles nÃ£o ignoram. O problema Ã© que eles nÃ£o tem recursos suficientes para lidar com essa situaÃ§Ã£o. Agora, se Dubois tambÃ©m estÃ¡ envolvido no sequestro das garotas, isso provavelmente quer dizer que ele estÃ¡ as levando para os bordÃ©is. As garotas sÃ£o jovens e bonitas, e eu tenho certeza que ele esta lucrando muito com isso.

- Eu tremo sÃ³ de pensar que ele poderia ter levado Aara. NÃ³s temos muita sorte por ela ser tÃ£o esperta.

- Pode ter algo mais nisso. Dubois estÃ¡ conectado a Belcour. Eu nÃ£o ficaria surpresa se isso fosse parte do seu impÃ©rio do sexo.

- Agora Belcour foi longe demais. - Tess disse, rapidamente assumiu seu jeito de guerra. - Eu irei atrÃ¡s dele e vou coloca-lo no lugar que ele merece, bem longe.

- Eu concordo com vocÃª, mas nÃ£o vai ser fÃ¡cil. NÃ³s temos que provar uma conexÃ£o direta entre eles.

- Jake, eu nÃ£o estou brincando. NÃ³s vamos atrÃ¡s desse bastardo e vamos matÃ¡-lo.

- Calma Tess. NÃ³s vamos garantir que ele tenha aquilo que merece.

Jake e Tess chegaram ao seu apartamento e ouviram uma mÃºsica a tocar. Eles correram para a porta e invadiram o lugar. Aara estava praticando suas liÃ§Ãµes de piano. Ela brilhou de alegria quando olhou para eles. Tess a abraÃ§ou e a beijou.

- Querida, a partir de agora, vocÃª nunca mais vai ficar sozinha. VocÃª vai vir conosco para Paris.

Aara sorriu. - Legal.




9 - Investigando mais a fundo


De volta a Paris, Tess estava furiosa com os avanÃ§os de Belcour. O homem nÃ£o desistia, repetidamente ligando e enviando flores, incessantemente a convidando para sair. Ele simplesmente nÃ£o conseguia aceitar o nÃ£o. Ela agora estava preocupada que ele continuasse tentando recrutar ela e Jake para seu clube do sexo pelo preÃ§o de fazer negÃ³cios. AlÃ©m disso, ela e Jake estavam suspeitando fortemente que Laurente Belcour estava por trÃ¡s da armaÃ§Ã£o do sequestro de sua filha, talvez para por um preÃ§o por ela.

Agora Tess estava aos prantos, desejando que ela tivesse acesso a um helicÃ³ptero Apache para que ela pudesse explodir aquele homem. Seu comportamento agressivo pode ser relacionado ao fato dela ter sido criado como um homem, porque ela estava destinada a ser uma piloto de helicÃ³ptero de ataque. Ela tinha amolecido um pouco depois de se casar com Jake, mas ela ainda tinha que lutar para controlar seu temperamento quando lidava com o mal e a injustiÃ§a. Isso a tornava muito perigosa, porque ela possuÃ­a habilidades extraordinÃ¡rias de luta.

Jake escutou as reclamaÃ§Ãµes dela pacientemente atÃ© ela se acalmar, e depois a atualizou sobre algo que ela precisava saber. - NÃ³s temos um problema. Nossos projetos militares dependem dos nossos clientes conseguires fundos necessÃ¡rios para pagar pelas armas que precisam e pelos nossos serviÃ§os. Eu acabei de descobrir que trÃªs compras foram adiadas devido a problemas tÃ©cnicos na empresa de Belcour, a ODI. Eu ajudei nossos clientes, pessoalmente, a preparar os pedidos de financiamento e eu tenho certeza que nÃ£o hÃ¡ nenhum problema com os requerimentos. Eu posso apostar que Belcour estÃ¡ tentando nos pressionar suspendendo os fundos da ODI.

- Ãtimo. O que faremos agora?

- Eu acho que estÃ¡ na hora de nos render. Eu pedi a Joe Slezak e sua equipe de TI para investigar Belcour. O homem Ã© proeminente na comunidade empresarial e financeira internacional, mas ele tambÃ©m parece ter uma reputaÃ§Ã£o de ser uma homem com muitas mulheres.

- VocÃª pode repetir isso? JÃ¡ testemunhamos suas inclinaÃ§Ãµes.

- Tem que ter algo mais. - Jake continuou. - Eu acho que ele tambÃ©m estÃ¡ envolvido em negÃ³cios ilegais como o trÃ¡fico humano.

- VocÃª sÃ³ pode estar brincando. Como ele pode fazer isso? Ele nÃ£o Ã© sÃ³ um grande financiador, mas tambÃ©m um nobre frances de uma famÃ­lia conhecida.

- Ser famoso nÃ£o o isenta de ser um depravado. Historicamente, vÃ¡rios aristocratas europeus sÃ£o conhecidos por participarem de organizaÃ§Ãµes que envolvem sexo. Parece que ele estÃ¡ continuando a tradiÃ§Ã£o, por assim dizer.

O que faremos agora?

- Eu pedi a Joe e sua equipe de TI para conduzir uma investigaÃ§Ã£o preliminar sobre as atividades ilegais de Belcour. Talvez possamos encontrar algo que podemos usar contra eles.

O que Joe descobriu?"

- NÃ£o muito mais do que nÃ³s jÃ¡ sabemos. Ele nos pediu para contratar um especialista nesse tipo de investigaÃ§Ã£o. Ele diz que encontrou uma mulher russa que Ã© excelente para essas coisas. Eu disse-lhe para ir em frente e trazÃª-la a bordo.

- O governo francÃªs jÃ¡ nÃ£o estÃ¡ investigando Belcour?

- Os franceses estÃ£o investigando ele porque existem alegaÃ§Ãµes que ele pode ser um cafetÃ£o, o que Ã© ilegal na FranÃ§a. Infelizmente, Belcour tem muitos contatos e a polÃ­cia tem que lidar cuidadosamente com esse caso.

- NÃ³s temos autorizaÃ§Ã£o legal para investigÃ¡-lo?

- Eu entrei em contato com Etienne Joubert, um investigador francÃªs que jÃ¡ estava de olho em algumas transaÃ§Ãµes financeiras suspeitas vindas da ODI. Eu pedi a ele para que nos deixasse participar informalmente dos inquÃ©ritos. Ele sabe de nossas capacidades e disse que nossa ajuda seria muito bem vinda, mas ele disse que tem que ser extraoficialmente, porque seus chefes nÃ£o permitiriam que forasteiros se envolvessem em tal investigaÃ§Ã£o. De qualquer maneira, a Ãºnica razÃ£o que ele estÃ¡ disposto a cooperar conosco Ã© porque ele precisa de ajuda, e tal nÃ£o Ã© provÃ¡vel que venha das autoridades francesas.

O telefone tocou. Jake atendeu e disse para quem estava do outro lado da linha para entrar.

Joe Slezak entrou no escritÃ³rio de Jake com uma mulher a tiracolo. - Jake, Tess, eu gostaria de apresentÃ¡-los a Galina Kutuzova. Ela tem sido de grande ajuda em nosso projeto.

Galina parecia uma atleta russa. Alta e musculosa, ombros e braÃ§os atlÃ©ticos, um cabelo loiro obsceno e um rosto duro, sugerindo forÃ§a e possivelmente ameaÃ§a. Ela tinha um fÃ­sico incrÃ­vel, estava vestindo um macacÃ£o e ostentando uma atitude beligerante em relaÃ§Ã£o a seres menores. Ela apertou, firmemente, a mÃ£o de Jake e mal tocou as mÃ£os de Tess.

- Ã um prazer conhecer vocÃªs. Joe disse que vocÃªs sÃ£o os melhores chefes que alguÃ©m poderia ter.

- NÃ³s preferimos nos considerar como membros da equipe. - Tess respondeu com seu sorriso gracioso de sempre.

Jake comeÃ§ou a maquinar com seu cÃ©rebro, que mais parecia uma enciclopÃ©dia. - VocÃª estÃ¡ de alguma forma relacionada ao marechal Kutuzov, que lutou nas campanhas otomanas e contra NapoleÃ£o em Borodino?

Galina nÃ£o estava a espera que um americano soubesse tanto a respeito da histÃ³ria da RÃºssia. - O Marechal Mikhail Illarionovich Golenischev-Kutuzov foi um parente distante. Ele Ã© considerado um herÃ³i na histÃ³ria da RÃºssia.

- Fascinante. - Jake respondeu.

Visto que Jake estava prestes a discutir detalhadamente todas as batalhas em que Kutuzov esteve, Tess interveio. - Eu entendo que vocÃª fez um trabalho fantÃ¡stico ao achar informaÃ§Ãµes pertinentes sobre Monsieur Belcour.

- Joe pode fornecer as informaÃ§Ãµes para vocÃªs.

- Aham. - Joe concordou. - NÃ£o Galina. Nessa companhia, nÃ³s insistimos em dar os crÃ©ditos as pessoas que fizeram algo. NÃ£o Ã© habitual para o chefe levar crÃ©dito pelo trabalho de seus subordinados. Por favor, prossiga e nos explique o que temos.

Galina levantou sua sobrancelha, surpresa. EntÃ£o ela apresentou toda a informaÃ§Ã£o que havia conseguido. - Eu fiz uma pesquisa global tanto de Belcour quanto da IDO, que ele Ã© dono. Encontrei informaÃ§Ãµes atuais sobre as atividades da organizaÃ§Ã£o, incluindo as estatÃ­sticas financeiras. A maior parte do que eles fazem, Ã© financiar projetos de infra-estrutura para naÃ§Ãµes em desenvolvimento. Eles tambÃ©m financiam compra de armas. Tudo parece ser legÃ­timo. O quadro de diretores inclui titÃ£s da indÃºstria e ministros de vÃ¡ros paÃ­ses. Mas isso nÃ£o Ã© o que Ã© interessante.

- Por favor, continue. - Jake encorajou.

- Parece que Belcour Ã© conhecido por participar de certas atividades que sÃ£o consideradas questionÃ¡veis. Ele Ã© conhecido por participar de grupos exclusivos que envolvem atividades sexuais com prostitutas e outros voluntÃ¡rios. Esses eventos ocorrem em vÃ¡rias capitais, nÃ£o sÃ³ na Europa mas na AmÃ©rica e na Ãsia tambÃ©m. O interessante Ã© que vÃ¡rios casais ricos escolhem participar dessas festividades.

- Sim, nÃ³s jÃ¡ estamos familiarizado com esse fato. Parece que Belcour nÃ£o se importa em esconder sua particioaÃ§Ã£o nesses eventos.

Galina olhou para eles, ligeiramente irritada com a interrupÃ§Ã£o. - Tem mais. Belcour tem vÃ¡rios associados, a maioria no Reino Unido e FranÃ§a, que recrutam prostitutas na AmÃ©rica, Ãsia, RÃºssia, BulgÃ¡ria e Reino Unido. Eles tambÃ©m tem uma operaÃ§Ã£o significativa na Argentina, oficialmente coordenada por um americano. Entretanto, nÃ£o hÃ¡ evidÃªncias que Belcour seja qualquer coisa alÃ©m de participante. Ele parece apenas aparecer regularmente nessas noitadas. Ele parece ser insaciÃ¡vel e apreciar sexo violento. Ele tambÃ©m tem vÃ¡rias amantes pelo mundo inteiro. Em Paris e Londres, ele tem tem alguns apartamentos privados que ele utiliza para esconder seus encontros de sua esposa.

Jake colocou os braÃ§os atrÃ¡s da cabeÃ§a. - Tudo bem, parece que o homem tem uma libido descontrolada, mas isso nÃ£o significa muito, contando que ele nÃ£o esconde suas atividades em relaÃ§Ã£o a isso.

Galina continuou. - Ainda tem mais. Parece que o recrutamento se estende a aquisiÃ§Ã£o de jovens universitÃ¡rias e crianÃ§as. Essa parte se concentra mais no Reino Unido.

Tess quase caiu da cadeira. - Estudantes e crianÃ§as? Eu ouvi direito?

- Sim, tanto do sexo feminino quanto do sexo masculino. AlÃ©m disso, parece que as crianÃ§as sÃ£o arrancadas de lares adotivos e, em alguns casos, raptadas.

- Parece qu Belcour e Bertrand Dubois levam a sÃ©rio o fornecimento de todo e qualquer tipo de serviÃ§o. - Tess brincou.

- Existe alguma evidÃªncia que indique que Belcour esteja envolvido pessoalmente nesses esquemas de trÃ¡fico humano, particularmente de jovens?

- Superficialmente...NÃ£o. Mas se vocÃª der uma boa olhada em como esses grupos funcionam, existe uma coisa em comum: Cada uma dessas operaÃ§Ãµes Ã© comandada por Bertrand Dubois, que nÃ£o Ã© um empregado oficial da organizaÃ§Ã£o financeira de Belcour. No entanto, ele estÃ¡ sempre ao lado de Belcour. Parece que ele Ã© o cafetÃ£o chefe desse empreendimento.

- EntÃ£o Ã© possÃ­vel que esse cafetÃ£o sirva como uma cobertura para Belcour, que Ã© o verdadeiro cÃ©rebro dessa operaÃ§Ã£o? Jake perguntou.

- Ã mais do que isso. - Galina adicionou. - Enquanto Belcour parece ser apenas um participante entusiasmado, na verdade, ele embolsa uma porcentagem significativa da taxa que as pessoas pagam para participarem dessas festas. Eu descobri uma conta que ele utiliza para depositar esses fundos.

Tess parecia cÃ©tica com a informaÃ§Ã£o. - Eu nÃ£o consigo acreditar que Belcour faÃ§a isso apenas por dinheiro. Ele Ã© de uma antiga e nobre famÃ­lia, donos de dois castelos na FranÃ§a e lÃ­der de uma das organizaÃ§Ãµes financeiras mais respeitadas do mundo. AlÃ©m disso, hÃ¡ rumores que ele vÃ¡ concorrer a presidÃªncia na FranÃ§a. Por que ele se arriscaria a fazer dinheiro com atividades tÃ£o sÃ³rdidas?

- Pode ser apenas por diversÃ£o. - Jake advertiu. - Ele descobriu como fazer dinheiro explorando pessoas. Pode ser algo simples, como alimentar seu ego.

- Isso Ã© monstruoso! - Tess exclamou. - Eu nÃ£o posso acreditar que ele estÃ¡ saindo impune disso.

Galina pareceu pensativa por um momento, entÃ£o puxou um relatÃ³rio anexo. - Eu tenho aqui uma lista das pessoas que participam dessa... vamos chamar de noitada. Esses eventos parecem estar em trÃªs categorias. A primeira consiste na procura de prostitutas que sÃ£o fornecidas para os empresÃ¡rios que fazem negÃ³cios com Belcour. A segunda consiste em festas liberais assistidas por casais ricos que pagam pelo privilÃ©gio. Esses eventos sÃ£o vendidos como uma forma superior de entretenimento. E a terceira Ã© simplesmente planejar festas de sexo envolvendo homens e prostitutas, a maior parte sendo na Argentina. HÃ¡ tambÃ©m encontros com alguns homens em particular e algumas mulheres que usam os estudantes universitÃ¡rios, tanto masculinos como femininos, e piÃ¨ce de rÃ©sistance, o abuso de crianÃ§as. O cÃ© Ã© o limite.

Tess se levantou, revoltada. - E como nÃ³s pegamos esse bastardo? Como podemos provar que ele esta profundamente envolvido nisso?

- NÃ£o serÃ¡ fÃ¡cil. - Jake ressaltou. - Tenha em mente que algumas das elites do mundo sÃ£o parte integrante destas atividades. Pelo que sabemos, polÃ­ticos, juÃ­zes e chefes de polÃ­cia podem ser participantes. PoderÃ­amos entrar em um conflito, enfrentando um monte de pessoas influentes assiduamente defendendo seus prÃ³prios interesses. Para complicar, isso ocorre em vÃ¡rios paÃ­ses. Eu nÃ£o tenho idÃ©ia de como podemos abordar isso sem cutucar o enxame.

- Pode haver uma maneira de comeÃ§ar. - Galina interrompeu. - Belcour foi acusado por uma mulher francesa, uma escritora chamada Lucie Benoit, de tentar raptÃ¡-la, mas o caso foi descartado por falta de evidÃªncias. Mas ela nÃ£o deixou isso barato, ela escreveu um livro sobre a terrÃ­vel experiÃªncia. Antes da publicaÃ§Ã£o, Belcour ameaÃ§ou processÃ¡-la por difamaÃ§Ã£o, entÃ£o, ela transformou o livro em um romance, mas os fatos permaneceram os mesmos. NinguÃ©m foi enganado. Belcour a processou novamente e o processo ainda estÃ¡ em aberto em Paris.

Agora Tess estava pensando em um plano de aÃ§Ã£o. - Falar com ela pode ser uma boa maneira de comeÃ§armos.

Jake encerrou a reuniÃ£o. -Joe e Galina, eu gostaria de agradecer a vocÃªs pela pesquisa e pelas informaÃ§Ãµes fornecidas em um espaÃ§o tÃ£o curto de tempo. VocÃªs fizeram um trabalho extraordinÃ¡rio.

A formidÃ¡vel Galina quase corou. - Apenas fazendo o meu trabalho, senhor. NÃ³s vamos continuar olhando. Foi um prazer conhecer vocÃªs.

Joe e Galina deixaram a sala.

Tess olhou para Jake. - Eu preciso de uma bebida.

- Eu tambÃ©m.

***

Caminhando de volta para o departamento de TI, Galina nÃ£o poderia deixar de comentar sobre o que ela viu. - Joe, Jake e Tess nÃ£o sÃ£o muito novos para comandarem uma empresa como essa? Parece que eles se dariam melhor como supermodels. Ele parece um Deus e Tess pertence a capa da Vogue. Isso Ã© muito confuso.

Joe sorriu. - Galina, vocÃª esteve no exÃ©rcito russo e acabou sua carreira como piloto de helicÃ³pter, certo?

- Sim, mas depois fui transferida para a guerra cibernÃ©tica.

- As duas pessoas que vocÃª acabou de conhecer poderiam desestabilizar um paÃ­s se assim quisessem. Jake Ã© um brilhante ex agente da CIA com uma memÃ³ria fotogrÃ¡fica. Ele se lembra com cem por cento de precisÃ£o cada fato de que ele ja viveu em sua vida. Ele tambÃ©m Ã© um pensador e excelente estrategista. A bela Tess pilota todo o tipo de helicÃ³ptero no exÃ©rcito, inclusive o Apache, Kiowa e Blackhawk. Ela esteve em dezenas de operaÃ§Ãµes de combate e liderou o que Ã© provavelmente o Ãºnico combate entre helicÃ³pteros no ar registrado. Ela tambÃ©m acabou fisicamente com um general iraquiano sem usar as mÃ£os, ao invÃ©s disso ela usou os pÃ©s. Ela pode ser tÃ£o feroz que a chamamos de ValquÃ­ria, junto com sua amiga Carmen, que tambÃ©m Ã© uma obra de arte. Acredite em mim, vocÃª vai preferir ter eles como amigos ao invÃ© de inimigos. A propÃ³sito, Tess tambÃ©m Ã© uma clÃ¡ssica pianista, brilhante.

- Interessante. Eu acho que nÃ³s vamos ter bons momentos com esta equipe.

- VocÃª nem imagina.




10 - Gentil persuasÃ£o


De volta a Nova York, a primeira coisa que Tess fez foi apresentar suas idÃ©ias, sobre a luta contra o trÃ¡fico sexual, para os principais membros de sua equipe. Ela esperava conseguir o apoio de todos para poder usar parte do lucro para financiar esse novo empreendimento. Isto era necessÃ¡rio porque os membros chave da equipe recebiam parte da compensaÃ§Ã£o em aÃ§Ãµes da empresa e eram membros do Conselho. Jake e Tess tambÃ©m esperavam que grande parte da equipe estivesse interessada em se envolver pessoalmente nessa missÃ£o.

O grupo comeÃ§ou a reunir em torno da mesa de reuniÃ£o. Todos jÃ¡ tinham trabalhado juntos anteriormente, suas risadas e brincadeiras quando se sentaram para a apresentaÃ§Ã£o evidenciaram um genuÃ­no sentimento de camaradagem.

Tess abraÃ§ou Carmen, essa amizade vem do tempo em que elas voaram juntas em missÃµes de combate no Iraque. Nicola Orsini, o amor de Carmen, era um piloto italiano e um especialista em aeronaves europeia e sistema de armas. Ele era um amigo prÃ³ximo de Jake, e geralmente os dois trabalhavam juntos na maioria dos projetos. O resto da equipe era composta por especialistas militares com incrÃ­veis habilidades e experiÃªncia.

Tess abriu a reuniÃ£o. - Eu estou muito feliz em ter todos vocÃªs aqui hoje. Hoje nÃ³s iremos discutir a viabilidade de criar uma nova divisÃ£o. Jake e eu vamos apresentar um novo plano que visa reorientar um pouco o foco da nossa empresa.

George Kimmel, um profissional superior de inteligÃªncia militar, levantou a mÃ£o. - Eu achei que a companhia estava indo bem do jeito que estÃ¡.

- Sim, a companhia estÃ¡ indo bem. - Tess respondeu - Mas hoje nÃ³s queremos discutir um novo foco, alÃ©m do serviÃ§o militar.

Os membros da equipe se entreolharam intrigados.

Tess continuou. - Quando Jake e eu completamos nossa missÃ£o no Camboja, nÃ³s nos envolvemos, inadvertidamente, com uma jovem garota que estava fugindo do seu cafetÃ£o. Eu consegui desencorajar o homem de persegui-la.

A equipe toda riu. - E sobrou alguma coisa do rosto dele depois disso?

As habilidades de Tess em artes marciais sÃ£o lendÃ¡rias. E todo mundo se lembrou dela batendo no general iraquiano Amir al-Saadi, em plena luz do dia, quando ele humilhou o grupo dela na JordÃ¢nia. Ele acabou passando um ano inteiro no hospital para reconstruir seu rosto. O apelido dela tornou-se Tess a ValquÃ­ria, alguÃ©m com quem vocÃª nÃ£o quer ter problemas.

- Vamos lÃ¡ pessoal, dÃ¡ um tempo!

O grupo continuou a rir.

Tess retomou a sua apresentaÃ§Ã£o. - De qualquer forma, Jake e eu acabamos ajudando essa garota e aprendemos muito sobre a escravidÃ£o sexual, nÃ£o sÃ³ no Camboja mas tambÃ©m na TailÃ¢ndia, IndonÃ©sia, China e outros paÃ­ses asiÃ¡ticos. O que nÃ³s nÃ£o estÃ¡vamos esperando, Ã© que esse horror nÃ£o se limita apenas a Ãsia. Ocorre em todo o mundo, inclusive na AmÃ©rica do Sul, MÃ©xico, Europa e nos EUA tambÃ©m.

George interrompeu. - Eu vi em primeira mÃ£o o que acontece no exterior, e eu concordo que Ã© terrÃ­vel. Infelizmente, esses abusos sÃ£o tÃ£o generalizados que parece ser impossÃ­vel para qualquer um fazer qualquer coisa sobre.

- Ã exatamente por isso que estamos aqui. Tess continuou.

- Jake e eu estÃ¡mos trabalhando com o meu pai, General Turner, para estabelecer uma divisÃ£o da companhia cuja a missÃ£o Ã© combater a praga do trÃ¡fico e exploraÃ§Ã£o sexual. NÃ³s esperamos que no final dessa apresentaÃ§Ã£o, alguns de vocÃªs sejam voluntÃ¡rios a participar dessa operaÃ§Ã£o.

Alexander Ivanovich Tukhachevsky, ou Alex Tuck para encurtar, era um especialista em armas russas da DRE. - Parece que estamos mordendo mais do que podemos mastigar. - Ele constatou. - Os traficantes de seres humanos sÃ£o altamente organizados e geralmente se safam explorando a indiferenÃ§a do governo e usando propinas para fazer com que a polÃ­cia e as autoridades desviem o olhar.

- Tudo isso Ã© verdade. - Tess disse. - Mas eu decidi fazer algo sobre isso. NÃ³s vamos pedir para ONU patrocinar e legitimar nossa missÃ£o, para que a gente possa trabalhar pelo mundo todo. Nosso objetivo Ã© dificultar o trabalho deles, esperamos reduzir o trÃ¡fico sexual oferecendo abrigo e reabilitaÃ§Ã£o as vÃ­timas atravÃ©s de agÃªncias governamentais.

Joe Slezak, o magro mago do computador, mergulhado em uma lata de seus amados cajus, que ele levava consigo para todo lugar. - Eu estou feliz que a gente escolheu um projeto fÃ¡cil dessa vez. As pessoas na sala riram.

- Joe tem toda razÃ£o. - Tess admitiu. - Vai ser uma tarefa difÃ­cil. NÃ³s iremos conversar novamente apÃ³s encontrarmos o pessoal da ONU.




11 - Criando uma estratÃ©gia


Tess e Jake preparam um plano preliminar para ser revisado pelo pai de Tess, General Morgan Turner, aposentado, atualmente CEO da NTC, uma indÃºstria de fabricaÃ§Ã£o de armas. Quando Tess e Jake entraram em seu escritÃ³rio, o general bateu as mÃ£os na mesa e deu um grande sorriso. Ele se levantou e deu a volta na mesa.

- Aqui estÃ£o as minhas pessoas favoritas. - Ele disse enquanto abria os braÃ§os e abraÃ§ava os dois ao mesmo tempo. - Estou feliz que vocÃªs voltaram. Eu senti a falta de vocÃªs, assim como Aara.

- NÃ³s tambÃ©m sentimos sua falta pai. Parece que o negÃ³cio de armas estÃ¡ vivo e bem.

- De fato. Nossos clientes tem um apetite insaciÃ¡vel por brinquedos de guerra carÃ­ssimos. Eu vi os relatÃ³rios e sua empresa tambÃ©m estÃ¡ indo muito bem. Estou surpreso que vocÃª esteja considerando uma mudanÃ§a de foco.

- Pai, nÃ³s sentimos que precisamos repensar o que estamos fazendo. Vender armas e treinar soldados em como usÃ¡-las apenas ajuda a desviar recursos do governo Ã s custas das necessidades humanas de seu povo. GostarÃ­amos de fazer algo sobre isso. Ã por isso que lhe enviamos nosso plano, para vocÃª dar uma olhada. EsperÃ¡vamos que nos pudesse ajudar a comeÃ§ar as coisas.

O general mexia sua caneta, um pouco nervoso, olhando com menos entusiasmo. Ele considerava Jake brilhante, equilibrado e pensativo, mas tambÃ©m sabia que, quando Tess decidia fazer alguma coisa, Jake acabava inevitavelmente apoiando-a, independentemente de suas prÃ³prias dÃºvidas.

- Tess, se vocÃª quer abordar o trÃ¡fico humano, tenho certeza de que Jake ajudou vocÃª a pensar na magnitude e nos obstÃ¡culos que vocÃª enfrentarÃ¡. Pelo que eu sei, Ã© uma situaÃ§Ã£o quase que impossÃ­vel de se controlar. VÃ¡rias organizaÃ§Ãµes pelo mundo tentam fazer algo a respeito, mas na melhor das hipÃ³teses eles conseguem apenas desestabilizar superficialmente e aumentar a conscientizaÃ§Ã£o. Eu suponho que a maioria das pessoas querem fazer algo, mas eles reconhecem que o problema Ã© difÃ­cil de lidar, entÃ£o nÃ£o fazem muito para ajudar a corrigi-lo. Em qualquer caso, a maioria das vÃ­timas sÃ£o pobres e desprivilegiadas, entÃ£o hÃ¡ uma tendÃªncia em ignorar o que estÃ¡ acontecendo.

Jake se juntou Ã  conversa. - Tudo isso Ã© verdade Morgan. Ã por isso que propomos abordar a tarefa em etapas. Em primeiro lugar, montamos ou ajudamos as organizaÃ§Ãµes existentes a criar refÃºgios para as pessoas que vamos ajudar a escapar dessa vida de escravidÃ£o. Depois, vamos trabalhar com organizaÃ§Ãµes do governo e da polÃ­cia para ir atrÃ¡s dos cafetÃµes e traficantes. Um dos maiores incentivos para o trÃ¡fico humano, Ã© que sÃ£o poucos os criminosos que correm o risco de serem punidos. No mÃ¡ximo, o mais notÃ³rio dos traficantes condenados ficaria com dois anos de prisÃ£o ,ou menos. A maioria dos traficantes sai impune disso. Eles conhecem muito bem a lei e usam isso como vantagem. Estamos falando de atividades muito lucrativas com um risco relativamente pequeno. SÃ³ para ter uma ideia, cafetÃµes e criminosos envolvidos em prostituiÃ§Ã£o forÃ§ada, conseguem fazer mais de 80 mil dÃ³lares por vÃ­tima, por ano e em qualquer lugar. Ao contrÃ¡rio das drogas, vender pessoas se resume a usar um recurso renovÃ¡vel que pode prender um indivÃ­duo na vida por anos.

- O que vocÃª esta propondo fazer com a sua organizaÃ§Ã£o jÃ¡ nÃ£o esta sendo feito?

Tess entrou na conversa. - AlÃ©m de trabalhar com a organizaÃ§Ã£o de abrigos, nÃ³s trabalharÃ­amos com a polÃ­cia aqui e no exterior, para ir atrÃ¡s dos traficantes e ter certeza que haverÃ£o consequÃªncias se eles persistirem em continuar com o trÃ¡fico. Nosso time tem uma vantagem Ãºnica, que Ã© uma habilidade militar significante, que virÃ¡ a calhar uma vez que a gente coloque o plano em prÃ¡tica.

O General ainda estava cÃ©tico. - Por que vocÃª acha que os governos estrangeiros iriam legitimar o seu envolvimento nessas questÃµes? Eles sÃ£o mais propensos a te olhar com desconfianÃ§a, para nÃ£o mencionar que vocÃª tem que superar problemas significativos de subornos e corrupÃ§Ã£o.

- Tudo o que vocÃª estÃ¡ dizendo Ã© verdade. - Tess disse. - A Ãºnica maneira de trabalhar sem impedimentos Ã© operar sob a proteÃ§Ã£o de uma organizaÃ§Ã£o respeitada, talvez a ONU.

- Jake Ã© um especialista na ONU Tess. Tenho certeza de que ele explicou que a eficÃ¡cia da ONU Ã© extremamente limitada. A maior parte do tempo suas mÃ£os estÃ£o atadas pela polÃ­tica, e pelo fato de que eles tÃªm que persuadir os paÃ­ses membros para fazer o trabalho pesado por eles.

Jake interrompeu. - Tudo o que precisamos Ã© o patrocÃ­nio de uma organizaÃ§Ã£o global que pode legitimar nossas operaÃ§Ãµes. A ONU sÃ³ precisa reconhecer que temos autorizaÃ§Ã£o para agir sob sua proteÃ§Ã£o.

- VocÃª sabe que mesmo que a gente chegue atÃ© a ONU e apoie esse empreendimento, Ã© improvÃ¡vel que ela financie a operaÃ§Ã£o.

Jake concordou. - NÃ³s sabemos disso. Inicialmente, nÃ³s precisamos de patrocinadores, possivelmente grandes corporaÃ§Ãµes e indivÃ­duos ricos que querem parecer preocupados e comprometidos com os direitos humanos. Em seguida, precisamos de governos para apoiar a operaÃ§Ã£o. Isso pode acontecer se nÃ³s mostrarmos resultados. Primeiramente nÃ³s vamos focar em objetivos mais modestos e se obtivermos sucesso, nÃ³s podemos persuadir entidades governamentais a fazer mais com um financiamento limitado da legislaÃ§Ã£o.

O General se levantou. - Eu sei que vocÃªs dois estÃ£o conscientes do desafio. Francamente, eu continuo desacreditado que vocÃªs consigam mudar radicalmente como o mundo lida com o trÃ¡fico humano. Por outro lado, se alguÃ©m pode fazer as coisas acontecerem, Ã© vocÃª e a sua equipe. Se vocÃª conseguir que eles embarquem nessa, eu vou comeÃ§ar a organizar o suporte financeiro atravÃ©s dos meus contatos de negÃ³cio, alguns deles tem uma certa influÃªncia com a ONU.

- Obrigada pai. NÃ³s nÃ£o poderia pedir mais de vocÃª. Eu te amo. Tess lhe deu um beijo na bochecha.

O General sentou-se novamente. - Boa sorte para vocÃªs. Mantenha-me informado.




12 - Em busca de legitimidade


Tess e Jake desceram de um tÃ¡xi em frente ao prÃ©dio das NaÃ§Ãµes Unidas em Nova York. Eles ergueram os olhos para o prÃ©dio alto e quadrado que abrigava a AssemblÃ©ia Geral, o Conselho de SeguranÃ§a e as vÃ¡rias agÃªncias que trabalhavam para promover o trabalho da organizaÃ§Ã£o. Jake nÃ£o estava impressionado.

- VocÃª estÃ¡ olhando um monumento para futilidade, uma instituiÃ§Ã£o fraca por design. - Ele disse enquanto olhava para as bandeiras das naÃ§Ãµes exibidas em frente ao prÃ©dio.

- VocÃª nÃ£o acha que estÃ¡ exagerando um pouquinho? Tess respondeu. - Eles fazem algumas coisas boas.

- Ã verdade, contanto que essas coisas nÃ£o fiquem no caminho dos objetivos reais dos membros das NaÃ§Ãµes. AtÃ© onde eu sei, tudo o que temos aqui Ã© um fÃ³rum onde os representantes dos paÃ­ses do terceiro mundo votam alegremente e consistentemente contra os interesses dos Estados Unidos, que por acaso pagam a maior parte do projeto. Tudo o que vejo Ã© um bando de diplomatas tagarelando e aproveitando seus privilÃ©gios sem esperar realizar muita coisa importante.

- Jake, vocÃª Ã© a imagem do otimismo.

Eles pegaram um elevador e foram conduzidos atÃ© uma sala de conferÃªncias. Jordan Smythe, um amÃ¡vel funcionÃ¡rio, recebeu-os e pediu-lhes para sentar-se ao redor da mesa.

- Eu entendo que sua organizaÃ§Ã£o gostaria de ajudar com o problema mundial do trÃ¡fico humano. Confesso que achei bastante intrigante o interesse de vocÃªs nesta questÃ£o. Afinal, a organizaÃ§Ã£o de vocÃªs, a DRE, Ã© conhecida como uma companhia de serviÃ§os militar.




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