Vampiros Gêmeos
Amy Blankenship








Table of Contents




CapÃ­tulo 1 "Coisas Perigosas" (#ulink_38f69713-c095-5aa8-a362-f8e492f2241b)

CapÃ­tulo 2 "Calor da Cidade" (#ulink_7ab3555f-986a-5bb6-bdfb-2b1ddfa53955)

CapÃ­tulo 3 "Fome" (#ulink_046238b0-f3b3-5409-92cb-7c0b0564a6d7)

CapÃ­tulo 4 "O Calor da PossessÃ£o" (#ulink_bef2097b-c448-5f5b-a6da-895907acd49c)

CapÃ­tulo 5 "Salvador Mortal" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 6 "Feridas Sedutoras" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 7 "Chama da Amizade" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 8 "SeduÃ§Ã£o no Telhado" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 9 "LigaÃ§Ãµes Fortes" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 10 "Maligno" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 11 "Indesejado" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 12 "AbduÃ§Ã£o" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 13 "Jogos Perversos" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 14 "Abandonada" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 15 "Coberta de dor" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 16 "Ã Mais Escuro Antes da Alvorada" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 17 "Quebrado" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 18 "Os GuardiÃµes" (#litres_trial_promo)

CapÃ­tulo 19 "Despertar" (#litres_trial_promo)




Vampiros GÃªmeos

SÃ©rie O Cristal do CoraÃ§Ã£o GuardiÃ£o



Amy Blankenship, RK Melton

Traduzido por Arthur Duarte



Copyright Â© 2010 Amy Blankenship

EdiÃ§Ã£o em InglÃªs de Amy Blankenship

EdiÃ§Ã£o Portuguesa publicada por TekTime

Todos os direitos reservados.











CapÃ­tulo 1 "Coisas Perigosas"


Tasuki observou Kyoko se levantar e inclinar sobre a mesa para alcanÃ§ar o livro de aparÃªncia medieval que ele abriu em sua frente. Seus olhos de ametista quase brilhavam enquanto a camisa dela, jÃ¡ baixa, se afrouxou e caiu sobre os ombros antes que ela endireitasse seu corpo. Ele tinha certeza de que sempre lembraria a visÃ£o tentadora dos bustos de Kyoko olhando para ele com uma pequena sugestÃ£o de renda preta.

Ele piscou e apontou na pÃ¡gina a passagem sobre a qual ele estava falando para ela. Ele sorriu suavemente quando seus olhos se encontraram brevemente, mas ele jÃ¡ havia esquecido o que estava dizendo, entÃ£o ele apenas a deixou ler. Tasuki se contorceu um pouco em sua cadeira tentando fazer desaparecer o seu desconforto, mas sÃ³ aquela olhada inocente jÃ¡ fizera suas veias correrem com fogo e todo esse calor estava tornando suas calÃ§as jeans apertadas.

Seus olhos de ametista escureceram de forma atraente enquanto gravava aquela visÃ£o para mais tarde. "Sabe, Kyoko, um dia vamos nos casar... porque nÃ³s dois sabemos que eu sou o Ãºnico cara que louco o suficiente para pensar que este encontro terminaria em sexo." Era para ser uma piada, mas o rouco de sua voz revelara seus verdadeiros sentimentos.

Kyoko lanÃ§ou seus olhos esmeralda para ele. Ele provavelmente estava certo... embora ela nÃ£o admitisse, nem negasse. E isso era bem conveniente para ele. Na maioria das vezes, eles estavam lÃ¡, juntos, atÃ© tarde... eles ficavam matando vampiros ou pelo menos caminhando no escuro, sendo bons alvos para eles.

Foi apenas nos Ãºltimos meses que ele comeÃ§ou a pressionÃ¡-la com isso... todos sempre os rotularam como namorados, mesmo que ele nunca tivesse pedido sua mÃ£o e ela nunca tivesse concordado... sÃ³ que agora ele queria adicionar hormÃ´nios na mistura.

Ela quase saltou da cadeira quando metade das luzes de dentro da biblioteca piscaram. O primeiro pensamento que passou pela mente dela era que algum demÃ´nio ardiloso a tivesse pego desatenta. Ela ouviu vozes distantes e percebeu que a biblioteca estava fechando, pois era noite. Eles deveriam ter saÃ­do hÃ¡ mais de uma hora, mas as pessoas que trabalhavam lÃ¡ sempre ficavam atÃ© tarde.

"Venha Kyoko, Ã© hora de encontrar a saÃ­da antes que eles tranquem," sussurrou Tasuki ao pegar sua mÃ£o e rapidamente conduzi-la para fora do prÃ©dio sem que ninguÃ©m percebesse que estavam lÃ¡ atÃ© tarde. Parte dele se perguntou se ficar trancado com Kyoko durante a noite seria algo tÃ£o ruim assim.

Uma vez no estacionamento, os passos de Kyoko diminuÃ­ram enquanto ela olhava para o cÃ©u, vislumbrando a estranha formaÃ§Ã£o de nuvens ao redor da lua. Ela nÃ£o era supersticiosa, mas isso a lembrou das cenas noturnas diretamente dos filmes de terror... o tipo de filmes que lhe davam calafrios.

Ela nÃ£o precisava da magia de Hollywood para sentir a mudanÃ§a entre o bem e o mal. Seria uma boa ideia Tasuki ir direto para casa. Ele era um grande lutador, mas ela confiava mais em seu prÃ³prio instinto, e este estava falando para ela tirÃ¡-lo de lÃ¡... o problema seria fazÃª-lo concordar em sair.

Quando chegaram ao carro dele, Kyoko olhou para seus olhos estranhamente iluminados sabendo que ele era o Ãºnico alÃ©m de seu avÃ´ que realmente conhecia seu segredo. Ela confiava nele o suficiente para deixÃ¡-lo acompanhÃ¡-la em muitas caÃ§as a demÃ´nios. Ele conseguia se cuidar e nunca, nem por uma vez, ele havia entregado segredo dela ou a decepcionou. Como hoje, eles haviam pesquisado demÃ´nios de todos os tipos nos mais novos livros da enorme biblioteca. NinguÃ©m os incomodou enquanto se escondiam em um canto isolado... e eles se divertiram durante horas.

"Entre. Vou te deixar na sua casa, Kyoko." Tasuki segurou a porta aberta para ela. Eles estavam tÃ£o perto que teria sido simples se inclinar e beijÃ¡-la, e em sua mente era exatamente o que ele estava fazendo.

Sabendo que o surpreenderia, Kyoko se inclinou e deu-lhe um rÃ¡pido selinho. "NÃ£o, estÃ¡ tudo bem. Meu avÃ´ estarÃ¡ aqui a qualquer momento para me pegar e eu nÃ£o quero que ele nos veja aqui sozinho juntos, entÃ£o vÃ¡... mas me ligue quando chegar em casa para que eu saiba que vocÃª conseguiu chegar com seguranÃ§a." Ela sorriu docemente para ele, esperando que ele nÃ£o discutisse. AlÃ©m disso, ele sabia o quanto seu avÃ´ podia ser superprotetor.

Tasuki olhou em volta esperando nÃ£o ver a velha picape do avÃ´ dela estacionado em algum lugar nas sombras. Ele suspirou com gratidÃ£o ao contar apenas trÃªs carros. O velho os pegara juntos no fim de semana passado, voltando de uma caÃ§ada Ã  meia-noite no cemitÃ©rio e ameaÃ§ou sua anatomia. Os mÃºsculos da mandÃ­bula de Tasuki se flexionaram sabendo que nunca chegaria a lugar algum com ela se ele nÃ£o enfrentasse seu avÃ´ cÃ£o de guarda.

Olhando de volta para ela, ergueu os dedos atÃ© os lÃ¡bios ainda sentindo o calor dela e assentiu com a cabeÃ§a. "Certo, Kyoko... mas se nÃ£o se importa, vou esperar aqui com vocÃª." Ele lhe deu um sorriso malicioso: "NÃ£o se sabe que tipo de monstros insidiosos estÃ£o escondidos na escuridÃ£o prontos para atacar." Ele sorriu logo antes de tocar em sua amiga, com um humor tolo... fazendo-a rir e se afastar de seu alcance.

"Tasuki, por favor, eu vou ficar bem." Ela nÃ£o conseguiu evitar a emoÃ§Ã£o que surgiu em seus olhos quando ela recuou e ele a seguiu... perseguindo-a com um calor brilhando em seu olhar ametista. Desde que ele comeÃ§ou a deixar seu cabelo crescer, tornou-se selvagem, muito escuro, com destaques azuis, e o brinco de cruz pendurado transformara sua aparÃªncia de garoto de cursinho em um lindo cafajeste. Estava ficando mais difÃ­cil para ela desviar o olhar.

Tasuki sacudiu a cabeÃ§a ao se aproximar, "E dar a outra pessoa a chance de atacar vocÃª?" Sua voz tornou-se um pouco mais escura, "Acho que nÃ£o."

"Como se vocÃª controlasse quem dÃ¡ em cima de mim," exclamou Kyoko, sentindo coisas comeÃ§ando a se apertarem em seu abdÃ´men inferior e na parte superior das coxas.

"Na verdade, eu controlo," Tasuki disse com um pouco de orgulho em sua voz. "Eu tenho controle absoluto."

Kyoko riu e balanÃ§ou a cabeÃ§a antes de apontar para a direÃ§Ã£o da casa de Tasuki. Ela gostara muito deste jogo de gato e rato nesta noite e sabia que tinha que parar com isso antes que ultrapassassem o limite. "Tasuki... casa... agora."

"Eu adoro quando vocÃª fica toda dominadora pra cima de mim, mas..." Tasuki disse enquanto seus olhos escureceram atraentemente. "VocÃª deve saber que nÃ£o vai funcionar assim."

"Caramba!" Kyoko disse pisoteando o pÃ© porque ele estava se aproximando, e ela queria que ele se aproximasse. "Lembra o que aconteceu na Ãºltima vez que o meu avÃ´ nos encontrou juntos tÃ£o tarde? VocÃª realmente quer perdÃª-lo!?" ela exigiu, apontando para a virilha dele. Assim que ela olhou para o que ela estava apontando, ela engoliu em seco... ao ver que o tecido estava sendo pressionado.

Tasuki rosnou, "NÃ£o mesmo, mas..." Ele olhou para ela e sorriu. "Eu estou comeÃ§ando a pensar que vale a pena o risco."

Kyoko gemeu quando Tasuki avanÃ§ou novamente... e desta vez encontrou-se pressionada contra a lateral do carro dele. Seus olhos de esmeralda eram largos, sem medo e os dedos dela apertaram muito ligeiramente os braÃ§os dele, cobertos por uma jaqueta. Ela podia sentir a flexÃ£o de seus mÃºsculos sobre seus dedos enquanto ele se apertava contra ela.

Tasuki observou seus profundos olhos verdes se tornarem tempestuosos de paixÃ£o e abaixou a cabeÃ§a atÃ© seus lÃ¡bios descansarem contra a pele macia do pescoÃ§o dela. Ele sentiu uma emoÃ§Ã£o percorrer seu corpo e se acomodar em sua virilha... onde havia uma dor realmente gostosa. Incapaz de resistir Ã  tentaÃ§Ã£o, Tasuki mordiscou o pescoÃ§o dela. Seu corpo se pressionou contra o dela e ele gemeu quando suas longas pernas se separaram um pouco, concedendo acesso Ã  coxa. Ele rapidamente deslizou uma de suas coxas entre a dela enquanto ele se inclinava contra ela.

"O que estÃ¡ fazendo?" Ela sussurrou, incapaz de detÃª-lo... nÃ£o querendo detÃª-lo.

Tasuki pressionou a coxa contra a pelve dela, levantando a jovem atÃ© que seus dedos do pÃ© mal tocassem o chÃ£o. Ele gemeu quando ouviu Kyoko choramingar suavemente e beijou uma longa e lenta trilha do pescoÃ§o atÃ© os lÃ¡bios.

"Eu te quero," Tasuki sussurrou em um sopro cru contra a suavidade aveludada da boca dela antes de capturÃ¡-la em um beijo exigente.

Os olhos de Kyoko se fecharam e ela engoliu o gemido que ameaÃ§ava surgir. Esta nÃ£o foi a primeira vez que Tasuki conseguiu roubar um beijo dela mas ele nunca tinha sido tÃ£o apaixonado antes. Ela gemeu quando a lÃ­ngua dele lhe roÃ§ou os lÃ¡bios... depois atravessou lentamente por eles.

Tasuki gemeu, saboreando a doÃ§ura dos lÃ¡bios de Kyoko. Seus braÃ§os deslizaram em torno de sua cintura fina, levantando-a um pouco, mantendo-a presa entre ele e o carro. Ele pressionou sua perna mais forte no Ã¡pice de suas coxas e se balanÃ§ou contra ela. Tasuki ficou exaltado quando Kyoko respondeu ao beijo com uma paixÃ£o que rivalizava com a sua.

Kyoko sentiu uma das mÃ£os de Tasuki se mover por sua lateral e os ombros, atÃ© se enterrar em seus cabelos castanhos. No momento, ela estava contente por seu avÃ´ nÃ£o estar lÃ¡ para buscÃ¡-la porque ela nÃ£o queria que o beijo terminasse. NÃ£o pela primeira vez, Kyoko ficou tentada a deixar Tasuki levÃ¡-la para casa... com ele.

Ela mesma quase sugeriu isso quando ele passou a mÃ£o pela perna dela e pressionou seu joelho... trazendo para frente para que ele pudesse se pressionar mais forte contra sua pelve.

Como seria acordar ao lado de Tasuki de manhÃ£? Ele sorriria para sua Ãºltima moda de cabelo matinal? Ele traria o cafÃ© da manhÃ£ na cama para ela antes de devorÃ¡-la novamente? Havia tantas perguntas que Kyoko estava muito, muito tentada a conhecer as respostas... mais outro motivo pelo qual ela estava pensando em ir para casa com ele.

Conforme ela lutava para se aproximar ainda mais, a estranha sensaÃ§Ã£o de que eles estavam sendo observados estremeceu sua espinha... fazendo-a se afastar dos lÃ¡bios dominantes de Tasuki. Ela teve que empurrar contra ele para poder deslizar a perna e ficar de pÃ© por conta prÃ³pria. A aÃ§Ã£o nÃ£o foi sem repercussÃµes, no entanto, pois enviou choques de sensaÃ§Ãµes de cima para baixo no corpo de Kyoko.

Por um momento, eles permaneceram prÃ³ximos com as testas juntas... tentando recuperar o fÃ´lego. Ela fechou os olhos, perguntando-se se suas coxas latejavam tanto quanto as dela.

A voz dela estava trÃªmula, e ela teve que tentar duas vezes antes de conseguir dizer as palavras condenatÃ³rias. "VÃ¡ para casa, Tasuki, eu vou ficar bem." Ela viu a expressÃ£o no rosto dele e quase mudou de ideia. No entanto, ela precisava se manter firme... "Prometo!"

Tasuki apertou os dentes para evitar implorar, enquanto tentava controlar suas emoÃ§Ãµes. Ele sabia que naquela noite eles haviam dado outro passo na direÃ§Ã£o que ele queria, entÃ£o em vez de encarar como uma perda, ele sabia que era uma vitÃ³ria. "Tudo bem, mas da prÃ³xima vez serei eu que te levarei para casa." Ã claro que a ideia dele de levÃ¡-la para casa acabaria na cama dele... e nÃ£o na dela.

Kyoko se afastou sob a luz do poste da rua, ficando em evidÃªncia quando Tasuki hesitou, e entÃ£o comeÃ§ou a caminhar em direÃ§Ã£o a ela. Ele fez uma pausa, como se estivesse lutando uma guerra silenciosa dentro de si, mas quando Kyoko sorriu e sacudiu a cabeÃ§a, ele fechou as mÃ£os, colocou-as de lado e comeÃ§ou a voltar para o carro.

Sentindo um aperto em seu peito, Tasuki olhou preocupado por cima do ombro para ela.

Seu olhar de ametista brilhava na luz fraca, fazendo com que algo se movesse no coraÃ§Ã£o de Kyoko. Ela sabia que ele estava confuso, mas nÃ£o podia fazer nada sobre isso naquela noite... nÃ£o sem colocar os dois em perigo. Ela sorriu brilhantemente e acenou para ele, dizendo-lhe que ficaria bem.

Decidido, Tasuki retornou o sorriso. Ele entrou em seu carro e passou por ela, buzinando em despedida ao partir. Ele sentiu os dedos frios do medo agarrando seu coraÃ§Ã£o, e sabia que se ele nÃ£o desse a volta... nÃ£o a vigiasse... de alguma forma ela se afastaria.

O sorriso dela lentamente desapareceu enquanto observava seu carro virar a esquina. Permanecendo imÃ³vel, Kyoko flexionou a mÃ£o lentamente fazendo um punho e soltando-a. Um pequeno dardo espiritual apareceu e desapareceu dentro de seu alcance. Esta arma era a Ãºnica coisa que poderia mantÃª-los seguros.

Ela recusou a oferta de Tasuki de levÃ¡-la para casa por um motivo... desde que saÃ­ram da biblioteca, algo a observava das sombras. Ela podia sentir seus olhos nela agora, fazendo-a gelar. Ela rosnou para si mesma por deixar Tasuki distraÃ­-la assim. Ela se culpou... e nÃ£o a ele.

Tasuki estava ajudando-a a lutar contra os demÃ´nios quase hÃ¡ tanto tempo quanto ela vinha lutando contra eles. Eles atÃ© compraram uma arma para ele hÃ¡ algum tempo e parecia-lhe boa. Ela lhe ensinou muitos movimentos que ajudaram durante os combates, mas ainda assim... se ele se machucasse, seria culpa dela.

Ela tinha mentido para Tasuki dizendo que seu avÃ´ viria a qualquer momento para buscÃ¡-la. A verdade era que seu avÃ´ nÃ£o viria. Mas se ela nÃ£o tivesse enviado Tasuki para casa, entÃ£o o demÃ´nio os teria encontrado em uma posiÃ§Ã£o comprometedora e matado os dois... e quanto mais seus sentimentos cresciam por Tasuki, menos ela queria arriscar que ele se machucasse.

Ela sabia que ele iria ficar com ela e lutaria. Mas ultimamente ela vinha tendo pesadelos recorrentes sobre Tasuki sendo mordido por um dos monstros, e isso tirava continuamente seu sono. Kyoko nÃ£o acreditava ser capaz de viver consigo mesma se Tasuki se tornasse um deles... porque entÃ£o teria que matÃ¡-lo... certo?

Inalando suavemente, ela comeÃ§ou a andar na direÃ§Ã£o de sua casa... sabendo que levaria pelo menos uma hora para chegar lÃ¡. O que quer que estivesse perseguindo ela, ela esperava que nÃ£o demorasse muito para aparecer.

Depois de caminhar algumas quadras sem ser atacada, Kyoko comeÃ§ou a ficar irritada. Ela atÃ© virou o cabelo sobre um ombro para expor seu pescoÃ§o como um prato de jantar... esperando que o demÃ´nio se apressasse e se movesse, pois estava cansada e queria ir para casa.

Tasuki provavelmente jÃ¡ havia ligado para ver se ela estava bem... ou pelo menos ela esperava que ele houvesse. Ela teve um flashback de estar entre o carro e o corpo dele... fazendo-a gemer de frustraÃ§Ã£o. Ela iria acabar com desse demÃ´nio por interrompÃª-la, se ele chegasse a atacar.

A sua caminhada a levou para outra rua do bairro, e ela ouviu um cachorro rosnar profundo e baixo de algum lugar prÃ³ximo. Seus lÃ¡bios se estreitaram, sabendo que cÃ£es odiavam vampiros. Eles provavelmente os odiavam porque, se um vampiro nÃ£o conseguisse encontrar um humano para se alimentar, entÃ£o o cachorro de repente entraria no menu. Seus dentes se fecharam quando um som agudo seguiu o grunhido... o mesmo som que vocÃª ouve quando um cÃ£o se machuca para valer.

O som a fez parar... e Kyoko gelou sabendo que o pobre cÃ£o estava morto.

Ela franziu a testa enquanto se ajoelhava e colocava os livros no chÃ£o fingindo amarrar o sapato. "Venha logo," ela acrescentou, como se a afirmaÃ§Ã£o fosse direcionada para o cadarÃ§o que ela estava puxando.

O demÃ´nio provavelmente viria por trÃ¡s dela porque a maioria dos vampiros com quem ela havia lutado era covarde por natureza... e nÃ£o davam a suas vÃ­timas uma chance de lutar. Ã por isso que ela era um bom alvo com sua pequena estatura e seus 49 quilos... se ela fosse uma garota humana normal, ela nÃ£o teria chance.

Ela revirou os olhos quando nada aconteceu. De pÃ©, Kyoko deu meia volta tentando encontrar seu alvo... e se encolheu quando o viu. Ela olhou para uma sombra na rua, onde um pequeno menino estava olhando para ela. O cÃ£o, sem vida, estava a seus pÃ©s. A pele e os cabelos da crianÃ§a eram brancos como a neve, mas mesmo dessa distÃ¢ncia ela podia ver que seus olhos eram negros opacos.

Que incomum... a maioria dos vampiros parecia exatamente com os humanos. Isso era o que os tornava os mais perigosos de todos os demÃ´nios que secretamente vagavam pela terra. Este garoto realmente nÃ£o parecia humano. Ao observÃ¡-lo, ela estava presa entre a tristeza de ver alguÃ©m tÃ£o jovem transformado... e o conhecimento de que nÃ£o importava mais.

Yuuhi trancou os olhos nela... quase desejando que fosse ele quem iria bebÃª-la. Ele gostava das bonitas. Ele chamou seus filhos hÃ­bridos, perguntando-se por quanto tempo ela duraria contra eles. Ele inalou, mas nÃ£o conseguiu encontrar o cheiro de medo que normalmente aquecia seu sangue frio. No entanto, ele sentiu que seu perfume era uma mistura de pureza e perigo... e ficou intrigado. Yuuhi observou os vampiros sob sua servidÃ£o surgirem das sombras atrÃ¡s dela.

Sentindo uma sensaÃ§Ã£o de advertÃªncia varrer a parte de trÃ¡s da sua cabeÃ§a, descendo o pescoÃ§o e a espinha, Kyoko se virou sabendo que tinha sido uma armadilha para chamar sua atenÃ§Ã£o e que com certeza... ela estava cercada. Ela estava esperando um vampiro, nÃ£o trÃªs... ou quatro se contasse o menino.

"Bem, acho que consegui o que eu queria," Kyoko brincou consigo mesma enquanto tentava se concentrar em todos eles ao mesmo tempo.

Um vampiro com aparÃªncia de almofadinha fez uma careta, o que realmente arruinou sua boa aparÃªncia. "Conseguiu o que vocÃª queria, hein? Eu tenho o que vocÃª quer, querida." Ele mostrou os dentes para ela enquanto tentava capturar seu olhar e colocÃ¡-la sob sua servidÃ£o.

Kyoko sabia o que ele estava fazendo... e sentiu a satisfaÃ§Ã£o instantÃ¢nea de que nenhum vampiro jamais conseguira abalar sua vontade durante uma briga. Ela olhou para ele de cima a baixo. "Duvido disso," ela provocou, perguntando-se se o falastrÃ£o faria o primeiro movimento. "Os sexualmente frustrados realmente nÃ£o fazem meu tipo," ela sorriu quando ele rosnou.

Pelo menos esses vampiros pareciam normais. Bem... tÃ£o normais quanto trÃªs homens jovens que pareciam pertencer Ã  equipe de debate da faculdade, com presas, pudessem parecer. NÃ£o era todos os dias que se via um vampiro ostentando Armani. Caramba, estes trÃªs provavelmente chorariam com seus olhos mortos-vivos se eles se sujassem. E, claro, ela nÃ£o podia se esquecer da crianÃ§a mortal que os observava como um voyeur doente.

Esse pensamento a fez tremer por dentro. Ela tinha ouvido histÃ³rias sobre esse tipo de coisa entre os vampiros. Alguns deles pegariam a vÃ­tima que escolhessem e comeÃ§ariam a beber ou a estuprÃ¡-la enquanto outros observavam. Uma coisa que os filmes acertavam era que os vampiros eram mesmo criaturas muito sexuais e muitos deles nÃ£o tinham preferÃªncia... homem ou mulher nÃ£o importavam... eles encaravam ambos.

"Eu nÃ£o desistiria do seu trabalho diurno se eu fosse vocÃª," ela riu de seu prÃ³prio trocadilho... e deu uma joelhada no meio da virilha dele. Outra coisa sobre os vampiros, eles podem ser mais rÃ¡pidos e fortes, mas os machos ainda tinham as mesmas fraquezas que suas versÃµes humanas.

Ela se abaixou exatamente quando um deles veio atÃ© ela e ficou surpresa com a velocidade que tinha... muito maior que o normal. Ela nunca havia lidado com nada assim antes. Ela apertou o punho sentindo o poder do dardo espiritual se formar na palma da mÃ£o.

Desviando de um outro demÃ´nio, ela torceu a parte superior do corpo quando um deles veio para cima, golpeando-o com o dardo. Uma mÃ£o fria e Ãºmida enrolou-se em torno de seu pulso e puxou, fazendo com que seu corpo se torcesse mais... quase dolorosamente. Kyoko usou o impulso e deixou o resto de seu corpo seguir o movimento, agarrando o vampiro pela manga de sua jaqueta e o arremessando no chÃ£o.

Eles rolaram uma vez no chÃ£o e pararam com Kyoko sentada no estÃ´mago do falastrÃ£o. Ela tinha que se mover rapidamente, pois sabia que talvez nÃ£o tivesse outra chance de fazer isso.

"Aqui tem algo para vocÃª," ela informou. Levantando o braÃ§o, ela o esfaqueou com o dardo espiritual. O terceiro vampiro bateu contra ela na lateral... fazendo-a rolar e escorregar pelo chÃ£o. Desta vez, ela se viu por baixo.

Certo, isso estava comeÃ§ando a irritÃ¡-la. Olhando para cima, ela notou que esse cara parecia um estudante nota 10 que havia decidido levar uma arma para a escola. A sugestÃ£o sÃ¡dica de assassinato em seus olhos entregava de bandeja.

"Acho que nÃ£o amigo." Inclinando o pulso em um Ã¢ngulo estranho, ela tocou o dardo em sua mÃ£o no braÃ§o dele, cortando-o com apenas uma pequena ferida. Ela foi recompensada quando a pele do vampiro comeÃ§ou a fumegar... fazendo-o gritar em agonia. Trazendo os joelhos contra o peito, ela usou os pÃ©s e as pernas para lanÃ§ar o demÃ´nio. Ele voou por alguns metros de distÃ¢ncia, ainda gritando conforme seu braÃ§o derretia lentamente do resto do corpo.

Em alguns momentos, ele nÃ£o seria nada mais do que uma poÃ§a borbulhante de poeira em frente Ã  calÃ§ada que desapareceria antes do sol anunciar um novo dia. Kyoko nunca pensou muito aonde iam parar; ela estava feliz por nÃ£o ter que limpar a bagunÃ§a.

"OtÃ¡rio," Kyoko jogou o insulto enquanto rapidamente recuperava o equilÃ­brio. Ela tinha sido mimada com a luta de um contra um ao longo dos anos... entÃ£o isto era novo para ela.

Ela arqueou uma sobrancelha enquanto o grito do vampiro desaparecia rapidamente. "Obviamente, nÃ£o Ã© um descendente direto," pensou consigo mesma. Seu avÃ´ os chamava de lixo dos demÃ´nios, nÃ£o vampiros de sangue puro ou demÃ´nios... apenas hÃ­bridos. Mas... eles ainda carregavam o mesmo nome. Quanto melhor o grau do vampiro, mais lentamente eles derretiam... grosseiro, mas verdadeiro.

Ela sabia que os anciÃ£os eram muito mais poderosos do que isso, mas atÃ© mesmo o vÃ´ Hogo nÃ£o tinha certeza se os vampiros de sangue puro podiam resistir a seus dardos espirituais. Uma vez, ele havia lhe dito que o dardo espiritual nÃ£o era nada mais que a luz solar concentrada em uma arma que sÃ³ poderia ser evocada por uma sacerdotisa ou um guardiÃ£o.

Kyoko viu um punho chegar em seu rosto e virou a cabeÃ§a para o lado sabendo que nÃ£o tinha tempo para fazer nada para detÃª-lo. Se ela desse tempo para eles brincarem, entÃ£o haveria consequÃªncias e ela estaria no lado perdedor. Sentindo o impacto das juntas dividirem a pele de sua bochecha, ela de repente cruzou a linha entre chateada e irritada.

A Ãºltima coisa que precisava era chegar em casa como se tivesse estado em uma luta de gangue. Ela rosnou quando o falastrÃ£o aproximou-se o suficiente para cortar a camisa dela quase toda, deixando quatro arranhÃµes profundos em seu peito esquerdo.

"Pervertido," ela sibilou para ele, sabendo que ele tinha feito isso de propÃ³sito. O sorriso bobo que ele lhe deu confirmou sua suspeita.

Sua mÃ£e se preocuparia se ela chegasse em casa ferida, mas o vÃ´ Hogo simplesmente a ajudaria a se tratar e deixaria ela ir para a cama. Ele sabia que ela se curava dez vezes mais rÃ¡pido que um humano normal. Ele passara os Ãºltimos anos a treinando para ser o que ela se tornou.

Seu avÃ´ sabia sobre ela muito antes de ela ter nascido... ou pelo menos ele dizia isso. Os velhos pergaminhos transmitidos pela famÃ­lia falavam sobre o cristal do coraÃ§Ã£o guardiÃ£o... e a sacerdotisa que o possuÃ­a.

No comeÃ§o, ela nÃ£o acreditou nele, mas seu pensamento mudou abruptamente quando tinha apenas dez anos de idade. Ela o viu lutando contra um vampiro enquanto ele estava levando ela para casa depois de uma noite de festa de aniversÃ¡rio de Tasuki. Ela tinha se divertindo tanto que ficou lÃ¡ depois que as outras crianÃ§as tinham ido para casa.

Quando foram atacados, foi muito estranho ver um homem com sua idade se mover com a mesma graÃ§a letal de um guerreiro habilidoso. O que era ainda mais estranho era que o demÃ´nio fora muito real. Ela correu para ajudar seu avÃ´ e atingiu o monstro nas costas com o punho... foi quando ela viu o dardo espiritual pela primeira vez. Ainda estava na sua mÃ£o quando o vampiro derreteu.

Uma vez terminada a luta, Kyoko se lembrou de perguntar ao avÃ´ o que exatamente o atacara. O avÃ´ Hogo explicou entÃ£o que, embora ele fosse forte o suficiente para lutar contra demÃ´nios, ele nÃ£o tinha o mesmo poder que Kyoko nem a habilidade de curar-se tÃ£o rapidamente de lesÃµes.

Ele insistia que ela nascera com um dom. Ele parecia orgulhoso de testemunhar que aconteceu durante sua vida. Isso levou a uma longa explicaÃ§Ã£o de que o vampiro estava, na verdade, atrÃ¡s dela, que os demÃ´nios a estavam perseguindo desde seu nascimento... por causa do poder sagrado que ela guardava dentro de sua alma.

Ele nÃ£o sabia para que as criaturas poderiam usÃ¡-lo, mas o desejo delas por ele sÃ³ foi se tornando mais forte ao longo dos anos. O avÃ´ chegara Ã  conclusÃ£o de que talvez o poder tivesse sido colocado dentro dela apenas para atrair os demÃ´nios atÃ© si, para que ela pudesse destruÃ­-los.

Kyoko ainda tremia de repulsa com aquela notÃ­cia. Ãs vezes, ela se perguntava sobre o que mais seu avÃ´ estava escondendo. Uma coisa era certa... ela nunca mais olhou para ele da mesma maneira desde entÃ£o... nem Tasuki, porque Tasuki os seguira para casa naquela noite e foi testemunha da luta. Isso sÃ³ tinha feito estreitar os laÃ§os entre ela e Tasuki.

Ela sacudiu a memÃ³ria de sua mente enquanto ela se concentrava na luta. Ela rapidamente decidiu que o falastrÃ£o tinha de ser o prÃ³ximo a morrer antes que ele de alguma forma descobrisse uma maneira de despi-la lentamente.

Ela baixou os braÃ§os... fingindo dor para que ele fosse atÃ© ela mais uma vez. Apesar de sua natureza geralmente sexual, ela se perguntou se todos os vampiros eram pervertidos ou se eram apenas aqueles que ela conheceu. Quando ele se jogou nela e a derrubou, ela observou o medo se registrando em seus olhos excessivamente brilhantes. O dardo espiritual o empalou no Ãºltimo lugar que ele imaginaria.

Yuuhi observou silenciosamente sua luta se perguntando como uma simples fÃªmea humana poderia tomar tanto castigo e ainda estar lutando. Uma garota normal sequer lutaria. Elas simplesmente cairiam sob a servidÃ£o dos vampiros e fariam o que fossem mandadas a fazer. Ele nÃ£o estava satisfeito com essa direÃ§Ã£o. Ele havia engendrado esses trÃªs vampiros no ano passado... querendo saber como seria ter irmÃ£os.

A Ãºnica famÃ­lia que ele tinha era o seu senhor... Tadamichi. Ultimamente, a atenÃ§Ã£o do mestre havia se deslocado dele... para o irmÃ£o gÃªmeo que havia retornado Ã  cidade.

Com intuito de afastar sua nova famÃ­lia da agitada vida noturna da cidade e do perigo do conflito que se aproximava entre os gÃªmeos, Yuuhi havia decidido fazer uma viagem para fora da cidade, onde a atenÃ§Ã£o deles seria focada exclusivamente nele.

A cidade era um lugar grosseiro para aprender os conceitos bÃ¡sicos de sua espÃ©cie, e ele achou que os subÃºrbios seriam melhores para testar as habilidades deles. A prole de novos vampiros da cidade era desleixada e lembrava-lhe de algo como animais famintos. Durante a sua viagem a esta pequena cidade, eles conseguiram, de fato, conquistar novos recrutas. No entanto, os vampiros novatos continuavam desaparecendo sem deixar rastro.

No comeÃ§o, Yuuhi acreditava que os novos hÃ­bridos acabavam indo embora... abandonando-o. Mas agora ele sabia a verdade. Eles estavam sendo assassinados um de cada vez por nada mais que uma fÃªmea humana. A crianÃ§a do demÃ´nio escondia bem suas emoÃ§Ãµes enquanto ele observava os irmÃ£os que ele mesmo havia gerado serem mortos. No fundo, ele estava um pouco bravo... mas mais curioso.

Talvez isso tirasse a atenÃ§Ã£o de Tadamichi de seu irmÃ£o gÃªmeo. Ele se importaria que alguÃ©m estivesse matando sua famÃ­lia?

Kyoko assistiu com satisfaÃ§Ã£o o Ãºltimo vampiro comeÃ§ar a derreter, e sabia que sÃ³ demoraria cerca de uma hora para que as poÃ§as tivessem desaparecido sem deixar rastros. Ela esfregou a parte de trÃ¡s de sua mÃ£o em sua bochecha, deixando uma trilha de sangue em seu caminho enquanto ela procurava o pequeno garoto esquisito.

Yuuhi se deslocou para as sombras, onde ela nÃ£o podia mais vÃª-lo. Um sexto sentido lhe disse que nÃ£o queria se meter com a garota naquele momento, embora ele nÃ£o tirasse os olhos dela ou do jeito que ela segurava aquela estranha arma brilhante na mÃ£o.

Kyoko piscou na escuridÃ£o, achando bastante perturbador a crianÃ§a ter desaparecido.

"Eu o assustei?" Ela se perguntou, se recusando a se mover. Ela olhou para o local onde a crianÃ§a estava parada. Minutos passaram... horas... ou talvez fossem apenas alguns batimentos cardÃ­acos. Finalmente, liberando seu punho cerrado e deixando o dardo espiritual desaparecer... ela encolheu os ombros.

Os lÃ¡bios de Yuuhi sugeriram um sorriso maligno quando Kyoko pegou seus livros caÃ­dos e comeÃ§ou a andar de novo. Ele percebeu que ela se aproximava dos objetos ao redor dela e sua aparÃªncia mudava e se transformava atÃ© que ela tivesse passado... como uma aura mÃ¡gica. Ele olhou para as Ã¡rvores Ã  frente dela. A parte superior das Ã¡rvores era como garras pretas que alcanÃ§avam o cÃ©u... mas quando ela se aproximou delas, elas se tornaram uma coisa linda... atÃ© que ela estivesse mais uma vez fora do seu alcance.

Seu olhar negro a encontrou como se fosse um alvo. Movendo-se pelo ar parado, ele a seguiu. Ela seria uma nova adiÃ§Ã£o poderosa Ã  sua famÃ­lia de escuridÃ£o... um presente para seu senhor. Ela tinha um alto instinto de sobrevivÃªncia, ao contrÃ¡rio dos tolos descuidados que acabara de matar. Agora mesmo, havia uma pequena trilha de sangue na calÃ§ada; como se estivesse a persegui-la, mas ela nÃ£o o percebera. Ela tinha magia dentro dela e ele queria ser uma parte dela... para ver coisas que ele nÃ£o tinha visto desde sua transformaÃ§Ã£o.

*****

O avÃ´ caminhava de um lado para o outro na frente da janela, perguntando-se onde Kyoko estava. Ela nÃ£o era do tipo de nÃ£o avisar caso fosse ficar fora atÃ© mais tarde. Ele passou a mÃ£o por seus cabelos brancos e finos, preocupado. Eles tinham um acordo e ela deveria sempre avisÃ¡-lo antes de ir caÃ§ar as criaturas do submundo.

Ele se virou quando o telefone tocou e agarrou-o antes que ele pudesse acordar o resto da casa.

Tasuki nÃ£o conseguiu se livrar da estranha sensaÃ§Ã£o que ele teve desde que deixou Kyoko sozinha no estacionamento. Ele dirigiu por apenas alguns minutos antes de retornar e encontrar o local vazio. Ele amaldiÃ§oou silenciosamente ao golpear o volante com frustraÃ§Ã£o. Fazendo um oito ali mesmo no estacionamento, ele deixou a biblioteca... mas em vez de ir para casa, ele partiu para a casa de Kyoko.

Quanto mais ele permanecia ali... mais desconcertante ficava atÃ© que ele nÃ£o pÃ´de se conter... ele tinha que ligar. Quando ela respondeu ao telefonema rapidamente, ele sorriu. "GraÃ§as a Deus vocÃª chegou em casa Kyoko."

"VocÃª Ã© doente... vocÃª sabe disso?" O avÃ´ olhou de novo pela janela segurando o telefone prÃ³ximo do ouvido. Ele levantou uma sobrancelha ao ver o carro de Tasuki estacionado a apenas algumas casas. "Ligar para uma senhorita a esta hora da noite!? O que vocÃª Ã©, um pervertido?"

Tasuki quase deixou cair o telefone enquanto toda cor escapava de seu rosto, para logo entÃ£o voltar rapidamente de baixo para cima, fazendo suas orelhas arderem. Somente o velho conseguia fazer com que ele se sentisse como um completo idiota tÃ£o frequentemente. Fechando o celular, continuou a observar a casa de Kyoko, esperando que ela voltasse para casa. O telefonema confirmou que o avÃ´ dela definitivamente nÃ£o estava indo buscÃ¡-la.

Tasuki esfregou as tÃªmporas e suspirou preocupado. Ela mentiu para ele... mas por quÃª? Olhando com raiva para o Ãºnico alvo a uma distÃ¢ncia razoÃ¡vel, ele estapeou o volante com as duas mÃ£os, e depois mais uma vez para descarregar. Quando Kyoko encararia o fato de que ele podia cuidar de si mesmo? Bem, talvez nÃ£o tÃ£o bem como ela... mas, ainda assim, bem o suficiente para ajudÃ¡-la em um apuro.

Ele estava distraÃ­do com sua reclamaÃ§Ã£o silenciosa quando ouviu um barulho perto de seu carro e estava prestes a olhar em volta, pensando que era Kyoko. Ele sentiu que algo atingiu a lateral de seu pescoÃ§o, logo atrÃ¡s da orelha, fazendo-o inalar bruscamente enquanto as estrelas explodiam em sua visÃ£o.

A cabeÃ§a de Tasuki caiu para frente, em cima do volante, fazendo-o desmaiar.

Yuuhi tentou alcanÃ§ar, pela janela aberta, o jovem, mas afastou a mÃ£o quando uma centelha de ametista disparou entre eles. A crianÃ§a demÃ´nio calmamente olhou para seus dedos, depois voltou lentamente para o jovem no banco do motorista. Ser rejeitado sÃ³ o fazia querer mais e o canto de seu lÃ¡bio se curvou para cima na sugestÃ£o de um sorriso astuto.

Ouvindo passos distantes, afastou-se do carro e olhou para a rua sentindo a proximidade dela. Voltando Ã  escuridÃ£o novamente, Yuuhi esperou.

O avÃ´ desligou o telefone com um sorriso sÃ¡bio. Ele tocou o queixo se perguntando quando Tasuki iria tomar coragem o suficiente para tirar a virgindade de Kyoko. Ele havia lido nos antigos pergaminhos que, enquanto a sacerdotisa fosse virgem, ela seria um alvo ainda maior para os demÃ´nios. Mas, atÃ© agora, ele se recusou a dizer a sua neta para fazer sexo. Ele simplesmente desejava que Tasuki se apressasse e chegasse Ã  puberdade ou algo assim.

Ao ver o movimento no quarteirÃ£o de baixo, ele concentrou seus velhos olhos no carro de Tasuki... imaginando quando o menino iria crescer pelos nas bolas e partir pra cima. Havia algo na porta lateral do motorista, mas era muito pequeno para ser Tasuki, e muito rÃ¡pido para ele saber o que era. Sua atenÃ§Ã£o foi tomada por outra sombra do outro lado da rua se aproximando.

Suas sobrancelhas se juntaram quando as feridas dela apareceram. No que ela havia se metido? Algo apareceu atrÃ¡s dela e seu olhar se colou nele.

Quando Kyoko pisou na frente da casa, as luzes do detector de movimento se ativaram e ela olhou para a janela e acenou para seu vÃ´. Quando ele nÃ£o acenou de volta, ela notou o olhar em seu rosto e a amplitude de seus olhos. Ele estava olhando diretamente para detrÃ¡s dela.

"Bem... isso Ã© esquisito." Olhando em volta, ela inspirou um suspiro gelado ao ver o estranho garoto a alguns metros dela. Ele estava imÃ³vel como uma estÃ¡tua no meio da rua. A Ãºnica vida dentro dele era o seu rebelde cabelo de prata agitando-se na brisa noturna. Ela rangeu os dentes com seu prÃ³prio descuido... "Como ela poderia ter sido tÃ£o estÃºpida?"

Yuuhi conseguia cheirar seu pÃ¢nico e ficou surpreso com a rapidez com que foi substituÃ­do por uma raiva terrÃ­vel. Seu olhar curioso se elevou para o velho abrindo a janela do andar de cima para eles. Ela estava protegendo ele? Ele deixou sua mente vagar por toda a casa e detectou mais duas forÃ§as vitais... uma era uma crianÃ§a. Voltando o olhar para a menina, Yuuhi se perguntou se a crianÃ§a do sexo masculino era irmÃ£o dela. Ela tomara seus irmÃ£os... seria justo se ele tomasse o dela.

"Nem pense nisso," advertiu Kyoko, vendo seu interesse em sua casa. Seus olhos se estreitaram com determinaÃ§Ã£o Ã  medida que o dardo espiritual se formava na palma de sua mÃ£o.

Uma luz perversa apareceu dentro de seu punho e algo que Yuuhi nÃ£o sentiu em mais de quinhentos anos varreu seu corpo sem vida... medo. Seus olhos de Ã©bano se trancaram nos dela; sabendo que se ele tentasse pegar tanto ela quanto seu irmÃ£o... ele morreria naquela noite.

A mente de Kyoko entrou em parafuso ao perceber que ela atraÃ­ra o pequeno demÃ´nio diretamente para sua prÃ³pria casa. Ela colocara toda sua famÃ­lia em perigo e isso era algo que ela sempre evitou a todo custo. Ela podia sentir a aura de terror do menino chegando atÃ© ela enquanto ele permanecia em silÃªncio e imÃ³vel. Em aparÃªncia... ele parecia ter a mesma idade que seu irmÃ£ozinho Tama. PorÃ©m, ela sentia que ele era muito mais velho do que isso, o demÃ´nio mais antigo que ela jÃ¡ teve a infelicidade de encontrar.

"Eu vou dizer a ele que te encontrei," a voz sem emoÃ§Ã£o da crianÃ§a sussurrou como um assombro, como se tivessem compartilhado uma conversa pacÃ­fica e longa.

Ouvindo a porta da frente abrir violentamente, Kyoko rapidamente olhou por cima do ombro e gritou: "VovÃ´, volte para dentro!"

Ela ergueu a arma e voltou para o demÃ´nio, pronta para lutar, gritando logo em seguida porque a crianÃ§a nÃ£o estava mais lÃ¡. Ela nÃ£o sabia qual pensamento a tormentou mais. VÃª-lo... ou saber que ele existia e nÃ£o o ver.

Fechando os olhos, Kyoko deixou sua forÃ§a vital se espalhar em busca do gelado da aura dele. NÃ£o sentindo nada... ela deixou escapar uma respiraÃ§Ã£o trÃªmula, sabendo que tudo havia mudado... e tudo em um instante. A Ãºnica coisa que ela prometeu que nÃ£o faria... era colocar sua famÃ­lia em perigo.

Ela sentiu uma mÃ£o pesada pousar em seu ombro e rapidamente se virou... lanÃ§ando-se nos braÃ§os de seu avÃ´. "Desculpa... Eu sinto muito!" LÃ¡grimas brotaram em seus olhos esmeralda. "Ele sabe onde moro... ele vai contar."

O avÃ´ envolveu seus braÃ§os ao redor dela, sentindo o peso da perda dentro de seu peito. Ele teria que mudar a famÃ­lia de volta para sua outra casa perto do santuÃ¡rio sagrado antes do fim de semana terminar. Estariam mais seguros lÃ¡ onde o chÃ£o foi abenÃ§oado. Esse jÃ¡ era o plano se algo assim acontecesse. Seus olhos ficaram cada vez mais tristes, sabendo que Kyoko nÃ£o viria com eles. Eles a perderiam.

Ele a segurou com forÃ§a quando lhe fez uma pergunta para a qual jÃ¡ conhecia a resposta. "Vou levÃ¡-los para casa, Kyoko, mas o que vocÃª vai fazer?"

"Diga adeus," Kyoko soluÃ§ou, e entÃ£o enfiou seu desespero de volta para dentro de si. Ela deixou o incrÃ­vel torpor tomar conta, sabendo que ela tinha muito a fazer antes do amanhecer.

O avÃ´ lentamente a deixou ir e a observou entrar na casa antes de se virar e se dirigir para o carro de Tasuki. Ele suspirou, sabendo que ele teria que se certificar de que o garoto estava bem.

Ao ver que o jovem amante estava inconsciente, ele murmurou: "VocÃª sempre foi mais problema do que qualquer outra coisa." Ele abriu a porta e empurrou o menino para o outro assento, quase sorrindo quando a cabeÃ§a de Tasuki bateu na janela do passageiro.

"Parece que sou quem vai ter de levÃ¡-lo para casa," murmurou o avÃ´. "Pelo menos antes que Kyoko descubra que vocÃª se nocauteou." Desta vez, o velho sorriu. "NÃ£o podemos deixar Kyoko saber que vocÃª se machucou ou ela nÃ£o vai te ligar se ela precisar de vocÃª." Dando partida no carro, ele arrancou pela rua com pressa de voltar para sua neta.

*****

Na manhÃ£ seguinte, Tasuki acordou com um susto, revirando-se na cama de um pesadelo de que ele nÃ£o queria lembrar. Algo estava errado em vÃ¡rios sentidos... ele sÃ³ sabia disso. Agarrando o telefone ao lado da cama, ele apertou o speed-dial, pressionando o maxilar quando o avÃ´ atendeu.

"Eu preciso falar com Kyoko." Sua voz era quase manÃ­aca enquanto apertava com mais pressÃ£o o telefone. Ele nÃ£o se lembrava de ter voltado para casa ontem Ã  noite... o que tinha acontecido?

Imitando o humor de Tasuki, o aperto do avÃ´ em seu telefone tambÃ©m ficou mais forte quando o tÃ¡xi estacionou na frente da casa. Kyoko o fez prometer nÃ£o dizer a Tasuki ou a ninguÃ©m aonde ela estava indo. Era a Ãºnica maneira de protegÃª-los. Era uma pena.

A voz dele nunca estivera tÃ£o suave e cansada. "Sinto muito, Tasuki. Kyoko jÃ¡ nÃ£o mora mais aqui e nÃ£o hÃ¡ outro endereÃ§o." Era realmente uma pena.

Tasuki ouvia quando a linha cortou... escutando seus prÃ³prios batimentos cardÃ­acos dominarem o som. Kyoko lhe havia dito uma vez que, se alguma coisa desse errado com os demÃ´nios, entÃ£o ela desapareceria. "NÃ£o." A palavra ocorreu a ele conforme seus olhos tomavam o tom mais surpreendente de ametista.

"DROGA!" Ele gritou e jogou o telefone pela sala. Cobrindo os olhos com as mÃ£os, ele recostou-se contra exuberantes almofadas, sentindo que seu coraÃ§Ã£o se fraturava e sangrava dolorosamente.

Ele descobriu os olhos depois de alguns minutos... e a cor ametista neles ainda nÃ£o tinha desbotado. Tasuki decidiu que esperaria um tempo. SÃ³ porque o velho lhe disse que Kyoko nÃ£o deixara um endereÃ§o alternativo... nÃ£o queria dizer que ele era ignorante sobre aonde ela estava indo.

Sem que ele soubesse, o cajado que Tasuki mantinha trancado em um estojo perto da cama comeÃ§ou a brilhar de forma sinistra.

*****

Kyoko abriu a porta do tÃ¡xi, mas voltou-se para a casa quando seu irmÃ£o mais novo veio correndo pelos degraus e atravessou o quintal. Ela jogou seus braÃ§os ao redor dele quando ele pulou nela... mal mantendo o equilÃ­brio.

"Eu nÃ£o quero que vocÃª vÃ¡!" ele chorou, segurando com mÃ£o a camisa dela.

Kyoko sorriu... sabendo que estava fazendo o certo. Ela o amava tanto que tomar a decisÃ£o de partir doÃ­a menos. "Eu vou voltar para vÃª-lo em breve, e quando as aulas voltarem, eu prometo que vocÃª pode vir para a cidade para me visitar. Vamos passar tanto tempo juntos que serÃ¡ como se eu nunca tivesse partido." Ela olhou para ver o olhar de sua mÃ£e travar no dela.

A senhora Hogo tirou Tama de sua filha com um sorriso compreensivo. "NÃ³s deixaremos seu quarto pronto e esperando por vocÃª. NÃ£o vamos Tama?" Ela tirou as lÃ¡grimas da bochecha dele enquanto ele assentia, entÃ£o olhou de volta para Kyoko. "Viu? Tudo vai ficar bem."

Olhando para a casa uma Ãºltima vez, Kyoko podia ver seu avÃ´ na janela do andar de cima. Ela acenou e deu-lhe um sorriso que quase fez suas bochechas doerem... entÃ£o entrou no tÃ¡xi. Se ela estava saindo de casa por causa dos demÃ´nios, entÃ£o ela iria invadir a casa deles e eliminÃ¡-los um de cada vez.

"Para a cidade, por favor," Kyoko disse ao motorista e se recusou a olhar para trÃ¡s.

*****

No coraÃ§Ã£o da cidade, Hyakuhei estava em estado de semi-dormÃªncia quando ouviu a voz do irmÃ£o gÃªmeo chamando-o. Ele sabia que abrir os olhos nÃ£o adiantaria nada. Seu irmÃ£o nÃ£o estaria lÃ¡... entÃ£o ele apenas inalou bruscamente e ouviu a escuridÃ£o.

"EntÃ£o, meu irmÃ£o mais novo ainda se recusa a se juntar a mim?" A voz acusava uma pitada de vontade misturada com raiva.

Hyakuhei abriu os olhos e passou a mÃ£o por seus longos cabelos de Ã©bano. Sem dizer uma palavra em voz alta, ele respondeu Ã  voz intrusiva. "IrmÃ£o mais novo? NÃ³s somos gÃªmeos Tadamichi, vocÃª nÃ£o Ã© melhor do que eu."

A voz de Tadamichi endureceu: "Os gÃªmeos sÃ£o parecidos... nÃ³s somos parecidos? AlÃ©m disso, eu sou o primogÃªnito... entÃ£o isso o faz mais jovem."

Sentando-se, Hyakuhei deixou as folhas de seda caÃ­rem de seu corpo nu enquanto deslizava da cama. Tadamichi adorava manipular os acontecimentos a seu gosto. "NÃ£o, nÃ£o somos nada iguais... entÃ£o chega de charadas." Ele estremeceu e depois revirou os olhos quando a lÃ¢mpada na mesa de cabeceira ao lado dele se quebrou. Ele tinha de aprender a manter seu temperamento sob controle ou tudo ao redor dele seria destruÃ­do. Ele achava que era seu castigo por ter perdido a paciÃªncia hÃ¡ tanto tempo com seu irmÃ£o.

"Eu nÃ£o odeio vocÃª," Hyakuhei resmungou como se estivesse tentando se convencer.

"Que generoso," a voz de Tadamichi tomou um tom melancÃ³lico como se ele nÃ£o acreditasse na confissÃ£o. "Na Ãºltima vez que estivemos dentro do mesmo reino... nÃ³s nos matamos. Atos tÃ£o sem sentido para imortais... vocÃª nÃ£o acha?" Houve uma pausa antes que ele continuasse. "Uma vez acabado o banimento, como um irmÃ£o fiel... Esperei por seu retorno."

"Estamos destinados a ficarmos sozinhos," Hyakuhei cortou com uma mentira. Ele sabia que seu irmÃ£o nÃ£o estava mais sozinho... Tadamichi tinha se certificado disso.

Ele podia ouvir a risada silenciosa de seu irmÃ£o. Isso fez com que ele se perguntasse se nÃ£o havia sido um erro pensar que poderia voltar e enfrentar a famÃ­lia perversa que seu irmÃ£o criara em sua ausÃªncia. O Ãºnico ponto em que ele e seu irmÃ£o eram iguais era que eles nÃ£o gostavam de ficar sozinhos... embora eles tivessem duas maneiras completamente diferentes de corrigir esse problema.

"Eu sabia que vocÃª retornaria... aqui onde a noite nunca Ã© escura... aqui onde vocÃª nunca estarÃ¡ sozinho entre tantos humanos e as crianÃ§as que eu criei para nÃ³s." A voz de Tadamichi tornou-se desejosa.

Hyakuhei entrou no banheiro, ligando o chuveiro e girando para encarar o espelho. Nenhuma reflexÃ£o olhou para ele, entÃ£o ele simplesmente imaginou o rosto de seu irmÃ£o... seu prÃ³prio rosto, quando ele respondeu. "Eu nÃ£o quero nada com as abominaÃ§Ãµes que vocÃª gerou." Ele recuou no chuveiro enquanto desmanchava a ligaÃ§Ã£o para que nÃ£o precisasse mais ouvir a voz assombrosa do irmÃ£o.

NÃ£o... ele nÃ£o havia voltado para sua terra natal para se juntar a eles como em uma deturpada reuniÃ£o de famÃ­lia. Seu irmÃ£o era o mais destrutivo de todos os demÃ´nios e as crianÃ§as que ele gerava eram, no mÃ­nimo, perturbadoras. Aquelas crianÃ§as agora estavam gerando outras e seus nÃºmeros cresciam como a peste negra.

Hyakuhei colocou as mÃ£os nas paredes de cerÃ¢mica do chuveiro... deixando a Ã¡gua quente aquecer sua pele congelada. O que isso importava para ele? A Ãºltima vez que ele tentou impedir seu irmÃ£o de infestar o mundo humano com demÃ´nios hÃ­bridos terminou em suas mortes... uma morte falsa de que levou sÃ©culos para se recuperarem.

O castigo deles por esse crime foi o banimento um do outro e deste mundo de seres humanos. Eles se tornaram Sombras que andavam pela dimensÃ£o entre os reinos... lanÃ§ando apenas sombras de solidÃ£o. Aquilo terminara hÃ¡ mais de um sÃ©culo. No entanto, ele havia permanecido longe de seu gÃªmeo. Mesmo da escuridÃ£o do outro lado do mundo, ele ouvia esta cidade chamando-o atÃ© que ele nÃ£o pÃ´de mais lutar contra o chamado por mais tempo.

Seu irmÃ£o estava certo sobre uma coisa... ele estava exausto de ficar sozinho. Mas agora que ele estava em casa, ele podia sentir o cheiro dos pecados de seu irmÃ£o contagiando a terra. DemÃ´nios de sangue verdadeiro ele poderia tolerar, mas o estupro da cidade por vampiros hÃ­bridos que aquela geraÃ§Ã£o havia criado... era provocante.

Seu irmÃ£o gÃªmeo ficara no subsolo na maior parte do tempo, dentro das opulentas catacumbas que uma vez haviam compartilhado durante a era medieval... apenas para ressurgir de vez em quando, tempo o suficiente para trazer outra vÃ­tima para o abraÃ§o mortal.

Hyakuhei olhou para a cachoeira do chuveiro... tentando evitar que sua fÃºria transbordasse, mas soube que fracassou quando ouviu o espelho do banheiro quebrar.

Tadamichi o acusou de se esconder do mundo, mas isso nÃ£o era verdade.

"Ã Tadamichi quem escolheu esse caminho," pensou ele de forma sombria. "Ele nÃ£o pode ver a destruiÃ§Ã£o que ele estÃ¡ causando. A noite jÃ¡ nÃ£o Ã© escura e nem silenciosa." Hyakuhei desligou o chuveiro e saiu, sem se preocupar em envolver uma toalha em volta de sua forma esguia. Em vez disso, ele pegou o suave pano preto e comeÃ§ou a secar seus longos cabelos de Ã©bano. Dentro de momentos ele estava vestido e pronto para a noite.

Voltando para sua janela na sala de estar, sentou-se no peitoril e olhou para o panorama.










Hyakuhei sorriu para o seu humor negro e olhou para o lado oposto do edifÃ­cio.

"A escuridÃ£o estÃ¡ viva com demÃ´nios IrmÃ£o. Essa cidade com seus altos muros fez isso," ele meditou em voz alta.

*****

Yuuhi reapareceu no centro da cidade minutos antes do amanhecer. Ele jÃ¡ podia sentir o calor do sol em sua pele e acelerou seu ritmo em direÃ§Ã£o ao Grand Hotel no centro da metrÃ³pole. Sob as massivas instalaÃ§Ãµes de cinco estrelas escondidas do mundo ficava a residÃªncia subterrÃ¢nea do seu senhor. Era tÃ£o bonito abaixo do solo quanto o que abrigava os seres humanos acima... seu senhor havia arranjado para que assim fosse.

Yuuhi atravessou as portas da frente do Grand Hotel e atravessou o saguÃ£o. Ignorando a saudaÃ§Ã£o amigÃ¡vel da humana atrÃ¡s do balcÃ£o, Yuuhi atravessou a porta que dizia "manutenÃ§Ã£o". Atravessando atÃ© o porÃ£o, ele entrou no elevador de manutenÃ§Ã£o que o levaria ao nÃ­vel do sub-subterrÃ¢neo. De lÃ¡, era a abertura da passagem escondida que o levaria ao seu mestre.

Sentindo a escuridÃ£o perto dele como um cobertor protetor, a crianÃ§a de cabelo platina correu pelos tÃºneis sinuosos como se estivesse tentando escapar da escuridÃ£o... ou acompanhÃ¡-la.

Yuuhi era um dos poucos privilegiados permitidos na alcova privada de Tadamichi... apenas os que Tadamichi tinha gerado pessoalmente eram autorizados. O garotinho tinha sido um dos primeiros de Tadamichi e o vÃ­nculo que o mantinha fiel era o que o levara a avisar o mestre sobre a menina... e o poder que ela possuÃ­a. O vÃ­nculo tambÃ©m lhe permitia sentir os estados emocionais de seu mestre, o que podia ser problemÃ¡tico Ã s vezes.

Ele podia sentir que o Mestre Tadamichi estava com raiva e sabia a causa por trÃ¡s daquela raiva... Hyakuhei. Somente o irmÃ£o gÃªmeo do mestre poderia provocar esse tipo de reaÃ§Ã£o. CiÃºme e rejeiÃ§Ã£o podiam ser perigosos com alguÃ©m tÃ£o poderoso.

Yuuhi silenciosamente passou para os aposentos de Tadamichi, mas ficou na sombra para observar seu mestre. O garoto era paciente e sabia aguardar a tempestade da raiva de seu mestre.

Tadamichi olhou para seu reflexo no Espelho das Almas e desviou o olhar com um silvo irritado. Seu irmÃ£o havia quebrado o vÃ­nculo entre suas mentes... banindo-o mais uma vez. Toda oportunidade que Tadamichi escolhia para falar com seu irmÃ£o era terminada de forma bastante abrupta, irritando-o. Ele estava comeÃ§ando a acreditar que seu vÃ­nculo nunca voltaria ao que havia sido.

Os sÃ©culos longe uns dos outros nÃ£o foram uma puniÃ§Ã£o suficientemente longa? Hyakuhei sempre ficaria longe?

Ao ver o movimento nas sombras, Tadamichi agitou com raiva a mÃ£o em sua direÃ§Ã£o... cada hÃ­brido dentro de sua sala e a mil metros de sua solidÃ£o queimaram espontaneamente... deixando para trÃ¡s um cheiro de enxofre no ar. NÃ£o haveria testemunhas da rejeiÃ§Ã£o de seu irmÃ£o. No entanto, ele virou a cabeÃ§a na outra direÃ§Ã£o e repousou os olhos no Ãºnico de seus filhos em que ele confiaria seu segredo.

Ignorando Yuuhi por um momento, Tadamichi caminhou lentamente pela sala e ficou de pÃ© em frente a um retrato, as mÃ£os cruzadas atrÃ¡s de suas costas. Quando os gritos e as chamas se apagaram, Tadamichi continuou a encarar a pintura como se nada estivesse faltando.

A pintura fora criada muito antes das guerras medievais terem ocorrido... antes de sua guerra civil. Poder-se-ia imaginar que era um autorretrato que mostrava duas personalidades. Na verdade, era ele e seu irmÃ£o... tÃ£o difÃ­cil de diferenciÃ¡-los. Como eles podiam ser tÃ£o parecidos... e tÃ£o diferentes? Seu irmÃ£o nunca aprendera o significado do amor... a dor da rejeiÃ§Ã£o?

Tadamichi passou a ponta dos dedos sobre a imagem de seu irmÃ£o, suas sobrancelhas franzindo um pouco antes de seu rosto se contorcer de raiva. Ele de repente atacou a pintura em um movimento tÃ£o rÃ¡pido que era praticamente invisÃ­vel. A imagem ficou ali por um momento, entÃ£o, lentamente, um rasgo irregular apareceu... cortando os gÃªmeos, separando um do outro. O pano do retrato caiu ligeiramente ao lado e a expressÃ£o de Tadamichi de repente mostrou tristeza.

Colocando as palmas das mÃ£os contra a pintura, Tadamichi juntou-os por um momento antes de deixÃ¡-los cair.

Seu amor por Hyakuhei era incalculÃ¡vel. Tadamichi simplesmente queria que Hyakuhei estivesse ao seu lado para compartilhar essa existÃªncia maravilhosa. "Por que vocÃª abandonou a mim e a vida que poderÃ­amos ter?" Ele perguntou em silÃªncio e sentiu o frio de ter feito a mesma pergunta para outro que nÃ£o o seu irmÃ£o. Ele puxou a memÃ³ria para dentro de si, recusando-se a remoÃª-la.

Yuuhi saiu da sombra detrÃ¡s dele, sentindo a melancolia de seu mestre. Ele ficou surpreso que seu pai pudesse se sentir tanto assim por seu irmÃ£o quando ele mesmo mal sentiu uma pontada quando a menina matara seus irmÃ£os apenas algumas horas antes.

"EntÃ£o, vocÃª os perdeu?" Tadamichi perguntou, nunca tirando os olhos da imagem de seu irmÃ£o.

Yuuhi assentiu sabendo que Tadamichi podia ver seus pensamentos. Um pedaÃ§o de mÃ¡rmore branco apareceu em sua visÃ£o perifÃ©rica e ele virou a cabeÃ§a em direÃ§Ã£o a ele. Seu olhar parecia quase pensativo enquanto olhava para as estÃ¡tuas Ã  esquerda. Virando lentamente em cÃ­rculo, ele olhou para cada uma, uma a uma. Elas estiveram aqui por tanto tempo quanto Yuuhi era capaz de lembrar, mas ele nunca havia perguntado sobre elas.

"Uma menina," sussurrou Yuuhi, perguntando-se por que um mestre demonÃ­aco teria estÃ¡tuas de anjos. Era estranho... ele sempre pensou assim. Os anjos eram lindos atÃ© mesmo para os olhos de Yuuhi e ele se perguntava se criaturas como estas poderiam ter existido nesta terra.

"Vou contar-lhe a histÃ³ria das estÃ¡tuas, meu filho." Tadamichi lentamente olhou para longe das pinturas, com curiosidade... "E vocÃª vai me contar sobre essa garota." O canto de seus lÃ¡bios mostrou a sugestÃ£o de um sorriso perverso. "VÃ¡ e olhe mais de perto," ele persuadiu. "A curiosidade Ã© uma emoÃ§Ã£o intrigante... nÃ£o Ã©?"

Yuuhi caminhou lentamente pela sala olhando para os rostos dos homens alados... parando na frente do que mais o intrigava. Os longos cabelos que alcanÃ§avam a parte inferior das costas dele balanÃ§avam... como se estivesse no meio da batalha. A expressÃ£o que estava no rosto era muito bonita... e assustadora. Para o que o anjo lutava tanto? Qual teria sido o prÃªmio?

As mÃ£os de pedra se agarravam a uma espada que estava em um movimento descendente e Yuuhi estendeu a mÃ£o para deslizar o polegar nela... recolhendo-a rapidamente quando uma pequena e fina linha de sangue brotou no polegar.

Tadamichi estava, de repente, ao lado dele, levando a lesÃ£o a seus lÃ¡bios para sugar o sangue do dedo do menino. Sabendo que Yuuhi era uma crianÃ§a de poucas palavras e menos emoÃ§Ãµes ainda, Tadamichi soltou a mÃ£o e assentiu com a cabeÃ§a para a estÃ¡tua. "Esta estÃ¡tua... Kyou e sua espada da destruiÃ§Ã£o," ele fechou os olhos ao se lembrar dos guardiÃµes, "AdversÃ¡rios muito poderosos... todos eles."

Yuuhi se virou para o mestre e esperou pacientemente.

"Eles pensavam que poderiam livrar o mundo das trevas... pensavam que poderiam livrÃ¡-lo de mim e do meu irmÃ£o. Deveriam ter sido mais espertos." Ele abriu os olhos, que agora tinham um estranho matiz vermelho neles. "Eles eram irmÃ£os, sabe." Ele se aproximou da estÃ¡tua daquele que parecia ser o mais novo quando acrescentou: "Ou pelo menos todos eles pensavam que eram verdadeiros irmÃ£os."

Ele estendeu a mÃ£o e acariciou a bochecha da estÃ¡tua, deixando seus dedos rastrearem o caminho que uma lÃ¡grima tinha deixado... congelado no tempo. "Meu querido Kamui. Ele sabia que o que os guardiÃµes tinham feito estava errado. Ã por isso que ele parece tÃ£o triste. Ã uma pena meu irmÃ£o nunca o ter conhecido."

Tadamichi voltou-se para o prÃ³ximo irmÃ£o. "Kotaro era forte de espÃ­rito, mas possessivo sobre o que ele afirmava ser dele." Seus olhos brilhavam como se estivessem vendo o passado. "Ele estava disposto a morrer se precisasse... tudo pelo amor de uma mulher."

Descartando a estÃ¡tua com um acenar de mÃ£o, ele se aproximou da prÃ³xima, quando seus olhos escureceram. Este era o mais perigoso dos irmÃ£os. "Toya... ele era uma criatura muito interessante. TÃ£o cheio de fogo e fÃºria, e, ainda assim, como ele poderia amar uma mulher com tanta ferocidade nÃ£o consigo entender. Isso levou a muitas batalhas entre ele e os outros irmÃ£os. Ele era o mais possessivo dela. Estou surpreso que eles nunca se destruÃ­ram em seu absurdo."

Ele se virou para a estÃ¡tua final. A mÃ£o do homem estava na frente dele como se estivesse lanÃ§ando um feitiÃ§o. Tadamichi sabia a verdade sobre o feitiÃ§o de Shinbe... o vazio estava em movimento conforme eles o jogaram no portal do tempo... selando-o dentro dele. "Shinbe era sÃ¡bio alÃ©m de sua idade, mas ele era tolo o suficiente para alterar o destino... todos eles eram." Seus olhos se endureceram enquanto se perguntava se a sacerdotisa ainda estava com eles.

"A menina pode nos destruir." A voz de Yuuhi nÃ£o tinha nenhuma emoÃ§Ã£o enquanto ele estava na frente da estÃ¡tua que parecia conter o verdadeiro significado de raiva. "Ela me faz lembrar dele, Mestre."

Tadamichi olhou estranhamente para o guardiÃ£o que a crianÃ§a havia indicado, "Toya?"

Yuuhi finalmente virou os olhos negros para Tadamichi enquanto suas palavras assustadoras ecoavam: "Toya, ele Ã© quem estÃ¡ dentro dela... isso Ã© o que pode nos matar."

Os olhos de Tadamichi subiram para a raiva de Toya e, de repente, ele se sentiu mais vivo do que nunca. O que era a vida sem um motivo para viver? EntÃ£o... ela voltou para esse reino. Ele sentia saudade das guerras de antigamente. Anjos e demÃ´nios eram a mesma coisa... sÃ³ que um tinha uma reputaÃ§Ã£o melhor. Se a verdade fosse dita, eles eram todos assassinos.

Substituindo a pedra com a imagem mental do que o guardiÃ£o de prata fora, ele sorriu preguiÃ§osamente, sabendo que o guardiÃ£o podia ouvi-lo; todos podiam. Tudo estava em silÃªncio e tÃ£o parado como sempre. Mas no fundo das almas das estÃ¡tuas... ele podia sentir o poder como um terremoto, restrito por meio das minÃºsculas algemas do tempo.

"EntÃ£o, mesmo neste estado aprisionado, todos vocÃªs encontraram uma maneira de lutar." Tadamichi cantarolou sua curiosidade. "SerÃ¡ que vocÃªs a sentem? VocÃªs a querem?" Ele baixou os cÃ­lios quando sentiu uma onda de poder varrer toda a sala em resposta. "Talvez vocÃªs devessem ter forÃ§ado ela a ficar do seu lado do portal do tempo... como vocÃªs fizeram da Ãºltima vez."

Ele se afastou das estÃ¡tuas, deixando-as com um aviso assombrado. "Ã uma pena que vocÃª nÃ£o possa acompanhar sua sacerdotisa desta vez."




CapÃ­tulo 2 "Calor da Cidade"


Kyoko acordou com um susto, sabendo que o sol estava se pondo. Era como um despertador biolÃ³gico para ela e jÃ¡ fazia... ela nem lembrava mais quanto tempo. Ela se levantou sabendo que era hora de ir trabalhar. Ela sÃ³ desejava estar sendo paga por isso.

Uma sirene distante chamou sua atenÃ§Ã£o para a janela a tempo de pegar os Ãºltimos raios de luz deixando o cÃ©u da cidade. Ela podia ouvir o som fraco do tocar de mÃºsica das casas noturnas na Ã¡rea onde ela morava. Ela havia escolhido um apartamento no coraÃ§Ã£o da cidade por um motivo.

Ela podia sentir a vibraÃ§Ã£o atravÃ©s da sua cama... O Submundo era o nome da boate sobre a qual ela morava. O aluguel era barato porque nÃ£o havia como alguÃ©m viver aqui e esperar ter qualquer descanso, a menos que fosse durante o dia. Ã aÃ­ que Kyoko acreditava na sorte.

Onde mais poderia ter encontrado um lugar que funcionava durante as mesmas horas que ela? NÃ£o havia pessoas rudes correndo para cima e para baixo nos corredores... a menos que vocÃª contasse Yohji, mas ele geralmente nÃ£o fazia nada, a menos que fosse no inÃ­cio da manhÃ£ quando ela chegava em casa ou Ã  noite, antes de ir para o trabalho.

Falando em aluguel... o dela estava atrasado. Ela teria que prestar contas logo se nÃ£o quisesse lidar com Yohji, o irmÃ£o do locador, que morava do outro lado do corredor dela. Na Ãºltima vez que ela atrasou com o aluguel, ele de fato ofereceu para que ela trabalhasse para ele para cobrir a dÃ­vida. Ele pareceu bem desapontado quando ela lhe entregou o aluguel em seu total, menos de uma hora depois.

Ela olhou para o celular, vendo o sÃ­mbolo de mensagem piscar, e sorriu. Ao clicar nos botÃµes que poderiam conectÃ¡-la a algo familiar, ela ouviu a voz de sua mÃ£e, sem sequer prestar atenÃ§Ã£o ao que estava dizendo. Ela jÃ¡ sabia, de qualquer maneira.

"OlÃ¡ Kyoko, Ã© sua mÃ£e," Kyoko imitou as palavras na secretÃ¡ria eletrÃ´nica. "Eu realmente queria que vocÃª ligasse, nÃ³s sentimos muito sua falta. GostarÃ­amos de saber quando vocÃª volta para casa, para que eu possa fazer o seu jantar favorito. Tama esteve muito bem no outro fim de semana, mas jÃ¡ estÃ¡ comeÃ§ando a ter recaÃ­das por nÃ£o te ver. VocÃª estÃ¡ comendo bem ou precisa de algum dinheiro? Por favor, ligue, eu amo vocÃª."

Kyoko balanÃ§ou a cabeÃ§a e deixou o correio de voz continuar a tocar o resto das mensagens. Uma era de Yohji, lembrando-a que o aluguel era devido. "Sim, sim... imundo." Ela apagou sua mensagem. O outro era de seu irmÃ£o mais novo, Tama, falando-lhe sobre sua Ãºltima namorada, avisando ela para nÃ£o contar ao avÃ´ senÃ£o ele espalharia rumores realmente embaraÃ§osos sobre ela e Tasuki. Era uma ameaÃ§a vazia e ambos sabiam disso.

"VocÃª vai ter que fazer melhor do que isso, irmÃ£ozinho," disse Kyoko no telefone.

Ela tinha saÃ­do de casa para mantÃª-los seguros. NÃ£o havia como contornar o fato. Desde que ela era pequena, ela tinha medo dos demÃ´nios no mundo... mas isso nÃ£o significava que ela quisesse que seu irmÃ£ozinho soubesse que os monstros dos filmes eram reais e esperavam na escuridÃ£o. Era como se ela fosse a Ãºnica que podia vÃª-los andando entre os inocentes... alimentando-se deles.

Os demÃ´nios costumavam parecer pessoas normais atÃ© que tivessem sua vÃ­tima encurralada. Os demÃ´nios dentro da cidade estavam se multiplicando a um ritmo perigosamente rÃ¡pido e ela estava tendo problemas para acompanhar o ritmo e ajudar a manter as chances dos humanos. Na verdade, ela sentia que estava perdendo a guerra.

Aqueles seres humanos que ela estava tentando proteger deram ao mal um nome atravÃ©s de livros e filmes... vampiros. Era apenas um nome, porÃ©m... vampiro, demÃ´nio, para ela era o mesmo. Ela encolheu os ombros. Com ela era quase como um espelho de dois sentidos porque, embora pudesse detectar os vampiros... eles tambÃ©m sabiam quando ela entrava em uma sala lotada. Ela nÃ£o pensava que eles pudessem detectar seu poder... nÃ£o era o que parecia atraÃ­-los para ela... era mais como um sino de jantar com ela como o prato principal.

Ela jÃ¡ havia atÃ© mesmo ido ao mÃ©dico uma vez para ver se ela tinha um tipo estranho de sangue... pensando que ele estava os atraindo para ela. Mas o doutor tinha dado a ela um laudo perfeito. O que dava a ela arrepios frios foi que, quando ela estava saindo do escritÃ³rio, o mÃ©dico a impediu e pediu que ela doasse sangue. Estranho... foi bem estranho.

Por algum motivo, os vampiros sempre foram atraÃ­dos para ela e ela tinha que lutar contra eles. Talvez o mÃ©dico simplesmente nÃ£o estivesse procurando a coisa certa. Uma expressÃ£o triste deslizou por seu rosto, pois sabia que era por isso que ela tinha que permanecer sozinha. Ela tinha colocado sua famÃ­lia e amigos em perigo muitas vezes para viver perto deles. Da Ãºltima vez, ela foi seguida atÃ© sua casa. Era difÃ­cil o bastante manter seu segredo sem ter um demÃ´nio no quintal de casa.

Seu avÃ´ era quem a trouxera para essa vida, entÃ£o foi a ele que ela fez a pergunta que a atormentava. Como os vampiros sentiam quando estava perto e por que eles sempre a buscavam em um lugar cheio de centenas? Ela lembrou-se de ele ter tocado o queixo enquanto pensava profundamente, mas a maneira como ele olhou para ela fez com que ela sentisse que ele estava guardando algo dela.

"Eu vou pesquisar e informÃ¡-la se eu tiver uma pista." Era tudo que seu avÃ´ tinha dito.

Ela parou de questionar por que ela tinha o poder de atingi-los e realmente machucÃ¡-los... nÃ£o era como se eles nÃ£o conseguissem se virar de vez enquanto, no entanto. Ela havia mancado muitas vezes para casa para pensar que ela era indestrutÃ­vel. Mas ela se curava mais rÃ¡pido do que qualquer um que ela conhecia e ela poderia levar um socÃ£o melhor que... certo, ela nÃ£o conhecia ninguÃ©m que pudesse aguentar o que ela podia... qualquer humano que fosse.

Agora que ela estava a uma distÃ¢ncia segura de tudo o que ela amava... Kyoko tinha uma razÃ£o para se irritar e um motivo para lutar. Ela os culpava por isso... os demÃ´nios que a perseguiam. Eles a forÃ§aram a sair de casa e abandonar tudo que lembrava uma vida normal. Agora, sua famÃ­lia havia se mudado para a casa do santuÃ¡rio. Convenhamos, isso os deixava mais perto de Tasuki e isso fazia ela se sentir melhor.

"NÃ£o Ã© tÃ£o ruim," Ela disse em voz alta dentro da solidÃ£o de seu apartamento. Saindo da cama, ela se dirigiu para a pequena cozinha e abriu a geladeira. "Certo... talvez seja sim tÃ£o ruim," Kyoko sorriu, vendo que ainda estava vazia.

Ela teria sÃ³ que ir caÃ§ar vampiros hoje Ã  noite e, se eles tivessem um punhado de dinheiro no bolso quando ela os matasse, entÃ£o que seja... nÃ£o era como se pudessem levÃ¡-lo para o inferno com eles. Ao fechar a porta, ela se virou para a Ãºnica coisa que ela sabia que tinha o bastante. "AgradeÃ§o a Deus pelo cafÃ©."

Ela levantou a taÃ§a aos lÃ¡bios, sabendo que seria uma longa noite.

*****

Hyakuhei deitou-se na cama ouvindo a voz de seu irmÃ£o mais uma vez antes que ela desaparecesse. Isso tinha se tornado um hÃ¡bito... embora, na opiniÃ£o dele, era melhor que estar cara a cara. Eles ouviam os pensamentos uns dos outros na maioria das noites, durante os poucos momentos que levavam para que o sol se pusesse... entÃ£o a ligaÃ§Ã£o desaparecia. Ultimamente, as conversas silenciosas estavam se tornando cada vez mais perturbadoras.

Ele olhou para o dossel que cobria sua cama... vendo o presente de seu irmÃ£o. O Espelho das Almas aparecera em seu quarto hÃ¡ mais de um mÃªs... ele jÃ¡ o havia visto antes. Era o Ãºnico espelho que poderia lanÃ§ar o reflexo de um vampiro. JÃ¡ tinha sido preciosa propriedade de seu irmÃ£o.

Quando ele chamou silenciosamente Tadamichi, perguntando por que ele havia lhe dado, seu irmÃ£o respondeu: "Eu sÃ³ quero lembrÃ¡-lo do que vocÃª Ã©."

Ele agora olhava para o seu prÃ³prio reflexo e sabia que havia outro motivo para o presente. Era uma maneira de ver seu irmÃ£o gÃªmeo enquanto olhava para si mesmo. Hyakuhei jogou o braÃ§o sobre os olhos, recusando a visÃ£o.

Ele pensou que Tadamichi ficaria bravo quando ele lhe dissesse que estava matando os vampiros hÃ­bridos dentro da cidade pelo simples fato de que eles estavam em seu caminho... ou no lugar errado na hora errada. O pensamento sequer perturbava Tadamichi. Seu irmÃ£o apenas o fazia lembrar que o poder de governar a cidade humana e os demÃ´nios dentro dela era deles se quisessem tomÃ¡-lo.

Tadamichi atÃ© mesmo confessou que isso lhe agradava. De alguma forma bizarra... seu irmÃ£o gÃªmeo estava feliz por ter-lhe fornecido entretenimento... algo para matar... novamente lembrando-o do que ele era. Hyakuhei olhou para o espelho novamente, pensando na manipulaÃ§Ã£o. Ele e seu irmÃ£o nÃ£o eram senÃ£o monstros em todos os sentidos da palavra, e ele nÃ£o precisava ser lembrado disso.

Uma coisa que Hyakuhei percebeu nos Ãºltimos meses foi que quando seu irmÃ£o se transformou em um vampiro, ele foi gerando outros vampiros, e assim por diante, e tudo o que foi sendo gerado eram vampiros fracos e sedentos, que eram gananciosos e descuidados. Enquanto ele era sangue puro... ele sÃ³ se alimentava talvez uma vez por ano e nÃ£o deixava nenhuma evidÃªncia para trÃ¡s. Ele poderia sobreviver sem nada ou atÃ© mesmo partilhar de alimentos de humanos se ele preferisse fazÃª-lo. Um vampiro hÃ­brido recÃ©m-transformado se alimentaria todas as noites e geralmente acabava com sua refeiÃ§Ã£o antes de terminar.

Um verdadeiro vampiro nÃ£o fazia isso... um vampiro de sangue puro podia seduzir seres humanos para sua servidÃ£o, depois se alimentar apenas o suficiente para sanar sua sede antes de partir e levar com eles a memÃ³ria do que acontecera. NinguÃ©m ficaria sabendo. Em outras palavras, quanto mais longe os vampiros estavam de Tadamichi... mais perto eles estavam de serem uma feia responsabilidade, como o lixo da cidade.

Ele sentia a necessidade de sair para a cidade e se tornar parte dela. Ele nÃ£o precisava de Tadamichi lembrando-o de quem ele era... ele jÃ¡ conseguia sentir a necessidade da caÃ§ada. Sua fome estava crescendo nÃ£o sÃ³ pela necessidade de se alimentar... mas tambÃ©m pela necessidade de se sentir parte de algo. Ele culpou seu irmÃ£o desse desejo.

Hyakuhei deslizou sua camisa de seda preta ao se aproximar da janela, abrindo a cortina de volta agora que o sol tinha desaparecido. Ele estreitou os olhos para a vista. "Bela parede," ele disse sarcasticamente. Sua paisagem era a lateral de um prÃ©dio de tijolos em um pequeno beco e havia uma razÃ£o para isso. Embora ele pudesse suportar a luz do dia por alguns momentos de cada vez... a Ãºltima coisa que queria era que ela entrasse pela janela do quarto.

Ele quase se virou e se afastou, mas algo chamou sua atenÃ§Ã£o e ele olhou para o beco.

LÃ¡... encostado na parede mais distante do alcance das lÃ¢mpadas da rua estava um jovem talvez em seus vinte e poucos anos. Hyakuhei olhou para o olhar bem vestido de aluno de faculdade, sabendo que isso podia enganar. Ele podia sentir o cheiro do sangue do Ãºltimo assassinato deste lacaio, atÃ© mesmo atravÃ©s da janela fechada. O rosto sombrio virou um pouco e Hyakuhei pÃ´de ver o brilho da luz incomum que emanava de seus olhos.

Se havia uma coisa que Hyakuhei poderia dizer sobre si mesmo, era que ele era muito territorial. AtÃ© mesmo ele e seu gÃªmeo ficavam em diferentes lados da cidade por esse motivo. Ele nÃ£o permitiria que esses gananciosos hÃ­bridos se alimentassem tÃ£o perto de seu prÃ©dio. Se isso era o que seu irmÃ£o desejava... vÃª-lo matar um assassino... entÃ£o, que seja.

Hyakuhei estendeu a mÃ£o e abriu a janela sem fazer som.

Antes que ele pudesse pular pela janela, Hyakuhei ouviu passos do outro lado do beco e parou. Ele esperou que o estÃºpido humano entrasse na armadilha mortal. Quem quer que fosse... merecia por andar em um beco escuro.

DemÃ´nios nÃ£o eram os Ãºnicos perigos da noite da cidade... lixos humanos como ladrÃµes e estupradores tambÃ©m se escondiam na escuridÃ£o da maioria dos becos da cidade. Talvez ele atÃ© deixasse o vampiro ter sua Ãºltima refeiÃ§Ã£o antes de matÃ¡-lo... era o mÃ­nimo que ele podia fazer. NÃ£o era como se ele devesse algo Ã  populaÃ§Ã£o humana. Ele nÃ£o devia a ninguÃ©m.

Ele se inclinou contra o peitoril da janela com olhos escuros. A primeira coisa que Hyakuhei notou foi o longo cabelo castanho-avermelhado quando o humano escorregou das sombras para a luz fraca abaixo. Metade dele estava em um rabo de cavalo saltitante, deixando o resto em cascata pelos ombros dela e em volta, em ondas de seda.

Ela usava uma pequena minissaia preta com trilhas de renda preta descendo e cobrindo um pouco do inferior de suas coxas. A camisa combinava, um tecido de cetim preto que caÃ­a logo acima do umbigo, mas tambÃ©m tinha as mesmas trilhas em forma de V de renda preta que se moviam enquanto ela caminhava.

Ele nÃ£o perdeu nada enquanto seu olhar acariciava os pequenos pedaÃ§os de pele exposta. Sua aura era do tamanho de uma centena de seres humanos e se espalhava, cobrindo quase todo o beco. Ã medida que sua aura passava por coisas mundanas, as cores apagadas se tornavam vibrantes, tornando atÃ© mesmo a escuridÃ£o parecer viva.

Ele estava tÃ£o fascinado observando a garota que ele momentaneamente esqueceu que ela estava entrando em sua armadilha mortal.

Kyoko caminhou lentamente como se nÃ£o tivesse preocupaÃ§Ã£o nenhuma no mundo. Ela sabia que ela parecia delicada e indefesa... era pouco mais que uma crianÃ§a, na verdade. Ela se sentia bem com isso porque era um bom alvo. A noite da cidade era viva e retumbante, mas se vocÃª virasse no canto errado, ela poderia se transformar em sombras escuras com bordas mortais... para humanos.

Seus lÃ¡bios insinuaram um sorriso enganador quando ela virou e se dirigiu a um desses longos becos escuros. Ao ouvir o leve eco de seus prÃ³prios passos, ela manteve seu olhar Ã  frente, mesmo ao notar uma sombra se afastando da parede, no meio do caminho.

Abaixando os cÃ­lios para que ela nÃ£o se entregasse, Kyoko notou a roupa dele e teve que suprimir um sorriso. Parecia que ele viera da parte rica da cidade. Uma coisa que ela notava sobre os vampiros na cidade era que a maioria deles poderia ter tido trabalhos de modelo antes de serem transformados... sexy e mortal.

Ela virou a cabeÃ§a para cima, sabendo que o demÃ´nio estava prestes a se mover. Fiel ao seu papel... ela deu um grito quase silencioso... ela nÃ£o queria chamar a atenÃ§Ã£o de pessoas inocentes passando pela calÃ§ada, era apenas um estratagema para parecer assustada e sair correndo.

Passando por ele, ela correu e depois se dirigiu para o lugar mais sombrio do beco, como se estivesse tentando se esconder dele. Assim que ela se virou, ele grudou nela violentamente, colocando as palmas das mÃ£os em cada lado da cabeÃ§a dela como se ela fosse tentar escapar.

O vampiro agressivo empurrou seu corpo contra o dela enquanto ele olhava para ela com olhos azuis e frios. "VocÃª gostaria de se juntar a mim para o jantar?" Sua voz tinha um senso de humor perverso que ela nÃ£o deveria perceber.

Kyoko quase sorriu ao ouvir o pedido ambÃ­guo. "Claro... desde que seja bife." Suas mÃ£os deslizaram ao redor dele e ele sorriu atÃ© que sentiu a dor entrar por suas costas atÃ© a frente dele. Ele olhou para a ponta da luz brilhante que se espalhava no seu peito e abriu a boca, sem som.

Ao ver a garota presa na parede, Hyakuhei agarrou o peitoril da janela decidido que ele seria egoÃ­sta e nÃ£o permitiria ao vampiro sua Ãºltima refeiÃ§Ã£o. Empurrando-se para frente, seus pÃ©s caÃ­ram no chÃ£o exatamente quando a menina saiu da sombra, sozinha.

Hyakuhei nÃ£o se moveu quando ela pareceu nÃ£o o notar. Ele recuou para as sombras e observou ela tirar um par de calÃ§as da escuridÃ£o. Ele ergueu uma sobrancelha ao perceber que era a roupa do vampiro que acabara de atacÃ¡-la.

"Deve haver uma maneira melhor de se livrar deles," murmurou Kyoko. "De qualquer maneira, quem jÃ¡ ouviu falar de um vampiro derretendo? Nunca vou me acostumar com isso. Deveria ser mais como nos filmes... puf e eles sumiam." Ela continuou enquanto alcanÃ§ava o bolso dianteiro das calÃ§as e tirou um maÃ§o de cigarros. "Guarde aqueles para mais tarde, nunca se sabe quando vou precisar de um favor. Por que diabos um vampiro estÃ¡ fumando?"

Ela segurou as calÃ§as na frente dela e fez uma careta com a gosma na frente lentamente pingando. "Eca," ela disse infantilmente antes de comeÃ§ar sua busca nos bolsos traseiros. "Vamos ver aqui," ela sussurrou. "Pente, isqueiro... cartÃ£o da academia local... fio dental?" Kyoko olhou para o produto de higiene dental antes de jogÃ¡-lo para trÃ¡s. "Agora esse Ã© um pensamento grosseiro."

Deixando cair a calÃ§a, tirou o casaco dos restos do vampiro e comeÃ§ou a procurar ali. "Beleza, isso Ã© mais promissor," disse ela um pouco mais alto. "Tiffany e Co., definitivamente vale a pena vender. HA, bingo," exclamou Kyoko quando pescou a carteira da criatura morta.

Abrindo, tirou os cartÃµes de crÃ©dito, um a um, olhando para eles. "CartÃ£o bancÃ¡rio, MasterCard, Visa... uau, cartÃ£o American Express... NÃ£o saia de casa sem ele." Ela deixou cair os cartÃµes de crÃ©dito no chÃ£o e tirou o dinheiro. "Ponto!" Kyoko gritou quando viu o quanto havia lÃ¡. "Outro mÃªs sem ter que fazer sexo com Yohji para ter um lugar para viver, a vida Ã© boa." Ela terminou ao colocar o dinheiro no bolso e jogou a jaqueta em uma lata de lixo.

Hyakuhei arqueou uma sobrancelha, ouvindo a jovem. "Ela Ã© louca," pensou para si mesmo. Ele deixou o sorriso mais breve aparecer em seus lÃ¡bios quando ela aliviou o vampiro morto de todo seu dinheiro. Quando ela voltou para a calÃ§ada, ele saiu da escuridÃ£o e lentamente caminhou em direÃ§Ã£o ao local onde o outro vampiro estava.

Vendo que o que restou era uma poÃ§a de poeira negra, ele alcanÃ§ou no bolso um fÃ³sforo e o acendeu, jogando-o sobre os restos. O beco se iluminou por cerca de cinco segundos antes de se apagar... nÃ£o deixando nada para trÃ¡s.

Ele estava tendo dificuldades em aceitar que uma mera mulher humana tivesse feito isso com um vampiro. Ela estava vestida indecentemente, aparentemente tinha alguns parafusos a menos na cabeÃ§a e era uma ladra mestra, considerando todas as joias sem valor que ela deixara para trÃ¡s. Prova disso era o Rolex falso que tinha queimado com o resto do hÃ­brido morto.

Ele inalou, ainda cheirando o perfume persistente da menina. Que estranho uma vestida tÃ£o provocativamente ainda ser virgem. Ele olhou para o lugar queimado no chÃ£o jÃ¡ nÃ£o se importando como ela o matara... se ela nÃ£o tivesse... ele teria.

Quando ele pisou na calÃ§ada, seu olhar lentamente girou na direÃ§Ã£o que ela tomou. Pela primeira vez em muito tempo, Hyakuhei sentiu uma agitaÃ§Ã£o em seu sangue. Esta noite ele caÃ§aria e, antes do amanhecer... ele a provaria.

*****

Kyoko gemeu ao ver a multidÃ£o ainda reunida na entrada do Submundo. Era fim de semana e o lugar parecia ser badalado. Ela deslizou pela fila e se dirigiu ao seguranÃ§a, dando-lhe um simples aceno de cabeÃ§a antes de se esquivar debaixo do braÃ§o que segurava a porta aberta para ela. Todos os seguranÃ§as a conheciam de vista, pois ela vivia acima da boate.

Uma vez dentro, ela se dirigiu direto para a porta que dizia: "NÃ£o entre". Apertando o cÃ³digo no painel da porta, ela estendeu a mÃ£o e abriu, deixando-a fechar atrÃ¡s dela. Ela suspirou assim que o barulho se tornou um rugido abafado. Sentindo o punhado de dinheiro apertado em sua mÃ£o, ela subiu as escadas. DemÃ´nios nÃ£o eram o Ãºnico perigo da cidade e ela nÃ£o iria caminhar a noite toda com o dinheiro no sutiÃ£.

Parando perto das pequenas caixas com fechaduras no final do corredor, ela digitou outro cÃ³digo e abriu uma delas para verificar sua correspondÃªncia. Normalmente estava vazio, mas Kyoko sorriu ao ver o envelope solitÃ¡rio descansando dentro e o pegou, reconhecendo a letra do avÃ´ no espaÃ§o do endereÃ§o.

Ao fechar a caixa postal, ela subiu outro lance de escadas. O segredo para ficar em forma... viver no terceiro andar sem elevador. Ela parou antes de chegar ao Ãºltimo andar e contou o dinheiro, vendo que sÃ³ teria vinte dÃ³lares depois de dar a Yohji seu dinheiro do aluguel.

Yohji... ela se retraiu. Kyoko sabia que ele queria que ela lhe pedisse mais tempo para pagar o aluguel, mas ela se ferraria se isso acontecesse. Yohji era escÃ³ria para ela, mas ela tinha que ser legal com ele jÃ¡ que ele era quem recolhia seu aluguel todos os meses. Era ele tambÃ©m quem consertava as coisas e ele tinha a palavra sobre quem alugava e quem era expulso.

Ela caminhou atÃ© sua porta, e mal colocou a chave na fechadura quando a porta do corredor se abriu. Kyoko reclamou em seu interior antes de se virar e dar um sorriso tenso a Yohji. O que ele era... psÃ­quico?

"Como estÃ¡ indo Gostosinha?" Yohji perguntou enquanto se apoiava contra a moldura de sua porta, como se estivesse sendo legal.

"EstÃ¡ indo," respondeu Kyoko, de repente desejando que ela estivesse usando um enorme sobretudo que escondesse tudo aquilo para que ele estava olhando tÃ£o ansiosamente. "Ah, eu tenho o dinheiro do aluguel, por sinal." Ela entregou o dinheiro que contou cuidadosamente, nÃ£o se atrevendo a se aproximar da porta dele. Na Ãºltima vez que ela chegou perto, ele a convidara para entrar.

Os ombros de Yohji visivelmente caÃ­ram quando seus olhos a secaram novamente, "Muito bem, entre e eu vou te dar um recibo." Ele esperava que ela ficasse devendo este mÃªs e implorasse para deixar passar. O canto do seu lÃ¡bio se ergueu em um sorriso malicioso.

Kyoko balanÃ§ou a cabeÃ§a enquanto contava atÃ© dez. "Eu posso esperar aqui pelo recibo." Ela cruzou os braÃ§os, como se estivesse bem entediada de esperar por ele.

Yohji encolheu os ombros, conhecendo aquele joguinho... eles o jogaram antes. Ele iria buscar o recibo e ela teria ido embora antes que ele voltasse. "Eu vou te dÃ¡-lo mais tarde."

"EstÃ¡ bem," Kyoko virou a chave na fechadura e abriu a porta do apartamento, tentando uma fuga rÃ¡pida.

"AlguÃ©m te falou o quÃ£o gostosa vocÃª fica nessa saia?" Yohji perguntou de repente, logo atrÃ¡s dela.

Kyoko olhou por cima do ombro para ele e arqueou uma sobrancelha. "VocÃª estÃ¡ flertando comigo, Yohji?" Ela sempre se perguntou como ele ficaria nocauteado... com um nariz cheio de sangue.

"Faz diferenÃ§a?" Ele perguntou, passando uma mÃ£o por seus cabelos espetados e sorrindo, pensando que ele finalmente teria sorte.

"Na verdade, sim," afirmou Kyoko. "Eu nÃ£o acho que meu namorado gostaria muito."

Yohji sorriu, pois sabia que ela passava seu tempo dentro do apartamento, sozinha, "Olha, nÃ³s dois sabemos que vocÃª nÃ£o tem namorado, Kyoko. Se eu fosse tolo, eu diria que vocÃª estaria tentando evitar o inevitÃ¡vel." Ele pressionou sua mÃ£o grande contra a porta aberta de Kyoko para que ela nÃ£o conseguisse fechÃ¡-la. "O que houve? Com medo de eu nÃ£o ser homem o suficiente para vocÃª, ou vocÃª estÃ¡ se guardando para esse especial alguÃ©m imaginÃ¡rio?"

Kyoko olhou para ele, seus olhos esmeralda tornando-se tormentosos. Se ele estava cansado de ser gentil... entÃ£o ela tambÃ©m estava. "Desculpe Yohji, mas gosto mais de caras que nÃ£o mergulham em um sabor diferente de molho a cada noite."

Kyoko ofegou quando Yohji, de repente, agarrou a mÃ£o que ela tinha na maÃ§aneta da porta e fechou a porta, pressionando-se contra a parte de trÃ¡s dela, empurrando seu corpo contra a madeira implacÃ¡vel.

"VocÃª nÃ£o pode me dizer que vocÃª nÃ£o estÃ¡ nem um pouco curiosa, Kyoko," sussurrou Yohji em seu ouvido ao apertar sua excitaÃ§Ã£o contra o fundo dela. "NÃ£o vou contar ao seu namorado imaginÃ¡rio se vocÃª nÃ£o contar."

"Ele nÃ£o Ã© imaginÃ¡rio. Na verdade, vou encontrÃ¡-lo no andar de baixo daqui a pouco," Kyoko afirmou, sabendo que se ela perdesse a paciÃªncia com o imbecil... ela definitivamente seria expulsa e ele sairia em uma ambulÃ¢ncia.

"Ah Ã©? Diga-me como ele se parece," perguntou Yohji, se sentindo pressionado por dentro do jeans. Ele gostava das que resistiam um pouco.

Kyoko respirou fundo. "Ele tem longos cabelos pretos, pele pÃ¡lida, olhos muito escuros e um corpo de matar." Ela descreveu e sorriu mentalmente. 'Toma essa, otÃ¡rio!' "E ele Ã© muito possessivo."

Yohji fez um som que era para ter sido um rosnado. Kyoko quase comeÃ§ou a rir... se Ã© que Yohji soubesse como soava de verdade. Ela finalmente decidiu que bastava e estava prestes a atacÃ¡-lo quando uma porta mais adiante no corredor abriu.

Amni saiu com um jeans apertado e uma camiseta preta que acentuava seu corpo atlÃ©tico. Seus olhos cor azul do cÃ©u se estreitaram e os mÃºsculos de sua mandÃ­bula pularam quando ele notou o tal locatÃ¡rio praticamente esmagando Kyoko. Ele observou Yohji rapidamente se afastar de Kyoko e a mulher de cabelos castanho-avermelhados se virar com um olhar mortal.

"Avise quando vocÃª quiser o aluguel," ela disse docemente. "Pensando bem... talvez eu comece a enviÃ¡-lo para seu irmÃ£o Hitomi, para que eu nÃ£o te incomode mais... certo?"

Antes que Yohji pudesse detÃª-la, Kyoko entrou no apartamento e trancou todas as fechaduras atrÃ¡s dela. LanÃ§ando sua jaqueta em uma cadeira prÃ³xima, Kyoko abriu a carta do avÃ´ e comeÃ§ou a lÃª-la. Ela deslizou no sofÃ¡ e revirou os olhos com seu conteÃºdo.

"Ah, isso Ã© Ã³timo," grunhiu Kyoko suavemente. "NÃ£o sÃ³ sou uma virgem de dezoito anos... mas essa Ã© a razÃ£o pela qual os vampiros podem me sentir?" Ela sorriu com desgosto antes de seus olhos se arregalarem na Ãºltima linha da carta. "VocÃª quer que eu faÃ§a o quÃª?" Kyoko gritou.

Seu avÃ´ acabou de pedir que ela encontrasse um namorado ou ele contaria para Tasuki aonde a encontrar.

"VovÃ´?" Ela espumou enquanto amassava a carta com o punho. "SEU TROUXA PERVERTIDO, VOCÃ PODERIA TER ME DITO HÃ MUITO TEMPO!"

Amni secou Yohji atÃ© que o esquisito voltasse para seu apartamento. "Eu vou ficar quites com vocÃª mais tarde por tÃª-la tocado," ele informou a porta fechada e depois se virou para bater na de Kyoko. Sua mÃ£o parou no ar, perguntando-se com quem ela estava gritando.

Houve uma batida suave na porta e Kyoko atravessou a sala. Ela rapidamente desfez todas as fechaduras e quase arrancou a porta do apartamento de suas dobradiÃ§as antes de olhar para a pobre alma do outro lado.

"O QUÃ?" Ela exigiu.

Amni voltou um passo e ergueu as mÃ£os na frente dele. "Calma Kyoko, eu estava apenas checando se vocÃª estava bem." Embora ele admitisse que ela ficava muito sexy com raiva, especialmente quando seus peitos se erguiam e caÃ­am assim.

Kyoko suspirou e inclinou sua tÃªmpora contra a moldura da porta. Amni era o barman do andar de baixo, na boate. Eles comeÃ§aram um tipo de amizade pouco depois de ela se mudar. Amni era muito fofo com seus cabelos loiros que pendiam em camadas ao redor do rosto e pelas costas... as camadas mais longas quase tocavam suas coxas. Sua pele era livre de qualquer defeito e tinha uma aparÃªncia sedosa com a qual Kyoko tinha certeza que qualquer garota poderia se acostumar.

Ele seria sua primeira escolha para o que o avÃ´ Hogo havia sugerido... pena que ele era um vampiro. Era uma relaÃ§Ã£o estranha senÃ£o desastrosa esperando para acontecer, se Ã© que aconteceria... certamente nÃ£o. Amni nunca fez nenhum movimento no sentido de matÃ¡-la ou levÃ¡-la para a cama, pelo que ela estava agradecida. Era melhor assim, de qualquer maneira, pois ela nÃ£o terminaria com um vampiro como namorado, nem em um milhÃ£o de anos.

Amni ficou pacientemente do lado de fora e estudou a expressÃ£o cansativa dela. Ele conheceu Kyoko neste mesmo corredor na mesma noite em que ela se mudou. Ele ainda ficava um pouco zonzo quando percebia todas as implicaÃ§Ãµes desse encontro.

Ela tinha acabado de sair do quarto e estava o trancando quando ele saiu do dele. Ambos congelaram e olharam um para o outro. Seu punho direito estava fechado e ele viu o dardo espiritual brilhante apertado firmemente dentro dele. Depois de secÃ¡-lo por alguns instantes, ela se virou para encarÃ¡-lo, mas ficou ao lado de sua porta, apoiando-se nela.

Amni percorreu cuidadosamente o corredor em direÃ§Ã£o Ã  escada e soltou um suspiro de alÃ­vio quando ele finalmente chegou Ã  boate. Mais tarde naquela noite, ou no inÃ­cio da manhÃ£, se preferir, ele subiu as escadas, pronto para tirar os cheiros do bar do corpo dele com um banho. Mais uma vez, viu Kyoko de pÃ© ao lado de sua porta e lembrou que ficou se perguntando se ela ficara ali a noite toda.

Conforme ele caminhou por ela em direÃ§Ã£o a sua prÃ³pria porta, ela finalmente falou com ele.

"Eu sei o que vocÃª Ã©," disse Kyoko suavemente.

Amni parou, mas manteve-se de costas para ela, esperando que ela visse aquilo como um sinal de confianÃ§a. "Eu tenho uma boa ideia do que vocÃª Ã© tambÃ©m."

"EntÃ£o eu proponho uma trÃ©gua," afirmou Kyoko.

Amni finalmente olhou para ela com curiosidade. "Por que vocÃª nÃ£o me matou ontem Ã  noite?"

Kyoko cruzou os braÃ§os, tendo pensado nisso durante toda a noite. A verdade era... ela simplesmente nÃ£o queria. "VocÃª nÃ£o mata os humanos para se alimentar," ela ficou mais do que grata por encontrar pacotes de sangue vazios da Cruz Vermelha no lixo dele.

"Meu sustento Ã© entregue uma vez por semana," Amni explicou secretamente, perguntando-se como ela jÃ¡ sabia.

A partir daquele momento, Amni tornou-se amigo de Kyoko, irmÃ£o, protetor... talvez mais. Ele nÃ£o estava realmente certo sobre a palavra que ele usaria para descrever seu relacionamento. Tudo que ele sabia era que eles meio que cuidavam um do outro.

"Estou bem," respondeu Kyoko, chamando a atenÃ§Ã£o dele para o presente. "Apenas um pouco estressada."

Amni sorriu, "Sim, Yohji pode fazer isso com vocÃª. VocÃª acreditaria que ele realmente deu em cima em mim outra noite? Abusado pra caramba." Era mentira, mas o olhar no rosto dela valia a pena. A verdade era que ele pegou Yohji no bar dando em cima de uma garota que jÃ¡ lhe havia dito "NÃ£o" muitas vezes... mas ele deixara de lado esse pequeno detalhe.

As sobrancelhas de Kyoko se elevaram atÃ© sua linha de cabelo e um sorriso incrÃ©dulo se espalhou pelo rosto. "Ah meu Deus, vocÃª estÃ¡ de brincadeira?"

Amni balanÃ§ou a cabeÃ§a, "NÃ£o, eu nÃ£o brincaria com algo assim."

"O que vocÃª fez?" Ela perguntou, desejando que ela tivesse sido uma mosca na parede.

"Eu nocauteei o bÃªbado e o depositei em seu apartamento." Seu sorriso aumentou, "eu adoraria ter visto o rosto dele quando ele acordou."

As sobrancelhas de Kyoko levantaram um pouco: "O que eu perdi?"

"Em vez de colocÃ¡-lo na cama... Eu o coloquei em baixo dela." Seus olhos azuis brilharam maliciosamente.

Kyoko riu e balanÃ§ou a cabeÃ§a, "VocÃª Ã© Ã³timo, Amni."

Amni sorriu, "Agora nÃ£o vÃ¡ dizer a todos que... eles podem pensar que sou um bom moÃ§o." Seu rosto suavizou sabendo que a fizera feliz. "Eu acho que Ã© melhor descer pro andar de baixo antes que o lugar fique selvagem sem mim."

"VocÃª Ã© um bom rapaz," Kyoko informou. "Te vejo lÃ¡ embaixo daqui a pouco."




CapÃ­tulo 3 "Fome"


Hyakuhei ficou em frente ao Submundo. Normalmente, ele ficava longe dessa Ã¡rea da cidade porque estava fortemente infestada de hÃ­bridos. TambÃ©m estava mais perto da alcova subterrÃ¢nea de seu irmÃ£o, fazendo com que ele se perguntasse quem tinha nomeado a pequena, e cheia, boate noturna. NÃ£o era um bom lugar para a garota estar.

Ele desapareceu e reapareceu dentro de suas paredes, sentando-se no canto mais sombrio.

Amni ainda estava sorrindo quando abriu a porta e entrou na boate, apenas para parar abruptamente. Algo nÃ£o estava certo. Sua cabeÃ§a se voltou para o lado e seus olhos se arregalaram. Tadamichi? Afastando o olhar, ele se apressou para trÃ¡s do bar, completamente perturbado.

Por que o Mestre estava aqui... em seu bar?

*****

Kyoko ficou olhando no espelho, perguntando-se o quÃ£o bÃªbada ela teria de ficar para que ela pudesse passar por isso. Ela esfregou os cabelos e comeÃ§ou a mudar a aparÃªncia, mas nÃ£o... decidiu que o que estava vestindo, com sorte, bastaria. Ela sÃ³ tinha que se impedir de dar uma pancada contra quem desse em cima dela.

Ela assentiu com a cabeÃ§a para seu reflexo, dando-se a palestra da sua vida. "Bem Kyoko... vocÃª pode fazer isso. Pense em todos os vampiros atrÃ¡s dos quais vocÃª poderÃ¡ se esgueirar se eles nÃ£o sentirem sua virgindade chegando." Ela revirou os olhos com a estranheza daquela conversa. "Ãlcool... Ã© disso que eu preciso."

Em minutos ela estava sentada no bar pensando no que o avÃ´ tinha dito. Ela olhou para Amni enquanto ele trabalhava na mistura de todos os pedidos de bebidas estranhas. Ela franziu a testa imaginando por que ele parecia tÃ£o nervoso. Ela inclinou a cabeÃ§a um pouco enquanto o via errar completamente a taÃ§a para a qual ele estava apontando com a colher de gelo.

Hyakuhei sentiu sua presenÃ§a no momento em que ela entrou no salÃ£o. Ele nÃ£o tinha pressa ao se recostar na cadeira, examinando-a. A menina parecia nÃ£o prestar atenÃ§Ã£o em nada ao redor dela, levando-o a acreditar que ela nÃ£o queria estar aqui... entÃ£o, por que ela estava? Ele a observou pelo espelho enquanto ela sentava no canto bar, confirmando o fato de que ela preferia ficar sozinha.

Ele seguiu sua linha de visÃ£o e percebeu que era o bartender que chamava sua atenÃ§Ã£o... o vampiro loiro que o olhava nervosamente.

Amni olhou novamente, perguntando-se se era sua imaginaÃ§Ã£o ou nÃ£o, mas parecia que aquele canto ficara ainda mais escuro. Tentando fingir que aquilo nÃ£o o estava incomodando, apoiou as mÃ£os contra o bar e deu a Kyoko um sorriso distraÃ­do, "Quer uma bebida?"

"Sim," Kyoko o informou, a determinaÃ§Ã£o em sua voz quase fazendo Amni cair. "ChÃ¡ Gelado Long Island... o mais forte que vocÃª puder fazer." Ela anunciou.

Amni hesitou e olhou em volta, perguntando-se se ele tinha entrado em outra dimensÃ£o naquela noite. Primeiro, o senhor dos vampiros entra e se senta como se fosse dono do lugar, entÃ£o Kyoko pede uma bebida alcoÃ³lica. E depois... Ursos Polares executando o Quebra Nozes?

Sua mÃ£o inconscientemente foi atÃ© seu pescoÃ§o, lembrando-se da noite em que Tadamichi o havia transformado, hÃ¡ tanto tempo. Ele estava aqui querendo tomar outra vida? Ele tirou o pensamento com forÃ§a de sua mente.

"Kyoko," Amni disse calmamente. "Eu nÃ£o acredito que uma bebida Ã© o que vocÃª realmente queira. Por que vocÃª nÃ£o volta para o andar de cima e dorme um pouco? Isso Ã© melhor para o estresse que uma ressaca. Tenho certeza que tudo ficarÃ¡ melhor de manhÃ£."

Kyoko lhe havia dito muitas vezes que ela nÃ£o bebia e jÃ¡ havia sinais suficientes esta noite para que ela mudasse de ideia. De muitas maneiras, ele estava feliz por nÃ£o ter notado a bomba atÃ´mica de todos os vampiros esperando no canto... e ele gostaria de manter isso assim.

"Negativo," disse Kyoko com uma bufada. "Tenho algumas bagagens das quais preciso me livrar nesta noite e vai comeÃ§ar com a bebida que vocÃª vai me dar."

"Tudo bem, tudo bem," Amni disse agora que ela tinha toda sua atenÃ§Ã£o. "Retraia as garras e pare de sibilar comigo ou nÃ£o vou te dar nada."

Kyoko olhou furiosa e Amni riu. Ele desejou poder consertar o que quer que a incomodasse tanto para fazÃª-la beber. Ela era a Ãºnica que ele conhecia cuja vida parecia tÃ£o complicada quanto Ã  dele. Tentando animÃ¡-la, piscou e acendeu um encanto.

"Bem, Ã© verdade," disse ele enquanto derramava o rum. "Tudo o que falta Ã© o pelo, cauda e ouvidos. VocÃª jÃ¡ tem o temperamento e a atitude."

Kyoko arranhou o ar na frente dela, brincando com um sorriso no rosto. "Talvez eu deva me colocar no beco esta noite, miando desafinada e esperando por um namorado peludo."

Amni colocou a bebida na frente dela antes de balanÃ§ar a cabeÃ§a. "E aqui eu pensei que era o Ãºnico homem em sua vida. VocÃª me fere Kyoko... Talvez eu precise de consolo." Ele colocou sua mÃ£o sobre seu coraÃ§Ã£o para um afeto adicional, embora em algum lugar lÃ¡ no fundo... ele nÃ£o estava brincando.

Kyoko fez uma pausa com a bebida a meio caminho de seus lÃ¡bios. "Amni... pare de flertar comigo. Ã um pouco perturbador." Ela olhou para cima, ainda brincando, mas quando ela segurou os olhos um segundo a mais, sua respiraÃ§Ã£o parou em seu peito. Se ao menos ele nÃ£o fosse um vampiro. Ao fechar os olhos, bebeu lentamente do copo.

"Eu estou falando sÃ©rio," Amni continuou enquanto eles travavam os olhos em uma batalha silenciosa de vontades. "Se vocÃª nÃ£o puder me dizer o que estÃ¡ acontecendo, entÃ£o a quem vocÃª pode contar?"

"Eu preciso de outra bebida primeiro." Kyoko bateu seus cÃ­lios contra ele, lutando por mais tempo e coragem para lhe contar seu segredinho sujo.

Amni lentamente fez uma outra bebida. Ele se encolheu com a vontade de levÃ¡-la para cima e trancÃ¡-la no quarto dela por essa noite. Quando olhou para trÃ¡s e entregou-lhe a bebida... a primeira jÃ¡ estava vazia. Ele comeÃ§ou a pressionÃ¡-la, mas alguÃ©m na outra extremidade do bar chamou. Com um grunhido agitado, ele partiu.

Kyoko o observou enquanto trabalhava. Amni estava certo... se ela nÃ£o pudesse dizer a ele, entÃ£o para quem poderia contar? Em toda a cidade, ele era o Ãºnico com quem podia conversar livremente... o Ãºnico que ela chamaria de amigo. Ela sentiu os olhos marejarem e se perguntou se ela estava, como diziam, bÃªbada de chorar.

"NÃ£o!" Ela se repreendeu e levantou a bebida com um brinde a si mesma. "Um brinde Ã  perda de virgindade." Ela bebeu e nÃ£o parou atÃ© o copo estar mais uma vez vazio.

Ser um vampiro tinha muitas vantagens e uma boa audiÃ§Ã£o era uma delas. Amni entregava as bebidas misturadas para a multidÃ£o barulhenta, mas seus olhos arregalados estavam em Kyoko, observando-a beber como se nÃ£o houvesse amanhÃ£. "Perder o que!" Ele praticamente voou atÃ© o final do bar e a encarou quando ela abriu os olhos.

Kyoko se encolheu ao ver Amni tÃ£o perto tÃ£o de repente, entÃ£o seus lÃ¡bios se separaram quando ela percebeu... "VocÃª me escutou?" Ela engoliu em seco tentando superar a sensaÃ§Ã£o de queimaÃ§Ã£o do Ã¡lcool descendo tÃ£o rapidamente pela garganta. No momento em que ela recobriu a respiraÃ§Ã£o, Kyoko pÃ´de sentir a bebida comeÃ§ar a fazer efeito.

"Outra, por favor." Ela empurrou o copo de volta para ele, ignorando o elefante branco na sala que agora estava ali entre eles.

A raiva repentina que surgiu em Amni foi temperada com dor. Seus olhos azuis se tornaram um tom mais escuro. Suas mÃ£os tremiam enquanto ele fazia OUTRA bebida para ela. Ela nÃ£o teve o efeito calmante que ele esperava.

"Sim, eu te ouvi... este nÃ£o Ã© o lugar para vocÃª ficar embriagada e excitada. Continue bebendo esses chÃ¡s gelados nesta noite e vocÃª estarÃ¡ no beco cantando desafinada enquanto um homem sem rosto..."

Os olhos esmeraldas de Kyoko brilharam desafiadoramente: "Parece divertido... mande mais."

Amni fez uma careta. "Ah, isso Ã© baixo."

Kyoko sorriu para Amni sobre a borda de seu copo e o vampiro nÃ£o conseguiu deixar de sorrir de volta. Ele tinha decidido como ele resolveria esse problema. Ele a deixaria se embebedar... mas ele nÃ£o a largaria no bar... isso nunca. Por enquanto, ele jogaria seu joguinho de perder a virgindade.

Kyoko suspirou quando Amni voltou para a outra extremidade do bar novamente. Ela alcanÃ§ou o balcÃ£o e pegou um canudo desta vez. Por que tem que ser algo como a virgindade que a expunha aos demÃ´nios? NÃ£o Ã© como se ela pudesse se apaixonar por alguÃ©m. Se ela amasse um cara... entÃ£o ela nunca poderia estar com ele porque ela sÃ³ o colocaria em perigo.

Um rosto apareceu nos olhos dela e ela os fechou, querendo saborear a imagem... Tasuki. Se ela nÃ£o amasse Tasuki, ele seria sua escolha. Ã porque ela o amava que nÃ£o podia ligar para ele e... deixÃ¡-lo ajudÃ¡-la a resolver seu probleminha. Colocando o canudinho nos lÃ¡bios, Kyoko comeÃ§ou a beber mais rÃ¡pido, tentando ganhar coragem suficiente para se virar e brincar de 'Uni duni tÃª'.

"VocÃª realmente estÃ¡ tentando transar entÃ£o?" Amni perguntou enquanto ele fazia outra bebida.

"Claro que estou," afirmou Kyoko. "Mas eu nÃ£o quero parecer uma vagabunda dando uma volta."

"EntÃ£o use o espelho," Amni ofereceu e suspirou quando Kyoko se animou com a nova perspectiva. Ele nÃ£o queria que ela se virasse e visse o vampiro mestre sentado no canto. O anciÃ£o esteve observando-a desde que ela desceu as escadas... e em seu estado atual, Kyoko nÃ£o estava em forma para se proteger e Amni nÃ£o era forte o suficiente para combatÃª-lo.

"E aquele cabeÃ§a vermelha?" Amni perguntou deliberadamente escolhendo o pior cara da boate. Se ela fosse sonhar, entÃ£o ele tornaria isso difÃ­cil para ela.

Kyoko apertou os olhos no espelho antes de balanÃ§ar a cabeÃ§a. "Ele nÃ£o tem bunda."

Amni revirou os olhos: "Quem diabos se importa se ele tem bunda?"

"Eu me importo," Kyoko se arrastou. "Preciso de algo para me agarrar." Por um momento, ela se lembrou do cara imaginÃ¡rio que ela descreveu para Yohji algumas horas atrÃ¡s.

"Tudo bem," Amni admitiu. "Que tal aquele com o cabelo espetado?"

"Podemos colocar um 'L' em sua testa e tirÃ¡-lo da lista?" Kyoko perguntou enquanto enrugava o nariz, e depois acrescentou: "E vocÃª teve um gosto muito ruim atÃ© agora."

"Aquele loiro ali Ã© bonitinho." Ele sorriu sabendo que aquele cara sÃ³ namorava outros caras... ela nÃ£o tinha chance.

Kyoko balanÃ§ou a cabeÃ§a e quase caiu com o movimento. "O que estÃ¡ tentando fazer Amni? Ele Ã© tÃ£o feio quanto Yohji."

"VocÃª nÃ£o acha que o rei do terceiro andar Ã© gato?" Amni fingiu um olhar de horror e depois riu de sua expressÃ£o cara-de-pau.

Os prÃ³ximos vinte minutos foram gastos olhando os diferentes caras da boate. Um era um jogador, um era muito malandro, outro era muito velho, muito jovem, muito gordo, muito magro, muito nerd, muito almofadinha e assim por diante. Amni finalmente jogou as mÃ£os ao ar em rendiÃ§Ã£o.

"JÃ¡ vimos quase todos os homens da boate, Kyoko," ele informou. "VocÃª estÃ¡ muito bÃªbada para realmente reparar num homem bonito e nÃ£o perceberia um, ainda que ele te mordesse na bunda agora mesmo." Ele acrescentou silenciosamente, "graÃ§as a Deus!"

Kyoko sorriu embriagada: "Se ele me morder na bunda, nÃ£o me importaria com seu visual."

Os olhos de Amni se arregalaram sabendo que Kyoko estava apenas tentando falar duro, pois ele conseguia sentir o cheiro de sua inocÃªncia.

"Grande conversa, de uma virgem que nunca nem beijou direito," ele sorriu esperando que estivesse certo.

Kyoko tossiu quando a bebida desceu pelo caminho errado. "O que vocÃª disse?" Ela exigiu ao piscar, recusando-se a trazer Tasuki para a conversa.

Amni sorriu: "NÃ£o se preocupe. NÃ£o vou dizer a viva alma, a menos que vocÃª me irrite."

"O que vocÃª faria se eu te irritasse?" Kyoko exigiu, comeÃ§ando a realmente apreciar a embriaguez.

"Bem, eu provavelmente iria me levantar no bar e anunciar muito alto que tÃ­nhamos uma virgem na casa nesta noite e que os lances comeÃ§ariam em cinco mil dÃ³lares. Claro, vocÃª sÃ³ ficaria com vinte por cento e o resto iria para mim." Ele agarrou a borda do balcÃ£o, sabendo que ele superaria todos os lances.

"Por que eu sÃ³ receberia vinte?" ela perguntou. "Ã a minha virgindade... Eu deveria ser a Ãºnica a ser paga por isso."

"Caramba, vocÃª Ã© cara," Amni resmungou.

"Eu ouvi isso," exclamou Kyoko ao se levantar nas barras do pÃ© do seu banco. "Eu vou te mostrar que sou uma namorada muito barata," ela assentiu.

"Coca cola e empadas no meu apartamento depois do trabalho," Amni disse com um sorriso brilhante.

"Eu nÃ£o vou a um encontro com vocÃªÃªÃªÃª," Kyoko proferiu e se equilibrou antes de cair, entÃ£o apontou um dedo para o rosto de Amni, tocando a ponta do nariz com ele. "Eu vou a um encontro com o primeiro homem que nÃ£o dÃª em cima de mim e me trate como uma dama."

Amni arqueou uma sobrancelha: "Isto vem da mulher que estÃ¡ procurando alguÃ©m para tirar sua virgindade? VocÃª ao menos quer saber como esse cara se parece de manhÃ£?"

"NÃ£o," Kyoko sibilou e se afundou na banqueta, mas sem abaixar o dedo. "Eu nÃ£o quero saber nada sobre ele porque..." ela fez uma pausa procurando as palavras. âEu tenho minha moralidade."

Amni riu, "Kyoko, vocÃª pelo menos sabe o que moralidade significa agora?"

O rosto de Kyoko ficou vazio, "NÃ£o," disse ela com uma voz malandra. De repente, ela olhou para seus bustos e voltou para Amni. "Eu nÃ£o estou vestindo roupas Ã­ntimas."

Amni, com toda sua graÃ§a, caiu atrÃ¡s do balcÃ£o enquanto Kyoko continuava a sentar-se lÃ¡ com uma expressÃ£o de admiraÃ§Ã£o no rosto por nÃ£o estar usando roupas Ã­ntimas.

"Droga!" Uma voz sem corpo murmurou por trÃ¡s do bar.

Amni levantou-se e olhou para o rosto de Kyoko antes de comeÃ§ar a rir. Ele realmente nÃ£o conseguiu evitar. Ele nunca tinha visto ela bÃªbada e teve que admitir que ela era bastante divertida nesse estado. "VocÃª nunca me disse por que vocÃª estÃ¡ tÃ£o determinada a fazer isso."

Kyoko mordeu seu lÃ¡bio inferior e disse-lhe a verdade, "ISSO me torna um alvo e VAI me matar se eu nÃ£o me livrar DISSO." Ela tentou olhou para ele e rapidamente desviou. "ISSO parece estar atraindo mais... perigos do que eu posso dar conta."

De repente, Amni percebeu exatamente o que ela estava tagarelando e engoliu em seco. "VocÃª gostaria de outra bebida?" foi o que ele conseguiu dizer.

Ele nunca pensara nisso daquela maneira, mas o que ela disse era verdade. Se ele decidisse beber de um ser humano novamente... mesmo ele a escolheria. Era uma rara iguaria encontrar uma virgem de idade dela... Ã© como sangue aromatizado.

"Outra bebida?" Kyoko perguntou, entÃ£o olhou para o copo. Ela o ergueu ao nÃ­vel dos olhos e virou-o como se estivesse procurando por algo. "EstÃ¡ vazio."

"NÃ£o, sÃ©rio?" Amni perguntou, brincalhÃ£o, antes de tirar o copo dela. "Chega de bebidas para vocÃª esta noite."

"Ei!" Kyoko disse um pouco alto. "Eu preciso disso."

"Para que?" Amni perguntou.

"Para que eu possa perder minha virgindade," respondeu Kyoko. "Eu nÃ£o posso fazer sexo sem esse copo."

Amni colocou o copo de volta no balcÃ£o e Kyoko olhou para ele.

"O que hÃ¡ de errado agora?" Ele sabia que nÃ£o demoraria muito mais atÃ© que ele a ajudasse a subir as escadas e a chegar segura atÃ© seu quarto.

Kyoko virou o olhar para ele. "Quem bebeu?"

"VocÃª," ele informou.

"Eu nÃ£o. Estava cheio quando vocÃª tirou. A quem vocÃª deu uma bebida grÃ¡tis... e cadÃª a minha?" ela acusou.

"Isso foi hÃ¡ quatro bebidas atrÃ¡s," Amni apontou, tentando confundi-la.

"NÃ£oooo," Kyoko fez beicinho. "Eu nem tive a chance de apreciÃ¡-la." Ela empurrou o copo de volta para Amni. "DÃª-me outra bebida e certifique-se de que vou degustar desta vez."

"VocÃª degustou a Ãºltima," afirmou Amni. "Estou te impedindo esta noite."

Kyoko sorriu sensualmente para ele. "De que vocÃª estÃ¡ me impedindo?"

"NÃ£o me tente, Kyoko," Amni respondeu e sentiu uma ameaÃ§a silenciosa. Seus olhos azuis se levantaram para encontrar olhos escuros no outro lado da boate.

Hyakuhei sentou-se assistindo a cena entre a mulher e o barman, seus olhos e seu humor ficando cada vez mais escuros. Ele observou silenciosamente enquanto o olhar dela percorria a sala usando o espelho para ver todos os homens no bar. Por razÃµes que o escapavam, ele estava tentado a fechar o lugar para que todos saÃ­ssem. Ele nÃ£o queria que ela olhasse para os outros.

Esse comportamento... a sensaÃ§Ã£o que ele sentia... perturbou-o.

O barman era um vampiro e a garota parecia muito amistosa com ele. Hyakuhei olhou o menino de cima a baixo enquanto a menina conversava com ele. Ele era jovem; ainda era um bebÃª para um vampiro, mas algo sobre o jovem o separava dos outros vampiros que Hyakuhei tinha encontrado desde que chegara Ã  cidade. O anciÃ£o apagou o pensamento... ele descobriria quando chegasse a hora.

O barman de repente o encarou diretamente. Ele sorriu e o homem gelou antes de visivelmente estremecer e desviar o olhar. Agora ele sabia o que era tÃ£o diferente neste. Ele nÃ£o possuÃ­a a sede de sangue incontrolÃ¡vel da maioria dos vampiros novos. Talvez ele nÃ£o fosse tÃ£o jovem quanto pensara Hyakuhei.

Ele se concentrou na conexÃ£o da linhagem e espiou o passado de Amni... sentindo seu irmÃ£o lÃ¡. Ele fechou os olhos enquanto as memÃ³rias de Amni flutuavam por ele... entÃ£o Amni tinha sido o primeiro de Tadamichi... aquele que curara sua solidÃ£o. Seus olhos lentamente se abriram, agora sabendo por que o vampiro o encarava constantemente... pensava que ele era seu senhor.

O lacaio nÃ£o ter percebido a diferenÃ§a dizia muito sobre seu relacionamento com Tadamichi... ou era isso prova de que ele e seu irmÃ£o eram verdadeiramente a mesma coisa? Sua diversÃ£o atingiu um ponto alto quando o jovem vampiro colocou outra bebida na frente da menina e ela tomou um gole. A cena seguinte o fez querer rir espalhafatosamente.

Amni tirou o copo de Kyoko dela e quis rir com a careta que ela fez. Ele se moveu, pegando as diferentes garrafas de rum para fazer para ela outra bebida. Por sorte, ela desviou o olhar e ele pegou a mistura sem Ã¡lcool da bebida favorita de Kyoko... ChÃ¡ gelado Virgin Long Island.

Derramando o lÃ­quido sobre o gelo fresco que ele acabara de colocar no copo, Amni decidiu ser delicado e acrescentou uma cereja e um pequeno guarda-chuva Ã  bebida antes de colocÃ¡-la na frente dela.

Kyoko virou-se para Amni e entÃ£o olhou para o bar. Seu rosto se iluminou quando viu que a bebida dela havia sido reposta. Em vez de tomar o primeiro gole, ela pegou a cereja pela longa haste e a colocou na boca. Amni engoliu em seco quando a boca de Kyoko se moveu um pouco antes que a haste da cereja se espreitasse entre seus lÃ¡bios. Ela removeu a haste e a colocou no balcÃ£o.

"Que tal?" Kyoko perguntou depois de estudar a haste da cereja com intenso escrutÃ­nio.

"Eu acho que vocÃª deve beijar muito mal," Amni disse em uma voz impassÃ­vel depois de ver que a haste de cereja nÃ£o tinha sido atada com a lÃ­ngua.

"O que vocÃª sabe?" Kyoko resmungou e tirou o guarda-chuva antes de tomar seu primeiro gole. Ela congelou com a cabeÃ§a ainda inclinada para trÃ¡s antes de baixar muito lentamente o rosto atÃ© olhar Amni diretamente nos olhos. Ela engoliu a mistura e pegou o pequeno guarda-chuva. Sem aviso, ela levou bruscamente a ponta do guarda-chuva a menos de dois centÃ­metros da mÃ£o de Amni.

Amni, por sua vez, agradeceu a seus rÃ¡pidos reflexos ao tirar a mÃ£o dali. "Eu disse a vocÃª que chega por esta noite."

"Isso tem gosto pÃ©ssimo," fumegou Kyoko. "Se vocÃª vai me arrumar algo sem Ã¡lcool, entÃ£o me dÃª uma cidra da prÃ³xima vez. E se vocÃª quer me impedir, entÃ£o vocÃª vai pagar a minha conta porque eu serei uma cliente muito descontente."

"Meu deus Kyoko!" Amni exclamou dramaticamente, esperando que a faÃ­sca nos olhos dela ficasse ali por um tempo. "VocÃª vai me deixar duro. NÃ£o vou ter como pagar o aluguel."

Kyoko sorriu maliciosamente. "Fale com Yohji... talvez vocÃª consiga um acordo."

"VocÃª estÃ¡ numa mÃ¡ fase, sabia disso?" Ele colocou as palmas das mÃ£os no balcÃ£o ao erguer as sobrancelhas, imaginando se ela admitiria isso.

A expressÃ£o perversa de Kyoko desapareceu em um instante, substituÃ­da por uma de completa inocÃªncia, e entÃ£o inclinou a cabeÃ§a para o lado. "Estou?" Ela olhou profundamente naqueles olhos azuis sentindo que estava caindo neles.

Amni olhou para a outra ponta quando ouviu alguÃ©m gritar por ele. Ele se inclinou sobre o balcÃ£o em direÃ§Ã£o a Kyoko, perto o suficiente para que ela pudesse cheirar a colÃ´nia que ele estava usando. "NÃ£o faÃ§a nada estÃºpido atÃ© eu voltar," ele ordenou e rapidamente foi fazer as bebidas, deixando Kyoko sozinha.

Hyakuhei recostou-se em sua cadeira, sentindo-se um pouco mais calmo agora que o barman se afastara para atender outros clientes. Ele observou enquanto a garota se inclinava um pouco para trÃ¡s do balcÃ£o e puxava os cabelos em um bolo bagunÃ§ado, continuando, depois, a vasculhar a populaÃ§Ã£o masculina da boate pelo espelho. Por deus... ela estava tentando o destino e nem percebia isso.

Ele percebeu que suas presas haviam se alongado atÃ© o ponto em que quase estavam cutucando seu lÃ¡bio inferior, e seu corpo estava respondendo Ã  inocente atitude dela. Seus olhos escuros estavam colados no longo e delgado pescoÃ§o dela, e nÃ£o era seu sangue ele queria provar... era a pele dela. Ele agarrou a borda da mesa sÃ³ para se ancorar no lugar. O rangido de madeira e metal lembrou-o de onde ele estava e o que estava fazendo.

Soltando a mesa, ele continuou observando-a e viu que ela parecia estar olhando pelo espelho diretamente para ele, sorrindo. Ele franziu a testa e olhou em volta antes de olhar para a mesa mais prÃ³xima dele.

Ele fez uma careta quando viu um jovem com apenas vinte e poucos anos olhando para a beleza de cabelo castanho-avermelhado e sorrindo de volta. Hyakuhei lanÃ§ou um grunhido descontrolado no fundo do peito. Ele observou com imensa satisfaÃ§Ã£o quando a bebida do homem se estilhaÃ§ou em sua mÃ£o, fazendo pequenos pedaÃ§os de vidro penetrarem na sua pele.

O homem amaldiÃ§oou e rapidamente se levantou, indo em direÃ§Ã£o ao banheiro enquanto segurava sua mÃ£o ferida. Hyakuhei sorriu... o homem nÃ£o estava mais olhando para ela.

Kyoko franziu a testa e suspirou frustrada quando o cara que chamara sua atenÃ§Ã£o no espelho de repente saltou e correu para o banheiro. Ela fez uma cara amuada, fazendo com que o perseguidor nÃ£o visto no espelho sorrisse, entretido. Tomando outro gole da bebida nÃ£o alcoÃ³lica que Amni lhe dera, Kyoko decidiu nÃ£o mais olhar no espelho.

Seu olhar, em vez disso, se dirigiu Ã  pista de danÃ§a, onde as luzes estavam piscando em um pandemÃ´nio selvagem. A sÃºbita vontade de juntar-se Ã quela massa de corpos que a rodeava a dominou e ela deslizou do seu assento. Kyoko segurou no balcÃ£o atÃ© que conseguisse se equilibrar, e entÃ£o cruzou a pista com a intenÃ§Ã£o de encontrar alguÃ©m... qualquer um.

Ela se perguntou se era assim que um gato se sentia no cio, entÃ£o culpou o Ã¡lcool e a solidÃ£o exacerbada por esse pensamento.

A atmosfera no clube mudou de repente, tornando-se mais espessa com o poder das trevas. Kyoko nÃ£o se sentiu mal porque o Ã¡lcool que ela consumira havia diminuÃ­do seus sentidos e os tornado inÃºteis. Se ela estivesse prestando atenÃ§Ã£o... ela teria visto quatro homens muito atraentes entrarem no clube.

A atenÃ§Ã£o de Hyakuhei afastou-se da menina quando os quatro homens entraram. Ele lhes deu uma rÃ¡pida geral e desdenhou. Por fora, para seres humanos desavisados, eles apenas pareciam quatro amigos curtindo uma noite na cidade. Para Hyakuhei, eles eram vampiros Ã  procura de sua refeiÃ§Ã£o noturna, e, talvez, um pouco de preliminares.

Ele levantou quando os quatro vampiros se separaram, imediatamente indo em direÃ§Ãµes diferentes. No entanto, um estava se dirigindo para a pista de danÃ§a, seus olhos fixos na fÃªmea de cabelos castanhos que o cativara. Os olhos escuros de Hyakuhei observaram a boate, vendo os outros trÃªs, que agora olhavam para a pista de danÃ§a com interesse. Quando seu olhar atravessou o bar, ele percebeu que o barman tambÃ©m sentira a mudanÃ§a no ar, embora ele nÃ£o tivesse descoberto de onde estava vindo. No entanto, ele tinha se empalidecido... e esse era um belo truque para um vampiro.

Kyoko balanÃ§ou com a mÃºsica, sentindo-se um pouco aturdida, mas, honestamente, ela nÃ£o se importava. Mesmo que seus olhos estivessem fechados, ela podia sentir o olhar faminto de alguÃ©m devorÃ¡-la e isso fazia sua pele palpitar deliciosamente... ela podia sentir os olhos a percorrendo como se fossem mÃ£os.

Ela deslizava sua prÃ³pria mÃ£o em seu corpo enquanto danÃ§ava. Concentrando-se na mÃºsica, ela se perdeu no movimento enquanto um par de mÃ£os grandes se colocava em seus quadris. Elas nÃ£o estavam impedindo seus movimentos, mas, em vez disso, estavam se movendo com ela... sensualmente.

Muito devagar, um corpo quente pressionou-se contra suas costas e ela se inclinou contra ele, deixando sua cabeÃ§a cair em um ombro largo. Ela nÃ£o conseguiu se conter e gemeu quando as mÃ£os se moveram de seus quadris para sua barriga. Ela sentiu os dedos esfregarem sua pele nua debaixo da bainha de sua blusinha, enquanto a outra vagava vagarosamente pela frente de seu corpo, esbarrando em seus seios antes de suavemente cobrirem a lateral de seu rosto.

"Dance para mim," uma voz escura e sensual sussurrou em seu ouvido.

Kyoko sentiu seus batimentos cardÃ­acos abrandarem e achou difÃ­cil respirar. Essa voz era o sexo encarnado e ela tinha que ver o rosto que a acompanhava. Quando ela se virou em seus braÃ§os, o estranho a empurrou para longe, depois a trouxe de volta, mais perto do que hÃ¡ um segundo.

Seu olhar se encontrou com um par de olhos azuis profundos, quase hipnÃ³ticos, e sua respiraÃ§Ã£o parou, em admiraÃ§Ã£o. Ele tinha longos cabelos pretos ondulados que balanÃ§avam de um lado para o outro com seus movimentos. Kyoko ficou alegremente confusa... quando foi que ela tinha comeÃ§ado a danÃ§ar com ele? Seu rosto era suave... quase feminino em sua perfeiÃ§Ã£o. Ele tinha um fraco bronzeado que a fazia querer tocÃ¡-lo com lÃ¡bios cheios que eram um tom mais vermelho do que o normal.

Kyoko sentiu seu corpo comeÃ§ar a se aquecer por dentro... ou talvez fosse todo o Ã¡lcool que tinha bebido.

Ela podia ouvir a mÃºsica erÃ³tica pulsando de algum lugar e gemeu quando o joelho do homem se pressionou entre suas coxas atÃ© que a perna dele estivesse pressionada contra seu centro. Kyoko nÃ£o conseguiu desviar o olhar enquanto o corpo dela comeÃ§ava a se mover contra o dele despreocupadamente. Parecia que cada nervo em seu corpo estava vivo com sensaÃ§Ãµes... ela podia atÃ© sentir o ar circulando em volta deles de tanto calor.

Quando ela se recostou um pouco para olhar para ele, o braÃ§o dele a puxou mais perto com um rÃ¡pido movimento, e ela ofegou quando sentiu os lÃ¡bios dele contra a pele de seu pescoÃ§o. Ela podia sentir cada centÃ­metro do corpo dele pressionado contra ela enquanto continuavam a danÃ§a sedutora. O resto da boate estava girando, mas ele estava muito estÃ¡vel... alinhado com ela e muito grande.

Em seu estado de embriaguez, ela sequer percebeu que a mÃºsica estava comeÃ§ando a desaparecer em uma batida abafada... tudo o que ela conhecia naquele momento era o homem que a segurava.

Amni sentiu a onda de poder percorrer o clube a partir da pista de danÃ§a. NÃ£o era incomum sentir isso naquela hora da noite e ele geralmente ignorava isso. Por reflexo, olhou para a outra extremidade do bar e notou que Kyoko havia desaparecido. Seus olhos se arregalaram e ele fez uma rÃ¡pida varredura no clube.

A bebida que ele estava misturando caiu de sua mÃ£o e bateu no chÃ£o com um ruÃ­do alto. Ele olhou para os espelhos atrÃ¡s do balcÃ£o e viu Kyoko danÃ§ando... com ela mesma! Seu rosto estava corado, os lÃ¡bios, levemente separados e os olhos fechados. Ele poderia ter jurado que ela estava no meio de um clÃ­max.

Movendo-se em pÃ¢nico, Amni correu para a abertura no balcÃ£o para que ele pudesse sair e expulsar o demÃ´nio que a segurava. Ele nÃ£o sentia o desejo de matar a tanto tempo que o chocou a rapidez com que o impulso retornou... o desejo de matar alguÃ©m de sua prÃ³pria raÃ§a.

"Droga, Kyoko." Ele grunhiu entre dentes cerrados. Se ela estava tÃ£o desesperada... desesperada o suficiente para pegar um vampiro, entÃ£o ele dormiria com ela e daria fim nisso.

Amni parou em seus passos quando viu Tadamichi em pÃ© em sua frente. O senhor dos vampiros nem olhou para ele, mas Amni sabia que ele estava ali apenas para evitar que ele ajudasse Kyoko. Amni se aproximou o suficiente para estar a uma curta distÃ¢ncia de seu mestre, esperando que ele entendesse a dica sutil. Quando isso nÃ£o aconteceu, Amni inclinou a cabeÃ§a ligeiramente, em uma tensa submissÃ£o. Seus olhos azuis ficaram excessivamente brilhantes e gelados diante do bloqueio, mas ele nÃ£o ajudaria se fosse morto por sua insolÃªncia.

"Mestre, por favor... Ela nÃ£o percebe..." Amni sussurrou, sabendo que o anciÃ£o podia ouvi-lo alto e claro. "Deixe-me ir antes que ela caia na mesma sina que eu." Ele silenciosamente se encolheu com o insulto implÃ­cito que soltou de seus lÃ¡bios, mas, na verdade, nunca se orgulhara do fato de ser um vampiro. Ele nÃ£o pediu pela maldiÃ§Ã£o. "Ela Ã© minha amiga."

A resposta que Amni recebeu foi um grunhido baixo que fez os copos de vinho atrÃ¡s dele tremerem nas plataformas em que estavam pendurados.

"Eu nÃ£o sou seu mestre, garoto." Hyakuhei colocou-o em seu lugar de uma vez por todas.

Amni sentiu o choque penetrÃ¡-lo enquanto ele nervosamente dava um passo para trÃ¡s. Seus olhos se alargaram, sabendo que acabara de conhecer o lendÃ¡rio irmÃ£o gÃªmeo de Tadamichi. Perto assim, ele sentia a diferenÃ§a entre eles e essa diferenÃ§a dificultou sua respiraÃ§Ã£o.

Ele virou e agarrou a borda do balcÃ£o enquanto olhava para Kyoko, com medo. Foi quando ele soube certamente o que o vampiro na pista de danÃ§a estava planejando. Kyoko estava tÃ£o bÃªbada que ela nÃ£o tinha ideia com quem ela estava danÃ§ando... ou que ela era uma vÃ­tima consensual.

Hyakuhei cruzou os braÃ§os sobre o peito enquanto observava o vampiro presunÃ§oso olhar para seus camaradas como se lhes dissesse que iria dar a primeira mordida e eles poderiam ter os restos. Ele sentiu uma calma completa se instalando sobre ele, mas era uma mentira... era a calmaria antes da tempestade.

Ele sentiu a presenÃ§a ansiosa do barman atrÃ¡s dele. "VocÃª a trata como se fosse sua." Sua voz tinha um tom perigoso quando o espelho atrÃ¡s de Amni quebrou.

"NÃ£o," Amni sussurrou, percebendo que coragem e medo estavam muito prÃ³ximos um do outro. "Ela nÃ£o Ã© minha. Uma mulher como essa nÃ£o pertence a ninguÃ©m." Ele ficou enraizado no local sem saber o que fazer. Ele sÃ³ ouviu Tadamichi falar de seu irmÃ£o uma vez... na noite em que ele havia se transformado. Este era o homem que matara seu mestre, apenas morrer tambÃ©m como puniÃ§Ã£o pelo crime.

Os pensamentos de Amni voltaram para seu mestre. Tadamichi o colocara sob sua servidÃ£o... tomando sua vontade para lutar. O mestre lhe sussurrara sobre sua solidÃ£o... sobre seu desejo perverso por seu irmÃ£o gÃªmeo. Amni conhecia a fraqueza de Tadamichi e, por isso, havia sido transformado... o primeiro dos filhos de Tadamichi.

Seu olhar voltou ao irmÃ£o de quem ele havia sido um substituto hÃ¡ tanto tempo. Tadamichi sÃ³ queria que alguÃ©m presenciasse seu passar do tempo... a solidÃ£o era demais para alguÃ©m que desejava atenÃ§Ã£o.

Hyakuhei devia ser um senhor demonÃ­aco muito poderoso para ter matado seu irmÃ£o... O mestre de Amni. Isso fez com que o loiro engolisse duramente com a grandeza da sede assassina que os irmÃ£os possuÃ­am. Por um momento... Amni se perguntou como seria ter Hyakuhei como seu pai, em vez de Tadamichi... ser sua posse.

Ele jÃ¡ conseguia ver a diferenÃ§a entre os gÃªmeos... onde um era assassino... o outro era mortal.

Kyoko estava em estado de euforia e seus lÃ¡bios amoleceram... abrindo um pouco, com prazer, enquanto as mÃ£os do homem percorriam seu corpo, tocando ligeiramente sob a parte de trÃ¡s de sua camisa. Ela nÃ£o conseguiu suprimir o arrepio que correu pela espinha quando a mÃ£o dele passou pela parte inferior de suas costas. Era como um calmante fogo lÃ­quido rugindo atravÃ©s de seu corpo, fazendo-a querer mais dele.

Hyakuhei observou o hÃ­brido desviar o olhar da mulher e balanÃ§ar a cabeÃ§a, sobre os ombros, para os outros vampiros que haviam entrado com ele. Um a um, comeÃ§aram a se mover para a saÃ­da da boate atÃ© estarem do lado de fora, esperando a refeiÃ§Ã£o da noite. Hyakuhei viu os olhares famintos e sabia que era mais do que apenas sangue que eles levariam da garota.

Seus lÃ¡bios diminuÃ­ram quando ele tentou manter a calma... para aguardar. O som dos copos quebrando atrÃ¡s dele contava uma histÃ³ria diferente. As mÃ£os que estavam tocando nela logo nÃ£o sentiriam nada mais que dor.

Amni engoliu em seco enquanto seu olhar passava do senhor dos vampiros para Kyoko, e para os copos que estavam sendo destruÃ­dos um a um. Ele nÃ£o precisava do alarde de ter uma grande briga de vampiros acontecendo na boate, mas se isso fosse o necessÃ¡rio para salvar Kyoko... ele nÃ£o a impediria. Os humanos culpariam as drogas e a violÃªncia da cidade. NinguÃ©m ficaria sabendo.

Kyoko sentiu que estava com tontura, quase que em transe, quando o cara a soltou. Ela tentou alcanÃ§Ã¡-lo novamente, pensando que ele estava saindo, mas ele apenas se inclinou um pouco e estendeu a mÃ£o para ela segurar.

"Venha comigo," o alto, moreno e lindo sussurrou, como se estivessem sozinhos.

Sua voz suave parecia ecoar dentro da sala, afogando o pouco de som que estava realmente chegando ao cÃ©rebro confuso de Kyoko. Ela passou os dedos pela palma da mÃ£o dele, sentindo o fogo e querendo queimar... sem querer nada alÃ©m de ir com ele. A mÃ£o dele apertou a dela enquanto ele a conduzia em direÃ§Ã£o Ã  porta. Â´Venha comigo.Â´ A voz ainda ecoava dentro de sua mente como um pedido cantado que ela nÃ£o podia recusar.

Hyakuhei observou como o hÃ­brido levava a garota hipnotizada atravÃ©s da boate, pela saÃ­da, para a noite traiÃ§oeira. Ele imediatamente se afastou de seu lugar no bar, seguindo a menina e amaldiÃ§oando Tadamichi e sua ninhada por entrar no seu caminho... novamente.

Seus olhos se arregalaram quando ele ouviu o som da voz assombrosa de seu irmÃ£o entrar sem ser convidado na sua mente. "IrmÃ£o... vocÃª mataria meus filhos por ela? Salve-a entÃ£o... vocÃª apenas a rasgarÃ¡ em pedaÃ§os mais tarde. VocÃª Ã© um demÃ´nio, um assassino de sangue frio... vocÃª realmente acha que ela vai te querer?"

A visÃ£o de Hyakuhei atravessou a sala sabendo que seu irmÃ£o estava perto... observando-o. Â´Eu nÃ£o pedi que vocÃª me perseguisse, Tadamichi. VocÃª ficou tÃ£o entediado em matar que decidiu me ver fazÃª-lo?Â´ Com um rosnado profundo, ele cortou a ligaÃ§Ã£o com seu gÃªmeo, vendo que a garota jÃ¡ havia desaparecido. Ele sentiu um incontrolÃ¡vel clarÃ£o de inveja por dentro com todos que tentavam entrar entre ele e seu alvo.

Ele sentiu mais do que ouviu um sussurro de movimento invisÃ­vel vindo por trÃ¡s e girou abruptamente, estendendo a mÃ£o na sua frente. Seu poder explodiu, atingindo bem no centro do peito do barman.

Amni foi jogado pela pista, caindo no espelho atrÃ¡s do bar e enviando um banho de copos de vinho em espiral, em todas as direÃ§Ãµes. Quase todo o movimento parou na boate e Hyakuhei amaldiÃ§oou sua prÃ³pria imprudÃªncia.

Amni se levantou e encontrou o olhar de Hyakuhei, um pouco instÃ¡vel. Eles concordaram silenciosamente e voltaram o olhar para as outras pessoas na boate. Seres humanos nÃ£o deviam testemunhar tais coisas.

De repente, todos voltaram para o que estavam fazendo e Hyakuhei virou as costas para o barman, nÃ£o esperando para ver se limpar a mente de tantos de uma vez enfraqueceria o hÃ­brido ou nÃ£o. Deixe o lacaio limpar a bagunÃ§a... Hyakuhei tinha coisas melhores para fazer.

Saindo na noite, ele deixou um sorriso sombrio se espalhar por seu rosto quando viu os trÃªs hÃ­bridos comeÃ§arem a seguir o amigo e a menina.

"VocÃª quer tanto me sentir, irmÃ£o? Sinta isto." As palavras deixaram seus lÃ¡bios enquanto seu poder o cercava em uma nÃ©voa vermelha que irradiava para fora. Sentindo a mudanÃ§a na aura, os trÃªs demÃ´nios se viraram para olhar para ele, seus olhos pretos brilhando escuros. Sibilaram com medo e confusÃ£o, confundindo-o com Tadamichi antes de escorregar para as sombras em um esforÃ§o para escapar da raiva no ar.

Tornando-se um borrÃ£o de movimento que o olho normal nÃ£o podia ver, Hyakuhei deslizou atrÃ¡s do mais prÃ³ximo e atravessou a mÃ£o pelo peito do hÃ­brido que fugia. Ele deixou um gorgolejo abafado escapar de sua vÃ­tima antes de cobrir a boca do demÃ´nio com uma mÃ£o cheia de garras e torcer sua cabeÃ§a com um estalo enojante.

O vampiro endureceu enquanto seu rosto se contorcia, revelando sua verdadeira identidade antes de cair no chÃ£o em uma pilha de poeira e gosma. Os outros dois hÃ­bridos, ao ver aquilo, olharam boquiabertos e horrorizados para o senhor dos vampiros entre eles... a morte os havia encontrado.

Os olhos de Hyakuhei eram de um Ã©bano insondÃ¡vel sob a luz da lÃ¢mpada da rua antes que ele lentamente voltasse sua atenÃ§Ã£o para eles. Os dois demÃ´nios restantes sibilaram-lhe brutalmente antes de desaparecerem mais profundamente nas sombras. Hyakuhei sacudiu os restos de sua vÃ­tima de sua mÃ£o, com desprezo, e os perseguiu.

O segundo foi muito mais fÃ¡cil e logo se viu separado de sua cabeÃ§a... literalmente. O terceiroâ¦ Hyakuhei decidiu se divertir um pouco com ele. Encurralando-o no final de um beco, o demÃ´nio hÃ­brido tentou escalar a parede para se afastar do anciÃ£o, mas Hyakuhei nÃ£o o deixaria.

Gemendo suavemente, o Ãºltimo lacaio cometeu seu Ãºltimo erro e encontrou o olhar de Hyakuhei. Respirando profundamente, Hyakuhei inclinou a cabeÃ§a para o lado e estendeu a palma da mÃ£o para o vampiro tomar. O hÃ­brido lentamente cambaleou para ele, incapaz de resistir Ã  servidÃ£o do senhor dos vampiros. Uma vez dentro da distÃ¢ncia, Hyakuhei envolveu um braÃ§o ao redor dele, puxando-o para perto.

"Ela nÃ£o era para vocÃª," Hyakuhei sussurrou suavemente. Ele abriu os lÃ¡bios, deixando suas presas crescerem atÃ© o fim antes de afundÃ¡-las na garganta de sua vÃ­tima. Parte dele estava enojada com suas aÃ§Ãµes, mas tirar a vida de alguÃ©m de tal maneira tinha suas vantagens. Ao tirar a vida de um vampiro hÃ­brido desta forma, pode-se obter todo o seu conhecimento... como onde outros poderiam estar se escondendo.

Para sua decepÃ§Ã£o, esse sabia muito pouco. Ele rapidamente retirou suas presas, pegando um grande pedaÃ§o de carne com elas. Hyakuhei cuspiu o gosto ofensivo e deixou o corpo cair no chÃ£o. Ele nÃ£o sentiu nenhuma empatia quando viu a expressÃ£o suplicante sobre o rosto de sua vÃ­tima.

O sangue que a escÃ³ria jÃ¡ havia compartilhado naquela noite estava vagarosamente vazando dele... nÃ£o era dele mesmo. De qualquer maneira, ele agora estaria muito fraco para pedir ajuda, mas Hyakuhei nÃ£o queria arriscar que o hÃ­brido ficasse vivo. Colocando o pÃ© no rosto do hÃ­brido, Hyakuhei colocou seu peso sobre ele... esmagando sua cabeÃ§a.

Ele recuou com satisfaÃ§Ã£o quando o fluido queimou em seu sapato e calÃ§as, deixando o material intocado.

Quando o vampiro expirou e se dissolveu em uma poÃ§a empoeirada disforme, Hyakuhei sentiu-se um pouco mais justificado ao roubÃ¡-los de seu prÃªmio e suas vidas. Agora, tudo o que ele tinha que fazer era cuidar de seu Â´ousado lÃ­derÂ´. Ele quase sorriu com o tÃ­tulo, mas era o que melhor descrevia aquele imundo neste momento.

Verdade, eles precisavam mesmo de um lÃ­der e Hyakuhei estava chateado por Tadamichi nÃ£o ter ensinado a estes lacaios como se comportarem, ou mesmo a etiqueta dos vampiros. Tudo que eles sabiam era Â´mordÃª-los e deixÃ¡-los morrerÂ´, como ele havia ouvido recentemente um hÃ­brido dizer.

Tadamichi os transformou em nada mais do que bastardos demonÃ­acos sem pai para ensinar-lhes moral de qualquer tipo, o que sempre os levava a tomar decisÃµes idiotas. Eles nÃ£o sabiam que deveriam se submeter a um anciÃ£o sempre que encontravam um? Hyakuhei decidiu que nÃ£o importava... ele os mataria por sua indiscriÃ§Ã£o.

Ele lentamente virou para a direÃ§Ã£o que o outro vampiro havia ido. Ele ajeitou o colarinho e comeÃ§ou a segui-los casualmente. Seus pÃ©s se moveram silenciosamente pelo pavimento da calÃ§ada e Hyakuhei resistiu ao desejo de perturbar mentalmente a criatura, como jÃ¡ tinha feito com tantos outros recentemente.

Esta nova raÃ§a de vampiros que Tadamichi criara era paranoica... pronto para se esconder no primeiro sinal verdadeiro de perigo. Uma coisa que eles nÃ£o tinham aprendido era que apenas os fortes sobreviviam alÃ©m da morte.

Ele estava comeÃ§ando a se irritar novamente, imaginando aonde esse imbecil estava levando a garota. As calÃ§adas comeÃ§avam a ficar mais cheias quando se aproximavam do centro da cidade. Hyakuhei ignorou as cantadas feitas por prostitutas... eles nÃ£o eram melhores do que os demÃ´nios da noite. De vez em quando, uma lÃ¢mpada de rua se despedaÃ§ava de repente quando ele caminhava debaixo dela, devido Ã  sua raiva reprimida.

"Para que a pressa, querido?" Uma prostituta perguntou ao entrar em seu caminho. "Se vocÃª estÃ¡ perseguindo alguÃ©m, eu ficaria mais que feliz em deixar vocÃª me perseguir."

Hyakuhei deu Ã  mulher um olhar mortal. No mesmo momento, o para-brisa do carro ao lado dela explodiu para fora, fazendo com que as pessoas ao seu redor gritassem de surpresa. A prostituta saiu do caminho e Hyakuhei retomou sua perseguiÃ§Ã£o. Ele sabia que nesse momento a garota nÃ£o iria se livrar dele... ele nÃ£o permitiria isso. E se alguÃ©m tentasse detÃª-lo, ele nÃ£o pensaria duas vezes antes de tirar seu coraÃ§Ã£o e enfiÃ¡-lo em sua garganta.

O hÃ­brido levou a mulher, nos braÃ§os, pela calÃ§ada. Ele nÃ£o pÃ´de acreditar em sua sorte por seus amigos sanguinÃ¡rios desaparecerem repentinamente de trÃ¡s dele. Ele rapidamente tomou a decisÃ£o de mantÃª-la para si mesmo, nÃ£o querendo compartilhar seu jantar ou o sexo que aconteceria antes. Ele estava com pressa para fazÃª-la gritar de uma maneira ou de outra.

Ele levou a garota mais para o centro da cidade e sorriu quando olhou para cima e viu o hotel mais elegante da cidade. Com um sorriso arrogante, conduziu a menina para alÃ©m da entrada da frente e para uma das Ã¡reas de piscina que sempre estava fechada a essa hora da noite... perfeito.

Estendendo a mÃ£o, o vampiro faminto mal se esforÃ§ou para quebrar a fechadura no portÃ£o. Deslizando pela cerca de privacidade, ele levou a garota a uma das cabanas privativas da piscina e parou. Virando a menina em seus braÃ§os, ele sabia que ela nem se lembrava da caminhada que acabaram de fazer. Ele nÃ£o precisara nem mesmo colocÃ¡-la sob sua servidÃ£o... o que quer que ela tivesse bebido jÃ¡ tinha sido suficiente.

Ele sorriu perversamente antes de se inclinar para beijÃ¡-la... trazendo o corpo de volta Ã  vida para que ele pudesse tomar aquela vida.

Kyoko gemeu em apreciaÃ§Ã£o, tÃ£o doida de Ã¡lcool que ela se perguntou por que ela nÃ£o tinha feito isso antes. Ela ofegou quando sentiu que as mÃ£os empurravam para cima debaixo de sua blusinha para esfregar lentamente seus mamilos endurecidos antes de puxar a camisa sobre sua cabeÃ§a. O homem comeÃ§ou a beijÃ¡-la pelo pescoÃ§o... fazendo-a tremer e se contorcer contra ele.

As mÃ£os vagando pelo corpo dela suavemente a empurraram para pousar em algo macio. Ela virou a cabeÃ§a para olhar com preguiÃ§a na piscina logo apÃ³s a entrada da cabana. Uma mÃ£o na bochecha dela virou seu rosto para a frente novamente e ela sorriu quando viu os intensos olhos azuis do homem em sua frente.

Isso era o que ela queria... isso resolveria tudo. Ela fechou os olhos, amando o fato de que seu corpo estava em chamas, mas conforme o pensamento passava por sua mente, as chamas se transformavam em um inferno, fazendo com que ela se sentisse desesperada.

Ela arqueou as costas quando as mÃ£os dele tomaram completa posse de seus seios desta vez, apertando e amassando-os atÃ© que ela estivesse gemendo de vontade dentro de seu corpo. Kyoko percebeu que nÃ£o poderia parar quieta enquanto seu corpo se movia no ritmo, como se ainda estivesse danÃ§ando, mas agora deitada.

O vampiro sorriu para ela e decidiu provÃ¡-la antes de entrar no corpo dela. Suas presas cresceram de repente e ele baixou a boca atÃ© o pescoÃ§o dela, quando ele sussurrou como se estivesse compartilhando um segredo escuro: "Uma coisa eu posso te prometer... isso vai doer."

Uma mÃ£o forte na parte de trÃ¡s de sua jaqueta de repente o afastou de sua refeiÃ§Ã£o e ele saiu voando para trÃ¡s atravÃ©s do ar noturno para a piscina, pousando com um enorme splash. Ele quebrou a superfÃ­cie da Ã¡gua, mas congelou quando de repente se encontrou cara a cara com um verdadeiro mestre vampiro.




CapÃ­tulo 4 "O Calor da PossessÃ£o"


"Esta garota jÃ¡ tem dono," Hyakuhei resmungou tentando entender o que ela viu neste homem que se tornara canibal.

O hÃ­brido, de repente, saiu da Ã¡gua como se estivesse levantado por cordas invisÃ­veis e pairou sobre a superfÃ­cie da Ã¡gua. Hyakuhei arqueou uma sobrancelha com a tenacidade dele. De fato, ele ainda era apenas um hÃ­brido, mas nÃ£o era novo... ele estimou que este tinha sido transformado dÃ©cadas atrÃ¡s.

"Sai fora, ela Ã© minha," o vampiro sibilou. "Eu a encontrei."

Hyakuhei olhou para ele, sua raiva atingindo novas alturas, fazendo com que a Ã¡gua da piscina comeÃ§asse a borbulhar como um jacuzzi.

"VocÃª quer lutar comigo por uma Ãºnica refeiÃ§Ã£o?" Hyakuhei perguntou em voz baixa que jÃ¡ fizera mais de uma criatura correr por sua vida. "EntÃ£o que seja."

A Ã¡gua da piscina estava fervendo agora, espirrando na plataforma da piscina, quente o suficiente para causar queimaduras graves. Hyakuhei moveu-se mais rÃ¡pido do que o hÃ­brido jÃ¡ tinha ou iria ver novamente. Ele nem teve tempo de tentar se proteger, e muito menos lutar enquanto a cabeÃ§a caÃ­a na Ã¡gua fervente, separada do resto do corpo.

A carcaÃ§a caiu na Ã¡gua com um plop e comeÃ§ou a se dissolver em uma substÃ¢ncia que lembrava Hyakuhei da gosma que havia em mÃ¡quinas de venda automÃ¡tica para crianÃ§as.

Afastando-se da piscina borbulhante, ele entrou na cabana onde a menina ainda estava deitada. Ela nem sequer notou que seu parceiro tinha sumido e estava se acariciando com os olhos fechados, desesperadamente em necessidade. Ele podia sentir o barato do estimulante sexual que o outro tinha colocado na mente dela e sacudiu a cabeÃ§a, insatisfeito com a marca persistente de outro homem... ele a apagaria a histÃ³ria.

Inclinando-se sobre seu corpo murcho, ele estendeu a mÃ£o e agarrou seu queixo, virando seu rosto para o dele. Ele esperou pacientemente atÃ© que ela estivesse olhando para ele com aqueles olhos esmeralda excessivamente brilhantes antes de comeÃ§ar seu prÃ³prio processo, colocando-a sob seu poder. Normalmente, quando uma fÃªmea era colocada dentro do poder de alguÃ©m... elas simplesmente se tornavam obedientes bonecas de pano que se submetiam aos desejos do vampiro.

Essa garota parecia estar lutando de volta com tanta paixÃ£o... tanto desejo, que era quase doloroso testemunhar... como se exibisse uma servidÃ£o prÃ³pria. Se um vampiro tÃ£o fraco pudesse enviÃ¡-la para esse tipo de transe sexual, a necessidade dela agora se tornaria um desejo que combinaria com o dele.

O cheiro proveniente dela quase o fez perder o controle de seu desejo pela menina. Esta mulher agitava aquela parte adormecida dele a um nÃ­vel perigoso. Ele tinha que entrar nela, e rapidamente.

Kyoko olhou para o homem acima dela e por um momento nÃ£o o reconheceu. Tornando-se completamente imÃ³vel, ela olhou para o que ela pensava serem olhos azuis, mas agora eles ficaram, de alguma forma, mais escuros do que a meia-noite, e fascinantes. Ele parecia estar morrendo de fome quando ele olhou para ela. Seu olhar se focalizou com fÃºria nos lÃ¡bios dela, e ela viu a vontade crua nas profundezas daqueles olhos da meia-noite.

Kyoko de repente lembrou-se de descrevÃª-lo para Yohji e sorriu quando ela estendeu a mÃ£o, passando os dedos pelos longos cabelos pretos e tocando seu polegar na bochecha pÃ¡lida dele... ele era ainda mais bonito do que ela lembrava.

Hyakuhei abruptamente empurrou-a de volta contra o acolchoado suave da poltrona e segurou-a por um momento... olhando para ela e sua ousadia de cativÃ¡-lo. Ouvi-la gemer de necessidade enviava uma onda de calor por seu corpo e quase o colocou de joelhos. Seus olhos se estreitaram, perguntando-se quem era mais escravo.

Incapaz de prender sua fome por mais tempo, ele rapidamente se inclinou para capturar os lÃ¡bios dela em um beijo abrasador e grunhiu de apreciaÃ§Ã£o quando ela gemeu em resposta. Aprofundando o beijo, ele lentamente se arrastou sobre ela, deixando sua mÃ£o percorrer sua coxa. Colocando o outro braÃ§o ao redor dela e levantando-a ligeiramente, ele segurou a pelve dela completamente na palma da mÃ£o e apertou.

A mulher instantaneamente se curvou contra ele e Hyakuhei ficou chocado ao aprender algo que nunca esperara... ela nÃ£o estava vestindo roupas Ã­ntimas e o calor irradiado por ela parecia um fogo lÃ­quido. Ele sentiu-se endurecer em resposta, apertando-se contra suas roupas. Ele rosnou, recusando-se a perder o controle tÃ£o rapidamente e sua necessidade de dominar surgiu muito forte.

Apesar de seu desejo por ela, Hyakuhei ainda estava com raiva de sua ingenuidade e queria ensinar-lhe uma liÃ§Ã£o sobre ser mais cuidadosa com homens... especialmente vampiros anciÃ£os que tinham a tendÃªncia de continuar retornando a uma fonte de sangue pura e intocada por outro. Se ele nÃ£o tivesse aparecido... ela teria sido condenada de qualquer maneira.

Arrancando os lÃ¡bios dela com uma respiraÃ§Ã£o Ã¡spera, ele tirou a mÃ£o das pernas dela e a colocou ao redor de sua garganta para mantÃª-la imÃ³vel... tentando acalmÃ¡-los ambos.

"Por que alguÃ©m tÃ£o puro desejaria se livrar de sua inocÃªncia?" Hyakuhei se perguntou com um rosnado hipnotizante. "VocÃª estÃ¡ tÃ£o ansiosa para se tornar uma mulher?"

Kyoko engoliu em seco, ainda sob sua subserviÃªncia, e olhou para ele. Lutando para lembrar, os olhos dela se arregalaram quando as palavras na carta do seu avÃ´ voltaram para assombrÃ¡-la. "Eu nÃ£o posso ser mais virgem... vocÃª vai me ajudar?" Ela sussurrou a sÃºplica e puxou a camisa dele, sem querer nada alÃ©m de arrancÃ¡-la.

Hyakuhei rosnou fundo no peito antes de levantar-se e levÃ¡-la com ele. Ele seria o Ãºnico para quem ela faria aquela pergunta... ele cuidaria disso. Depois de dar-lhe uma chance de se equilibrar, ele rapidamente puxou a camisa dela de volta sobre sua cabeÃ§a e a carregou para dentro do Grand Hotel, e para um dos elevadores vazios.

Alguns meses atrÃ¡s, Hyakuhei encontrou-se no inÃ­cio da manhÃ£ sem nenhuma maneira de chegar em sua casa a tempo. Ele tinha sido atraÃ­do pelo Grand Hotel e agora mantinha uma das coberturas lÃ¡ para seu uso pessoal. Com essa comodidade na ponta dos dedos, ele nunca teve que fazer check in.

TambÃ©m ajudava que a maioria dos funcionÃ¡rios noturnos fossem vampiros e que fossem inteligentes o suficiente para tratÃ¡-lo com respeito. Mais tarde, ele soube que Tadamichi era dono do hotel, mas nÃ£o fazia diferenÃ§a para ele, desde que seu gÃªmeo ficasse fora do seu caminho.

Uma vez fechadas as portas, ele empurrou a garota contra a parede, passando os dedos entre os dela e levantando as mÃ£os dela acima de sua cabeÃ§a. Manter as mÃ£os presas acima dela seria a Ãºnica maneira de chegar a seus aposentos com alguma sanidade restante. Incapaz de resistir ao olhar sedutor nos olhos dela, ele entrou com os lÃ¡bios sobre os dela, faminto, sabendo que havia mais de uma maneira de estar dentro dela.

Livrando as mÃ£os, Kyoko envolveu seus braÃ§os ao redor do pescoÃ§o dele e ergueu as pernas atÃ© ficarem presas Ã  cintura dele. Quando ele contorceu os quadris para frente e para cima... Kyoko deu um gemido agudo e pressionou contra ele em resposta. Ela ofegou por ar quando ele se afastou de seus lÃ¡bios e comeÃ§ou a deixar uma feroz trilha de beijos em sua bochecha e por seu pescoÃ§o.

Os dentes dela se afundaram em seu lÃ¡bio inferior quando a ponta da lÃ­ngua dele esfregou a parte superior de seus seios sob a bainha de sua blusinha tomara-que-caia.

Suas unhas cavaram nas costas dele enquanto pressionava contra o duro beijo. Ela nÃ£o tinha ideia do que estava fazendo entÃ£o deixou seu corpo responder da maneira que parecia certa. Seu corpo estava gritando para ele tÃª-la e ela se perguntou por que ele ainda nÃ£o tinha feito isso. Com toda a necessidade reprimida... o beijo tornou-se rapidamente selvagem.

Depois do que pareceu uma eternidade, o elevador parou, fazendo com que ambos se mexessem ligeiramente com o som.

Hyakuhei deu um passo atrÃ¡s, mas nÃ£o a decepcionou. Colocando as mÃ£os debaixo das coxas dela, ele a manteve onde ele precisava... queria que ela estivesse. Ele a levou para a porta de sua suÃ­te de cobertura enquanto seus lÃ¡bios se alimentavam dos dela. Estendendo a mÃ£o, ele pressionou o polegar contra a pequena tela preta ao lado da porta. Houve um sinal sonoro e a porta foi desbloqueada. Hyakuhei abriu a porta com o pÃ© sÃ³ para fechÃ¡-la com um chute atrÃ¡s deles.

O interior era escuro, mas isso nÃ£o importava. Com um olhar impaciente... a lareira acendeu como se obedecesse a seu comando. Precisando recuperar o foco, Hyakuhei a soltou e deixou as pernas dela deslizarem para ficar de pÃ© no chÃ£o. Colocando uma mÃ£o firme em seu ombro para mantÃª-la imÃ³vel, ele queria olhar para ela, sabendo que essa paixÃ£o nÃ£o era normal e estava ficando fora de controle... em ambos os lados.

Quando a mulher o empurrou contra a parede com mais forÃ§a do que deveria ter e comeÃ§ou a beijÃ¡-lo novamente, um rosnado entrou de erupÃ§Ã£o no fundo da garganta dele, e ele gentilmente a empurrou contra a parede oposta do vestÃ­bulo... mantendo seu corpo a poucos centÃ­metros do dela. O rosto dela estava corado e seu cabelo caÃ­ra em desordem, deixando madeixas suaves penduradas em seu rosto balanÃ§ando com cada respiraÃ§Ã£o cansada que ambos tomavam.

Parecia que ela estava pronta para lutar contra ele, e seus olhos de esmeralda ficaram tormentosos, fazendo com que correntes de desejo lhe atingissem o estÃ´mago e subissem as coxas enquanto a observava. Hyakuhei de repente o sentiu em seu sangue... batendo profundamente debaixo da pele dela. Ele estava aguardando algo hÃ¡ muito tempo e agora havia encontrado... ela.

As mÃ£os dela estavam em sua jaqueta de couro preto, quase a arrancando. Ela a atirou de lado e Hyakuhei a ouviu bater na parte de trÃ¡s do sofÃ¡ antes de cair no chÃ£o. Sua camisa nÃ£o durou muito enquanto ela a rasgava, enviando botÃµes voando por toda parte. Ele tinha a sensaÃ§Ã£o de que ele iria precisar de roupas novas para os prÃ³ximos anos, pois ele nÃ£o pretendia deixÃ¡-la ir.

"Eu te quero," Kyoko instou contra seus lÃ¡bios, empurrando-o com forÃ§a como se o rejeitasse.

Ele ficou de pÃ© atÃ©, alto, quando um fogo perverso comeÃ§ou a queimar atrÃ¡s daqueles olhos da escuridÃ£o. "Ã tarde demais... vocÃª Ã© minha agora." Sua voz era profunda ao ecoar por eles.

Hyakuhei nÃ£o perdeu tempo reaprisionando-a dentro do aperto de aÃ§o de seus braÃ§os e a pegou para que ela nÃ£o pudesse tentar aquilo de novo. Ele sentiu seu sangue esquentar e chegar a um nÃ­vel perigoso enquanto as pernas dela se enrolavam em sua cintura mais uma vez.

Descartando o desejo de dar a ela o que ela estava pedindo ali no corredor, ele a levou para o quarto. Ele podia sentir o Ã¡lcool na respiraÃ§Ã£o dela e queria beijÃ¡-la tÃ£o profundamente que ele sentiria intoxicaÃ§Ã£o enquanto ele a tinha.

Deixando-a cair nÃ£o muito gentilmente na cama, ele recuou quando ela rapidamente se apoiou em suas mÃ£os e joelhos e o observou circulando na cama. Mais uma vez, ele se perguntou quem estava perseguindo quem, conforme ele lentamente se desnudava do pouco de roupas que ela o deixara vestindo. As mÃ£os dele estavam firmes... implacÃ¡veis enquanto ela seguia cada movimento dele com uma das suas. Ele mais tarde se perguntaria quem fora despido primeiro.

Os lÃ¡bios de Kyoko se separaram quando ela se encontrou de barriga pra cima, cercada por uma cortina de seda de Ã©bano enquanto os cabelos dele se espalhavam em volta deles... bloqueando tudo de sua visÃ£o. Suas mÃ£os estavam presas ao colchÃ£o de cada lado dela enquanto ele pairava um pouco fora de seu alcance, fazendo-a rosnar para ele.

Hyakuhei tomou isso como um sinal de desafio e o macho alfa dele assumiu, querendo dominÃ¡-la completamente. Colocando a coxa entre as dela, ele rapidamente as afastou e ficou de joelhos. Levantando as mÃ£os vagarosamente pelos braÃ§os e costelas dela, ele agarrou os quadris dela e os elevou no ar, avanÃ§ando enquanto beijava sua coxa interna em uma trilha quente, diretamente atÃ© o centro dela.

Kyoko gritou, o movimento tinha sido tÃ£o rÃ¡pido e, antes que o grito terminasse, sua respiraÃ§Ã£o se acalmou dentro de seus pulmÃµes que pegavam fogo enquanto a lÃ­ngua dele deslizava para cima atÃ© a entrada de seus lÃ¡bios inferiores, logo adentrando um pouco mais fundo. Suas mÃ£os se fecharam nos lenÃ§Ã³is enquanto ela arqueava suas costas ainda mais. Ela entrou em pÃ¢nico ao sentir algo dentro dela se romper com tanta forÃ§a que seu corpo vibrou por dentro conforme o grito voltava... soando mais como o Ã¡pice entre dor e prazer.

Hyakuhei agarrou seus quadris, envolvendo seus dedos em torno da suavidade, aprofundando o beijo quando ela alcanÃ§ou seu pico tÃ£o rapidamente. Ele queria devorÃ¡-la e grunhiu com prazer sabendo que ele era o primeiro e seria o Ãºltimo a provar seu Ãªxtase.

Quando ele grunhiu nela, Kyoko se curvou e ficou mole quando ela recomeÃ§ou. Ela podia sentir que ele a bebia e deixava-a perdida no terremoto. Enquanto ela gemia, ela estendeu a mÃ£o e agarrou um punhado dos cabelos dele, tentando se afastar do prazer intenso... sÃ³ para descobrir que agora ela estava segurando ele no lugar e se contorcendo contra a boca dele enquanto ela gritava.

Hyakuhei sentiu que estava sendo possuÃ­do por seu desejo por ela enquanto levantava a cabeÃ§a e rugia, deixando-a cair novamente no colchÃ£o e deslizando seu corpo de volta sobre o dela em um fluente movimento dominante. Ele esperara por tanto tempo... mais do que o tempo... ele sempre quis possuÃ­-la apesar de nÃ£o se lembrar de conhecÃª-la. Ele lambeu os lÃ¡bios antes de descer sobre os dela e mover sua parte inferior do corpo de volta entre suas pernas.

O calor o atravessou enquanto a cabeÃ§a de seu rÃ­gido cajado se afundava contra a entrada dela. A hora de querer acabou.

Todo o fÃ´lego a deixou enquanto o anjo escuro avanÃ§ava... quebrando sua ligaÃ§Ã£o de sangue. Ela virou a cabeÃ§a de um lado para outro com medo, ouvindo sussurros frenÃ©ticos ao redor dela de coisas que nÃ£o deveriam ser. Ela pÃ´de sentir auras de luz tentando afastÃ¡-la dele, mas quando seus olhos mais uma vez se concentravam nele; tudo estava em silÃªncio, exceto a espessa dor do bater entre suas coxas.

Ele se manteve parado acima dela, tendo ouvido as mesmas vozes que ela. CiÃºmes possessivos passaram por ele ao desafiar o fantasma a tentar levÃ¡-la dele. Vendo o olhar dela agora centrado nele, ele se afastou do aperto dela apenas para estocar de volta lÃ¡ dentro enquanto ela o observava. Os lÃ¡bios dela se separaram quando ele lhe deu um novo clÃ­max... um em que as vozes dos malditos nÃ£o conseguiam penetrar.

Os braÃ§os dele tremeram quando ele desacelerou para dar um forte impulso; nunca tirando os olhos da paixÃ£o que brilhava nela. Eles eram iguais agora que ela levantava os quadris para encontrar os dele, gritando com cada batida... deixando-a lutar para se afastar e se aproximar ao mesmo tempo. Ele sentia que ela o apertava por dentro e gemeu enquanto lutava para acelerar o ritmo.

Kyoko agarrou suas costelas em um esforÃ§o para segurÃ¡-lo enquanto sentia os rÃ¡pidos golpes correrem por ela e atravessarem suas coxas ao ritmo das batidas de coraÃ§Ã£o.

Ao ver que ele ganhara a batalha, Hyakuhei desacelerou, provocante, e seus lÃ¡bios adoraram os dela, lambendo e escaldando antes de se tornar exigente mais uma vez, acelerando, sem lhe dar descanso. Enquanto ele se movia para cima e para baixo dela, ele sabia que nunca teria acabado com ela... nunca satisfeito o suficiente para parar.

Deslizando seus braÃ§os ao redor dela, ele se ergueu de joelhos... levando-a com ele. Puxando as palmas das mÃ£os para os quadris dela, ele a segurou, baixou-a de volta para ele... observando a cabeÃ§a dela voltando para trÃ¡s e se curvando em seu ombro, trazendo uma onda de cabelos castanho-avermelhados com ela. Puxando as pernas ao redor dele, Hyakuhei saiu da cama, empurrando-a contra a parede enquanto continuava a trazÃª-la para cima e para baixo com movimentos mais vigorosos.

Conforme ela se movia, Kyoko nÃ£o conseguia tirar os olhos de seus lÃ¡bios cheios e perfeitos agora que ela estava erguida apenas uns centÃ­metros mais alta do que ele, descendo em seguida com cada impulso dos quadris dele. Ela rangeu os dentes enquanto ele se espremia contra ela e ela levantou uma mÃ£o sobre a cabeÃ§a... tentando desesperadamente encontrar algo na parede para segurar. Seu mundo se inclinou quando suas costas deixaram a parede e ele pousou na cama com ela ainda por cima.

Finalmente, tendo o controle que ela desejava, Kyoko agarrou as mÃ£os dele e as segurou rapidamente na cama enquanto ela erguia os quadris, quase tirando dele, logo despencando novamente. Ela podia sentir cada centÃ­metro daquele homem debaixo dela quando comeÃ§ou a balanÃ§ar de um lado para o outro em um movimento de atrito. Tirando o olhar dele, ela tentou recuperar o fÃ´lego sem parar o movimento.

Hyakuhei vislumbrou a Deusa acima dele e sabia que nÃ£o era mentira. Ela havia nascido apenas para ele e ele havia esperado tanto tempo que a esquecera. Ele sentia a alma dela o chamando do passado e ele tirou as mÃ£os dela apenas para segurar seu pulso firmemente e puxÃ¡-la contra ele. Rolando sobre ela sem perder o ritmo, Hyakuhei ficou maravilhado com o calor que apenas ela conseguiu criar dentro de seu sangue frio e sentiu seu frÃ¡gil controle sobre a sanidade estourar.

Ele podia ouvir os rÃ¡pidos batimentos cardÃ­acos dela... o tilintar do sangue dela estava o chamando. Este fora o Ãºnico alento que ele conhecera quando avanÃ§ou, dirigindo-se tÃ£o profundamente quanto podia dentro dela. Abaixando os lÃ¡bios para o arco de seu pescoÃ§o enquanto ela se afastava dele, Hyakuhei nÃ£o conseguia parar.

Recusando-se a rasgÃ¡-la como sua mente gritava para ele fazer, Hyakuhei deitou os lÃ¡bios e os dentes contra ela enquanto usava seus poderes para levÃ¡-la a uma velocidade para a qual ela nÃ£o era pÃ¡reo. Quando ela chegou ao clÃ­max, ele deixou suas presas romperem sua delicada pele com o mÃ­nimo de dano, querendo saboreÃ¡-la, desta vez, de todas as maneiras possÃ­veis.

Ela se tornaria a coisa mais importante em sua vida, almas gÃªmeas eternas... nÃ£o era uma mentira... ele sentia isso.

O que ele havia dado e tirado agora enfraquecia os dois e roubava sua vontade de se segurar. Sentindo o olhar dela novamente, ele afastou a boca dela, mandando ecos de sons Ã¡speros e irregulares ao redor deles enquanto ele sentia-se quebrar e derramar... enfiando nela a cada batimento cardÃ­aco.

Momentos depois, seus braÃ§os cederam e ele rolou para o lado, levando-a com ele. A sala ficou em silÃªncio enquanto ele ouvia o som da respiraÃ§Ã£o dela, sabendo que ela tinha caÃ­do em um sono profundo por causa das bebidas e do sangue que ele tirara dela... tudo misturado com a paixÃ£o de seu acasalamento.

Hyakuhei apertou seus braÃ§os em torno dela nÃ£o querendo perder nenhum momento, mas ele podia sentir o sono indesejÃ¡vel fluir por ele como a mÃ£o nÃ£o convidada do destino.

*****

QuilÃ´metros abaixo do quarto do hotel, no fundo das catacumbas, os gritos violentos e os sussurros de negaÃ§Ã£o finalmente pararam. Tadamichi arrancou as garras afiadas de seus olhos vermelhos, descendo suas bochechas enquanto sua visÃ£o voltava para ele. Ele olhou para as estÃ¡tuas dos guardiÃµes que o rodeavam, sabendo que fora o mais prÃ³ximo que tinham chegado de atravessar o coraÃ§Ã£o do tempo. Eles podiam senti-la... e as correntes que seguravam fechado o portal do tempo quase se quebraram. Eles quase chegaram nela.

Ele sentiu a rendiÃ§Ã£o de seu irmÃ£o Ã  sacerdotisa, e, agora que a visÃ£o desaparecera, Tadamichi gritou de raiva novamente, enfiando as garras em seu rosto como se estivesse tentando arrancar alguma mÃ¡scara invisÃ­vel. Era a vibraÃ§Ã£o da fÃºria que ainda vinha das estÃ¡tuas que o fazia perder a cabeÃ§a e ele se debruÃ§ou sem querer mais... jÃ¡ estava cheio.

Virando, ele atravessou os tÃºneis... seus pÃ©s deixando o chÃ£o quando ele se tornou a escuridÃ£o de que ele gostava tanto. Liberar um pouco da raiva dentro de seu corpo durante o voo enviava ecos de energia em todas as direÃ§Ãµes... fazendo seus subordinados correrem para se esconder. Momentos depois, ele se viu dentro do quarto de seu irmÃ£o olhando para o casal exausto.

Os olhos de Tadamichi tornaram-se negros quando seu olhar acariciou o corpo de seu irmÃ£o, recolhido tÃ£o perfeitamente contra as curvas suaves da menina. Suas peles ainda estavam Ãºmidas devido ao seu acasalamento. Ele sentiu a mesma raiva que os guardiÃµes tinham e quase nÃ£o teve a forÃ§a de vontade para controlÃ¡-la.

Ela era linda... bem como ele se lembrava dela. Ele pensou que sentiria a necessidade de vinganÃ§a enquanto inalava a nova marca de acasalamento que a rodeava... e a Hyakuhei. Seu irmÃ£o nem sequer percebia o que havia feito. Ele atravessara uma linha que nunca deveria ser violada e nÃ£o tinha volta.

Ele faria o que podia por seu irmÃ£o... mas o dano jÃ¡ havia sido feito. Seu irmÃ£o o traÃ­ra... nÃ£o por fazer amor com uma garota... mas por fazer amor com essa garota. Ele estendeu a mÃ£o para tocÃ¡-la, logo retirando os dedos no Ãºltimo instante, com medo de que ele nÃ£o pudesse parar. Ele e seu irmÃ£o morreriam por ela... matando-se um ao outro. NÃ£o havia como Hyakuhei amÃ¡-la mais do que ele e essa seria sua queda, a menos que parassem agora.

O destino os separara hÃ¡ muito tempo e os guardiÃµes tinham selado o pacto, entÃ£o por que os deuses o provocariam de forma a permitir que seu irmÃ£o tivesse a Ãºnica coisa que lhe era proibida? Ou o destino entraria para deixar o coraÃ§Ã£o de seu irmÃ£o sangrando como o fizeram com o seu hÃ¡ muito tempo? Uma tristeza profunda atravessou seus olhos quando soube o que deveria ser feito antes que fosse tarde demais.

Tadamichi tentou estender a mente para tirar as lembranÃ§as desta noite dela. Ele sÃ³ conseguia atingir a superfÃ­cie da mente dela... ele nÃ£o tinha poder sobre ela... nÃ£o agora... nem no passado.

Eles tinham sido amantes uma vez, assim como Hyakuhei e ela eram amantes agora. Ele e seu gÃªmeo eram mais parecidos que Hyakuhei jamais admitiria... atÃ© na alma gÃªmea. Ela estava procurando por ele, encontrando Hyakuhei em vez disso? Talvez nÃ£o se lembrasse, mas sua alma nunca esqueceria. Seus olhos escureceram com o pensamento, mesmo que ele lutasse contra a esperanÃ§a.

O domÃ­nio de um vampiro nunca a teria afetado se ela nÃ£o tivesse enfraquecido a mente com o Ã¡lcool forte que agora cheirava em sua respiraÃ§Ã£o. Se ela nunca tivesse bebido Ã¡gua espiritual antes, entÃ£o seu poder pode ter sido suficiente para que o domÃ­nio nunca a tivesse afetado... ele nÃ£o tinha certeza absoluta.

A parte triste era que, uma vez que ela tivesse seus poderes de volta... seu irmÃ£o tambÃ©m nÃ£o a dominaria.

Usar seus poderes na sacerdotisa era desgastante... fazendo seu corpo tremer com o esforÃ§o. O mÃ¡ximo que ele podia fazer era tentar remover seu rosto da mente dela... o rosto de seu irmÃ£o. Conforme ele tentava ir mais fundo, ele sentia os gritos dos guardiÃµes ali e ele rapidamente se retirou... recusando-se a dar Ã  memÃ³ria deles qualquer poder. Era melhor que eles permanecessem apenas fantasmas dentro da mente dela.

Sabendo que ele sÃ³ conseguira tirar a parte superficial de sua memÃ³ria, Tadamichi caiu de joelhos ao lado dela no chÃ£o. HÃ¡ muito tempo, ele se apaixonara por ela... era agora esse seu castigo? Ele nÃ£o podia prejudicÃ¡-la de forma nenhuma ou o feitiÃ§o dos guardiÃµes seria quebrado e eles viriam se vingar dele. Quase valeria a pena por um momento com ela.

Seu olhar se elevou para seu irmÃ£o, agradecido por Hyakuhei nunca tÃª-la conhecido no passado ou os guardiÃµes que a roubaram dele... era a cruz que ele tinha de carregar.

Dando ao destino a mÃ£o de que ele precisava, Tadamichi sentiu o amanhecer chegar e passou os dedos pela aura da menina para despertÃ¡-la, sabendo que Hyakuhei ainda nÃ£o teria energia para despertar. Ele observou enquanto a luz suave comeÃ§ou a filtrar-se por dentro das grossas cortinas e ele permaneceu dentro de seus feixes por um momento antes de voltar para a escuridÃ£o.

Ele sÃ³ esperava que a sacerdotisa fosse suficientemente inteligente para sair e nunca olhar para trÃ¡s. Se Hyakuhei tivesse encontrado o que desejava... agora seria uma briga entre a pureza e o mal que ela atraÃ­a.

Seu olhar adulou seu irmÃ£o por alguns momentos, sabendo que, desta vez, o mal tinha um coraÃ§Ã£o. Mas se ele nÃ£o pudesse tÃª-la... entÃ£o seu irmÃ£o tambÃ©m nÃ£o poderia.

*****

Kyoko acordou em camadas e colocou uma mÃ£o sobre os olhos. Ela esperava que o sol estivesse brilhando em seu rosto, mas depois de piscar os olhos um pouco, ela percebeu que estava realmente ameno e sombrio na sala. Ela ergueu a cabeÃ§a, quase assobiando em apreciaÃ§Ã£o com seus arredores. Onde quer que ela estivesse... era um lugar requintado.

Ela se virou um pouco para o lado, mas parou quando sentiu o braÃ§o pesado sobre sua cintura. Olhando para trÃ¡s, tudo o que viu nas sombras eram longos cabelos pretos e o contorno de um lindo corpo... ela suspirou alegremente. Finalmente aconteceu. Agora o avÃ´ nÃ£o precisaria enviar Tasuki para salvÃ¡-la de sua virgindade.

Ela se encolheu silenciosamente sabendo que Tasuki nunca a perdoaria por isso se descobrisse, mas nÃ£o era como se ela fosse vÃª-lo de novo... esse cara ou Tasuki. Seu lÃ¡bio inferior se encolheu com o pensamento solitÃ¡rio.

Deslizando cuidadosamente sob o braÃ§o pesado e para fora da cama, Kyoko percebeu que estava tÃ£o nua quanto no dia de seu nascimento. Corando doze tons de vermelho, ela rapidamente agarrou seu sutiÃ£ sem alÃ§as do chÃ£o, colocando-o em tempo recorde.

"Por favor, deixe-o ficar dormindo," ela sussurrou nervosamente enquanto ficava de costas para o homem.

Suas bochechas estavam coradas de vergonha de acordar ao lado de um homem igualmente nu. Ela viu um pouco do corpo dele quando ela jogou de volta as cobertas. Para tornar as coisas ainda piores, ela decidiu nÃ£o usar roupas Ã­ntimas na noite anterior. O homem provavelmente pensou que ela era uma completa vagabunda. Seus movimentos ficaram mais vagarosos quando ela sentiu dor dentro de seu corpo. Sentia que tinha perdido uma briga. Seus braÃ§os e pernas doÃ­am, mas o que fez seus olhos se expandirem foi a estranha sensaÃ§Ã£o Ã¡spera... entre suas coxas.




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