Abatidos Blake Pierce Um Mistério de Riley Paige #9 Uma obra-prima de thriller e mistério! O autor fez um trabalho magnífico no desenvolvimento das personagens com um lado psicológico tão bem trabalhado que temos a sensação de estar dentro das suas mentes, sentindo os seus medos e aplaudindo os seus sucessos. A história é muito inteligente e mantém-nos interessados durante todo o livro. Pleno de reviravoltas, este livro obriga-nos a ficar acordados até à última página. Books and Movie Reviews, Roberto Mattos (re Sem Pistas) ABATIDOS é o livro #9 da série de mistério de Riley Paige que começou com o bestseller SEM PISTAS (Livro #1) – um livro de pode descarregar gratuitamente com mais de 900 opiniões de cinco estrelas! Quando dois soldados são encontrados mortos numa grande base militar da Califórnia, aparentemente mortos por arma de fogo, os investigadores ficam em dificuldades. Quem está a matar os seus soldados dentro das instalações seguras da sua própria base?E porquê?Os FBI é chamado e Riley Paige assume a liderança da equipa. Ao mergulhar na cultura militar, Riley fica surpreendida por perceber que os assassinos em série podem atacar até ali, no meio do lugar mais seguro à face da terra. Riley vê-se envolvida numa perseguição para descodificar a psicologia do assassino. E acaba descobrindo que está a enfrentar um assassino altamente treinado, um que pode ser um adversário demasiado mortífero até para ela. Um thriller psicológico negro com suspense de cortar a respiração, ABATIDOS é o livro #9 de uma nova série alucinante – com uma inesquecível nova personagem – que o obrigará a não largar o livro até o terminar. O Livro #10 da série de Riley Paige estará em breve disponível. abatidos (UM MISTÉRIO DE RILEY PAIGE—LIVRO 9) B L A K E P I E R C E Blake Pierce Blake Pierce é o autor da série de enigmas RILEY PAGE, com doze livros (com outros a caminho). Blake Pierce também é o autor da série de enigmas MACKENZIE WHITE, composta por oito livros (com outros a caminho); da série AVERY BLACK, composta por seis livros (com outros a caminho), da série KERI LOCKE, composta por cinco livros (com outros a caminho); da série de enigmas PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE, composta de dois livros (com outros a caminho); e da série de enigmas KATE WISE, composta por dois livros (com outros a caminho). Como um ávido leitor e fã de longa data do gênero de suspense, Blake adora ouvir seus leitores, por favor, fique à vontade para visitar o site www.blakepierceauthor.com (http://www.blakepierceauthor.com) para saber mais a seu respeito e também fazer contato. Copyright© 2016 Blake Pierce. Todos os direitos reservados. Exceto como permitido sob o Copyright Act dos Estados Unidos de 1976, nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida por qualquer forma ou meios, ou armazenada numa base de dados ou sistema de recuperação sem a autorização prévia do autor. Este ebook está licenciado apenas para seu usufruto pessoal. Este ebook não pode ser revendido ou dado a outras pessoas. Se gostava de partilhar este ebook com outra pessoa, por favor compre uma cópia para cada recipiente. Se está a ler este livro e não o comprou ou não foi comprado apenas para seu uso, por favor devolva-o e compre a sua cópia. Obrigado por respeitar o trabalho árduo deste autor. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, locais, eventos e incidentes ou são o produto da imaginação do autor ou usados ficcionalmente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou falecidas, é uma coincidência. Jacket image Copyright GongTo, usado sob licença de Shutterstock.com. LIVROS ESCRITOS POR BLAKE PIERCE SÉRIE DE ENIGMAS KATE WISE SE ELA SOUBESSE (Livro n 1) SE ELA VISSE (Livro n 2) SÉRIE OS PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE ALVOS A ABATER (Livro #1) ESPERANDO (Livro #2) SÉRIE DE MISTÉRIO DE RILEY PAIGE SEM PISTAS (Livro #1) ACORRENTADAS (Livro #2) ARREBATADAS (Livro #3) ATRAÍDAS (Livro #4) PERSEGUIDA (Livro #5) A CARÍCIA DA MORTE (Livro #6) COBIÇADAS (Livro #7) ESQUECIDAS (Livro #8) ABATIDOS (Livro #9) PERDIDAS (Livro #10) SÉRIE DE ENIGMAS MACKENZIE WHITE ANTES QUE ELE MATE (Livro nº1) ANTES QUE ELE VEJA (Livro nº2) ANTES QUE COBICE (Livro nº3) ANTES QUE ELE LEVE (Livro nº4) ANTES QUE ELE PRECISE (Livro nº5) ANTES QUE ELE SINTA (Livro nº6) ANTES QUE ELE PEQUE (Livro nº7) ANTES QUE ELE CAÇE (Livro nº8) ANTES QUE ELE ATAQUE (Livro nº9) SÉRIE DE ENIGMAS AVERY BLACK MOTIVO PARA MATAR (Livro nº1) MOTIVO PARA CORRER (Livro nº2) MOTIVO PARA SE ESCONDER (Livro nº3) MOTIVO PARA TEMER (Livro nº4) MOTIVO PARA SALVAR (Livro nº5) MOTIVO PARA SE APAVORAR (Livro nº6) SÉRIE DE ENIGMAS KERI LOCKE UM RASTRO DE MORTE (Livro nº1) UM RASTRO DE HOMICÍDIO (Livro nº2) UM RASTRO DE IMORALIDADE (Livro nº3) UM RASTRO DE CRIME (Livro nº4) UM RASTRO DE ESPERANÇA (Livro nº5) ÍNDICE PRÓLOGO (#uacf97840-40aa-5460-bf4e-e55ce4ae5347) CAPÍTULO UM (#u4dfb8db0-307b-54a7-a4af-2055a2fca3c5) CAPÍTULO DOIS (#uc7c8b32e-e587-5007-9519-b48491193a91) CAPÍTULO TRÊS (#uca539501-e9db-51c6-9d73-5a914e9ad42a) CAPÍTULO QUATRO (#uc08803a7-cae6-5648-ba63-1f599e60a4da) CAPÍTULO CINCO (#ub70343f3-f4e4-52c3-857c-84795825cad5) CAPÍTULO SEIS (#u3e766b01-4deb-547e-ad75-208900424742) CAPÍTULO SETE (#ufa7f8a70-7f37-5cd2-9ec1-539a3f4cc835) CAPÍTULO NOVE (#u87d89388-1eef-51d8-a9b6-2c25d79f309b) CAPÍTULO DEZ (#u9a81e5bf-114d-58bc-a6d8-8656288cfd01) CAPÍTULO ONZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DOZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TREZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO CATORZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUINZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZASSETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZASSETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZOITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZANOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E UM (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E DOIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E TRÊS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E QUATRO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E CINCO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E SEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E SETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E OITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E NOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E UM (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E DOIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E TRÊS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E QUATRO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E CINCO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E SEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E SETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E OITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E NOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUARENTA (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUARENTA E UM (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUARENTA E DOIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUARENTA E TRÊS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUARENTA E QUATRO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUARENTA E CINCO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUARENTA E SEIS (#litres_trial_promo) PRÓLOGO O Coronel Dutch Adams olhou para o seu relógio ao passar por Fort Nash Mowat e viu que eram 05:00 em ponto. Era uma manhã vigorosa e sombria de abril no Sul da Califórnia e tudo estava no seu devido lugar. Ouviu uma voz de mulher dizer de forma acentuada… “O comandante da guarnição está presente!” Virou-se a tempo de ver um pelotão de treino atento ao comando da sargento de instrução. O Coronel Adams parou para responder à sua saudação e continuou o seu caminho. Caminhou um pouco mais rapidamente do que antes, esperando não chamar a atenção de outros sargentos de instrução. Não queria interromper mais pelotões de treino ao reunirem-se nas suas áreas de formação. Após tantos anos, ainda não se habituara a ouvir vozes de mulher em situações de comando. Até o próprio avistamento de pelotões mistos por vezes o assustava um pouco. O Exército tinha mudado muito desde os seus tempos enquanto recruta e ele não gostava de muitas dessas mudanças. Ao prosseguir o seu caminho, ou viu as vozes de outros sargentos de instrução, tanto homens como mulheres, apelando à formação dos pelotões. Já não é como antigamente, Pensou. Nunca se esqueceria dos abusos sofridos às mãos do seu próprio sargento de instrução há tantos anos – as invetivas selvagens contra a família e antepassados, os insultos e as obscenidades. Sorriu um pouco. Aquele filho da mãe do Sargento Driscoll! Driscoll morrera há muitos anos, relembrou o Coronel Adams – não em combate como teria preferido, mas de um ataque cardíaco como consequência da hipertensão. Naquele tempo, a tensão arterial alta era um risco profissional dos sargentos de instrução. O Coronel Adams nunca se esqueceria de Driscoll e no que lhe dizia respeito, era assim que devia ser. Um sargento de instrução devia deixar uma marca inapagável na mente de um soldado para o resto da sua vida. O Sargento Driscoll tivera em definitivo esse tipo de impacto duradouro no Coronel Adams. Será que os formadores sob o seu comando ali em Fort Nash Mowat deixariam esse tipo de impressão nos seus recrutas? O Coronel Adams duvidava. Demasiado politicamente correctos, Pensou. A maciez até já fazia parte do manual de treino do Exército… “O stress criado por abuso físico ou verbal não é produtivo e é proibido.” Zombou ao pensar naquelas palavras. “Mas que grande porcaria,” Murmurou. Mas o Exército direcionava-se nesse sentido desde a década de 90. Ele sabia que já devia estar habituado, mas a verdade é que nunca estaria. De qualquer das formas, não teria de lidar com aquilo por muito mais tempo. Estava a um ano da reforma e a sua ambição final era tornar-se Brigadeiro-General antes dessa altura. De repente, Adams foi distraído dos seus pensamentos por um avistamento surpreendente. Os recrutas do Pelotão #6 estavam à deriva na sua área de formação, alguns a fazer ginástica, outros apenas a conversarem de forma descontraída entre si. O Coronel Adams deteve-se e gritou. “Soldados! Onde raios está o vosso sargento?” Atrapalhados, os recrutas colocaram-se em sentido e saudaram o Coronel. “À vontade,” Disse Adams. “Alguém vai responder à minha pergunta?” Uma recruta falou. “Não sabemos onde se encontra o Sargento Worthing, senhor.” Adams mal conseguia acreditar no que ouvia. “O que quer dizer com não sabem?” Perguntou. “Ele não apareceu na formação, senhor.” Adams mostrou-se exasperado. Não parecia coisa atribuível ao Sargento Clifford Worthing. Na verdade, Worthing era um dos sargentos de instrução mais úteis a Adams. Era um apologista da velha escola. Várias vezes ia ao gabinete de Adams queixar-se de como certas regras o frustravam. Ainda assim, Adams sabia que Worthing contornava as regras o máximo que podia. Às vezes os recrutas queixavam-se do seu rigor e abusos verbais mas essas queixas agradavam a Adams. Mas onde estava Worthing? Adams passou pelos recrutas dirigindo-se à caserna onde passou pelas filas de camas até chegar ao gabinete de Worthing. Bateu à porta asperamente. “Worthing, está aí?” Ninguém respondeu. “Worthing, sou o seu Comandante e se está aí, espero bem que me responda.” Mais uma vez não sobreveio qualquer resposta. Adams virou a maçaneta e abriu a porta. O gabinete está imaculadamente organizado – e ninguém se encontrava no seu interior. Onde se meteu ele? Perguntou-se Adams. Será que Worthing tinha aparecido na base naquela manhã? Então Adams reparou no sinal de PROIBIDO FUMAR na parede do gabinete. Lembrou-se que o Sargento Worthing era fumador. Será que o instrutor tinha feito uma pausa para fumar? “Não, não pode ser,” Pensou Adams em voz alta. Não fazia sentido. Ainda assim, Adams saiu do gabinete e dirigiu-se para a porta traseira da caserna. Abriu a porta e fixou a luz ténue da manhã. Não teve que olhar durante muito tempo ou com muita atenção. O Sargento Worthing estava agachado de costas contra a parede da caserna com um cigarro apagado a pender-lhe da boca. “Worthing, mas que raio…?” Disse Adams. Depois recuou perante o que viu. Ao nível dos olhos de Adams estava uma grande mancha húmida e negra na parede. Daquela mancha, um rasto contínuo desembocava no local onde Worthing estava agachado. Depois Adams viu o buraco negro no meio da testa de Worthing. Era uma ferida de bala. A ferida de entrada era pequena, mas a ferida de saída tinha-lhe arrancado grande parte do crânio. O homem tinha sido morto enquanto fumava um cigarro. O tiro fora tãio limpo que o sargento de instrução morrera instantaneamente. Até o cigarro permanecera intocado na sua boca. “Jesus Cristo,” Murmurou Adams. “Não outra vez.” Olhou à sua volta. Um grande campo vazio estendia-se atrás da caserna. O tiro tinha sido disparado a grande distância. Tal significava que tinha sido disparado por um atirador habilidoso. Adams abanou a cabeça, descrente. A sua vida, sabia-o bem, ia complicar-se. CAPÍTULO UM Riley Paige estava a olhar por uma das janelas da sua casa. Estava um lindo dia de primavera, um dia ideal com pássaros a cantar e flores a florir. O ar exalava um odor fresco. Mas mesmo assim, a escuridão espreitava. Riley tinha a estranha sensação de que toda aquela beleza era de alguma forma terrivelmente frágil. Por isso mantinha as mãos quietas como se estivesse numa loja repleta de porcelanas delicadas e bastasse um simples movimento para partir algo encantador e caro. Ou talvez fosse porque aquela tarde perfeita lhe parecesse uma ilusão que desapareceria mal lhe tocasse apenas para revelar… O quê? Interrogou-se Riley. A escuridão de um mundo cheio de dor e terror e mal? Ou a escuridão que se insinuava dentro da sua própria mente – a escuridão de demasiados pensamentos e segredos feios? Uma voz de menina interrompeu as divagações de Riley. “Em que é que estás a pensar, m~es?” Riley virou-se. Percebeu que se esquecera momentaneamente das outras pessoas que se encontravam com ela na sala. A rapariga que falara fora Jilly, a menina magra de treze anos que Riley estava a tentar adotar. “Em nada,” Respondeu Riley. Blaine Hildreth, o seu antigo vizinho, sorriu-lhe. “Pareces estar longe daqui,” Disse ele. Blaine acabara de chegar a casa de Riley com a sua filha Crystal. Riley disse, “Acho que estava apenas a pensar onde está a April.” Era algo que a preocupava realmente. A filha de quinze anos de Riley ainda não tinha chegado da escola. A April não sabia que tinham combinado ir jantar ao restaurante de Blaine? Crystal e Jilly riram uma para a outra maliciosamente. “Oh, ela está quase a chegar,” Disse Jilly. “Aposto que a qualquer momento,” Acrescentou Crystal. Riley perguntou-se o que é que as miúdas sabiam que ela desconhecia. Ela esperava que April não estivesse metida em nenhum problema. April passara por uma fase rebelde e tinha suportado traumas graves há alguns meses atrás. Mas parecia estar tão melhor agora. Então Riley olhou para os outros e apercebeu-se de uma coisa. “Blaine, Crystal – não vos perguntei se queriam beber alguma coisa. Tenho ginger ale. E bourbon se preferires Blaine.” “Um ginger ale, obrigado,” Disse Blaine. “Para mim também, se faz favor,” Disse Crystal. Jilly levantou-se da cadeira. “Oh, não, não precisas,” Disse Riley. “Eu vou buscar.” Riley dirigiu-se à cozinha, bastante agradada por ter algo do género para fazer. Servir bebidas seria habitalmente o trabalho de Gabriela, a empregada de Riley. Mas Gabriela estava de folga e a visitar amigos. Gabriela mimava Riley e era bom, para variar, ir arranjar bebidas. Também mantinha a mente de Riley focada no agradável presente. Serviu ginger ale a Crystal e Blaine, e também para ela e Jilly. Ao levar o tabuleiro com as bebidas de vlta à sala de estar, Riley ouviu a porta da frente abrir-se. Depois ouviu a voz de April a falar com alguém que trouxera com ela. Riley estava a distribuir as bebidas quando April entrou, seguida de um rapaz da sua idade. Parecia surpreendida em ver Blaine e Crystal. “Oh!” Disse April. “Não estava à espera…” Depois April corou de vergonha. “Oh meu Deus, esqueci-me completamente! Íamos sair esta noite! Peço tanta desculpa!” Jilly e Crystal estavam a rir-se. Agora Riley compreendia a razão por que estavam tão divertidas. Já sabiam que April tinha um novo namorado e que possivelmente se teria esquecido do jantar porque estava com ele. Lembro-me como isso era, Pensou Riley, recordando saudosamente as suas próprias paixões de adolescente. Agradada por April o ter trazido para o apresentar, Riley olhou para ele rapidamente. E de imediato gostou do que viu. Tal como April, era alto, desengonçado e de aspeto estranho. Era ruivo, tinha sardas, olhos azuis brilhantes e um sorrido amigável e pateta. April disse, “Mãe, este é o Liam Schweppe. Liam, esta é a minha mãe.” Liam estendeu a mão a Riley. “Muito prazer em conhecê-la senhora Paige,” Disse ele. A sua voz era típica de um rapaz adolescente, o que fez com que Riley sorrisse. “Podes tratar-me por Riley,” Disse ela. “April disse, “Mãe, o Liam é…” April parou, aparentemente não preparada para dizer “o meu novo namorado.” Em vez disso, disse, “Ele é capitão da equipa de xadrez da escola.” Riley estava cada mais divertida. “Então estás a ensinar a April a jogar xadrez, presumo,” Disse ela. “Estou a tentar,” Disse Liam. Riley não conseguiu evitar rir-se. Ela era uma boa jogadora de xadrez e há anos que tentava que April se interessasse pelo jogo, mas April sempre se mostrara desinteressada e considerava o xadrez coisa de tótós – uma “coisa de mãe” que nunca a poderia interessar. A sua atitude parecia ter mudado agora que um rapaz giro estava envolvido. Riley convidou Liam a sentar-se. Disse-lhe, “Oferecia-te alguma coisa para beber mas estamos prestes a sair para jantar.” “O jantar de que a April se esqueceu,” Disse Liam de sorriso aberto. “É isso mesmo,” Disse Riley. “Porque é que não vens connosco?” April corou ainda mais. “Oh, mãe….” Começou. “Oh, mãe, o quê?” Perguntou Riley. “Tenho a certeza de que o Liam terá outros planos,” Disse April. Riley riu. Ela estava novamente a entrar em território de “mãe tótó” outra vez. Parecia que April estava preparada para lhe apresentar Liam, mas um jantar de família já era levar as coisas longe demais. “O que te parece, Liam?” Perguntou Riley. “Parece-me ótimo, obrigado,” Disse Liam. “Onde é que vamos?” “Ao Blaine’s Grill,” Disse Riley. Os olhos de Liam reluziram de entusiasmo. “Oh, uau! Já ouvi falar muito bem desse lugar!” Agora chegara a vez de Blaine Hildreth sorrir. “Obrigado,” Disse a Liam. “Eu sou o Blaine. O dono do restaurante.” Liam riu-se. “Que fixe!” Disse ele. “Venham daí, vamos embora,” Disse Riley. * Um pouco mais tarde, Riley já desfrutava de um delicioso jantar com April, Jilly, Blaine, Crysral e Liam. Estavam todos no pátio do Blaine’s Grill a aproveitar o magnífico tempo e a fantástica comida. Riley estava a falar sobre xadrez com Liam, discutindo táticas de planeamento. Estava impressionada com os conhecimentos que ele tinha do jogo. Interrogou-se como se sairia num jogo contra ele. E apercebeu-se de que provavelmente perderia. Ela era uma boa jogadora, mas ele já era o capitão da equipa de xadrez da escola e ainda era segundanista. Para além disso, tinha tido poucas oportunidades de jogar ultimamente. Ele deve ser muito bom, Pensou Riley. Este pensamento agradou-lhe. Riley sabia que April era mais inteligente do que se apercebia e era bom ter um namorado que a desafiasse. Enquanto ela e Liam conversavam, Riley começou a interrogar-se até onde as coisas entre ele e April chegariam. Faltavam apenas dois meses para o fim do ano letivo. Será que se separariam e perderiam o interesse um no outro? Riley esperava que não. “O que é que vais fazer este verão, Liam?” Perguntou Riley. “Vou para o campo de xadrez,” Disse Liam. “Na verdade, vou ser treinador júnior. Tenho tentado convencer a April a vir também.” Riley olhou para April. “Porque é que não vais April?” Perguntou. April corou novamente. “Não sei,” Disse ela. “Estava mais a pensar em ir para o campo de futebol. É capaz de ser mais a minha linha. Provavelmente o campo de xadrez é demasiado para mim.” “Oh, não, não será!” Disse Liam. “Haverá jogadores de todos os níveis – incluindo alguns que só agora estão a aprender o jogo como tu. E é aqui mesmo em Fredericksburg por isso, nem tinhas que sair de casa.” “Vou pensar nisso,” Disse April. “Neste momento só me quero concentrar nas minhas notas.” Riley ficou feliz por Liam não estar a distrair April da escola. Ainda assim, Riley gostava que ela fosse para o campo de xadrez. Mas sabia que não devia insistir porque isso a converteria numa “mãe tótó”. O melhor era deixar Liam convencê-la. De qualquer das formas, Riley estava contente por ver April tão feliz. Às vezes April parecia tão adulta com o seu cabelo negro e olhos de avelã como Riley. Riley lembrava-se que escolhera o nome de April por causa do seu mês preferido. E era o seu mês favorito por dias como aquele. Blaine olhou para Riley. Ele disse, “Então, conta-nos sobre o prémio que vais receber amanhã, Riley.” Agora era Riley que corava um pouco. “Não é nada de especial,” Disse ela. Jilly protestou. “Mas é especial!” Disse Jilly. “Chama-se Prémio de Perseverança e ela vai recebê-lo por causa daquele caso antigo que resolveu. O chefe do FBI vai-lhe entregar.” Os olhos de Blaine dilataram-se. “Queres dizer o próprio Diretor Milner?” Perguntou. Agora Riley estava a sentir-se estranha. Riu-se nervosamente. “Não é tão impressionante como parece,” Disse ela. “A viagem até Quantico não é muito longa. Ele trabalha em DC, sabem.” Blaine ficou impressionado. Jilly disse, “Blaine, eu e a April vamos vê-la a recebê-lo. Tu e a Crystal também deviam vir.” Blaine e Crystal disseram que gostariam muito de ir. “Ok então,” Disse Riley, ainda a sentir-se envergonhada. “Espero que não se aborreçam. De qualquer das formas, não é o acontecimento principal de amanhã. A Jilly é a estrela ba peça da escola amanhã à noite. Isso é muito mais impressionante.” Agora era Jilly que enrubescia. “Eu não sou a estrela, mãe,” Disse. Riley riu-se da súbita timidez de Jilly. “Bem, vais representar um dos papéis principais. És Perséfone numa peça chamada Demeter e Perséfone. Porque é que não nos contas a história?” Jilly começou a contar a história do mito Grego – primeiro timidamente, depois mais entusiástica à medida que avançava. Riley sentiu-se embevecida. Uma das suas meninas estava a aprender a jogar xadrez; e a outra estava entusiasmada com mitologia Grega. As coisas parecem estar a melhorar, Pensou. Os seus esforços ao nível do casamento e da família eram atribulados. Recentemente errara ao tentar reintroduzir o seu ex-marido na sua vida e na vida das miúdas. Ryan provara, para variar, ser incapaz de se comprometer. Mas agora? Riley olhou para Blaine e percebeu que ele já estava a olhar para ela. Ele sorria e ela devolveu-lhe o sorriso. Havia definitivamente uma faísca entre eles. Até tinham dançado e beijado num encontro no mês anterior – o seu único encontro a dois até à data. Mas Riley encolhia-se por dentro ao lembrar-se na forma estranha como o encontro tinha terminado – com ela a correr para trabalhar num caso. Blaine parecia ter-lhe perdoado. Mas qual o destino do que se passava entre eles? Mais uma vez, Riley foi assolada por uma escuridão que espreitava dentro de si. Mais cedo ou mais tarde, esta feliz ilusão de família e amizade poderia dar lugar à realidade do mal – a crime e crueldade e monstros humanos. E ela tinha um pressentimento que tal não demoraria muito a suceder. CAPÍTULO DOIS Sentada na fila da frente do auditório em Quantico, Riley sentia-se muito pouco à vontade. Enfrentara inúmeros assassinos cruéis sem nunca perder a sua compostura, mas naquele momento, sentia-se à beira do pânico absoluto. O Diretor do FBI Gavin Milner encontrava-se num palanque perante o grande auditório. Ele falava da longa carreira de Riley – sobretudo do caso pelo qual era homenageada, o caso antigo do denominado “Assassino da Caixa de Fósforos”. Riley estava impressionada pela distinta voz de barítono do diretor. Falara poucas vezes com o Diretor Milner, mas gostava dele. Era um homem pequeno e bem vestido com um bigode impecável. Riley imaginava-o mais como o reitor de uma escola de belas-artes do que como o responsável pela principal organização policial de elite do país. Riley não estava a ouvir as palavras que ele proferia muito bem. Estava demasiado nervosa e inibida. Mas agora que parecia aproximar-se do fim do discurso, Riley ouviu-o com mais atenção. Milner disse, “Todos conhecemos a coragem, inteligência e elegância sobre pressão da Agente Especial Riley Paige. Foi homenageada por todas essas qualidades no passado, mas hoje estamos aqui para a homenagear por algo diferente – a sua tenacidade indómita, a sua determinação em não deixar a justiça em mãos alheias. Graças aos seus esforços, um assassino que matou três vítimas há vinte e cinco anos foi finalmente apanhado. Todos lhe devemos estar gratos pelo seu serviço – e pelo seu exemplo.” Ele sorriu, olhando diretamente para Riley. Pegou na caixa com o prémio. É a minha deixa, Pensou Riley. As suas pernas estavam trémulas quando se levantou e se começou a encaminhar para o palco. Postou-se ao lado do palanque e Milner pendurou-lhe a Medalha de Perseverança ao pescoço. Era incrivelmente pesada. Estranho, Pensou Riley. As outras não eram assim. Ela já recebera três outros prémios ao longo dos anos – o Escudo de Bravura e Medalhas de Valor e Realização Meritória. Mas esta parecia mais pesada – e diferente. Quase parecia errado. Riley não sabia porquê. O Diretor do FBI Gavin Milner deu uma palmada no ombro de Riley e deu uma risada. Disse a Riley num quase sussurro… “Algo para acrescentar à sua coleção, eh?” Riley riu-se nervosamente e apertou a mão ao diretor. As pessoas que se encontravam no auditório aplaudiram. Rindo e sussurrando novamente, o Diretor Milner disse, “Chegou o momento de enfrentar o seu público.” Riley virou-se e sentiu-se avassalada pelo que viu. Estavam mais pessoas no auditório do que pensara. E cada rosto era familiar – um amigo, um membro da família, um colega ou alguém que ajudara ou salvara em trabalho. Estavam todos a aplaudir de pé, sorrindo. Riley ficou comovida. Todos acreditam tanto em mim. Sentiu-se grata e humilde – mas também sentiu um espasmo de culpa. O que pensariam estas pessoas de si se tivessem conhecimento dos seus segredos mais sombrios? Eles nada sabiam da sua atual relação com um assassino selvagem mas brilhante que fugira de Sing Sing. Certamente que não suspeitavam que ele a ajudara a resolver vários casos. E nem desconfiavam como a vida de Riley estava tão interligada à de Shane Hatcher. Riley quase estremeceu perante este pensamento. Não admirava que aquela medalha lhe parecesse mais pesada que as outras. Não, eu não mereço isto, Pensou Riley. Mas o que é que ia fazer – virar costas e devolvê-la ao Diretor Milner? Em vez disso, conseguiu sorrir e articular algumas palavras de agradecimento. Depois retirou-se do palco. * Alguns momentos mais tarde, Riley já se encontrava numa grande sala com bebidas repleta de pessoas. Parecia que a maioria das pessoas que se encontravam no auditório, também ali estavam. Ela era o centro de um rodopio de atividadejá que toda a gente, à vez, a queria cumprimentar. Riley estava grata pela presença estabilizadora do Diretor Milner mesmo a seu lado. Na primeira vaga de cumprimentos vinham os colegas – agentes de campo, especialistas, administradores e pessoal do escritório. A maioria estava visivelmente feliz por ela. Por exemplo, Sam Flores, o responsável pela equipa de análise técnica de Quantico, lançou-lhe um sorriso sincero e ergueu os polegares na sua direção. Mas Riley também tinha a sua conta de inimigos e também eles ali estavam. A mais nova era Emily Creighton, uma agente inexperiente que gostava de se considerar a rival de Riley. Riley chamara-lhe a atenção para um erro de novata há alguns meses atrás e Creighton ficara ressentida desde então. Quando chegou a vez de Creighton dar os parabéns a Riley, a agente mais nova forçou um sorriso de dentes cerrados, apertou-lhe a mão, murmurou “Parabéns” e afastou-se. Aproximaram-se mais alguns colegas antes de chegar a vez do Agentes Especial Responsável Carl Walder. Infantil tanto no aspeto como no comportamento, Walder era para Riley o burocrata por excelência. Estavam sempre de candeias às avessas. Na verdade, ele já a suspendera e até já a despedira algumas vezes. Mas naquele momento, Riley estava divertida com a sua expressão de boa vontade servil em relação a ela. Com o Diretor Milner mesmo ao lado de Riley, Walder não se atrevia a mostrar nada que não fosse respeito fingido. A sua mão estava fria e húmida ao apertar a dela, e Riley reparou em gotas de suor na sua testa. “Uma homenagem bem merecida, Agente Paige,” Disse ele com uma voz trémula. “Sentimo-nos honrados por tê-la connosco.” Depois Walder apertou a mão ao Diretor do FBI. “Que honra juntar-se a nós, Diretor Milner,” Disse Walder. “O prazer é todo meu,” Disse o Diretor. Riley observou o rosto do Diretor. Teria ela notado num ligeiro sorriso afetado ao dirigir-se a Walder? Não tinha a certeza. Mas Riley sabia que Walder não era benquisto no Bureau, nem pelos seus subordinados, nem pelos seus superiores. Depois do último dos seus colegas de Quantico a cumprimentar, a nova vaga de cumprimentos despoletaria emoções poderosas em Riley. Eram pessoas que conhecera quando trabalhava – familiares de vítimas ou pessoas que evitara se tornassem vítimas. Riley não esperava vê-las ali, sobretudo não esperava ver tantas. O primeiro era um homem idoso e frágil que Riley salvara de uma envenenadora louca em janeiro. Pegou na mão de Riley com as suas e em lágrimas disse, “Obrigado, obrigado, obrigado,” Vezes sem conta. Riley não conseguiu evitar chorar. Depois vieram Lester e Eunice Pennington e a sua filha adolescente, Tiffany. Em fevereiro, a irmã mais velha de Tiffany, Lois, fora assassinada por um louco. Riley não via os Pennington desde que resolvera o caso e mal conseguia acreditar que estavam ali. Recordava-os como estando perturbados, mas agora sorriam por entre as lágrimas, felizes por Riley e gratos por, através dela, se ter feito justiça. Ao trocar emocionados apertos de mão com eles, interrogou-se qual seria a sua capacidade de resistência antes de desatar a fugir da sala em lágrimas. Por fim veio Paula Steen, a mãe idosa de uma rapariga assassinada há vinte e cinco anos no caso pelo qual Riley estava a ser homenageada naquele dia. E naquele momento, Riley sentiu-se verdadeiramente esmagada. Ela e Paula tinham estado em contacto durante muitos anos, falando ao telefone a cada aniversário da morte da filha. A presença de Paula ali apanhou Riley completamente desprevenida. Apertou as mãos de Paula tentando não se ir abaixo de forma incontrolável. “Paula, obrigada por vir,” Conseguiu articular por entre as lágrimas. “Espero que possamos continuar em contacto.” O sorriso de Paula era radiante e não chorava. “Oh, eu continuo a ligar uma vez por ano, eu prometo,” Disse Paula. “Pelo menos enquanto estiver neste mundo. Agora que apanhou o assassino da Tilda, sinto-me preparada para seguir em frente – juntar-me a ela e ao meu marido. Estão à minha espera há muito tempo. Muito obrigada.” Riley sentiu uma dor súbita dentro de si. Paula estava a agradecer-lhe pela paz que agora sentia – agradecia-lhe por lhe permitir morrer por fim. Era demasiado para Riley processar. Não conseguia falar. Em vez disso, beijou Paula na bochecha desajeitadamente e a mulher mais velha afastou-se. Agora as pessoas começavam a dispersar e a sala estava menos povoada. Mas quem mais lhe interessava ainda lá estava. Blaine, Crystal, Jilly, April e Gabriela estavam próximos sempre a observá-la. Riley sentiu-se especialmente bem com o olhar de orgulho que Gabriela mostrava. Também viu que as miúdas sorriam, enquanto a expressão de Blaine era de admiração assombrada. Riley esperava que toda aquela cerimónia não o tivesse intimidado ou assustado. Agora vinham na sua direção três pessoas cujos rostos ficou especialmente feliz por ver. Um era o seu parceiro de longa data, Bill Jeffreys. Ao lado dele estava Lucy Vargas, uma jovem agente promissora que via em Riley uma mentora. E ao lado dela estava Jake Crivaro. Riley ficou surpreendida por ver Jake. Ele fora seu parceiro há muitos anos e já se aposentara. Ajudara-a no caso do assassino da caixa de fósforos, um caso que o assombrara durante anos. “Jake!” Disse Riley. “O que é que estás aqui a fazer?” O homem baixo soltou um riso áspero. “Ei, que raio de boas-vindas são essas?” Riley riu-se e abraçou-o. “Sabes a que me referia.” Disse ela. Depois de tudo terminado, Jake fora para o seu apartamento na Flórida. Mas Riley estava feliz por ele estar de volta, mesmo que muito mais cedo do que ela esperara. “Não perderia isto por nada no mundo,” Disse Jake. Riley sentiu invadir-se novamente por uma onda de culpa ao abraçar Bill. “Bill, Jake – isto não é justo.” “O que é que não é justo?” Perguntou Bill. “Eu receber este prémio. Vocês os dois trabalharam tanto quanto eu.” Chegara a vez de Lucy abraçar Riley. “É claro que é justo,” Disse Lucy. “O Diretor Milner mencionou-os. Também lhes deu mérito.” Bill anuiu e disse, “E nos nunca teríamos feito nada se não fosse a tua teimosia em reabrir o caso.” Riley sorriu. É claro que era verdade. Ela reabrira o caso quando mais ninguém pensaria que fosse possível resolvê-lo. De repente, Riley sentiu uma nova onda de confusãosobre o que tinha acontecido. Olhou à sua volta e disse a Bill, Jake e Lucy, “Todas estas pessoas – como é que elas sabiam disto?” Lucy disse, “Bem, passou nas notícias, é claro.” Isso era verdade mas não explicava tudo. O seu prémio tinha sido anunciado em notícias curtas em quem ninguém repararia a não ser que já soubessem. Então Riley reparou num sorriso dissimulado no rosto de Bill. Ele entrou em contacto com as pessoas! Apercebeu-se Riley. Pode não ter contactado todas as pessoas que faziam parte do seu passado, mas colocara a engrenagem a funcionar. Riley ficou alarmada pelas emoções contraditórias que sentia. É claro que estava grata a Bill por garantir que aquele dia era um dia extraordinário. Mas para sua surpresa, também estava zangada. Sem se aperceber, Bill montara uma emboscada emocional a Riley. Pior do que tudo, fizera-a chorar. Mas Riley lembrou-se de que ele o fizera por amizade e respeito. Ela disse-lhe, “Eu e tu vamos conversar sobre isto mais tarde.” Bill sorriu e assentiu. “É claro que vamos,” Disse ele. Riley virou-se então para a sua família e amigos, mas foi impedida pelo seu chefe, o Chefe de Equipa Brent Meredith. Ele disse, “Paige, Jeffreys, Vargas – preciso que venham ao meu gabinete agora mesmo.” Sem dizer mais uma palavra, Meredith saiu da sala. Riley esmoreceu ao dirigir-se a Blaine, Gabriela e às miúdas para lhes dizer que teriam que esperar mais um pouco por ela. Ela lembrou-se daquela sensação insinuante de escuridão que sentira ao jantar no dia anterior. Está aqui, Pensou. Um novo mal estava prestes a entrar na sua vida. CAPÍTULO TRÊS Enquanto Riley seguia Bill e Lucy pelo corredor em direção ao gabinete do Cefe Meredith, ela tentava perceber porque é que se sentia tão inquieta.Não compreendia o que a incomodava tanto. Percebeu que se tratava em parte de uma sensação à qual estava há muito habituada – aquela apreensão familiar que tinha sempre que ia receber novas ordens. Mas algo mais estava misturado com esse sentimento. Nâo era medo ou um presságio. Já tivera demasiados trabalhos ao longo da sua carreira para se preocupar com o futuro. Era algo que ela mal reconhecia. É alívio? Interrogou-se Riley. Sim, talvez fosse isso. A cerimónia e a receção haviam sido tão bizarras e surreais, trazendo à tona pensamentos contraditórios e ondas de emoções. Ir a caminho do gabinete de Meredith era familiar, confortável… e parecia uma espécie de fuga. Mas suma fuga de quê? Sem dúvida para um bem conhecido mundo de crueldade e mal. Riley sentiu um arrepio percorrê-la. O que dizia sobre ela o facto de se sentir mais confortável com a crueldade e o mal do que com a celebração e o louvor? Ela não queria debater-se com essa questão e tentou libertar-se do sentimento de ansiedade que dela se apoderava enquanto caminhava. Mas não conseguia parar de o fazer. Parecia que se sentia cada vez menos confortável na sua própria pele ultimamente. Quando Riley, Bill e Lucy chegaram ao amplo gabinete de Meredith, o chefe estava sentado atrás da secretária. Alguém já lá se encontrava – uma jovem mulher Afro-Americana com cabelo curto e olhos grandes e intensos. Ela levantou-se ao ver Riley e os seus companheiros. Meredith disse, “Agentes Paige, Jeffreys e Vargas, gostaría de vos apresentar a Agente Especial Jennifer Roston.” Riley olhou para a mulher com quem falara logo após ter resolvido o caso do assassino da caixa de fósforos. Jennifer Roston não era alta, mas parecia atlética e absolutamente competente. A expressão do seu rosto era de uma mulher segura das próprias capacidades. Roston apertou a mão a todos eles. “Tenho ouvido coisas boas a seu respeito,” Disse-lhe Lucy. “Apagou alguns registos na Academia,” Disse Bill. Riley também tinha ouvido falar muito bem da Agente Roston. Ela já tinha uma reputação fantástica e recebera algumas excelentes recomendações. “Estou muito honrada por vos conhecer a todos,” Disse Roston com um sorriso sincero. Depois, olhando diretamente para Riley acrescentou, “Especialmente a si, Agente Paige. É ótimo conhecê-la pessoalmente.” Riley sentiu-se lisonjeada. Também sentiu uma ligeira e incomodativa preocupação. Enquanto se sentavam, Riley questionou-se do motivo da presença de Roston ali. Iria Meredith colocá-la num caso com Riley e os outros dois colegas? O pensamento incomodou Riley. Ela, Bill e Lucy tinham construído um excelente relacionamento, uma perfeita releção de trabalho. Iria uma nova adição à sua pequena equipa perturbar isso, pelo menos temporariamente? Meredith respondeu às suas dúvidas. “Queria que conhecessem a Agente Roston porque ela está a trabalhar no caso Shane Hatcher. O filho da mãe já está a monte há demasiado tempo. A sede decidiu torná-lo numa prioridade. Chegou o momento de o apanhar e precisamos de uma nova visão a ocupar-se desse caso em específico.” Riley contorceu-se um pouco por dentro. Ela já sabia que Roston estava a trabalhar no caso Hatcher. Na verdade, era o que tinham discutido ao telefone. Roston tinha solicitado acesso aos ficheiros do computador de Quantico sobre Shane Hatcher e Riley havia-lhe concedido acesso. Mas o que é que se estava a passar agora? Com certeza que Meredith não os tinha reunido a todos para trabalharem no caso Hatcher. Ela não sabia ao certo o que Meredith sabia sobre as suas relações a Hatcher. Ela seria presa se o seu chefe soubesse que deixara um assassino fugir porque ele a tinha ajudado. Ela sabia que Hatcher estaria provavelmente escondido na montanhas na cabana que Riley herdara do pai – permanecendo lá com o pleno conhecimento e aprovação de Riley. Como é que ela podia sequer fingir que estava a tentar apanhá-lo? Bill perguntou a Roston, “Como é que está a correr até agora?” Roston sorriu. “Oh, estou ainda a começar – neste momento só estou a fazer pesquisa.” Depois, olhando novamente para Riley, Roston disse, “Agradeço-lhe o acesso que me deu a todos aqueles ficheiros.” “Ainda bem que ajudei,” Disse Riley. Roston olhou para Riley com a expressão a tornar-se vagamente curiosa. “Oh, foi de grande ajuda,” Disse ela. “Juntou muita informação. Ainda assim – pensei que pudesse haver mais sobre a situação financeira de Hatcher.” Riley suprimiu um estremecimento ao lembrar-se do que fizera depois de desligar aquela chamada. Antes de dar acesso a Roston aos ficheiros de Hatcher, apagara um com o nome de “PENSAMENTOS” – um ficheiro que não só continha os pensamentos pessoais e observações a respeito de Hatcher, como também informação financeira que poderia ajudar na sua captura. Ou pelo menos tornar possível cortar-lhe os recursos. Que coisa louca fui fazer, Pensou Riley. Mas estava feito e não podia ser desfeito mesmo que ela o quisesse. Riley agora sentia-se desconfortável sob o olhar inquisitivo de Roston. “Ele é uma personagem esquiva,” Disse Riley a Roston. “Sim, parece que sim,” Disse Roston. Os olhos de Roston fixaram-se nos de Riley. O desconforto de Riley aumentou. Ela já saberá alguma coisa? Questionou-se Riley. Então Meredith disse, “É tudo por agora Agente Roston. Tenho outro assunto para discutir com os Agentes Paige, Jeffreys e Vargas.” Roston levantou-se e retirou-se educadamente. Mal Roston saiu, Meredith disse, “Parece que temos um novo caso de assassino em sério no Sul da Califórnia. Alguém assassinou três sargentos de instrução em Fort Nash Mowat. Foram mortos com tiros de longa distância por um atirador habilidoso. A vítima mais recente foi morta esta manhã.” Riley ficou intrigada, mas também um pouco surpreendida. “Este caso não será mais da competência do Comando de Investigação Criminal do Exército?” Perguntou, referindo o outro nome da Divisão de Investigação Criminal do Exército. Ela sabia que o ICE tipicamente investigava delitos graves cometidos no âmbito do Exército dos EUA. Meredith anuiu. “O ICE já está a trabalhar no caso,” Disse ele. “Há um gabinete do ICE em Fort Mowat por isso já estão em cima do assunto. Mas como sabe, o General Boyle, está à frente do ICE. Ele ligou-me há pouco para pedir que o FBI entre em ação. Parece ser um caso especialmente desagradável, com todo o tipo de repercussões negativas. Vai haver muita pressão política. Quanto mais depresssa for resolvido, melhor para todos.” Rileypensou se seria boa ideia. Nunca soubera que o FBI e o ICE tivessem trabalhado juntos num caso. Preocupava-a que acabassem por pisar os calcanhares uns aos outros, fazendo mais mal que bem. Mas não levantou qualquer objeção. Não dependia dela. “Então quando é que partimos?” Perguntou Bill. “O mais rapidamente possível,” Disse Meredith. “Têm as vossas malas prontas aqui?” “Não,” Disse Riley. “Não estava à espera de algo assim já.” “Então faça as malas logo que possível.” Riley sentiu-se subitamente alarmada. A peça da Jilly é esta noite! Pensou. Se Riley partisse agora, não a veria. “Chefe Meredith…” Principiou. “Sim, Agente Paige?” Riley parou. No final de contas, o FBI acabara de lhe conceder um prémio e um aumento. Como é que poderia safar-se desta situação? Ordens são ordens, Disse a si própria firmemente. Não havia nada que pudesse fazer. “Nada,” Disse ela. “Então ok,” Disse Meredith, levantando-se. “Vão andando. E resolvam isto rapidamente. Temos outros casos à espera.” CAPÍTULO QUATRO O Coronel Dutch Adams estava de pé a olhar pela janela do seu gabinete. Tinha uma boa vista de Fort Nash Mowat dali. Até conseguia ver o campo onde o Sargento Worthing tinha sido morto naquela mesma manhã. “Raios partam isto,” Murmurou para si próprio. Há menos de duas semanas, o Sargento Rolsky tinha sido morto exatamente da mesma forma. Há uma semana fora o Sargento Fraser. E agora o Worthing. Três bons sargentos de instrução. Que desperdício, Pensou. E até àquele momento, os agentes do Comando de Investigação Criminal ainda não tinham conseguido resolver o caso. Adams ali ficou a interrogar-se… Como é que eu acabei a comandar este lugar? Tinha tido uma boa carreira. Ostentava as suas medalhas com orgulho – a Legião de Mérito, três Estrelas de Bronze, Medalhas de Serviços Meritórios, Um Louvor de Unidade de Mérito e mais umas quantas outras. Olhou para a sua vida ao olhar para aquela janela. Quais eram as suas melhores memórias? Com certeza que o seu serviço de guerra no Iraque, tanto na Operação Tempestade do Deserto como na Operação Liberdade Duradoura. Quais eram as suas piores memórias? Possivelmente a acumulação de títulos académicos para obter uma comissão. Ou talvez estar em frente a uma turma a dar aulas. Mas até essas não eram tão más como comandar aquele lugar. Estar atrás de uma secretária, elaborar relatórios e presidir a reuniões – tudo isso era o pior no que lhe dizia respeito. Ainda assim, pelo menos passara bons tempos. Contudo, o sucesso da sua carreira tivera um custo pessoal – três divórcios e sete filhos crescidos que mal lhe falavam. Nem tinha a certeza de quantos netos tinha. Era assim que era. O Exército sempre fora a sua verdadeira família. Mas agora, depois de todos aqueles anos, ele sentia-se distante até o Exército. Então como é que a sua despedida do serviço militar seria – uma aposentação feliz ou mais um divórcio? Suspirou amargamente. Se alcançasse a sua ambição final, retirar-se-ia como Brigadeiro-General. Ainda assim, estaria completamente sozinho quando se aposentasse. Mas talvez pouco importasse. Talvez pudesse desaparecer tranquilamente – “desvanecer-se” como um dos proverbiais “velhos soldados” de Douglas MacArthur. Ou como um animal selvagem, Pensou. Fora caçador toda a sua vida, mas não se lembrava de alguma vez ter encontrado a carcassa de um urso ou de um veado ou de qualquer outro animal selvagem que tivesse morrido de causas naturais. Outros caçadores lhe tinham dito o mesmo. Ssempre tinha sido um mistério! Onde é que essas criaturas selvagens morriam e apodreciam? Gostava de saber para que também ele para lá se encaminhasse quando chegasse a sua hora. Entretanto, apetecia-lhe um cigarro. Era inacreditável não poder fumar no seu próprio gabinete. E nesse momento o seu telefone tocou. Era a sua secretária. A mulher disse, “Coronel, tenho o responsável pela investigação criminal em linha, quer falar consigo.” O Coronel Adams ficou surpreendido. Ele sabia que se tratava de Brigadeiro-General Malcolm Boyle. Adams não se lembrava de falar com ele. “De que é que se trata?” Perguntou Adams. “Dos crimes, creio,” Disse a secretária. Adams mostrou-se desagradado. É claro, Pensou. O responsável da investigação criminal no Exército em Washington era responsável por todas as investigações de cariz criminal no Exército. Sem dúvida que soubera que a investigação ali seguia a ritmo lento. “OK, eu falo com ele,” Disse Adams. Atendeu a chamada. De imediato lhe desagradou o tom de voz do homem. Era demasiado suave para o seu gosto, não tinha suficiente atitude para um oficial de alta patente. Apesar disso, a sua patente era muito mais elevada do que a de Adams. Tinha que pelo menos fingir respeito. Boyle disse, “Coronel Adams, só lhe queria dar conhecimento de uma situação. Três agentes do FBI de Quantico chegarão em breve para ajudar com a investigação dos crimes.” Adams sentiu uma súbita irritação. Na sua opinião, já havia demsiados agentes a trabalhar naquilo. Mas conseguiu manter a sua voz calma. “Senhor, não percebo porquê. Temos o nosso próprio gabinete do Comando de Investigação Criminal aqui em Fort Mowat. Eles estão a trabalhar no caso.” Agora a voz de Boyle soou um pouco mais dura. “Adams, teve três homicídios em menos de três semanas. A mim parece-me que precisam de ajuda.” A frustração de Adams crescia a cada minuto que passava. Mas ele sabia que não podia demonstrá-la. Disse, “Com todo o respeito senhor, não sei porque é que me ligou a comunicar essa notícia. A Coronel Dana Larson é o comandante do ICE aqui em Fort Mowat. Porque é que não lhe ligou primeiro?” A resposta de Boyle apanhou Adams de surpresa. “A Coronel Larson entrou em contacto comigo. Ela pediu-me para ligar para a UAC para ajudar.” Adams estava perplexo. Aquela puta, Pensou. A Coronel Dana Larson parecia fazer tudo o que estava ao seu alcance para o aborrecer à mínima oportunidade. E porque é que estava uma mulher à frente do ICE? Adams fez o que podia para engolir a sua repugnância. “Compreendo, senhor,” Disse ele. Depois terminaram a chamada. O Coronel Adams estava furioso. Bateu com o punho na secretária. Ele não tinha uma palavra a dizer sobre o que se passava naquele lugar? Ainda assim, ordens eram ordens e ele tinha que obedecer. Mas não tinha que gostar – e não tinha que facilitar a vida a ninguém. Não queria saber que pessoas fossem mortas. As coisas iam ficar muito feias. CAPÍTULO CINCO Ao levar Jilly, April e Gabriela para casa, Riley não foi capaz de lhes dizer que se ia embora dali a pouco. Ia perder o primeiro grande evento de Jilly, um papel de protagonista numa peça. Será que as miúdas perceberiam que ela se limitava a seguir ordens? Mesmo depois de chegarem a casa, Riley não lhes conseguiu dizer. A vergonha dominava-a. Naquele dia ganhara uma medalha de perseverança e no passado fora reconhecida por valor e coragem. E claro, as suas filhas estavam na plateia a vê-la receber a medalha. Mas ela não se sentia uma heroína. As miúdas dirigiram-se ao exterior para se entreterem no quintal e Riley foi para o seu quarto e começou a fazer as malas. Era uma rotina familiar. O truque era preparar uma mala pequena com items suficientes para durar alguns dias ou um mês. Enquanto dispunha as coisas em cima da cama, ouviu a voz de Gabriela. “Señora Riley – o que é que está a fazer?” Riley virou-se e viu Gabriela na soleira da porta. A empregada segurava um monte de roupa lavada que iria colocar no armário do corredor. Riley gaguejou, “Gabriela, eu… Eu tenho que ir.” Gabriela ficou espantada. “Ir? Para onde?” “Tenho um novo caso. Na Califórnia.” “Não pode ir amanhã?” Perguntou Gabriela. Riley engoliu em seco. “Gabriela, o avião do FBI está neste momento a minha espera. Tenho que ir.” Gabriela abanou a cabeça. Disse, “É bom combater o mal, Señora Riley. Mas às vezes penso que perde a noção do que é importante.” Gabriela desapareceu em direção ao corredor. Riley suspirou. Desde quando é que Riley pagava a Gabriela para ser a sua consciência? Mas não se podia queixar. Gabriela era demasiado boa no que fazia. Riley ficou a olhar para a sua mala ainda incompleta. Abanou a cabeça e murmurou para si própria… “Não posso fazer isto à Jilly. Não posso.” Durante toda a sua vida sacrificara os filhos em detrimento do trabalho. Sempre. Nunca colocara os filhos à frente. E isso, apercebeu-se, era o que estava errado na sua vida. Isso era parte da sua escuridão. Ela era suficientemente corajosa para enfrentar um assassino em série. Mas era suficientemente corajosa para fazer dos filhos a sua prioridade? Naquele momento, Bill e Lucy estavam a preparar-se para ir para a Califórnia. Esperavam encontrá-la na pista de Quantico. Riley suspirou. Só havia uma maneira de resolver aquele problema – se o conseguisse resolver. Tinha que tentar. Pegou no telemóvel e ligou para o número privado de Meredith. Perante o som da sua voz áspera, Riley disse, “Senhor, é a Agente Paige.” “O que é que se passa?” Perguntou Meredith. Havia uma nota de preocupação na sua voz. Riley percebeu porquê. Nunca usara aquele número a não ser em circunstâncias extremas. Riley ganhou coragem e foi direta ao assunto. “Senhor, gostaria de adiar a minha viagem para a Califórnia. Só por esta noite. Os Agentes Jeffreys e Vargas podem ir antes de mim.” Após uma pausa, Meredith perguntou, “Qual é a emergência?” Riley engoliu em seco. Meredith não ia tornar aquilo fácil. Mas ela estava determinada a não mentir. Numa voz trémula, gaguejou, “A minha filha mais nova, Jilly – entra na peça da escola esta noite. Ela vai representar o papel principal.” O silêncio que se seguiu era ensurdecedor. Será que ele me desligou a chamada? Interrogou-se Riley. Mas pouco depois Meredith disse, “Pode repetir, por favor? Não estou certo se percebi bem.” Riley conteve um suspiro. Ela tinha a certeza de que ela a tinha ouvido perfeitamente bem. “Senhor, esta peça é importante para ela,” Disse Riley, ficando cada vez mais nervosa. “A Jilly… Bem, sabe que estou a tentar adotá-la. Ela teve uma vida difícil e tem os sentimentos à flor da pele e…” A voz de Riley desvaneceu-se. “E o quê?” Perguntou Meredith. Riley engoliu em seco. “Eu não a posso desiludir. Não desta vez. Não hoje.” Outro silêncio sombrio se seguiu. Riley começava a sentir-se mais determinada. “Senhor, não fará qualquer diferença para este caso,” Disse ela. “Os Agentes Jeffreys e Vargas vão antes de mim e sabe como são capazes. Podem colocar-me ao corrente de tudo quando lá chegar.” “E quando é que seria?” Perguntou Meredith. “Amanhã de manhã. Cedo. Vou para o aeroporto assim que a peça terminar. Apanho o primeiro voo que conseguir.” Após nova pausa, Riley acrescentou, “Eu pago a minha viagem.” Ouviu Meredith a emitir sons. “Certamente que pagará, Agente Paige,” Disse ele. Riley mal conseguia acreditar. Ele está a autorizar-me! De repente apercebeu-se que mal respirara durante a conversa. Teve que fazer um enorme esforço para não demonstrar de forma efusiva a sua gratidão. Ela sabia que Meredith não gostaria disso. E a última coisa que queria era que ele mudasse de ideias. Então limitou-se a dizer, “Obrigada.” Ouviu outro grunhido. Depois Meredith disse, “Diga à sua filha para partir uma perna.” E terminou a chamada. Riley suspirou de alívio, depois olhou para cima e viu Gabriela na soleira da porta outra vez, a sorrir. Estivera obviamente a ouvir a chamada. “Penso que está a crescer, Señora Riley,” Disse Gabriela. * Sentada na plateia com April e Gabriela, Riley estava a gostar muito da peça da escola. Já se esquecera de como eventos daqueles podiam ser encantadores. Os miúdos do secundário estavam todos enfarpelados com fatos improvisados. Tinham pintado um cenário para dar vida à história de Deméter e Perséfone – campos cheios de flores, um vulcão na Sicília, as cavernas húmidas do submundo e outros locais míticos. E a atuação de Jilly estava simplesmente fantástica! Ela interpretava Perséfone, a jovem filha da deusa das colheitas. Riley deu por si a lembrar-se da história à medida que ia sendo contada. Perséfone estava a colher flores quando Hades, o deus do submundo, passou na sua carruagem e a levou para o submundo para ser a sua rainha. Quando Deméter se apercebeu do que sucedera à filha, gemeu de dor. Riley sentiu arrepiar-se pela forma como a rapariga que interpretava Deméter expressava a sua dor. Naquele momento, a história começou a afetar Riley de uma forma que não esperava. A história de Perséfone parecia-se estranhamente com a própria história de Jilly. No final de contas, era a história de uma rapariga que perdera parte da juventude devido à intrusão de forças mais poderosas do que ela. Riley sentiu-se a quebrar. Ela conhecia muito bem o resto da história. Perséfone ganharia de novo a liberdade, mas apenas durante metade de cada ano. Sempre que Perséfone se ia embora, Deméter espalhava o frio e a morte na terra. Quando ela regressava, Deméter dava nova vida à terra e a primavera regressava. E fora dessa forma que as estações se haviam criado. Riley apertou a mão de April e sussurrou, “Agora vem a parte triste.” Riley ficou surpreendida por ouvir April a rir. “Não tão triste,” Sussurrou April. “A Jilly disse-me que tinham alterado um pouco a história. Vê.” Riley ficou atenta ao que ali vinha. Perséfone deu uma pancada na cabeça de Hades com uma urna Grega – na verdade uma almofada disfarçada. Depois saiu do submundo e voltou para junto da sua mãe jubilante. O rapaz que fazia o papel de Hades trouxe o inverno ao mundo. Ele e Deméter lutaram alternando as estações entre inverno e primavera, indefinidamente. Riley estava encantada. Quando a peça terminou, Riley dirigiu-se aos bastidores para dar os parabéns a Jilly. A caminho, encontrou a professora responsável pela peça. “Adorei o que fez com a historia!” Disse Riley à professora. “Foi tão refrescante ver Perséfone transformar-se de vítima indefesa em heroína independente.” A professora sorriu. “Não me agradeça a mim,” Disse ela. “A ideia foi da Jilly.” Riley foi ter com Jilly e deu-lhe um grande abraço. “Estou tão orgulhosa!” Disse Riley. “Obrigada mãe,” Disse Jilly, sorrindo alegremente. Mãe. A palavra ecoou em Riley. O significado era mais profundo do que poderia dizer. * Mais tarde nessa noite quando estavam todas em casa, Riley finalmente teve que dizer às miúdas que se ia embora. Espreitou pela porta do quarto de Jilly. Jilly já dormia, exausta da noite bem-sucedida. Riley adorava o aspeto de contentamento que o seu rosto mostrava. Depois Riley foi ao quarto de April e olhou para ela. April estava sentada na cama a ler um livro. April olhou para cima e viu a mãe. “Então mãe,” Disse ela. “O que é que se passa?” Riley entrou silenciosamente no quarto. Ela disse, “Isto vai parecer estranho mas… Tenho que me ir embora agora mesmo. Foi-me dado um caso na Califórnia.” April sorriu. Ela disse, “Eu e a Jilly adivinhámos que a tua reunião em Quantico era sobre qualquer coisa do género. E depois vimos a mala na tua cama. Até pensámos que te ias embora antes da peça. Geralmente não fazes as malas a não ser que estejas prestes a ir.” Ela olhou para Riley com um sorriso amplo. “Mas depois ficaste,” Acrescentou. “Eu sei que adiaste a viagem pela peça. Sabes o quanto isso significa para nós?” Riley sentiu-se comovida. Encostou-se para a frente e as duas abraçaram-se. “Então, não faz mal se eu for?” Perguntou Riley. “Claro que não. A Jilly disse-me que esperava que apanhasses uns maus da fita. Ela tem muito orgulho no que fazes, mãe. E eu também.” Riley ficou emocionada. Ambas as filhas estavam a crescer tão depressa. E estavam a tornar-se umas jovens extraordinárias. Riley beijou APril na testa. “Amo-te querida,” Disse ela. “Eu também te amo,” Disse April. “O que é que estás a fazer a pé?” Disse Riley a April. “Desliga a luz e vai dormir. Amanhã é dia de escola.” April deu uma risadinha e desligou a luz. Riley foi para o seu quarto para pegar na mala. Já passava da meia-noite e tinha que ir até DC para apanhar um voo comercial a tempo. Ia ser uma longa noite. CAPÍTULO SEIS O lobo estava deitado sobre a barriga no duro solo do deserto. Era assim que o homem se via a si próprio – um animal a perseguir a sua próxima vítima. Tinha uma excelente vista de Fort Nash Mowat do seu posto bem situado e o ar noturno era agradável e fresco. Espreitou a vítima daquela noite através da espingarda com visão noturna. Pensou nas suas vítimas odiadas. Há três semanas tinha sido Rolsky. Depois fora Fraser. E por fim Worthing. Abatera-os com grande destreza, com tiros na cabeça tão limpos que nem se haviam apercebido do que lhes sucedera. Naquela noite seria a vez de Barton. O lobo observou Barton a andar num caminho sem iluminação. Apesar da imagem noturna ser granulosa e monótona, o alvo estava suficientemente visível para poder alcançar o seu objetivo. Mas ainda não atingiria a presa daquela noite – ainda não. Ele não estava muito longe. Alguém próximo poderia descobrir a sua localização, apesar de ter colocado um silenciador à sua M110. Ele não iria cometer o erro de amador de subestimar os soldados daquela base. Seguindo Barton através da mira, o lobo apreciou a sensação de ter a M110 nas mãos. Por aqueles dias o Exército estava a começar a utilizar a Heckler & Kock G28 como espingarda de sniper padrão. Apesar do lobo saber que a G28 era mais leve e mais compacta, ainda assim preferia a M110. Era mais certeira, apesar de ser mais longa e mais difícil de esconder. Tinha vinte balas, mas apenas tencionava utilizar uma quando chegasse o momento de disparar. Ia eliminar Barton com um tiro ou com nenhum. O homem conseguia sentir a energia da matilha, como se o estivessem a observar, como se o estivessem a apoiar. Viu Barton a chegar finalmente ao seu destino – um dos courts de ténis ao ar livre da base. Vários outros jogadores o cumprimentaram quando ele entrou no court e começou a retirar do saco o seu equipamento. Agora que Barton estava numa área bem iluminada, o lobo já não tinha necessidade de utilizar a mira noturna. Retirou-a para utilizar a mira diurna. Depois apontou diretamente à cabeça de Barton. A imagem já não era granulosa, mas sim nítida e colorida. Barton encontrava-se a noventa metros de distância naquele momento. Àquela distância, o lobo podia depender da precisão da espingarda até uma polegada. Dependia dele manter-se dentro dessa polegada. E ele sabia que o faria. Basta apenas apertar ligeiramente o gatilho, Pensou. Era tudo aquilo de que necessitava naquele momento. O lobo deliciou-se naquele momento misterioso e suspenso no tempo. Havia algo quase religioso nesses segundos que antecediam o apertar do gatilho, quando ele aguardava pelo disparo, quando aguardava decidir-se a pressionar o gatilho com o dedo. Nesses momentos, A vida e a morte pareciam estranhamente distantes da sua vontade. O movimento irrevogável sucederia na completude de um instante. A decisão seria sua – e no entanto, seria tudo menos sua. Então, a decisão era de quem? Ele imaginava que havia um animal, um verdadeiro lobo, a insinuar-se dentro de si, uma criatura sem remorsos que assumia o real comando sob aquele momento e movimento fatal. Aquele animal era tanto seu amigo como seu inimigo. E ele adorava-o com um amor estranho que apenas podia sentir por um inimigo mortal. Aquele animal interior era o que despoletava o melhor de si. O lobo ficou deitado à espera que o animal atacasse. Mas o animal não o fez. O lobo não pressionou o gatilho. Interrogou-se porquê. Algo parece errado, Pensou. Rapidamente lhe ocorreu o que seria. A vista do alvo do court de ténis luminoso através da mira regular era simplesmente demasiado clara. Não lhe custaria nada. Não haveria qualquer desafio. Não seria digno de um verdadeiro lobo. E também era demasiado cedo em relação à última morte. Os outros tinham sido espaçados para despoletar alguma ansiedade e incerteza entre os homens que abominava. Matar Barton agora iria interromper o impacto ritmado psicológico do seu trabalho. Sorriu perante a sua tomada de consciência. Levantou-se com a arma e começou a caminhar de onde viera. Sentiu que deixar a sua presa por agora era a atitude certa. Ninguém sabia quando é que ele voltaria a atacar. Nem ele próprio. CAPÍTULO SETE Ainda estava escuro quando o avião de Riley levantou voo. Mas mesmo com a mudança de hora, ela sabia que seria de dia em San Diego quando lá chegasse. Estaria a voar durante mais de cinco horas e já se sentia cansada. Amanhã de manhã tinha que estar completamente operacional quando se juntasse a Bill e Lucy para a investigação. Haveria muito trabalho a fazer e ela precisava de estar pronta para o concretizar. O melhor é dormir um pouco, Pensou Riley. A mulher sentada a seu lado já parecia estar a dormitar. Riley recostou a cadeira para trás e fechou os olhos. Mas em vez de adormecer, deu por si a lembrar-se na peça de Jilly. Sorriu ao recordar-se de como a Perséfone de Jilly tinha batido na cabeça de Hades e fugido do submundo para viver a vida segundo as suas regras. Emocionou-se ao lembrar-se da primeira vez que encontrara Jilly. Era de noite numa paragem de camiões em Phoenix. Jilly fugira da miserável vida que tinha em casa com um pai agressivo e subiu para a cabine de um camião estacionado. Iria vender o seu corpo ao condutor quando ele regressasse. Riley estremeceu. O que seria de Jilly se ela não tivesse aparecido naquela noite? Amigos e colegas muitas vezes diziam a Riley o bem que fizera em trazer Jilly para sua casa. Então porque é que ela não se sentia melhor a esse respeito? Em vez disso, sentia pontadas de desespero. No final de contas, havia incontáveis Jillys por esse mundo fora e muito poucas eram salvas de vidas terríveis. Riley não as podia ajudar a todas, nem podia livrar o mundo de todos os seus terríveis assassinos. É tudo tão fútil, Pensou. Tudo o que faço. Abriu os olhos e olhou pela janela. O avião deixara as luzes de DC para trás e lá fora só se via uma escuridão impenetrável. Ao espreitar para a noite sombria, pensou na sua reunião daquele dia com Bill, Lucy e Meredith, e quão pouco sabia sobre o caso em que iam trabalhar. Meredith dissera que as três vítimas haviam morrido com disparos de longa distância realizados por um atirador habilidoso. O que é que isso lhe dizia sobre o assassino? Que matar era um desporto para ele? Ou que estava nalguma missão sinistra? Uma coisa parecia certa – o assassino sabia o que estava a fazer e era bom a fazê-lo. O caso ia sem dúvida ser um desafio. Entretanto, Riley começou a sentir as pálpebras pesadas. Talvez consiga dormir, Pensou. Mais uma vez encostou a cabeça para trás e fechou os olhos. * Riley olhava para o que pareciam ser milhares de Rileys, todas em pé em ângulos estranhos viradas umas para as outras, tornando-se mais pequenas e finalmente desaparecendo na distância. Virou-se ligeiramente e também todas as outras Rileys. Levantou o braço e as outras também o fizeram. Depois a sua mão tocou numa superfície de vidro. Estou cercada de espelhos, Apercebeu-se Riley. Mas como chegara ali? E como sairia? Ouviu uma voz chamar… “Riley!” Era uma voz de mulher, algo familiar para ela. “Estou aqui!” Gritou Riley. “Onde estás?” “Também estou aqui.” De repente, Riley viu-a. Estava bem à sua frente, no meio da multidão de reflexos. Era uma mulher jovem e atraente que usava um vestido fora de moda há várias décadas. Riley soube de imediato de quem se tratava. “Mãe!” Disse ela num sussurro espantado. Ficou surpreendida por ouvir que a sua própria voz agora era a de uma menina. “O que é que estás aqui a fazer?” Perguntou Riley. “Vim só dizer adeus,” Disse a mãe com um sorriso. Riley lutou para compreender o que se estava a passar. Depois lembrou-se… A mãe tinha sido morta à frente de Riley na loja de doces quando Riley tinha seis anos. Mas ali estava a mãe, com o mesmo aspeto que tinha quando Riley a viu pela última vez. “Onde é que vais mãe?” Perguntou Riley. “Porque é que tens que ir?” A mãe sorriu e tocou no vidro que estava entre elas. “Estou em paz agora, graças a ti. Posso prosseguir.” Aos poucos Riley começou a compreender. Há pouco tempo Riley encontrara o assassino da mãe. Tornara-se num velho sem-abrigo a viver debaixo de uma ponte. Riley deixara-o lá, percebendo que a sua vida fora castigo suficiente para o crime que cometera. Riley tocou no vidro que a separava da mão da mãe. “Mas não podes ir mãe,” Disse ela. “Eu sou só uma menina pequenina.” “Oh não, não és,” Disse a mãe com o rosto radiante. “Olha só para ti.” Riley olhou para o seu reflexo no espelho ao lado da mãe. Era verdade. Riley agora era uma adulta. Parecia estranho perceber que ela era muito mais velha do que a mãe quando morrera. Mas Riley também parecia cansada e triste em comparação com a sua mãe mais jovem. Ela nunca envelhecerá, Pensou Riley. Tal não se aplicava a Riley. E ela sabia que o seu mundo estava repleto de julgamentos e desafios ainda para serem vividos. Alguma vez teria paz para o resto da sua vida? Deu por si a invejar a alegria pacífica, eterna e intemporal da mãe. Depois a mãe virou-se e afastou-se, desparecendo nos reflexos infinitos de Riley. De repente ouviu-se um som terrível e todos os espelhos se estilhaçaram. Riley estava numa escuridão quase total e com vidros partidos até aos tornozelos. Ergueu com cuidado os pés, depois tentou sair do meio daqueles destroços. “Cuidado onde pões os pés,” Disse outra voz familiar. Riley virou-se e viu um velho enrugado com um rosto duro. “Pai!” Disse ela. O pai riu perante a sua surpresa. “Esperavas que estivesse morto, não é?” Disse ele. “Lamento desapontar-te.” Riley abriu a boca para o contradizer. Mas então percebeu que ele tinha razão. Ela não sofrera com a sua morte em outubro. E era certo que não o queria de volta à sua vida. No final de contas, raramente dissera uma palavra gentil em toda a sua vida. “Onde tens estado?” Perguntou Riley. “Onde sempre estive,” Disse o pai. A cena começou a mudar de uma vastidão de vidro partido para o exterior da cabana do pai na floresta. Ela agora estava na porta de entrada. “Podes precisar da minha ajuda neste caso,” Disse ele. “Parece que o teu assassino é um soldado. Eu si muito sobre soldados. E sei muito sobre matar.” Era verdade. O pai tinha sido capitão no Vietname. Ela não fazia ideia de quantos homens matara em serviço. Mas a última coisa que queria era a sua ajuda. “Chegou o momento de ires,” Disse Riley. O sorriso do pai transformou-se numa careta. “Oh não,” Disse ele. “Ainda agora me estou a instalar.” O seu rosto e corpo mudaram de forma. Numa questão de segundos, era mais jovem, mais forte, de pele escura, mais ameaçador do que anteriormente. Agora era Shane Hatcher. A transformação aterrorizou Riley. O pai sempre tinha sido uma presença cruel na sua vida. Mas começava a temer Hatcher ainda mais. Muito mais do que o pai, Hatcher tinha alguma espécie de poder manipulativo sobre ela. Podia obrigá-la a fazer coisas que nunca imaginara fazer. “Vá-se embora,” Disse Riley. “Oh não,” Disse Hatcher. “Nós temos um acordo.” Riley estremeceu. Temos um acordo, disso não há dúvida, Pensou. Hatcher tinha-a ajudado a descobrir o assassino da mãe. Em troca, ela permitira que ele vivesse na velha cabana do pai. Para além disso, ela sabia que estava em dívida para com ele. Ajudara-a a resolver casos – mas fizera muito mais. Até salvara a vida da filha e do ex-marido. Riley abriu a boca para falar, para protestar. Mas não saíram palavras. Em vez disso, foi Hatcher quem falou. “Estamos unidos pelo cérebro, Riley Paige.” Riley foi acordada por um abanão. O avião tinha aterrado no Aeroporto Internacional de San Diego. O sol erguia-se para lá da pista de aterragem. O piloto falou pelo intercomunicador anunciando a chegada e pedindo desculpas pela aterragem turbulenta. Os outros passageiros estavam a reunir os seus pertences e preparavam-se para sair. Quando Riley se levantou e pegou na sua mala, recordou-se do perturbador sonho que tivera. Riley não era supersticiosa – mas ainda assim não conseguia deixar de pensar… Seriam o sonho e a aterragem atribulada o presságio de algo? CAPITULO OITO A manhã estava luminosa quando Riley entrou no seu carro alugado e saiu do aeroporto. O tempo estava fantástico com uma temperatura a rondar uns confortáveis 20°C. Apercebeu-se de que a maioria das pessoas pensaria de imediato em apreciar a praia ou a piscina. Mas Riley sentia uma apreensão a insinuar-se. Pensou melancolicamente se alguma vez conseguiria ir à Califórnia só para desfrutar do tempo – ou ir para outro lugar qualquer para relaxar. Parecia que o mal esperava por ela para onde quer que fosse. A história da minha vida, Pensou. Ela sabia que devia a si própria e à sua família quebrar aquele padrão – descansar e levar as miúdas a algum lado para se divertirem. Mas quando é que isso ia acontecer? Soltou um suspiro triste e cansado. Talvez nunca, Pensou. Não dormira muito no avião e sentia o jet lag das três horas de diferença entre San Diego e a Virginia. Ainda assim, estava ansiosa para começar o novo caso. Ao dirigir-se a norte na autoestrada de San Diego, passou por edifícios modernos embelezados com palmeiras. Passado pouco tempo estava fora da cidade, mas o trânsito na autoestrada de faixas múltiplas não diminuiu. A rápida procissão de veículos rápidos dirigia-se ao sol da manhã agora acentuado pela paisagem íngreme. Não obstante o cenário, o Sul da Califórnia pareceu-lhe menos pacato do que esperava. Tal como ela, todos os que se encontravam no interior dos carros estava com pressa para ir a algum lugar importante. Virou numa saída que indicava “Fort Nash Mowat”. Alguns minutos depois, parou à portas da base, mostrou o distintivo e foi-lhe dada permissão para entrar. Riley já tinha enviado uma mensagem a Bill e Lucy para lhes dar conhecimento de que ia a caminho, por isso estavam à espera do carro. Bill apresentou a mulher sem uniforme que estava na sua companhia como sendo a Coronel Dana Larson, a comandante do gabinete ICE de Fort Mowat. Riley ficou de imediato impressionada por Larson. Era uma mulher forte e robusta com intensos olhos negros. O seu aperto de mão deu logo a Riley uma sensação de confiança e profissionalismo. “Prazer em conhecê-la, Agente Paige,” Disse a Coronel Larson numa voz cristalina e vigorosa. “A sua reputação precede-a.” Os olhos de Riley dilataram-se. “Estou surpreendida,” Disse ela. Larson riu-se um pouco. “Não esteja,” Disse ela. “Também faço parte das forças de segurança e estou a par das ações da UAC. Sentimo-nos honrados por estar aqui em Fort Mowat.” Riley sentiu-se corar um pouco ao agradecer à Coronel Larson. Larson chamou um soldado que estava próximo que energicamente se aproximou e lhe fez continência. Ele disse, “Cabo Salerno, quero que leve o carro da Agente Paige de regresso ao aeroporto. Ela não vai precisar dele aqui.” “Sim senhora,” Disse o cabo, “De imediato.” Entrou no carro de Riley e conduziu para fora da base. Riley, Bill e Lucy entraram no outro carro. Enquanto a Coronel Larson conduzia, Riley perguntou, “O que é que perdi até agora?” “Não muito,” Disse Bill. “A Coronel Larson recebeu-nos aqui a noite passada e mostrou-nos o nosso alojamento.” “Ainda não conhecemos o Comandante da base,” Acrescentou Lucy. A Coronel Larson disse-lhes, “Estamos a caminho de conhecer o Coronel Dutch Adams agora mesmo.” Depois com uma risada, acrescentou, “Não esperem uma receção calorosa. Agentes Paige e Vargas, refiro-me especialmente a vocês.” Riley não estava muito certa a que é que Larson se referia. Ficaria o Coronel Adams contrariado pelo facto da UAC ter enviado duas mulheres? Riley nem conseguia imaginar porquê. Para onde quer que Riley olhasse, via homens e mulheres de uniforme juntos. E com a Coronel Larson na base, com certeza que Adams estaria habituado a lidar com uma mulher figura de autoridade. A Coronel Larson estacionou em frente a um edifício administrativo moderno e conduziu os agentes ao seu interior. Ao aproximarem-se, três jovens endireitaram-se e fizeram continência à Coronel Larson. Riley viu que os seus casacos da ICE eram iguais aos utilizados pelos agentes de campo do FBI. A Coronel Larson apresentou os três homens como sendo o Sargento Matthews e os membros da sua equipa, os Agentes Especiais Goodwin e Shores. Depois todos entraram na sala de reuniões onde já eram aguardados pelo próprio Coronel Dutch Adams. Matthews e os seus agentes saudaram Adams, mas a Coronel Larson não o fez. Riley apercebeu-se que se tratava porque o seu posto era idêntico. Rapidamente percebeu que a tensão entre os dois coronéis era palpável, quase dolorosa. E como previsto, Adams parecia claramente desagradado por ver Riley e Lucy. Agora Riley começava a perceber a situação. O Coronel Dutch Adams era um oficial de carreira da velha escola que não estava habituado a ver homens e mulheres a servirem lado a lado. E a julgar pela sua idade, Riley tinha a certeza de que nunca se habituaria. O mais certo era aposentar-se com os seus preconceitos intactos. Ela tinha a certeza de que Adams se devia ressentir especialmente da presença da Coronel Larson na sua base – uma mulher oficial sobre quem não tinha qualquer autoridade. Quando o grupo se sentou, Riley sentiu um arrepio assustador de familiaridade ao estudar o rosto de Adams. Era largo e longo, esculpido severamente como os rostos de muitos outros oficiais militares que conhecera ao longo da sua vida – incluindo o seu pai. Na verdade, Riley considerou a parecença do Coronel Adams com o seu pai bastante perturbadora. Ele falou para Riley e colegas num tom excessivamente oficial. “Bem-vindos a Fort Nash Mowat. Esta base opera desde 1942. Tem uma extensão de setenta e cinco mil hectares, tem mil e quinhentos edifícios e mais de quinhentos quilómetros de estradas. Encontrarão aqui todos os dias seis mil pessoas. Tenho orgulho em dizer que é a melhor base de treinos do Exército do país.” Chegado àquele ponto, o Coronel Adams parecia estar a tentar suprimir uma careta. E não estava a conseguir. Acrescentou, “E por essa razão, peço para que não haja incómodos enquanto aqui estiverem. Este lugar funciona como uma máquina bem afinada. Quem vem de fora tem uma infeliz tendência para não atrapalhar. Se o fizerem, prometo-vos que vão ter problemas. Faço-me entender?” O Coronel Adams olhava diretamente para Riley, obviamente a tentar intimidá-la. Ela ouviu Bill e Lucy dizer, “Sim senhor.” Mas ela não disse nada. Ele não é o meu Comandante, Pensou. Ela limitou-se a olhá-lo nos olhos e a anuir. Depois ele ficou o olhar nas outras pessoas que se encontravam na sala. Falou novamente com uma raiva fria a sobressair da sua voz. “Três bons homens estão mortos. A situação em Fort Mowat é inaceitável. Concertem-na. Imediatamente. Quanto mais cedo melhor.” Parou de falar por um momento. Depois disse, “O funeral do Sargento Clifford Worthing é às onze horas. Espero que estejam todos presentes.” Sem dizer mais uma palavra, levantou-se da cadeira. Os agentes do ICE levantaram-se e saudaram-no, e o Coronel Adams saiu da sala. Riley estava perplexa. Não estavam ali todos para discutir o caso e decidir o que fazer de seguida? Obviamente notando a surpresa de Riley, a Coronel Larson sorriu-lhe. “Geralmente não é tão falador,” Disse ela. “Talvez goste de si.” Toda a gente riu com o seu sarcasmo. Riley sabia que um pouco de humor era uma coisa boa naquele momento. As coisas iam tornar-se bastante soturnos não tardava nada. CAPÍTULO NOVE Continuaram a rir e Larson olhava para Riley, Bill e Lucy. A sua expressão era penetrante e poderosa, como se os estivesse de alguma forma a avaliar. Riley pensou se a Comandante do ICE estava prestes a fazer algum anúncio grave. Mas em vez disso, Larson perguntou, “Alguém já tomou o pequeno-almoço?” Todos disseram que não. “Bem, essa situação é inaceitável,” Disse Larson com uma risada. “Vamos concertá-la antes que caiam para o lado. Venham comigo e eu mostro-vos alguma da hospitalidade de Fort Mowat.” Larson deixou a sua equipa e guiou os três agentes do FBI até ao clube de oficiais. Riley pode ver de imediato que a Coronel não estava a brincar quando falara em hospitalidade. As instalações eram como um restaurante sofisticado e Larson não os deixava pagar as suas refeições. Tomando um pequeno-almoço delicioso, discutiram o caso. Riley apercebeu-se de que precisara definitivamente de café. A refeição também era bem-vinda. A Coronel Larson deu-lhes a sua perspetiva do caso. “O traço mais saliente destes crimes é o método de matar e o posto das vítimas. Rolsky, Fraser e Worthing eram todos sargentos de treino. Todos foram abatidos a uma longa distância com uma espingarda poderosa. E as vítimas foram todas mortas à noite.” Bill perguntou, “Que mais tinham em comum?” “Não muito. Dois eram brancos e um era negro, por isso não é uma questão racial. Estavam em unidades distintas por isso não tinham recrutas em comum.” Riley acrescentou, “Possivelmente já pegou nos ficheiros de soldados que tiveram reprimendas por questões disciplinares ou psicológicas. Deserções? Dispensas desonrosas?” “Sim,” Respondeu Larson. “É uma lista muito longa e passámo-la a pente fino. Mas envio-lha e depois diz-me o que pensa.” “Gostava de falar com os homens de cada unidade.” Larson anuiu. “Claro. Pode abordar alguns deles após o funeral e tratarei de organizar as reuniões adicionais de que precisar.” Riley reparou que Lucy tirava notas. Ela assentiu para que a jovem agente fizesse as suas próprias perguntas. Lucy perguntou, “De que calibre eram as balas?” “Calibre NATO,” Disse a Coronel Larson. “7.62 Milímetros.” Lucy olhou para a Coronel Larson com interesse. Disse, “Parece que a arma pode ser uma espingarda de sniper M110. Ou talvez uma Heckler & Koch G28.” A Coronel Larson sorriu, obviamente impressionada pelos conhecimentos de Lucy. “Devido à distância, pensamos que seja uma M110,” Disse Larson. “As balas pareciam provenientes da mesma arma.” Riley ficou agradada por ver que Lucy estava tão por dentro do assunto. Riley gostava de pensar em Lucy como sua protegida e ela sabia que Lucy a encarava como sua mentora. Ela está a aprender rapidamente, Pensou Riley com orgulho. Riley olhou para Bill. Percebia pela sua expressão que também ele estava agradado com Lucy. Riley tinha as suas perguntas, mas decidiu não interromper. Lucy disse a Larson, “Presumo que estejam a pensar em alguém com treino militar. Um soldado da base?” “Possivelmente,” Disse Larson. “Ou um ex-soldado. Alguém com um treino excelente. Não um atirador médio.” Lucy tamborilou o lápis na mesa. Sugeriu, “Alguém que tenha problemas com figuras de autoridade? Especialmente sargentos de treino?” Larson coçou o queixo pensativamente. “Tenho considerado essa hipótese,” Disse ela. Lucy disse, “Tenho a certeza de que também estão a considerar o terrorismo Islâmico.” Larson assentiu. “Nos dias que correm, essa tem que ser a nossa teoria pré-definida.” “Um lobo solitário?” Perguntou Lucy. “Talvez,” Disse Larson. “Mas pode estar a agir em nome de algum grupo – quer seja uma pequena célula próxima daqui ou algo internacional como o ISIS ou a Al-Qaeda.” Lucy pensou por um momento. “Quantos recrutas Muçulmanos têm atualmente em Fort Mowat?” Perguntou Lucy. “Neste momento, trezentos e quarenta e três. É obviamente uma percentagem mínima dos nossos recrutas. Mas temos que ter cuidado na caracterização. De uma forma geral, os nossos recrutas Muçulmanos são excecionalmente dedicados. Nunca tivemos problemas de extremismo – se é do que se trata.” Larson olhou para Riley e Bill, e sorriu. “Mas vocês os dois estão muito calados. Como gostariam de proceder?” Riley olhou para Bill. Como habitualmente, ela percebeu que ele estava a pensar no mesmo que ela. “Vamos ver as cenas dos crimes,” Disse Bill. * Alguns minutos mais tarde, a Coronel Larson conduzia Riley, Bill e Lucy por Fort Mowat. “Qual dos lugares querem ver primeiro?” Perguntou Larson. “Vamos vê-los pela ordem em que aconteceram,” Disse Riley. Enquanto Larson conduzia, Riley reparou nos soldados a treinar, a passar campos de obstáculos e a praticar a pontaria com várias armas. Dava para perceber que era um trabalho rigoroso e exigente. Riley perguntou a Larson, “Em que ponto do treino estão estes recrutas?” “Na segunda fase – a Fase Branca,” Disse Larson. “Temos três fases – vermelha, branca e azul. As primeiras duas, a vermelha e a branca, duram três semanas cada, e estes recrutas estão na sua quinta semana em termos globais. As últimas quatro semanas serão a Fase Azul. E aí serão duríssimo. É quando os recrutas descobrem se têm o que é necessário para fazerem parte do Exército.” Riley sentiu uma nota de orgulho na voz de Larson – o mesmo orgulho que ouvira na voz do pai quando falava do seu tempo enquanto militar. Ela ama o que faz, Pensou Riley. Também não tinha qualquer dúvida de que a Coronel Larson era excelente no que fazia. Larson estacionou junto a um caminho que dava para o campo. Saíram do carro e Larson conduziu-os a um local no caminho. Ficava numa área aberta, sem árvores que pudessem bloquear a visão. “O Sargento Rolsky foi morto aqui,” Disse Larson. “Ninguém viu ou ouviu o que quer que fosse. Não conseguimos saber pela ferida ou pela posição do corpo de onde veio o tiro – exceto de que deve ter sido disparado de uma distância considerável.” Riley olhou à sua volta, estudando a cena. “A que horas foi morto Rolsky?” Perguntou. “Por volta das 22:00,” Disse Larson. Riley imaginou como seria aquele local àquela hora da noite. Havia um par de candeeiros a poucos metros do local. Ainda assim, a luz ali devia ser bastante difusa. O atirador devia ter utilizado uma mira noturna. Virou-se lentamente, tentando adivinhar de onde viera o tiro. Havia edifícios a sul e a norte. Não era provável que um atirador tivesse a oportunidade de disparar de qualquer daqueles lugares. A oeste, conseguia ver o Oceano Pacífico, desmaiado numa distância turva. A leste havia colinas. Riley apontou para as colinas e disse, “Calculo que o atirador se posicionou algures ali em cima.” “É uma boa hipótese,” Disse Larson, apontando para outro local no chão. “Encontrámos a bala aqui o que indica que o tiro deve ter vindo algures daquelas colinas. A julgar pela ferida, o tiro foi disparado a cerca de noventa metros de distância. Passámos a área a pente fino mas o assassino não deixou qualquer prova.” Riley pensou durante um momento. Depois perguntou a Larson, “É permitido caçar nos terrenos de Fort Mowat?” “Na época da caça com licença própria,” Respondeu Larson. “Neste momento estamos na época do peru selvagem. Atirar em corvos durante o dia também é permitido.” É claro, Riley sabia que estas mortes eram tudo menos acidentes de caça. Enquanto filha de um homem que tinha sido Marine e caçador, ela sabia que ninguém usaria uma espingarda de sniper para matar corvos e perus. Uma shotgun era a arma mais provável de caça em Fort Mowat naquela altura do ano. Pediu a Larson para os levar ao próximo local. A Coronel conduziu-os até umas colinas baixas à beira de um trilho de caminhada. Quando saíram novamente do carro, Larson apontou para o local num trilho que terminava no alto. “O Sargento Fraser foi morto aqui,” Disse ela. “Estava a fazer uma caminhada. O tiro parece ter vindo da mesma distância que no crime anterior. Mais uma vez, ninguém ouviu ou viu o que aconteceu. Mas pensamos que tenha sido morto cerca das 23:00.” Apontando para outro local, Larson acrescentou, “Encontrámos a bala aqui.” Riley olhou para a direção oposta, para onde o atirador estaria colocado. Viu mais colinas - e inúmeros locais onde um atirador se poderia ter escondido. Ela tinha a certeza de que Larson e a sua equipa tinham vistoriado a área de forma rigorosa. Por fim, foram até à área onde se encontravam os alojamentos dos recrutas. Larson levou-os até atrás de uma das casernas. A primeira coisa que Riley viu foi uma enorme mancha na parede junto à porta das traseiras. Larson disse, “Foi aqui que o Sargento Worthing foi morto. Parece ter vindo até aqui para fumar um cigarro antes da formação matinal do seu pelotão. O tiro foi tão certeiro que o cigarro nunca caiu dos seus lábios.” Riley interessou-se. Esta cena era diferente das outras – e muito mais informativa. Ela examinou a mancha e o que se espalhara abaixo dela. Riley disse, “Parece que estava encostado à parede quando a bala o atingiu. Devem ter conseguido ter uma ideia muito mais exata da trajetória da bala do que no caso dos outros.” “Muito melhor,” Concordou Larson. “Mas não o local exato.” Larson apontou para o campo atrás da caserna onde as colinas se começavam a elevar. “O atirador deve-se ter posicionado algures entre aqueles dois carvalhos,” Disse ela. “Mas depois limpou bem o local. Não conseguimos encontrar vestígios dele em qualquer local.” Riley viu que a distância entre as árvores pequenas era de cerca de seis metros. Larson e a sua equipa haviam feito um bom trabalho em estreitar tanto a área. “Como estava o tempo?” Perguntou Riley. “Muito limpo,” Disse Larson. “A lua estava em quarto crescente até quase de manhã.” Riley sentiu uma pontada. Era uma sensação familiar que tinha quando ocorria uma ligação com uma cena de crime. “Gostaria de sair e ver por mim própria,” Disse ela. “Claro,” Disse Larson. “Eu levo-a até lá.” Riley não sabia como lhe dizer que queria ir sozinha. Felizmente, Bill falou por ela. “Vamos deixar a Agente Paige ir sozinha. É a sua maneira de trabalhar.” Larson anuiu. Riley caminhou pelo campo. A cada passo, aquela sensação crescia. Por fim, estava entre as duas árvores. Percebeu porque é que a equipa de LArson não dera com o lugar exato. O chão era muito irregular com muitos arbustos pequenos. Só naquela área, havia pelo menos meia dúzia de excelentes locais para alguém se deitar e disparar um tiro certeiro em direção à caserna. Riley começou a caminhar entre as árvores. Ela sabia que não estava à procura de nada que o atirador pudesse ter ali deixado – nem sequer pegadas. Uma coisa dessas não teria escapado a Larson e à sua equipa. Respirou profundamente e imaginou-se ali nas primeiras horas da manhã. As estrelas começavam a desaparecer e a lua ainda lançava sombras por toda a parte. A sensação crescia a cada segundo que passava – a sensação da presença do assassino. Riley respirou profundamente outra vez e preparou-se para entrar na mente do assassino. CAPÍTULO DEZ Riley começou a imaginar o assassino. O que é que ele tinha sentido e observado quando ali chegou para encontrar o lugar perfeito de onde disparar? Ela queria tornar-se no assassino, aproximar-se o máximo possível para o poder compreender. E ela conseguia fazer isso. Era o seu dom. Em primeiro lugar, ela sabia, ele tinha que encontrar aquele lugar. Ela procurou, tal como ele devia ter procurado. Ao movimentar-se, sentiu uma pulsão misteriosa, quase magnética. Foi atraída até um arbusto. De um dos lados havia um espaço entre os ramos e o solo. Havia um lugar ligeiramente oco no chão naquele mesmo local. Riley debruçou-se e olhou atentamente para o chão. O solo naquele lugar oco estava limpo e macio. Demasiado limpo, Pensou Riley. Demasiado macio. O resto do solo naquela área era mais duro, mais irregular. Riley sorriu. O assassino dera-se de tal forma ao trabalho de fazer desaparecer a sua presença que traíra a sua exata posição. Imaginando a cena ao luar, Riley olhou para a encosta e para o campo na direção das traseiras da caserna. Ela imaginou o que o assassino viu a partir dali – a figura distante do Sargento Worthing a sair da porta traseira. Riley sentiu um sorriso formar-se no rosto do assassino. Conseguia ouvi-lo pensar… “Mesmo na hora exata!” E tal como o assassino esperara, o sargento acendeu um cigarro e encostou-se à parede. Era o momento de agir – e tinha que ser rápido. O céu começava a clarear onde o sol nasceria em breve. Tal como o assassino devia ter feito, Riley estendeu-se de barriga para baixo no local oco no chão. Sim, era o local perfeito para empunhar uma arma potente. Mas qual era sensação da arma nas mãos do assassino? Riley nunca tinha manuseado uma espingarda de sniper M110. Mas há alguns anos atrás tinha treinado um pouco com o predecessor dessa arma, a M24. Carregada e preparada, a M24 pesava cerca de sete Kg e Riley lera que a M110 era ligeiramente mais leve. Mas a mira noturna acrescentava peso, tornando-a mais pesada. Riley imaginou a vista através da mira noturna. A imagem do Sargento Worthing era sarapintada e granulosa. Isso não era um problema para fazer pontaria. Para um atirador habilidoso, o tiro seria fácil. Ainda assim, Riley pressentiu que o assassino estava ligeiramente insatisfeito. O que é que o incomodava? Em que é que estava a pensar? Então o seu pensamento tornou-se claro… “Quem me dera poder ver o rosto dele.” Riley compreendeu. Esta morte era profundamente pessoal – um ato de ódio ou pelo menos de desprezo. Конец ознакомительного фрагмента. 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