Esquecidas Blake Pierce Um Mistério de Riley Paige #8 Uma obra-prima de thriller e mistério! O autor fez um trabalho magnífico no desenvolvimento das personagens com um lado psicológico tão bem trabalhado que temos a sensação de estar dentro das suas mentes, sentindo os seus medos e aplaudindo os seus sucessos. A história é muito inteligente e mantém-nos interessados durante todo o livro. Pleno de reviravoltas, este livro obriga-nos a ficar acordados até à última página. Books and Movie Reviews, Roberto Mattos (re Sem Pistas) ESQUECIDAS é o livro #8 da série de mistério de Riley Paige que começou com o bestseller SEM PISTAS (Livro #1) – um livro de pode descarregar gratuitamente com mais de 900 opiniões de cinco estrelas! Há um caso não resolvido que perseguiu a Agente Especial Riley Paige durante toda a sua carreira, habitando a sua consciência, forçando-a a voltar a ele vezes sem conta. O único caso que ela nunca resolveu e que conseguiu finalmente esquecer. Até receber uma chamada da mãe da vítima assassinada. Obriga Riley a encarar o caso novamente e a não desistir até encontrar respostas. Mas Riley mal tem tempo de recuperar da surpresa quando recebe a pista de outro caso não resolvido, um caso que lhe toca de forma mais íntima. É uma pista que promete resolver o caso da morte da sua mãe. E é-lhe dada por Shane Hatcher. Um thriller psicológico negro com suspense de cortar a respiração, ONCE COLD é o livro # de uma nova série alucinante – com uma inesquecível nova personagem – que o obrigará a não largar o livro até o terminar. O Livro #9 da série de Riley Paige estará em breve disponível. ESQUECIDAS (UM MISTÉRIO DE RILEY PAIGE—LIVRO 8) B L A K E P I E R C E Blake Pierce Blake Pierce é o autor da série de enigmas RILEY PAGE, com doze livros (com outros a caminho). Blake Pierce também é o autor da série de enigmas MACKENZIE WHITE, composta por oito livros (com outros a caminho); da série AVERY BLACK, composta por seis livros (com outros a caminho), da série KERI LOCKE, composta por cinco livros (com outros a caminho); da série de enigmas PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE, composta de dois livros (com outros a caminho); e da série de enigmas KATE WISE, composta por dois livros (com outros a caminho). Como um ávido leitor e fã de longa data do gênero de suspense, Blake adora ouvir seus leitores, por favor, fique à vontade para visitar o site www.blakepierceauthor.com (http://www.blakepierceauthor.com) para saber mais a seu respeito e também fazer contato. Copyright© 2016 Blake Pierce. Todos os direitos reservados. Exceto como permitido sob o Copyright Act dos Estados Unidos de 1976, nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida por qualquer forma ou meios, ou armazenada numa base de dados ou sistema de recuperação sem a autorização prévia do autor. Este ebook está licenciado apenas para seu usufruto pessoal. Este ebook não pode ser revendido ou dado a outras pessoas. Se gostava de partilhar este ebook com outra pessoa, por favor compre uma cópia para cada recipiente. Se está a ler este livro e não o comprou ou não foi comprado apenas para seu uso, por favor devolva-o e compre a sua cópia. Obrigado por respeitar o trabalho árduo deste autor. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, locais, eventos e incidentes ou são o produto da imaginação do autor ou usados ficcionalmente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou falecidas, é uma coincidência. Jacket image Copyright GongTo, usado sob licença de Shutterstock.com. LIVROS ESCRITOS POR BLAKE PIERCE SÉRIE DE ENIGMAS KATE WISE SE ELA SOUBESSE (Livro n 1) SE ELA VISSE (Livro n 2) SÉRIE OS PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE ALVOS A ABATER (Livro #1) ESPERANDO (Livro #2) SÉRIE DE MISTÉRIO DE RILEY PAIGE SEM PISTAS (Livro #1) ACORRENTADAS (Livro #2) ARREBATADAS (Livro #3) ATRAÍDAS (Livro #4) PERSEGUIDA (Livro #5) A CARÍCIA DA MORTE (Livro #6) COBIÇADAS (Livro #7) ESQUECIDAS (Livro #8) SÉRIE DE ENIGMAS MACKENZIE WHITE ANTES QUE ELE MATE (Livro nº1) ANTES QUE ELE VEJA (Livro nº2) ANTES QUE COBICE (Livro nº3) ANTES QUE ELE LEVE (Livro nº4) ANTES QUE ELE PRECISE (Livro nº5) ANTES QUE ELE SINTA (Livro nº6) ANTES QUE ELE PEQUE (Livro nº7) ANTES QUE ELE CAÇE (Livro nº8) ANTES QUE ELE ATAQUE (Livro nº9) SÉRIE DE ENIGMAS AVERY BLACK MOTIVO PARA MATAR (Livro nº1) MOTIVO PARA CORRER (Livro nº2) MOTIVO PARA SE ESCONDER (Livro nº3) MOTIVO PARA TEMER (Livro nº4) MOTIVO PARA SALVAR (Livro nº5) MOTIVO PARA SE APAVORAR (Livro nº6) SÉRIE DE ENIGMAS KERI LOCKE UM RASTRO DE MORTE (Livro nº1) UM RASTRO DE HOMICÍDIO (Livro nº2) UM RASTRO DE IMORALIDADE (Livro nº3) UM RASTRO DE CRIME (Livro nº4) UM RASTRO DE ESPERANÇA (Livro nº5) ÍNDICE PRÓLOGO (#u730ad1cf-6589-5025-adde-5e1eed6da0f3) CAPÍTULO UM (#u17d0bf40-bb7c-5297-aa36-269280424f58) CAPÍTULO TRÊS (#uccdb7cb4-4972-5b18-bc91-02bfccb81fe0) CAPÍTULO QUATRO (#u17789374-ee27-585a-8a6f-a572916ec3e3) CAPÍTULO CINCO (#ue353143e-5033-5e7e-985f-ed5927f89036) CAPÍTULO SEIS (#u9ec50121-d41f-5112-a328-0d5192df04d4) CAPÍTULO SETE (#u8124027a-4946-5221-8641-ec781c5aab6d) CAPÍTULO OITO (#ub67fd802-057c-5a3c-b4b4-0adf1b3de4d5) CAPÍTULO NOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZ (#litres_trial_promo) CAPÍTULO ONZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DOZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TREZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO CATORZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUINZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZASSEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZASSETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZOITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZANOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E UM (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E DOIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E TRÊS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E QUATRO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E CINCO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E SEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E SETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E OITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E NOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E UM (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E DOIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E TRÊS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E QUATRO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E CINCO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E SEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E SETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E OITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E NOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUARENTA (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUARENTA E UM (#litres_trial_promo) PRÓLOGO O homem entrou no Salão Patom e viu-se inundado de uma nuvem espessa de fumo de cigarro. As luzes estavam fracas, uma velha música de heavy metal saía dos altifalantes e ele já se sentia impaciente. O lugar estava demasiado quente, demasiado cheio de gente. Recuou ao sentir uma agitação passageira a seu lado; virou-se e viu um jogo de dardos a ser jogado por cinco bêbedos. Ao lado deles, decorria um animado jogo de bilhar. Quanto mais depressa dali saísse, melhor. Olhou em torno da sala durante alguns segundos antes dos seus olhos repousarem numa mulher jovem sentada no bar. A mulher tinha um rosto engraçado e um penteado ameninado. Estava demasiado bem vestida para um lugar daqueles. Vai servir perfeitamente, Pensou o homem. Caminhou na direção do bar, sentou-se no banco ao lado dela e sorriu. “Como se chama?” Perguntou. Apercebeu-se que não conseguia ouvir a sua própria voz sobre o ruído geral. Ela olhou para ele, devolveu-lhe o sorrido, apontou para as orelhas e abanou a cabeça. Ele repetiu a pergunta mais alto, movendo os lábios de uma forma exagerada. Ela encostou-se a ele. Quase a gritar, disse, “Tilda. E o seu?” “Michael,” Disse ele, não muito alto. É claro que não era o seu nome verdadeiro, mas isso nem era importante. Ele duvidava que ela o conseguisse ouvir. Não se parecia importar. Ele olhou para a sua bebida, praticamente vazia. Parecia ser uma margarita. Apontou para o copo e disse muito alto, “Quer outra?” Ainda a sorrir, a mulher que se chamava Tilda abanou a cabeça em sinal de recusa. Mas não o estava a sacudir. Ele tinha a certeza. Teria chegado o momento para uma atitude ousada? Ele pegou num guardanapo de cocktail e retirou uma caneta do bolso da camisa. Escreveu no guardanapo… Gostaria de ir para algum lado? Ela olhou para a mensagem. O seu sorriso aumentou. Hesitou durante alguns instantes, mas ele pressentiu que ela estava ali à procura de algo diferente. E parecia satisfeita de a ter encontrado. Por fim, para seu deleite, ela anuiu. Antes de saírem, ele pegou numa caixa de fósforos com o nome do bar. Ia precisar daquilo mais tarde. Ajudou-a a vestir o casaco e foram para o exterior. O ar fresco de primavera e silêncio repentino eram assustadores depois do ruído e calor. “Uau,” Disse ela enquanto caminhava a seu lado. “Quase ficava surda lá dentro.” “Presumo que não pare muito por ali,” Disse ele. “Não,” Disse ela. Não se adiantou, mas ele tinha a certeza que era a primeira vez que ela ia ao Salão Patom. “Eu também não,” Disse ele. “Que experiência.” “Bem pode repeti-lo.” “Que experiência,” Disse ele. Ambos se riram. “Aquele é o meu carro,” Disse ele, apontando. “Onde gostaria de ir?” Ela hesitou novamente. Então, com os olhos a cintilar, ela disse, “Surpreenda-me.” Agora ele sabia que o seu primeiro palpite estava certo. Ela estava ali à procura de qualquer coisa diferente. Bem, na verdade, também ele. Ele abriu a porta do passageiro e ela entrou. O homem sentou-se ao volante e começou a conduzir. “Onde vamos?” Perguntou ela. Com um sorriso e um piscar de olho ele respondeu, “Disse que queria ser surpreendida.” Ela riu-se. O seu riso parecia nervoso mas agradado. “Presumo que vive aqui em Greybull,” Disse ele. “Nascida e criada,” Disse ela. “Julgo que nunca o tinha visto antes. Vive aqui por perto?” “Não muito longe,” Disse ele. Ela riu-se novamente. “O que o traz a esta cidadezinha chata?” “Negócios.” Ela olhou para ele com uma expressão curiosa, mas não tocou no assunto. Aparentemente, não estava muito interessada em conhecê-lo. Isso era compatível com o seu objetivo. Ele estacionou no parque de estacionamento de um pequeno motel chamado Maberly Inn. Estacionou em frente ao quarto 34. “Já aluguei este quarto,” Disse ele. Ela não disse nada. Depois, após um curto silêncio, ele perguntou, “Sente-se bem com isto?” Ela anuiu algo nervosamente. Entraram juntos no quarto. Ela olhou à volta. O quarto tinha um odor desagradável a humidade e as paredes estavam decoradas com quadros feios. Ela foi até à cama e colocou a mão sobre o colchão, verificando a sua firmeza. Estaria ela descontente com o quarto? Ele não tinha a certeza. O gesto enfureceu-o – enfureceu-o terrivelmente. Não sabia porquê, mas algo dentro de si deu sinal. Normalmente só atacaria quando ela estivesse nua na cama. Mas agora não se conseguia conter. Quando ela se virou para ir à casa de banho, ele bloqueou-lhe a passagem. Os olhos de Tilda dilataram-se assustados. Antes que conseguisse reagir, ele puxou-a para trás para a cama. Ele tentou resistir, mas ele era muito mais forte. Ela tentou gritar, mas antes de o conseguir, ele agarrou numa almofada e pressionou-a contra o seu rosto. Ele sabia que em breve tudo terminaria. CAPÍTULO UM De repente, as luzes ligaram-se e os olhos da Agente Lucy Vargas ressentiram-se do brilho. Os alunos sentados à sua volta começaram a sussurrar suavemente. A mente de Lucy estava profundamente concentrada no exercício – imaginar um homicídio real do ponto de vista do assassino – e era difícil sair do pesadelo. “OK, vamos falar sobre aquilo que viram,” Disse a instrutora. A instrutora era nada mais, nada menos do que a mentora de Lucy, a Agente Especial Riley Paige. Lucy não era aluna. Aquela aula destinava-se apenas a cadetes da Academia do FBI. Acontecera aparecer por ali naquele dia como fazia de vez em quando. Ainda estava há pouco tempo na UAC e considerava que Riley Paige era uma fonte inesgotável de inspiração e informação. Aproveitava cada oportunidade para aprender com ela – e também trabalhar com ela. A Agente Paige dera aos alunos detalhes de um caso de homicídio arquivado há cerca de vinte e cinco anos. Três jovens tinham sido mortas na Virginia. Dera-se ao assassino a alcunha de “Assassino da Caixa de Fósforos” porque deixava caixas de fósforos nos corpos das vítimas. As caixas eram provenientes de bares de uma zona geral perto de Richmond. Também deixava guardanapos com os nomes dos motéis onde as mulheres tinham sido mortas. Ainda assim, a investigação desses lugares não trouxera luz ao caso. Riley disse aos alunos para usarem a sua imaginação para recriar um dos homicídios. “Soltem a vossa imaginação,” Disse Riley antes de começarem. “Visualizem muitos detalhes. Não se preocupem em deter-se nas coisas pequenas, mas tentem captar corretamente as coisas no geral – a atmosfera, o ambiente, o cenário.” Depois desligou as luzes durante dez minutos. Agora que as luzes estavam outra vez ligadas, Riley caminhava de um lado para o outro na sala de aula. Disse, “Antes de mais nada, falem-me um pouco sobre o Salão Patom. Como é que era?” Uma mão ergueu-se no meio da sala. Riley pediu ao aluno para falar. “O lugar não era propriamente elegante, mas tentava aparentar ter mais classe do que aquela que na verdade tinha,” Disse ele. “Mesas mal iluminadas encostadas às paredes. Algum tipo de revestimento suave por todo o lado – talvez camurça.” Lucy estava intrigada. Ela não tinha imaginado o bar com aquele aspeto. Riley sorriu, mas não disse ao aluno se estava certo ou errado. “Mais alguma coisa?” Perguntou Riley. “Havia música a tocar baixo,” Disse outro aluno. “Talvez jazz.” Mas Lucy lembrava-se claramente de ter imaginado o ruído das músicas de hard rock dos anos 70 e 80. Será que se tinha enganado? Riley perguntou, “E Maberly Inn? Como é que era?” Uma aluna ergueu a mão e Riley pediu-lhe para falar. “Pitoresca e tão agradável quanto um motel pode ser,” Disse a jovem. “E bastante velho. Remontando a um tempo anterior ao surgimento das cadeias de motéis.” Outro aluno falou. “Isso parece-me bem.” Outros alunos manifestaram a sua concordância. Mais uma vez, Lucy ficou espantada com a forma tão diferente como tinha imaginado o lugar- Riley sorriu mais uma vez. “Quantos de vocês partilham estas impressões gerais – tanto do bar como do motel?” A maioria dos alunos ergueu as mãos. Lucy agora sentia-se algo deslocada. “Tentem captar corretamente as coisas no geral,” Dissera-lhes Riley. Será que Lucy tinha falhado redondamente todo o exercício? Será que toda a gente na sala tinha captado a essência exceto ela? Então Riley mostrou algumas imagens no ecrã. Primeiro surgiram várias fotografias do Salão Patom – uma foto do exterior com o sinal de néon a cintilar na janela e várias outras fotos do interior. “Este é o bar,” Disse Riley. “Ou pelo menos era o seu aspeto na altura em que ocorreram os homicídios. Não sei ao certo como está agora – ou se ainda existe.” Lucy sentiu-se aliviada. Era bastante parecido com aquilo que tinha imaginado – um lugar degradado com paredes apaineladas e estofos de falso cabedal. Até tinha um par de mesas de bilhar e um alvo como ela tinha pensado. E mesmo nas imagens era possível ver uma espessa nuvem de fumo de cigarros. Os alunos ficaram surpreendidos. “Agora vamos ver o Maberly Inn,” Disse Riley. Surgiram mais fotos. O motel parecia tão sujo como Lucy o havia imaginado – não muito antigo, mas ainda assim em mau estado. Riley riu-se um pouco. “Parece não coincidir bem com aquilo que imaginaram,” Disse ela. A turma riu nervosamente em concordância. “Porque é que visualizaram as cenas como as visualizaram?” Perguntou Riley. Solicitou a uma jovem com a mão no ar para falar. “Bem, disse-nos que o assassino abordara primeiro a vítima num bar,” Disse ela. “Isso aponta para ‘bar de solteiros’ na minha opinião. Um bocado foleiro, mas tentando parecer ter classe. Não imaginei um lugar do tipo classe trabalhadora.” Outro aluno disse, “Com o motel a mesma coisa. O assassino não a levaria para um lugar agradável, nem que fosse só com o intuito de a enganar?” Lucy agora sorria amplamente. Agora percebo, Pensou. Riley reparou no seu sorriso e devolveu-lho. Disse, “Agente Vargas, onde é que tantos de nós se enganaram?” Lucy disse, “Todos se esqueceram ter em consideração a idade da vítima. Tilda Steen tinha apenas vinte anos. As mulheres que frequentam bares de solteiros são geralmente mais velhas, rondam os trintas ou a meia idade, muitas vezes divorciadas. Por isso é que visualizaram o bar de forma errada.” Riley concordou. “Continue,” Disse ela. Lucy pensou por um momento. “Disse que ela vinha de uma família de classe média de uma pequena cidade. A julgar pelas fotos que nos mostrou anteriormente, ela era atraente e duvido que tivesse dificuldades amorosas. Então porque é que ela se deixou engatar num lugar como o Salão Patom? A minha hipótese é que estava aborrecida. Ela foi deliberadamente para um lugar que podia ser um pouco perigoso.” E encontrou mais perigo do que aquele que procurava, Pensou Lucy. “O que podemos todos aprender do que acabou de acontecer?” Perguntou Riley à turma. Um aluno levantou a mão e disse, “Quando estamos a reconstruir um crime mentalmente, temos que nos assegurar que enquadramos toda a informação que temos em nossa posse. Não devemos deixar nada de fora.” Riley parecia agradada. “Exato,” Disse ela. “Um detetive tem que possuir uma imaginação vívida, tem que conseguir entrar na mente do assassino. Mas isso é complicado. Ao descurar um simples detalhe, pode perder-se. Pode fazer a diferença entre resolver o caso e não o resolver.” Riley calou-se por momentos e depois acrescentou, “E este caso nunca foi resolvido. Se alguma vez irá ser… bem, duvido. Passados vinte e cinco anos, é difícil apanhar-lhe novamente o rasto. Um homem matou três jovens – e são grandes as probabilidades de ainda andar por aí.” Riley deixou as suas palavras embrenharem-se na audiência durante alguns instantes. “É tudo por hoje,” Disse por fim. “Sabem o que devem ler para a próxima aula.” Os alunos saíram da sala. Lucy decidiu ficar durante mais um bocado para conversar com a sua mentora. Riley sorriu-lhe e disse, “Fizeste um excelente trabalho de detetive ainda há pouco.” “Obrigada,” Disse Lucy. Ficou feliz. Todo e qualquer elogio vindo de Riley Paige significava muito para ela. Depois Riley disse, “Mas agora quero que tentes uma coisa um pouco mais avançada. Fecha os olhos.” Lucy fechou-os. Em voz baixa e calma, Riley deu-lhe mais detalhes. “Depois de matar Tilda Steen, o assassino enterrou-a numa campa rasa. Consegue descrever-me como é que isso aconteceu?” Como fizera durante o exercício, Lucy tentara entrar na mente do assassino. “Ele deixou o corpo na cama, depois saiu do quarto do motel,” Disse Lucy em voz alta. “Olhou cuidadosamente à sua volta. Não viu ninguém. Então levou o corpo para o seu carro e colocou-o no banco de trás. Depois conduziu até uma área florestal. Um lugar que conhecia bem, mas não muito próximo da cena do crime.” “Continua,” Disse Riley. Com os olhos ainda fechados, Lucy conseguia sentir a frieza metódica do assassino. “Parou o carro onde não o poderiam ver. Depois tirou uma pá da bagageira.” Lucy sentiu dificuldades por um momento. Era noite por isso, como é que o assassino vaguearia pelo bosque? Não seria fácil transportar uma lanterna, uma pá e um corpo. “Era noite de luar?” Perguntou Lucy. “Era,” Disse Riley. Lucy sentiu-se encorajada. “Ele apanhou na pá com uma mão e pendurou o corpo no ombro com a outra. Começou a percorrer o bosque. Caminhou até encontrar um lugar distante que sabia não ser frequentado por ninguém.” “Um lugar distante?” Perguntou Riley, interrompendo a recriação de Lucy. “Definitivamente,” Disse Lucy. “Abra os olhos.” Lucy abriu-os. Riley estava a arrumar a sua pasta para se ir embora. Disse, “Na verdade o assassino levou o corpo para o bosque do outro lado da autoestrada perto do motel. Só carregou o corpo de Tilda durante alguns metros. Podia ter visto luzes vindas da autoestrada e provavelmente usou a luz de um candeeiro de rua para enterrar Tilda. E enterrou-a de forma descuidada, cobrindo-a mais com pedras do que com terra. Um ciclista que ia a passar reparou no cheiro uns dias mais tarde e chamou a polícia. O corpo foi fácil de encontrar.” Lucy ficou surpreendida com este desfecho. “Porque é que não se deu a mais trabalho para esconder o crime?” Perguntou. “Não percebo.” Fechando a sua pasta, Riley franziu o sobrolho pesarosamente. “Eu também não,” Disse ela. “Ninguém sabe.” Riley pegou na sua pasta e deixou a sala. Ao vê-la partir, Lucy detetou amargura e desilusão na passada de Riley. Era óbvio que por muito desligada que parecesse estar, Riley ainda se sentia atormentada por este caso arquivado. CAPÍTULO DOIS Naquela noite ao jantar, Riley Paige não conseguia tirar da cabeça o “Assassino da Caixa de Fósforos”. Utilizara aquele caso arquivado como exemplo na sua aula porque sabia que teria notícias dele em breve. Riley tentou concentrar-se no delicioso guisado Guatemalteco que Gabriela tinha preparado. A sua empregada era uma cozinheira extraordinária. Riley esperava que Gabriela não reparasse que ela estava a ter dificuldades em apreciar o jantar naquela noite. Mas é claro que as miúdas repararam. “O que é que se passa, mãe?” Perguntou April, a filha de quinze anos de Riley. “Passa-se alguma coisa?” Perguntou Jilly, a menina de treze anos que Riley pensava adotar. Também Gabriela olhava para Riley com preocupação. Riley não sabia o que dizer. A verdade era que sabia que ia ser recordada do Assassino da Caixa de Fósforos no dia seguinte – um telefonema que recebia todos os anos. Não valia a pena não pensar no assunto. Mas Riley não gostava de trazer o trabalho de casa para o seio da família. Houvera ocasiões em que apesar dos seus esforços, pusera os seus entes queridos em perigo. “Não é nada,” Disse ela. As quatro comeram silenciosamente durante alguns instantes. Por fim April disse, “É o pai, não é? Incomoda-te que ele não esteja outra vez em casa.” A pergunta apanhou Riley de surpresa. As ausências recentes do marido andavam a incomodá-la. Ela e Ryan tinham-se esforçado muito para se reconciliarem, mesmo depois de um divórcio doloroso. Agora o seu progresso parecia estar a ruir e Ryan passava cada vez mais tempo na sua casa. Mas não era Ryan o que a preocupava naquele momento. O que é isso dizia de si? Estaria a acostumar-se à sua relação falhada? Desistira? As suas três companheiras de jantar ainda olhavam para ela, à espera que dissesse alguma coisa. “É um caso,” Disse Riley. “Aborrece-me sempre nesta altura do ano.” Os olhos de Jilly abriram-se muito demonstrando o seu entusiasmo. “Conta-nos!” Disse ela. Riley pensou no quanto podia dizer às miúdas. Não queria descrever os pormenores do crime à sua família. “É um caso arquivado,” Disse ela. “Uma série de homicídios que nem a polícia local, nem o FBI conseguiram resolver. Tento resolvê-lo há anos.” Jilly balançava na cadeira. “Como é que o vai resolver?” A pergunta espicaçou Riley. É claro que Jilly não a queria magoar – bem pelo contrário. A jovem tinha orgulho em ter como mãe uma agente do FBI. E ainda tinha a ideia de que Riley era alguma espécie de super-heroína que nunca falhava. Riley conteve um suspiro. Talvez tenha chegado o momento de lhe dizer que nem sempre consigo apanhar os maus, Pensou. Mas Riley disse apenas, “Não sei.” Era a mais pura verdade. Mas havia uma coisa que Riley sabia. O vigésimo quinto aniversário da morte de Tilda Steen era no dia seguinte e ela não o iria conseguir esquecer. Para alívio de Riley, a conversa à mesa virou-se para o magnífico jantar de Gabriela. A robusta mulher Guatemalteca e as miúdas começaram a falar em Espanhol e Riley tinha dificuldades em seguir o que diziam. Mas não fazia mal. April e Jilly estavam ambas a estudar Espanhol, e April estava a ficar bastante fluente. Jilly ainda lutava com a língua mas Gabriela e April estavam a ajudá-la. Riley sorriu enquanto ela via e ouvia. A Jilly parece bem, Pensou. Jilly era uma menina magra e de pele escura – mas já não a rapariguinha desesperada que Riley salvara das ruas de Phoenix há alguns meses atrás. Era amável e saudável, e parecia estar a ajustar-se bem à nova vida com Riley e a família. E April estava a provar ser uma excelente irmã mais velha. Estava a recuperar bem de traumas por que tinha passado. Por vezes quando olhava para April, Riley sentia que estava a olhar para um espelho – um espelho que mostrava o seu próprio eu adolescente de há muitos anos atrás. April tinha os olhos cor de avelã e cabelo escuro de Riley. Riley sentiu uma imensa tranquilidade. Talvez esteja a fazer um ótimo trabalho como mãe, Pensou. Mas a tranquilidade depressa se dissipou. O misterioso Assassino da Caixa de Fósforos ainda assombrava a sua mente. * Depois do jantar, Riley foi para o seu quarto e escritório. Sentou-se ao computador e respirou fundo algumas vezes, tentando relaxar. Mas a tarefa que estava à sua espera era de alguma forma angustiante. Parecia ridículo ela sentir-se daquela forma. No final de contas, ela perseguira e combatera dezenas de assassinos perigosos ao longo dos anos. A sua própria vida tinha estado ameaçada mais vezes do que o razoável. Só falar com a minha irmã não me devia deixar assim, Pensou. Mas não via Wendy há… quantos anos já tinham passado? Pelo menos desde que Riley era miúda. Wendy entrara novamente em contacto quando o pai de ambas morrera. Tinham falado ao telefone refletindo na possibilidade de se encontrarem pessoalmente. Mas Wendy vivia longe em des Moines, Iowa e não tinham conseguido combinar um encontro. Então tinham decidido daquela vez falarem através de um chat de vídeo. Para se preparar, Riley olhou para uma foto emoldurada que estava à sua secretátia. Tinha-a encontrado entre os pertences do pai após a sua morte. Mostrava Riley, Wendy e a mãe. Riley parecia ter quatro anos e Wendy já devia estar na adolescência. Ambas as raparigas e a mãe pareciam felizes. Riley não se lembrava quando ou onde a fotografia fora tirada. E não se recordava da sua família alguma vez ser feliz. Com as mãos frias e a tremer, digitou a morada de vídeo de Wendy no teclado. A mulher que surgiu no ecrã bem podia ser uma perfeita estranha. “Olá Wendy,” Disse Riley timidamente. “Olá,” Respondeu Wendy. Ficaram ali sentadas a olhar uma para a oura estupidamente durante alguns momentos confrangedores. Riley sabia que Wendy tinha cerca de cinquenta anos, sendo por isso dez anos mais velha que ela. Parecia encarar a idade que tinha sem problemas. Parecia bastante convencional. O cabelo parecia não estar a encanecer como o de Riley, mas Riley duvidava que fosse a sua cor natural. Riley olhava para o rosto de Wendy e para a foto. Notou que Wendy se parecia com a mãe. Riley sabia que se parecia mais com o pai e não se sentia especialmente orgulhosa dessa parecença. “Bem,” Disse por fim Wendy para quebrar o silêncio. “O que é que tens feito… nas últimas décadas?” Riley e Wendy riram-se ambas um pouco. Até o seu riso parecia tenso e estranho. Wendy perguntou, “És casada?” Riley suspirou alto. Como podia ela explicar o que se estava a passar entre ela e Ryan quando nem ela sabia ao certo? Disse, “Bem, como os miúdos dizem hoje em dia, ‘é complicado’. E quero dizer mesmo complicado.” Seguiram-se mais uns risos nervosos. “E tu?” Perguntou Riley. Wendy parecia começar a descontrair um pouco. “O Loren e eu estamos quase a fazer vinte e cinco anos de casados. Somos ambos farmacêuticos e temos a nossa própria farmácia. O Loren herdou-a do pai. Temos três filhos. O mais novo, Barton, está fora na universidade. Thora e Parish são ambos casados e têm as suas vidas. Acho que isso faz de mim e do Loren os clássicos pais cujos filhos ganharam asas e os deixaram.” Riley sentiu uma melancolia estranha a tomar conta dela. A vida de Wendy em nada se tinha assemelhado à dela. Na verdade, a vida de Wendy tinha sido aparentemente normal. A sensação de estar a olhar para um espelho, como ao jantar com April, regressara. Com exceção de que o espelho não era do seu passado. Era de um ser futuro – alguém em quem ela se poderia ter transformado, mas que nunca, nunca poderia ser. “E tu?” Perguntou Wendy. “Tens filhos?” Mais uma vez Riley sentiu-se tentada a dizer… “É complicado.” Mas em vez disso, disse, “Duas. Tenho uma filha com quinze anos, April. E estou prestes a adotar outra – Jilly que tem treze anos.” “Adoção! Mais pessoas o deviam fazer. Isso é ótimo.” Riley não sentia que devia ser parabenizada no momento. Sentir-se-ia melhor se tivesse a certeza de que Jilly cresceria numa família com pai e mãe. Naquele momento, aquele assunto era uma dúvida. Mas Riley decidiu não entrar por aí com Wendy. Em vez disso, queria tratar de um outro assunto com a irmã. E receava que pudesse ser estranho. “Wendy, sabes que o pai me deixou a sua cabana no testamento,” Disse ela. Wendy anuiu. “Eu sei,” Disse ela. “Enviaste-me algumas fotos. Parece um lugar agradável.” As palavras eram um pouco dissonantes… “… um lugar agradável.” Riley tinha lá estado algumas vezes – e recentemente quando o pai falecera. Mas as suas memórias do lugar estavam longe de ser agradáveis. O pai tinha comprado quando se aposentara da Marinha. Riley lembrava-se da cabana como a casa de um velho solitário e mau que odiava toda a gente – e um homem que também todos odiavam. A última vez que Riley o vira vivo, haviam chegado a vias de facto. “Penso que foi um engano,” Disse Riley. “O quê?” “Deixar-me a cabana. Foi errado da parte dele fazer isso. Devia ter ido para ti.” Wendy parecia genuinamente surpreendida. “Porquê?” Perguntou. Riley sentiu todo o tipo de emoções negativas a revolverem-se dentro de si. Aclarou a garganta. “Porque estiveste com ele no fim, quando ele estava no lar. Cuidaste dele. Até trataste de tudo depois de ele morrer – o funeral e as coisas legais. Eu não estava lá. Eu…” Riley quase se engasgou com as palavras que proferiu de seguida. “Penso que não conseguiria fazer o que fizeste. Nós não nos dávamos bem.” Wendy sorriu com tristeza. “Nós também não nos dávamos bem.” Riley sabia que era verdade. Pobre Wendy – o pai batera-lhe regularmente até ela finalmente fugir de vez aos quinze anos. E mesmo assim, Wendy mostrara a decência de cuidar dele no fim. Riley não o tinha feito e não conseguia evitar sentir-se culpada a esse respeito. Riley disse, “Não sei quanto vale a cabana. Deve valer alguma coisa. Quero que fiques com ela.” Os olhos de Wendy dilataram-se. Parecia assustada. “Não,” Disse ela. A franqueza da sua resposta espantou Riley. “Por que não?” Perguntou Riley. “Simplesmente não posso. Não quero. Quero esquecer-me dele.” Riley sabia exatamente como é que ela se sentia. Ela sentia o mesmo. Wendy acrescentou, “Deves vendê-la e ficar com o dinheiro. É o que quero que faças.” Riley não sabia o que dizer. Felizmente, Wendy mudou de assunto. “Antes do pai morrer, ele disse-me que eras agente da UAC. Há quanto tempo estás nesse trabalho?” “Há cerca de vinte anos,” Disse Riley. “Bem. Penso que o pai tinha orgulho em ti.” Um riso amargo apoderou-se de Riley. “Não, não tinha,” Disse ela. “Como sabes?” “Oh, ele deu-me a entender. Ele tinha a sua forma muito particular de comunicar.” Wendy suspirou. “Penso que tinha,” Disse Wendy. Seguiu-se um silêncio desconfortável. Riley não sabia do que deviam falar. No final de contas, mal tinham falado durante muitos anos. Deveriam tentar encontrar uma forma de se reunirem pessoalmente? Riley não se imaginava a viajar até Des Moines só para ver esta estranha chamada Wendy. E tinha a certeza que Wendy sentia o mesmo em relação a ela. Afinal, o que poderiam ter em comum? Naquele momento, o telefone de Riley tocou. Ficou grata pela interrupção. “É melhor atender,” Disse Riley. “Eu compreendo,” Disse Wendy. “Obrigada por este bocadinho.” “Eu é que te agradeço,” Disse Riley. Terminaram a chamada e Riley atendeu o telefone. Riley disse ola e depois ouviu uma voz confusa de mulher. “Olá… quem fala?” “Quem fala?” Repetiu Riley. Seguiu-se um silêncio. “O… o Ryan está em casa?” Perguntou a mulher. As suas palavras pareciam agora distorcidas. Riley tinha a certeza de que a mulher estava bêbeda. “Não,” Disse Riley. Hesitou durante alguns instantes. Afinal de contas, lembrou a si própria, podia ser uma cliente de Ryan. Mas ela sabia que não era. A situação era demasiado familiar. Riley disse, “Não volte a ligar para este número.” E desligou. Uma fúria imensa apoderou-se dela. Está a começar outra vez, Pensou. Ligou para o telefone da casa de Ryan. CAPÍTULO TRÊS Quando Ryan atendeu o telefone, Riley não perdeu tempo a ir direita ao assunto. “Estás a andar com outra pessoa, Ryan?” Perguntou. “Porquê?” “Acabou de ligar uma mulher a perguntar por ti.” Ryan hesitou antes de perguntar, “Ficaste com o nome dela?” “Não. Desliguei.” “Quem me dera que não o tivesses feito. Podia ser uma cliente.” “Estava bêbeda Ryan. E era pessoal. Percebi pelo tyom de voz.” Ryan ficou sem saber o que dizer. Riley repetiu a pergunta, “Estás a andar com alguém?” “Eu… desculpa,” Gaguejou Ryan. “Não sei como é que ela conseguiu o teu número. Deve ter sido algum engano.” Ah, podes crer que houve um engano, Pensou Riley. “Não estás a responder à minha pergunta,” Insistiu ela. Agora Ryan começava a ficar zangado. “E se estiver a andar com alguém? Riley, nunca fizemos nenhum acordo de exclusividade.” Riley ficou surpreendida. Não, ela não se recordava de terem feito um acordo desse género. Mas ainda assim... “Eu simplesmente assumi…” Principiou ela. “Talvez tenhas assumido demasiado,” Interrompeu Ryan. Riley tentou contrariar o seu temperamento. “Como é que ela se chama?” Perguntou. “Lina.” “É sério?” “Não sei.” O telefone tremia na mão de Riley. Disse, “Não te parece que já é altura de te decidires?” Seguiu-se um silêncio. Por fim, Ryan disse, “Riley, tenho querido falar contigo sobre isto. Preciso de algum espaço. Toda esta cena de família – eu pensava que estava preparado para isto, mas não estou. Quero desfrutar da minha vida. E tu deves também desfrutar da tua.” Riley conseguia discernir um tom demasiado familiar na sua voz. Voltou ao modo playboy, Pensou. Ele estava a saborear a sua nova ligação, afastando-se de Riley e da sua família. Ultimamente, parecia um homem mudado – mais empenhado e responsável. Ela devia ter percebido que não era coisa para durar. Ele não mudara nada. “O que é que vais fazer agora?” Perguntou ela. Ryan parecia aliviado por finalmente poder revelar o que pensava. “Olha, esta coisa de andar entre a tua casa e a minha – não está a resultar para mim. Parece demasiado temporário. O melhor é ficar-me pela minha casa.” “A April vai ficar aborrecida,” Disse Riley. “Eu sei. Mas havemos de nos arranjar. Vou continuar a passar tempo com ela e vai tudo correr bem. Já passou por coisas bem piores.” A loquacidade de Ryan estava a enfurecer Riley a cada minuto que passava. Estava prestes a explodir. “E a Jilly?” Perguntou Riley. “Ela gosta muito de ti. Aprendeu a contar contigo. Ajudaste-a em imensas coisas. Como os trabalhos de casa. Ela precisa de ti. Está a passar por tantas mudanças, é tudo muito duro para ela.” Seguiu-se outra pausa. Riley sabia que Ryan estava a preparar-se para dizer qualquer coisa de que ela não ia gostar. “Riley, a Jilly foi uma decisão tua. Admiro-te por isso, mas não fui eu que tomei essa decisão. A adolescente problemática de outra pessoa é muita areia para a minha camioneta. Não é justo.” Durante um momento, Riley estava tão furiosa que não conseguia falar. Ryan regressara aos velhos tempos em que apenas os seus sentimentos importavam. Era um caso perdido. “Vem cá e leva as tuas coisas,” Disse ela de forma brusca. “E vem quando as miúdas estiverem na escola. Quero que tudo o que é teu desapareça daqui o mais rapidamente possível.” E desligou o telefone. Levantou-se da secretária e caminhou furiosamente pelo quarto. Desejava ter um escape para a sua fúria, mas naquele momento não havia nada a fazer. Ia ter que aguentar uma noite de insónia. Mas no dia seguinte, tomaria as providências necessárias para libertar aquela tensão. CAPÍTULO QUATRO Riley sabia que um ataque se aproximava e que ia ser próximo e súbito. E podia vir de qualquer lado daqueles espaços labirínticos. Esgueirou-se cuidadosamente ao longo de um corredor estreito do edifício abandonado. Mas as memórias da noite anterior não paravam de se intrometer… “Preciso de algum espaço,” Dissera Ryan. “Toda esta cena de família – eu pensava que estava preparado para isto, mas não estou.” “Quero desfrutar da minha vida.” Riley estava zangada – não apenas com Ryan, mas também com ela por se ter deixado distrair. Mantém-te concentrada, Disse a si própria. Tens um bandido para apanhar. E a situação era sombria. A colega mais nova de Riley, Lucy Vargas, já tinha sido ferida. O parceiro de longa data de Riley, Bill Jeffreys, tinha ficado com Lucy. Estavam ambos a uma esquina de distância atrás de Riley, a tentar detetar atiradores. Riley ouviu a espingarda de Bill. Com perigo à espreita à sua frente, não podia olhar para trás para ver o que se estava a passar. “Como está a situação, Bill?” Gritou. Agora ouvia uma série de tiros de semiautomática. “Um abatido, faltam dois,” Gritou-lhe Bill. “Eu abato estes tipos, sem problema. E cubro a Lucy, ela vai ficar bem. Mantém os teus olhos focados no que tens à tua frente. Aquele tipo à frente é bom. Muito bom.” Bill tinha razão. Riley não conseguia ver o atirador à frente, mas ele já tinha atingido Lucy. Se Riley não o abatesse, o mais certo era matá-los aos três. Manteve a sua carabina M4 erguida e pronta. Há muito que não manuseava uma arma de assalto, por isso ainda se estava a habituar à sua forma e peso. À sua frente estava o corredor com todas as portas abertas. O atirador podia estar em qualquer um daqueles compartimentos. Ela estava determinada a encontrá-lo e a abatê-lo antes que fizesse mais estragos. Riley manteve-se junto à parede, movimentando-se na direção da primeira porta. Esperando que ele lá estivesse, manteve-se afastada da entrada, pegou na arma e disparou três vezes para o interior. Depois colocou-se à entrada e disparou mais três vezes. Desta vez pressionou a coronha contra o ombro para amparar o recuo. Baixou a arma e viu que o compartimento estava vazio. Virou-se para se certificar que o corredor ainda estava vazio, depois pensou durante um instante sobre qual seria a sua próxima ação. Para além de ser perigoso, verificar cada compartimento daquela forma ia custar-lhe munições preciosas. Mas naquele momento, parecia não ter escolha possível. Se o atirador estivesse num daqueles compartimentos, estava preparado para matar quem tentasse ultrapassar a entrada. Parou por um momento para avaliar as suas próprias reações físicas. Estava agitada, nervosa. A pulsação estava acelerada. Respirava com dificuldade e aceleradamente. Mas era da adrenalina ou da fúria da noite passada? Lembrou-se outra vez… “E se estiver a andar com alguém?” Dissera Ryan. “Riley, nunca fizemos nenhum acordo de exclusividade.” Dissera-lhe que o nome da mulher era Lina. Riley perguntou-se que idade teria. Provavelmente muito jovem. As mulheres de Ryan eram sempre demasiado jovens. Raios, para de pensar nele! Estava a reagir como uma novata estúpida. Tinha que se lembrar de quem era. Ela era Riley Paige e era respeitada e admirada. Tinha vários anos de treino e trabalho de campo. Descera ao inferno e voltara vezes se conta. Tirara vidas e salvara vidas. Tinha sempre calma perante o perigo. Então como podia ela deixar Ryan afetá-la daquela forma? Abanou-se, tentando afastar as distrações da cabeça. Dirigiu-se ao compartimento seguinte, disparou à entrada, depois entrou e disparou novamente. Naquele momento a sua arma encravou-se. “Raios,” Resmungou Riley audivelmente. Por sorte, o atirador também não estava naquele compartimento. Mas ela sabia que a sua sorte podia acabar a qualquer momento. Pousou a M4 e sacou a sua pistola Glock. Nessa altura, um movimento captou a sua atenção. Ele estava ali, naquela porta logo à frente, a espingarda apontada diretamente a ela. Instintivamente, Riley baixou-se e rebolou, evitando o disparo. Depois ficou ajoelhada e disparou três vezes, protegendo-se do recuo. As três balas atingiram o atirador que caiu no chão. “Apanhei-o!” Gritou a Bill. Observou a figura cuidadosamente e não viu sinal de vida. Terminara. Então Riley levantou-se e removeu o seu capacete de RV, fones e microfone. O atirador caído desaparecera, juntamente com o labirinto de corredores. Deu por si numa sala do tamanho de um campo de basquetebol. Bill estava próximo e Lucy levantava-se. Bill e Lucy também tiravam os seus capacetes. Tal como Riley usavam outros equipamentos, incluindo correias à volta dos pulsos, joelhos e tornozelos que detetavam os seus movimentos na simulação. Agora que os seus companheiros já não eram fantoches simulados, Riley parou por um momento para apreciar a sua presença real. Pareciam um par estranho – um deles maduro e sólido, e outro jovem e impulsivo. Mas ambos estavam entre as pessoas de quem mais gostava no mundo. Riley já tinha trabalhado com Lucy mais do que uma vez no terreno e sabia que podia contar com ela. A jovem agente de pele e olhos escuros parecia sempre brilhar por dentro, irradiando energia e entusiasmo. Por contraste, Bill tinha a idade de Riley e apesar dos seus quarenta anos o estarem a tornar um pouco mais lento, ainda era um excelente agente de campo. Também ainda é um pão, Lembrou a si própria. Durante alguns instantes pensou – agora que as coisas com Ryan não tinham dado certo, talvez ela e Bill pudessem…? Mas não, ela sabia que era uma péssima ideia. No passado, ela e Bill tinham feito tentativas desastradas de iniciar algo sério e os resultados tinham sido desastrosos. Bill era um ótimo parceiro e um amigo ainda melhor. Seria uma estupidez estragar isso. “Bom trabalho,” Disse Bill a Riley, sorrindo abertamente. “Pois, salvou-me a vida, Agente Paige,” Disse Lucy a rir. “Nem acredito que me deixei atingir. Não o consegui abater quando estava mesmo à minha frente!” “Isso faz parte do objetivo do sistema,” Disse Bill a Lucy, dando-lhe uma palmadinha nas costas. “Mesmo agentes muito experientes tendem a falhar os seus alvos a curta distância. A RV ajuda a lidar com esse tipo de problema.” Lucy disse, “Bem, nada como ser atingida por uma bala virtual no ombro para nos ensinar essa lição.” Esfregou o ombro onde o equipamento a tinha atingido com uma ligeira ferroada para que soubesse que tinha sido atingida. “É melhor do que se for uma real,” Disse Riley. “De qualquer das formas, desejo-te uma rápida recuperação.” “Obrigada!” Disse Lucy, rindo novamente. “Já me sinto melhor.” Riley guardou a pistola modelo e apanhou a falsa espingarda de assalto. Lembrou-se do recuo que sentira ao disparar ambas as armas. E o edifício abandonado não existente fora detalhado e realista. Ainda assim, Riley sentiu-se estranhamente vazia e insatisfeita. Mas era óbvio que tal não era culpa de Bill ou Lucy. E ela estava grata por eles se terem juntado a ela naquela manhã para aquele exercício. “Obrigada por concordarem em fazerem isto comigo,” Disse ela. “Acho que precisava de libertar alguma tensão.” “Sentes-te melhor?” Perguntou Lucy. “Sim,” Disse Riley. Não era verdade, mas pensou que uma pequena mentira não faria mal a ninguém. “E se fôssemos buscar um café?” Perguntou Bill. “Parece-me uma excelente ideia!” Disse Lucy. Riley abanou a cabeça. “Hoje não, obrigada. Fica para outro dia. Vão vocês.” Bill e Lucy abandonaram a enorme sala de RV. Por um momento, Riley pensou se afinal deveria ir com eles. Não, seria uma péssima companhia, Pensou. As palavras de Ryan continuavam a ecoar na sua cabeça… “Riley, a Jilly foi uma decisão tua.” O Ryan tinha realmente uma lata monumental para virar as costas à Jilly. Mas Riley agora não estava zangada. Estava dolorosamente triste. Mas porquê? Lentamente percebeu… Nada é real. Toda a minha vida, é tudo uma falsidade. A sua esperança de ter novamente uma família com Ryan e as miúdas havia sido apenas uma ilusão. Tal como esta maldita simulação. Caiu de joelhos e começou a soluçar. Demorou alguns minutos até Riley se recompor. Grata por ninguém a ter visto naquele estado, levantou-se e foi para o seu gabinete. Mal entrou, o telefone começou a tocar. Ela sabia quem lhe ligava. Ela esperava aquela chamada. E sabia que a conversa não ia ser fácil. CAPÍTULO CINCO “Olá Riley,” Disse uma voz de mulher quando Riley atendeu a chamada. Era uma voz doce – trémula e débil com a idade, mas amigável. “Olá Paula,” Disse Riley. “Como tem passado?” Paula suspirou. “Bem, já se sabe – o dia de hoje é sempre difícil.” Riley compreendia. A filha de Paula, Tilda, tinha sido morta naquele dia há vinte e cinco anos. “Espero que não se importe que eu ligue,” Disse Paula. “Claro que não, Paula,” Garantiu-lhe Riley. No final de contas, Riley tinha iniciado a sua bastante peculiar relação há vários anos. Riley nunca trabalhara no caso do homicídio de Tilda. Entrara em contacto com a mãe da vítima muito depois do caso ser arquivado. Esta chamada anual entre elas já era um ritual há vários anos. Riley ainda o considerava estranho, ter aquelas conversas com alguém que não conhecia. Nem sabia qual o aspeto de Paula. Sabia que tinha sessenta e oito anos. Tinha quarenta e três, só três anos mais nova do que Riley, quando a filha fora assassinada. Riley imaginava-a como uma figura de avó carinhosa de cabelo grisalho. “Como está Justin?” Perguntou Riley. Riley tinha falado com o marido de Paula algumas vezes, mas nunca o conhecera. Paula suspirou novamente. “Faleceu no verão passado.” “Lamento,” Disse Riley. “Como aconteceu?” “Foi súbito, repentino. Um aneurisma – ou talvez um ataque cardíaco. Propuseram fazer uma autópsia para determinar a causa. Eu disse, ‘Para quê darem-se ao trabalho?’ Não o ia trazer de volta.” Riley sentiu pena da mulher. Ela sabia que Tilda fora a sua única filha. A perda do marido não podia ser fácil. “Como está a lidar com a situação?” Perguntou Riley. “Um dia de cada vez,” Disse Paula. “É uma solidão agora.” Havia um traço de insuportável tristeza na sua voz, como se se sentisse pronta a juntar-se ao marido na morte. Era difícil para Riley imaginar aquela solidão. Sentiu uma enorme gratidão por ter pessoas que se preocupavam na sua vida – April, Gabriela e agora Jilly. Riley tinha suportado o medo de as perder. April estivera em perigo mais do que uma vez. E claro, havia maravilhosos amigos como Bill que também tinha enfrentado inúmeros riscos. Nunca os vou tomar por garantidos, Pensou. “E você, minha querida? Perguntou Paula. Talvez fosse por isso que Riley sentia que conseguia falar com Paula sobre coisas com que não conseguia com a maioria das pessoas. “Bem, estou num processo de adoção de uma menina de treze anos. Tem sido uma aventura. Ah, e o Ryan voltou durante uns tempos e depois foi-se embora outra vez. Foi mais uma vez arrebatado por uma jovenzinha.” “Que mau para si!” Disse Paula. “Eu tive sorte com o Justin. Ele nunca se tresmalhou. E penso que também ele teve sorte. Foi-se rapidamente, sem dores persistentes ou sofrimento. Espero que quando a minha hora chegar…” A voz de Paula desvaneceu-se. Riley estremeceu. Paula tinha perdido uma filha para um assassino que nunca fora descoberto. Riley também perdera alguém para um assassino que nunca fora encontrado. Falou lentamente. “Paula…ainda tenho flashbacks sobre isso. E pesadelos também.” Paula respondeu num tom de voz carinhoso e preocupado. “Não é algo que me surpreenda. Era pequena. E estava lá quando aconteceu. Eu fui poupada a esse horror.” A palavra poupada surpreendeu Riley. Não lhe parecia que Paula tivesse sido poupada ao que quer que fosse. É verdade que Paula não vira a filha a morrer. Mas perder uma filha única devia ser certamente pior do que aquilo por que Riley passara. A capacidade de Paula de empatia altruísta sempre maravilhara Riley. Paula continuou a falar numa voz calma. “A dor nunca desaparece, penso que não. Talvez não devamos querer que desapareça. O que seria de nós se eu me esquecesse do Justin ou você esquecesse a sua mãe? Enquanto sofrer, sinto-me humana… e viva. É parte de quem somos, Riley.” Riley conteve uma lágrima. Como sempre, Paula dizia-lhe exatamente o que ela precisava de ouvir. Mas como sempre, não era fácil. Paula continuou, “E veja o que conseguiu da sua vida – proteger outros, procurar a justiça. A sua perda ajudou-a a tornar-se quem é – uma campeã, uma pessoa boa e preocupada.” Um soluço único soltou-se da garganta de Riley. “Oh, Paula. Quem me dera que as coisas não tivessem que ser assim – para nenhuma de nós. Quem me dera que eu tivesse…” Paula interrompeu. “Riley, falamos sobre isto todos os anos. O assassino da minha filha nunca será julgado. Não é culpa de ninguém e eu não culpo ninguém. E muito menos você. O caso nunca esteve consigo. Não é sua responsabilidade. Todos os outros fizeram o melhor que podiam. O melhor que pode fazer é falar comigo. E isso torna a inha vida sempre melhor.” “Lamento o que aconteceu ao Justin,” Disse Riley. “Obrigada. Agradeço-lhe do fundo do coração.” Riley e Paula concordaram em conversar novamente no próximo ano e terminaram a chamada. Riley estava sozinha no gabinete. Falar com Paula era sempre emocionalmente difícil, mas tinha o condão de fazer com que Riley se sentisse melhor. Hoje Riley só sentia pior. Porquê? Demasiadas coisas estão a correr mal, Apercebeu-se Riley. Hoje, todos os problemas da sua vida pareciam estar ligados. E de alguma forma, não conseguia deixar de se culpar por toda a perda, por toda a dor. Pelo menos já não lhe apetecia chorar. Chorar não ajudaria. Para além disso, Riley tinha que tratar de alguma papelada. Sentou-se na secretária e tentou trabalhar. * Mais tarde, Riley foi de Quantico para a Brody Middle School. Jilly já estava à espera no passeio quando Riley parou o carro. Jilly entrou no carro. “Etive quinze minutos à espera!” Disse ela. “Despacha-te! Vamos atrasar-nos para o jogo!” Riley deu uma risada. “Não nos vamos atrasar,” Disse ela. “Vamos chegar mesmo a tempo.” Riley conduziu até à escola de April. Ao conduzir começou a preocupar-se novamente. Teria o Ryan ido a casa buscar as suas coisas durante o dia? E quando e como daria a notícia às miúdas? “O que é que se passa?” Perguntou Jilly. Riley não se apercebera que o seu rosto denotava os seus sentimentos. “Nada,” Disse ela. “Não é nada,” Disse Jilly. “Eu consigo perceber que se passa algua coisa.” Riley conteve um suspiro. Tal como April e Riley, também Jilly era observadora. Devo dizer-lhe agora? Perguntou-se Riley. Não, não era o momento. Estavam a caminho de ver April a jogar num jogo de futebol. Não queria estragar a tarde com más notícias. “Não é mesmo nada,” Disse ela. Riley estacionou na escola de April minutos antes do jogo começar. Ela e Jilly fora para as bancadas que já estavam bastante bem compostas. Riley percebeu que talvez Jilly tivesse razão – talvez devessem ter chegado mais cedo. “Onde é que nos sentamos?” Perguntou Riley. “Ali em cima!” Disse Jilly, apontando para as bancadas superiores onde ainda havia espaço disponível. “Dali vou conseguir ver tudo.” Treparam as arquibancadas e sentaram-se. Dali a poucos minutos, o jogo começou. April estava a jogar no meio-campo, a divertir-se imenso. Riley reparou de imediato que ela era uma jogadora agressiva. Ao assistirem, Jilly comentou, “A April diz que quer desenvolver as suas habilidades nos próximos anos. É verdade que o futebol lhe pode dar acesso a uma bolsa?” “Se ela realmente for boa,” Disse Riley. “Uau. Isso é fixe. Talvez eu também possa fazer isso.” Riley sorriu. Era maravilhoso que Jilly tivesse uma perspetiva tão positiva do futuro. Na vida que deixara para trás, Jilly nada tinha a ansiar. As suas perspetivas eram sombrias. O mais certo era não ter concluído o liceu quanto mais pensar na faculdade. Todo um mundo de possibilidades se abria para ela. Acho que faço algumas coisas bem feitas, Pensou Riley. Entretanto, April bateu um canto que enganou a guarda-redes adversária e marcou o primeiro golo do jogo. Riley levantou-se batendo palmas. E foi então que Riley reconheceu outra rapariga da equipa. Era Crystal Hildreth, a amiga de April. Riley já não via Crystal há algum tempo. Ver a rapariga despoletou algumas emoções complicadas. Crystal e o pai, Blaine, viviam na casa ao lado da sua. Blaine era um homem encantador por quem Riley tivera um interesse romântico e ele por ela. Mas tudo terminara há alguns meses atrás quando algo terrível sucedera. Depois Blaine e a filha mudaram-se. Riley nem se queria lembrar desses acontecimentos horríveis. Olhou para a multidão. Visto que Crystal estava a a jogar, o mais certo era Blaine estar por ali. Mas naquele momento não o via. Esperava não ter que o encontrar. * O intervalo chegou e Jilly pôs-se à conversa com alguns amigos que encontrara. Riley reparou que tinha um SMS. Era de Shirley Redding, a agente imobiliária que tinha contactado para vender a cabana do pai. Dizia… Boas notícias! Ligue-me assim que puder! Riley ligou para a agente imobiliária. “Estive a debruçar-me sobre a venda,” Disse a mulher. “A propriedade deve render mais de cem mil dólares. Talvez o dobro disso.” Riley sentiu-se entusiasmada. Esse dinheiro seria uma grande ajuda para os planos universitários das miúdas. Shirley continuou, “Precisamos de falar sobre os detalhes. É boa altura agora?” É claro que não era, por isso Riley combinou para conversarem no dia seguinte. Ao terminar a chamada, viu alguém a atravessar a multidão na sua direção. Riley reconheceu-o imediatamente. Era Blaine, o seu antigo vizinho. Notou que o homem sorridente e bem parecido ainda tinha uma cicatriz na bochecha direita. Riley desanimou. Será que ele culpava Riley pela cicatriz? Ela não conseguia evitar sentir-se culpada. CAPÍTULO SEIS Blaine Hildreth sentiu uma série de emoções contraditórias ao atravessar a multidão. Tinha visto Riley quando ela se levantara para aplaudir. Parecera-lhe tão vital e impressionante como sempre, e Blaine não se conteve indo ao seu encontro. Agora ela olhava para ele à medida que ele se aproximava, mas ele não conseguia ler a sua expressão. Como se sentira por vê-lo? E como é que ele se sentira por vê-la novamente? Blaine não conseguiu evitar recuar a um dia traumático ocorrido há mais de dois meses… Ele estava sentado na sua própria sala de estar quando ouviu u barulho ensurdecedor vindo da porta ao lado. Foi a casa de Riley e viu que a porta estava parcialmente aberta. Entrou e viu o que se estava a passar. Um homem estava a atacar April, a filha de Riley. O homem tinha atirado April ao chão e ela contorcia-se, batendo-lhe com os punhos. Blaine interviu e afastou o atacante de April. Lutou com o homem, tentando subjugá-lo. Blaine era ais alto do que o atacante, mas não era mais forte, nem mais ágil. Continuou a tentar atingir o homem, mas a maioria das suas tentativas falharam e as que acertava parecia não causar qualquer impacto. De repente, o homem deu um golpe no abdómen de Blaine que ficou imediatamente sem ar. Debruçou-se não conseguindo respirar. Depois o atacante deu-lhe um pontapé no rosto… … e tudo ficou negro. Dali para a frente Blaine só se lembra de estar no hospital. E agora, ao aproximar-se de Riley, Blaine estremecia um pouco ante aquela memória. Tentou acalmar-se. Quando alcançou Riley, não sabia o que fazer. Apertar as mãos parecia um pouco ridículo. Deveria abraçá-la? Blaine viu que o rosto de Riley estava enrubescido com a vergonha. Também ela parecia não saber o que fazer. “Olá Blaine,” Disse Riley. “Olá.” Ficaram ali a olhar um para o outro durante alguns instantes, depois riram do seu próprio embaraço. “As nossas miúdas estão a jogar bem,” Disse Riley. “Sobretudo a tua,” Disse Blaine. O golo de April tinha impressionado Blaine. “Estás aqui com alguém?” Perguntou Riley. “Não. E tu?” “Só com a Jilly,” Disse Riley. “Penso que não a conheces. A Jilly é… bem, é uma longa história.” Blaine fez um gesto de assentimento com a cabeça. “Já sei da Jilly pela minha filha,” Disse ele. “Adotá-la é fantástico.” Blaine lembrou-se de mais uma coisa que a Crystal lhe dissera. Riley estava a tentar entender-se novamente com Ryan. Blaine interrogou-se como é que isso estaria a correr. O Ryan não estava ali no jogo. Algo timidamente, Riley disse, “Ouve, estamos sentadas nas últimas bancadas. Temos algum espaço extra. Queres ver o resto do jogo connosco?” Blaine sorriu. “Gostaria muito,” Disse ele. Atravessaram a multidão e subiram para as bancadas. Uma rapariguinha magra sorriu quando viu Riley aproximar-se, mas não pareceu satisfeita quando reparou que Blaine estava com ela. “Jilly, este é o meu amigo Blaine,” Disse Riley. Sem dizer uma palavra, Jilly levantou-se e começou a afastar-se. “Senta-te perto de nós, Jilly,” Disse Riley. “Vou para junto dos meus amigos,” Disse Jilly, passando por eles e continuando a descer as escadas. “Ainda tenho espaço perto deles.” Riley parecia chocada e desanimada. “Peço desculpa,” Disse ela a Blaine. “Aquilo foi inqualificável.” “Não faz mal,” Disse Blaine. Riley suspirou quando ambos se sentaram. “Não, faz mal sim senhor,” Disse ela. “Há muitas coisas que estão mal. A Jilly está zangada porque estou sentada ao lado de alguém que não é o Ryan. Ele tinha-se mudado lá para casa e ela afeiçoou-se muito a ele.” Riley abanou a cabeça. “Agora o Ryan está a sair de casa,” Disse ela. “Ainda não tive a oportunidade de dizer nada às miúdas. Ou ainda não tive a coragem. Vão ficar muito sentidas.” Blaine sentiu-se u pouco aliviado por Ryan já estar fora de cena. Ele tinha visto o ex-marido de Riley algumas vezes e a arrogância do homem deixara-o fora de si. Para além disso, tinha que o admitir, esperava que Riley não tivesse nenhum relacionamento em curso. Mas também se sentiu culpado por reagir dessa forma. O jogo entretanto recomeçara. Tanto April coo Crystal estavam a jogar bem, e Blaine e Riley aplaudiam de vez em quando. Mas Blaine não conseguia parar de pensar na última vez que vira Riley. Fora pouco depois de regressar do hospital. Batera-lhe à porta para lhe dizer que ele e Crystal se iam mudar. Blaine tinha dado a Riley uma desculpa esfarrapada. Dissera-lhe que a casa ficava muito longe do restaurante. Também tentara dar a sensação de que a mudança não era nada de especial. “Será como se nada tivesse mudado,” Dissera-lhe ele. É claro que não era verdade e Riley sabia-o. Riley ficara claramente desagradada. Aquele parecia um momento tão bom como qualquer outro para falar no assunto. Co uma voz hesitante, Blaine disse, “Ouve Riley, peço desculpa de como as coisas correram da última vez que nos vimos. Quando te disse que nos íamos mudar. Não estava muito bem.” “Não é preciso explicares nada,” Disse Riley. Mas Blaine sentia as coisas de forma diferente. Disse, “Ouve, penso que ambos conhecemos a razão pela qual eu e a Crystal nos mudámos.” Riley encolheu os ombros. “Pois,” Disse Riley. “Receaste pela segurança da tua filha. Não te censuro Blaine. A sério que não. Apenas estavas a ser sensível.” Blaine não sabia o que dizer. É claro que Riley tinha razão. Ele temera pela segurança de Crystal, não pela sua. E também queria zelar pelo bem-estar mental de Crystal. A ex-mulher de Blaine, Phoebe, era uma alcoólica violenta e a Crystal ainda estava a lidar com as cicatrizes emocionais dessa relação. Não precisava de mais traumas na sua vida. Riley tinha conhecimento das ações de Phoebe. Na verdade, ela tinha salvo Crystal de uma das fúrias alcoólicas de Phoebe. Talvez ela realmente compreenda, Pensou ele. Mas não podia saber o que é que ela realmente sentia. E naquele preciso momento, a equipa das filhas marcou outro golo. Blaine e Riley aplaudiram. Assistiram ao jogo em silêncio durante alguns instantes. Depois Riley disse,”Blaine, eu admito que fiquei desiludida contigo quando te mudaste. Talvez até tenha ficado um pouco zangada. Estava errada. Não foi justo da minha parte. Peço desculpa pelo que aconteceu.” Ela parou de falar por um momento e depois prosseguiu. “Senti-me muito mal com o que te aconteceu. E culpada. Ainda me sinto assim. Blaine, eu…” Durante um momento, ela parecia estar a lutar com os seus pensamentos e sentimentos. “Não consigo evitar pensar que trago perigo a todos os que se atravessam no meu caminho. Odeio isso no meu trabalho. Odeio isso em mim.” Blaine começou a objetar. “Riley, não podes…” Riley impediu-o. “É verdade e ambos o sabemos. Se eu fosse minha vizinha, eu também ia querer mudar. Pelo menos enquanto tivesse uma adolescente a meu cargo.” Naquele momento, uma jogada correu mal para a equipa das suas filhas. Blaine e Riley protestaram juntamente com a multidão que apoiava a equipa da casa. Blaine começava a sentir-se algo tranquilizado. Riley já não o levava a mal por ter tomado a decisão que tomara. Seria possível reacenderem o interesse que haviam tido um pelo outro? Blaine ganhou coragem e disse, “Riley, queria convidar-te e às tuas filhas para jantarem no meu restaurante. Também podes trazer a Gabriela. Eu e ela podemos falar de receitas da América Central.” Riley ficou muito sossegada durante alguns segundos. Parecia que não tinha ouvido o que Blaine dissera. Por fim disse, “Não me parece Blaine. As coisas estão demasiado complicadas neste momento. Mas obrigada pelo convite.” Blaine não conseguiu evitar sentir-se desiludido. Riley estava não só a rejeitá-lo, como parecia não deixar em aberto quaisquer possibilidades futuras. Mas nada podia fazer quanto a isso. Assistiu ao resto do jogo com Riley em silêncio. * Riley ainda estava a pensar em Blaine enquanto jantava nessa noite. Perguntava-se se tinha cometido um erro. Talvez devesse ter aceite o seu convite. Ela gostava dele e tinha saudades. Até tinha convidado Gabriela, o que era uma atitude muito querida. Ele tinha apreciado a comida de Gabriela no passado. E Gabriela tinha preparado para aquela noite uma deliciosa refeição Guatemalteca – galinha com molho de cebola. As miúdas estavam a apreciar a refeição e a conversar sobre a vitória no futebol naquela tarde. “Porque é que não vieste ao jogo Gabriela?” Perguntou April. “Havias de ter gostado,” Disse Jilly. “Sí, eu gosto de futbol.” Disse Gabriela. “Vou numa próxima oportunidade.” Aquela parecia uma boa altura para Riley dar uma notícia. “Tenho boas notícias,” Disse ela. “Falei com a minha corretora de imóveis hoje e ela pensa que a venda da cabana do avô pode render bastante. Pode ajudar muito para a faculdade – de ambas.” As miúdas ficaram agradadas e conversaram sobre o assunto durante algum tempo. Mas passado pouco tempo a disposição de Jilly pareceu ensombrecer. Por fim, Jilly perguntou a Riley, “Quem era aquele homem que estava no jogo contigo?” April disse, “Oh, era o Blaine. Foi nosso vizinho. É o pai da Crystal. Já a conheceste.” Jilly comeu em silêncio durante alguns instantes. Depois disse, “Onde está o Ryan? Porque é que ele não foi ao jogo?” Riley engoliu em seco. Ela já notara que Ryan tinha ido lá a casa durante o dia para levar as suas coisas. Chegara o momento de dizer a verdade às miúdas. “Há uma coisa que quero dizer a todas vocês,” Começou. Mas teve dificuldades em encontrar as palavras certas. “O Ryan… diz que precisa de espaço. Ele….” Não foi capaz de dizer mais nada. Percebeu pelos rostos das miúdas que não precisava. Compreenderam perfeitamente o que ela queria dizer. Depois de alguns segundos de silêncio, Jilly desatou a chorar e saiu da mesa, correndo escadas acima. April seguiu-a para a consolar. Riley percebeu que April estava acostumada aos desequilíbrios de Ryan. Estas desilusões ainda deviam doer, mas ela conseguia lidar com elas melhor do que Jilly. Sentada à mesa apenas com Gabriela, Riley começou a sentir-se culpada. Seria ela completamente incapaz de manter uma relação séria com um homem? Como se tivesse lido os seus pensamentos, Gabriela disse, “Pare de se culpar. A culpa não é sua. Ryan é um pateta.” Riley sorriu tristemente. “Obrigada Gabriela,” Disse ela. Era precisamente aquilo que ela precisava de ouvir. Depois Gabriela acrescentou, “As miúdas precisam de uma figura de pai, mas não de alguém que vai e vem daquela forma.” “Eu sei,” Disse Riley. * Mais tarde nessa noite, Riley foi ver como estavam as miúdas. Jilly estava no quarto de April, a fazer os trabalhos de casa em silêncio. April olhou para cima e disse, “Nós estamos bem mãe.” Riley sentiu-se aliviada. Por muito triste que se sentisse pelas filhas, estava orgulhosa por April estar a confortar Jilly. “Obrigada querida,” Disse ela e fechou a porta silenciosamente. Pensou que April falaria com ela sobre Ryan quando se sentisse preparada. Mas para a Jilly podia ser mais complicado. Ao descer as escadas, Riley deu por si a pensar no que Gabriela tinha dito. “As miúdas precisam de uma figura de pai.” Olhou para o telefone. Blaine tornara claro que queria retomar a sua relação. Mas o que esperaria ele dela? A sua vida resumia-se às miúdas e ao trabalho. Poderia ela incluir mais alguém nela naquele momento? Será que o iria apenas desiludir? Mas, Admitiu ela, Eu gosto dele. E era óbvio que ele gostava dela. Na vida devia haver lugar para… Pegou no telefone e ligou o número da casa de Blaine. Ficou desapontada ao ser recebida pelo atendedor de chamadas, mas não surpreendida. Ela sabia que o seu trabalho no restaurante muitas vezes o mantinha fora de casa à noite. Ao sinal, Riley deixou uma mensagem. “Olá Blaine. É a Riley. Ouve, desculpa se agi de forma um pouco distante no jogo desta tarde. Só quero dizer que se o teu convite de jantar se mantiver, podes contar connosco. Liga-me quando puderes para combinarmos.” Riley sentiu-se imediatamente melhor. Foi para a cozinha e serviu-se de uma bebida. Ao sentar-se no sofá da sala, lembrou-se da conversa que tivera com Paula Steen. Paula parecia estar em paz com o facto de o assassino da filha nunca vir a ser julgado. “Não é culpa de ninguém e eu não culpo ninguém,” Dissera Paula. Essas palavras agora perturbavam Riley. Parecia tão injusto. Riley terminou a sua bebida, tomou um banho e foi para a cama. Mal tinha adormecido quando os pesadelos começaram, * Riley era apenas uma menina. Atravessava um bosque de noite. Tinha medo, mas não sabia muito bem porquê. Afinal, ela não estava propriamente perdida no bosque. O bosque fica perto de uma autoestrada e ela conseguia ver carros a passar. O brilho de um poste de iluminação e a lua cheia iluminavam o seu caminho entre as árvores. Então os seus olhos pousaram numa fila de três campas rasas. A terra e pedras que cobriam as campas eram instáveis. Mãos de mulheres irrompiam das campas. Ela conseguia ouvir as suas vozes abafadas dizer… “Ajuda-nos! Por favor!” “Mas eu sou apenas uma menina!” Respondia Riley chorosa. Riley acordou a tremer. É só um pesadelo, Disse a si mesma. E não era propriamente surpreendente que tivesse sonhado com as vítimas do assassino da caixa de fósforos na noite a seguir a ter falado com Paula Steen. Respirou profundamente. Passado pouco tempo sentiu-se novamente descontraída e voltou a adormecer. Mas então… Ela era apenas uma menina. Estava numa loja de doces com a mãe e a mãe estava a comprar-lhe muitos doces. Um homem assustador com uma meia na cabeça veio na sua direção. Apontou uma arma à mãe. “Dê-me o seu dinheiro,” Disse à mãe. Mas a mãe estava demasiado amedrontada para se conseguir mexer. O homem disparou contra o peito da mãe e ela caiu mesmo em frente a Riley. Riley começou a gritar. Virou-se à procura de alguém que pudesse ajudar. Mas de repente, estava novamente no bosque. As mãos das mulheres ainda remexiam nas campas. As vozes ainda zurziam… “Ajuda-nos! Por favor!” Então Riley ouviu outra voz a seu lado. Uma voz familiar… “Ouviste-as Riley. Elas precisam da tua ajuda.” Riley virou-se e viu a mãe. O peito sangrava do disparo e o rosto tinha uma palidez mortal. “Não as posso ajudar mãe!” Declarou Riley. “Eu sou só uma menina!” A mãe sorriu. “Não, não és só uma menina Riley. Já és adulta. Vira-te e vê.” Riley virou-se e viu-se a fitar um espelho de corpo inteiro. Era verdade. Agora ela era uma mulher. E as vozes ainda a chamavam… “Ajuda-nos! Por favor!” Os olhos de Riley abriram-se novamente. Tremia mais do que da outra vez e tinha dificuldades em respirar. Lembrava-se de algo que Paula Steen lhe tinha dito. “O assassino da minha filha nunca será julgado.” E Paula também tinha dito… “O caso nunca foi seu.” Riley sentiu invadir-se por uma nova sensação de determinação. Era verdade – o assassino da caixa de fósforos não fora um caso seu. Mas não o podia deixar esquecido no passado. O assassino da caixa de fósforos tinha que ser finalmente apanhado. Agora o caso é meu, Pensou. CAPÍTULO SETE Riley não teve mais pesadelos nessa noite, mas ainda assim o seu sono foi inquieto. De forma surpreendente, na manhã seguinte acordou cheia de energia. Tinha trabalho a fazer nesse dia. Vestiu-se e desceu as escadas. April e Jilly estavam na cozinha a tomar o pequeno-almoço que Gabriela lhes preparara. Ambas as raparigas pareciam estar tristes, mas não tão tristonhas como no dia anterior. Riley viu que fora colocado um lugar na mesa para ela, por isso sentou-se e disse, “Essas panquecas estão com ótimo aspeto. Passem-mas, se faz favor.” Enquanto tomava o pequeno-almoço e bebia o café, as miúdas começaram a parecer mais alegres. Não mencionaram a ausência de Ryan e, em vez disso, conversavam sobre outros miúdos da escola. São resistentes, Pensou Riley. E ambas tinham passado por momentos difíceis no passado. Riley tinha a certeza de que também ultrapassariam aquela crise relacionada com Ryan. Riley terminou o seu café e disse, “Tenho que ir para o meu gabinete.” Levantou-se e deu um beijo na bochecha de April e de Jilly. “Força em apanhar gente má, mãe,” Disse Jilly. Riley sorriu. “Podes crer que é isso mesmo que vou fazer,” Respondeu. * Assim que chegou ao gabinete, Riley abriu ficheiros no computador sobre o caso de há vinte e cinco anos. Ao aceder a velhas histórias de jornais, lembrou-se de ler algumas delas nessa altura. Era adolescente nesse tempo e o assassino da caixa de fósforos era uma história de pesadelo. Os homicídios tinham acontecido em Virginia perto de Richmond com um intervalo de apenas três semanas entre cada morte. Riley abriu um mapa e descobriu Greybull, uma pequena cidade à saída da Interestadual 64. Tilda Steen, a última vítima, vivera e morrera em Greybull. Os outros dois homicídios tinham ocorrido nas cidades de Brinkley e Denison. Riley conseguia ver que as cidades distavam cerca de cento e sessenta quilómetros umas das outras. Riley fechou o mapa e debruçou-se novamente nas histórias de jornal. Um cabeçalho se destacava… ASSASSINO DA CAIXA DE FÓSFOROS ATACA TERCEIRA VÍTIMA! Estremeceu um pouco. Sim, ela recordava-se de ver aquele cabeçalho há muitos anos atrás. O artigo descrevia o pânico que os crimes haviam despoletado na área – sobretudo entre mulheres jovens. De acordo com o artigo, o público e a polícia perguntavam ambos o mesmo: Quando e onde é que o assassino vai atacar novamente? Quem vai ser a sua próxima vítima? Mas não houvera uma quarta vítima. Porquê? Perguntava-se Riley. Tratava-se de uma pergunta que à qual as autoridades não tinham conseguido responder. O assassino parecia ser um assassino em série impiedosamente motivado – o género que continuaria a matar até ser apanhado. Mas em vez disso, ele tinha simplesmente desaparecido e o seu desaparecimento tinha sido tão misterioso como os próprios crimes. Riley começou a rever velhos registos policiais para refrescar a memória. As vítimas não pareciam ter qualquer ligação entre si. O assassino usara o mesmo MO nos três homicídios. Engatara as jovens mulheres em bares, levou-as para motéis e matou-as. Depois enterrou os corpos em campas rasas não muito longe dos locais onde tinha cometido os crimes. A polícia local tinha tido dificuldades em localizar os bares onde as vítimas tinham sido engatadas e os motéis onde tinham sido assassinadas. Tal como acontece com alguns assassinos em série, ele deixara pistas para a polícia. Tinha deixado em todos os corpos, caixas de fósforos dos bares e papel de carta dos motéis. As testemunhas nos bares e motéis mal conseguiam dar uma descrição do suspeito. Riley olhou para o esboço traçado há tantos anos. Viu que o homem parecia bastante normal com cabelo castanho escuro e olhos cor de avelã. Ao ler descrições de testemunhas, reparou em mais alguns detalhes. As testemunhas tinham referido que ele parecia extraordinariamente pálido, como se trabalhasse num local que o mantivesse dentro de portas e afastado do sol. As descrições não eram muito detalhadas. Ainda assim, parecia a Riley que o caso não deveria ter sido tão difícil de resolver. Mas fora. A polícia local nunca descobrira o assassino. A UAC tomou conta do caso apenas para concluir que o assassino ou tinha morrido ou tinha abandonado a região. Continuar as buscas a nível nacional, seria como procurar uma agulha num palheiro – uma agulha que podia nem sequer existir. Mas houvera um agente, um mestre em resolver casos antigos que discordara. “Ele ainda está na região,” Dissera ele a todos. “Conseguimos encontra-lo se continuarmos a procurar.” Mas os chefes não seguiram o seu conselho e não o apoiaram. A UAC deixara o caso cair no esquecimento. Aquele agente aposentara-se da UAC há vários anos e mudara-se para a Flórida. Mas Riley sabia como entrar em contacto com ele. Pegou no seu telefone e ligou o seu número. Um momento mais tarde, Riley ouviu uma voz familiar. Jake Crivaro fora seu parceiro e mentor quando ela entrou na UAC. “Olá desaparecida,” Disse Jake. “Por onde andaste? Que tens feito? Não ligas, não escreves. Isso é forma de se tratar um velho solitário que te ensinou tudo o que sabes?” Riley sorriu. Ela sabia que ele só estava a brincar. No final de contas, tinham-se visto há bem pouco tempo. Jake até a tinha ajudado num caso há poucos meses atrás. Ela não perguntou, “Como tens passado?” Lembrou-se do que ele dissera da última vez que ela perguntara. “Tenho setenta e cinco anos. Fui operado aos joelhos e à anca. Os meus olhos estão uma miséria. Tenho um aparelho auditivo e um pacemaker. E todos os meus amigos, exceto tu, bateram as botas. Como é que achas que estou?” Perguntar-lhe apenas o faria queixar-se novamente. A verdade era que ele ainda estava apto fisicamente e a sua mente estava mais desperta que nunca. “Preciso da tua ajuda Jake,” Disse Riley. “Isso é música para os meus ouvidos. Estar aposentado é uma treta. Em que te posso ajudar?” “Estou a espreitar um caso antigo.” Jake riu-se. “Os meus favoritos. Sabes, os casos antigos eram uma especialidade minha. Ainda são uma espécie de hobby. Mesmo na reforma, posso recolher e rever coisas que ninguém conseguiu resolver. Lembras-te daquele assassino apelidado de ‘rosto de anjo’ no Ohio? Resolvi esse há alguns anos. Estava na prateleira há mais de uma década.” “Eu lembro-me,” Disse Riley. “Isso foi um excelente trabalho para alguém já fora do ativo.” “A lisonja leva-te a qualquer lado. Então, o que é que tens para mim?” Riley hesitou. Ela sabia que estava prestes a mexer com memórias desagradáveis. “Este caso foi um dos teus, Jake,” Disse ela. Jake manteve-se em silêncio durante alguns segundos. “Não me digas,” Disse ele por fim. “O caso do assassino da caixa de fósforos.” Riley quase perguntou, “Como é que sabes?” Mas era fácil adivinhar a resposta. Jake vivia obcecado com falhas do passado, sobretudo as suas. Sem dúvida que tinha conhecimento do aniversário da morte de Tilda Steen. O mais certo era também saber o aniversário das mortes das outras vítimas. Riley calculou que fosse algo que o atormentasse todos os anos. “Isso foi antes do teu tempo,” Disse Jake. “Porque é que queres remexer outra vez nessa velha história?” Riley sentiu amargura na sua voz – a mesma amargura que se lembrava de lhe ouvir quando ainda era uma jovem novata. Ele ficara furioso com os superiores por encerrarem o caso. E nunca deixara de ter esse sentimento, mesmo quando se aposentou. “Sabes que tenho contactado a mãe de Tilda Steen ao longo dos anos,” Disse Riley. “Falei com ela ontem. Desta vez…” Fez uma pausa. Como o poderia dizer? “Acho que me impressionou mais do que o habitual. Se ninguém fizer nada, aquela pobre mulher vai morrer sem ver o assassino da filha ser julgado. Não tenho outros casos de momento e eu…” A sua voz esmoreceu. “Sei bem como te sentes,” Disse Jake num tom de compreensão. “Aquelas três mulheres mortas merecem mais. As suas famílias merecem mais.” Riley sentiu-se aliviada por Jake partilhar os seus sentimentos. “Não posso fazer muito sem o apoio da UAC,” Disse Riley. “Achas que haverá forma de reabrir o caso?” “Não sei. Talvez. Vamos começar já a trabalhar.” Riley conseguia ouvir os dedos de Jake a percorrerem o teclado do computador em busca dos seus ficheiros. “O que é que correu mal quando trabalhaste no caso?” Perguntou Riley. “O que é que não correu mal? As minhas teorias não tiveram bom acolhimento na UAC. A região era rural na altura, apenas três pequenas cidades. Mesmo assim, ao longo de uma Interestadual tão próxima de Richmond, havia inúmeras variáveis. O FBI decidiu que devia tratar-se de alguém de passagem que desaparecera. Mas o meu instinto dizia-me algo diferente – que ele vivia na região e que ainda lá devia viver. Mas ninguém quis saber do que o meu instinto indicava.” Enquanto digitava, resmungava, “Podia ter resolvido isto há anos se não fosse o meu parceiro merdoso.” Riley já tinha ouvido falar no parceiro incompetente de Jake que tinha sido despedido antes de Riley entrar na UAC. Ela disse, “Ouvi dizer que lixou quase tudo em que tocou.” “Sim, literalmente. Num dos bares, manuseou um copo em que o assassino tinha tocado esfregando as impressões digitais.” “Não havia impressões digitais nos guardanapos ou nas caixas de fósforos?” “Não depois de estarem cobertos de terra numa campa rasa. O tipo estragou tudo. Devia ter sido logo despedido. Mas não durou muito. Da última vez que soube, trabalhava numa loja de conveniência. Excelente escolha.” Jake parou de teclar. Riley calculou que agora tivesse todo o material à mão. “OK, agora fecha os olhos,” Disse Jake. Riley fechou os olhos e sorriu. Ele ia sujeitá-la ao mesmo exercício que ela ensinara aos seus alunos. Fora com ele que Riley o aprendera. Jake disse, “Tu és o assassino, mas ainda não mataste ninguém. Entraste no Pub McLaughlin’s em Brinkley e acabaste de te apresentar a uma rapariga chamada Melody Yanovich. Deste a entender que estavas interessado nela e as coisas parecem estar a correr bem.” Ela começou a ver as coisas sob o ponto de vista do assassino. A cena decorria claramente na sua cabeça. Jake disse, “Há uma pequena taça de caixas de fósforos no bar. A meio do teu engate, pegas numa e coloca-la no bolso. Porquê?” Riley conseguia praticamente sentir a pequena caixa de fósforos entre os seus dedos. Imaginou-se a coloca-la no bolso da camisa. Mas porquê? Perguntou-se. Quando o caso fora aberto, havia uma teoria de senso comum a esse respeito. O assassino deixara as caixas de fósforos dos bares e o papel de carta dos motéis nos corpos das vítimas para brincar com a polícia. Mas agora ela percebeu – Jake não pensava dessa forma. E agora ela também não. Riley disse, “Ele nem sabia que ia matá-la – pelo menos não quando estava no Pub McLaughlin’s, não daquela primeira vez. Ele pegou na caixa de fósforos como recordação da sua iminente conquista, um troféu pelos bons momentos que esperava passar.” “Isso,” Disse Jake. “E depois?” Riley conseguia visualizar claramente o assassino a ajudar Melody Yanovich a sair do carro e a acompanhá-la ao quarto de motel. “A Melody estava disposta e ele sentia-se confiante. Mal entraram no quarto, ela foi para a casa de banho preparar-se. Entretanto, ele pegou num pedaço de papel com o logótipo do hotel – pela mesma razão porque pegara na caixa de fósforos, como recordação. Depois tirou a roupa e enfiou-se debaixo dos lençóis. Melody saiu da casa de banho…” Riley parou para visualizar a cena de forma mais vívida. A mulher estava nua nessa altura? Não, não exatamente, Pensou Riley. “Melody saiu com uma toalha embrulhada à sua volta. Nesse momento ele começou a sentir-se desconfortável. Já tivera problemas sexuais no passado. Também os teria desta vez? Ela entrou na cama e retirou a toalha e…” “E?” Perguntou Jake. “E soube de imediato – que não o conseguiria fazer. Estava envergonhado e humilhado. Não podia deixar a mulher escapar sabendo que ele tinha falhado. Uma fúria colossal apoderou-se dele. A sua fúria despojou-o da sua humanidade. Agarrou nela pela garganta e estrangulou-a na cama. Ela morreu muito rapidamente. A sua raiva atenuou-se e ele percebeu o que fizera e sentiu-se culpado. E…” A mente de Riley voltou ao crime. O assassino tinha não só enterrado as vítimas em campas rasas, como o fizera junto a ruas e autoestradas. Ele sabia perfeitamente bem que os corpos seriam encontrados. Na verdade, ele certificara-se de que seriam encontrados. Os olhos de Riley abriram-se. “Já percebi Jake. Quando ele pegou nas caixas de fósforos e pedaços de papel pela primeira vez, ele só queria recordações. Mas depois dos crimes, usou-os para algo diferente. Deixou-os com os corpos para ajudar a polícia, não para brincar. Ele queria ser apanhado. Não tinha a coragem de se entregar, então deixava pistas.” “Estás a chegar lá,” Disse Jake. “Eu penso os dois primeiros crimes funcionaram dessa forma. Agora olha para o resumo que a polícia local fez dos crimes.” Riley olhou para o relatório que tinha no seu computador. “Porque é que o último crime foi diferente?” Perguntou Jake. Riley leu o texto. Não reparou em nada que ainda não soubesse. “Tilda Steen estava vestida quando ele a enterrou. Parecia que não tinha sequer tentado ter relações sexuais com ela.” Jake disse, “Agora diz-me o que aí está como causa de morte das três vítimas.” Riley encontrou o que procurava rapidamente. “Estrangulamento,” Disse ela. “Igual para as três.” Jake resmoneou desanimado. “Foi aí que a polícia local errou,” Disse ele. “As duas primeiras, Melody Yanovich e Portia Quinn foram sem dúvida estranguladas. Mas eu descobri pelo médico-legista – não havia nódoas negras no pescoço de Tilda Steen. Fora sufocada, mas não estrangulada. O que é que isto te diz?” O cérebro de Riley começou a processar aquela nova informação. Fechou os olhos novamente, tentando imaginar a cena. “Algo aconteceu quando ele levou Tilda para aquele quarto de motel,” Disse Riley. “Ela confiou-lhe alguma coisa, talvez algo que nunca tinha dito a ninguém. Ou talvez ele lhe tenha dito algo a seu respeito que ela quisesse saber. Subitamente ela tornou-se…” Riley parou. Jake disse, “Força. Di-lo.” “Humana para ele. Ele sentiu-se culpado pelo que ia fazer. E de uma forma distorcida…” Riley demorou um momento para ordenar os pensamentos. “Ele decidiu matá-la como um ato de misericórdia. Não a estrangulou com as mãos. Fê-lo de forma mais suave. Ele dominou-a na cama e sufocou-a com uma almofada. Sentiu-se com tantos remorsos que…” Riley abriu os olhos. “… não voltou a matar.” Jake soltou um som de aprovação. Ele disse, “Foi a essa mesma conclusão que eu cheguei naquele dia. E ainda assim penso. Acredito que ele ainda está na região e ainda vive assombrado pelo que fez há tantos anos atrás.” Uma palavra começou a ecoar na mente de Riley… Remorso. De repente algo lhe pareceu óbvio. Sem parar para pensar, ela disse, “Ele ainda tem remorsos Jake. E quase aposto que deixa flores nas campas das mulheres.” Jake riu com satisfação. “Bem pensado,” Disse ele. “Por isso sempre gostei de ti Riley. Tu entendes a psicologia e sabes como transformá-la em ação.” Riley sorriu. “Aprendi com o melhor,” Disse ela. Jake esboçou um agradecimento pelo elogio. Ela agradeceu-lhe e terminou a chamada. Ficou no gabinete a pensar. É comigo. Ela tinha que apanhar o assassino de uma vez por todas. Mas sabia que não o poderia fazer sozinha. Precisava de ajuda para a UAC reabrir o caso. Dirigiu-se ao corredor e caminhou na direção do gabinete de Bill Jeffreys. CAPÍTULO OITO Bill Jeffreys estava a aproveitar uma manhã invulgarmente tranquila na UAC quando a sua parceira irrompeu pelo seu gabinete adentro. Ele imediatamente reconheceu a expressão no seu rosto. Era assim que Riley Paige ficava quando estava entusiasmada com um novo caso. Ele fez um gesto na direção da cadeira do outro lado da mesa e Riley sentou-se. Mas ao escutar atentamente a sua descrição dos homicídios, Bill ficou algo intrigado com o seu entusiasmo. Ainda assim, não fez qualquer comentário enquanto ela lhe fornecia a descrição completa da conversa que tivera ao telefone com Jake. “Então, o que te parece?” Perguntou ela a Bill quando terminou. “Sobre quê?” Perguntou Bill. “Queres trabalhar neste caso comigo?” Bill olhou-a de forma incerta. “Claro que gostaria, mas… bem, o caso não está aberto. Está fora do nosso controlo.” Riley respirou fundo e disse cautelosamente, “Esperava que eu e tu tratássemos disso.” Bill demorou alguns instantes a perceber o que ela queria dizer. Depois os seus olhos abriram-se muito e ele abanou a cabeça. “Oh, não Riley,” Disse ele. “Este já tem muito tempo. O Meredith não vai estar interessado em abri-lo outra vez.” Bill percebeu que também Riley tinha as suas dúvidas, mas tentava escondê-la. “Temos que tentar,” Disse ela. “Nós podemos resolver este caso. Eu sei que sim. Os tempos mudaram, Bill. Agora temos novas ferramentas à nossa disposição. Por exemplo, os testes de ADN quase não existiam na altura. Agora as coisas são diferentes. Não estás a trabalhar noutro caso agora, pois não?” “Não.” “Nem eu. Porque não tentarmos?” Bill olhou para Riley com preocupação. No espaço de um ano a sua parceira tinha sido chamada à atenção, suspensa e até despedida. Ele sabia que a sua carreira às vezes estava por um fio. A única coisa que a salvara fora a sua habilidade inata para encontrar a sua presa, por vezes de formas pouco ortodoxas. Essa capacidade e a sua cobertura ocasional tinham-na mantido na UAC. “Riley, estás a pedi-las,” Disse ele. “Não te ponhas a jeito.” Bill percebeu que ela não gostara da sua reação e de imediato se arrependeu do que dissera. “OK, se não o queres fazer,” Disse ela, levantando-se da cadeira, virando-se e dirigindo-se para a porta. * Riley não suportava a expressão “Pôr-se a jeito.” No final de contas, agitar as águas era o que ela mais fazia. E sabia perfeitamente bem que era uma das coisas que a tornava numa boa agente. Riley estava a sair do gabinete de Bill quando ele a chamou, “Espera um segundo. Onde é que vais?” “Onde é que achas que vou?” Disse Riley. “OK, OK! Estou a ir!” Ela e Bill percorreram o corredor em direção ao gabinete do Chefe de Equipa Brent Meredith. Riley bateu à porta e ouviu uma voz dizer, “Entre.” Riley e Bill entraram no espaçoso gabinete de Meredith. Como sempre, o chefe de equipa revelava uma presença impressionante. Estava debruçado sobre a secretária a mergulhado em relatórios. “Seja rápidos,” Disse Meredith sem tirar os olhos do seu trabalho. “Estou ocupado.” Riley ignorou o olhar preocupado de Bill e de forma arrojada sentou-se ao lado da secretária de Meredith. Riley disse, “Chefe, eu e o Agente Jeffreys queremos reabrir um antigo caso e estávamos a pensar se…” Ainda concentrado nos seus papéis, Meredith interrompeu. “Nem pensar.” “Huh?” Disse Riley. “Pedido recusado. Agora se não se importam, tenho trabalho a fazer.” Riley permaneceu sentada. Sentiu-se momentaneamente bloqueada. Depois disse, “Acabei de falar com o Jake Crivaro.” Meredith levantou a cabeça lentamente e olhou para ela. Um sorriso formou-se nos seus lábios. “Como está o velho Jake?” Perguntou ele. Riley também sorriu. Ela sabia que Jake e Meredith haviam sido amigos íntimos na UAC. “Está rabugento,” Disse Riley. “Sempre foi,” Disse Meredith. “Sabe, aquele velho sacana pode ser bastante intimidante.” Riley conteve um riso. A simples ideia de que Meredith pudesse considerar alguém intimidante era bem engraçada. A própria Riley nunca se sentira initimidada por Jake. Riley disse, “Ontem foi o vigésimo quinto aniversário do último homicídio do assassino da caixa de fósforos.” Meredith virou-se para ela, parecendo começar a aparentar interesse. “Lembro-me desse,” Disse ele. “O Jake e eu éramos agentes de campo nessa altura. Ele nunca conseguiu superar o facto de não o ter conseguido resolver. Conversámos muito sobre isso.” Meredith juntou as mãos e olhou para Riley atentamente. “Então o Jake ligou-lhe para discutir isso, foi? Ele quer reabrir o caso, sair da reforma?” Riley sentiu um fugaz impulso de mentir. Meredith iria ser certamente mais aberto à ideia se pensasse que fora Jake que a tivera. Mas não o conseguiu fazer. “Eu é que lhe liguei,” Disse ela. “Mas já tinha isso em mente. Lembra-se sempre nesta altura do ano. E falámos sobre algumas possibilidades.” Meredith recostou-se na sua cadeira. “Diga-me o que é que tem,” Disse ele. Riley rapidamente organizou os pensamentos. “O Jake pensa que o assassino ainda se encontra na área em que ocorreram os crimes,” Disse ela. “E eu confio no palpite de Jake. Pensamos que ele foi consumido pela culpa – provavelmente ainda está. E eu tive esta ideia de que ele pode deixar flores com regularidade na campa da última vítima, Tilda Steen. Então isso é qualquer coisa de novo para se verificar.” Конец ознакомительного фрагмента. 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