Enterrados 
Blake Pierce


Um Mistério de Riley Paige #11
Uma obra-prima de thriller e mistério! O autor fez um trabalho magnífico no desenvolvimento das personagens com um lado psicológico tão bem trabalhado que temos a sensação de estar dentro das suas mentes, sentindo os seus medos e aplaudindo os seus sucessos. A história é muito inteligente e mantém-nos interessados durante todo o livro. Pleno de reviravoltas, este livro obriga-nos a ficar acordados até à última página. Books and Movie Reviews, Roberto Mattos (re Sem Pistas) ENTERRADOS é o livro #11 da série de mistério de Riley Paige que começou com o bestseller SEM PISTAS (Livro #1) – um livro de pode descarregar gratuitamente com mais de 1000 opiniões de cinco estrelas! Um assassino em série está a matar a grande velocidade e, em cada cena de crime, deixa uma assinatura invulgar: uma ampulheta. A sua areia deve cair em 24 horas – e quando esgotar o tempo, uma nova vítima aparece. Com intensa pressão dos meios de comunicação social e numa frenética corrida contra o tempo, a Agente Especial do FBI Riley Paige é chamada, juntamente com a sua nova parceira, a resolver o caso. Ainda a lidar com a situação ocorrida com Shane Hatcher, tentando resolver a sua vida familiar e ajudar Bill a reerguer-se, Riley tem muito em que pensar. E entrar na mente obscura do assassino, poderá levá-la ao seu limite. Um thriller psicológico negro com suspense de cortar a respiração, ENTERRADOS é o livro #11 de uma nova série alucinante – com uma inesquecível nova personagem – que o obrigará a não largar o livro até o terminar. O Livro #12 da série de Riley Paige também já está disponível.







ENTERRADOS



(UUM MISTÉRIO DE RILEY PAIGE—LIVRO 11)



B L A K E P I E R C E


Blake Pierce



Blake Pierce é o autor da série de enigmas RILEY PAGE, com doze livros (com outros a caminho). Blake Pierce também é o autor da série de enigmas MACKENZIE WHITE, composta por oito livros (com outros a caminho); da série AVERY BLACK, composta por seis livros (com outros a caminho), da série KERI LOCKE, composta por cinco livros (com outros a caminho); da série de enigmas PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE, composta de dois livros (com outros a caminho); e da série de enigmas KATE WISE, composta por dois livros (com outros a caminho).



Como um ávido leitor e fã de longa data do gênero de suspense, Blake adora ouvir seus leitores, por favor, fique à vontade para visitar o site www.blakepierceauthor.com (http://www.blakepierceauthor.com) para saber mais a seu respeito e também fazer contato.



Copyright© 2017 Blake Pierce. Todos os direitos reservados. Exceto como permitido sob o Copyright Act dos Estados Unidos de 1976, nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida por qualquer forma ou meios, ou armazenada numa base de dados ou sistema de recuperação sem a autorização prévia do autor. Este ebook está licenciado apenas para seu usufruto pessoal. Este ebook não pode ser revendido ou dado a outras pessoas. Se gostava de partilhar este ebook com outra pessoa, por favor compre uma cópia para cada recipiente. Se está a ler este livro e não o comprou ou não foi comprado apenas para seu uso, por favor devolva-o e compre a sua cópia. Obrigado por respeitar o trabalho árduo deste autor. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, locais, eventos e incidentes ou são o produto da imaginação do autor ou usados ficcionalmente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou falecidas, é uma coincidência. Jacket image Copyright anuruk perai, usado sob licença de Shutterstock.com.


LIVROS ESCRITOS POR BLAKE PIERCE



SÉRIE DE ENIGMAS KATE WISE

SE ELA SOUBESSE (Livro n 1)

SE ELA VISSE (Livro n 2)



SÉRIE OS PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE

ALVOS A ABATER (Livro #1)

ESPERANDO (Livro #2)



SÉRIE DE MISTÉRIO DE RILEY PAIGE

SEM PISTAS (Livro #1)

ACORRENTADAS (Livro #2)

ARREBATADAS (Livro #3)

ATRAÍDAS (Livro #4)

PERSEGUIDA (Livro #5)

A CARÍCIA DA MORTE (Livro #6)

COBIÇADAS (Livro #7)

ESQUECIDAS (Livro #8)

ABATIDOS (Livro #9)

PERDIDAS (Livro #10)

ENTERRADOS (Livro #11)

DESPEDAÇADAS (Livro #12)



SÉRIE DE ENIGMAS MACKENZIE WHITE

ANTES QUE ELE MATE (Livro nº1)

ANTES QUE ELE VEJA (Livro nº2)

ANTES QUE COBICE (Livro nº3)

ANTES QUE ELE LEVE (Livro nº4)

ANTES QUE ELE PRECISE (Livro nº5)

ANTES QUE ELE SINTA (Livro nº6)

ANTES QUE ELE PEQUE (Livro nº7)

ANTES QUE ELE CAÇE (Livro nº8)

ANTES QUE ELE ATAQUE (Livro nº9)



SÉRIE DE ENIGMAS AVERY BLACK

MOTIVO PARA MATAR (Livro nº1)

MOTIVO PARA CORRER (Livro nº2)

MOTIVO PARA SE ESCONDER (Livro nº3)

MOTIVO PARA TEMER (Livro nº4)

MOTIVO PARA SALVAR (Livro nº5)

MOTIVO PARA SE APAVORAR (Livro nº6)



SÉRIE DE ENIGMAS KERI LOCKE

UM RASTRO DE MORTE (Livro nº1)

UM RASTRO DE HOMICÍDIO (Livro nº2)

UM RASTRO DE IMORALIDADE (Livro nº3)

UM RASTRO DE CRIME (Livro nº4)

UM RASTRO DE ESPERANÇA (Livro nº5)


ÍNDICE



PRÓLOGO (#uec2f731b-db41-47f2-9801-0ddc5f544621)

CAPÍTULO UM (#u090b969a-fcac-57ef-944b-a0387ab2ac7a)

CAPÍTULO DOIS (#u11061283-2501-5698-aaf9-dde93e2ab7e6)

CAPÍTULO TRÊS (#u3c41b6cd-89b8-557b-8550-41ef3c25a23d)

CAPÍTULO QUATRO (#ua5ff9bdd-5007-52d3-bf07-88ac736b1e65)

CAPÍTULO CINCO (#uaf0ba6bd-b7b8-51c7-8167-32cd26b23cf2)

CAPÍTULO SEIS (#uf8c5ac7f-e15b-5911-9071-f5c48bd7cd11)

CAPÍTULO SETE (#u2f2f6bd5-b8e4-5bca-969f-085b8ae82188)

CAPÍTULO OITO (#u61170c98-c5b4-5f6b-8e1b-b299485c94c2)

CAPÍTULO NOVE (#uc1980667-fcc3-54be-ad8b-2f6b4e89c91b)

CAPÍTULO DEZ (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO ONZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DOZE (#litres_trial_promo)

CAPITULO TREZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO CATORZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUINZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZASSEIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZASSETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZOITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZANOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E DOIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E TRÊS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E QUATRO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E CINCO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E SEIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E SETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E OITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E NOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E UM (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E DOIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E TRÊS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E QUATRO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E CINCO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E SEIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E SETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E OITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E NOVE (#litres_trial_promo)










PRÓLOGO


Courtney Wallace sentiu um calor familiar nos pulmões e nas coxas. Abrandou o ritmo até parar, curvou-se com as mãos nos joelhos e tentou recuperar o fôlego.

Era uma boa sensação – uma forma de acordar muito melhor do que através de uma chávena quente de café, apesar de dali a nada ir beber café com o pequeno-almoço. Ainda tinha tempo suficiente para tomar banho e comer antes de ir para o trabalho.

Courtney adorava o brilho da primeira luz da manhã entre as árvores e a humidade que pairava no ar. Em breve seria um dia quente de Maio, mas agora a temperatura estava perfeita, sobretudo ali na incrível Belle Terre Nature Preserve.

Também gostava da solidão. Quase não encontrara outra pessoa a correr naquele trilho – e nunca naquele momento do dia.

Apesar da sua satisfação em relação ao que a rodeava, começou a apoderar-se dela uma sensação de desilusão ao recuperar o controlo da respiração.

O seu namorado, Duncan, tinha mais uma vez prometido ir correr com ela – e mais uma vez recusara acordar. Provavelmente só acordaria muito depois dela ir trabalhar, talvez só à tarde.

Será que alguma vez vai acordar para a realidade? Interrogou-se.

E quando é que arranjaria outro trabalho?

Começou a caminhar lentamente, esperando sacudir aqueles pensamentos negativos. Dali a nada começou a correr e aquele calor revigorante nos pulmões e nas pernas fez desaparecer a preocupação e a desilusão.

Depois o chão cedeu debaixo dela.

Estava a cair – um momento estranho e suspenso que parecia agonizantemente lento.

Caiu de forma brutal.

A luz do sol desapareceu e os seus olhos tinham que se ajustar à nova luminosidade.

Onde estou? Interrogou-se.

Viu que estava no fundo de uma vala estreita.

Mas como fora ali parar?

Sentiu uma dor horrível na sua perna direita.

Olhou para baixo e viu que o tornozelo estava dobrado num ângulo pouco natural.

Tentou mexer a perna. A dor agudizou-se e ela gritou. Tentou manter-se em pé, mas a perna colapsou. Conseguia sentir os ossos partidos a embaterem uns nos outros. Um assomo de náusea subiu-lhe à garganta e quase desmaiou.

Ela sabia que precisava de ajuda e tentou alcançar o bolso para pegar no telemóvel.

Mas não estava lá!

Devia ter caído.

Devia estar algures por ali. Tentou encontrá-lo.

Mas estava parcialmente entrelaçada numa espécie de cobertor áspero e pesado juntamente com terra e folhas. Não conseguia encontrar o telefone.

Começou a ocorrer-lhe que tinha caído numa armadilha – um buraco com um pano bem disfarçado para o esconder.

Seria aquilo uma piada?

Se fosse o caso, não tinha piada nenhuma.

E como é que ela ia sair dali?

As paredes do buraco eram direitas, sem apoios para pés ou para mãos. Incapaz de se colocar em pé, nunca conseguiria sair dali sozinha.

E não era provável que alguém passasse por aquele trilho nas próximas horas.

Então ouviu uma voz vinda de cima.

“Ei! Teve um acidente?”

Respirou mais facilmente ao ouvir o som.

Olhou para cima e viu um homem de pé por cima dela. A sua figura estava contra a luz por isso não lhe via o rosto.

Ainda assim, mal acreditava na sua sorte. Depois de tantas manhãs sem ver ninguém naquele trilho, naquela manhã alguém passara por ali precisamente quando ela precisava de ajuda.

“Acho que tenho o tornozelo partido,” Disse ela ao homem. “E perdi o meu telemóvel.”

“Isso parece mau,” Disse o homem. “Como é que aconteceu?”

Que raio de pergunta é essa? Questionou-se.

Apesar de haver um sorriso na sua voz, Courtney desejava ver o seu rosto.

Ela disse, “Estava a correr e… estava aqui este buraco e…”

“E o quê?”

Courtney já se estava a sentir impaciente.

Disse, “Bem, obviamente que caí.”

O homem ficou imóvel durante alguns instantes. Depois disse, “É um grande buraco. Não o viu?”

Courtney libertou um urro de exasperação.

“Ouça, só preciso de ajuda para sair daqui, OK?”

O homem abanou a cabeça.

“Não devia vir correr para lugares que não conhece bem.”

“Mas eu conheço este lugar!” Fritou Courtney.

“Então como é que caiu neste buraco?”

Courtney estava perplexa. Ou o homem era um idiota ou estava a brincar com ela.

“É o idiota que escavou este buraco?” Disse ela. “Se é, não tem graça nenhuma raios. Tire-me daqui!”

Ficou chocada ao perceber que estava a choramingar.

“Como?” Perguntou o homem.

Courtney esticou o braço o máximo que conseguia.

“Aqui,” Disse ela. “Agarre na minha mão e puxe-me.”

“Não tenho a certeza se consigo ir tão fundo.”

“É claro que consegue.”

O homem riu-se. Era um riso agradável e amigável. Ainda assim, Courtney ainda gostava de poder ver o seu rosto.

“Eu trato de tudo,” Disse ele.

Afastou-se e desapareceu.

Depois ouviu sons metálicos a surgirem atrás de si.

Quando se apercebeu, sentiu um enorme peso a cair em cima de si.

Demorou alguns instantes a perceber que o homem acabara de largar uma carga de terra em cima dela.

Sentiu as mãos e as pernas a esfriarem – sinais de pânico, percebeu.

Não entres em pânico, Disse a si própria.

O que quer que se estivesse a passar, ela tinha que se manter calma.

Viu que o homem segurava num carrinho de mão. Mais alguns pedaços de terra caíram na sua cabeça.

“O que é que está a fazer?” Gritou ela.

“Descontraia,” Disse o homem. “Tal como eu disse, vou tratar de tudo.”

Ele afastou o carrinho de mão. Depois ela ouviu um tamborilar de terra contra metal outra vez.

Era o som do homem a carregar o carrinho de mão com mais terra.

Ela fechou os olhos, respirou fundo, abriu a boca e soltou um longo e penetrante grito.

“Socorro!”

Depois sentiu um pedaço de terra a atingi-la no rosto. Alguma da terra entrou na boca e ela engasgou-se e cuspiu-a.

Com uma voz ainda amigável, o homem disse…

“Receio que vá ter que gritar muito mais alto do que isso.”

Depois acrescentou com uma risada…

“Eu mal a ouço.”

Ela soltou outro grito, chocada com a amplitude da sua voz.

Então o homem largou o conteúdo do carrinho de mão em cima dela.

Não conseguia gritar outra vez. A sua garganta estava coberta de terra.

Sentiu-se avassalada por uma assustadora sensação de déjà vu. Já experimentara algo assim – aquela incapacidade de fugir do perigo ou até de gritar.

Mas essas experiências haviam sido pesadelos. E ela sempre acordara deles.

Com certeza que se tratava de outro pesadelo.

Acorda, Disse a si própria vezes sem conta. Acorda, acorda, acorda…

Mas não conseguia acordar.

Não era um sonho.

Era a realidade.




CAPÍTULO UM


A Agente Especial Riley Paige estava a trabalhar na sua secretária no edifício da UAC em Quantico quando foi avassalada por uma memória desconfortável…



Um homem de pele negra olhava para ela com olhos vidrados.

Tinha uma ferida de bala no ombro e uma outra ferida muito mais grave no abdómen.

Numa voz fraca e amarga, disse a Riley…

“Ordeno-lhe que me mate.”

A mão de Riley estava pousada na arma.

Ela devia matá-lo.

Tinha todas as razões do mundo para o fazer.

Ainda assim, não sabia o que fazer…



A voz de uma mulher despertou Riley.

“Parece que estás a pensar em alguma coisa.”

Riley olhou e viu uma jovem mulher Afro-Americana com cabelo curto à porta do seu gabinete.

Era Jenn Roston que fora a nova parceira de Riley no mais recente caso.

Riley sacudiu-se ligeiramente.

“Não é nada,” Disse ela.

Os olhos castanho escuros de Jenn demonstravam preocupação.

Ela disse, “Oh, tenho a certeza de que não é nada.”

Quando Riley não respondeu, Jenn disse, “Estás a pensar no Shane Hatcher, não estás?”

Riley anuiu em silêncio. As memórias não a largavam por aqueles dias – memórias do seu terrível confronto com o homem ferido na cabana do pai.

A relação de Riley com o foragido tinha como base um estranho laço de lealdade. Ele estava a monte há cinco meses e ela nem sequer tentara restringir a sua liberdade – não até ele começar a assassinar pessoas inocentes.

Agora era-lhe difícil acreditar que o deixara em liberdade durante tanto tempo.

Aquela relação fora perturbadora, ilegal e muito, muito obscura.

De todas as pessoas que Riley conhecia, aquela que melhor tinha conhecimento do quão obscura fora, era Jenn.

Por fim, Riley disse, “Não consigo parar de pensar – devia tê-lo morto.”

Jenn disse, “Ele estava ferido, Riley. Não era uma ameaça para ti.”

“Eu sei,” Disse Riley. “Mas não consigo parar de pensar que deixei a minha lealdade interferir no eu julgamento.”

Jenn abanou a cabeça.

“Riley, já falámos sobre isto. Tu já sabes o que eu penso sobre o assunto. Fizeste a coisa certa. Aqui todos têm a mesma opinião.”

Riley sabia que era verdade. Os seus colegas e superiores tinham-lhe dado os parabéns por trazer Hatcher vivo. A sua boa vontade era uma mudança bem-vinda. Desde que Riley estava no encalço de Hatcher que todos estavam justificadamente suspeitosos dela. Agora que a nuvem de suspeita se dissipara, os rostos dos colegas estavam novamente amigáveis e era cumprimentada com renovado respeito.

Riley sentiu-se outra vez verdadeiramente em casa.

Então Jenn sorriu e acrescentou, “Raios, até fizeste as coisas segundo as regras uma vez na vida.”

Riley riu-se. Era certo que tinha seguido os procedimentos corretos na prisão de Hatcher – o que era muito mais do que podia dizer em muitas das suas ações durante o caso que ela e Jenn tinham resiolvido juntas.

Riley disse, “Pois, parece que tiveste um curso intensivo dos meus… métodos pouco convencionais.”

“Podes crer que sim.”

Riley riu-se desconfortavelmente. Tinha ignorado ainda mais regras do que o habitual. A Jenn tinha-a apoiado lealmente – mesmo quando ela entrara na casa de um suspeito sem mandado. A Jenn podia ter reportado as suas ações. Podia fazer com que Riley fosse despedida.

“Jenn, estou-te muito agradecida…”

“Não tens que agradecer,” Disse Jenn. “É passado. O que vem a seguir é que importa.”

O sorriso de Jenn aumentou ao acrescentar, “E não estou à espera que ajas como uma escuteira. E também não esperes isso de mim.”

Riley riu-se novamente, de modo mais confortável desta vez.

Custava-lhe acreditar que há pouco tempo ainda não confiava em Jenn e até a considerava uma inimiga.

No final de contas, Jenn fizera muito mais por Riley do que apenas ser discreta quanto às suas ações.

“Já te agradeci por teres salvo a minha vida?” Perguntou Riley.

Jenn sorriu.

“Acho que já perdi a noção do número de vezes,” Disse ela.

“Bem, obrigada outra vez.”

Jenn não disse nada. O seu sorriso desvaneceu-se e deu lugar a um olhar distante.

“Querias alguma coisa, Jenn?” Perguntou Riley. “Quero dizer, porque é que passaste por cá?”

Jenn ficou a olhar para o corredor durante alguns instantes.

Por fim disse, “Riley, não sei se te devia dizer…” Não concluiu o que ia dizer.

Riley percebeu que algo a incomodava. Queria tranquiliza-la, dizer-lhe qualquer coisa como…

“Podes dizer-me qualquer coisa.”

Mas podia ser pretensioso da parte dela.

Por fim Jenn pareceu tremer ligeiramente.

“Esquece,” Disse ela. “Não é nada com que te devas preocupar.”

“Tens a certeza?”

“Sim.”

Sem dizer mais uma palavra, Jenn desapareceu no fundo do corredor, deixando Riley com uma sensação de desconforto. Há muito que tinha a noção que Jenn tinha os seus próprios segredos – talvez bem obscuros.

Porque é que ela não confia e mim? Perguntou-se Riley.

Parecia que uma ou outra sempre estava um pouco desconfiada. Isso não era bo se quisessem trabalhar juntas como parceiras.

Mas não havia nada que Riley pudesse fazer – pelo menos não para já.

Olhou para o relógio. Estava quase atrasada para uma reunião com o seu parceiro de longa data, Bill Jeffreys.

O pobre Bill estava de licença por aqueles dias, a sofrer de SPT depois do terrível incidente no seu último caso juntos. Riley sentiu uma pontada de tristeza ao lembrá-lo.

Ela e Bill trabalhavam juntos com uma jovem agente promissora chamada Lucy Vargas.

Mas Lucy fora morta em serviço.

Riley sentia falta de Lucy todos os dias.

Mas pelo menos não se sentia culpada pela sua morte.

Bill sentia-se.

Naquela manhã, Bill ligara a Riley e pedira-lhe para se encontrarem na base da Marinha que ocupava grande parte das instalações de Quantico.

Não lhe dissera porquê, o que a preocupava. Esperava não ser nada sério.

Riley levantou-se ansiosamente da sua secretária e saiu do edifício da UAC.




CAPÍTULO DOIS


Bill sentia-se um pouco preocupado ao conduzir Riley até à carreira de tiro da Marinha.

Estarei preparado para isto? Perguntou-se.

Quase parecia uma pergunta estúpida. Afinal de contas, tratava-se apenas de tiro ao alvo.

Mas este não era um treino qualquer.

Tal como ele, Riley usava um uniforme camuflado e pegava numa espingarda M16-A4 carregada com munições reais.

Mas ao contrário de Bill, Riley não fazia ideia do que iriam fazer.

“Gostava que me dissesses o que é que se passa,” Disse Riley.

“Vai ser uma nova experiência para nós os dois,” Disse ele.

Bill nunca experimentara aquele tipo de carreira de tiro. Mas Mike Nevins, o psiquiatra que o acompanhava, recomendara-a para ele.

“Será uma boa terapia,” Dissera Mike.

Bill esperava que Mike tivesse razão. E também esperava descontrair mais estando Riley presente.

Bill e Riley posicionaram-se um ao lado do outro, encarando um campo relvado que se espraiava por área pavimentada. No chão encontravam-se barreiras verticais marcadas com buracos de bala. Há alguns momentos atrás, Bill tinha falado com um tipo numa cabina de controlo e tudo já devia estar pronto.

Agora falava ao mesmo tipo através de um pequeno microfone à frente da sua boca.

“Alvos aleatórios. Vai.”

De repente, figuras de tamanho humano surgiram de trás das barreiras, todas movendo-se na área pavimentada. Usavam uniformes ao estilo de combatentes do ISIS e pareciam estar armados.

“Hostis!” Disse Bill a Riley. “Dispara!”

Riley estava demasiado alarmada para disparar, mas Bill disparou um tiro e falhou. Depois disparou outro tiro e atingiu uma das figuras. A figura curvou-se completamente e parou de se mexer. As outras viraram-se para evitar o tiroteio, algumas movimentando-se mais rapidamente, outras escondendo-se atrás das barreiras.

Riley disse, “Que raio!”

Ela ainda não tinha disparado um único tiro.

Bill riu-se.

“Para,” Disse ele para o microfone.

De repente, todas as figuras pararam.

“Hoje estamos a disparar contra bonecos com rodas?” Perguntou Riley a rir.

Bill explicou, “São robôs autónomos montados em Segways. Aquele tipo com quem falei há pouco na cabina, despoleta programas para eles seguirem. Mas não controla cada movimento que fazem. Na verdade, não os controla minimamente. Eles ‘sabem’ o que fazer. Têm scanners a laser e algoritmos de navegação para que se possam evitar uns aos outros e às barreiras.”

Os olhos de Riley arregalaram-se de espanto.

“Pois,” Disse ela. “E eles sabem o que fazer quando se inicia o tiroteio – correm ou escondem-se ou ambos.”

“Queres experimentar outra vez?” Perguntou Bill.

Riley anuiu, começando a parecer entusiasmada.

Mais uma vez Bill falou para o microfone, “Alvos aleatórios. Vai.”

As figuras começaram a movimentar-se como anteriormente, e Riley e Bill dispararam contra eles. Bill atingiu um dos robôs e Riley também. Ambos esses robôs pararam e curvaram-se. Os outros robôs dispersaram-se, alguns deslizando caprichosamente, outros escondendo-se atrás das barreiras.

Riley e Bill continuaram a disparar, mas o tiroteio endureceu. Os robôs que se movimentavam, faziam-no de forma imprevisível e a velocidades que variavam. Os que se escondiam atrás das barreiras estavam sempre à espreita, desafiando Riley e Bill a disparar. Era impossível saber de que lado da barreira podiam aparecer. Então, ou corriam em círculos ou abrigavam-se novamente.

Apesar de todo aquele caos aparente, apenas levou cerca de meio minuto para que Riley e Bill abatessem os oito robôs. Estavam todos curvados e parados entre as barreiras.

Riley e Bill baixaram as armas.

“Foi estranho,” Disse Riley.

“Queres parar?” Perguntou Bill.

Riley deu uma risada.

“Estás a brincar? Nem pensar. O que vem a seguir?”

Bill engoliu em seco, subitamente sentindo-se nervoso.

“Devemos abater os hostis sem matar civis,” Disse ele.

Riley olhou para ele. Ela compreendia a sua preocupação. Ela sabia perfeitamente bem por que é que aquele novo exercício o fazia sentir-se desconfortável. Lembrava-lhe do jovem inocente contra quem disparara recentemente. O jovem tinha recuperado do ferimento, mas Bill ainda não conseguia lidar bem com aquela culpa.

Bill também se sentia desconfortável porque naquele mesmo incidente, uma jovem e brilhante agente chamada Lucy Vargas fora morta.

Se ao menos tivesse conseguido salvá-la, Pensou mais uma vez.

Bill estava de licença desde então, pensando se alguma vez conseguiria regressar ao trabalho. Fora-se completamente abaixo, refugiando-se no álcool e até colocando a hipótese de suicídio.

Riley ajudara-o a ultrapassar aquela fase – na verdade, talvez lhe tivesse salvo a vida.

E Bill sentia-se melhor.

Mas estaria preparado para aquilo?

Riley não parava de o observar com preocupação.

“Tens a certeza de que é uma boa ideia?” Perguntou ela.

Mais uma vez, Bill lembrou-se do que Mike Nevins dissera.

“Vai ser uma boa terapia.”

Bill assentiu para Riley.

“Penso que sim,” Disse ele.

Retomaram as suas posições e ergueram as armas. Bill falou para o microfone. “Hostis e civil.”

As mesmas ações decorreram – só que desta vez, uma das figuras era uma mulher coberta por um hijab azul. Não era difícil distingui-la dos hostis vestidos de castanho. Mas ela movimentava-se entre eles de forma aparentemente aleatória.

Riley e Bill começaram a agir como anteriormente – algumas das figuras masculinas esquivavam-se das balas, outras escondiam-se atrás das barreiras para em momentos imprevisíveis se mostrarem.

A figura feminina também se movia como se estivesse assustada pelo tiroteio, correndo de um lado para o outro freneticamente, mas nunca se escondendo atrás das barreiras. O seu pânico simulado apenas tornava mais difícil não a atingir acidentalmente.

Bill sentiu suor frio a formar-se na sua testa enquanto disparava um tiro após outro.

Dali a nada, ele e Riley tinham atingido todos os hostis e a mulher de hijab permanecia sozinha incólume.

Bill libertou um suspiro de alívio e baixou a sua arma.

“Como é que estás?” Perguntou Riley com uma nota de preocupação na voz.

“Acho que bem,” Disse Bill.

Mas tinhas as palmas das mãos húmidas e tremia ligeiramente.

“Talvez já chegue por agora,” Disse Riley.

Bill abanou a cabeça.

“Não,” Disse ele. “Temos que tentar o próximo programa.”

“E é o quê?”

Bill engoliu em seco.

“É uma situação de reféns. O civil será morto a não ser que nós abatamos dois hostis em simultâneo.”

Riley disse-lhe, “Bill, não sei…”

“Anda,” Disse Bill. “É apenas um jogo. Vamos experimentar.”

Riley encolheu os ombros e ergueu a sua arma.

Bill falou para o microfone, “Situação de reféns. Vai.”

Os robôs ganharam vida novamente. A figura feminina ficou à vista enquanto os hostis desapareceram atrás das barreiras.

Então dois hostis surgiram de trás das barreiras, movimentando-se de forma ameaçadora em torno da figura feminina que se esquivava para trás e para a frente com aparente ansiedade.

Bill sabia que o truque era ele e Riley dispararem contra os hostis mal tivessem a possibilidade de acertarem certeiramente.

Dependia dele discernir qual o melhor momento.

Quando ele e Riley apontaram as suas armas cuidadosamente, Bill disse…

“Eu fico com o que está à esquerda, tu com o da direita. Dispara quando eu disser ‘Vai’”.

“Tudo bem,” Disse Riley calmamente.

Bill monitorizou cuidadosamente os movimentos e posições dos dois hostis. Apercebeu-se de que iria ser difícil – muito mais difícil do que esperava.

Mal um dos hostis se afastou, o outro colocou-se perigosamente próximo da refém.

Será que vamos conseguir um tiro certeiro? Perguntou-se.

Então, por um momento breve, os dois hostis afastaram-se ligeiramente em direções opostas da refém.

“Vai!” Gritou Bill.

Mas antes que conseguisse premir o gatilho, foi dominado por uma catadupa de imagens…



Dirigia-se ao edifício abandonado quando ouviu um tiro.

Sacou da arma e correu para o interior do edifício onde viu Lucy deitada no chão.

Viu um jovem a mover-se na sua direção.

Instintivamente, Bill disparou e atingiu o jovem.

O homem girou antes de cair – e só nessa altura Bill viu que as suas mãos estavam vazias.

Estava desarmado.

O homem apenas tentava ajudar Lucy.

Mortalmente ferida, Lucy ergueu-se pelo cotovelo e disparou seis tiros na direção do seu atacante…

… o homem que Bill devia ter morto.



Um tiro foi disparado da espingarda de Riley, despertando Bill das suas recordações.

As imagens haviam chegado numa fração de segundos.

Um dos hostis curvou-se, morto pelo tiro de Riley.

Mas Bill permanecia inerte. Não conseguia disparar o gatilho.

O hostil sobrevivente virou-se ameaçadoramente na direção da mulher e um tiro gravado ribombou num altifalante.

A mulher curvou-se e parou de se mexer.

Bill finalmente disparou a sua arma e atingiu o hostil sobrevivente – mas tarde demais para a refém que já se encontrava morta.

Durante um instante, a situação pareceu horrivelmente real.

“Meu Deus,” Disse ele. “Oh, meu Deus, o que é que eu permiti que acontecesse?”

Bill deu um passo em frente, quase como se quisesse socorrer a mulher.

Riley colocou-se à sua frente para o parar.

“Bill, está tudo bem! É apenas um jogo! Não é real!”

Bill parou tremendo e tentando acalmar-se.

“Riley, peço desculpa, é que… tudo regressou durante um segundo e…”

“Eu sei,” Disse Riley. “Eu compreendo.”

Bill deixou-se cair e abanou a cabeça.

“Talvez não esteja pronto para isto,” Disse ele. “Talvez seja melhor pararmos por hoje.”

Riley deu-lhe uma palmadinha no ombro.

“Não,” Disse ela. “Acho melhor repetirmos.”

Bill respirou profundamente algumas vezes. Ele sabia que Riley tinha razão.

Ele e Riley retomaram as suas posições, e Bill mais uma vez disse ao microfone…

“Situação de refém. Vai.”

A mesma ação foi retomada com dois hostis a rondarem perigosamente uma refém.

Bill respirou calmamente, inspirou e expirou, ao olhar pela mira.

É apenas um jogo, Disse a si próprio. É apenas um jogo.

Por fim, chegou o momento por que esperava. Ambos os hostis tinham-se afastado ligeiramente da refém. Ainda era um tiro perigoso, mas Bill e Riley tinham que arriscar.

“Vai!” Disse ele.

Desta vez, ele disparou de imediato e ouviu o som do tiro de Riley uma fração de segundo mais tarde.

Ambos os hostis se curvaram e pararam de se mexer.

Bill baixou a arma.

Riley deu-lhe uma palmadinha nas costas.

“Conseguiste, Bill,” Disse ela a sorrir. “Estou a gostar disto. Que mais conseguimos fazer com estes robôs?”

Bill disse, “Há um programa onde podemos avançar na sua direção ao mesmo tempo que disparamos.”

“Vamos experimentar.”

Bill falou para o microfone.

“Aproximação.”

Os oito robôs começaram a mexer-se e Bill e Riley avançaram na sua direção passo a passo, disparando. Alguns robôs caíram e outros andavam à voltas tornando mais difícil atingi-los.

Enquanto Bill disparava, apercebeu-se de que algo faltava naquela simulação.

Eles não ripostam, Pensou ele.

Também o seu alívio por salvar a refém assumia agora contornos estranhos. No final de contas, ele e Riley apenas tinham salvo a vida de robô.

Não alterou a realidade do que tinha acontecido recentemente.

E mais importante de tudo, não tinha trazido Lucy de volta.

A sua culpa ainda o assombrava. Alguma vez conseguiria libertar-se dela?

E alguma vez conseguiria regressar ao trabalho?




CAPÍTULO TRÊS


Depois do treino, Riley ainda estava preocupada com Bill. É verdade que tinha recuperado rapidamente da inação. E até parecia ter-se divertido quando iniciaram o tiro de aproximação.

Ele até parecia contente quando deixara Quantico para regressar ao seu apartamento. Ainda assim, aquele não era o velho Bill que fora seu parceiro durante tantos anos – e que se tornara no seu melhor amigo.

Ela sabia o que o preocupava mais.

Bill receava não conseguir regressar ao trabalho.

Ela queria poder consolá-lo com palavras simples – qualquer coisa como…

“Estás só a passar por uma fase menos boa. Acontece a todos. Vais ultrapassar isso mais rapidamente do que pensas.

Mas consolos loquazes não eram aquilo de que Bill precisava naquele momento. E a verdade era que Riley nem sabia se aquilo era verdade.

Ela própria sofrera de SPT e sabia quão difícil era a recuperação. Teria apenas que ajudar Bill naquele terrível processo.

Apesar de Riley ter voltado para o seu gabinete, não tinha muito mais a fazer na UAC naquele dia. Não tinha nenhum caso com que se ocupar e aqueles dias mais calmos eram bem-vindos depois da intensidade do último caso no Iowa. Terminou o que tinha a terminar e foi-se embora.

Ao dirigir-se para casa, sentia-se satisfeita ao pensar em jantar com a família. Estava especialmente agradada com o facto de ter convidado Blaine Hildreth e a a filha para jantarem com eles naquela noite.

Riley estava feliz por Blaine fazer parte da sua vida. Ele era um homem bonito e encantador. E tal como ela, tinha-se divorciado há relativamente pouco tempo.

Também constatara que era incrivelmente corajoso.

Fora Blaine quem atingira e ferira Shane Hatcher quando ele ameaçara a família de Riley.

Riley ficar-lhe-ia eternamente grata por isso.

Até àquele momento, passara uma noite com Blaine em sua casa. Tinham sido bastante discretos quanto a isso – a sua filha, Crystal, estava fora a visitar os primos nas férias. Riley sorriu ao lembrar-se daquela noite.

Iria esta noite terminar da mesma forma?



*



A empregada de Riley, Gabriela, tinha cozinhado uma deliciosa refeição de chiles rellenos a partir de uma receita de família que trouxera da Guatemala. Toda a gente estava a adorar os pimentos recheados.

Riley sentia-se satisfeita com o maravilhoso jantar e magnífica companhia.

“Não está demasiado picante?” Perguntou Gabriela.

Não estava demasiado condimentado e picante para as papilas gustativas Americanas e Riley tinha a certeza de que Gabriela o sabia. Gabriela sempre tinha cuidado ao preparar aquelas receitas originais. Era óbvio que procurava elogios, e não demoraram muito a surgir.

“Não, está perfeito,” Disse April, a filha de quinze anos de Riley.

“O melhor de sempre,” Disse Jilly, a menina de treze anos que Riley estava a tentar adotar.

“Simplesmente maravilhoso,” Disse Crystal, a melhor amiga de April.

O pai de Crystal, Blaine Hildreth, não disse nada de imediato. Mas Riley percebeu pela sua expressão que estava encantando com o prato. Ela também sabia que a opinião de Blaine era em parte profissional. Blaine era dono de um restaurante ali em Fredericksburg.

“Como é que o faz Gabriela?” Perguntou Blaine depois de algumas dentadas.

“Es un secreto,” Disse Gabriela com um sorriso malicioso.

“Com que então um segredo?” Disse Blaine. “Que tipo de queijo utiliza? Não consigo perceber. Sei que não é Monterey Jack ou Chihuahua. Talvez Manchego?”

Gabriela abanou a cabeça.

“Nunca o direi,” Disse ela com uma risada.

Enquanto Blaine e Gabriela continuaram a discutir sobre a receita, parte em Inglês e parte em Espanhol, Riley deu por si a pensar se ela e Blaine poderiam…

Corou ao ocorrer-lhe a ideia.

Não, não vai acontecer esta noite.

Não poderia haver escapatória graciosa ou discreta com toda a gente ali.

Não que as coisas não estivessem bem como estavam.

Estar rodeada de gente que amava era um enorme prazer. Mas ao observar a sua família e amigos a divertirem-se, uma nova preocupação começou a surgir na mente de Riley.

Havia uma pessoa que mal tinha dito uma palavra à mesa. Era Liam, o mais recente hóspede na casa de Riley. Liam tinha a idade de April e os dois adolescentes tinham namorado a dada altura. Riley tinha salvo o miúdo de um pai agressivo e bêbedo. Ele precisava de um lugar para viver e naquele momento dormia num sofá-cama em casa de Riley.

Geralmente, Liam era falador e sociável. Mas algo parecia estar a incomodá-lo naquela noite.

Riley perguntou, “Passa-se alguma coisa, Liam?”

O rapaz parecia nem sequer a ouvir.

Riley falou um pouco mais alto.

“Liam.”

Liam levantou os olhos da refeição em que mal tinha tocado até ao momento.

“Huh?” Disse ele.

“Passa-se alguma coisa?”

“Não. Porquê?”

Riley não tinha dúvida de que algo estava errado. Liam nunca era parco em palavras como estava a ser.

“Ocorreu-me que se poderia passar algo,” Disse ela.

Tentou não se esquecer que teria que falar com Liam mais tarde.



*



Gabriela terminou a refeição com um delicioso pudim flan. Riley e Blaine tomaram bebidas enquanto os quatro miúdos se entretinham na sala. Por fim, Blaine e a filha foram embora.

Riley esperou até April e Jilly irem dormir. Depois foi sozinha até à sala familiar onde Liam estava sentado no sofá ainda fechado a olhar para o vazio.

“Liam, eu sei que se passa alguma coisa. Gostava que me dissesses o que é.”

“Não se passa nada,” Disse Liam.

Riley cruzou os braços e não disse nada. Ela sabia por experiência própria que às vezes o melhor era esperar.

Então Liam disse, “Não quero falar sobre o assunto.”

Riley ficou alarmada. Estava habituada a alterações de humor adolescente da April e da Jilly, pelo menos de vez em quando. Mas aquilo não era típico de Liam. Ele era sempre agradável e afetuoso. Também era um estudante dedicado e Riley apreciava a influência que ele exercia em April.

Riley continuou à espera em silêncio.

Por fim, Liam disse, “Recebi hoje uma chamada do meu pai.”

Riley sentiu um buraco no estômago.

Não conseguia evitar lembrar-se daquele dia terrível quando fora a casa de Liam para o salvar de ser espancado pelo pai.

Ela sabia que não devia estar surpreendida, mas não sabia o que dizer.

Liam disse, “Ele diz que está arrependido de tudo. Diz que tem saudades minhas.”

A preocupação de Riley aumentou. Ela não tinha qualquer custódia legal sobre Liam. Naquele momento, ela era uma espécie de mãe adotiva improvisada e não fazia ideia de qual seria o seu papel na sua vida futura.

“Ele quer que voltes para casa?” Perguntou Riley.

Liam anuiu.

Riley não conseguia colocar a pergunta mais óbvia…

“O que é que tu queres?”

O que é que ela faria – o que poderia ela fazer – se Liam dissesse que queria regressar a casa?

Riley sabia que Liam era um rapaz carinhoso e com capacidade de perdoar. Tal como muitas vítimas de abusos, também era propenso à negação.

Riley sentou-se a seu lado.

Perguntou, “Tens sido feliz aqui?”

Liam emitiu um som sufocado. Pela primeira vez, Riley apercebeu-se de que ele estava à beira de chorar.

“Oh, sim,” Disse ele. “Tem sido… Eu tenho estado… tão feliz.”

Riley sentiu um nó na garganta. Ela queria dizer-lhe que ele podia ficar o tempo que quisesse. Mas o que poderia ela fazer se o pai exigisse o seu regresso? Ela nada poderia fazer para o impedir.

Uma lágrima correu pelo rosto de Liam.

“É só que… desde que a mãe se foi embora… sou tudo o que o pai tem. Ou pelo menos era até me ir embora. Agora está completamente sozinho. Ele diz que parou de beber. Diz que não me vai magoar nunca mais.”

Riley quase disse…

“Não acredites nele. Nunca acredites nele quando disser isso.”

Mas em vez disso, Riley disse, “Liam, o teu pai está muito doente.”

“Eu sei,” Disse Liam.

“Depende dele obter a ajuda de que precisa. Mas até a obter… bem, será muito difícil ele mudar.”

Riley não disse mais nada durante alguns momentos.

Depois acrescentou, “Lembra-te sempre que a culpa não é tua. Sabes disso, não sabes?”

Liam engoliu um soluço e anuiu.

“Voltaste a vê-lo?” Perguntou Riley.

Liam abanou a cabeça em silêncio.

Riley deu-lhe uma palmadinha na mão.

“Só quero que me prometas uma coisa. Se fores vê-lo. Não vás sozinho. Quero estar lá contigo. Prometes?”

“Prometo,” Disse Liam.

Riley pegou numa caixa de lenços e deu um a Liam que limpou os olhos e assoou o nariz. Depois os dois ficaram sentados em silêncio durante algum tempo.

Por fim, Riley disse, “Precisas de mim para mais alguma coisa?”

“Não. Agora estou bem. Obrigado por… bem, você sabe.”

E sorriu-lhe muito ligeiramente.

“Por tudo,” Acrescentou ele.

“Não tens de quê,” Disse Riley, devolvendo-lhe o sorriso.

Ela saiu da sala familiar, caminhou até à sala de estar e sentou-se sozinha no sofá.

De repente, foi acometida por uma emoção tão grande que não conseguiu evitar chorar. Ficou alarmada por perceber como ficara abalada com a conversa que acabara de ter com Liam.

Mas quando pensou nisso, foi fácil perceber porquê.

Estou tão desnorteada, Pensou.

No final de contas, ainda estava a tratar da adoção de Jilly. Salvara a pobre rapariga de horrores inomináveis. Quando Riley a encontrou, Jilly estava a tentar vender o corpo por puro desespero.

Então em que é que Riley estava a pensar ao trazer outro adolescente para casa?

De repente desejou que Blaine ainda ali estivesse para conversarem.

O Blaine parecia sempre saber o que dizer.

Ela apreciara a calmaria entre casos durante algum tempo, mas aos poucos, as preocupações começavam a insinuar-se – preocupações relacionadas com a sua família e hoje com Bill.

Não pareciam umas férias.

Riley não conseguia evitar pensar…

Passa-se algo de errado comigo?

Seria ela simplesmente incapaz de gozar uma vida pacífica?

De qualquer das formas, podia ter a certeza de uma coisa.

Aquela trégua não duraria. Algures, algum monstro estava a cometer algum feito hediondo – e teria que ser ela a pará-lo.




CAPÍTULO QUATRO


Riley foi acordada na manhã seguinte pelo som do seu telemóvel a vibrar.

A trégua terminou, Pensou.

Olhou para o telemóvel e viu que tinha razão. Era um SMS do seu chefe de equipa na UAC, Brent Meredith. Deveria encontrar-se com ele e a mensagem estava escrita no seu típico estilo conciso…



UAC 8:00



Riley olhou para as horas e apercebeu-se que tinha que se despachar para chegar a tempo à reunião tão apressadamente marcada. Quantico ficava apenas a meia-hora de carro de casa, mas ela precisava de se apressar.

Riley demorou apenas alguns minutos a escovar os dentes, pentear o cabelo, vestir-se e descer as escadas.

Gabriela já fazia o pequeno-almoço na cozinha.

“O café está pronto?” Perguntou-lhe Riley.

“Sí,” Disse Gabriela e serviu-a.

Riley bebeu um gole de café sofregamente.

“Vai-se embora sem tomar o pequeno-almoço? Perguntou-lhe Gabriela.

“Temo que sim.”

Gabriela deu-lhe uma bagel.

“Então leve isto consigo. Tem que ter alguma coisa no estômago.”

Riley agradeceu a Gabriela, bebeu um pouco mais de café e correu para o carro.

Durante a curta viagem até Quantico, foi arrebatada por uma sensação peculiar.

Começou realmente a sentir-se melhor do que nos últimos dias, até ligeiramente eufórica.

Era em parte um aumento de adrenalina, é claro, já que a sua mente e corpo se preparavam para mergulhar num novo caso.

Mas era também algo perturbador – uma sensação de que as coisas estavam de alguma forma a voltar ao normal.

Riley suspirou perante essa tomada de consciência.

Interrogou-se – perseguir monstros era algo mais normal do que passar tempo com aqueles que amava?

Não pode ser… bem, normal, Pensou.

Pior, lembrava-lhe de algo que o pai, um Marine aposentado amargo e brutal, lhe tinha dito antes de morrer.

“És uma caçadora. Aquilo que é normal para as pessoas – para ti seria o fim.”

Riley queria muito que tal não fosse verdade.

Mas em momentos como aquele, não podia deixar de se preocupar – seriam os papéis de esposa, mãe e amiga impossíveis de alcançar?

Seria inútil sequer tentar?

Seria “a caça” a única coisa que ela realmente tinha na vida?

Não, não era a única coisa.

Claramente nem sequer era a coisa mais importante na sua vida.

Firmemente, colocou aquela pergunta desagradável de lado.

Quando chegou ao edifício da UAC, estacionou e apressou-se diretamente para o gabinete de Brent Meredith.

Viu que Jenn já lá se encontrava, parecendo mais desperta do que Riley. Ela sabia que Jenn, tal como Bill, tinha um apartamento da cidade de Quantico, por isso levara menos tempo a ali chegar. Mas Riley também atribuía alguma daquela frescura matinal de Jenn à sua juventude.

Riley já fora como Jenn quando era mais nova – pronta e ansiosa para entrar em ação a qualquer momento do dia ou da noite, e capaz de se privar de descanso por longos períodos quando o trabalho assim o exigia.

Estariam esses dias a desaparecer?

Não era um pensamento agradável e não ajudava a melhorar a disposição já sorumbática de Riley.

Sentado na sua secretária, Brent Meredith estava formidável como sempre, com os seus traços negros angulares e a sua permanente atitude de frontalidade.

Riley sentou-se e Meredith não perdeu tempo a ir direto ao assunto.

“Ocorreu um homicídio esta manhã. Sucedeu numa praia pública na Belle Terre Nature Preserve. Conhecem este lugar?”

Jenn disse, “Estive lá algumas vezes. É um local fantástico para caminhar.”

“Eu também já lá estive,” Disse Riley.

Riley lembrava-se da reserva natural muito bem. Ficava na Baía de Chesapeake, a apenas duas horas de distância de Quantico. Tinha uma zona densamente arborizada e uma ampla praia pública na baía. Era uma área popular para pessoas que gostavam de atividades ao ar livre.

Meredith tamborilou os dedos na secretária.

“A vítima era Todd Brier, um pastor Luterano em Sattler. Foi enterrado vivo na praia.”

Riley estremeceu.

Enterrado vivo!

Já tivera pesadelos com aquilo, mas nunca trabalhara num caso que envolvesse este tipo particular de crime.

Meredith continuou, “Brier foi encontrado às sete desta manhã e parece que estava morto há apenas uma hora.”

Jenn perguntou, “O que faz disto um caso para nós?”

Meredith disse, “Brier não é a primeira vítima. Ontem foi encontrado outro corpo não muito longe – uma jovem chamada Courtney Wallace.”

Riley conteve um suspiro.

“Não me diga nada,” Disse ela. “Também foi enterrada viva.”

“Sim,” Disse Meredith. “Foi morta num dos trilhos de caminhada na mesma reserva natural, aparentemente também de manhã. Foi descoberta mais tarde nesse mesmo dia quando uma pessoa que caminhava encontrou a terra remexida e ligou para os serviços do parque.”

Meredith reclinou-se na sua cadeira e girou-a para trás e para a frente.

Disse, “Até agora, a polícia local não tem quaisquer suspeitos ou testemunhas. Para além dos locais e do MO, não têm muito mais. Ambas as vítimas eram jovens e saudáveis. Ainda não houve tempo para estabelecer qualquer relação entre eles, a não ser que ambos ali estavam de manhã cedo.”

Riley tentou compreender o que acabara de ouvir. Até ao momento, era muito pouco o que tinha para chegar a conclusões.

Perguntou, “A polícia local delimitou a área?”

Meredith anuiu.

“Delimitaram a área arborizada junto ao trilho e metade da praia. Disse-lhes para não mexerem no corpo até ao meu pessoal lá chegar.”

“E o corpo da mulher?” Perguntou Jenn.

“Está na morgue em Sattler, a cidade mais próxima. O Médico-legista do Tidewater District está na praia neste momento. Quero que vocês as duas vão para lá o mais rapidamente possível. Levem um carro do FBI, qualquer coisa que vos dê visibilidade. Tenho a esperança de que se o FBI estiver visível na cena, pode dissuadir o assassino. Acredito que ainda não tenha terminado a sua missão.”

Meredith olhou para Riley e Jenn.

“Alguma pergunta?” Questionou.

Riley tinha uma pergunta, mas não sabia se a devia colocar.

Por fim disse, “Senhor, gostava de fazer um pedido.”

“Então?” Disse Meredith, recostando-se novamente na sua cadeira.

“Queria que o Agente Especial Jeffreys fosse designado para este caso.”

Os olhos de Meredith estreitaram-se.

“O Jeffreys está de licença,” Disse ele. “Tenho a certeza de que você e a Agente Roston conseguem lidar com este caso.”

“Eu sei que conseguimos,” Disse Riley. “Mas… “

Ela hesitou.

“Mas o quê?” Perguntou Meredith.

Riley engoliu em seco. Ela sabia que Meredith não gostava quando lhe pediam favores pessoais.

Ela disse, “Penso que ele precisa de voltar ao trabalho. Penso que lhe faria bem.”

Meredith olhou com desconfiança e não disse nada durante alguns instantes.

Depois disse, “Não o vou convocar oficialmente para o caso. Mas se quer que ele trabalhe consigo numa base informal, não tenho qualquer objeção.”

Riley agradeceu-lhe, tentando não ser demasiado efusiva com receio que mudasse de ideias. Então ela e Jenn requisitaram um SUV oficial do FBI.

Quando Jenn começou a conduzir para sul, Riley pegou no telemóvel e enviou uma mensagem a Bill.



Estou a trabalhar num novo caso com a Roston. O chefe diz que te podes juntar a nós. Eu quero que estejas connosco.



Riley esperou alguns instantes. O seu coração bateu descompassadamente quando viu que a mensagem tinha sido lida.

Então escreveu…



Podemos contar contigo?



Mais uma vez, a mensagem havia sido lida, mas não surgiu uma resposta.

Riley ficou desanimada.

Talvez não seja uma boa ideia, Pensou. Talvez ainda seja demasiado cedo.

Gostava que Bill respondesse, mesmo que para lhe dar uma resposta negativa.




CAPÍTULO CINCO


Jenn conduzia o SUV para sul rumo ao seu destino e Riley continuava a olhar para as mensagens que enviara.

Os minutos passavam e Bill teimava em não responder.

Por fim, Riley decidiu ligar-lhe.

Para sua frustração, a chamada foi para o voice mail.

Ao som do beep, Riley limitou-se a dizer, “Bill, liga-me. Agora.”

Quando Riley pousou o telemóvel no colo, Jenn olhou para ela.

“Passa-se alguma coisa?” Perguntou Jenn.

“Não sei,” Disse Riley. “Espero que não.”

Durante a viagem, a sua preocupação foi crescendo. Ela lembrava-se de uma mensagem que recebera de Bill quando estava a trabalhar no último caso no Iowa…



Só para saberes. Estou aqui sentado com uma arma apontada à boca.



Riley estremeceu perante a memória do telefonema desesperado que se seguiu quando conseguiu convencê-lo a não se suicidar.

Estaria a acontecer novamente?

Se fosse esse o caso, o que poderia fazer Riley para ajudar?

Um súbito ruído estridente sobrepôs-se a estes pensamentos. Demorou alguns segundos a perceber que Jenn ligara a sirene devido a um troço de trânsito lento com que se haviam deparado.

Para Riley, a sirene era uma forma de se lembrar…

Tenho que limpar a minha cabeça.



*



Eram dez e meia quando Riley e Jenn chegaram à Belle Terre Nature Preserve. Seguiram uma estrada para a praia até encontrarem alguns carros de polícia estacionados e a carrinha do médico-legista. Atrás dos veículos encontrava-se a barreira policial delimitada por fitas para manter o público afastado da praia.

Quando Riley e Jenn saíram da carrinha, não vislumbraram a praia de imediato. Mas Riley viu gaivotas a sobrevoarem a zona, sentiu a brisa no rosto e o odor do sal no ar, e ouviu o som do surf.

Riley estava desapontada, mas não surpreendida com o facto de um pequeno grupo de jornalistas já se começar a juntar na área de estacionamento atrás da cena do crime. Rodearam Riley e Jenn, fazendo perguntas.

“Ocorreram dois homicídios em dois dias. É obra de um assassino em série?”

“Anunciaram o nome da vítima de ontem. Já identificaram esta nova vítima?”

“Já entraram em contacto com a família da vítima?”

“É verdade que ambas as vítimas foram enterradas vivas?”

Riley ficou irritada com aquela última pergunta. É claro que não estava surpreendida que se tivesse sabido como as vítimas tinham morrido. Os jornalistas podiam ter sabido através da polícia local. Mas não tinha dúvidas de que a comunicação social iria empolar ao máximo aqueles homicídios.

Riley e Jenn passaram pelos jornalistas sem emitir qualquer comentário. Depois foram cumprimentadas por dois polícias locais que as conduziram para lá da fita delimitadora até à praia. Riley sentiu a areia a entrar nos sapatos enquanto caminhava.

Dali a nada, a cena do crime tornou-se visível.

Vários homens rodeavam um buraco escavado na areia onde o corpo ainda permanecia. Dois deles dirigiram-se a Riley e a Jenn quando elas se aproximaram. Um dos homens era robusto, ruivo e vestia uniforme. O outro, era um homem esguio com cabelo negro encaracolado e vestia uma camisa branca.

“Ainda bem que chegaram tão cedo,” Disse o homem ruivo quando Riley e Jenn se apresentaram. “Eu chamo-me Parker Belt e sou o chefe da polícia de Sattler. Este é Zane Terzis, o médico-legista do Tidewater District.”

O chefe Belt conduziu Riley e Jenn até ao buraco e elas observaram o corpo meio coberto.

Riley estava mais do que habituada a ver cadáveres em vários estados de mutilação e decomposição. Ainda assim, este impactou-a co um tipo de horror diferente.

Tratava-se de um homem louro com cerca de trinta anos, usava um fato de corrida adequado para uma corrida de verão matinal fresca pela praia. Os seus braços estavam numa posição de estátua em rigor mortis devido às tentativas desesperadas de se desenterrar. Os seus olhos estavam fechados e a boca aberta estava coberta de areia.

O chefe Belt estava ao lado de Riley e Jenn.

Belt disse, “Tinha uma carteira com a sua identificação – não que precisássemos. Reconheci-o mal o Terzis e a sua equipa lhe descobriram o rosto. Chamava-se Todd Brier e era pastor Luterano em Sattler. Eu não frequentava a sua igreja – sou Metodista. Mas conhecia-o. Éramos bons amigos. De vez em quando íamos pescar juntos.”

A voz de Belt estava embargada pela dor e pelo choque.

“Como é que o corpo foi encontrado?” Perguntou Riley.

“Um homem a passear um cão passou por aqui,” Disse Belt. “O cão parou aqui, cheirando e ladrando, depois começou a escavar e de imediato apareceu uma mão.”

“A pessoa que encontrou o corpo ainda está por aqui?” Perguntou Riley.

Belt abanou a cabeça.

“Mandámo-lo para casa. Estava muito abalado. Mas dissemos-lhe que deveria estar disponível para perguntas. Posso dar-lhe o contacto.”

Riley olhou do corpo para a água que se encontrava a cerca de quinze metros de distância. As águas da Baía de Chesapeake eram de um azul profundo que formavam pequenas ondas de espuma branca que vinham morrer na areia molhada da praia. Riley apercebeu-se que a maré estava a vazar.

Riley perguntou, “Este foi o segundo homicídio?”

“Foi,” Respondeu Belt sombriamente.

“Alguma coisa semelhante aconteceu por aqui antes destas duas ocorrências?”

“Aqui em Belle Terre?” Perguntou Belt. “Não, nada do género. Isto é uma reserva pacífica de pássaros e vida selvagem. Os locais usufruem da praia, sobretudo famílias. De tempos a tempos temos que prender algum potencial caçador furtivo e pouco mais. De vez em quando também temos que afastar algumas pessoas. Mas nunca passa disto.”

Riley rodeou o buraco para observar o cadáver de um ângulo diferente. Ela viu uma mancha de sangue atrás da cabeça da vítima.

“O que lhe parece esta ferida?” Perguntou a Terzis.

“Parece que foi atingido por algum objeto pesado,” Disse o médico-legista. “Vou observá-lo melhor quando levarmos o corpo para a morgue. Mas pelo aspeto, diria que foi suficiente para o atordoar, o suficiente para não resistir enquanto o assassino o enterrava. Duvido que tenha estado completamente inconsciente. É bastante óbvio que resistiu até ao limite.”

Riley estremeceu.

Sim, isso era óbvio.

Disse a Jenn, “Tira algumas fotos e envia-as para mim.”

Jenn pegou de imediato no telemóvel e começou a tirar fotos ao buraco e ao corpo. Entretanto, Riley caminhou lentamente à volta do buraco, observando a praia em todas as direções. O assassino não deixara muitas pistas. A areia em torno do buraco fora obviamente remexida pelo assassino quando escavara, e havia um ligeiro trilho de pegadas por onde a vítima se tinha aproximado.

Ligeiras eram também quaisquer pegadas deixadas pelo assassino. A terra seca não permitia discernir a forma de um sapato. Mas Riley conseguia ver onde é que a erva por onde viera fora pisada por alguém que não fazia parte da equipa de investigação.

Apontou e disse a Belt, “Os seus homens esquadrinharam aquela erva cuidadosamente para ver se encontravam fibras?”

O chefe anuiu.

E então uma sensação começou a insinuar-se em Riley – uma sensação familiar que ela às vezes tinha em cenas de crime.

Não a sentira com frequência nos seus casos mais recentes, mas era uma sensação bem-vinda porque a ajudaria.

Era um sentido estranho do próprio assassino.

Se ela permitisse que aquela sensação se apoderasse dela, era provável obter algumas luzes quanto ao que ali tinha sucedido.

Riley afastou-se alguns passos do grupo reunido na cena. Olhou para Jenn e viu que a sua parceira a observava. Riley sabia que Jenn conhecia a sua reputação de entrar nas mentes dos assassinos. Riley assentiu e viu Jenn entrar em ação, fazendo perguntas, distraindo os outros na cena e dando a Riley alguns instantes para se concentrar nas suas habilidades.

Riley fechou os olhos e tentou imaginar a cena no momento do crime.

Imagens e sons sobrevieram-lhe com extrema facilidade.

Estava escuro lá fora e a praia era um aglomerado de sombras, mas havia traços de luz no céu que se refletiam na água, no ponto em que o sol mais tarde nasceria, e não era demasiado escuro para ver.

A maré estava alta e a água não estaria longe porque o som era forte.

Tão forte que ele mal se conseguia ouvir a escavar, Percebeu Riley.

Naquele momento, Riley não teve qualquer dificuldade em entrar numa mente estranha…



Sim, ele estava a escavar e ela conseguia sentir os seus músculos retesarem-se ao atirar areia para longe, sentir a mistura do suor e da brisa marítima no seu rosto.

Escavar não fora fácil. Na verdade, fora algo frustrante.

Não era fácil escavar um buraco em areia de praia como aquela.

A areia parecia preencher o espaço onde ele tinha escavado.

Ele pensava…

Não será muito fundo. Mas não tem que ser fundo.

Todo aquele tempo não parava de olhar para a praia, à procura da sua presa. E pouco depois apareceu a correr.

E no momento ideal também – o buraco já estava suficientemente fundo.

O assassino atirou a pá para a areia, ergueu as mãos e acenou.

“Venha cá!” Gritou ao homem que corria.

Não que importasse o que tinha gritado – com o som das ondas, o homem não conseguiria perceber as palavras exatas, apenas um grito abafado.

O homem parou de correr e olhou na sua direção.

Então encaminhou-se para o assassino.

O homem sorria ao aproximar-se e o assassino retribuía-lhe o sorriso.

Dali a nada estavam perto um do outro.

“O que é que se passa?” Perguntou o homem.

“Venha até aqui e eu mostro-lhe,” Disse o assassino.

O homem caminhou para o local onde se encontrava o assassino.

“Olhe ali para baixo,” Disse o assassino. “Olhe com muita atenção.”

O homem debruçou-se e com um movimento rápido e hábil, o assassino pegou na pá e atingiu-o na cabeça, empurrando-o para o buraco…



Riley despertou da sua divagação com o som da voz do chefe Belt.

“Agente Paige?”

Riley abriu os olhos e viu que Belt olhava para ela com uma expressão curiosa. Jenn não o conseguira distrair por muito tempo.

Ele disse, “Pareceu ter-nos deixado durante alguns instantes.”

Riley ouviu Jenn a dar uma risada.

“Às vezes ela faz isso,” Disse Jenn ao chefe. “Não se preocupe, é muito séria a trabalhar.”

Riley rapidamente reviu as impressões que acabara de receber – tudo muito hipotético, é claro, e não uma sensação concreta do que tinha realmente acontecido.

Mas teve a certeza de um pormenor – que o homem que corria se tinha aproximado a convite do assassino – e tinha-se abeirado dele sem medo.

Isto dava-lhe uma perspetiva crucial.

Riley disse ao chefe da polícia, “O assassino é encantador, simpático. As pessoas confiam nele.”

Os olhos do chefe arregalaram-se.

“Como sabe isso?” Perguntou.

Riley ouviu um riso vindo de alguém que se aproximava atrás de si.

“Acredite em mim, ela sabe o que está a fazer.”

Riley virou-se ao som da voz.

E ficou muito mais animada com aquilo que viu.




CAPÍTULO SEIS


O chefe Belt encaminhou-se para o homem que se aproximava.

Disse, “Ouça, esta área está fechada. Não viu a barreira?”

“Está tudo bem,” Disse Riley. “Este é o Agente Especial Bill Jeffreys. Ele está connosco.”

Riley foi ter com Bill e falou de forma a não serem ouvidos pelos outros.

“O que é que aconteceu?” Perguntou ela. “Porque é que não respondeste às minhas mensagens?”

Bill sorriu envergonhado.

“Estava só a ser idiota. Eu… “ Não conseguiu prosseguir e desviou o olhar.

Riley esperou pela sua resposta.

Então ele finalmente disse, “Quando recebi as tuas mensagens, não sabia se estava pronto. Liguei ao Meredith para saber mais pormenores, mas mesmo assim fiquei sem saber se estava pronto. Raios, eu nem sabia se estava pronto quando já estava a vir para cá. Só soube que já estava pronto quando vi…”

Apontou para o corpo.

Acrescentou, “Agora sei. Estou pronto para regressar ao trabalho. Contem comigo.”

A sua voz era firme e a sua expressão era assertiva. Riley suspirou de alívio.

Conduziu Bill até ao pessoal reunido à volta do buraco onde se encontrava o corpo. Apresentou-o ao chefe e ao médico-legista.

Jenn já conhecia Bill e parecia contente por vê-lo, o que agradou a Riley. A última coisa de que Riley precisava era que Jenn se sentisse marginalizada ou ressentida.

Riley e os outros disseram a Bill o pouco que sabiam até ao momento. Ele ouviu com um olhar que demonstrava grande interesse.

Por fim, Bill disse ao médico-legista, “Penso que já pode levar o corpo. Isto é, se a Agente Paige não se importar.”

“Por mim, tudo bem,” Concordou Riley. Ela estava feliz por ver o velho Bill em ação novamente.

Enquanto a equipa do médico-legista começou a retirar o corpo do buraco, Bill analisou a área durante uns instantes.

Perguntou a Riley, “Foram ao local do primeiro homicídio?”

“Ainda não,” Respondeu.

“Então temos que lá ir,” Disse ele.

Riley disse ao chefe Belt, “Vamos até à outra cena de crime.”

O chefe concordou. “Não fica muito longe daqui,” Acrescentou.

Todos conseguiram passar pelos jornalistas mais uma vez sem tecer quaisquer comentários. Riley, Bill e Jenn entraram no SUV do FBI, e o chefe Belt e o médico-legista seguiram noutro carro. O chefe guiou-os pela praia ao longo de uma estrada de terra até uma área arborizada. Quando a estrada terminou, estacionaram os carros. Riley e os seus colegas seguiram dois polícias a pé ao longo de um trilho no meio das árvores.

O chefe manteve o grupo num dos lados do trilho, apontando para algumas pegadas nítidas ali em solo mais firme.

“Ténis normais,” Comentou Bill.

Riley anuiu. Conseguiu ver aquelas pegadas em ambas as direções, mas tinha a certeza de que não dariam muitas informações, tirando o tamanho que o assassino calçava.

Contudo, algumas marcas interessantes estavam intercaladas com as pegadas. Duas linhas instáveis estavam marcadas na terra.

“O que te parecem estas linhas?” Perguntou Riley a Bill.

“Marcas de um carrinho de mão, a ir e a vir,” Disse Bill. Olhou por cima do ombro na direção da estrada e acrescentou, “Penso que o assassino estacionou onde nós estacionámos agora e trouxe as sus ferramentas por este caminho.”

“Foi a conclusão a que também chegámos,” Concordou Belt. “E foi-se embora também por este caminho.”

Dali a pouco chegaram a um ponto onde o caminho se intercetava com outro mais estreito. No meio do caminho mais pequeno encontrava-se um buraco longo e fundo. Devia ter a largura do caminho.

O chefe Belt apontou para onde o novo caminho surgia das árvores circundantes. “A outra vítima parece ter vindo a correr daquela direção,” Disse ele. “O buraco estava camuflado e ela caiu dentro dele.”

Terzis acrescentou, “Ficou com o tornozelo partido, provavelmente da queda. E por isso ficou indefesa quando o assassino começou a atirar-lhe terra.”

Riley estremeceu novamente ao pensar naquela forma horrível de se morrer.

Jenn disse, “E tudo isto aconteceu ontem.”

Terzis anuiu e disse, “Tenho quase a certeza que a hora da morte foi a mesma do homicídio na praia – provavelmente por volta das seis da manhã.”

“Antes do nascer do sol,” Acrescentou Belt. “Ainda estaria bastante escuro. Alguém que corria por aqui depois do amanhecer viu a terra remexida e ligou-nos.”

Enquanto Jenn tirava mais fotos, Riley observou a área com atenção. O seu olhar pousou numas ervas pisadas pelo carrinho de mão. Viu que o assassino colocara a terra a cerca de cinco metros de distância do trilho. Havia grande densidade de árvores por ali, por isso alguém que corresse não teria visto nem o assassino, nem a terra ao aproximar-se a correr naquela direção.

Agora o buraco tinha sido novamente escavado pela polícia que empilhara a terra ao lado dele.

Riley lembrou-se que Meredith tinha referido o nome da vítima em Quantico, mas não se conseguia lembrar.

Riley disse ao chefe Belt, “Presumo que conseguiram identificar a vítima.”

“Sim,” Disse Belt. “Tinha identificação, tal como o Todd Brier. Chamava-se Courtney Wallace. Vivia em Sattler, mas eu não a conhecia pessoalmente por isso não lhe consigo adiantar muito sobre ela neste momento, tirando o facto de que era jovem, andaria pelos vinte e poucos anos.”

Riley ajoelhou-se junto ao buraco e olhou lá para dentro. Conseguiu ver de imediato como é que o assassino tinha montado a sua armadilha. No fundo do buraco via-se um cobertor pesado com folhas e destroços agarrados. Fora colocado por cima do buraco, invisível para um corredor desavisado, ainda para mais na escuridão que precedia o amanhecer.

Tentou não se esquecer que teria chamar uma equipa forense da UAC para passar a pente fino ambos os locais. Talvez conseguissem chegar à origem do cobertor.

Entretanto, Riley começava a ter a mesma sensação que a arrebatara na praia, a sensação de entrar na mente do assassino. Mas desta vez não era tão vivida. Conseguia, no entanto, imaginá-lo empoleirado exatamente onde ela se encontrava ajoelhada naquele momento, olhando para baixo para a sua presa indefesa.

Então, o que é que ele fizera naqueles instantes antes de começar a enterra-la viva?

Riley lembrou-se da sua impressão anterior – ele era encantador e simpático.

De início deve ter demonstrado surpresa por encontrar a mulher no buraco. Até lhe pode ter dado a entender que ia ajudá-la a sair dali.

Ela confiou nele, Pensou Riley. Nem que fosse por um momento.

Depois ele começou a importuná-la.

E pouco depois, começou a despejar o carrinho de mão cheio de terra em cima dela.

Ela deve ter gritado quando se apercebeu do que estava a acontecer.

Então como é que ele reagiu aos seus gritos?

Riley teve a sensação de que o seu sadismo veio completamente ao de cima. Parou a sua tarefa para atirar uma pá repleta de terra para o seu rosto – não tanto para a impedir de gritar, mas para a atormentar.

Riley tremeu.

E sentiu-se aliviada quando aquela sensação de ligações começou a desaparecer.

Agora podia voltar a observar a cena do crime com um olhar mais objetivo.

A forma do buraco parecia-lhe estranha. A ponta onde se encontrava estava escavada numa forma de cunha pontiaguda. A outra ponta refletia a mesma forma só que invertida.

Parecia que o assassino se tinha empenhado naquilo.

Mas porquê? Interrogou-se Riley. O que poderia significar?

Naquele momento, ouviu a voz de Bill algures atrás dela.

“Encontrei alguma coisa. Venham cá todos ver.”




CAPÍTULO SETE


Riley voltou-se ao som da voz de Bill. A sua voz vinha detrás das árvores de um dos lados do caminho.

“O que é?” Perguntou o chefe Belt.

“O que é que encontrou?” Questionou também Terzis.

“Venham até aqui,” Disse Bill novamente.

Riley levantou-se e foi na sua direção. Viu arbustos pisados no local onde ele estivera.

“Vêm?” Perguntou Bill, começando a parecer um pouco impaciente.

Riley percebeu pelo seu tom de voz que era sério.

Seguida por Belt e Terzis, Riley percorreu o matagal até chegarem a uma pequena clareira onde se encontrava Bill que olhava para o chão.

Ele tinha mesmo encontrado alguma coisa.

Outro cobertor estava esticado no chão, preso por pequenas cavilhas nos cantos.

“Meu Deus,” Murmurou Terzis.

“Não outro corpo,” Disse Belt.

Mas Riley sabia que tinha que ser algo diferente. Para começar, o buraco era muito mais pequeno do que o outro e de forma quadrada.

Bill estava a colocar luvas de plástico para evitar deixar impressões digitais no que quer que encontrasse. Depois ajoelhou-se e puxou o cobertor cuidadosamente.

Riley só conseguia ver um pedaço escuro e circular e madeira polida.

Bill pegou com cuidado no círculo de madeira com ambas as mãos e puxou-o para cima.

Todos exceto Bill ficaram surpresos com aquilo que ele retirou lentamente do buraco.

“Uma ampulheta!” Disse o chefe Belt.

“A maior que eu já vi,” Acrescentou Terzis.

E de facto, o objeto tinha mais de sessenta centímetros de altura.

“Tens a certeza de que não se trata de algum tipo de armadilha?” Perguntou Riley.

Bill levantou-se com o objeto, mantendo-o na perpendicular, manuseando-o de forma tão delicada como se tratasse se um dispositivo explosivo. Colocou-o de pé no chão ao lado do buraco.

Riley ajoelhou-se e examinou-o com atenção. A coisa parecia não ter fios ou molas. Mas estaria alguma coisa escondida debaixo daquela areia? Inclinou o objeto e não viu nada de estranho.

“É apenas uma grande ampulheta,” Murmurou. “E escondida tal como a armadilha no trilho.”

“Não é bem uma ampulheta,” Disse Bill. “Tenho a certeza de que mede um período de tempo superior a uma hora. É aquilo que se chama de relógio de areia.”

O objeto era muito belo. Os dois globos de vidro eram requintados e estavam ligados por uma abertura estreita. As peças redondas de madeira do topo e fundo estavam ligadas por três hastes de madeira, esculpidas com padrões decorativos.

Riley já tinha visto relógios de areia antes – versões muito mais pequenas para cozinhar que contavam três ou cinco ou vinte minutos. Este era muito maior.

O globo da base estava parcialmente coberto com areia escura.

No globo de cima não havia areia.

O chefe Belt perguntou a Bill, “Como é que sabia que estava aqui alguma coisa?”

Bill estava agachado ao lado do relógio de areia, examinando-o atentamente. Perguntou, “Mais alguém notou algo de estranho na forma do buraco do trilho?”

“Eu notei,” Disse Riley. “As extremidades do buraco foram escavadas em forma de cunha.”

Bill anuiu.

“Mais ou menos a forma de uma seta. A seta apontava para onde o caminho se afastava e alguns dos arbustos estavam pisados. Limitei-me a ir para onde estava a apontar.”

O chefe Belt ainda olhava para o relógio de areia com espanto.

“Bem, temos sorte em tê-lo descoberto,” Disse ele.

“O assassino queria que o encontrássemos,” Murmurou Riley. “Ele queria que déssemos com ele.”

Riley olhou para Bill, depois para Jenn. Ela sabia que eles estavam a pensar exatamente no que ela estava a pensar.

A areia no relógio tinha-se escoado.

De alguma forma, ainda incompreensível para eles, isso significava que não estavam com sorte nenhuma.

Riley olhou para Belt e perguntou, “Algum dos seus homens encontrou um relógio destes na praia?”

Belt abanou a cabeça e disse, “Não.”

Riley foi arrebatada por uma intuição soturna.

“Então é porque não procuraram suficientemente bem,” Disse ela.

Nem Belt, nem Terzis falaram naquele momento. Parecia que não acreditavam no que estavam a ouvir.

Então Belt disse, “Ouçam, algo como isto ter-se-ia certamente destacado. Tenho a certeza de que não se encontrava nada de semelhante na área próxima.”

Riley não gostou do que ouviu. Esta coisa que tinha sido ali colocada tão cuidadosamente tinha que ser importante. Ela tinha a certeza que os polícias tinham negligenciado outro relógio de areia.

Seguindo essa lógica, também tinham ela, Bill e Jenn quando tinham estado na praia. Onde estaria esse outro relógio?

“Temos que regressar e procurar,” Disse Riley.

Bill carregou o enorme relógio para o SUV. Jenn abriu a mala e ela e Bill colocaram o objeto lá dentro, certificando-se de que estava seguro e fixo contra qualquer movimento repentino. Cobriram-no com um cobertor que se encontrava no SUV.

Riley, Bill e Jenn entraram no SUV e seguiram o carro do chefe da polícia em direção à praia.

O número de jornalistas reunidos na área de estacionamento aumentara e pareciam estar mais agressivos. Quando Riley e os seus colegas passaram por eles e pela fita amarela, ela interrogou-se quanto mais tempo seriam eles capazes de ignorar as suas perguntas.

Quando chegaram à praia, o corpo já não estava no buraco. A equipa do médico-legista já o tinha colocado na sua carrinha. Os polícias locais ainda procuravam pistas na área.

Belt chamou os seus homens que se reuniram à sua volta.

“Alguém viu um relógio de areia por aqui?” Perguntou ele. “Teria o aspeto de uma grande ampulheta, com pelo menos sessenta centímetros de altura.”

Os polícias pareceram espantados com a pergunta. Abanaram as cabeças em sinal negativo.

Riley começava a sentir-se impaciente.

Deve estar algures por aqui, Pensou ela. Riley foi até uma pequena colina relvada e olhou à sua volta. Mas não viu nenhuma ampulheta, nem sequer terra remexida que indicasse que algo ali teria sido enterrado há pouco tempo.

Ou estaria a sua intuição a pregar-lhe partidas? Às vezes acontecia.

Não desta vez, Pensou.

O seu instinto dava-lhe garantias.

Voltou para trás e ficou a olhar para o buraco. Era muito diferente daquele que tinham acabado de observar na zona arborizada. Era mais superficial, sem grande forma. O assassino não teria conseguido moldar a areia seca da praia em forma de seta.

Olhou em seu redor e perscrutou todas as direções.

Tudo o que viu foi areia e mar.

A maré agora estava baixa. É claro que o assassino poderia ter feito uma espécie de escultura com areia húmida em forma se seta, mas teria seria visto de imediato. Se não tivesse sido destruído, ainda estaria visível.

Riley perguntou aos outros, “Viram mais alguém próximo daqui – para além do homem com o cão que descobriu o corpo?”

Os polícias encolheram os ombros e olharam uns para os outros .

Um deles disse, “Ninguém a não ser o Rags Tucker.”

Os olhos de Riley dilataram-se.

“Quem é ele?” Perguntou.

“É só um excêntrico,” Disse o chefe Belt. “Vive numa pequena barraca ali.”

Belt apontou para um ponto na praia onde a linha de água fazia um cotovelo.

Riley agora estava a ficar um pouco zangada.

“Porque é que ninguém o tinha mencionado antes?” Explodiu.

“Não havia grande necessidade,” Disse Belt. “Falámos com ele quando cá chegámos. Ele não viu nada relacionado com o homicídio. Disse que estava a dormir quando os acontecimentos ocorreram.”

Riley soltou um grunhido de irritação.

“Vamos ter com este tipo,” Disse ela.

Seguida por Bill, Jenn e o chefe Belt, começou a caminhar pela areia.

Enquanto caminhavam, Riley disse a Belt, “Pensei que tivessem encerrado a praia.”

“E encerrámos,” Disse Belt.

“Então o que é que alguém estava aqui a fazer?” Perguntou Riley.

“Bem, como eu disse, o Rags praticamente vive aqui,” Disse Belt. “Não parecia lógico expulsá-lo daqui. Para além disso, não tem mais para onde ir.”

Depois de contornarem a curva, Belt conduziu-os até uma colina relvada. O grupo percorreu com alguma dificuldade a areia fofa e erva alta até ao topo da colina. Dali Riley viu uma pequena barraca improvisada a cerca de noventa metros de distância.

“É a casa do velho Rags,” Disse Belt.

Ao aproximarem-se, Riley viu que estava coberta com sacos de plástico e cobertores. Atrás da colina, estava a salvo do mar quando a maré enchesse. A barraca estava rodeada de cobertores cobertos com o que pareciam ser todo o tipo de objetos.

Riley disse a Belt, “Fale-me deste Rags Tucker. Belle Terre não tem leis contra a vagabundagem?”

Belt deu uma risada.

Disse, “Bem, sim, mas o Rags não é exatamente um vagabundo típico. Ele é pitoresco e as pessoas gostam dele, sobretudo os visitantes. E acredite em mim quando lhe digo que não é um suspeito. Ele é o tipo mais inofensivo do mundo.”

Belt apontou para as coisas no cobertor.

“Ele montou uma espécie de negócio com todas as coisas que tem. Apanha lixo da praia e as pessoas vêm até cá comprar coisas ou trocar coisas que já não querem. A maior parte das vezes é apenas uma desculpa para as pessoas virem até cá e falarem com ele. Faz isto todo o verão enquanto o tempo aqui estiver bom. Consegue juntar dinheiro suficiente para alugar um pequeno apartamento barato em Sattler no inverno. Então, quando o tempo fica bom outra vez, ele regressa.”

Ao aproximarem-se, Riley conseguiu ver os objetos com mais clareza. Era realmente uma coleção bizarra que incluía troncos, conchas e outros objetos naturais, mas também velhas torradeiras, televisões arruinadas, velhos candeeiros e outros itens que os visitantes lhe haviam trazido.

Quando chegaram à extremidade dos cobertores esticados, Belt chamou, “Ei, Rags. Será que podemos conversar contigo mais um bocado?”

Uma voz áspera respondeu do interior da barraca.

“Já vos disse, não vi ninguém. Ainda não apanharam o sacana? Não gosto nada da ideia de ter um assassino à solta na minha praia. Se soubesse alguma coisa, já vos tinha dito.”

Riley avançou na direção da barraca e disse, “Rags, preciso de falar consigo.”

“Quem é você?”

“FBI. Será que encontrou um grande relógio de areia? Sabe, algo semelhante a uma ampulheta.”

Durante alguns instantes não se ouviu qualquer resposta. Então, uma mão no interior da barraca afastou um lençol que cobria a entrada.

Lá dentro estava um homem esquelético sentando de pernas cruzadas com os seus olhos grandes a fixá-la.

E mesmo à sua frente estava um enorme relógio de areia.




CAPÍTULO OITO


O homem na barraca olhou para Riley com os seus grandes olhos cinzentos. A atenção de Riley dividia-se entre o vagabundo e o grande relógio de areia à sua frente. Era-lhe difícil decidir qual deles era mais surpreendente.

Rags Tucker tinha cabelo comprido grisalho e uma barba que lhe chegava à cintura. As suas roupas esfarrapadas condiziam com o seu nome.

É claro que ela se interrogou…

É um suspeito?

Parecia-lhe difícil de acreditar. Os seus membros eram magros e não parecia ser suficientemente robusto para ter concretizado qualquer daqueles homicídios. Dele emanava um quê de inofensivo.

Riley também suspeitava que a sua aparência desalinhada era mais uma representação. Ele não cheirava mal, pelo menos de onde ela se encontrava e as suas roupas pareciam limpas apesar de coçadas e rasgadas.

Quanto ao relógio de areia, era muito parecido com aquele que tinha encontrado junto ao caminho. Tinha mais de sessenta centímetros de altura, rebordos ondulados no topo e três hastes esculpidas com habilidade a segurar a estrutura.

Contudo, não era igual ao outro. Por um lado, o da zona arborizada não era tão escuro – era mais de um castanho avermelhado. Apesar dos padrões esculpidos serem semelhantes, não pareciam réplicas exatas dos desenhos que tinham visto no primeiro relógio de areia.

Mas essas pequenas variações não eram as diferenças mais significativas entre os dois.

O maior contraste estava na areia que assinalava a passagem do tempo. NO relógio que Bill encontrara entre as árvores, toda a areia se encontrava no globo inferior. Mas neste relógio, a maior parte da areia ainda se encontrava no globo superior.

Esta areia estava em movimento, caindo lentamente para o globo inferior.

Riley tinha a certeza de uma coisa – que o assassino queria que aquele relógio fosse encontrado, tal como quisera que o outro também fosse descoberto.

Finalmente Tucker falou, “Como sabia que o tinha?” Perguntou a Riley.

Riley mostrou o seu distintivo.

“Eu faço as perguntas, se não se importar,” Disse ela numa voz calma. “Como é que o obteve?”

Tucker encolheu os ombros.

“Foi um presente,” Disse ele.

“De quem?” Perguntou Riley.

“Dos deuses, talvez. Caiu do céu. Quando olhei para o exterior esta manhã, vi-o logo, ali nos cobertores com as minhas outras coisas. Trouxe-o para dentro e voltei a dormir. Depois acordei novamente e sentei-me aqui a observá-lo.”

Olhou com muita atenção para o relógio de areia.

“Nunca tinha observado o tempo a passar,” Disse ele. “É uma experiência única. Parece que passa rápido e lentamente ao mesmo tempo. E passa uma sensação de inevitabilidade. O tempo não pode voltar atrás, como se costuma dizer.”

Riley perguntou a Tucker, “A areia estava a mover-se assim quando o encontrou ou virou-o?”

“Mantive-o como estava,” Disse Tucker. “Acha que me atreveria a alterar o fluxo do tempo? Não interfiro com questões cósmicas como essa. Não sou tão estúpido.”

Não, ele não é mesmo nada estúpido, Pensou Riley.

Sentiu que começava a compreender Rags Tucker melhor à medida que a conversa avançava. Esta figura vestida de trapos era cuidadosamente cultivada para o divertimento dos visitantes. Tinha-se transformado numa atração local ali em Belle Terre. E pelo que o chefe Belt dissera sobre ele, Riley sabia que levava uma vida modesta. Estabelecera-se como um acessório local e adquiriu autorização tácita para viver onde e como queria.

Rags Tucker estava ali para divertir e para o divertirem.

Ocorreu a Riley que se tratava de uma situação delicada.

Ela precisava de afastar aquele relógio de areia dele. Queria fazê-lo rapidamente e sem dar muito nas vistas.

Mas estaria ele disposto a dar-lho?

Apesar de ela conhecer muito bem as leis sobre buscas e apreensões, não sabia muito bem como é que se aplicavam a um vagabundo a viver numa barraca em propriedade pública.

Era muito melhor tratar daquilo sem precisar de um mandado, mas tinha que proceder com cuidado.

Disse a Tucker, “Pensamos que tenha sido aqui deixado por quem cometeu os dois crimes.”

Os olhos de Tucker dilataram-se.

Então Riley disse, “Temos que levar este relógio connosco. Pode ser uma prova importante.”

Tucker abanou a cabeça lentamente.

Disse, “Está a esquecer-se da lei da praia.”

“E que lei é essa?” Perguntou Riley.

“’Achado não é roubado’. Para além disso, se isto é mesmo um presente dos deuses, não me devo separar dele. Não quero ir contra a vontade do cosmos.”

Riley estudou a sua expressão. Ela sabia que ele não era doido ou idiota – apesar de às vezes agir nesse sentido. Mas isso era apenas parte do espetáculo.

Não, este vagabundo específico sabia exatamente o que estava a fazer e a dizer.

Está a fazer negócios, Pensou Riley.

Riley abriu a sua carteira, tirou uma nota de vinte solares e entregou-lha.

Disse, “Talvez isto ajude a resolver as coisas com o cosmos.”

Tucker sorriu muito levemente.

“Não sei,” Disse ele. “O universo está com uns preços bem caros.”

Riley sentiu que entrava no jogo do homem e que jogava em concordância.

Ela disse, “Está sempre em expansão, não é?”

“Pois, desde o Big Bang,” Disse Tucker. Esfregou os dedos e acrescentou, “E parece que está a passar por uma nova fase de inflação.”

Riley não conseguiu evitar admirar a astúcia do homem – e a sua criatividade. Ela calculou que seria melhor fazer negócio com ele antes da conversa se aprofundar.

Tirou outra nota de vinte dólares da carteira.

Tucker surripiou as duas notas da sua mão.

“É seu,” Disse ele. “Tome bem conta dele. Tenho a sensação de que esta coisa é poderosa.”

Riley deu por si a pensar que ele tinha razão – provavelmente mais razão do que poderia saber.

Com um sorriso, Rags Tucker acrescentou, “Penso que consegue lidar com isso.”

Bill colocou novamente as luvas e aproximou-se do relógio para o pegar.

Riley disse-lhe, “Tem cuidado, mantém-no o mais imóvel possível. Não queremos interferir com a velocidade a que avança.”

Quando Bill pegou no relógio, Riley disse a Tucker, “Obrigada pela ajuda. Podemos voltar para fazer mais perguntas. Espero que esteja disponível.”

Tucker encolheu os ombros e disse, “Estarei aqui.”

Ao virarem-se para irem embora, o chefe Belt perguntou a Riley, “Quanto tempo pensa que vai decorrer até toda a areia cair no fundo?”

Riley lembrou-se que o médico-legista dissera que ambos os homicídios tinham ocorrido por volta das seis horas da manhã. Riley olhou para o seu relógio. Eram quase onze. Fez algumas contas de cabeça.

Riley disse a Belt, “A areia estará toda no fundo daqui a cerca de dezanove horas.”

“E o que acontece então?” Perguntou Belt.

“Alguém morre,” Disse Riley.




CAPÍTULO NOVE


Riley não conseguia esquecer as palavras de Rags Tucker.

“Passa uma sensação de inevitabilidade.”

Ela e os seus colegas regressavam pela praia à cena do crime. Bill carregava o relógio de areia e Jenn e o chefe Belt ladeavam-no para o ajudar a manter o relógio o mais estável possível. Tentavam evitar afetar o fluxo de areia do relógio. E é claro que Rags estivera a falar da areia a cair.

Inevitabilidade.

Apesar de estremecer perante essa ideia, percebeu que esse era exatamente o efeito pretendido pelo assassino.

Ele queria que eles sentissem essa inevitabilidade em relação ao próximo homicídio.

Era a sua forma de comunicar com eles.

Riley sabia que não se deviam agitar em demasia, mas estava preocupada com o facto de prever dificuldades.

Enquanto percorria a areia, pegou no telemóvel e ligou a Brent Meredith.

Quando ele atendeu, ela disse, “Senhor, temos uma situação muito séria em mãos.”

“O que é?” Perguntou Meredith.

“O nosso assassino vai atacar de vinte e quatro em vinte e quatro horas.”

“Meu Deus,” Disse Meredith. “Como é que sabe?”

Riley estava prestes a explicar-lhe tudo mas pensou melhor. Seria melhor se ele pudesse ver ambos os relógios.

“Estamos a caminho do SUV,” Disse Riley. “Quando lá chegarmos, ligo-lhe para uma vídeo-conferência.”

Riley terminou a chamada assim que chegaram ao local do crime. Os polícias de Belt ainda andavam à procura de pistas e ficaram espantados ao ver Bill a carregar um enorme relógio de areia.

“Que raio é isso?” Perguntou um dos polícias.

“Uma prova,” Disse Belt.

Ocorreu a Riley que a última coisa que queria naquele momento era que os jornalistas avistassem o relógio. Se tal acontecesse, os rumores iam começar, tornando a situação pior do que já era. E sem dúvida que ainda haveria jornalistas à espreita na área de estacionamento. Eles já sabiam que duas pessoas tinham sido enterradas vivas. Não iam desistir dessa história.

Virou-se para o chefe Belt e perguntou, “Pode emprestar-me o seu casaco?”

Belt tirou-o e entregou-o a Riley que nele enrolou cuidadosamente o relógio de areia, cobrindo-o completamente.

“Venham,” Disse Riley a Bill e Jenn. “Vamos tentar levar isto para o nosso veículo sem atrair muitas atenções.”

No entanto, quando ela e os dois colegas ultrapassaram a barreira de fita, Riley viu que mais jornalistas tinham chegado. Juntaram-se à volta de Bill, exigindo saber o que é que ele carregava.

Riley ficou alarmada quando se encostaram demasiado a Bill que tentava manter o relógio de areia o mais ereto possível. O simples facto de empurrarem era suficiente para interferir com o fluxo da areia. Pior do que tudo, alguém podia derrubar o relógio das mãos de Bill.

Riley disse a Jenn, “Temos que os afastar de Bill.”

Ela e Jenn passaram pelo grupo, advertindo-os para se afastarem.

Os jornalistas, surpreendentemente, obedeceram com facilidade e ficaram por ali a olhá-los fixamente.

Riley rapidamente percebeu…

Provavelmente pensam que é uma bomba.

Afinal de contas, essa possibilidade tinha-lhe ocorrido a ela e aos colegas quando Bill descobrira o primeiro relógio de areia.

Riley receou pensar nas manchetes que apareceriam e no pânico que se poderia seguir.

Disse rispidamente aos jornalistas, “Não é um dispositivo explosivo. É apenas uma prova. E é delicada.”

É claro que um coro de vozes lhe perguntou de que se tratava.

Riley abanou a cabeça e afastou-se deles. Bill tinha conseguido chegar ao SUV por isso, ela e Jenn foram de imediato ao seu encontro. Entraram e cuidadosamente colocaram o novo relógio de areia ao lado do outro que estava preso e coberto com um cobertor.

Os jornalistas rapidamente se reorganizaram e rodearam a carrinha, gritando perguntas mais uma vez.

Riley libertou um suspiro de frustração. Nunca conseguiriam fazer nada com pessoas a importuná-los.

Riley dirigiu-se ao lugar do condutor e começou a conduzir lentamente. Um jornalista especialmente determinado tentou bloquear-lhe o caminho, colocando-se mesmo à frente do SUV. Riley acionou a sirene do veículo que assustou o jornalista mais atrevido, afastando-o. Então começou a conduzir, deixando a multidão de jornalistas para trás.

Depois de conduzir cerca de meio quilómetro, Riley encontrou um lugar suficientemente isolado onde estacionar o SUV.

Depois disse a Jenn e a Bill, “Vamos ao que interessa. Precisamos de procurar impressões digitais nos relógios de areia imediatamente.”

Bill assentiu e disse, “Temos um kit no porta-luvas.”

Assim que Jenn e Bill começaram a trabalhar, Riley pegou no seu tablet e fez a chamada de vídeo a Brent Meredith.

Para sua surpresa, o rosto de Meredith não era o único a surgir no monitor. Havia oito rostos ao todo, incluindo um rosto sardento que Riley não ficou nada contente por ver.




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