Despedaçadas 
Blake Pierce


Um Mistério de Riley Paige #12
Uma obra-prima de thriller e mistério! O autor fez um trabalho magnífico no desenvolvimento das personagens com um lado psicológico tão bem trabalhado que temos a sensação de estar dentro das suas mentes, sentindo os seus medos e aplaudindo os seus sucessos. A história é muito inteligente e mantém-nos interessados durante todo o livro. Pleno de reviravoltas, este livro obriga-nos a ficar acordados até à última página. Books and Movie Reviews, Roberto Mattos (re Sem Pistas) DESPEDAÇADAS é o livro #12 da série de mistério de Riley Paige que começou com o bestseller SEM PISTAS (Livro #1) – um livro de pode descarregar gratuitamente com mais de 1000 opiniões de cinco estrelas! Neste thriller de cortar a respiração, mulheres estão a ser encontradas mortas em linhas de caminho-de-ferro pelo país, obrigando o FBI a entrar numa corrida contra o tempo para apanhar o assassino em série. A Agente Especial do FBI Riley Paige pode ter encontrado finalmente alguém ao seu nível: um assassino sádico que ata as vítimas aos carris para serem atropeladas por comboios. Um assassino suficientemente inteligente para evitar ser capturado em vários estados – e suficientemente encantador para passar desapercebido. Riley percebe que necessitará de todas as suas faculdades para entrar na mente doente deste assassino – uma mente que a própria Riley não sabe se quer penetrar. E tudo com um twist final tão chocante que nem a própria Riley o poderia esperar. Um thriller psicológico negro com suspense de cortar a respiração, DESPEDAÇADAS é o livro #12 de uma nova série alucinante – com uma inesquecível nova personagem – que o obrigará a não largar o livro até o terminar.







DESPEDAÇADAS



(UM MISTÉRIO DE RILEY PAIGE—LIVRO 12)



B L A K E P I E R C E


Blake Pierce

Blake Pierce é o autor da série de enigmas RILEY PAGE, com doze livros (com outros a caminho). Blake Pierce também é o autor da série de enigmas MACKENZIE WHITE, composta por oito livros (com outros a caminho); da série AVERY BLACK, composta por seis livros (com outros a caminho), da série KERI LOCKE, composta por cinco livros (com outros a caminho); da série de enigmas PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE, composta de dois livros (com outros a caminho); e da série de enigmas KATE WISE, composta por dois livros (com outros a caminho).



Como um ávido leitor e fã de longa data do gênero de suspense, Blake adora ouvir seus leitores, por favor, fique à vontade para visitar o site www.blakepierceauthor.com (http://www.blakepierceauthor.com) para saber mais a seu respeito e também fazer contato.



Copyright© 2018 Blake Pierce. Todos os direitos reservados. Exceto como permitido sob o Copyright Act dos Estados Unidos de 1976, nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida por qualquer forma ou meios, ou armazenada numa base de dados ou sistema de recuperação sem a autorização prévia do autor. Este ebook está licenciado apenas para seu usufruto pessoal. Este ebook não pode ser revendido ou dado a outras pessoas. Se gostava de partilhar este ebook com outra pessoa, por favor compre uma cópia para cada recipiente. Se está a ler este livro e não o comprou ou não foi comprado apenas para seu uso, por favor devolva-o e compre a sua cópia. Obrigado por respeitar o trabalho árduo deste autor. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, locais, eventos e incidentes ou são o produto da imaginação do autor ou usados ficcionalmente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou falecidas, é uma coincidência. Jacket image Copyright  Photographee.eu i, usado sob licença de Shutterstock.com.


LIVROS ESCRITOS POR BLAKE PIERCE



SÉRIE DE ENIGMAS KATE WISE

SE ELA SOUBESSE (Livro n 1)

SE ELA VISSE (Livro n 2)



SÉRIE OS PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE

ALVOS A ABATER (Livro #1)

ESPERANDO (Livro #2)



SÉRIE DE MISTÉRIO DE RILEY PAIGE

SEM PISTAS (Livro #1)

ACORRENTADAS (Livro #2)

ARREBATADAS (Livro #3)

ATRAÍDAS (Livro #4)

PERSEGUIDA (Livro #5)

A CARÍCIA DA MORTE (Livro #6)

COBIÇADAS (Livro #7)

ESQUECIDAS (Livro #8)

ABATIDOS (Livro #9)

PERDIDAS (Livro #10)

ENTERRADOS (Livro #11)

DESPEDAÇADAS (Livro #12)

SEM SAÍDA (Livro #13)



SÉRIE DE ENIGMAS MACKENZIE WHITE

ANTES QUE ELE MATE (Livro nº1)

ANTES QUE ELE VEJA (Livro nº2)

ANTES QUE COBICE (Livro nº3)

ANTES QUE ELE LEVE (Livro nº4)

ANTES QUE ELE PRECISE (Livro nº5)

ANTES QUE ELE SINTA (Livro nº6)

ANTES QUE ELE PEQUE (Livro nº7)

ANTES QUE ELE CAÇE (Livro nº8)

ANTES QUE ELE ATAQUE (Livro nº9)



SÉRIE DE ENIGMAS AVERY BLACK

MOTIVO PARA MATAR (Livro nº1)

MOTIVO PARA CORRER (Livro nº2)

MOTIVO PARA SE ESCONDER (Livro nº3)

MOTIVO PARA TEMER (Livro nº4)

MOTIVO PARA SALVAR (Livro nº5)

MOTIVO PARA SE APAVORAR (Livro nº6)



SÉRIE DE ENIGMAS KERI LOCKE

UM RASTRO DE MORTE (Livro nº1)

UM RASTRO DE HOMICÍDIO (Livro nº2)

UM RASTRO DE IMORALIDADE (Livro nº3)

UM RASTRO DE CRIME (Livro nº4)

UM RASTRO DE ESPERANÇA (Livro nº5)


ÍNDICE



PRÓLOGO (#ue99025b9-6989-5b1d-986a-7c4371eb4038)

CAPÍTULO UM (#u2fe68b73-c6f4-54e9-bb00-7a272deee2d6)

CAPÍTULO DOIS (#uee7f534b-727a-5cce-820a-d0ac6bef77f4)

CAPÍTULO TRÊS (#u6a63def2-25b7-5682-ab93-6a76c6007a97)

CAPÍTULO QUATRO (#u85a1a656-ba9b-5113-9a4a-973731ed4d46)

CAPÍTULO CINCO (#u2594e075-1621-5d43-a8d8-8488e9729a4b)

CAPÍTULO SEIS (#u8d0a2eaa-3ab9-5e3d-8605-e8f30b2223cf)

CAPÍTULO SETE (#u35753a17-bc4e-550d-8e07-1eaca3dd0009)

CAPÍTULO OITO (#u77ee733f-df84-5eb3-aefc-f31524a3025c)

CAPÍTULO NOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZ (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO ONZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DOZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TREZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO CATORZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUINZE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZASSEIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZASSETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZOITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO DEZANOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E UM (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E DOIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E TRÊS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E QUATRO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E CINCO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E SEIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E SETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E OITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO VINTE E NOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E UM (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E DOIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E TRÊS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E QUATRO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E CINCO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E SEIS (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E SETE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E OITO (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO TRINTA E NOVE (#litres_trial_promo)

CAPÍTULO QUARENTA (#litres_trial_promo)




PRÓLOGO


Quando começou a retomar a consciência, Reese Fischer percebeu que estava cheia de dores. A nuca doía-lhe e a cabeça parecia prestes a explodir.

Abriu os olhos e de imediato foi encadeada pela intensa luz do sol. Fechou os olhos com força novamente.

Onde estou? Perguntou-se. Como é que cheguei aqui?

Juntamente com a dor sentia um entorpecimento, sobretudo nas extremidades.

Tentou abanar os braços e pernas para se libertar do formigueiro que sentia, mas não conseguiu. Os seus braços, mãos e pernas estavam como que imobilizados.

Pensou…

Estive envolvida em algum acidente?

Talvez tivesse sido atropelada.

Ou talvez tivesse sido atirada do seu próprio carro e estivesse agora deitada no chão duro.

A sua mente não conseguia apreender nada.

Porque é que não se conseguia lembrar?

E porque é que não se conseguia mexer? Teria o pescoço partido?

Não, conseguia sentir o resto do corpo, simplesmente não era capaz de se mexer.

Também sentia o sol quente no seu rosto e não queria voltar a abrir os olhos.

Tentou pensar – onde estivera e o que é que estivera a fazer antes desta situação?

Lembrou-se – ou pensou lembrar-se – de entrar no comboio em Chicago e sentar-se num lugar rumo a casa em Millikan.

Mas chegara a Millikan?

Saíra do comboio?

Sim, pensava que sim. Estava uma manhã luminosa na estação do comboio e ela estava ansiosa para ir para casa.

Mas então…

O quê?

O resto estava fragmentado, como num sonho.

Era como um daqueles pesadelos em que nos encontramos em perigo, mas não conseguimos correr, não nos conseguios mexer sequer. Ela quisera resistir, liberttar-se de alguma ameaça, mas não conseguia.

Também se recordava de uma presença maligna – um homem de cujo rosto não se lembrava.

O que é que ele me fez? Interrogou-se.

E onde estou?

Apercebeu-se que conseguia virar a cabeça. Afastou-se da luz do sol e finalmente conseguiu abrir os olhos e mantê-los abertos. A princípio, apercebeu-se de linhas curvas que se afastavam dela. Mas naquele momento pareciam abstratas e incompreensíveis.

Depois viu porque é que a nuca lhe doía tanto.

Estava encostada a um pedaço curvilíneo e avermelhado de aço, quente sob a intensa luz solar.

Contorceu-se ligeiramente e sentiu uma aspereza aguda nas costas. Pareciam pedras esmagadas.

Aos poucos, as linhas abstratas tornaram-se claras e ela conseguiu viu de que se tratava.

Apesar do sol quente, o seu corpo enregelou ao perceber.

Estava numa linha ferroviária.

Mas como tinha ido ali parar?

E porque é que não se conseguia mexer?

Ao tentar, percebeu que se conseguia mexer, pelo menos um pouco.

Conseguia retorcer-se, torcendo o tronco e também as pernas, apesar de não as conseguir separar por alguma razão.

A dormência de que não se conseguira libertar estava agora a converter-se em medo.

Estava amarrada – amarrada ao trilho ferroviário com o pescoço encostado à linha.

Não, Disse a si própria. Isto é impossível.

Tinha que ser um daqueles sonhos – um sonho em que estava imobilizada e indefesa e num perigo terrível.

Fechou os olhos novamente, na esperança de que o pesadelo desaparecesse.

Mas então sentiu uma vibração aguda no pescoço e ouviu um ruído.

O ruído aumentou de volume. A vibração tornou-se mais intensa e abriu os olhos num relance.

Não conseguia ver muito para além da curva da linha, mas sabia de onde vinha aquela vibração, aquele ruído em crescendo.

Era um comboio em andamento.

O coração começou a bater desnorteadamente e o terror apoderou-se de todo o seu corpo. Contorceu-se de forma frenética, inutilmente.

Não conseguia libertar os braços e as pernas, e não conseguia retirar o pescoço do trilho.

O ruído transformou-se num rugido ensurdecedor e de repente viu-o…

… a frente vermelho-alaranjada de uma enorme locomotiva a diesel.

Soltou um grito – um grito que até a ela pareceu sobrenaturalmente agudo.

Mas então percebeu – não era o seu grito o que ouvira.

Era o ruído intenso de um apito de comboio.

Agora sentia uma estranha onda de raiva.

O maquinista apitara…

Porque raio não se limita a parar?

Mas é claro que não podia – não àquela velocidade.

Ela ouviu o som estridente do maquinista a tentar parar a montanha de metal.

A locomotiva preenchia agora todo o seu campo de visão – e lá dentro um par de olhos…

… olhos que pareciam tão aterrorizados como ela.

Era como olhar para um espelho – e ela não queria ver o que estava a ver.

Reese Fischer fechou os olhos, sabendo que o fazia pela última vez.




CAPÍTULO UM


Quando Riley ouviu o carro a parar em frente à sua casa, perguntou-se…

Será que vou mesmo conseguir ir para a frente com isto?

Estudou o seu rosto no espelo da casa de banho, esperando não ser óbvio que estivera a chorar. Depois desceu as escadas para junto da família que estava reunida na sala de estar – a empregada, Gabriela; a filha de quinze anos, April; e Jilly, a menina de treze anos que Riley estava prestes a adotar.

E de pé entre elas, com duas grandes malas a seu lado, estava Liam, um rapaz de quinze anos, que sorria tristemente para Riley.

Está mesmo a acontecer, Pensou. Agora mesmo.

Tentou convencer-se de que era tudo pelo melhor.

Ainda assim, não conseguia deixar de se sentir triste.

Então soou o ruído da campainha e Jilly correu para a porta de entrada.

Um homem e uma mulher aparentando quase sessenta anos entraram, sorridentes. A mulher dirigiu-se a Liam, mas o homem aproximou-se de Riley.

“Deve ser a senhora Paige,” Disse ele.

“Riley, por favor,” Disse Riley com um tom de voz embargado.

“Sou Scott Schweppe, o tio do Liam,” Disse ele. Virou-se para a mulher que estava a dar um grande abraço a Liam. “E esta é a minha mulher Melinda.”

Com um riso estranho, acrescentou, “Mas calculo que já tenha percebido isso. De qualquer das formas, tenho muito prazer e conhecê-la.”

Riley cumprimentou-o e reparou que o seu aperto de mão era caloroso e forte.

Ao contrário de Riley, Melinda não se deu ao trabalho de conter as lágrimas. Olhando para o sobrinho, disse-lhe, “Oh, Liam! Já lá vai tanto tempo! Eras tão pequeno quando te vimos pela última vez. E agora estás um belo rapaz!”

Riley respirou calmamente.

Isto é mesmo pelo melhor, Disse a si própria novamente.

Mas há apenas alguns dias, aquele desfecho era a última coisa que esperaria.

Parecia tão recente a vinda de Liam para viver com Riley e a sua família. Na verdade, estivera ali menos de dois meses, mas Liam adaptara-se perfeitamente e todas estavam muito ligadas a ele.

Entretanto, surgiram parentes que queriam que ele fosse viver com eles.

Riley disse ao casal, “Sentem-se, por favor. Estejam à vontade.”

Melinda limpou os olhos com um lenço, e ela e Scott sentaram-se no sofá. Todos os outros também se sentaram, exceto Gabriela que se dirigiu à cozinha para ir buscar bebidas.

Riley ficou aliviada quando April e Jilly começaram a conversar com Scott e Melinda – sobre a sua viagem de dois dias de Omaha, onde tinham passado a noite e como estivera o tempo nesse período de tempo. Jilly parecia estar bem-disposta, mas Riley detetou tristeza na atitude alegre de April. No final de contas, de todos, ela era a pessoa mais próxima de Liam.

Enquanto ouvia, Riley observava o casal atentamente.

Scott e o sobrinho eram muito parecidos – a mesma constituição magra, cabelo ruivo e sardas. Melinda era mais robusta e parecia uma dona de casa convencional e amigável.

Gabriela rapidamente voltou com um tabuleiro com café, açúcar e natas, e uns biscoitos Guatemaltecos caseiros chamados champurradas. Serviu todos enquanto conversavam.

Riley reparou que a tia de Liam olhava para ela.

Com um sorriso caloroso, Melinda disse, “Riley, eu e o Scott não sabemos como lhe agradecer.”

“Oh – o prazer foi todo meu,” Disse Riley. “É uma maravilha tê-lo por perto.”

Scott abanou a cabeça e disse, “Não fazia ideia de como as coisas estavam mal com o meu irmão Clarence. Não nos falávamos há tanto tempo. A última vez que soube dele foi há anos quando a mãe do Liam o deixou. Devíamos ter mantido o contacto, nem que fosse para o bem do Liam.”

Riley não sabia muito bem o que dizer. O que é que Liam contara ao tio e à tia sobre o que acontecera?

Ela lembrava-se muito bem.

April acabara de começar a namorar com Liam e Riley simpatizara com ele de imediato. Mas depois de um telefonema frenético de April, Riley fora a casa de Liam e encontrou-o a ser espancado selvaticamente pelo pai bêbedo. Riley levara Liam para casa e ali o instalara.

É claro que aquela situação era precária.

O pai de Liam ligava-lhe e enviava-lhe mensagens, prometendo mudar e não beber mais – pura e simples chantagem emocional. E fora terrivelmente difícil para Liam.

Scott prosseguiu, “Fiquei surpreendido quando o Clarence e ligou do nada a semana passada. Parecia louco. Queria a minha ajuda para recuperar o Liam. Ele disse… bem, disse algumas coisas, deixe-me que lhe diga.”

Riley podia imaginar perfeitamente algumas das “coisas” que o pai de Liam dissera – provavelmente descrevendo Riley como uma pessoa vil e horrível por lhe ter tirado o Liam.

“O Clarence disse que parou de beber,” Disse Scott. “Mas tenho a certeza de que estava bêbedo mesmo quando ligou. Enviar o Liam de volta para ele estava fora de questão. Só havia uma coisa a fazer.”

Riley sentiu um abanão emocional ao ouvir aquelas palavras…

“Só havia uma coisa a fazer.”

Claro, Essa coisa não era deixar Liam a viver com a família de Riley.

Era senso comum básico.

Ele devia ir viver com os parentes mais próximos.

Melinda apertou a mão de Scott e disse a Riley, “Eu e o Scott não temos filhos a viver connosco. Criámos três filhos, dois rapazes e uma rapariga. A nossa filha está no último ano da faculdade e os rapazes estão casados e preparados para terem as suas próprias famílias. Por isso estamos sozinhos na nossa casa enorme e sentimos a falta de ouvir vozes jovens. Este é o momento perfeito para nós.”

Mais uma vez, Riley sentiu um abanão agudo.

“… o momento perfeito…”

É claro que era o momento perfeito. E mais ainda, era óbvio que estas pessoas era perfeitas – ou tão perfeitas quanto os pais podem ser.

Provavelmente muito melhores que eu, Pensou Riley.

Ela estava muito longe de equilibrar tudo na sua vida complicada – os deveres de mãe e os muitas vezes contraditórios e às vezes perigosos deveres de ser agente do FBI.

Na verdade, por vezes era praticamente impossível e ter o Liam ali não tornara a sua vida mais fácil.

Sentia muitas vezes que não dava a atenção que devia às filhas – e também a Liam.

Para além disso, como poderia ele continuar a viver naquelas instalações até ir para a faculdade?

E como iria Riley enviá-lo para a faculdade?

Não, isto era mesmo pelo melhor.

Jilly e April continuaram a conversar, fazendo perguntas sobre os filhos do casal.

Entretanto, a cabeça de Riley enchia-se de preocupações.

Ela sentia que se familiarizara com Liam num curto espaço de tempo. Após anos de afastamento, o que é que aquelas pessoas sabiam sobre ele? Ela sabia que Scott era proprietário de uma loja de bicicletas. Também parecia estar numa forma fantástica para a idade que tinha.

Será que compreenderia que Liam era por natureza desastrado e não atlético?

Liam adorava ler e estudar, e era o capitão da sua equipa de xadrez na escola.

Saberiam Scott e Melinda relacionar-se com ele? Apreciariam conversar com ele tanto quanto Riley? Partilhariam algum dos seus interesses?

Ou será que Liam acabaria por se sentir sozinho e deslocado?

Mas Riley lembrou-se que não tinha que se preocupar com aquelas coisas.

Isto é mesmo pelo melhor, Repetiu a si própria.

Rapidamente – demasiado rapidamente para Riley – Scott e Melinda terminaram os seus biscoitos e café, agradecendo a Gabriela. Chegara o momento de partirem. Afinal, ainda os esperava ua longa viagem de regresso a Omaha.

Scott pegou nas malas de Liam e dirigiu-se para o carro.

Melinda pegou calorosamente na mão de Riley.

Disse, “Mais uma vez, não sabemos como lhe agradecer por estar com o Liam quando ele mais precisou.”

Riley limitou-se a anuir e Melinda seguiu o marido até ao exterior.

Depois Riley viu-se frente a frente com Liam.

Tinha os olhos muito abertos e olhou para Riley como se só agora se apercebesse que se ia embora.

“Riley,” Disse ele com a voz trémula, “nunca tivémos a oportunidade de jogar um jogo de xadrez.”

Riley sentiu uma pontada de arrependimento. Liam estava a ensinar o jogo a April, mas de alguma forma Riley nunca jogara com ele.

Agora sentia que nunca fizera muitas outras coisas.

“Não te preocupes,” Disse ela. “Podemos jogar online. Quero dizer, vais manter o contacto, não vais? Queremos ouvir notícias tuas. Muito. Se não disseres nada, vou a Omaha. Acho que não vais querer que o FBI te apareça à porta.”

Liam riu.

“Não se preocupe,” Disse ele. “Eu dou notícias. E vamos jogar xadrez de certeza.”

Depois acrescentou com um sorriso endiabrado, “Vou dar-lhe uma coça, sabe.”

Riley riu-se e abraçou-se a ele.

“Nos teus sonhos,” Disse ela.

Mas é claro que ela sabia que ele tinha razão. Ela era uma boa jogadora de xadrez, mas não tão boa para ganhar a um miúdo brilhante como Liam.

À beira das lágrimas, Liam saiu porta fora. Entrou no carro com Scott e Melinda, e começaram a viagem para casa.

Enquanto Riley ficou a observá-los a afastarem-se, ouviu Jilly e Gabriela a limpar a cozinha.

Depois sentiu alguém a apertar-lhe a mão. Virou-se e viu que era April, olhando para ela com um ar preocupado.

“Estás bem mãe?”

Riley mal conseguia acreditar que era April a fazer aquele papel. Afinal de contas, Liam fora seu namorado quando se mudara para ali. Mas desde essa altura que o namoro ficara pendente. Tinham que ser “hermanos solamente” como dissera Gabriela – apenas irmão e irmã.

April lidara com a mudança com graça e maturidade.

“Estou bem,” Disse Riley. “E tu?”

April piscou os olhos, mas parecia estar a controlar as emoções de forma notável.

“Estou bem,” Disse ela.

Riley lembrou-se de algo que April planeara fazer com Liam quando a escola terminasse.

Disse, “Ainda planeias ir para o campo de xadrez este verão?”

April abanou a cabeça.

“Não seria o mesmo sem o Liam.”

“Eu compreendo,” Disse Riley.

April apertou a mão de Riley com mais força e disse, “Fizemos uma coisa muito boa, não foi? Quero dizer, ter ajudado o Liam.”

“Sem dúvida que fizemos,” Disse Riley, apertando a mão de April.

Então ficou a olhar para a filha por um momento. Parecia tão incrivelmente adulta naquele instante e Riley sentiu um orgulho profundo dela.

É claro que como qualquer mãe se preocupava com o futuro de April.

Ficara especialmente preocupada recentemente quando April lhe anunciara que queria ser agente do FBI.

Era aquele tipo de vida que queria para a sua filha?

Lembrou-se mais uma vez…

Não importa o que eu quero.

A sua função enquanto mãe era fazer os possíveis para realizar os sonhos da filha.

April começava a sentir-se inquieta sob o olhar intenso e repleto de amor de Riley.

“Um, passa-se alguma coisa mãe?” Perguntou April.

Riley limitou-se a sorrir. Esperara pelo momento certo para dar algo especial a April. E se aquele não era o momento certo, não sabia quando seria.

“Vamos até lá acima,” Disse Riley a April. “Tenho uma surpresa para ti.”




CAPÍTULO DOIS


Enquanto Riley acompanhava April pelas escadas, deu por si a pensar se tinha realmente tomado a decisão certa. Mas ela conseguia sentir que April estava entusiasmada com o conteúdo da “surpresa”.

Pareceu-lhe que April também estava um pouco nervosa.

Não mais nervosa do que eu, Apercebeu-se Riley. Mas sabia que não podia mudar de ideias agora.

Entraram no quarto de Riley.

Um relance da expressão no rosto da filha convenceu Riley a não avançar com explicações. Foi ao seu armário onde se encontrava um pequeno cofre preto na prateleira. Digitou o código, retirou algo do seu interior e colocou o objeto em cima da cama.

Os olhos de April arregalaram-se com o que viu.

“Uma arma!” Disse ela. “É…?”

“Tua?” Disse Riley. “Bem, legalmente ainda é minha. A lei da Virginia diz que só podes possuir uma arma aos dezoito anos. Mas podes aprender com esta até lá. Vamos andar devagar, mas se te habituares a ela, será tua.”

April estava estupefacta.

“Queres?” Perguntou Riley.

April parecia não saber o que dizer.

Será que cometi um erro? Perguntou-se Riley. Talvez April não se sentisse prepararada para aquilo.

Riley disse, “Disseste que querias ser uma agente do FBI.”

April anuiu avidamente.

Riley disse, “Então – eu pensei que seria boa ideia iniciar-te no treino de armas. Não te parece bem?”

“Sim – oh, sim,” Disse April. “Isto é fantástico. Mesmo, mesmo fantástico. Obrigada mãe. Estou só um bocado espantada. Não esperava isto.”

“Eu também não,” Disse Riley. “Quero dizer, não esperava fazer isto nesta altura. Possuir uma arma é uma grande responsabilidade com que muitos adultos não conseguem arcar.”

Riley tirou a arma da caixa e mostrou-a a April.

Disse, “É uma Ruger SR22 – uma arma semiautomática de calibre .22.”

“.22?” Perguntou April.

“Acredita em mim, isto não é um brinquedo. Ainda não te quero treinar com um calibre mais elevado. Uma .22 pode ser tão perigosa como qualquer outra arma – ou até mais. Há mais pessoas a morrerem com este calibre do que com outro qualquer. Trata-a com cuidado e respeito. Só a vais manipular para treinar. O resto do tempo fica no meu armário. Vai ficar num cofre que só pode ser aberto com um código. Por agora, só eu terei acesso a ele.”

“Claro,” Disse April. “Não a ia querer por aí à toa.”

Riley acrescentou, “E preferia que não falasses disto à Jilly.”

“E a Gabriella?”

Riley sabia que a pergunta era pertinente. No que dizia respeito a Jilly, tratava-se de uma simples questão de maturidade. Ela poderia ter ciúmes e querer uma arma para ela, algo que estava fora de questão. Quanto a Gabriela, Riley suspeitava que ela ficaria assustada com a ideia de April estar a aprender a usar uma arma.

“Hei-de dizer-lhe,” Disse Riley. “Mas ainda não.”

Riley mostrou o carregador vazio e disse, “Certifica-te sempre se a tua arma está carregada ou não.”

Entregou a arma descarregada a April, cujas mãos tremiam um pouco.

Riley quase brincou…

“Peço desculpa por não ter arranjado uma em cor de rosa.”

Mas pensou melhor. Não era coisa com que se brincasse.

April disse, “Mas o que faço com ela? Onde? Quando?”

“Agora mesmo,” Disse Riley. “Vem, vamos.”

Riley voltou a colocar a arma na caixa e levou-a consigo quando descera as escadas. Felizmente, Gabriela estava atarefada na cozinha e Jilly estava noutro compartimento, por isso não tiveram que discutir o que estava dentro da caixa.

April foi à cozinha e disse a Gabriela que ela e Riley ia sair por um bocado, depois foi à sala e disse o mesmo a Jilly. A rapariga parecia estar fascinada com algo que passava na TV e limitou-se a abanar a cabeça.

Riley e April saíram de casa e entraram no carro. Riley levou-a até um armeiro chamado Smith Firearms onde comprara a arma há alguns dias. Quando ela e April entraram, viram-se rodeadas de armas de todos os tipos e tamanhos, penduradas nas paredes ou em caixas de vidro.

Foram cumprimentadas por Brick Smith, o dono da loja. Brick era um homem grande, com barba, sorridente e que usava uma camisa de xadrez.

“Olá, senhora Paige,” Disse ele. “É bom vê-la novamente. O que a traz por cá hoje?”

Riley disse, “Esta é a minha filha April. Viemos até cá para experimentar a Ruger que lhe comprei no outro dia.”

Brick Smith pareceu divertido. Riley lembrava-se quando ali levara o namorado Blaine para lhe comprar uma arma de autodefesa. Nessa altura, Brick parecera perplexo por ver uma mulher a comprar uma arma para um homem. Mas a sua surpresa rapidamente se desvaneceu quando soube que Riley era agente do FBI.

Agora não estava minimamente surpreendido.

Está a habituar-se a mim, Pensou Riley. Ótimo. Nem toda a gente consegue.

“Bem, bem, bem,” Disse ele, olhando para April. “Não me disse que estava a comprar a arma para a sua filhinha.”

Aquelas palavras aborreceram Riley ligeiramente…

“… a sua filhinha.”

Pensou – terá April ficado ofendida?

Riley olhou para April e reparou que ela ainda aparentava estar espantada com tudo aquilo.

Talvez se sinta uma menina pequena no momento, Pensou Riley.

Brick Smith conduziu Riley e April até uma porta que dava para uma surpreendentemente grande carreira de tiro atrás da loja e depois deixou-as sozinhas.

“Comecemos pelo início,” Disse Riley, apontando para uma lista longa na parede. “Lê estas regras. Se tiveres dúvidas, pergunta-me.”

Riley ficou a ver April a ler as regras, que como é óbvio cobriam todas as questões de segurança, incluindo nunca apontar a arma em nenhuma direção que não seja a carreira de tiro. Enquanto April lia com uma expressão séria, Riley sentiu uma estranha sensação de déjà vu. Recordou-se de quando ali levara Blaine para comprar e experimentar uma nova arma.

Era uma memória algo amarga.

Depois da sua primeira noite juntos, Blaine dissera-lhe de forma hesitante ao pequeno-almoço…

“Acho que preciso de comprar uma arma. Para proteção em casa.”

É claro que Riley entendera porquê. A sua própria vida estivera em perigo desde que a conhecera. E a verdade é que dias mais tarde, precisara daquela arma não só para se defender a si próprio, como também toda a família de Riley de um perigoso criminoso em fuga, Shane Hatcher. Blaine quase matara o homem.

Riley agora sentia novamente a culpa por aquele terrível incidente.

Ninguém está seguro comigo na sua vida? Interrogou-se. Toda a gente que conheço precisará de armas por causa de mim?

April acabou de ler as regras, e ela e Riley dirigiram-se a uma das cabinas vazias onde April colocou o equipamento de proteção de ouvidos e olhos. Riley tirou a arma da caixa e colocou-a em frente a April.

April olhou para ela com uma expressão assustada.

Ainda bem, Pensou Riley. Ela deve sentir-se intimidada.

April disse, “Esta é diferente da arma que compraste ao Blaine.”

“Sim,” Disse Riley. “Comprei-lhe uma Smith and Wesson 686, um revólver de calibre .38 – uma arma muito mais poderosa. Mas as necessidades dele eram diferentes. Ele só queria defender-se. Ele não estava a pensar em ser agente do FBI como tu.”

Riley pegou na arma e mostrou-a a April.

“Existem algumas grandes diferenças entre um revólver e uma semiautomática. Uma semiautomática tem imensas vantagens, mas também algumas desvantagens – falhas de ignição ocasionais, falhas na ejeção, encravamentos. Não queria que o Blaine tivesse que lidar com essas coisas, não numa emergência. Mas quanto a ti – bem, podes muito bem começar a aprender sobre elas agora mesmo, num cenário seguro onde a vida não está em perigo.”

Riley começou a mostrar a April o que ela precisava de saber de seguida – como introduzir as munições no carregador, como introduzir o carregador na arma e como o descarregar.

Ao fazer a demonstração, Riley disse, “Agora esta arma pode ser usada tanto em modo de ação única como em modo de ação dupla. Podes disparar tiros rápidos até o carregador esvaziar. Essa é a grande vantagem de uma semiautomática.”

Colocando o dedo no gatilho, Riley prosseguiu, “A ação dupla é quando fazes todo o trabalho com o gatilho. Se quiseres disparar outra vez, tens que começar do início. Isso dá mais trabalho – o teu dedo está a pressionar três a cinco Kg de pressão – e o disparo é mais lento. E é o que quero que faças para começar.”

Ela carregou num botão para colocar o alvo de papel a uma distância de seis metros de distância da cabina, depois mostrou a April a postura correta e posições das mãos para disparar, e também como apontar.

Riley disse, “OK, a tua arma não está carregada. Vamos tentar tiros sem munições.”

Tal como fizera com Blaine, Riley explicou a April como respirar – inspirar lentamente enquanto aponta, depois expirar lentamente quando carrega no gatilho para que o corpo esteja o mais quieto possível quando a arma é disparada.

April apontou cuidadosamente para o alvo, depois carregou no gatilho diversas vezes. Então, por indicação de Riley, colocou o carregador com munições na arma, retomou a sua posição e disparou um único tiro.

April soltou um guincho alarmado.

“Atingi alguma coisa?” Perguntou.

Riley apontou para o alvo.

“Bem, atingiste o alvo. E para primeira tentativa, não está mal. Como te sentiste?”

April soltou uma risada nervosa.

“Foi surpreendente. Espera mais….”

“Recuo?”

“Sim. E não foi tão alto como esperava.”

Riley assentiu e disse, “Isso é uma das coisas boas de uma .22. Não vais desenvolver maus hábitos. À medida que fores avançando para armas maiores, estarás preparada para lidar com a sua potência. Vai, esvazia o carregador.”

Enquanto April disparou lentamente os nove restantes tiros, Riley reparou numa mudança no seu rosto. Era uma expressão determinada, feroz que Riley julgou já lhe ter visto no passado. Riley tentou lembrar-se…

Quando é que foi? Apenas uma vez, Pensou.

Então a memória atingiu-a como um raio…



Riley perseguira o monstro chamado Peterson até à margem do rio. Mantinha April como refém, atada de pés e mãos e com uma arma encostada à cabeça. Quando a arma de Peterson falhou, Riley atirou-se a ele e lutaram no rio até ele empurrar a sua cabeça para debaixo de água na tentativa de a afogar.

O seu rosto veio à superfície por um momento e ela viu algo de que nunca se esqueceria…

De pulsos e pés ainda atados, April estava de pé a segurar na shotgun que Peterson deixara cair.

April bateu com a coronha na cabeça de Peterson…



A luta terminara pouco depois quando Riley esmagou o rosto de Peterson com uma pedra.

Mas nunca se perdoara por permitir que April enfrentasse tal perigo.

E agora, ali estava April, disparando contra o alvo com a mesma expressão feroz no rosto.

É tão parecida comigo, Pensou Riley.

E se April realmente se empenhasse, Riley tinha a certeza de que se tornaria numa agente do FBI melhor do que ela.

Mas seria isso bom ou mau?

Riley não sabia se se devia sentir culpada ou orgulhosa.

Mas durante a sessão de treino de meia hora, April disparou com crescente confiança e precisão contra o alvo. Quando deixaram o armeiro e foram para casa, Riley sentia orgulho na filha.

April estava entusiasmada e conversadora, perguntando todo o o tipo de perguntas sobre o treino que a esperava. Riley deu-lhe as respostas possíveis, tentando não demonstrar a sua ambivalência face ao futuro que April parecia desejar tanto.

Ao aproximarem-se de casa, April disse, “Olha quem cá está.”

Riley ficou desiludida quando viu o caro BMW estacionado à sua porta. Ela sabia que pertencia à última pessoa no mundo que queria ver naquele momento.




CAPÍTULO TRÊS


Quando Riley estacionou o seu modesto carro atrás do BMW, percebeu que as coisas poderiam descambar naquela casa. Quando desligou o carro, April pegou na caixa com a arma no seu interior e começou a sair do carro.

“É melhor deixares isso aqui por agora,” Disse Riley.

Com certeza que não ia querer explicar aquilo ao indesejado visitante.

“Tens razão,” Respondeu April, empurrando a caixa para debaixo do assento do carro.

“E não te esqueças – não contes à Jilly sobre isto,” Disse Riley.

“Não conto,” Disse April. “Mas ela já deve ter percebido que tens alguma coisa para mim e vai ficar a pensar no que será. Enfim, no domingo dás-lhe um presente e ela esquece isto num instante.”

Presente? Interrogou-se Riley.

Depois lembrou-se – no domingo era o aniversário de Jilly.

Riley sentiu-se corar.

Quase se esquecera que a Gabriela tinha planeado uma festa de família para domingo à noite.

E ainda não tinha comprado um presente para Jilly.

Não te esqueças! Disse a si própria.

Riley e April fecharam o carro e caminharam na direção da casa. E é claro que o dono do carro de luxo – o ex-marido de Riley – estava sentado na sala de estar.

Jilly estava numa cadeira à sua frente e a sua expressão dura mostrava que não estava nada satisfeita por tê-lo ali.

“Ryan, o que é que estás a fazer aqui?” Perguntou Riley.

Ryan virou-se para ela com aquele sorriso encantador que tantas vezes tinha enfraquecido a sua determinação em afastá-lo completamente.

Raios, ainda é atraente, Pensou.

Ela sabia que ele se fartava de trabalhar para ter aquele aspeto e que passava muitas horas no ginásio.

Ryan disse, “Ei, isso é forma de se cumprimentar alguém da família? Ainda sou da família, não sou?”

Ninguém falou durante um momento.

A tensão era palpável e a expressão de Ryan transformou-se numa de desilusão.

Riley pensou – que tipo de receção é que estava à espera?

Não as via há três meses. Antes disso, tinham feito uma tentativa de reconciliação. Ele vivera com elas cerca de dois meses, mas nunca se mudara em definitivo. Mantivera a casa confortável que havia partilhado com Riley e April antes da separação e do divórcio.

As miúdas tinham ficado contentes por tê-lo por perto – até ele perder o interesse e partir novamente.

As miúdas ficaram muito desiludidas com isso.

E agora, ali estava ele outra vez, do nada e sem avisar.

O silêncio adensou-se. Então Jilly cruzou os braços e olhou para ele com desconfiança.

Virando-se para Riley e April, ela perguntou, “Para onde é que vocês as duas fora, afinal?”

Riley engoliu e seco.

Odiava mentir a Jilly, mas aquele não era o melhor momento para lhe falar na arma de April.

Felizmente, April disse, “Só tivemos que ir a um sítio.”

Ryan olhou para April.

“Ei, queridinha,” Disse ele. “Não me dás um abraço?”

April não olhou para ele, limitando-se a ficar de pé.

Por fim disse numa voz amuada, “Olá paizinho.”

Parecendo que ia chorar a qualquer momento, April virou-se e subiu as escadas rumo ao seu quarto.

Ryan ficou surpreendido.

“O que é que foi aquilo?” Perguntou ele.

Riley sentou-se no sofá, tentando encontrar a elhor forma de lidar com a situação.

Ela perguntou novamente, “O que é que estás a fazer aqui Ryan?”

Ryan encolheu os ombros.

“Eu e a Jilly estávamos a falar sobre a escola – ou pelo menos eu estava a tentar que ela falasse sobre a escola. As notas dela baixaram? É isso que não me quer dizer?”

“As minhas notas estão ótimas,” Disse Jilly.

“Então fala-me na escola, porque é que não o fazes?” Perguntou Ryan.

“Está tudo bem na escola… senhor Paige,” Disse Jilly.

Riley encolheu-se e Ryan pareceu magoado.

Jilly chamava Ryan de “Pai” antes de ele se ter ido embora.

Antes disso, chamava-o “Ryan”. Riley tinha a certeza de que Jilly nunca o tratara por senhor Paige anteriormente. Jilly expressava a sua posição de forma muito clara.

Levantou-se da cadeira e disse, “Se não se importarem, tenho trabalhos de casa para fazer.”

“Queres ajuda?” Perguntou Ryan.

Jilly ignorou a pergunta e continuou a subir as escadas.

Ryan olhou para Riley com uma expressão afetada.

“O que é que se passa aqui?” Perguntou ele. “Porque é que as miúdas estão tão zangadas comigo?”

Riley suspirou. Por vezes, o seu ex-marido era tão imaturo quanto ambos haviam sido quando se casaram tão novos.

“Ryan, de que raio estavas à espera?” Perguntou Riley, tão pacientemente quanto pode. “Quando te mudaste para cá, as miúdas estavam felizes por te terem cá. Sobretudo a Jilly. Ryan, o pai daquela menina era um bêbedo violento. Ela quase se transformou numa prostituta para se afastar dele – e só tinha treze anos! Foi tão importante para ela ter uma figura parental na sua vida. Não percebes como ela ficou desiludida quando te foste embora?”

Ryan ficou a olhar para ela com uma expressão perplexa, como se não tivesse ideia do que é que ela estava a falar.

Mas Riley lembrava-se demasiado bem do que Ryan lhe dissera ao telefone.

“Preciso de espaço. Esta coisa da família – eu pensava estar pronto, mas não estou.”

E não mostrara grande preocupação por Jilly na altura.

“Riley, a Jilly foi uma decisão tua. Admiro-te por isso. Mas não teve nada a ver comigo. A adolescente perturbada de outra pessoa é demasiado para mim. Não é justo.”

E agora ali estava ele, a mostrar-se magoado porque Jilly já não o tratava por “Pai”.

Era realmente exasperante.

Riley não ficou surpreendida por ver as duas raparigas a afastarem-se dele. Também ela queria fazer o mesmo. Infelizmente, alguém tinha que ser adulto nesta situação. E já que Ryan parecia incapaz de o ser, Riley não tinha saída.

Antes que pudesse pensar no que dizer de seguida, Ryan levantou-se da sua cadeira e sentou-se ao lado de Riley. Avançou na sua direção.

Riley afastou-o.

“Ryan, o que é que estás a fazer?”



“O que é que achas que estou a fazer?”

Agora a voz de Ryan soava carinhosa.

Riley estava a ficar cada vez mais furiosa.

“Nem penses,” Disse ela. “Quantas namoradas te passaram pelas mãos desde que te foste embora?”

“Namoradas?” Perguntou Ryan, obviamente tentando parecer perplexo com a pergunta.

“Sim, ouviste bem. Ou já te esqueceste? Uma delas ligou por engano para aqui quando ainda cá estavas. Parecia estar bêbeda. Disseste que se chamava Lina. Mas não me parece que a Lina tenha sido a última. Quantas mais tiveste? Será que sabes? Será que te lembras dos nomes?”

Ryan não respondeu. Agora parecia culpado.

Tudo começava a fazer sentido para Riley. Tudo já tinha acontecido anteriormente e ela sentiu-se estúpida por não o prever.

Ryan estava entre namoradas e julgou que Riley serviria dadas as circunstâncias.

Ele não queria saber das miúdas para nada – nem da sua própria filha. Eram apenas um pretexto para se aproximar de Riley.

Riley cerrou os dentes e disse, “Penso que é melhor ires embora.”

“Porquê? O que é que se passa? Não andas com ninguém, pois não?”

“Por acaso até ando.”

Agora Ryan parecia genuinamente perplexo, como se não conseguisse imaginar que Riley se pudesse interessar por outro homem.

Então disse, “Oh meu Deus. É aquele cozinheiro outra vez, não é?”

Riley soltou um rugido de fúria.

Ela disse, “Sabes muito bem que o Blaine é chef. Também sabes que ele é proprietário de um agradável restaurante, e que April e a sua filha são melhores amigas. Ele é fantástico com as miúdas – tudo o que tu não és. E sim, ando com ele e está a tornar-se bastante sério. Por isso, quero mesmo que saias daqui.”

Ryan olhou para ela durante um instante.

Por fim, disse num tom de voz amargo, “Nós fazíamos um belo casal.”

Ela não respondeu.

Ryan levantou-se do sofá e dirigiu-se à porta.

“Avisa-me se mudares de ideias,” Disse ele ao sair de casa.

Riley ficou tentada em dizer…

“Espera sentado.”

… mas conseguiu controlar-se. Ficou sentada enquanto ouvia o som do carro de Ryan a afastar-se. Então, conseguiu relaxar.

Riley ficou ali sentada mais um pouco em silêncio a pensar no que acabara de acontecer.

A Jilly tratou-o por “senhor Paige”.

Fora cruel, mas ela não podia negar que Ryan merecia.

Ainda assim, estava preocupada – o que deveria dizer a Jilly sobre aquele tipo de crueldade?

Esta coisa da maternidade é dura, Pensou.

Estava prestes a chamar Jilly para falar sobre isso quando o telefone tocou. A chamada era de Jenn Roston, uma jovem agente com quem trabalhara em casos recentes.

Quando Riley atendeu a chamada, ouviu o stress na voz de Jenn.

“Ei Riley. Lembrei-me de ligar e…”

Seguiu-se um silêncio. Riley questionou-se do que estaria a passar pela mente de Jenn.

Então Jenn disse, “Ouve, só te queria agradecer a ti e ao Bill por… sabes… quando eu…”

Riley estava prestes a dizer-lhe…

“Não o digas. Não ao telefone.”

Felizmente, a voz de Jenn desvaneceu-se sem terminar o seu pensamento.

Ainda assim, Riley sabia por que é que Jenn lhe agradecia.

Durante o caso mais recente, Jenn tinha-se ausentado durante mais de um dia. Riley tinha convencido Bill que a deviam encobrir. No final de contas, Jenn também encobrira Riley numa situação algo parecida.

Mas Jenn ausentara-se do seu trabalho devido às exigências de uma mulher que fora sua mãe adotiva, mas que também era uma criminosa. Jenn percorrera terrenos ilegais para resolver um problema da “Tia Cora”.

Riley não sabia ao certo o que fora. Não perguntara.

Ouviu Jenn a emitir um ruído abafado.

“Riley, tenho andado a pensar. Talvez devesse entregar o meu distintivo. O que aconteceu pode voltar a acontecer. E pode ser pior da próxima vez. De qualquer das formas, não me parece que tenha terminado.”

Riley pressentiu que Jenn não lhe estava a contar toda a verdade.

A Tia Cora está a pressioná-la novamente, Pensou Riley.

Não era de espantar. Se o poder da Tia cora era suficientemente forte, Jenn podia servir como fonte real dentro do FBI.

Riley interrogou-se…

Deveria Jenn demitir-se?

Mas rapidamente encontrou a resposta…

Não.

Afinal de contas, Riley tivera uma relação semelhante com um criminoso – o fugitivo brilhante Shane Hatcher. Tudo terminara com a ação de Blaine que atingiu Hatcher, quase fatalmente, e Riley capturara-o. Hatcher regressara a Sing Sing e não dissera uma palavra a ninguém desde então.

Jenn sabia mais sobre a relação de Riley com Hatcher do que qualquer outra pessoa, exceto Hatcher. Jenn podia ter destruído a carreira de Riley com o conhecimento que tinha. Mas mantivera-se calada por lealdade a Riley. Agora chegara o momento de Riley lhe retribuir.

Riley disse, “Jenn, lembras-te do que te disse quando me falaste pela primeira vez sobre isto?”

Jenn ficou calada.

Riley disse, “Eu disse-te que lidávamos com isto. Tu e eu, juntas. Não podes desistir. Tens demasiado talento. Estás a ouvir-me?”

Jenn continuou calada.

Riley apenas ouviu o beep do serviço de chamada em espera indicando-lhe que tinha mais alguém a ligar-lhe.

Ignora, Disse a si própria.

Mas o beep continuou. O instinto de Riley dizia-lhe que a outra chamada era importante. Suspirou.

Disse a Jenn, Ouve, tenho que atender outra chamada. Fica em linha, ok? Vou tentar ser rápida.”

“Ok,” Disse Jenn.

Riley mudou para a chamada em espera e ouviu a voz áspera do chefe de equipa da UAC, Brent Meredith.

“Agente Paige, temos um caso. É um assassino em série no Midwest. Preciso que venha ter comigo ao meu gabinete.”

“Quando?” Perguntou Riley.

“Imediatamente,” Resmungou Meredith. “Quanto mais depressa melhor.”

Riley percebeu pelo seu tom que o assunto era urgente.

“Vou já ter consigo,” Disse Riley. “Quem vai colocar na equipa?”

“Isso é consigo,” Disse Meredith. “Você e os Agentes Jeffreys e Roston trabalharam bem juntos no caso Sandman. Fique com ambos se lhe parecer bem. E venham para cá imediatamente.”

Sem dizer mais uma palavra, Meredith desligou a chamada.

Riley retomou a chamada de Jenn.

Disse, “Jenn, entregar o distintivo não é uma opção. Não agora. Preciso de ti num caso. Encontramo-nos no gabinete do Brent Meredith. E despacha-te.”

Sem esperar por uma resposta, Riley terminou a chamada. Ao ligar para Bill Jeffreys pensou…

Talvez outro caso seja aquilo de que a Jenn precisa agora.

Riley esperava que sim.

Entretanto, teve uma sensação familiar de aumento de vigilância ao apressar-se para finalmente descobrir de que tratava o novo caso.




CAPÍTULO QUATRO


Cerca de meia hora mais tarde, Riley estacionou o carro no parque de estacionamento de Quantico. Quando perguntara a Meredith quando a queria no seu gabinete, ouviu uma urgência séria na sua voz…

“Imediatamente. Quanto mais depressa melhor.”

É claro que quando Meredith lhe ligava para casa, o tempo era sempre de vital importância – por vezes literalmente, como sucedera no seu último caso. O Sandman usara ampulhetas para marcar as horas até ao seu próximo homicídio brutal.

Mas hoje, algo no tom de voz de Meredith lhe dizia que esta situação tinha uma urgência singular.

Ao estacionar, viu que Bill e Jenn também chegavam nos seus próprios carros. Saiu do seu carro e ficou à espera deles.

Sem trocarem muitas palavras, os três caminharam na direção do edifício. Riley viu que, tal como ela, Bill e Jenn tinham trazido as suas malas. Não fora preciso ninguém lhes dizer que teriam que sair de Quantico a qualquer momento.

Entraram no edifício e dirigiram-se ao gabinete do Chefe Meredith. Mal chegaram à sua porta, o imponente homem Afro-Americano irrompeu no corredor. Tinha obviamente sido avisado da sua chegada.

“Não há tempo para uma conferência,” Disse aos três agentes. “Falamos enquanto caminhamos.”

Ao caminharem com Meredith, Riley percebeu que iam a caminho da pista de Quantico.

Estamos mesmo com pressa, Pensou Riley. Era invulgar não ter pelo menos uma breve reunião para os pôr a par de um novo caso.

A caminhar ao lado de Meredith, Bill perguntou, “De que é que se trata, Chefe?”

Meredith disse, “Neste momento temos um corpo decapitado numa linha ferroviária perto de Barnwell, Illionois. É uma linha fora de Chicago. Uma mulher foi presa à linha e atropelada por um comboio de carga há algumas horas atrás. É o segundo homicídio do género num espaço de quatro dias e parecem haver semelhanças óbvias. Parece que temos pela frente um assassino em série.”

Meredith começou a caminhar mais rapidamente e os três agentes apressaram-se para o conseguir acompanhar.

Riley perguntou, “Quem chamou o FBI?”

Meredith disse, “Recebi a chamada de Jude Cullen, o Chefe da Polícia dos Caminhos-de-Ferro da região de Chicago. Ele diz que quer profilers lá imediatamente. Eu disse-lhe para não mexer no corpo até os meus agentes o observarem.”

“É uma situação difícil. Está programada para hoje a passagem de mais três comboios de carga naquela linha e ainda um comboio de passageiros. Neste momento, estão todos em espera e já está a tornar-se complicado. Têm que ir para lá o mais rapidamente possível e analisar a cena do crime para que o corpo possa ser retirado e os comboios possam voltar a circular. E depois…”

Meredith prosseguiu.

“Bem, têm um assassino para apanhar. E tenho a certeza de que todos concordam comigo numa coisa – ele vai matar novamente. Neste momento, sabem tanto do caso quanto eu. O Cullen terá que vos informar do resto.”

O grupo entrou na pista onde um pequeno avião já os esperava com os motores a funcionar.

Meredith disse, “Serão recebidos em O’Hare por alguns polícias. Eles vão conduzir-vos diretamente à cena do crime.”

Meredith voltou-se de costas e regressou ao edifício, enquanto Riley e os colegas subiam os degraus do avião. A precipitação da sua partida quase deixou Riley tonta. Não se lembrava de Meredith alguma vez os ter informado de um caso daquela forma.

Mas não era surpreendente tendo em consideração que o tráfego ferroviário estava suspenso. Riley nem conseguia imaginar as enormes dificuldades que isso estaria a causar naquele momento.

Assim que o voo estabilizou em velocidade de cruzeiro, os três agentes abriram os seus computadores e estiveram online para procurar a mais ínfima informação que conseguissem sobre o assunto.

Riley viu de imediato que a notícia das mortes recentes já se espalhava, apesar do nome desta última vítima ainda não ser conhecido. Mas viu que o nome da vítima anterior era Fern Bruder, uma mulher de vinte e cinco anos cujo corpo decapitado fora encontrado numa linha perto de Allardt, Indiana.

Riley não conseguiu encontrar muitas mais informações online sobre os homicídios. Se a polícia tinha suspeitos ou tinha conhecimento de alguma motivação, essa informação ainda não era do conhecimento público – o que era uma coisa positiva.

Ainda assim, era frustrante não poder saber mais naquele momento.

Com tão pouco em que trabalhar em relação ao caso, Riley deu por si a pensar nos acontecimentos daquele dia. Ainda sentia a emoção da perda de Liam – apesar de perceber…

“Perda” não era a palavra mais correta.

Não, ela e a família tinham feito o melhor por aquele rapaz. E agora as coisas tinham-se resolvido da melhor forma e Liam estava ao cuidado de pessoas que o amariam e tomariam bem conta dele.

Ainda assim, Riley interrogou-se…

Porque é que sinto isto como uma perda?

Riley também tinha sentimentos contraditórios acerca da compra da arma para April e de levá-la à carreira de tiro. A demonstração de maturidade de April deixara Riley orgulhosa, assim como a sua boa pontaria. Riley também ficou profundamente sensibilizada pelo facto da filha querer seguir as suas pisadas.

E no entanto… Riley não consegui evitar lembrar-se…

Estou a caminho de ver um corpo decapitado.

Toda a sua carreira era uma longa fiada de horrores. Era esta a vida que queria para April?

Não depende de mim, Lembrou Riley a si própria. Depende dela.

Riley também sentiu a estranheza daquela conversa telefónica com Jenn ainda há pouco. Tanto ficara por dizer e Riley não fazia ideia do que se passaria naquele preciso momento entre Jenn e a Tia Cora. E claro, agora não era o momento para falar sobre isso – não com Bill ali sentado com elas.

Riley não conseguia evitar pensar…

Teria Jenn razão? Deveria entregar o distintivo?

Estaria Riley a fazer um favor à jovem agente ao encorajá-la para permanecer no FBI?

E estaria Jenn no melhor momento para se envolver num novo caso?

Riley olhou para Jenn, sentada em frente ao computador.

Jenn parecia completamente focada naquele momento – mais do que Riley, pelo menos.

Os pensamentos de Riley foram interrompidos pela voz de Bill.

“Atadas a linhas ferroviárias. Quase parece…”

Riley viu que Bill estava a olhar para o seu computador.

Fez uma pausa, mas Jenn concluiu o seu pensamento.

“Parece um daqueles filmes mudos, não é? Sim, eu estava a pensar no mesmo.”

Bill abanou a cabeça.

“Não sei… não paro de pensar num vilão de bigode e chapéu alto a prender a jovem dama à linha do comboio até que um herói corajoso aparece e a salva. Não é sempre isso o que acontece nos filmes mudos?”

Jenn apontou para o ecrã do computador.

Disse, “Na verdade, não é bem assim. Estive a fazer alguma pesquisa sobre isso. Não haja dúvidas de que é um cliché. E toda a gente parece pensar que o viu, como se fosse uma espécie de lenda urbana. Mas parece que nunca apareceu realmente nos filmes mudos.”

Jenn virou o seu computador para que Bill e Riley pudessem ver.

Disse, “O primeiro exemplo de ficção de um vilão a amarrar alguém a uma linha de comboio parece ter aparecido muito antes dos filmes sequer existirem, numa peça de 1867 chamada Under the Gaslight. Só que – vejam isto! – o vilão amarrou um homem à linha e a protagonista teve que o salvar. O mesmo tipo de coisa aconteceu num conto e em algumas outras peças daquele tempo.”

Riley percebeu que Jenn estava realmente entusiasmada com que acabara de descobrir.

Jenn prosseguiu, “No que diz respeito a filmes antigos, há duas comédias mudas nas quais isto acontece – uma dama indefesa é amarrada à linha por um terrível vilão e é salva pelo atraente herói. Mas era para as pessoas se rirem, tal como os desenhos animados de sábado de manhã.”

Os olhos de Bill demonstravam interesse.

“Paródias de algo que não era real,” Disse ele.

“Exatamente,” Disse Jenn.

Bill abanou a cabeça.

Disse, “Mas as locomotivas a vapor faziam parte da vida quotidiana nessa altura – refiro-me às primeiras décadas do século XX. Não houve filmes mudos que retratassem alguém em perigo de ser atropelado por um comboio?”

“Claro,” Disse Jenn. “Às vezes uma personagem era empurrada ou caía nas linhas e talvez caísse inconsciente quando um comboio estava a vir. Mas não é o mesmo cenário, pois não? Para além disso, tal como naquela antiga peça, a personagem do filme em perigo era geralmente um homem que tinha que ser salvo por uma heroína!”

Agora o interesse de Riley estava no auge. Ela sabia que Jenn não estava a perder o seu tempo ao procurar aquele tipo de coisa. Eles precisavam de descobrir o que movia o assassino. Parte disso passava por compreender todos os precedentes culturais de quaisquer cenários com que poderiam lidar – mesmo aqueles que fossem ficcionais.

Ou neste caso, inexistentes, Pensou Riley.

Tudo o que pudesse ter influenciado o assassino tinha interesse.

Pensou por um momento, depois perguntou a Jenn, “Isto quer dizer que nunca ocorreram casos reais de pessoas assassinadas dessa forma?”

“Na verdade, já aconteceu na vida real,” Disse Jenn, apontando para a informação correspondente no seu computador. “Entre 1874 e 1910, pelo menos seis pessoas foram mortas dessa forma. Não consigo encontrar muitos exemplos desde essa época, exceto um muito recente. Em França, um homem amarrou a sua mulher a um carril no dia do seu aniversário. Depois colocou-se à frente do comboio que se aproximava a alta velocidade e morreu juntamente com ela – um homicídio-suicídio. De resto, parece ser uma forma rara de se matar alguém. E nenhuma desses homicídios foi em série.”

Jenn virou o computador novamente para ela e calou-se.

Riley ficou a pensar no que Jenn acabara de dizer…

“… uma forma rara de se matar alguém.”

Riley pensou…

Rara, mas não inédita.

Deu por si a pensar – será que os homicídios que ocorreram entre 1874 e 1910 tinham sido inspirados naquelas antigas peças nas quais as personagens eram atadas a carris? Riley tinha conhecimento de situações em a vida imitava a arte de forma horrível – nas quais os assassinos eram inspirados por telenovelas ou filmes ou jogos de vídeo.

Talvez as coisas não tivessem mudado muito.

Talvez as pessoas não tenham mudado muito.

E o assassino que tentavam apanhar?

Parecia ridículo imaginar que estivessem a perseguir um psicopata que estivesse a imitar um vilão melodramático de bigode que nunca existira, nem sequer nos filmes.

Mas o que estaria a mover este assassino?

A situação era demasiado clara e familiar. Riley e os colegas teriam que responder a essa questão ou mais pessoas seriam mortas.

Riley ficou a observar Jenn a trabalhar no seu computador. Era uma postura encorajadora. De momento, Jenn parecia ter sacudido as suas ansiedades em relação à misteriosa “Tia Cora”.

Mas quanto tempo duraria? Questionou-se Riley.

De qualquer das formas, ver Jenn tão concentrada na pesquisa lembrou a Riley que deveria estar a fazer o mesmo. Nunca trabalhara num caso que envolvesse comboios anteriormente e tinha muito a aprender. Retomou o trabalho no computador.



*



Tal como Meredith tinha dito, Riley e os colegas foram recebidos na pista em O’Hare por dois polícias ferroviários. Todos se apresentaram e Riley e os colegas entraram no seu veículo.

“É melhor despacharmo-nos,” Disse o polícia que se sentara no lugar ao lado do condutor. "Os manda-chuvas ferroviários estão a pressionar o chefe para se remover o corpo dos carris.”

Bill perguntou, “Quanto tempo demoramos até lá?”

O polícia que estava a conduzir disse, “Geralmente uma hora, mas não vamos demorar tanto tempo.”

Ligou as luzes e sirenes, e o carro começou a avançar no meio do trânsito do fim de tarde. Foi uma viagem tensa, caótica e veloz que os levou até à cidade de Barnwell, Illinois. Depois, atravessaram uma passagem de nível.

O polícia que seguia ao lado do condutor apontou.

“Parece que o assassino saiu da estrada junto aos carris num veículo todo-o-terreno. Conduziu ao longo dos carris até chegar ao local onde perpetrou o crime.”

Dali a pouco estacionaram junto a uma zona florestal. Outro veículo da polícia já lá estava estacionado, assim como a carrinha do médico-legista.

A vegetação não era muito densa. Os polícias conduziram Riley e os colegas até aos carris que se encontravam a curta distância.

Só nessa altura surgiu a cena do crime.

Riley engoliu em seco ao contemplar a cena.

De repente, tinham desaparecido as imagens de vilões de bigode e damas em perigo.

Ali estava a realidade – e era demasiado horrível.




CAPÍTULO CINCO


Riley ficou a olhar para o corpo nos carris por um longo momento. Já vira corpos esmagados de várias formas horríficas. Ainda assim, esta vítima apresentava um espetáculo singularmente chocante. A mulher fora decapitada pelas rodas do comboio, uma decapitação que se assemelhava à lâmina de uma guilhotina.

Riley ficou surpreendida pelo facto de o corpo sem cabeça da mulher parecer ileso. A vítima estava firmemente amarrada com fita adesiva, braços e mãos atados de lado e tornozelos juntos. Vestido no que fora um fato atraente, o corpo estava torcido numa posição desesperada. No local onde o pescoço estava cortado, havia sangue espalhado nas pedras esmagadas, na madeira e nos carris. A cabeça tinha sido atirada uns dois metros pelo aterro ao longo da linha. Os olhos e boca da mulher estavam abertos numa expressão de frio horror.

Riley viu várias pessoas a observarem o corpo, algums envergando uniformes, outras não. Riley calculou que eram um misto de polícias locais e polícias dos caminhos-de-ferro. Um homem de uniforme dirigiu-se a Riley e aos seus colegas.

Disse, “Presumo que sejam do FBI. Eu sou Jude Cullen, Chefe da Polícia dos Caminhos-de-Ferro da região de Chicago – chamam-me ‘Bull’ Cullen.”.

Parecia ter orgulho naquela alcunha. Pela pesquisa que fizera, Riley sabia que “Bull” era o calão para um polícia de caminho-de-ferro. Na verdade, na organização da polícia dos caminhos-de-ferro possuíam os títulos de Agente e Agente Especial como no FBI. Este, no entanto, parecia preferir o termo mais genérico.

“A ideia de vocês virem até cá foi minha,” Continuou Cullen. “Espero que a viagem valha a pena. Quanto mais depressa tirarmos o corpo daqui, melhor.”

Enquanto Riley e os colegas se apresentavam, ela observou Cullen com atenção. Ele parecia muito jovem e tinha uma compleição física extremamente musculada com os braços a sobressaírem debaixo da manga curta do uniforme e a camisa bem esticada no peito.

A alcunha “Bull” adequava-se, pensou Riley. Mas Riley nunca se sentia atraída por homens que passavam horas a fio no ginásio para ficarem com aquele aspeto.

Ela questionou-se como é que um homem tão musculado como Bull Cullen tinha tempo para fazer outras coisas. Então reparou que não usava aliança. Partiu do princípio de que a sua vida devia resumir-se ao trabalho e ao ginásio.

Parecia ser boa pessoa e não estar particularmente chocado pela natureza invulgarmente terrível da cena do crime. É claro que já lá se encontrava há algumas horas – o tempo suficiente para se acostumar àquilo. Ainda assim, o homem pareceu a Riley bastante vão e superficial.

Riley perguntou-lhe, “Já identificaram a vítima?”

Bull Cullen anuiu.

“Sim, chama-se Reese Fischer, trinta e cinco anos. Vivia aqui perto em Barnwell onde trabalhava como bibliotecária. Era casada com um quiroprático.”

Riley olhou para os carris. Aquele pedaço era uma curva, por isso não conseguia ver a grande distância em qualquer das direções.

“Onde está o comboio que a atropelou?” Perguntou a Cullen.

Cullen apontou e disse, “Encontra-se a cerca de meio quilómetro daqui, no lugar exato onde parou.”

Riley reparou num homem obeso de uniforme negro ajoelhado ao lado do corpo.

“É o médico-legista?” Perguntou a Cullen.

“Sim, deixe-me apresentar-lhe. Este é o médico-legista de Barnwell, Corey Hammond.”

Riley ajoelhou-se ao lado do homem. Pressentiu que, em contraste com Cullen, Hammond ainda lutava para conter o choque. A respiração era dificultosa – em parte devido ao peso, mas também, suspeitava Riley, devido à repugnância e ao horror. Era mais que certo que nunca tinha visto nada semelhante na sua jurisdição.

“O que nos pode dizer até ao momento?” Perguntou Riley ao médico-legista.

“Não há sinal de abuso sexual,” Disse Hammond. “É consistente com a autópsia do outro médico-legista da vítima de há quatro dias encontrada perto de Allardt.”

Hammond apontou para pedaços esmagados de fita adesiva prateada em redor do pescoço e ombros da mulher.

“O assassino amarrou-lhe as mãos e os pés, depois amarrou-lhe o pescoço ao carril e imobilizou-lhe os ombros. Ela deve ter lutado muito para se tentar libertar. Mas não tinha a mínima hipótese.”

Riley virou-se para Cullen e perguntou, “A boca não estava amordaçada. Alguém a terá ouvido a gritar?”

“Não nos parece,” Disse Cullen, apontando na direção de umas árvores. “Há algumas casas por ali, mas estão fora de alcance auditivo. Dois dos meus homens andaram de porta em porta a perguntar se alguém tinha ouvido alguma coisa. Ninguém ouviu nada. Souberam do ocorrido na televisão ou na internet. Foi-lhes dito para ficarem longe daqui. Até agora, ainda não tivemos qualquer problema com mirones.”

Bill perguntou, “Parecia que alguma coisa lhe tinha sido roubada?”

Cullen encolheu os ombros.

“Não nos parece. Encontrámos a carteira aqui ao lado dela e ainda tinha lá dentro cartão de identificação, dinheiro e cartões de crédito. Ah, e um telemóvel.”

Riley estudou o corpo, tentando imaginar como é que o assassino tinha conseguido colocar a vítima naquela posição. Às vezes conseguia sentir o assassino de forma poderosa simplesmente observando o que a rodeava numa cena de crime. Por vezes quase parecia que conseguia penetrar os seus pensamentos, saber o que lhe ia na mente ao cometer o crime.

Mas não agora.

Estava tudo um pouco confuso por ali com todas aquelas pessoas presentes.

Ela disse, “Ele deve tê-la subjugado de alguma forma antes de a amarrar desta forma. E o outro corpo, a vítima morta anteriormente? O médico-legista local encontrou drogas no sistema?”

“A corrente sanguínea acusou flunitrazepan,” Informou Hammond.

Riley olhou para os colegas. Ela sabia o que era flunitrazepan e sabia que também Bill e Jenn tinham conhecimento do que se tratava. O nome mais conhecido era Rohypnol e era conhecida como sendo uma droga de violação. Era ilegal, mas muito fácil de comprar nas ruas.

E sem dúvida que teria subjugado a vítima, tornando-a indefesa, embora talvez não totalmente inconsciente. Riley sabia que o flunitrazepan tinha um efeito amnésico assim que passasse o efeito. Estremeceu ao perceber…

O efeito pode ter passado aqui – mesmo antes de morrer.

Se fosse esse o caso, a pobre mulher não faria ideia como ou porquê uma coisa tão terrível lhe estava a acontecer.

Bill coçou o queixo ao olhar para o corpo.

Disse, “Então talvez isto tenha começado com um encontro com o assassino a deitar a droga na bebida num bar ou numa festa ou qualquer coisa do género.”

O médico-legista abanou a cabeça.

“Aparentemente não,” Disse ele. “Não havia rasto da droga no estômago da outra vítima. Deve ter-lhe sido ministrada por injeção.”

Jenn disse, “Isso é estranho.”

O Chefe Bull Cullen olhou para Jenn com interesse.

“Porquê?” Perguntou.

Jenn encolheu ligeiramente os ombros.

Disse, “É difícil de imaginar, só por isso. O flunitrazepam não faz efeito imediato, independentemente da forma como é ministrado. Numa situação de encontro com intenção de violar isso não é importante. A vítima talvez tome umas bebidas com o seu atacante durante algum tempo, começa a sentir-se tonta sem saber bem porquê e dali a pouco está indefesa. Mas se o nosso assassino a injetou co uma agulha, ela imediatamente perceberia que algo não estava bem e teria alguns minutos para resistir antes que a droga fizesse efeito. Não parece… muito eficiente.”

Cullen sorriu a Jenn – de forma um pouco insinuante, pensou Riley.

“Faz sentido,” Disse ele. “Deixe-me mostrar-lhe.”

Colocou-se atrás de Jenn que era muito mais baixa do que ele. Começou a tentar alcançar o seu pescoço de trás. Jenn afastou-se.

“Ei, o que é que está a fazer?” Perguntou Jenn.

“Apenas a demonstrar. Não se preocupe, não a vou magoar.”

Jenn brincou e manteve-se longe dele.

“Pode crer que não,” Disse ela. “E tenho a certeza do que tem em mente. Pensa que o assassino usou alguma espécie de método de asfixia.”

“É isso mesmo,” Disse Cullen, ainda a sorrir. “Um tipo de asfixia muito concreta.”

Torceu o braço para mostrar a sua perspetiva.

“O assassino aproximou-se inesperadamente por trás, depois colocou o braço assim à volta do pescoço, impedindo a circulação sanguínea no cérebro. A vítima perdeu os sentidos em poucos segundos. Depois foi fácil para o assassino administrar uma injeção que a deixaria indefesa por um período mais longo.”

Riley pressentiu a fricção entre Cullen e Jenn. Cullen tinha para com Jenn uma atitude simultaneamente condescendente e insinuante.

Era óbvio que Jenn não gostava dele nem um bocadinho e Riley partilhava o sentimento. O homem era sem dúvida superficial com um parco sentido de comportamento apropriado quando se tratava de lidar com uma colega – e um sentido ainda pior de como se comportar numa cena de crime.

Ainda assim, Riley tinha que admitir que a teoria de Cullen era lógica.

Ele até podia ser detestável, mas não era estúpido.

Na verdade, podia ser muito útil trabalhar com ele.

Isto é se aguentarmos estar ao pé dele, Pensou Riley.

Cullen saiu dos carris e apontou para um local onde o solo tinha sido assinalado com fita.

Disse, “Temos vestígios de pneus. São marcas grandes – obviamente provenientes de algum tipo de veículo todo-o-terreno. E aqui também temos pegadas.”

Riley disse, “Tirem fotografias disto. Enviamo-las para Quantico e os nossos técnicos passam-nas pelo crivo da base de dados.”

Cullen ficou com os braços nas ancas por um momento, abarcando a cena com o que pareceu a Riley quase uma sensação de satisfação.

Ele disse, “Devo dizer que esta é uma experiência nova para mim e para os meus homens. Estamos habituados a investigar roubos de carga, vandalismo, colisões e coisas do género. Os homicídios estão longe da nossa zona de conforto. E algo assim – bem, nunca tínhamos visto nada do género. É claro que imagino que não seja nada de especial para vocês. Estão habituados a isto.”

Cullen não obteve resposta e não disse nada durante alguns instantes. Depois olhou para Riley e para os colegas e disse, “Bem, não quero ocupar demasiado do vosso tempo. Dêem-nos apenas um perfil e a minha equipa ocupa-se do resto. Podem regressar a casa ainda hoje, a não ser que queiram passar aqui a noite.”

Riley, Bill e Jenn olharam uns para os outros com surpresa.

Será que ele estava mesmo à espera de que tudo fosse tão rápido?

“Não sei a que é que se está a referir,” Disse Riley.

Cullen encolheu os ombros e disse, “Estou certo que já têm um perfil por esta altura. Afinal, é para isso que estão aqui. O que é que me podem dizer?”

Riley hesitou durante um momento.

Depois disse, “Podemos dar-lhe algumas generalizações. Estatisticamente a maioria dos assassinos que deixa um corpo na cena do crime tem registo criminal. Mais de metade têm idades compreendidas entre os quinze e os trinta e sete anos – e mais de metade são Afro-Americanos, empregados pelo menos em part-time e têm formação escolar pelo menos ao nível do secundário. Alguns desses assassinos já tiveram problemas psiquiátricos e alguns passaram pelo serviço militar. Mas… “

Riley hesitou.

“Mas o quê?” Perguntou Cullen.

“Tente compreender – nada disto é informação realmente útil, pelo menos nesta altura. Há sempre exceções. E o nosso assassino já me parece uma. Por exemplo, o tipo de assassino de que estamos a falar geralmente tem alguma espécie de motivação sexual. Mas aqui não parece ser o caso. O meu palpite é que ele não é típico em muitas questões. Talvez não seja típico em nada. Ainda temos muito trabalho a fazer.”

Pela primeira vez desde que tinham chegado, a expressão de Cullen ficou mais sombria.

Riley acrescentou, “E quero que o telemóvel dela vá já para Quantico. E o telemóvel da outra vítima também. Os nossos técnicos precisam de ver se conseguem retirar alguma informação deles.”

Antes que Cullen tivesse oportunidade de responder, o seu telemóvel tocou.

Disse, “Já sei quem é. É o administrador do caminho-de-ferro a querer saber se pode fazer circular os comboios. A linha tem três comboios de carga apinhados e um comboio de passageiros atrasados. Há um maquinista pronto para retirar da linha o comboio que está parado. Já podemos remover o corpo?”

Riley anuiu e disse ao médico-legista, ”Pode levá-la.”

Cullen virou-se e atendeu a chamada enquanto o médico-legista reuniu o seu pessoal para removerem o corpo.

Quando Cullen desligou a chamada, parecia estar com uma disposição amarga.

Disse a Riley e aos colegas, “Então parece que vão ficar por cá durante algum tempo.”

Riley pensou compreender o que o estava a incomodar. Cullen estava ansioso por resolver um caso sensacional e não esperava que o FBI lhe retirasse esse mérito.

Riley disse, “Olhe, estamos aqui a seu pedido. Mas penso que vai precisar de nós – por mais algum tempo.”

Cullen abanou a cabeça.

Então disse, “Bem, o melhor é irmos para a esquadra de Barnwell. Temos uma coisa bem desagradável para tratar lá.”

Sem dizer mais uma palavra, virou-se e afastou-se.

Riley interrogou-se…

Mais desagradável do que isto?

Estava confusa enquanto ela e os colegas seguiam Cullen.




CAPÍTULO SEIS


Jenn Roston estava e pulgas quando se virou para seguir os colegas. Caminhou atrás de Riley e Bill enquanto o Chefe Cullen os conduzia até aos veículos estacionados.

“Bull” Cullen, chama-se a si próprio, Lembrou-se com desdém.

Estava contente por ter duas pessoas entre ela e aquele homem.

Não parava de pensar…

Tentou demonstrar como se asfixiava alguém em mim!

Duvidava que estivesse à procura de uma desculpa para a apalpar. Mas não havia dúvida que estava à procura de uma oportunidade para mostrar controlo físico sobre ela. Já era suficientemente mau que tentasse mostrar de forma condescendente a asfixia e os seus efeitos nela – como se ela não o soubesse.

Pensou que ambos tinham tido sorte que Cullen não tivesse chegado a colocar-lhe o braço à volta do pescoço. Poderia não ter conseguido controlar-se. Apesar do homem ser ridiculamente musculado, o mais certo era não lhe ter dado hipótese. É claro que isso teria sido inconveniente numa cena de crime e não teria contribuído para promover as boas relações entre investigadores. Por isso Jenn estava satisfeita por as coisas não se terem descontrolado.

Para além de tudo, agora Cullen parecia estar aborrecido por Jenn e os colegas ainda não se irem embora para ele ficar com a glória da resolução do caso.

Azar, imbecil, Pensou Jenn.

O grupo entrou na carrinha da polícia com Cullen. O homem não disse nada enquanto conduzia até à esquadra e os companheiros do FBI também permaneceram calados. Calculou que eles, tal como ela, estavam a pensar na cena de crime aterradora e no comentário de Cullen sobre ter algo “desagradável para tratar” na esquadra.

Jenn odiava enigmas, talvez porque a Tia Cora era críptica e ameaçadora tão frequentemente nas suas tentativas de manipulação. E também odiava viver com a sensação de que algo no seu passado podia destruir a realização do seu sonho de se tornar numa agente do FBI.

Quando Cullen estacionou a carrinha em frente à esquadra, Jenn e os colegas saíram e seguiram-no até ao interior da mesma. Lá dentro, Cullen apresentou-os ao Chefe da Polícia de Barnwell, Lucas Powell, um homem de meia-idade com um queixo flácido.

“Venham comigo,” Disse Powell. “Tenho os homens aqui. O meu pessoal e eu não sabemos como lidar com este tipo de coisa.”

Homens? Perguntou-se Jenn.

E a que tipo de “coisa” se referia?

O Chefe Lucas Powell conduziu Jenn e os colegas, e Cullen até à sala de interrogatório da esquadra. Lá dentro estavam dois homens sentados na mesa, ambos usando coletes amarelos florescentes. Um era elegante e alto, um homem mais velho mas com um aspeto vigoroso. O outro tinha a altura de Jenn e não devia ser muito mais velho do que ela.

Estavam a beber café e a olhar para a mesa.

Powell apresentou primeiro o homem mais velho e depois o mais jovem.

“Este é Arlo Stine, o maquinista. E este é Everett Boynton, o ajudante. Quando o comboio parou, foram eles que encontraram o corpo.”

Os dois homens mal olhavam para o grupo.

Jenn engoliu em seco. Com certeza que estariam terrivelmente traumatizados.

Não havia dúvidas de que havia algo muito desagradável com que lidar ali.

Falar com aqueles homens não ia ser fácil. E para tornar tudo pior, não era provável que soubessem algo que os conduzisse ao assassino.

Riley sentou-se à mesa com os homens e falou num tom de voz suave.

“Lamento que tenham passado por isto. Como se estão a aguentar?”

O homem mais velho, o maquinista, encolheu os ombros ligeiramente.

“Vou ficar bem,” Disse ele. “Acredite ou não, já vi isto antes. Pessoas mortas nos carris, quero dizer. Vi corpos bem mais maltratados. Não que uma pessoa se habitue, mas…”

Stine acenou na direção do ajudante e acrescentou, “Mas aqui o Everett nunca tinha passado por isto antes.”

O homem mais jovem levantou a cabeça.

“Eu fico bem,” Disse ele com um aceno inseguro, obviamente tentando aparentar algo que não correspondia à realidade.

Riley disse, “Peço desculpa por perguntar isto – mas viram a vítima antes de…?”

Boynton estremeceu e não disse nada.

Stine disse, “Apenas um relance, mais nada. Estávamos ambos na cabine. Mas eu estava no rádio a fazer uma chamada de rotina para a próxima estação e Everett fazia cálculos para a curva que íamos fazer. Quando o engenheiro começou a travar e a apitar, olhámos e vimos… algo, não sabíamos ao certo o quê.”

Stine parou, depois acrescentou, “Mas sabíamos o que tinha acontecido quando caminhámos até ao local para ver.”

Jenn revia mentalmente alguma da pesquisa que tinha feito no voo. Ela sabia que a tripulação de um comboio de carga era pequena. Ainda assim, parecia faltar uma pessoa.

“Onde está o engenheiro?” Perguntou ela.

“Está numa cela.”

Jenn ficou estupefacta.

Mas que raio se estava a passar ali?

“Colocaram-no numa cela?” Perguntou ela.

Powell disse, “Não tivemos grande escolha.”

O maquinista acrescentou, “Pobre homem – não fala com ninguém. As únicas palavras que disse desde o sucedido foram ‘Prendam-me’. Não parava de o dizer.”

O chefe da polícia local disse, “Então foi o que acabámos por fazer. Parecia o melhor a fazer por agora.”

Jenn sentiu a fúria a apoderar-se dela.

Perguntou, “Não trouxeram um terapeuta para falar com ele?”

O chefe dos caminhos-de-fero disse, “Solicitámos que um psicólogo da empresa viesse de Chicago. São as regras do Sindicato. Não sabemos se vai aparecer.”

Riley estava alarmada.

“Com certeza que o engenheiro não se responsabiliza pelo que aconteceu,” Disse ela.

O maquinista pareceu surpreendido.

“É claro que que sim,” Disse ele. “Não foi culpa dele, mas não o consegue evitar. Era o homem que ia nos comandos. Foi quem se sentiu mais indefeso. Está a devorá-lo. Detesto que ele se tenha fechado desta fora. Tentei falar com ele, mas ele nem e olhava nos olhos. Não devíamos estar à espera que aparecesse um psiquiatra dos caminhos-de-ferro. Alguém devia estar a fazer alguma coisa agora. Um bom engenheiro como ele merece mais.”

Jenn estava no seu limite.

Disse a Cullen, “Bem, não podem deixá-lo naquela cela sozinho. Não quero saber se ele insiste que quer estar sozinho. Não é bom para ele. Alguém precisa de estar lá com ele.”

Todos na sala olharam para ela.

Jenn hesitou, depois disse, “Levem-me à cela. Quero vê-lo.”

Riley olhou para ela e disse, “Jenn, não sei se é boa ideia.”

Mas Jenn ignorou-a.

“Como é que ele se chama?” Perguntou Jenn aos maquinistas.

Boynton disse, “Brock Putna.”

“Levem-me a ele,” Insistiu Jenn. “Agora mesmo.”

O chefe Powell conduziu Jenn pelo corredor. Ao caminharem, Jenn questionou-se se Riley teria razão.

Talvez não seja uma boa ideia.

Afinal de contas, ela sabia que a empatia não era o seu forte enquanto agente. Ela tendia a ser brusca e franca, mesmo quando era necessário um toque mais suave. Era certo que não possuía a habilidade de Riley para demonstrar compaixão nos momentos apropriados. E se a própria Riley não se sentisse à altura da tarefa? Porque é que Jenn decidira agir?

Mas não conseguia parar de pensar…

Alguém tem que falar com ele.

Powell conduziu-a à fila de celas, todas co portas sólidas e janelas minúsculas.

Ele perguntou, “Quer que entre consigo?”

“Não,” Disse Jenn. “É melhor fazê-lo sozinha.”

Powell abriu a porta de uma das celas e Jenn entrou. Powell deixou a porta aberta mas afastou-se.

Um homem com trinta e poucos anos estava sentado à beira da cama, a olhar diretamente para a parede. Usava uma t-shirt normal e um boné de beisebol virado ao contrário.

À porta da cela, Jenn disse num tom de voz suave…

“Senhor Putnam? Brock? Chamo-me Jenn Roston e sou do FBI. Lamento muito o sucedido. Quer… conversar?”

Putnam não mostrou sequer ouvi-la.

Parecia especialmente determinado em não olhar para ela – nem para mais ninguém, Jenn tinha a certeza.

E pela pesquisa que fizera no voo, Jenn sabia exatamente porque é que ele se sentia daquela forma.

Ela engoliu com dificuldade ao sentir um nó de ansiedade formar-se na garganta.

Aquilo ia ser muito mais complicado do que ela imaginara.




CAPÍTULO SETE


Riley manteve desconfortavelmente o olho na porta depois de Jenn sair. Enquanto Bill fazia perguntas ao maquinista e ao ajudante, ela pensava e como Jenn se estaria a sair co o engenheiro.

Ela tinha a certeza que o homem estava a passar um mau bocado. Não lhe agradava a ideia de esperar muito mais tempo pelo psicólogo dos caminhos-de-ferro – possivelmente alguém subserviente mais preocupado com o bem-estar da empresa do que com o do engenheiro. Mas que mais podiam fazer?

E será que a jovem agente só iria dificultar as coisas ao homem? Riley nunca vira nenhum sinal de que Jenn fosse especialmente habilidosa em lidar com pessoas.

Se Jenn transtornasse ainda mais o homem, como é que isso afetaria a sua própria moral? Ela já colocara a hipótese de deixar o FBI devido às pressões de uma antiga mãe adotiva criminosa.

Apesar das suas preocupações, Riley conseguiu ouvir o que era dito na sala.

Bill disse a Stine, “Disse que já viu coisas semelhantes anteriormente. Refere-se a homicídios em linhas de comboio?”

“Oh, não,” Disse Stine. “Homicídios como este são muito raros. Mas há pessoas que morrem nas linhas – isso é muito mais comum do que possa pensar. Há várias centenas de vítimas por ano, algumas são apenas acidentes, mas muitos são suicídios. No nosso ramo chamamos-lhes ‘intrusos’”.

O homem mais jovem contorcia-se na cadeira desconfortavelmente e disse, “Não quero voltar a ver nada semelhante outra vez. Mas pelo que o Arlo me diz… bem, parece que é parte do trabalho.”

Bill disse ao maquinista, “Tem a certeza de que não havia nada que o engenheiro pudesse ter feito para evitar a tragédia?”

Arlo Stine abanou a cabeça.

“Certeza absoluta. Ele já tinha abrandado o comboio para trinta e cinco quilómetros por hora devido à curva. Mesmo assim, não havia forma de parar uma locomotiva a diesel com dez carruagens de carga de forma suficientemente rápida para salvar aquela mulher. Não é possível quebrar as leis da física e parar vários milhares de toneladas de aço em movimento num ápice. Deixe-me explicar-lhe…”

O maquinista começou a falar sobre a mecânica da travagem. Era conversa muito técnica e sem grande interesse para Riley ou Bill. Mas Riley sabia que o melhor era deixar Stine continuar a falar – para seu próprio bem.

Entretanto, Riley deu por si a olhar para a porta, questionando-se como é que Jenn se estaria a dar com o engenheiro.



*



Jenn ficou ao lado da cama olhando ansiosamente para as costas de Brock Putnam enquanto ele olhava silenciosamente para a parede.

Agora que estava na presença do homem, descobriu que não fazia ideia do que fazer ou dizer a seguir.

Mas pela pesquisa que fizera no avião, percebeu porque é que ele era incapaz de olhar para quem quer que fosse naquele momento. Estava traumatizado por um detalhe que frequentemente assombrava os engenheiros que tinham passado pelo que ele estava a passar.

Há alguns momentos, o maquinista dissera que ele e o seu ajudante apenas tinham avistado a vítima de relance antes de morrer.

Ele vira algo verdadeiramente horrífico da janela da cabina – algo que nenhum ser humano inocente merecia ver.

Ajudá-lo-ia dizê-lo em voz alta?

Não sou psiquiatra, Fez questão de lembrar a si própria.

Ainda assim, sentia-se cada vez mais ansiosa.

Devagar e cautelosamente, Jenn disse…

“Penso que sei o que viu,” Disse ela. “Pode falar comigo se quiser.”

Depois de uma pausa, ela acrescentou…

“Mas só se quiser.”

Seguiu-se um silêncio.

Parece que não quer, Pensou Jenn.

Quando se preparava para se ir embora, o homem disse num sussurro quase inaudível…

“Eu morri ali.”

Aquelas palavras arrepiaram Jenn.

Mais uma vez, interrogou-se se devia estar ali a fazer aquilo.

Não disse nada. Calculou que era melhor esperar e ver se o homem queria dizer mais alguma coisa. Ela esperou alguns minutos, quase esperando que o homem permanecesse calado para ela poder sair silenciosamente.

Então ele disse…

“Eu vi a acontecer. Eu estava a olhar… um espelho.”

Fez uma pausa e depois acrescentou…

“Vi-me a mim mesmo morrer. Por isso porquê… porque é que estou aqui?”

Jenn engoliu em seco.

Sim, o que lhe acontecera era o tipo de situação de que lera no avião. Centenas de pessoas morrem em linhas de caminho-de-ferro todos os anos. E com demasiada frequência, os engenheiros passam por um momento inimaginavelmente horrífico.

Eles olham nos olhos da pessoa que está prestes a morrer.

O que acontecera também a Brock Putnam. A razão pela qual não conseguia olhar para ninguém era porque o fazia reviver a situação outra vez. E a sua identificação com a pobre mulher corroía-o por dentro. Ele estava a tentar lidar com aquilo, negando que outra pessoa tivesse morrido. Estava a tentar convencer-se a si próprio de que ele – e apenas ele – estava morto.

Jenn falou ainda mais cautelosamente do que antes.

“Você não morreu. Não estava a olhar para um espelho. Outra pessoa morreu. E a culpa não foi sua. Não havia forma de evitar que aquilo acontecesse. Você sabe isso – mesmo que tenha dificuldade em aceitá-lo. A culpa não foi sua.”

O homem continuou a não encará-la. Mas libertou um soluço.

Jenn ficou momentaneamente alarmada. Será que o tinha levado ao limite?

Não, Pensou.

Tinha a sensação de que aquilo era bom, que era necessário.

Os ombros do homem começaram a estremecer ligeiramente enquanto continuava a chorar.

Jenn tocou-lhe no ombro.

Disse, “Brock, pode fazer-me um favor? Só quero que olhe para mim.”

Os seus ombros pararam de estremecer e o choro desvaneceu.

Então, muito lentamente, ele virou-se e olhou para Jenn.

Os seus olhos azuis e grandes transbordavam de lágrimas – e olhavam diretamente para os olhos de Jenn.

Jenn teve que conter as lágrimas.

De repente percebeu que nunca experimentara aquele tipo de interação com outra pessoa, pelo menos profissionalmente.

Engoliu em seco e disse, “Não está a olhar para um espelho agora. Está a olhar para mim. Está a olhar para os meus olhos. E está vivo. Tem todo o direito em estar vivo.”

Brock Putnam abriu a boca para falar, mas não conseguiu.

Em vez disso, abanou a cabeça.

Jenn ficou aliviada.

Consegui, Pensou. Trouxe-o de volta.

Depois ela disse, “Mas merece algo mais. Merece saber quem fez esta coisa terrível – não apenas àquela pobre mulher, mas a si. E merece justiça. Merece saber que ele nunca mais fará algo igual. Prometo – terá justiça. Vou certificar-me disso.”

Ele assentiu novamente com um ligeiro sorriso.

Ela sorriu e disse, “Agora vamos sair daqui. Tem ali dois colegas preocupados consigo. Vamos ter com eles.”

Ambos se levantaram da cama. Saíram da cela onde o Chefe Powell estava à espera. Powell ficou estupefacto com a mudança de comportamento de Putnam. Dirigiram-se à sala de interrogatório e entraram. Riley, Bill e Cullen ainda lá etavam, assim como os dois maquinistas.

Stine e Boynton ficaram espantados por um momento, depois levantaram-se e trocaram abraços emocionados com Brock Putnam. Todos se sentaram à mesa e começaram a conversar.

Jenn olhou para o chefe dos caminhos-de-ferro severamente e disse, “Faça o que tiver que fazer, mas traga aquele psicólogo dos caminhos-de-ferro para cá imediatamente.”

Então, virando-se para o chefe da polícia local disse, “Vá buscar um café para este homem.”

Powell anuiu e saiu da sala.

Riley perguntou a Jenn à parte, “Achas que vai conseguir voltar a trabalhar?”

Jenn pensou por um momento e disse, “Duvido.”

Riley assentiu e disse, “Provavelmente lutará com isto para o resto da vida. É horrível ter que viver com uma coisa destas.”

Riley sorriu e acrescentou, “Fizeste um excelente trabalho.”

Jenn sentiu-se agradecida pelo comentário de Riley.

Lembrou-se de como é que o seu dia tinha começado – como a sua comunicação com a Tia Cora a tinha deixado a sentir-se inadequada e indigna.

Talvez afinal tenha alguma utilidade, Pensou.

No final de contas, ela sempre soubera que a empatia era uma qualidade que lhe faltava e precisava de ser cultivada. E agora por fim, parecia ter dado alguns passos no sentido de se tornar numa agente mais empática.

Também se sentiu bem com a promessa que fizera a Brock Putnam:

“Prometo – vai ter justiça. Vou-me certificar disso.”

Estava satisfeita por tê-lo dito. Agora era estava empenhada nisso.

Não o vou desiludir, Pensou.

Entretanto, os dois maquinistas e o engenheiro continuavam a conversar tranquilamente, relembrando a horrível experiência por que tinham passado, mas que tinha sido especialmente terrível para Putnam.

De repente, a porta da sala abriu-se e o Chefe Powell olhou lá para dentro.

Disse a Cullen e aos agentes do FBI, “É melhor virem comigo. Acabou de aparecer uma testemunha.”

Jenn sentiu entusiasmo ao seguir Cullen pelo corredor.

Estariam prestes a obter as revelações que precisavam?




CAPÍTULO OITO


Enquanto Riley seguia Powell pelo corredor juntamente com os outros agentes do FBI e Bull Cullen, interrogou-se…

Uma testemunha? Será que vamos ter uma pista tão rapidamente?

Anos de experiência diziam-lhe que não era provável.

Ainda assim, não conseguia evitar esperar que desta vez fosse diferente. Seria fantástico resolver o caso antes que mais alguém fosse morto.

Quando o grupo chegou a uma pequena sala de reuniões, uma mulher robusta na casa dos cinquenta anos andava de um lado para o outro lá dentro. Usava maquilhagem pesada e o cabelo era de um louro pouco natural.

Apressou-se na sua direção. “Oh, isto é horrível,” Disse ela. “Eu vi a foto dela nas notícias há pouco e reconhecia-a de imediato. Que morte horrível. Mas tive um pressentimento a seu respeito – um mau pressentimento. Podem chamar de premonição.”

Riley ficou algo desiludida.

Geralmente não era um bom sinal quando uma testemunha começava a falar de “premonições”.

Bill conduziu a mulher a uma cadeira.

“Sente-se, minha senhora,” Disse ele. “Tenha calma e vamos começar do início. Como se chama?”

A mulher sentou-se, mas estava inquieta.

Bill sentou-se numa cadeira próxima, virando-se um pouco para falar com ela. Riley, Jenn e os outros também se sentaram na mesa da sala de reuniões.




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