Banido Blake Pierce “Uma obra-prima de thriller e mistério! O autor fez um trabalho magnífico no desenvolvimento das personagens com um lado psicológico tão bem trabalhado que temos a sensação de estar dentro das suas mentes, sentindo os seus medos e aplaudindo os seus sucessos. A história é muito inteligente e mantém-nos interessados durante todo o livro. Pleno de reviravoltas, este livro obriga-nos a ficar acordados até à última página.”--Books and Movie Reviews, Roberto Mattos (re Sem Pistas)BANIDO é o livro #15 da série de mistério de Riley Paige que começou com o bestseller SEM PISTAS (Livro #1) – um livro que pode descarregar gratuitamente com mais de 1000 opiniões de cinco estrelas!Quando um assassino em série ataca em várias cidades e a única testemunha não consegue falar, chega o momento de entrar em ação a Agente Especial Riley Paige do FBI para entrar na mente desse homem complexo e para descobrir o que ele poderá saber.O que é que essas vítimas têm em comum? O que é que esse homem testemunhou?Nesse thriller psicológico de suspense, Riley Paige tem que combater seus próprios demônios ao ser convocada para resolver um crime difícil de resolver, um crime que a obrigará a entrar em profundidade na mente de um psicopata…Um thriller pleno de ação com suspense de cortar a respiração, BANIDO é o livro #15 de uma nova série alucinante – com uma inesquecível nova personagem – que o obrigará a não largar o livro até o terminar.O Livro #16 da série de Riley Paige estará disponível em breve. banido (UM MISTÉRIO DE RILEY PAIGE—LIVRO 15) B L A K E P I E R C E Blake Pierce Blake Pierce é a autora da série bestselling um mistério de RILEY PAGE, composta por quinze livros (a continuar). Blake Pierce é também a autora da série um mistério de MACKENZIE WHITE, composta por nove livros (a continuar); da série um mistério de AVERY BLACK, composta por seis livros; da série um mistério de KERI LOCKE, composta por cinco livros; da série um mistério dos PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE, composta por três livros (a continuar); da série um mistério de KATE WISE, composta por dois livros (a continuar); da série um thriller psicológico de CHLOE FINE, composta por três livros (a continuar); série um thriller psicológico de JESSIE HUNT, composta por três livros (a continuar). Uma leitora ávida e uma fã desde sempre dos géneros de mistério e thriller, Blake adora ouvir sua opinião, pelo que, por favor, sinta-se à vontade para visitar www.blakepierceauthor.com (http://www.blakepierceauthor.com) para saber mais e para se manter em contacto. Copyright© 2019 Blake Pierce. Todos os direitos reservados. Exceto como permitido sob o Copyright Act dos Estados Unidos de 1976, nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida por qualquer forma ou meios, ou armazenada numa base de dados ou sistema de recuperação sem a autorização prévia do autor. Este ebook está licenciado apenas para seu usufruto pessoal. Este ebook não pode ser revendido ou dado a outras pessoas. Se gostava de partilhar este ebook com outra pessoa, por favor compre uma cópia para cada recipiente. Se está a ler este livro e não o comprou ou não foi comprado apenas para seu uso, por favor devolva-o e compre a sua cópia. Obrigado por respeitar o trabalho árduo deste autor. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, empresas, organizações, locais, eventos e incidentes ou são o produto da imaginação do autor ou usados ficcionalmente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou falecidas, é uma coincidência. Jacket image Copyright sahachatz (https://www.shutterstock.com/g/anurukperai) usado sob licença de Shutterstock.com. LIVROS DE BLAKE PIERCE SÉRIE UM THRILLER PSICOLÓGICO DE JESSIE HUNT A ESPOSA PERFEITA (Livro #1) O PRÉDIO PERFEITO (Livro #2) A CASA PERFEITA (Livro #3) O SORRISO PERFEITO (Livro #4) SÉRIE UM MISTÉRIO PSICOLÓGICO DE CHLOE FINE A PRÓXIMA PORTA (Livro #1) A MENTIRA MORA AO LADO (Livro #2) BECO SEM SAÍDA (Livro #3) VIZINHO SILENCIOSO (Livro #4) VOLTANDO PRA CASA (Livro #5) SÉRIE UM MISTÉRIO DE KATE WISE SE ELA SOUBESSE (Livro #1) SE ELA VISSE (Livro #2) SE ELA CORRESSE (Livro #3) SÉRIE OS PRIMÓRDIOS DE RILEY PAIGE ALVOS A ABATER (Livro #1) À ESPERA (Livro #2) A CORDA DO DIABO (Livro #3) AMEAÇA NA ESTRADA (Livro #4) SÉRIE UM MISTÉRIO DE RILEY PAIGE SEM PISTAS (Livro #1) ACORRENTADAS (Livro #2) ARREBATADAS (Livro #3) ATRAÍDAS (Livro #4) PERSEGUIDA (Livro #5) A CARÍCIA DA MORTE (Livro #6) COBIÇADAS (Livro #7) ESQUECIDAS (Livro #8) ABATIDOS (Livro #9) PERDIDAS (Livro #10) ENTERRADOS (Livro #11) DESPEDAÇADAS (Livro #12) SEM SAÍDA (Livro #13) ADORMECIDO (Livro #14) SÉRIE UM ENIGMA DE MACKENZIE WHITE ANTES QUE ELE MATE (Livro #1) ANTES QUE ELE VEJA (Livro #2) ANTES QUE ELE COBICE (Livro #3) ANTES QUE ELE LEVE (Livro #4) ANTES QUE ELE PRECISE (Livro #5) ANTES QUE ELE SINTA (Livro #6) ANTES QUE ELE PEQUE (Livro #7) ANTES QUE ELE CACE (Livro #8) SÉRIE UM MISTÉRIO DE AVERY BLACK RAZÃO PARA MATAR (Livro #1) RAZÃO PARA CORRER (Livro #2) RAZÃO PARA SE ESCONDER (Livro #3) RAZÃO PARA TEMER (Livro #4) RAZÃO PARA SALVAR (Livro #5) RAZÃO PARA SE APAVORAR (Livro #6) SÉRIE UM MISTÉRIO DE KERI LOCKE RASTRO DE MORTE (Livro #1) RASTRO DE UM ASSASSINO (Livro #2) UM RASTRO DE IMORALIDADE (Livro #3) UM RASTRO DE CRIMINALIDADE (Livro #4) UM RASTRO DE ESPERANÇA (Livro #5) ÍNDICE PRÓLOGO (#uc89678a6-fd35-5f16-97bf-61b9f8f778f9) CAPÍTULO UM (#u41d17edc-05d8-50e9-bf69-47e79295af7f) CAPÍTULO DOIS (#u5374ebe8-4183-537d-9d5b-859bd7ad1b38) CAPÍTULO TRÊS (#ubea54fb1-bcfe-544f-bbab-04a26592956c) CAPÍTULO QUATRO (#u18b71759-0775-5cf7-bc9d-dec2a1db6f84) CAPÍTULO CINCO (#uf92cb8c9-d8e4-5b63-9bf0-c488ca6a8d2e) CAPÍTULO SEIS (#u024b8d18-b856-5cfb-b19b-870d0cb1f9f5) CAPÍTULO SETE (#uad25a04e-b339-5e6f-b174-24faa449a2f4) CAPÍTULO OITO (#u126ecd38-718b-59b6-b9e3-565f50cb402c) CAPÍTULO NOVE (#u5f9d82ac-6db3-517e-8eb2-ef3656577bd1) CAPÍTULO DEZ (#litres_trial_promo) CAPÍTULO ONZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DOZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TREZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO CATORZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO QUINZE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZASSEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZASSETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZOITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO DEZANOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E UM (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E DOIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E TRÊS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E QUATRO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E CINCO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E SEIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E SETE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E OITO (#litres_trial_promo) CAPÍTULO VINTE E NOVE (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E UM (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E DOIS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E TRÊS (#litres_trial_promo) CAPÍTULO TRINTA E QUATRO (#litres_trial_promo) PRÓLOGO Os olhos de Robin se abriram. Estava deitada e bem acordada em sua cama. Primeiro pensou que tinha sido despertada por um barulho vindo de algum lugar em sua pequena casa. Vidro quebrando? Mas ao ficar escutando por um momento, não ouviu nada além do ronco reconfortante da fornalha na cave. Certamente apenas imaginara o som. Nada de preocupante, Pensou. Mas quando ela se virou para tentar voltar a dormir, sentiu uma dor súbita e aguda na perna esquerda. Isso novamente, Robin pensou com um suspiro. Ligou a lâmpada na mesa de cabeceira e afastou as cobertas. Ela não se sentiu mais surpresa ao ver que não tinha perna esquerda. Já se acostumara com isso meses atrás. A perna havia sido amputada acima do joelho depois que seus ossos tinham sido esmagados até a polpa em um terrível acidente de carro no ano anterior. Mas a dor era muito real - um aglomerado de sensações latejantes, dolorosas e ardentes. Ela se sentou na cama e olhou para o coto sob a camisola de dormir. Ela sofria de dor do membro fantasma assim desde a amputação, principalmente à noite, quando estava tentando dormir. Olhou para o relógio na mesa de cabeceira e viu que eram quatro horas da madrugada. Soltou um gemido de desânimo. Já tinha sido muitas vezes despertada pela dor a essa hora ou mais cedo, e ela sabia que não havia chance de voltar a dormir enquanto aquela sensação a atormentasse. Ela considerou pegar sua caixa de espelho, um dispositivo de terapia que muitas vezes a ajudava em episódios como esse. Envolvia colocar o coto no final de uma longa caixa em forma de prisma com um espelho de um lado, de modo que a perna que lhe restava fizesse um reflexo. A caixa de espelho criava a ilusão de que ela ainda tinha as duas pernas. Era uma técnica estranha, mas eficaz, para diminuir ou mesmo se livrar da dor fantasma. Ela observava o reflexo enquanto manipulava a perna que restava, apertando e abrindo os músculos dos pés, dos dedos e da barriga das pernas, enquanto enganava o cérebro a acreditar que ainda tinha as duas pernas. Imaginando que ela estava controlando a perna que faltava, podia muitas vezes trabalhar a dor e as cãibras que sentia ali. Mas nem sempre funcionava. Requeria um nível de concentração meditativa que nem sempre conseguia atingir. E ela sabia por experiência que tinha poucas chances de sucesso logo depois de acordar nas primeiras horas da manhã. Mais vale levantar-me e fazer alguma coisa, Pensou. Considerou colocar a perna protética que mantinha ao lado de sua cama. Isso significaria esticar um forro de gel de nylon sobre o coto, puxar algumas meias sobre o forro para compensar o encolhimento do coto, depois prender a prótese no lugar, colocar o peso nela até que encaixasse. Mal parecia valer a pena naquele momento - especialmente se tivesse sorte e a dor desaparecesse sozinha e ela pudesse voltar para a cama e dormir mais um pouco. Em vez disso, vestiu o roupão de banho, pegou as muletas, enfiou os pulsos nos apoios e segurou as manoplas, depois saiu mancando do quarto para a cozinha. Uma pilha de papéis a esperava na mesa com tampo de fórmica. Ela trouxera para casa um enorme pacote de poemas e contos para ler - inscrições para a Sea Surge, a revista literária na qual trabalhava como editora assistente. Tinha lido mais de metade das peças na noite anterior, antes de ir para a cama, selecionando apenas algumas que poderiam ser dignas de publicação, deixando muitas outros de lado para serem rejeitadas. Agora folheava um lote de cinco poemas especialmente ruins de um escritor notavelmente sem talento, o tipo de verso de cartão de felicidades que a revista muitas vezes recebia. Ela riu um pouco enquanto colocava os poemas na pilha de rejeição. O próximo lote era completamente diferente, mas também típico do tipo de coisa que frequentemente tinha que avaliar. Aqueles poemas imediatamente lhe pareceram secos, sem nervo, obscuros e pretensiosos. Enquanto tentava entendê-los, sua mente começou a divagar e se viu pensando em como acabara morando sozinha naquela pequena mas confortável casa alugada. Era triste lembrar como o casamento tinha terminado no começo do ano. Logo após o acidente e a amputação, seu marido, Duane, foi atencioso, carinhoso e solidário. Mas com o passar do tempo, tornou-se cada vez mais distante até que praticamente parou de lhe mostrar qualquer intimidade ou afeição. Embora Duane não admitisse, Robin percebeu que ele simplesmente não a achava mais atraente fisicamente. Ela suspirou quando se lembrou do quanto estavam apaixonados durante os primeiros quatro anos de casamento. Sua garganta apertou quando se perguntou se alguma vez voltaria a experimentar esse tipo de felicidade. Mas sabia que ainda era uma mulher atraente, charmosa e inteligente. Certamente havia um homem maravilhoso lá fora que a veria como uma pessoa inteira, não meramente como uma amputada. Ainda assim, a superficialidade do amor de Duane por ela tinha sido um golpe na sua autoconfiança e fé nos homens em geral. Era difícil não se sentir amargurada em relação ao ex-marido. Lembrou a si mesma como sempre fazia... Ele fez o melhor que pôde. Pelo menos o divórcio fora amigável e eles continuaram amigos. Ouviu um som familiar vindo do exterior - o caminhão de lixo que se aproximava. Sorriu enquanto ansiava por um pequeno ritual que desenvolvera em tais manhãs sem dormir. Levantou-se da mesa, colocou as muletas, andou até a janela da sala e abriu as cortinas. O caminhão estava estacionando na frente de sua própria casa agora e o enorme braço robótico preso no caixote, levantou-o e despejou seu conteúdo no caminhão. E a caminhar ao lado do caminhão estava um jovem estranho. Como sempre, Robin notou algo carinhosamente sincero nele enquanto seguia o caminhão em seu caminho, olhando atentamente em todas as direções como se estivesse mantendo algum tipo de vigilância. Ela imaginou que ele deveria trabalhar para o departamento de saneamento da cidade, embora não tivesse certeza de qual seria o seu trabalho. Ele não parecia ter nada para fazer além de caminhar e garantir que a grande máquina fazia seu trabalho e não derrubava nenhum pedaço de lixo perdido. Como sempre fazia quando o via na rua iluminada, sorria, tirava um braço do punho e acenava para ele. Ele olhou diretamente para ela, como sempre fazia. Ela achou estranho que ele nunca acenasse de volta, apenas ficou lá com os braços inertes devolvendo seu olhar. Mas daquela vez fez algo que nunca tinha feito antes. Ele levantou o braço e apontou na direção dela. Para onde está apontando? Perguntou-se. Então ela sentiu um calafrio quando se lembrou do momento em que acordou... Eu pensei ter ouvido um som. Ela pensou que poderia ser vidro quebrado. E naquele momento percebeu... Ele está apontando para algo atrás de mim. Antes que ela pudesse se virar e olhar, sentiu uma mão poderosa agarrar seu ombro direito. Robin congelou de medo. Ela sentiu uma dor súbita e profunda quando algo penetrou em seu ouvido e o mundo ao redor dela rapidamente se dissolveu. De seguida, já não sentiu absolutamente nada. CAPÍTULO UM No momento em que Riley se sentou no sofá da sala de estar e tirou os sapatos, a campainha tocou. Calculou que fosse alguém promovendo uma causa, querendo que ela assinasse uma petição ou passasse um cheque ou algo parecido. Não é o que eu preciso nesse momento. Acabara de deixar as filhas, April e Jilly, na escola para o seu primeiro dia de aulas. Estava ansiosa para relaxar por um tempo. Só então ouviu Gabriela, sua governanta guatemalteca, chamá-la da cozinha... “No te muevas, señora. Eu vejo quem é.” Enquanto ouvia os passos de Gabriela na direção da porta da frente, Riley recostou-se e apoiou os pés na mesinha de centro. Então ouviu Gabriela tagarelando alegremente com a pessoa na porta. Um visitante? Riley se perguntou. Riley se esforçou para calçar os sapatos quando ouviu passos se aproximando. Quando Gabriela levou o visitante para a sala, Riley ficou surpresa e satisfeita em ver quem era. Era Blaine Hildreth, seu namorado. Ou é meu noivo? Por aqueles dias não tinha certeza e aparentemente Blaine também não. Um par de semanas atrás ele tinha mais ou menos feito um pedido de casamento, então na semana anterior ele dissera que queria levar as coisas devagar. Ela não o via há alguns dias e não esperava que aparecesse naquela manhã. Quando Riley começou a se levantar do sofá, Blaine disse, “Por favor, não se levante. Vou para junto de você." Blaine se sentou ao lado dela e relaxou no sofá da sala da família. Riley sorriu e tirou os sapatos novamente. Com uma risada leve, Blaine tirou os seus sapatos, e ambos apoiaram os pés na mesinha de centro. Estar tão confortável com ele parecia muito legal para Riley, mesmo que ela não tivesse certeza do ponto em que se encontrava o seu relacionamento. "Como foi sua manhã?" Blaine perguntou. "OK" Disse Riley. "Acabei de deixar as meninas na escola." "Sim, eu acabei de deixar Crystal também." Como sempre, Riley podia ouvir uma nota de afeto sempre que Blaine mencionava o nome de sua filha de dezasseis anos. Ela gostava disso nele. Então, com uma risada, Blaine acrescentou, “Ela parecia muito ansiosa para eu ir embora quando chegássemos lá. Acho que queria que eu saísse da vista de suas amigas.” Riley também riu. " April é igual" Disse ela. “As crianças parecem constrangidas em ter seus pais por perto nessa idade. Bem, a partir de amanhã, a minha vai pegar um ônibus.” "Minha também." Blaine colocou as mãos atrás da cabeça, se inclinou para trás e soltou um suspiro profundo. "Crystal estará dirigindo em breve" Disse ele. "Também April" Disse Riley. “Eu acho que ela pode solicitar sua licença em novembro. Não sei como me sinto sobre isso.” "Nem eu. Especialmente porque ensinar Crystal a dirigir me deixou nervoso.” Riley sentiu uma pontada de culpa. Disse, "Receio não ter passado muito tempo ensinando April. Quase nunca, na verdade. Terá que se contentar com o treinamento na escola.” Blaine encolheu os ombros e disse, "Você quer que eu passe algum tempo ensinando-a?" Riley se encolheu um pouco. Ela sabia que Blaine conseguia ser mais um pai prático do que ela. Seu trabalho na UAC a manteve longe das habituais rotinas de mãe e filha, e ela se sentia mal com isso. Ainda assim, era meio gentil da parte de Blaine se oferecer para ajudar, e ela sabia que não deveria sentir ciúmes se ele passasse mais tempo com April do que ela. Afinal, ele podia acabar sendo o pai de April dali a pouco tempo. Seria ótimo para April e Jilly terem um pai que lhes desse muita atenção. Isso seria mais do que o ex-marido de Riley, Ryan, alguma vez havia feito. "Isso seria bom" Disse Riley. "Obrigada." Gabriela entrou na sala carregando uma bandeja. A mulher corpulenta habilmente se movimentou quando o cachorro pequeno e de orelhas grandes de Jilly, Darby, e o gatinho preto e branco de April, Marbles, brincaram à volta de seus pés. Então Gabriela colocou a bandeja sobre a mesa de café na frente deles. “Espero que estejam com vontade de café e champurradas.” "Champurradas!" Blaine disse com prazer. "Que mimo!" Enquanto Gabriela servia duas xícaras de café, Riley pegou um dos biscoitos amanteigados enrolados em sementes de gergelim. As champurradas tinham sido assadas há pouco e, claro, estavam absolutamente deliciosas. Assim que Gabriela se virou para voltar para a cozinha, Blaine disse, "Gabriela, não vai se juntar a nós?" Gabriela sorriu. “Por supuesto. Gracias.” Foi até a cozinha buscar outra xícara, depois voltou, serviu-se de café e sentou-se em uma cadeira perto de Riley e Blaine. Blaine começou a tagarelar com Gabriela, metade em inglês e metade em espanhol, perguntando-lhe sobre sua receita de champurrada. Enquanto chefe e proprietário de um restaurante de luxo, Blaine estava sempre interessado em ouvir os segredos culinários de Gabriela. Como de costume, Gabriela resistiu timidamente a dizer muito a princípio, mas finalmente lhe deu todos os detalhes sobre como preparar os deliciosos biscoitos guatemaltecos. Riley sorriu e ouviu quando Blaine e Gabriela passaram a discutir outras receitas. Ela gostava de ouvi-los falar assim. Pensou que era incrível estarem os três juntos em casa. Riley procurou em sua mente a palavra para descrever como as coisas pareciam bem ali e naquele momento. Então lhe ocorreu. Aconchegante.. Sim, era isso. Ali estavam ela e Blaine, descansando sem sapatos no sofá, sentindo-se completamente aconchegados juntos. Então Riley se sentiu um pouco melancólica quando percebeu algo. Algo que a situação não era, era romântica. No momento, Blaine não parecia o amante apaixonado que ela às vezes sabia que ele era. Claro, aqueles momentos românticos tinham sido poucos e distantes entre si. Mesmo quando eles passaram duas semanas em uma bela casa de praia naquele verão, tinham dormido em quartos separados por conta de seus filhos. Riley se perguntou... É assim que as coisas vão ficar entre nós se nos casarmos? Riley reprimiu um suspiro ao pensar que eles já estavam agindo como um velho casal. Então sorriu enquanto considerava... Talvez não haja nada de errado com isso. Afinal, ela tinha quarenta e um anos de idade. Talvez fosse hora de desistir de um romance apaixonado. Talvez fosse hora de se acostumar com aconchego e conforto. E no momento, essa possibilidade realmente parecia a melhor. Ainda assim, ela se perguntou... Estamos realmente destinados a casar? Ela desejou que pudessem tomar uma decisão de um jeito ou de outro. Os pensamentos de Riley foram interrompidos com seu celular tocando. Riley desanimou um pouco quando viu que o telefonema era de seu parceiro de longa data da UAC, Bill Jeffreys. Por mais que ela gostasse de Bill, tinha certeza de que aquela não era apenas uma ligação amigável. Quando atendeu, Bill disse, “Riley, acabei de receber uma ligação do chefe Meredith. Ele quer ver você, eu e Jenn Roston em seu escritório imediatamente.” "O que está acontecendo?" Riley perguntou. “Houve alguns assassinatos em Connecticut. Meredith diz que parece obra de um assassino em série. Eu não sei detalhes ainda.” "Eu estarei lá" Disse Riley, desligando a ligação. Ela viu que Blaine e Gabriela estavam olhando para ela com preocupação. Blaine perguntou, "É um novo caso de assassinato?" "Parece que sim" Disse Riley, calçando novamente os sapatos. "Eu provavelmente vou para Connecticut imediatamente. Posso estar fora por um tempo.” Gabriela disse, “Ten cuidado, Señora Riley”. Blaine assentiu em concordância e disse, "Sim, por favor, tenha cuidado." Riley beijou Blaine levemente e saiu da casa. Sua mochila já estava pronta e preparada no carro, por isso não precisou fazer nenhum outro preparativo. Sentiu invadir-se por uma onda de antecipação. Ela sabia que estava prestes a sair de um mundo de aconchego e conforto rumo a um reino muito familiar de escuridão e mal. Um mundo habitado por monstros. A história da minha vida, Pensou com um suspiro amargo. CAPÍTULO DOIS Riley sentiu um formigamento agudo de urgência no ar quando entrou no gabinete do Agente Especial Responsável Brent Meredith no edifício da UAC. Impressionante e maciço, Meredith estava sentada em sua secretária. Na frente dele, Bill Jeffreys e Jenn Roston seguravam suas malas. Parece que esta vai ser uma reunião curta, Pensou Riley. Calculou que ela e seus dois parceiros provavelmente estariam saindo de Quantico em poucos minutos, e estava feliz em ver que todos estariam trabalhando juntos novamente. Durante o seu caso mais recente no Mississippi, os três tinham quebrado mais regras do que o habitual e Meredith não escondeu seu descontentamento com todos eles. Depois disso, Riley temia que Meredith pudesse separá-los. "Fico feliz que todos terem chegado tão rapidamente" Disse Meredith com sua voz rouca, girando ligeiramente em sua cadeira. “Acabei de receber uma ligação de Rowan Sturman, agente especial responsável do escritório do FBI em New Haven, Connecticut. Ele quer a nossa ajuda. Presumo que tenham conhecimento da recente morte de Vincent Cranston.” Riley assentiu e seus colegas também. Ela lera nos jornais que Vince Cranston, um jovem herdeiro da família multibilionária Cranston, havia morrido na semana passada em circunstâncias misteriosas em New Haven. Meredith continuou “Cranston tinha acabado de começar seu primeiro ano em Yale e seu corpo fora encontrado no começo da manhã na pista de atletismo de Friendship Woods. Ele tinha acabado de sair para uma corrida matinal e no começo a morte dele parecia ser de causas naturais - uma hemorragia cerebral, parecia. Bill disse, "Parece que o médico legista chegou a uma conclusão diferente". Meredith assentiu. “Sim, as autoridades não revelaram nada até agora. O médico legista encontrou uma pequena ferida que atravessou o ouvido da vítima diretamente até ao cérebro. Ele aparentemente foi esfaqueado com algo afiado, liso e estreito.” Jenn olhou para Meredith com surpresa. "Um picador de gelo?" Perguntou ela. "Era o que parecia" Disse Meredith. Riley perguntou, "Qual foi o motivo?" "Ninguém tem idéia" Disse Meredith. “Claro, você não pode crescer em uma família rica como os Cranstons e não ter inimigos. Faz parte da sua herança. Parecia provável que o pobre garoto fosse vítima de um ataque profissional. Restringir uma lista de suspeitos parecia ser uma tarefa formidável. Mas então…" Meredith fez uma pausa, tamborilando os dedos na mesa. Então ele disse, “Ontem de manhã, outro corpo foi encontrado. Desta vez, a vítima foi Robin Scoville, uma jovem que trabalhava para uma revista literária em Wilburton, Connecticut. Ela foi encontrada morta em sua própria sala de estar - e no início a causa de sua morte também parecia ser uma hemorragia cerebral. Mas, novamente, a autópsia do médico legista revelou uma ferida aguda no ouvido e no cérebro.” Riley processou o que estava ouvindo. Duas vítimas com picador de gelo em um pequeno estado, no espaço de apenas uma semana. Não lhe parecia mera coincidência. Meredith continuou, “Vincent Cranston e Robin Scoville eram tão diferentes quanto duas pessoas podem ser - uma delas um herdeiro rico em seu primeiro ano em uma escola da Ivy League, a outra uma jovem divorciada de meios marcadamente modestos”. Jenn perguntou, "Então, qual é a conexão?" "Por que alguém iria querer que ambos morressem?" Bill acrescentou. Meredith disse, "Isso é exatamente o que o agente Sturman quer saber. Já é um caso desagradável - e é muito mais desagradável se mais pessoas forem mortas dessa forma. Nenhuma conexão de qualquer tipo apareceu e é difícil entender o comportamento desse assassino. Sturman se sente como se ele e sua equipe do FBI de New Haven FBI estivessem a navegar em águas estranhas. Então ele me ligou e pediu ajuda da UAC. É por isso que eu chamei os três.” Meredith levantou-se da cadeira e rosnou... “Entretanto, não há tempo a perder. Um avião está pronto e esperando por vocês na pista. Vocês voarão até o Aeroporto Regional de Tweed-New Haven e Sturman irá encontrá-los lá. Começam imediatamente a trabalhar. Escusado será dizer que quero que isso seja resolvido rapidamente”. Meredith fez uma pausa e nivelou seu olhar intimidador para cada um dos agentes. "E desta vez, quero que façam tudo segundo as regras" Disse. “Não há mais travessuras. Estou a falar a sério." Riley e seus colegas murmuraram timidamente, "Não, senhor". Riley disse-o com convicção. Ela não queria enfrentar a raiva de Meredith novamente e tinha certeza de que Bill e Jenn também não. Meredith escoltou-os para fora de seu gabinete e alguns instantes depois estavam caminhando pelo asfalto em direção ao avião que os aguardava. Enquanto caminhavam, Jenn observou, “Dois assassinatos com picador de gelo, duas vítimas aparentemente não relacionadas - talvez até aleatórias. Isso soa bem estranho, não é?” "Por essa altura já devemos estar acostumados a coisas estranhas" Disse Riley. Jenn zombou. “Sim, devíamos. Eu não sei vocês dois, mas eu ainda não consegui me habituar.” Com uma risada, Bill disse, “Olhe dessa maneira. Eu ouvi que o tempo em Connecticut é adorável nessa época do ano.” Jenn riu também e disse, "Com certeza deve ser melhor do que no Mississippi". Riley fez uma careta ao se lembrar do calor pesado e sufocante na desagradável cidade costeira de Rushville, no Mississippi. Ela tinha certeza de que o clima do final do verão na Nova Inglaterra não poderia deixar de ser muito melhor. Pena que provavelmente não teremos muita chance de aproveitá-lo. * Quando o avião pousou no Aeroporto Regional de Tweed-New Haven, o agente especial responsável Rowan Sturman cumprimentou Riley e seus colegas na pista. Riley não conhecia Sturman, mas conhecia sua reputação. Sturman tinha quarenta e poucos anos, mais ou menos a mesma idade que Riley e Bill. Em sua juventude, fora considerado um agente promissor que se esperava subisse na hierarquia do FBI. Em vez disso, ele se contentou em administrar o escritório do FBI de New Haven. Havia rumores de que simplesmente não queria se mudar para a sede de D.C., Quantico ou para qualquer outro lugar. Suas raízes e família estavam ali no Connecticut. É claro que, segundo Riley, ele poderia não ter tido apetite pelas manobras políticas que poderiam desempenhar um papel nesses centros de poder. Ela compreendia essa possibilidade. Riley gostava de estar na Unidade de Análise Comportamental porque investigar personalidades estranhas permitia colocar em prática suas habilidades únicas. Mas odiava o modo como o poder das altas esferas às vezes interferia nas investigações. Perguntava-se quanto tempo demoraria até suceder esse tipo de intervenção porque tinha morrido o herdeiro de uma fortuna. Riley imediatamente considerou Sturman caloroso e agradável. Enquanto ele os levava para uma van que esperava, falou em um agradável sotaque da Nova Inglaterra. "Estou levando vocês direto para Wilburton, para que possam ver onde o corpo de Robin Scoville foi encontrado. Essa é a cena do crime mais recente e liguei ao chefe de polícia local para nos encontrar lá. Mais tarde, mostrarei onde Vincent Cranston foi morto. Espero que possam descobrir o que está acontecendo, porque minha equipe e eu não estamos conseguindo.” Riley, Bill e Jenn sentaram-se juntos na van enquanto Sturman dirigiu para o norte. Jenn abriu seu laptop e começou a procurar por informações. Sturman disse a Riley e seus colegas, "Estou feliz que estejam aqui. Minha equipe e eu só podemos fazer o que nossas habilidades e recursos nos permitem. Mas estamos dando o nosso melhor. Por um lado, estamos entrando em contato com lojas de ferragens em toda a região para obter as informações que pudermos sobre compras recentes de picadores de gelo.” "Essa é uma boa ideia" Disse Riley. “Alguma sorte até agora?” "Não e temo que seja complicado" Disse Sturman. “Neste ponto, não estamos recebendo muitos nomes, sobretudo apenas pessoas que compraram seus picadores de gelo com cartões de crédito, ou os lojistas tinham algum outro registro. Fora desses nomes, não temos certeza do que podemos estar procurando. Nós apenas temos que continuar tentando.” Riley comentou, "Usar um picador de gelo como arma de crime parece meio estranho para mim". Ela pensou por um momento, depois acrescentou, “Por outro lado, para que mais serve um picador de gelo?” Jenn franziu o sobrolho enquanto examinava a informação que estava aparecendo em sua tela. Ela disse, “Não muito - pelo menos não por um século ou mais. Em tempos anteriores aos refrigeradores, as pessoas mantinham seus perecíveis em geladeiras antigas.” Bill assentiu e disse, “Sim, minha bisavó me contou sobre isso. De vez em quando, o homem do gelo vinha a sua casa para entregar um bloco de gelo para manter sua geladeira fresca. Você precisaria de um picador de gelo para retirar lascas do bloco de gelo.” "Isso mesmo" Disse Jenn. “Depois que as caixas de geladeira foram substituídas por refrigeradores, os picadores de gelo chegaram a ser uma arma popular para a Murder Incorporated. Corpos de vítimas de assassinato às vezes tinham cerca de vinte feridas provocadas por picadores de gelo.” Bill zombou e disse, "Parece uma espécie de arma desleixada para trabalhos profissionais". "Sim, mas era assustador" Disse Jenn, ainda debruçada sobre a tela. “Ninguém queria morrer assim, com certeza. A ameaça de ser morto por um picador de gelo ajudou a manter os mafiosos na linha.” Jenn virou a tela para compartilhar suas informações com Bill e Riley. Ela disse, “Além disso, olhem aqui. Nem todos os assassinatos com picador de gelo foram confusos e sangrentos. Um mafioso chamado Abe Reles era o assassino mais temido de sua época e o picador de gelo era sua arma de escolha. Ele esfaqueava suas vítimas através do ouvido - assim como nosso assassino. Ele ficou tão bom que às vezes suas vítimas nem pareciam ter sido assassinadas.” "Não me diga" Disse Riley. "Parecia que as vítimas tinham morrido de uma hemorragia cerebral." "Isso mesmo" Confirmou Jenn. Bill coçou o queixo. “Você acha que nosso assassino teve a ideia de ler sobre Abe Reles? Como se os assassinatos dele fossem algum tipo de homenagem a um velho mestre?” Jenn disse, “Talvez, mas talvez não. Os picadores de gelo estão voltando em grande estilo com gangues. Muitos bandidos jovens estão utilizando picadores de gelo nos dias de hoje. Eles são usados ​​até mesmo em assaltos. As vítimas são ameaçadas por picador de gelo em vez de uma arma ou uma faca.” Bill riu sombriamente e disse... “Outro dia entrei em uma loja de ferragens para comprar fita adesiva. Reparei em uma prateleira com novos picadores de gelo à venda – ‘qualidade profissional’, diziam as etiquetas, e ‘aço de alto carbono’. Pensei na altura, para que alguém usa algo assim? E eu ainda não sei. Certamente nem todo mundo que compra um picador de gelo tem o assassinato em mente.” "As mulheres podem usá-los para autodefesa, eu acho" Disse Riley. "Embora spray de pimenta é provavelmente uma escolha melhor, se você me perguntar." Jenn virou a tela em direção a si mesma novamente e disse, “Como você pode imaginar, não houve muito sucesso em aprovar leis para restringir vendas ou posse de picadores de gelo. Mas algumas lojas de ferragens voluntariamente identificam os compradores de picadores gelo para garantir que tinham mais de vinte e um anos. E em Oakland, na Califórnia, é ilegal andar com picadores de gelo – tal como é ilegal transportar canivetes ou armas de corte similares.” A mente de Riley se emaranhou no pensamento de tentar regular os picadores de gelo. Pensou… Quantos picadores de gelo existem? No momento, ela e seus colegas sabiam da existência de pelo menos um. E estava sendo usado da pior maneira possível. O agente Sturman logo dirigiu a van para a pequena cidade de Wilburton. Riley ficou impressionada com a singularidade do bairro residencial onde Robin Scoville vivera - as filas de casas de ripas bonitas com janelas fechadas, lideradas por fileiras e mais fileiras de cercas de madeira. O bairro era antigo, possivelmente até histórico. Mesmo assim, tudo brilhava com tinta tão branca que se poderia pensar que ainda estava fresca. Riley percebeu que as pessoas que moravam ali se orgulhavam do ambiente, preservando seu passado como se o bairro fosse um grande museu ao ar livre. Não havia muitos carros nas ruas, então foi fácil para Riley imaginar a cidade em uma época passada, com carruagens puxadas por cavalos e carruagens passando. Então ocorreu-lhe… Um homem do gelo costumava fazer suas rondas regulares aqui. Ela imaginou o carrinho volumoso carregando cargas de gelo e o homem forte que arrastava os blocos para as portas da frente com alicates de ferro. Naquela época, toda dona de casa que morava ali possuía um picador de gelo que empregava perfeitamente. Mas a cidade experimentara uma amarga perda de inocência há duas noites. Os tempos mudaram, Pensou Riley. E não para melhor. CAPÍTULO TRÊS Os nervos de Riley aceleraram quando o agente Sturman estacionou a van na frente de uma pequena casa em um bairro bem cuidado. Este era o lugar onde Robin Scoville vivera e onde havia morrido nas mãos de um assassino. Riley sempre sentia esse estado de alerta quando estava prestes a visitar uma cena de crime. Às vezes, sua capacidade única de entrar em uma mente distorcida entrava em cena no local onde o assassinato ocorrera. Isso aconteceria ali? Se assim fosse, não estava ansiosa para que ocorresse. Era uma parte feia e inquietante de seu trabalho, mas ela precisava usá-la sempre que possível. Quando saíram da van, Riley notou que a casa era a menor do bairro - um modesto bangalô de um andar com um pátio compacto. Mas, como todas as outras propriedades do bloco, aquela fora pintada e mantida de forma imaculada. Era um cenário pitoresco, marcado apenas pela fita amarela da polícia que impedia a entrada do público. Quando Riley, Jenn, Bill e o agente Sturman entraram pelo portão da frente, um homem alto e envergando um uniforme saiu da casa. O agente Sturman apresentou-o a Riley e seus colegas como sendo Clark Brennan, chefe da polícia de Wilburton. "Entrem" Disse Brennan em um sotaque agradável semelhante ao de Sturman. "Eu mostro onde aconteceu." Eles subiram uma longa rampa de madeira que levava à varanda. Riley perguntou a Brennan, "A vítima foi capaz de se movimentar de forma independente?" Brennan assentiu e disse, “Seus vizinhos dizem que ela não precisava mais da rampa. Depois do acidente de carro no ano passado, sua perna esquerda foi amputada acima do joelho, mas ela estava se dando muito bem com uma prótese.” Brennan abriu a porta da frente e todos entraram na casa aconchegante e confortável. Riley não notou mais sinais de que uma pessoa com deficiência tivesse morado ali - sem móveis especiais ou pegas, apenas uma cadeira de rodas arrumada em um canto. Parecia óbvio que Robin Scoville se orgulhara de viver uma vida o mais normal possível. Uma sobrevivente, Riley pensou com amarga ironia. A mulher deve ter pensado que suportara as maiores dificuldades que a vida lhe trouxera. Certamente não tinha ideia do destino sombrio que a esperava. A pequena e arrumada sala de estar estava mobiliada com móveis baratos que pareciam novos. Riley duvidou que Robin tivesse morado nessa casa por muito tempo. O lugar parecia transitório de alguma forma e Riley pensou saber o motivo. Riley perguntou ao chefe de polícia, "A vítima era divorciada?" Brennan pareceu um pouco surpreso com a pergunta. "Bem, sim" Disse ele. "Ela e o marido se separaram no começo do ano." Era exatamente como Riley suspeitava. Aquele lugar se parecia muito com a pequena casa onde ela e April tinham vivido depois que seu casamento com Ryan terminara. Mas o desafio de Robin Scoville fora muito maior do que o de Riley. Ela tivera que enfrentar um divórcio e um acidente incapacitante enquanto tentava recomeçar a vida. Um ontorno gravado no piso de madeira mostrava a posição do corpo. Brennan apontou para uma mancha pequena e escura no chão. "Ela sangrou da orelha só um pouco. Perfeitamente consistente com uma hemorragia cerebral. Mas por causa do recente assassinato de Cranston, o médico legista suspeitou imediatamente. E sua autópsia acabou por mostrar que Robin fora assassinada da mesma forma que Cranston.” Riley pensou... O mesmo método, mas circunstâncias bem diferentes. E ela sabia que quaisquer diferenças provavelmente seriam tão importantes quanto as semelhanças. Riley perguntou a Brennan, "Havia sinais de luta?" "Absolutamente nada" Disse Brennan. Sturman acrescentou, "Parece que ela foi pega de surpresa, atacada rapidamente por trás". Bill perguntou, "Ela usava a prótese da perna no momento de sua morte?" "Não" Disse Brennan. "Ela estava usando suas muletas para se movimentar." Riley se ajoelhou e examinou a posição marcada no chão. Ela havia caído bem na frente da janela. Robin provavelmente fora atingida enquanto olhava pela janela. Riley perguntou a Brennan, "Qual a hora provável da morte?" Brennan disse, "Por volta das quatro da manhã". Riley se levantou e olhou pela janela para a rua calma e agradável e se perguntou... Para onde estava olhando? O que estava a acontecer na vizinhança a tal hora que pudesse chamar a atenção de Robin? E isso era significativo? Estava relacionado com a sua morte? Riley perguntou, "Como seu corpo foi encontrado?" Brenan disse, “Ela não apareceu na manhã seguinte no seu trabalho como editora em uma revista literária local. E ela não respondia as ligações do chefe. Ele achou isso estranho e preocupante. Estava preocupado que talvez tivesse tido algum tipo de acidente por causa de sua deficiência. Então enviou um empregado para a casa dela para ver como ela estava. Quando não atendeu a porta, o funcionário deu a volta por trás da casa e descobriu que a porta dos fundos havia sido arrombada. Ele entrou na casa, encontrou o corpo e ligou para o 911.” Riley ficou parada por um momento, ainda se perguntando o que Robin poderia estar olhando. Acontecera alguma coisa lá fora que a despertou e a trouxera para aquele lugar? Riley não tinha ideia. De qualquer forma, o que a vítima tinha experimentado pouco antes de sua morte era de interesse marcadamente menor para Riley do que o que estava acontecendo na mente do assassino. Ela esperava que talvez pudesse ter uma pista disso enquanto estivesse ali. "Mostre-nos onde o assassino entrou" Disse Riley. Brennan e Sturman levaram Riley e seus colegas através da pequena casa até uma porta que dava para as escadas da cave. Perto do topo da escada havia um patamar do qual outra porta se abria para o quintal. Riley viu imediatamente que a vidraça mais próxima do ferrolho e da maçaneta fora quebrada. O assassino obviamente quebrou o vidro conseguindo destrancar e abrir a porta. Mas Riley notou algo mais que lhe pareceu importante. Pedaços de papel de contato estavam presos aos cacos que permaneciam no quadro. Riley tocou cuidadosamente um pedaço com algum papel. O assassino colocara cuidadosamente a fita adesiva no painel, esperando não fazer muito barulho, mas também… Talvez ele não quisesse fazer muita bagunça. Riley estremeceu com uma súbita certeza. Ele é exigente. Ele é um perfeccionista. Era o tipo de lucidez de percepção intuitiva que ela esperava. Que mais poderia ela descobrir sobre o assassino ali naquele momento? Tenho que tentar, Pensou. CAPÍTULO QUATRO Enquanto Riley se preparava mentalmente para entrar na mente de um assassino, seus olhos se encontraram com Bill por um momento. Ele estava em pé com os outros colegas, observando-a. Viu Bill anuir com a cabeça, obviamente entendendo que ela queria ficar sozinha para fazer seu trabalho. Jenn sorriu um pouco quando também pareceu perceber a intenção de Riley. Bill e Jenn se viraram e levaram Sturman e Brennan de volta para a casa, fechando a porta da cave atrás deles. Sozinha no pequeno patamar, Riley olhou novamente para a janela quebrada. Então saiu, fechou a porta e ficou no quintal bem cuidado. Havia um beco logo depois da cerca na beira do pátio. Riley se perguntou – será que se aproximou vindo do beco? Ou tinha vindo pela frente, entre a casa de Robin e uma das casas de seus vizinhos? O beco, provavelmente. Ele poderia ter estacionado um veículo em uma rua lateral próxima, caminhado pelo beco e deslizado silenciosamente pelo portão dos fundos. Então esgueirara-se pelo quintal estreito direto para a porta dos fundos e... E depois? Riley respirou lenta e demoradamente para se preparar. Ela visualizou cuidadosamente como o quintal estaria aquela hora da manhã. Podia imaginar o som de grilos e quase podia sentir o ar agradável e frio de uma noite de setembro. Haveria algum brilho das luzes da rua, mas provavelmente pouca luz das próprias casas. Como o assassino se sentiu ao se preparar para sua tarefa? Bem preparado, Pensou Riley. Afinal de contas, obviamente escolhera sua vítima com antecedência e saberia algumas coisas cruciais sobre ela, incluindo o fato de que ela era uma amputada. Riley olhou novamente para o painel de vidro quebrado. Agora podia ver que o adesivo tinha sido cortado quase exatamente na forma da vidraça. Isso certamente significava que ele estava bem aqui e cortou o adesivo para caber mesmo na penumbra, provavelmente com uma tesoura. Mais uma vez essa palavra passou pela cabeça de Riley... Exigente. Mas mais do que isso, ele fora calmo e paciente. Riley sentiu que o assassino tinha sido totalmente desapaixonado - nem um pouco zangado ou vingativo. Se ele conhecia a vítima pessoalmente ou não, não nutria nenhum sentimento de animosidade em relação a ela. O assassinato ocorrera a sangue frio no sentido mais amplo possível. Quase clínico. Riley fechou o punho e imitou o golpe gentil mas firme que ele deve ter usado para quebrar o vidro. Antes de atravessar o painel quebrado, de repente sentiu um espasmo de desconforto. Terá feito mais barulho do que esperava? Ela se lembrou de ter visto um pedaço de vidro no chão dentro da porta. Um pedaço caiu apesar dos cuidados que ele tinha tomado, causando um som tilintante. Ele hesitara? Teria considerado desistir de seu plano e silenciosamente escapado do jeito que viera? Nesse caso, rapidamente recuperou sua determinação. Riley cuidadosamente atravessou o painel e reabriu a porta, e pisou no patamar, tirando os sapatos como ele certamente tinha feito para se mover silenciosamente. E depois… Ele ouviu um barulho no andar de cima. Com certeza, a mulher acordara com o som e ele podia ouvir barulho e batidas quando ela colocou as muletas e começou a se mover pela casa. Riley pensou que talvez ele tivesse esmorecido por alguns momentos. Talvez esperasse se aproximar de Robin enquanto ela estava deitada na cama dormindo, introduzindo depois o picador de gelo em seu ouvido sem que ela soubesse que ele estava lá. Não seria como o assassinato anterior, quando matara o jovem Vincent Cranston enquanto ele estava correndo ao ar livre. Mas Riley sentiu que o assassino não tinha interesse em um MO consistente. Tudo o que ele queria era matar da forma mais limpa e eficiente possível. Mas agora… Com a mulher em movimento no andar de cima, ousara continuar? Ou deveria fugir antes que ela voltasse e o encontrasse? Riley sentiu que ele congelou ali no patamar por um momento, lutando com sua indecisão. Mas então… A mulher não veio para a porta dos fundos. Ela dirigiu-se para outro lugar da pequena casa. Talvez não tenha ouvido o vidro quebrando, afinal. O assassino poderia ter respirado de alívio ao perceber, mas ainda assim vacilou. Ousaria atacar a mulher acordada? Por que não? Deve ter pensado. Desabilitada como ela era, ele certamente seria capaz de dominá-la com muito mais facilidade do que sucedera com sua vítima anterior. Ainda assim, ele não queria ser desleixado ou descuidado. Uma luta podia estragar tudo. Mas lembrou a si mesmo que isso era urgente. Ele foi impulsionado por algum imperativo profundo que só ele poderia entender. Não podia voltar atrás - não agora. Quando ele teria outra chance assim? Convocou sua vontade e decidiu seguir em frente. Seguindo o que ela imaginou ser os passos do assassino, Riley subiu os degraus até a porta que dava para a cozinha. Rodou a maçaneta e abriu a porta... Perfeito! A maçaneta não rangeu e as dobradiças também não. Sentindo-se cada vez mais ligada ao assassino, Riley entrou na cozinha. Ignorando o fato de que Bill, Jenn, Sturman e Brennan estavam todos parados próximos a observando, ela olhou ao redor. Riley sabia que a cena estava intocada desde o assassinato. Então, da mesma forma que agora, a mesa da cozinha tinha sido empilhada com pilhas de papel que a mulher estava lendo. Mas onde estava a mulher? Riley imaginou olhar através dos olhos do assassino, espreitando através do arco da cozinha para a sala de estar. Com certeza, ela estava parada ali, olhando pela janela, sua atenção inteiramente direcionada para o que quer que visse lá fora. Riley imaginou ter o picador de gelo na mão. Então atravessou o chão de madeira, os pés descalços movendo-se silenciosamente, até que ficou bem atrás de onde Robin Scoville estivera. E depois… Um movimento rápido, preciso e impecável foi o suficiente. O ponto longo do picador de gelo mergulhou sem esforço através da passagem desossada de sua orelha até seu cérebro, e o assassino puxou o picador da mesma maneira sem esforço para fora novamente, então observou sua vítima cair no chão. E finalmente… Riley tinha certeza de que ele estava satisfeito com o seu feito. Ele estava orgulhoso de si mesmo por superar suas incertezas e passar por isso. Mas ele parou por um momento para admirar sua própria obra? Ou fugiu imediatamente? O sentido da mente do assassino de Riley diminuiu naquele momento enquanto olhava novamente para o contorno gravado no chão. Havia muito - demasiado - que ela ainda não sabia. Mas tinha certeza de uma coisa. Disse em voz alta para seus colegas, agora reunidos em torno dela... "Ele é um filho da puta frio". Bill disse. "Conte-nos mais". Riley pensou por um momento, depois disse, “Não posso ter certeza de nada ainda. Mas acho que é pessoal para ele e, no entanto, não é pessoal ao mesmo tempo. Eu não acho que ele odiava essa mulher. Ele podia nem saber o nome dela. Mas tinha razões para querer que ela morresse - razões importantes, quase como se matá-la fosse algum tipo de...” Riley fez uma pausa, tentando pensar na palavra certa. Então Jenn sugeriu, "Dever?" Riley olhou para sua colega mais nova e assentiu. “Sim, é exatamente essa sensação que eu tenho. Um sentido de obrigação, quase.” Riley percebeu agora que o chefe Brennan estava olhando para ela com a boca aberta. Ela há muito se acostumara com a surpresa das pessoas quando a observavam passando por esse estranho processo. E ela sabia que tinha acabado de parecer muito estranha, andando pela casa de meias, fingindo os movimentos do assassino. O agente Sturman, ao contrário, não pareceu surpreso. É claro que, como um experiente agente do FBI, Sturman certamente ouvira falar das propensões singulares de Riley, bem conhecidas em todo o FBI. E de fato, Sturman cutucou Brennan com o cotovelo e disse, “Eu explicarei depois”. Bill tinha ido para o patamar nos fundos da casa. Agora voltava com os sapatos de Riley e os entregou. Quando Riley se sentou em um banquinho e os calçou, dúvidas começaram a surgir em sua mente. Eu entendi tudo errado? Ela muitas vezes se sentia varrida por tais incertezas após esses exercícios. Afinal, não era uma leitora da mente, e não havia nada mágico ou paranormal no processo que ela usava. Era pura intuição, nada mais. Ela errara algumas vezes no passado e podia estar errada naquele momento. Riley se levantou do banquinho e se perguntou... Escapou-me alguma coisa? Olhou para a janela e imaginou a jovem de pé olhando para o exterior, alheia ao perigo que se insinuava atrás dela. Para onde estava olhando? Riley não tinha ideia. Mas sabia que tinha que descobrir. CAPÍTULO CINCO Riley estava olhando pela janela, tentando imaginar como era a rua nas primeiras horas da manhã, no exato momento em que alguém havia colocado picador de gelo no crânio de Robin Scoville. O que estava lá fora? Perguntou-se. O que Robin viu naquele momento? A questão incomodava Riley cada vez mais. Ela disse ao chefe Brennan, “Não me apercebi se esta casa tem câmeras de segurança. Tem?” "Não" Disse Brennan. “O proprietário não se incomodou em instalá-las em um pequeno apartamento como este. Que pena, porque talvez tivéssemos uma gravação de vídeo do que aconteceu. Ou melhor ainda, as câmeras poderiam ter impedido o assassino de fazer o que fez”. Seguida por seus colegas, Riley saiu pela porta da frente. Ela estava na calçada olhando para cima e para baixo na rua. Mais uma vez percebeu que a casa de Robin era a mais pequena em um bairro de luxo. Riley disse a Brennan, "Eu suponho que você tenha entrevistado todos os vizinhos". "O máximo que pudemos" Disse Brennan. “Ninguém estava acordado quando aconteceu, então ninguém notou nada incomum.” Ela podia ver câmeras em algumas das varandas da frente. Em vários pátios, placas avisavam que essas casas estavam protegidas por uma ou outra empresa de segurança. "Dá para ver que alguns vizinhos têm câmeras de segurança em suas casas" Comentou Riley. "A maioria deles, tenho certeza" Disse Brennan com um encolher de ombros. "Mas não me parece que nos vão ajudar." Riley percebia o que Brennan queria dizer. Nenhuma das câmeras parecia estar voltada para a casa de Robin, então não poderiam ter pegado nada relacionado com o arrombamento ou o assassinato. Ainda assim, uma câmera Nest fixada em um poste de varanda da casa mais próxima atraiu seu interesse. Riley apontou para a casa e disse, "Você falou com as pessoas que moram ali?" Brennan sacudiu a cabeça. “Não, vive ali um casal de aposentados chamados Copeland, mas não estão em casa há uma semana. Os vizinhos dizem que estão de férias na Europa. Devem voltar daqui a algumas semanas. Então definitivamente não poderiam ter visto o que aconteceu. E a câmera deles também não está voltada para a casa de Robin.” Não para a casa, Pensou Riley. Mas para a rua em frente da casa. E o que tinha acontecido na rua era exatamente o que intrigava Riley agora. Como o casal tinha ido embora por um longo período, talvez tivessem deixado o sistema de vigilância programado para manter um registro contínuo de tudo o que acontecia na ausência deles. Riley disse, "Eu quero ver o que essa câmera pegou". O agente Sturman respondeu, "Vamos ter que localizar os Copeland e obter sua permissão. Para ver a gravação, precisaremos da senha. Ou teremos que obter um mandado e obtê-la através da empresa.” "Faça isso" Disse Riley. “O que for necessário. O mais rápido possível.” Sturman assentiu e deu um passo para o lado, pegando o celular para fazer uma ligação. Enquanto isso, antes que Riley pudesse decidir o que ela e seus colegas deveriam fazer, Jenn falou com o chefe Brennan. “Você disse que Robin era divorciada. O que pode nos dizer sobre o ex dela?” Brennan disse, “O nome dele é Duane Scoville e toca em uma banda de rock local chamada Epithets.” O chefe riu um pouco e acrescentou, “Eu os ouvi tocar. Não são ruins, mas parece que é melhor manterem seus empregos.” Jenn perguntou, "Onde vive Duane?" Brennan apontou. "No lado leste da cidade." Jenn disse, "Presumo que o tenha entrevistado." "Sim, não achamos que ele seja um suspeito viável" Disse Brennan. "Por que não?" Jenn perguntou. Duane disse que ele e os Epithets estavam tocando em Crestone, Rhode Island, na noite do assassinato de Robin. Ele diz que ele e a banda passaram lá a noite, e nos mostrou um recibo do motel. Não temos nenhum motivo para não acreditar nele.” Riley viu que Jenn parecia em dúvida. E com razão, Pensou Riley. Não parecia que a polícia local tivesse feito um trabalho muito completo ao entrevistar Duane Scoville, muito menos ao eliminá-lo como suspeito. E mesmo que Duane não fosse o assassino, ainda poderia ter informações importantes para oferecer. Jenn disse, "Eu gostaria de falar com ele um pouco mais." "OK, eu vou ligar para ele" Disse Brennan, pegando seu celular. "Não, eu prefiro não o avisar" Disse Jenn. Riley sabia que Jenn estava certa. Se houvesse a menor chance de que Duane fosse o assassino, era melhor tentar pegá-lo desprevenido. Riley disse a Brennan, "Você poderia nos levar até onde ele mora, ver se podemos encontrá-lo em casa?" "Certamente" Disse Brennan. O agente Sturman terminou seu telefonema e se juntou a eles. "Eu tenho um agente localizando os Copeland" Disse ele. "Mas tenho outro caso em andamento e preciso voltar para a sede." "Você nos avisará assim que souber alguma coisa?" Perguntou Bill. "Absolutamente" Sturman prometeu e caminhou em direção a sua van. O chefe Brennan disse, “Meu veículo está aqui. Eu posso levar vocês a casa de Duane Scoville.” Quando Riley e seus colegas entraram no carro da polícia de Brennan, Riley notou a expressão determinada no rosto de Jenn Roston. Foi bom para Riley ver sua jovem protegida parecer tão comprometida. Riley olhou para Bill e percebeu que ele se sentia da mesma maneira. Ela está se transformando em uma grande agente, Pensou Riley. E os três juntos estavam se tornando um time notável. Riley decidiu que ela e Bill deveriam deixar Jenn assumir a liderança na entrevista com Duane Scoville. Poderia dar a ela uma chance de brilhar, Riley calculou. E ela definitivamente merece isso. * Durante a curta viagem pela cidade, Jenn Roston se viu lembrando das ações de Riley na casa de Robin Scoville e a conclusão que ela tirara sobre o assassino... "Ele é um filho da puta frio". Jenn não duvidou que Riley estava certa. Ela já tinha visto Riley entrar na mente de assassinos várias vezes, mas nunca deixava de ficar impressionada. Como ela faz isso? Ninguém na UAC parecia saber, exceto talvez o mentor de Riley, um agente aposentado chamado Jake Crivaro que agora morava na Flórida. A própria Riley não parecia ser capaz de explicar o processo ou até mesmo como se processava. Parecia ser puro instinto. Jenn não pôde deixar de invejar Riley por isso. Claro, Jenn tinha seus pontos fortes. Era inteligente, engenhosa, dura, ambiciosa... E bastante autoconfiante, Pensou com um sorriso. Agora estava contente que Riley tivesse concordado com ela sobre a necessidade de entrevistar Duane Scoville. Jenn sentia-se ansiosa para contribuir de forma significativa para resolver aquele caso. Ela lamentava o seu comportamento durante o caso anterior em que trabalhara com Riley e Bill - o caso do chamado "carpinteiro", que matou suas vítimas com um rápido golpe de martelo na cabeça. Uma observação amarga que Jenn fizera em resposta às críticas de Riley continuava ecoando em sua mente... "Suponho que é aqui que você me acusa de não ser objetiva." Tinha sido incorreta - especialmente porque Jenn sabia perfeitamente que Riley tinha bons motivos para duvidar de sua objetividade. Enquanto uma agente afro-americana, Jenn tinha sido alvo de racismo bastante evidente enquanto trabalhava no Mississippi. Não o tinha encarado bem e teve que admitir que isso afetou seu julgamento. Ela esperava poder compensar tudo isso agora. Ela esperava poder compensar muitas coisas. Ansiava pelo dia em que, finalmente, poderia deixar seu passado conturbado para trás. Enquanto o chefe Brennan dirigia, memórias mais sombrias começaram a se amontoar na mente de Jenn - os pais disfuncionais que a abandonaram quando ela era criança, depois seus anos sob os cuidados de uma brilhante mas sinistra mãe adotiva que se chamava “Tia Cora”. Tia Cora havia treinado Jenn e seus outros filhos adotivos para se tornarem criminosos em sua própria rede criminosa. Jenn fora a única entre as pupilas da tia Cora a escapar de suas garras, na esperança de ter uma vida diferente e melhor. Ela se tornara uma policial condecorada em Los Angeles, depois de ter feito uma pontuação fenomenal na Academia do FBI antes de se tornar agente da UAC. Mesmo assim, não tinha conseguido se livrar da tia Cora completamente. A mulher tinha estado em contato com ela no início desse ano, tentando puxá-la de volta para sua esfera de influência, mesmo tentando fazer Jenn se entregar a ela ajudando em um caso do FBI. Jenn não não sabia nada de tia Cora há algumas semanas. Teria a sua antiga mentora desistido dela para sempre? Jenn só esperava que assim fosse. Entretanto, a gratidão de Jenn em relação a Riley não conhecia limites. Riley era a única pessoa que sabia a verdade sobre o passado de Jenn. Mais que isso, Riley a compreendeu. Afinal de contas, a própria Riley já havia se envolvido com um criminoso mentor, o brilhante fugitivo condenado Shane Hatcher. Jenn sabia mais do que qualquer outra pessoa sobre o segredo de Riley, assim como Riley sabia tudo sobre o dela. Era uma das razões pelas quais Jenn sentia um vínculo tão íntimo com sua nova mentora - um vínculo baseado em compreensão e respeito mútuos. Por causa desse vínculo, Jenn queria viver de acordo com as expectativas de Riley em relação a ela. Os pensamentos de Jenn foram interrompidos pelo som da voz de Brennan quando virou uma esquina. "Estamos quase lá." Jenn ficou surpresa ao ver uma grande mudança na comunidade ao redor. Todas as casas brancas, dignas e reluzentes, estavam com suas impecáveis ​​cercas retas. Eles passaram por uma rua repleta de empresas de tamanho modesto que incluíam restaurantes veganos, lojas de alimentos orgânicos e uma loja de artigos de segunda mão. Então eles continuaram em um bairro cheio de casas menores, um pouco surrado, mas ainda assim bastante charmoso. Os pedestres eram muito variados, de jovens tipos boêmios de diversas raças a velhos tipos hippies, que pareciam ter vivido ali desde os anos sessenta. Jenn se sentiu imediatamente mais confortável aqui do que na área homogênea, ultra-branca e de classe alta que tinham acabado de deixar. Ainda assim, este era um pequeno bairro e Jenn achou que estava ficando cada vez menor. A gentrificação está se aproximando, Pensou um pouco tristemente. Brennan estacionou na frente de um antigo prédio de tijolos. Ele levou Jenn e seus colegas até a porta da frente. Lá, Riley deu a Jenn um olhar que lhe disse que ela deveria assumir a liderança naquele momento. Jenn olhou para Bill, que acenou para ir em frente. Ela engoliu em seco com antecipação, depois tocou a campainha do apartamento de Duane Scoville. Ninguém respondeu a princípio. Jenn se perguntou se talvez ele não estivesse em casa. Então tocou de novo e ouviu uma voz resmungando no intercomunicador. "Quem é?" A voz falou por apenas alguns segundos. Mas Jenn achou que ouvia música no fundo. Jenn respondeu, "Nós somos do FBI. Gostaríamos de conversar com você.” "Sobre o quê?" Jenn se sentiu um pouco surpresa com a pergunta. E dessa vez ela teve certeza de ouvir música. Ela disse, "Hum... sobre o assassinato da sua ex-mulher." “Eu conversei com os policiais sobre isso já. Eu estava fora da cidade quando aconteceu.” Ouviu-se outro trecho de música e, dessa vez, pareceu familiar para Jenn - quase misteriosamente. Brennan interveio, “Aqui é o chefe de polícia Brennan. Eu falei com você antes. Os agentes ainda gostariam de fazer mais algumas perguntas.” Um silêncio caiu, então a campainha tocou e a porta clicou. Jenn abriu a porta e ela e seus colegas entraram. Ela pensou… Não parece que somos bem-vindos. Jenn pensou por que não. Decidiu que iria descobrir. CAPÍTULO SEIS Jenn seguiu o chefe Brennan até o edifício e subiu a escada até o segundo andar. Riley e Bill seguiram atrás enquanto caminhavam pelo corredor em direção ao apartamento de Duane Scoville. Jenn ficou alerta quando ouviu o som flutuando de algum quarto próximo. Aquela música de novo. Dessa vez, ela tinha certeza de que já tinha ouvido aquilo antes, mas fazia muito tempo, e ela não tinha certeza onde ou quando. Era uma peça clássica - algo lento, suave e incrivelmente triste. Chegaram ao apartamento de Scoville e o chefe Brennan bateu na porta. Uma voz gritou, "Entre". Quando ela e seus colegas entraram, Jenn ficou surpresa com a aparência do apartamento. O lugar estava uma bagunça, todo cheio de latas de cerveja e embalagens de comida. Cerca de dez guitarras estavam à vista, algumas em bancos, outras em caixas abertas, outras em qualquer lugar. Algumas eram acústicas, outros elétricas. Havia também amplificadores, altifalantes e diversos equipamentos eletrônicos espalhados. O próprio Duane Scoville estava sentado em um puf muito usado. Usava cabelos compridos e barba, e usava jeans, uma camisola colorida, um símbolo da paz em um cordão no pescoço e óculos de vovó em forma redonda. Jenn teve que reprimir uma risadinha. Scoville parecia estar em seus vinte anos, mas estava tentando o seu melhor para parecer um hippie dos anos sessenta. A decoração do quarto incluía contas, tapeçarias baratas, tapetes falsos persas, velas acesas e desordem geral. Alguns dos cartazes na parede eram imagens psicodélicas, outros promovendo grupos de música rock e artistas que tinham sido populares muito antes do tempo de Jenn. Havia um forte odor no ar - de incenso e… Outra coisa, Jenn percebeu. Duane Scoville estava sentado olhando para o espaço como se ninguém tivesse chegado. Ele estava obviamente muito chapado, embora Jenn não visse sinais de drogas em lugar algum. O chefe Brennan disse-lhe, “Duane, estes são os agentes do FBI Paige, Jeffreys e Roston. Como eu acabei de dizer, eles têm mais algumas perguntas para você.” Duane não disse nada e não ofereceu a seus visitantes um lugar para se sentarem no local lotado. Jenn se sentiu perplexa quando se lembrou de como a pequena casa da vítima fora imaculadamente limpa. Ela mal podia acreditar que Robin Scoville conhecia esse homem e muito menos estivera casada com ele. E depois havia a música... Em vez dos Doors ou de Jefferson Airplane, ou Jimi Hendrix ou de qualquer outra coisa mais apropriada a esses ambientes, Duane ouvia música suave de câmara barroca, com um solo assombroso de instrumento de sopro, como um triste canto de pássaros. De repente, reconhecendo a peça, Jenn disse a Duane, “Isso é Vivaldi, não é? O movimento lento de um piccolo concerto.” Ainda sem olhar para Jenn ou seus companheiros, Duane perguntou, "Como você sabia?" Jenn sentiu-se abalada com a pergunta. Ela lembrou vividamente onde tinha ouvido a música antes. Fora no lar adotivo de tia Cora, onde crescera. Tia Cora sempre tinha música clássica tocando quando ensinava seus filhos a serem criminosos. Jenn estremeceu um pouco. Ela achou estranho e inquietante ouvir essa melancólica melodia novamente depois de tantos anos. Isso trouxe de volta lembranças estranhas e perturbadoras dos dias que Jenn tentou se esforçava para esquecer. Mas ela sabia que não se deveria deixar distrair por isso. Mantenha sua cabeça no jogo, Jenn disse a si mesma com firmeza. Em vez de responder a pergunta de Duane, ela disse... "Você não me parece um cara que goste de Vivaldi, Duane." Duane finalmente olhou para ela e encontrou seu olhar. Ele disse com uma voz monótona, "Por que não?" Jenn não respondeu. Pelos estudos na academia e por sua experiência trabalhando com Riley e Bill, ela sabia que tinha alcançado algo só só pelo fato de ele olhar para ela. Agora tinham pelo menos uma conexão preliminar. Jenn decidiu esperar e deixar Duane falar em seguida. Mas ele não disse nada imediatamente. O movimento lento e triste chegou ao fim e um movimento rápido e cintilante começou. Duane carregou num botão de seu rádio para que o mesmo movimento lento começasse a tocar novamente. Finalmente disse, “Robin gostava muito dessa peça. Era o seu movimento favorito. Ela não se cansava de o ouvir.” Então, com um traço de escárnio, acrescentou... "Espero que a toquem no funeral dela." Jenn ficara gelada por uma nota reveladora de raiva e amargura em sua voz. Ela se perguntou - o que havia por trás daquelas emoções sombrias? Ela olhou para Bill e Riley. Eles deram seus leves acenos, silenciosamente encorajando-a a continuar seguindo seus instintos. Ela aproximou-se de Duane e perguntou, "Você vai ao funeral de Robin?" Duane disse, "Não, eu nem sei quando ou onde vai ser. No Missouri, eu acho. Foi aí que Robin cresceu, onde a família dela ainda vive. St. Louis, Missouri. Não me parece que seja convidado.” Então, com uma risada quase inaudível, ele acrescentou, "E acho que não seria bem-vindo se fosse." "Por que não?" Jenn perguntou. Duane encolheu os ombros. "Por que você pensa? Os pais dela não gostam muito de mim.” "Por que não gostam de você?" Duane desligou abruptamente a música. Seu rosto se torceu um pouco com o que parecia ser nojo. Então falou diretamente para os três agentes. "Olha, vamos direto ao assunto, ok? Vocês querem saber se eu a matei. Não a matei. Já passei por tudo isso antes com o chefe Brennan aqui. É como eu disse a ele, eu estava em Rhode Island, fazendo um show com minha banda. Passámos lá a noite.” Ele enfiou a mão no bolso do quadril, tirou um pedaço de papel e ofereceu a Jenn. “Eu preciso mostrar isso de novo?” Perguntou. "É a nossa conta do motel." Jenn cruzou os braços e deixou que ele segurasse o papel em sua mão. O que quer que estivesse escrito lá, ela duvidava que fosse convincente. Pode significar apenas que alguns membros da banda estivessem lá naquela noite. Ela disse, "Seus companheiros de banda podem atestar que você esteve com eles a noite toda?" Ele não respondeu. Mas parecia desconfortável com a pergunta. As suspeitas de Jenn estavam no auge naquele momento. Ela disse, "Você poderia nos dizer como entrar em contato com eles?" "Sim" Disse Duane. "Mas prefiro não o fazer." "Por que não?" "Não estávamos bem. Eles tinham acabado de me expulsar do grupo. Eles podem não cooperar.” Jenn começou a caminhar de um lado para o outro. "Pode ser uma boa idéia você cooperar" Disse ela. Duane disse, "Sim? É isso que um advogado me diria? Preciso de um advogado? Jenn não respondeu imediatamente. Mas quando passou por um armário fechado, notou que Duane se sentou desconfortavelmente. Ela olhou para a porta e se aproximou, depois se virou e percebeu que a ansiedade de Duane parecia estar aumentando. Ela disse, "Eu não sei, Duane. Você precisa de um advogado?" Duane se recostou e tentou parecer relaxado novamente. Ele disse, "Olha, eu realmente gostaria que vocês saíssem agora. Este é um momento difícil para mim, sabe? Vocês não estão facilitando isso. E eu tenho direitos. Tenho certeza de que não preciso responder às suas perguntas.” Jenn ficou lá olhando para frente e para trás entre Duane e o armário. Ela se sentiu muito perto de descobrir o que Duane não queria que ela soubesse. Ela estendeu a mão e tocou a maçaneta do armário, e Duane estremeceu bruscamente. Jenn viu Riley balançando a cabeça rapidamente, avisando-a silenciosamente para não abrir o armário. Claro, Jenn não precisou de um aviso. Ela sabia que não devia abrir o armário sem um mandado. Seu movimento foi apenas um blefe, uma tentativa de obter mais uma reação do homem. E ela definitivamente estava tendo sucesso. Duane levantou a mão para o armário e disse com uma voz trêmula... "Não faça isso. Eu tenho direitos.” Jenn sorriu para ele, mas não se afastou da porta do armário. Ela estava prestes a pedir ao músico retrógrado para ir à delegacia para responder a mais perguntas quando Riley disse, “Obrigada pelo seu tempo, Sr. Scoville. Nós agora vamos embora.” O sorriso de Jenn desapareceu. Ela se sentiu confusa. Mas viu que Riley, Bill e o chefe de polícia estavam todos indo para a porta. Obedientemente, Jenn os seguiu para fora do compartimento. Quando voltaram pelo corredor e desceram as escadas, Riley disse para Jenn... “O que pensa que estava fazendo lá atrás? Você não pode andar por aí sem um mandado.” Jenn disse, “Eu sei disso, Riley. Eu não ia abrir o armário.” Riley disse, "Bem, fico feliz em ouvir isso." "Não vamos levá-lo para interrogatório?" Jenn perguntou. "Não" Disse Riley. "Por que não?" Riley suspirou e disse, "Estou com fome. Vamos pegar algo para comer. Podemos falar sobre isso então.” A discussão foi interrompida quando o chefe Brennan os levou para um local de fast food próximo. Jenn e seus colegas pediram seus hambúrgueres e sentaram-se em uma mesa juntos. Então Riley disse para Jenn, "Agora me diga seus pensamentos sobre Duane Scoville". Jenn sentiu que Riley estava prestes a dar-lhe uma pequena lição de perguntas e respostas sobre o trabalho policial. Não fique na defensiva, Jenn disse a si mesma com firmeza. Afinal, ela provavelmente iria aprender alguma coisa, gostasse ou não. Pensou sobre a pergunta de Riley Quais são os meus pensamentos sobre Duane Scoville? Ela pensou na entrevista e repassou algumas partes dela em sua mente. Ela se lembrou de seu sorriso quando mencionou que a peça de Vivaldi tinha sido a favorita de Robin... "Espero que a toquem no funeral dela." Por que um roqueiro como ele estaria sequer ouvindo Vivaldi, aparentemente o mesmo excerto repetidas vezes? Exceto talvez para se vangloriar. Então ela se lembrou de seu olhar de nojo quando desligou a música. Auto-repugnância. Jenn poderia pensar em uma boa razão para ele se sentir assim. "Eu acho que ele é culpado" Disse Jenn. Riley sorriu um pouco e disse, "Eu também penso que sim". CAPÍTULO SETE Riley podia ver o choque no rosto de Jenn com o que ela acabara de dizer. A boca da agente mais jovem ficou aberta por um momento. Jenn deu uma rápida olhada para Bill e o capitão Brennan, que estavam ouvindo atentamente, em seguida, olhou para Riley. Riley reprimiu um sorriso e esperou Jenn dizer alguma coisa. Finalmente Jenn perguntou, "Você acha que ele é culpado também? Culpado de assassinato?” "Eu não disse isso" Disse Riley. "Então o que você quer dizer?" Riley viu que Bill agora estava sorrindo largamente e Brennan apenas parecia perplexo. Mas ela não queria dizer exatamente o que dissera, pelo menos não de forma definitiva. Ela queria espicaçar sua jovem protegida com perguntas. Afinal, Jenn ainda tinha algumas coisas para aprender sobre como pensar como um agente da UAC. E talvez Riley pudesse persuadir Jenn a ver as coisas na sua perspetiva em relação a Duane Scoville. Riley perguntou, "Quais foram suas primeiras impressões quando você entrou no apartamento?" Jenn pensou. “Bem, foi estranho. Quer dizer, a música era estranha o suficiente para um músico de rock. Mas a maneira como o lugar parecia... a casinha de Robin não era assim. Tudo lá estava tão limpo. E conservador.” "Difícil de acreditar que já foram casados, hein?" Riley disse. Jenn encolheu os ombros e disse, "Não foram felizes, de qualquer maneira." Riley sorriu um pouco. "Não é tão difícil para mim acreditar" Disse Riley. "Eu tenho uma ideia de como é se casar quando você é jovem e estúpido. É praticamente a história da minha vida. Robin e Duane provavelmente estavam loucos de amor e felizes por um tempo. O casamento deles pode não ter durado o suficiente para que percebessem o pouco que tinham em comum.” Jenn disse, "Mas… mas ele parecia tão..." Riley disse, “Culpado. Sim, eu sei. Ele tinha suas razões. Por que você acha que o casamento deles acabou? Além dessas diferenças que provavelmente os teriam separado de qualquer forma?” Jenn olhou para seu hambúrguer intocado, obviamente tentando pensar em uma resposta. Riley disse, "Bem, não é muito difícil descobrir. O que você sabe sobre o passado recente de Robin?” Jenn disse, "Ela sofreu um acidente de carro no ano passado e perdeu uma perna e..." Riley podia ver uma luz nos olhos de Jenn. "Oh meu Deus" Disse Jenn. “Duane não conseguia lidar com isso. Ele se casou com uma linda jovem, casou com ela porque ela era linda, mas de repente ela estava... bem, mutilada. Ele simplesmente não a considerava mais atraente.” Riley assentiu. "Em suma, ele era um idiota superficial." Jenn assentiu lentamente e disse, “E ele também sabe disso. Que ele era um idiota, quero dizer. Ele se sentiu culpado por isso assim que a largou. Mas agora que ela está morta...” Jenn parou por um momento, depois continuou. “Ele continua pensando, se ao menos tivesse sido um marido melhor, um ser humano melhor, Robin ainda estaria viva hoje. E ele pode muito bem estar certo. Então, sua culpa está devorando-o agora.” Jenn balançou a cabeça e acrescentou, “Não é de admirar que ele tenha agido assim. Mas… e o armário? Por que ele ficou tão nervoso quando eu agi como se fosse abri-lo?” Riley riu e disse, "Você também ficaria nervosa se tivesse dois agentes do FBI e um chefe de polícia em seu quarto, e tivesse um cachimbo escondido em seu armário". Jenn revirou os olhos. "Claro. Eu deveria saber." Riley não disse nada. A verdade era... Nós realmente não sabemos de nada. Por tudo o que Riley realmente sabia, Duane Scoville poderia ter matado sua esposa. Talvez matá-la fosse uma tentativa desesperada de apagar sua vergonha em abandoná-la - uma tentativa que falhara miseravelmente. Riley não achava que seria o caso, mas não tinha certeza. Eles realmente não tinham nada e ela estava apenas tentando evitar que Jenn tirasse conclusões precipitadas. E ela estava feliz por Jenn não estar ficando brava e defensiva como tinha acontecido quando estavam no Mississippi. Naquele momento, o celular do chefe Brennan tocou. Ele atendeu a chamada, então rapidamente segurou o telefone com a mão para dizer a Riley e seus colegas... “É o agente Sturman no telefone. Ele diz que sua equipe entrou em contato com os Copeland na Europa. Eles disseram que sua câmera foi configurada para gravar continuamente e salvar tudo o que gravou durante sua ausência. Sturman diz que eles entendem a urgência da situação e nos deram permissão para analisar seu feed de segurança. Eles também entregaram todas as informações necessárias para visualizá-lo.” Riley viu o rosto de Bill se iluminar. "Isso significa que não teremos que ir atrás de um mandado, e depois lidar com a empresa de segurança" Disse ele. Riley também estava excitada. Ela perguntou, "Como acessamos o feed?" Jenn sugeriu, "Pelo que sei sobre esses sistemas, devemos ser capazes de nos conectar online, de qualquer computador ou até mesmo de celular". "Eu vou descobrir" Disse o chefe Brennan. Ele falou novamente com Sturman no telefone e tirou algumas notas. Então terminou a ligação e mostrou ao grupo suas anotações. Ele disse, “Sturman me deu um link, um nome de usuário e uma senha. Nós deveríamos poder dar uma olhada aqui e agora.” Riley olhou para Jenn, que obviamente entendia melhor esses sistemas do que ela ou Bill. Ela disse para Jenn, "Vá em frente, veja o que você pode fazer." O chefe Brennan entregou suas anotações para Jenn, que tirou o laptop da bolsa e abriu-o na mesa. Demorou apenas alguns segundos para ela fazer a conexão. Todos na mesa se aglomeraram ao redor do laptop para que pudessem ver a imagem na tela. A imagem não estava nítida ou clara. Mas foi exatamente o que Riley esperava com base na posição da câmera. Ela apontou e disse, “Olhe, esta é a rua bem em frente à casa dos Copeland. Embora você não consiga ver, a casa de Robin Scoville está fora da imagem, do outro lado da rua.” "Então o que estamos procurando?" Perguntou o Chefe Brennan. Riley reprimiu um suspiro. Essa é uma boa pergunta, Pensou. Ela pensou em sua tentativa de se conectar com a mente do assassino na casa de Robin Scoville. Lembrou de imaginar como o assassino encontrou Robin olhando pela janela da frente, depois se arrastando atrás dela e a pegando de surpresa. Robin estava olhando para alguma coisa lá fora. Riley tinha certeza disso. Ela disse aos outros, “Estamos procurando por qualquer coisa nas primeiras horas da manhã. Não é provável que vejamos o verdadeiro assassino na rua, mas podemos ter sorte. Parecia que Robin estava olhando pela janela da frente quando foi atacada. Talvez possamos ter uma pista do que ela viu lá fora. Eu não sei o que pode ser. Espero que saibamos se virmos nós mesmos.” Então ela disse ao chefe Brennan, "Você disse a morte de Robin tinha ocorrido por volta das quatro da manhã, certo?" Brennan encolheu os ombros. "Essa é a hora aproximada que o médico legista nos deu" Ele respondeu. "É algo em que podemos trabalhar" Disse Riley. “Jenn, comece a filmagem às, digamos, três e meia. Passe rápido até vermos algo interessante.” Jenn avançou rapidamente a filmagem. No início, a rua estava vazia. Então um carro passou sem parar. Alguns minutos depois, outro carro passou e a rua ficou vazia novamente. Então Jenn parou o feed. "O que é isso?" Ela perguntou, apontando para algo grande e volumoso que tinha aparecido. Olhando para a imagem parada, o chefe Brennan disse, “É só um caminhão de lixo. Nada sinistro.” Talvez não, Pensou Riley. Mesmo assim, ela disse para Jenn, “Recue e passe devagar”. Jennifer recuou a imagem antes do caminhão de lixo aparecer. Então percorreu cada frame. O caminhão era do tipo com braços mecânicos que pegavam automaticamente latas de lixo. Embora a câmera não mostrasse a casa de Robin, ela mostrou a máquina pegando o caixote e jogando o lixo no caminhão. Mas Riley viu algo muito mais importante que isso. Ela apontou para a tela e disse, "Está um homem ali". Os companheiros de Riley olharam mais de perto para a tela enquanto Jenn continuava a percorrer as imagens quadro a quadro. Com certeza, um homem estava andando ao lado do caminhão. A imagem de baixa resolução não mostrou nada claramente. Ele parecia pouco mais do que uma silhueta confusa. Quando o caminhão terminou de despejar o lixo de Robin, ele se dirigiu para a casa seguinte. Mas o homem ficou parado ali. Riley percebeu com um formigamento... Ele está olhando para a casa de Robin. Então Riley disse para Jenn... "Pare nesse frame!" Jenn parou o feed, olhou para a imagem e perguntou... "O que ele está fazendo agora?" A figura sombria parecia ter levantado um braço. "Quase parece que ele está apontando uma arma" Disse Brennan. "Mas a vítima não foi baleada." "Parece que ele está apontando para alguma coisa" Disse Bill. "Apontando para a vítima?" Jenn perguntou. “Ameaçando ela?” Riley disse, "Continue correndo devagar." Jenn correu o frame de imagens quadro a quadro. Riley e seus colegas puderam ver o homem parado ali por um momento, com o braço levantado, olhando na direção da casa da vítima. Então ele abaixou o braço e saiu da imagem. Riley disse para Jenn, "Faça tudo novamente." Jenn recuou as imagens para o ponto onde o caminhão estava aparecendo, então correu devagar. Mais uma vez, Riley e seus colegas viram o caminhão parar para pegar o caixote de lixo de Robin. Mais uma vez, eles viram um homem andando ao lado do caminhão. Viram o caminhão começar a sair de vista, depois o homem de pé, gesticulando e finalmente deixando a cena. "Quem era aquele cara?" O chefe Brennan perguntou com uma voz espantada. "O que ele estava fazendo?" Jenn acrescentou. E para onde é que ele foi? Perguntou-se Riley. CAPÍTULO OITO Riley suspirou desanimada. Simplesmente não havia mais nada para ver. Ela e seus colegas estavam olhando fixamente para a tela enquanto Jenn mostrava as imagens da câmera de segurança várias vezes. Mas a câmera não estava bem focada para essa distância da casa que foi montada para proteger. O homem andando ao lado do caminhão permaneceu um borrão indistinto. Não encontraram nenhuma pista que indicasse por que ele subitamente saíra do quadro ou para onde tinha ido. Não voltou a aparecer. Riley disse, "Temos que descobrir quem é esse homem. Ele e o motorista do caminhão parecem ser os únicos seres vivos naquela rua naquele momento ”. "Esse cara estava em movimento no momento aproximado do assassinato" Acrescentou Jenn. "Nós podemos estar aqui a ver o assassino." "O caminhão parece ter continuado seu caminho sem ele" Disse Bill. "Não podemos ter certeza de que estavam juntos." "Eu acho que sei como encontrar algumas respostas" Disse o chefe Brennan. Ele pegou o celular. "Eu tenho um número direto para Roger Link, diretor de obras públicas aqui em Wilburton." Brennan digitou um número e ligou o viva-voz para que Riley e seus colegas pudessem ouvir. Quando Brennan colocou o diretor na linha, disse, "Roger, fala Clark Brennan". A voz respondeu alegremente, "Ei, como você está, Clark?" Brennan coçou o queixo e disse, “Bem, espero que você possa me ajudar com um problema. Tenho certeza que você sabe sobre o assassinato que aconteceu na noite anterior.” "Sim. Coisa horrível.” Brennan disse, “Alguns agentes do FBI e eu estamos olhando para um feed de segurança e vemos que um caminhão de coleta de lixo passou pela casa da vítima mais ou menos na altura do assassinato. Havia um cara a pé ao lado do caminhão e ele agiu de forma um pouco estranha”. Ele disse, "Certamente você não suspeita de nenhum dos nossos caras de saneamento". Brennan disse, "Honestamente, Roger, não sabemos o que diabos pensar. Mas precisamos saber quem estava trabalhando naquela rota em particular naquela noite.” "Nossos homens geralmente trabalham sozinhos" Respondeu o diretor. "Agora que estamos usando esses veículos de captação de braço robótico, eles nem interagem mais com as pessoas em suas rotas. De um modo geral, as coisas são melhores assim.” Brennan deu-lhe o endereço de Robin Scoville. "OK, vou ver o que posso descobrir" Disse o diretor. Riley e seus colegas ouviram barulho em um teclado. Então o diretor falou novamente. “Eu posso ter descoberto algo para você. Isso é um pouco incomum. O nome do motorista dessa rota é Dick Abbott. Naquela noite, ele teve alguém trabalhando com ele, um jovem chamado Wesley Mannis. Parece que Wesley mora em Wilburton House, uma instalação do DID.” Jenn perguntou, "DID?" "Deficiências intelectuais e de desenvolvimento" Disse o diretor. O chefe Brennan perguntou, "Então isso significa que ele é retardado ou deficiente físico ou...?" "Eu não sei" Disse o diretor. “Mas a instalação e a cidade organizam um programa para moradores residentes no DID. A cidade contrata os residentes para trabalhos fora das instalações, ajudando-os a ter uma vida normal. Esse Wesley Mannis fazia parte desse programa e seu trabalho era algo não muito exigente. Realmente, ele apenas caminhava ao lado do caminhão e garantia que nenhum lixo caísse. Não é muito trabalho, mas deu a ele algo para fazer até...” O diretor fez uma pausa. Riley teve que morder a língua para não perguntar... "Até o quê?" Depois de outro barulho de teclado, o diretor disse, “Dois dias atrás, o motorista apresentou um relatório dizendo que Wesley havia desaparecido em algum momento durante o turno daquela manhã. Somos obrigados a fazer isso quando esses trabalhadores não aparecem.” "Essa foi a manhã em que Robin Scoville foi assassinada" Disse Jenn. "Você consegue identificar o tempo?” Perguntou Brennan. "Não" Respondeu o diretor. "Isso não diz exatamente quando, onde ou por que Wesley desapareceu. Aparentemente, Wesley apenas se afastou em algum lugar ao longo da rota e o motorista não sentiu falta dele imediatamente. O Departamento de Obras Públicas alertou Wilburton House que um de seus moradores tinha saído em um emprego e... bem, isso é tudo que o relatório diz.” Riley perguntou, "Nada sobre se Wesley acabou aparecendo na Wilburton House?" "Não, eu acho que você vai ter que descobrir isso com a equipe lá." "Nós vamos fazer isso, obrigado" Disse o chefe Brennan. Ele terminou a ligação e olhou para Riley e seus dois colegas. "O que acham?" Perguntou aos três agentes. “Talvez este Wesley Mannis seja nosso assassino?” Riley não tinha ideia e, a julgar pelo silêncio dos colegas, parecia-lhe que nem Jenn nem Bill tinham. "Se é" Jenn finalmente disse timidamente, "já o apanhamos." "Não seria legal e fácil?" Bill murmurou. Mas a possibilidade não convencia Riley. Será que o mesmo residente da mesma instalação foi para New Haven há uma semana e matou Vincent Cranston durante sua corrida matinal na trilha Friendship Woods? Riley achou isso difícil de acreditar. Ela disse a Brennan, "Precisamos ir a Wilburton House". Brennan assentiu e digitou outro número em seu celular. Quando a recepcionista da instalação atendeu, ele disse, “Chefe de polícia Clark Brennan aqui. Eu tenho três agentes do FBI ouvindo essa ligação. Nós precisamos saber - você tem um morador aí chamado Wesley Mannis? ” "Sim." "Ele está na instalação agora?" "Eu vou verificar." Depois de uma breve pausa, a recepcionista disse, "Sim, ele está em seu quarto." Aparentemente inseguro sobre o que perguntar em seguida, Brennan olhou apelativamente para Riley e seus colegas. Riley disse à recepcionista, "Precisamos saber sobre as atividades de Wesley Mannis há dois dias, durante as primeiras horas da manhã". Um breve silêncio caiu. Em seguida, a recepcionista disse, "Sinto muito, e espero que você entenda, mas não me sinto muito à vontade para compartilhar informações sobre um paciente por telefone. Você poderia vir falar com alguém da equipe pessoalmente?” "Nós vamos para aí" Disse o chefe Brennan. Brennan conduziu Riley e seus colegas pela cidade até Wilburton House. Enquanto Brennan estacionava seu carro, Riley ficou impressionada com o tamanho da instalação que parecia uma pequena mansão projetada com bom gosto. Quando todos entraram, foram imediatamente recebidos por uma mulher alta, esbelta e sorridente, vestida com alegres tons pastel. Ela deu um passo em direção ao chefe de polícia, apertou sua mão e disse, “Você deve ser Clark Brennan. Creio que não nos conhecemos. Eu sou a Dra. Amy Rhind e sou a diretora das instalações.” Riley, Bill e Jenn mostraram seus distintivos e se apresentaram a ela. A Dra. Rhind convidou-os a se sentarem no confortável saguão. Ela disse, "Sei que estão aqui por causa de um de nossos residentes, Wesley Mannis". A testa dela se franziu de preocupação e acrescentou, "Estou feliz que estejam aqui. Talvez nos possam ajudar a entender o que aconteceu com ele. Receio que seja um mistério.” Essa palavra alarmou Riley um pouco. Um mistério. Ela estava esperando por respostas, não perguntas. Riley ouviu Bill perguntar baixinho. Um mistério? Isso pode não ser tão legal e fácil, afinal. CAPÍTULO NOVE Riley estava começando a se sentir preocupada. Eles tinham ido ali procurar uma solução, não outro mistério. Ela não podia imaginar o que a Dra. Rhind queria dizer quando declarou... "Talvez nos possam ajudar a entender o que aconteceu com ele." A recepcionista não dissera a Riley e seus colegas ao telefone que Wesley Mannis estava em seu quarto? Riley perguntou, "Você está dizendo que Wesley está desaparecido?" A Dra. Rhind sacudiu a cabeça. "Não, ele está aqui, mas..." Ela ficou em silêncio por um momento e disse, "Por favor, poderiam explicar por que estão aqui?" Chefe Brennan disse, "Dra. Rhind, nós temos conhecimento que Wesley faz parte de um programa que faz parte de um acordo entre sua instituição e a cidade. Ele está trabalhando com um motorista de saneamento durante um turno matinal. Isso está certo?" "Isso mesmo" Disse a Dra. Rhind. Brennan continuou, “Bem, nós o pegamos em um vídeo de segurança. Ele estava em frente à casa de uma mulher que foi assassinada naquela noite. Depois desapareceu.” Os olhos da Dra. Rhind se arregalaram. Ela disse, “Oh, não. Certamente não suspeitam que Wesley...” Sua voz sumiu e ela olhou em seu redor desconfortavelmente. Tentando parecer reconfortante, Riley disse, "Não sabemos o que pensar, Dra. Rhind. Nós só precisamos conversar com Wesley.” Dra. Rhind disse, "Eu não tenho certeza se é possível. Wesley é severamente autista. E como muitas pessoas autistas, ele tem sérios problemas com habilidades sociais e de linguagem. Ele estava fazendo um grande progresso por um tempo e o programa de trabalho parecia estar fazendo muito bem, realmente tirando-o da concha”. Com um suspiro, a Dr. Rhind acrescentou, “Então, há duas noites, o Departamento de Obras Públicas ligou para informar que ele desaparecera. Nós estávamos terrivelmente preocupados, mas ele apareceu aqui algumas horas depois. Aparentemente andou todo o caminho de volta de onde quer que estivesse. Mas…" Ela apertou as mãos preocupada e continuou. "Ele teve algum tipo de revés terrível. Ele estava se dando muito bem, mas agora voltou a ser completamente incomunicativo. Não sabíamos por quê, apesar de raramente sabermos com nossos residentes autistas. Seu progresso é muitas vezes irregular e temos que lidar com nossa parcela de decepções. Mas pelo que você está dizendo, talvez o revés dele tenha algo a ver com...” Конец ознакомительного фрагмента. 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